5.12.12

o medo. sempre o medo. irra!


Ontem, numa animada conversa com duas amigas foi abordado um tema importante que mexe comigo. Dito de outra forma, que me dá muito que pensar. Um tema que tem o poder de fazer da minha cabeça um turbilhão de sentimentos que me deixam quase sempre sem saber o que pensar.

O tema era o medo. O medo do desconhecido. Mas não era um desconhecido qualquer. Era um desconhecido que amamos e que nos realiza. Parece ridículo ou absurdo mas não é. Falava-se de pessoas que têm coragem de mudar de vida. Pessoas que trocaram a realidade que tinham por uma aposta noutra área profissional que as realiza de forma única.

É verdade que esta questão tem muitas alíneas que não podem ser esquecidas. Trata-se de uma pessoa sozinha que decide mudar de vida? Um casal? Um dos membros do casal? Um dos membros de um casal com filhos? Tudo isto muda por completo em cada uma destas situações que têm em comum o medo. O medo que as pessoas sentem na altura de arriscar e mudar de vida.

Do grupo de pessoas que conheço, poucas são as que tiveram coragem de mudar. De arriscar. Que não tiveram medo de serem felizes. Mas, a verdade é que estão melhor do que estavam. E com isto não digo que são milionários. São pessoas que estão realizadas a fazer aquilo de que gostam e felizmente com melhores ordenados do que os anteriores.

Infelizmente, estas pessoas são excepções. A fatia maior deste bolo são os acomodados. E não tenho medo de dizer que sou das pessoas que pondera muito antes de uma mudança radical. Não tenho medo mas sou calculista em demasia. E, dentro do grupo dos acomodados estão muitos insatisfeitos. Aqueles que vão trabalhar sem desejo ou vontade. Pessoas robotizadas que vão para os seus locais de trabalho sem qualquer ambição de algo diferente, apesar da infelicidade patente nos seus rostos.

Muitas vezes pergunto a estas pessoas porque não mudam de vida. E pergunto porque vejo nessas mesmas pessoas talento para muitas outras profissões. E a resposta é quase sempre a mesma. “Porque tenho uma profissão estável”, dizem. Ou seja, preferem uma estabilidade que não os satisfaz nem realiza do que arriscar e ser feliz. É óbvio que este tema é muito mais fácil de ser escrito do que vivido. Não o nego. Mas era bom que a tentativa de ser feliz não fosse sempre vencida pelo medo. Até porque, nos dias que correm, o que é uma vida profissional estável? Isso existe?

Como referi, é mais fácil falar do que viver. E felizmente, sinto-me realizado no mundo das palavras. Mas muitas vezes dou por mim a pensar se não preciso de um leap of faith. Se não preciso de acreditar naquilo que aparenta ser inatingível. E, quando penso nisso recordo-me sempre de uma frase proferida diversas vezes por um grande amigo. “Prefiro chegar a velho e arrepender-me daquilo que fiz do que passar o tempo todo a pensar se deveria ter feito.” E como dou razão a esta frase.

32 comentários:

  1. Eu acho que, felizmente, sempre tive coragem de arriscar...
    Mas, a dar o salto, seria dentro da mesma área - o tal "mundo das palavras"? Numa realidade ideal, em que o medo não existisse, o salto seria para onde...? :)

    pippacoco.blogspot.com

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    1. Eu imagino-me a arriscar em muitas áreas diferentes. Tenho uma ideia de negócio que adorava colocar em prática e só posso dizer que metia livros, doces e flores :)

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  2. So nos podemos arrepender daquilo que nao fizemos. E por acaso existe maior arrependimento? Errar, todos erramos, mas e assim que evoluimos. Agora, nao agir por medo de nao conseguir corresponder as responsabilidades que suportamos nos ombros (porque e disso que se trata aqui)leva-nos a estagnaçao e dai resulta a insatisfaçao pessoal e profissional. Quando o medo e muito o melhor e nem sair do mesmo sitio e nao mudar nada porque logo a partida esta destinado a falhar. Para mudar e ser feliz ha que arriscar de uma forma arrojada e estar convicto que vai mudar para melhor e "dar conta do recado". Numa prova profissional de atletismo nenhum corredor arranca pensando "eu ja perdi", para isso nem valia a pena marcar presença.

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  3. Ao ler as duas ultimas frases não podia estar mais de concordo com elas.Quanto a mim o mais importante na vida é dar o melhor de nós, fazer a cada momento o que achamos certo e se fôr preciso arriscar, porque não? Viver com "ses" ou ressentimentos isso é que não!

    Claro que é mais fácil falar do que viver. E ás vezes a vida empurra-nos para o risco e aí fica mais fácil! :)

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  4. Concordo tanto com a Maria Misteriosa, arrepender-me do que não fiz não faz parte da minha vida. É claro que esta certeza ficou vincada depois de alguns problemas de saúde. Já mudei profissionalmente, dei um salto para o escuro. Correu mal, muito mal! Mas foi uma aprendizagem, se me arrependo? Não. Se não o tivesse feito ficava sempre com a angústia de não o ter feito.

    teoriasavulso.blogspot.pt

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  5. Eu tenho medo de montes de coisas... e o medo de mudar de vida é uma delas. Agarramo-nos às nossas seguranças e o desconhecido assusta :)

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  6. É natural concordar (teoricamente) com a afirmação do teu amigo. Eu li e concordei. Agora se no dia a dia coloco isso em prática? Muito raramente, para não dizer quase nunca. Sou Acomodada? Não me parece. Medricas? Talvez. No entanto, julgo que não tem a ver, pelo menos no meu caso, com coragem ou falta dela. As nossas escolhas atingem (quase) sempre outras pessoas e sempre fui de pensar mais nos outros do que em mim. A nível profissional, há uns anos, arrisquei, e até deu muito bom resultado. Mas, mais uma vez, as pessoas que me rodeavam levaram-me a desistir. Se estou arrependida? Prefiro não pensar no assunto. E, como as coisas estão hoje em dia, torna-se cada vez mais difícil arriscar.

