24.9.26

stella: vergonha, aproveitamento ou o novo normal dos nossos dias?

 Por estes dias, parece que o país inteiro só consegue falar de uma pessoa: Stella.

Se andas a viver debaixo de uma pedra e não fazes ideia do que estou a falar, resumo-te o enredo. Trata-se da jovem de 24 anos que decidiu invadir o palco de um evento da RFM no Cais do Sodré, arrancou o microfone ao cantor Bluay e transformou-se instantaneamente num meme nacional e numa estrela viral.

A partir daí, a internet dividiu-se, as caixas de comentários pegaram fogo e as teorias multiplicam-se a cada minuto. Afinal, o que está por trás deste fenómeno?

Vergonha ou falta de civismo?

De um lado da barricada tens os defensores da moral e dos bons costumes. Há quem olhe para isto com profunda vergonha alheia. Como é possível que uma pessoa se torne famosa à custa de uma falta de respeito gritante pelo espaço alheio?

O que mais choca muita gente não é apenas a ação impulsiva da jovem, mas sim ver uma multidão a aplaudir e a legitimar um comportamento que, até há muito pouco tempo, seria visto como pura falta de educação. Estaremos a criar heróis de meia pataca que apenas sabem fazer barulho?

O aproveitamento e o cifrão nos olhos

Depois, passamos para a faceta empresarial e pragmática do assunto. Se achas que a Stella é apenas uma vítima ingénua da própria impulsividade, podes tirar o cavalo da chuva.

A jovem percebeu o comboio da fama a passar à velocidade da luz, correu a criar um perfil de Instagram e, segundo reza a lenda, já cobra 2.000 euros por ação de marketing. Uns chamam-lhe chico-espertismo digital; outros chamam-lhe uma visão de negócio implacável num mundo que premeia a atenção a todo o custo. Afinal de contas, quem de nós recusaria rentabilizar os quinze minutos de fama?

Um produto descartável das redes sociais

Por fim, deixo-te a grande dúvida que me persegue: não será a Stella um mero produto perfeito dos dias que correm?

Vivemos numa era em que as redes sociais fazem e desfazem heróis e vilões à velocidade de um scroll. Plataformas que elevam pessoas ao patamar de semi-deuses para, logo a seguir, as cuspir e esquecer na sarjeta da irrelevância digital.

Estará a Stella assim tão errada ao querer capitalizar a sua fama instantânea, tirando o maior proveito monetário possível antes que a internet passe para a próxima polémica?

Existem opiniões para todos os gostos e, sejamos honestos, provavelmente nenhuma delas está verdadeiramente errada. O que tem isto tudo no carro do Pingo Doce? Provavelmente o reflexo exato da sociedade em que vivemos.

Deixo-vos a questão. Votação aberta nos comentários: estamos perante o fim dos valores ou perante uma mestre do marketing moderno?