29.12.12

criopreservação. sim ou não?

Apesar de não ser pai, a criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical é um tema que sempre me despertou curiosidade. Conheço pais que o fizeram, outros que não. Uns porque não tinham dinheiro. Outros porque entenderam que não valia a pena. Opinião comum a todos: é um serviço muito dispendioso e que deveria ser de fácil acesso devido à sua importância.
 
Enquanto jornalista já estive ao lado de pais que optaram pela criopreservação. Também já visitei as instalações de um dos mais afamados laboratórios que disponibiliza a criopreservação. E quanto mais conheço sobre o tema, mais quero descobrir. Até porque, ser pai faz parte dos meus planos. E esta opção sempre pairou sobre a minha cabeça.
 
Todavia, foi com surpresa que li uma notícia sobre este tema. De acordo com o Instituto Português do Sangue, o potencial do sangue umbilical é “residual”. A mesma entidade defende que se trata sempre de uma opção familiar mas “esclarece que o potencial benéfico, para o próprio ou um(a) irmão(ã) é, na verdade, no momento actual, quase residual.”
 
Porém, sublinham que no futuro podem aparecer, noutras áreas, utilizações do sangue do cordão umbilical. Mas, tudo não passa de “especulações”, reforçam, acrescentando “que não se justifica a criopreservação para utilização na idade adulta.” Isto deixou-me confuso. Criopreservação: sim ou não? É algo que pode realmente salvar uma vida ou apenas um negócio de milhões?

37 comentários:

  1. Lamentavelmente e pelo que tenho ouvido falar a alguns (mesmo assim já são bastantes) médicos, não passa de um negócio...o potencial é mesmo residual e ainda não se sabe bem o que lhe fazer...

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  2. Eu já trabalhei com duas empresas conhecidas na área, visitei as instalações e na altura (2008) andava maravilhada e completamente convencida das suas potencialidades. No entanto, desde então, tudo o que tenho lido tem deitado abaixo as minhas esperanças. Se fosse mãe hoje, acho que não recorria à criopreservação, em resumo. ;)

    pippacoco.blogspot.pt

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  3. Eu fiz a criopreservação das células estaminais num banco privado por 25 anos.
    Sei que hoje a utilização das células é residual, mas como é que sei qual a evolução da medicina daqui a 25 anos?
    E se um dia (mesmo com uma baixa probabilidade) as células poderia ser úteis? Como é que ia lida com o facto de que poderia ter guardado e não guardei...
    É caro mas não é (para mim) um valor exorbitante. E por isso decidi fazê-lo.

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    1. Colocas dúvidas que vão pairar sempre sobre os pais, sobretudo pelos que optam não fazer.

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  4. Não me digas que andaste aqui pela zona centro?

    Pensava que os beneficios já estavam cientificamente comprovados e que seria uma óptima opção para os pais.
    Sendo o potencial residual e algo dispendioso, julgo que a opção será não recorrer à criopreservação.

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    1. ND qdo li pensei no mesmo: Oohsb andou pela nossa zona aqui e não avisou, não telefonou! :D

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    2. Não. A minha visita não foi por aí. Foi nos arredores de Lisboa.

      Também eu pensava NightDark.

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  5. sim, a utilidade é, para já, muito residual... isso é verdade!
    mas acho que a maior dúvida até é: público ou privado?

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  6. Eu tomei a decisão de fazer a criopreservação. Residual ou não é difícil ter uma oportunidade e não a aproveitar. Na altura não havia o banco publico por isso fiz no privado. Não me arrependo.

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    1. Acho que não fazer e vir a precisar pode ser algo que destói um pai por dentro. Porém. Ter e não servir de nada é igualmente mau. Dá que pensar...

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  7. Tudo o que envolve dinheiro... é um negócio. Existirão alguns mais rentáveis do que outros, é certo.
    Mas no caso, tendo os pais capacidade financeira para suportar essa "oportunidade", ainda que residual, não a devem desperdiçar.
    Porque ninguém gosta de viver de "SE's" e "mais vale prevenir do que..."

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    1. Para quem tem dinheiro, tens toda a razão. Mais vala prevenir.

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  8. Eu guardei mas no Banco Público,precisamente porque a minha médica me alertou para o facto de tudo ser muito subjectivo e ainda não haver estudos concretos que provassem valer a pena guardar num privado.É muito dinheiro para uma coisa em que não há certezas.E de resto,como em quase tudo,é um negócio....

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  9. Eu criopreservei o sangue do cordão dos meus 3 filhos. Porque na altura tinha dinheiro e podia. Hoje seria diferente porque não o posso fazer.
    Todos sabemos que a utilização é residual. É uma área nova e é mais uma aposta no futuro do que algo para usarmos. Na realidade, desejamos com todas as nossas forças nunca o fazer. Não ter ninguém doente na família que precise. Na realidade é como um seguro de vida. Pagamos e esperamos nunca retirar nenhum benefício. Agora, que a vida nos livre, de algum dos meus filhos ter alguma doença, se precisarem, sabemos que temos e que daqui a 10 anos as aplicações serão menos "residuais".
    vidademulheraos40.blogspot.com.

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    1. Tens razão no que dizes mas quando visitei as instalações disseram-me maravilhas. Que era bom para o próprio e para toda a família. Ia reduzindo 5% na percentagem de sucesso conforme o grau de parentesco se ia afastando. Mas, se podias, pelo menos ficas de consciência tranquila. O ideal é nunca precisar.

