16.4.13

sincero ou não, eis a questão


O início de uma relação é marcado pela descoberta. Primeiro dá-se a atracção que pode ter como base um olhar, um sorriso, um gesto ou simplesmente um atributo físico. Depois, caso as pessoas se aproximem, dá-se a descoberta de cada um. É nesta altura que se conhece a pessoa bem como o tipo de coisas que agradam a cada um.

Neste momento, há duas atitudes que podem ser adoptadas. Ser sincero, algo que poucos preferem. Ou fazer fretes com um sorriso no rosto, o mais comum. Quando falo em fretes refiro-me aquelas pessoas que se submetem a tudo para agradar a quem tentam conquistar. Por exemplo, pessoas que aceitam comer sushi quando detestam esse tipo de comida. A maior parte das pessoas tem medo de ser sincero e genuíno com receio de afastar a pessoa de quem se tenta aproximar.

Esta falsa felicidade faz com que a fase inicial da relação seja ainda mais cor-de-rosa do que é normal. Tudo é perfeito. Tudo se conjuga na perfeição. Parecem duas almas gémeas que foram separadas à nascença e que o destino acabou por juntar. E tudo corre bem... até ao momento em que aquele que mentiu atinge o seu limite e começa a deixar de querer fazer coisas que sempre fez com um sorriso estampado no rosto. Essa repentina recusa acaba sempre em discussão. “Então, não gostavas tanto disto?”, ouve-se.

Sou da opinião que as pessoas devem ceder numa relação. Não se deve fazer sempre aquilo de que um gosta. O esforço de repartir deve ser comum a ambos. Esta é a forma como encaro uma relação. Mas não sou adepto de assumir um papel que não é o meu para conquistar alguém. Em primeiro lugar, porque a pessoa tem de gostar da outra pessoa pelo que é e não pela disponibilidade para fazer o que alguém gosta de fazer. Até porque esta representação pode estar a juntar duas pessoas que nada têm em comum e que estão somente a iludir-se com base em mentiras sem maldade mas que não passam disso mesmo.

Acho que é muito melhor dizer “não gosto disso” do que fingir que estou a ser convidado para algo extraordinário que na realidade não aprecio. Quando se constrói um edifício, aquilo que mais importa é a base que o vai sustentar. De modo a que aguente um grande esforço sem ceder e ruir. A partir do momento que essa base é constituída por um castelo de cartas, é uma questão de tempo até que esteja destruído por completo.

41 comentários:

  1. Eu acho que devemos ser sempre sinceros acima de tudo se de inicio a relação não tiver sinceridade acho que não vai resultar...

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  2. Na minha opinião: ser sincero sempre, não sendo é construir uma relação com um baralho de cartas e isso, mais dia menos dia, acaba por ruir.

    Mas é a minha modesta opinião, :(

    Abraço e boa semana

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  3. o mais difícil nunca é começar uma relação, mas sim mantê-la...têm que dar os dois o braço a torcer!!! :)

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  4. Concordo com tudo :) O melhor é deixarmos bem claro que não gostamos, apesar de o fazermos, de cedermos, em prol do bem estar da outra pessoa.
    Dar e receber na mesma medida, é o maior desafio :)

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  5. A experiência de vida conjugada com o mau feitio inato faz com que eu ponha logo as cartas na mesa. Oh, o cavalheiro não gosta? Próximo! :-) Não tenho nem tempo nem paciência para fretes!

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  6. Concordo plenamente, mas isto é coisa que se vai aprendendo. É preciso fazer alguns fretes e sorrisos amarelos e, infelizmente, ver no que dá para se ter arcaboiço de perceber o que são as cedências e o que é a falsidade.

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  7. Certíssimo.
    Sinceridade sempre mas com tacto.
    Não custa nada e faz maravilhas pela disposição de quem propôs um programa, deu uma ideia, tentou fazer um agrado e acertou ao lado. :)
    A secura de um "não gosto disso" também pode deitar tudo a perder. Bem como a imposição por parte do outro dos seus gostos e ideias.
    Por isso, repito. Tacto mas para tal é imprescindível que se olhe para o outro com olhos de ver.

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    1. Não se trata de dizer não gosto disto assim dessa forma. Mas de ser sincero de forma suave e perceptível para alguém.

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    2. Assim, sim. :) Claro :) Apenas referi que a forma como se diz pode ter um efeito tão nefasto como a não sinceridade no que diz respeito ao que afirmamos gostar ou não.