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    1. Percebo o que dizes mas acho que nos dias que correm as pessoas ainda têm mais medo de arriscar. Agarram-se ao pouco que têm com medo que esse pouco desapareça. Sou mais ou menos como tu mas acho que há alturas em que temos de ser egoístas e pensar apenas em nós.

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  7. Eu sou daquelas pessoas que gosta de apalpar bem o terreno antes de o pisar.

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  8. Eu sou um dos que não se sente realizado com aquilo que faz, mas também não arrisco a mudar de vida.

    Admiro aquelas pessoas que deixaram uma carreira (muitas vezes mais estável e até de sucesso) e optaram por fazer algo que as realizasse. É preciso muita coragem, porque a mudança pode ser radical e quebrar hábitos.

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    1. Eu também admiro e acho que aquilo que me "aguenta" é a realização profissional. Trabalho num mundo que gosto e sinto-me "valorizado". E isso mantém-me à tona.

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  9. Posso dizer que me acomodei ao meu local de trabalho, sem dúvida! Gosto do que faço, gosto dos meus colegas... Se há uns anos atrás tivesse mudado de sítio estaria a ganhar melhor, mas tendo em conta a situação actual e as contas que tenho para pagar, acho que vou ficar quietinha nos próximos tempos...

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  10. E perguntas tu muito bem. E respondo do alto dos meus 23 anos, que sou quase profundamente infeliz no meu trabalho, mas também é verdade que é quase estável, não fosse a instabilidade do chefão. Alguma coisa terá que ser feita. 2013 promete (a menos que me acobarde)

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    1. Existem empregos estáveis nos dias que correm? Desejo-te a maior das sortes para o próximo ano. Espero que tudo corra bem com o teu leap of faith

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  11. Essa conversa tem pano para mangas, nós reagimos de maneira diferente nas mesmas situações, temos prioridades diferentes. Eu quero ser feliz e esse é objectivo, sentir-me realizada em vários campos [pessoas e profissional] e claro nada neste momento me impede de arriscar, se o tiver de fazer farei. Mas há muitas pessoas que não são capazes. Há muitas alíneas..

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    1. Há muito a ter em conta. Ainda bem que o medo não te inibe.

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  12. Infelizmente conheci a palavra medo no meu último local de trabalho, devido a ter sido vítima de bullying laboral. Felizmente consegui ultrapassar melhor a situação, embora continuo a ter certo tipo de medos. Tenho medo que depois do que passei não seja capaz mais de ser produtiva e boa profissional como fui até ir para aquele "antro" podre de pessoas.
    O outro medo que tenho é de arriscar num negócio que tanto quero (tenho alguns) Tenho ideias e organizadas mas a conjuntura económica do país levam-me a pensar que é melhor não arriscar. E o engraçado é que um dos negócios que penso tb tem a ver com chocolates, diferentes! mas n vou revelar! :D
    De resto, prefiro arriscar em tudo na vida do que ficar a pensar no que poderia ter acontecido. Já o fiz várias vezes, já sofri mas estou aqui. Por isso, arrisco sempre, exceto num negócio que gostaria tanto de ter...

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  13. Estas tuas palavras passam-me também dee vez em quando na minha cabecinha! É complicado :(

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  14. Essa última frase é verdadeira sim, mas depois tb acontecem as situações de já teres tentado muda de vida uma vez e correu mal mas continuas infeliz como estás mas o medo de voltar a falar não te permite voltar a tentar e então aí, arrependes-te sim de ter tentado uma vez e agradeces o fato de não voltar a tentar...mais ou menos isto...é confuso este tema!
    :)

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    1. É muito confuso mas o medo e o erro não podem mandar em nós.

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  15. Eu seguida paixão bem cedo e cheguei ao topo. E o topo pode ser solitário. Às vezes olhamos para os lados e pensamos, gostava de ter um trabalho das 9 às 5 e de me poder queixar do meu chefe, gostava de não decidir tudo sozinha. Outras vezes penso, este foi o caminho que escolhi e há sempre formas de inovar, ainda que não sejam fáceis de descobrir. Por outro lado, chegar a casa e ter quem amar makes it all worthwhile. Truestory!

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  16. Medo...

    Não tenho medos, perdi-os, a vida ensinou-me a perder os medos... a enfrentar o touro pelos cornos, sem medos! A minha felicidade depende de mim, não depende de nada, nem de ninguém... Sabes o que me chamavam nos tempos de faculdade? Muralha da china! Um dia explicarei porquê, mas para já a mensagem que tenho a passar é: Viver é um risco consumado e aliado com a fé de vencer/acreditar! Não existem obstáculos intransponíveis, nem destinos fadados ao fracasso. Existe a verdade de se ser aquilo que o homem quer ser porque, na verdade, já o é!

    Beijinho!

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