13.5.26

desilusão ou ilusão? o erro que todos cometemos com os outros

Já todos passámos por isto. Aquele momento em que sentes um nó no estômago porque alguém em quem confiavas falhou redondamente. Olhas para o lado e dizes: "Fiquei mesmo desiludido com aquela pessoa". Mas deixa-me convidar-te a dar um passo atrás e a pensar comigo: será que foi ela que te desiludiu ou foste tu que te deixaste iludir?

A armadilha da imagem idealizada


A verdade é que nós somos máquinas de criar perfis falsos na nossa cabeça. Conhecemos alguém num jantar, no ginásio ou através de amigos comuns e, de imediato, o nosso cérebro começa a preencher os espaços em branco. Criamos uma imagem, uma aura de perfeição ou de compatibilidade que, na esmagadora maioria das vezes, não tem qualquer correspondência com a realidade.

Acreditamos no que queremos ver. Se precisas de um amigo leal, vais projetar lealdade absoluta naquele conhecido recente. Se procuras um parceiro ideal, vais ignorar os sinais de alerta só para manter a tua construção mental intacta.

O ambiente não é a pessoa


Muitas vezes, o erro nasce da falta de profundidade. Conheces alguém num determinado ambiente — profissional, social ou digital — e assumes que aquela pessoa é assim 24 horas por dia. Mas o ser humano é complexo. O "facto" é que passamos pouco tempo com a maioria das pessoas que nos rodeiam. Conhecemos "partes" e tentamos vender a nós próprios que conhecemos o "todo".

Quando essa pessoa age de acordo com a natureza dela (e não com a tua regra), sentes-te traído. Mas quem traiu quem? Ela, por ser quem é, ou tu, por quereres que ela fosse como os teus olhos decidiram?

Aceitar a realidade para evitar o tombo


Eu acredito piamente que a desilusão é apenas o fim de uma ilusão que nós alimentámos. É o choque entre a fantasia e o real. Se queres sofrer menos, o segredo é simples, embora difícil de aplicar: observa mais e projeta menos. Aceita que as pessoas são falíveis, imprevisíveis e, acima de tudo, diferentes do que tu gostarias que fossem.

E tu, o que achas? Costumas carregar o peso da desilusão ou já percebeste que, às vezes, o realizador deste filme foste tu?