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  8. Não ser genuino cria expetativas altas, e falsas, o que vai originar deceções, desgostos, mais cedo ou mais tarde.
    Há os que oferecem flores nos primeiros meses e tudo ou nada é motivo de celebração...pelo que após alguns meses, por vezes anos consoante a capacidade inventiva de cada um, até o aniversário da cara-metade se esquece...peca-se por excesso inicial, pela avidez de criar deslumbramento sobre um personagem inventado,ignoram-se os defeitos que fazem com que se destaquem do rebanho e que definem a personalidade de um individuo. Atrocidades são cometidas de forma a esconder o mais possivel uma baixa auto-estima.
    Não é necessário ser um "cérebro" para perceber que tanto sa qualidades quanto os defeitos nos fazem seres únicos e que é esta junção 50/50 que é admirável.
    Num registo menos sério, eles não precisam de se armarem em cavalheiros se não têm um smoking no armário, nem elas têm que andar de saltos altos se caminham "às 10 para as 2". haja peso e medida por que o Carnaval não é todo o dia :) bjs

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  9. Concordo perfeitamente contigo. Isso é a maior e estúpidez burrice que alguém pode fazer, não só engana com quem está, como também se engana a si prórpia(a). Quem gosta de nós aceita-nos como somos. Se não gosto de certas comidas, não vou fazer bonito só para que o outro lado me aceite. muito pelo contrário, se não gosto, não consigo comer, caso contrário vomito ahahaha. Concordo no equilibrio entre as duas partes e nos moldarmo-nos no bom sentido. Eu por exemplo, durmo sozinha, tenho a cama só para mim se arranjar alguém com quem a partilhar, é evidente que vou dividir e vou ter que aprender a dormir acompanhada. Há que sermos reais, mostrar quem somos, tanto nas qualidades, virtudes e defeitos. O meio termo é sempre encontrado, quando duas pessoas gostam uma da outra. Eu ou gosto ou não gosto, fazer frete ou ser falsa para mim é impensável. Ou aceitam-me como eu sou e se não sou aceite como sou só significa que não gostam de mim e ai só existe um caminho a seguir. No sushi que eu adoro e confesso que inicialmente não gostava, até que a minha irmã me levou a um restaurante muito bom e fiquei fã. Hoje, tenho dificuldades ter alguém que me acompanhe, já que é uma comida não muito apreciada por muita pessoas. Tenho sorte de ter os sobrinhos que adoram e lá vamos nós fazer a festa no sushi.

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  10. Na maior parte das vezes as pessoas que têm esse tipo de atitudes esquecem-se do que isso implica. Esquecem-se de que, no caso de a relação durar, não vão querer andar a vida toda contrariadas e que no dia em que começarem a vir ao de cima as verdades que estavam escondidas a relação volta ao início e o tempo que passou acaba por ter sido desperdiçado, uma vez que temos que nos dispor de novo a conhecer uma pessoa nova, com gostos e vontades diferentes daquela que já pensávamos conhecer.

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  11. Concordo a 100% contigo...a falta de sinceridade num relacionamento nunca dá bom resultado ... como se costuma dizer a mentira tem pernas curtas :)

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  12. eu também concordo plenamente.....temos de ser sempre sinceros e não tentar mudar o outro...isso não dá resultado.

    coisasquetaiseafins.blogspot.pt

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  13. a carência é tanta que as pessoas se dispõe a tal papel. no fim, não compensa em nada. é tempo mentindo em vão.

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  14. Estou absolutamente de acordo com o que dizes. Acho que "o fazer jeitos e fretes para agradar ao outro mesmo que num determinado tempo mais ou menos curto vem a dar mau resultado, isto porque reflecte algo que não se baseia na verdade e mais tarde ou mais cedo sai a descoberto. Não confundamos "fazer por agradar" com ceder por mostrar compreensão e amor ou ir aprendendo as pequenas grandes coisas que o outro gosta e passar a fazê-las por sentir gosto em fazê-lo. Compreensão e conciliação de interesses é um processo necessariamente a dois e de longo prazo e exige sempre a verdade.

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  15. Para mim na vida, como numa relação a dois, tudo tem que ser verdadeiro. Mostrar-mos quem somos, sem esconder o que nos degrada, ou seja, fazer frete só para ficar bem.
    Ser genuíno, sempre! :)

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  16. Há muita vida para lá das semelhanças. Às vezes é nas diferenças que temos mais espaço para evoluir -- e evoluir felizes, abraçando coisas que não fazíamos ideia que nos fariam tão bem. Acho que a mais imponente diferença que registei, entre mim e alguém que tentava conquistar-me, seguiu nestes termos: "Talking is overrated". E naquele momento os meus lábios entreabriram-se de espanto (e horror :P), mas a minha mente prestou ainda mais atenção àquela pessoa que colocava toda a responsabilidade de quem era nos seus gestos. O conceito parece familiar, mas nem sempre as pessoas são corajosas ao ponto de quererem que os outros examinem os seus gestos com visão de águia, daí em diante. E na realidade essa tornou-se uma das pessoas mais importantes da minha vida. Mas arriscou... foi por um triz que não o deixei a falar sozinho ;)

    Acontece que ser-se genuíno é uma qualidade extremamente atraente.

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  17. Devemos ser sempre sinceros pq mesmo nao gostado das mesmas coisas nao quer dizer que a relaçao nao resulte. Eu e a minha noiva nao gostamos do mesmo tipo de musica, nem de filmes ou ate de comidas...mas no entanto estamos super apaixonados e fazemos juz o ditado de que "os opostos atraiem-se" ;)

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  18. Sinceridade acima de tudo. Essa característica devia ser um dos pilares de tudo na vida, o que inclui as relações amorosas ou apenas de amizade.

    O Que Um Homem Sofre

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