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  10. Penso que quem tiver a possibilidade o deva fazer. Porque como já foi dito aqui, seria muito aflitivo um dia pensar "e se?".
    No entanto, como é um método novo, que agora até está numa certa "moda", os preços são exorbitantes.
    Ainda bem que já há um Banco Público. Não sabia e fiquei a saber, estamos sempre a aprender. :)

    dreamerthing.blogspot.pt

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    1. O pior é que nem toda a gente pode. Mas muitos são iludidos com essa realidade. Mas, concordo contigo. Tendo dinheiro é de fazer.

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  11. Qd tive os meus filhos nem sequer tinha essa opção, pelo menos eu não conhecia! em todo o caso pensava q servia para curar de uma eventual doença q o próprio poderia ganhar ao longo da vida de forma a evitar por ex: q os pais tivessem que fazer mais um irmão para o alvar... n sei se ficou mt claro... espero q tenho entendido :)
    e tb pensava q ficava congelado até ser utilizado...
    rlativamente aos preços a última vez q tive conhecimento no achei nada do outro mundo, tendo em conta a sua real importância, todavia, reconheço não estar acessível a todas as bolsas... infeliemnte a area medica em Portugal é assim mesmo. paga-se e bem!!

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  12. Qd tive o meu G há 4,5 anos atrás, nós os pais conversámos durante mto tempo se o deveríamos fazer ou não, visto ser muito dispendioso financeiramente e não se saber ainda qual a importância que podería ter num futuro longínquo. Conversámos também com a minha OB e com a futura pediatra e o que nos aconselharam foi que, deveríamos estar os 2 de acordo, se faríamos ou não, dado que se um fosse a favor e outro contra e a opção recaísse pela não criopreservação, e fosse necessária para a sobrevivência do nosso filho, aquele que tinha optado pelo não, nunca iría ser feliz nem ficar bem com a sua consciência, ao perceber que por achar um absurdo o valor da crioperservação, estava a perder a oportunidade de salvar a vida do seu filho..Foi uma decisão a dois e optámos pelo não. Não me arrependo, visto que passado quase 5 anos os dados continuam a ser os mesmos.

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    1. Quase que há um jogo psicológico em torno dos pais. Mas estar de acordo é o melhor.

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  13. Não sei se estou correta, mas a primeira empresa de criopreservação de células estaminais iniciou a sua atividade na zona de Coimbra, mais propriamente no Instituto Pedro Nunes (incubadora de empresas) no qual foi um sucesso. Até há dois/três anos defendia que deveria fazer a recolha e preservação do sangue do cordão umbilical. No entanto, começaram a haver contradições que falas nessa altura.
    Sinceramente, se algum dia tiver um filho e poder pagar, gostaria de o fazer, apesar de defenderem que para uso futuro não se justifica à luz dos atuais conhecimentos científicos. E isso tb me deixa confusa. O que queremos para os "nossos" sobrinhos, primos ou filhos é bom e fazemos de tudo para poder preservar a saúde que é tão preciosa. Por outro lado, investir se a ciência está em constante evolução e inovação? É um misto de Nim. Nem sim, nem não...

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    1. Para quem tem dinheiro é uma segurança. Nem que seja algo que acalma a mente.

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  14. Porque suponho que todos os pais que possam, agarrem as oportunidades ainda que residuais de protegerem os filhos, questiono-me sobre as diferenças entre o Banco Público e o Privado. Guardar para proteger toda e qualquer pessoa que precise ou guardar apenas para os nossos?

    Estou longe de ser mãe mas também sou da opinião de que se tivesse possibilidades para tal, faria criopreservação. De forma muito egoísta, optaria, muito provavelmente, pelo Banco Privado.

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    1. Acho que é um egoísmo que ninguém leva a mal. Mas, felizmente há cada vez mais pais a optarem pelo público.

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  15. Não há nenhum estudo que comprove cientificamente os benefícios da criopreservação. A verdade é a mais dura possível. Não há. E já há muitos anos que se fazem estudos nessa área a até agora nada. Muitos professores meus diziam que toda esta moda foi devido a um grande avanço nas técnicas de conservação de células e um "espertinho" que decidiu usar isso para se aproveitar de que os pais fazem o impossível e incansável por um filho. Ainda não há nada que comprove a capacidade das células estaminais de curarem um cancro, por exemplo, e, ainda mais, mesmo que isso venha a ser possível, não acontece para todos da mesma forma. Infelizmente ainda é uma área que temos muito para batalhar. Se hoje tivesse um filho, não utilizaria a criopreservação, nem a aconselharia. No dia em que essa área estiver desenvolvida ao ponto de se poder curar um cancro, as células serão criadas em laboratório e não será por um processo tão pouco sustentável como este.

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    1. Com todo o respeito, discordo da última frase Maria Ritinha.
      Até aqui extraímos células dos mais diversos tecidos humanos, seleccionamos a população que interessa pelos marcadores característicos que apresentam, e usámo-las dierectamente. Em alternativa, o máximo que podemos fazer é geneticamente alterar essas células (regulando a expressão de determinados genes no DNA original das células). "Criar" por engenharia uma célula é um desperdício de tempo e uma pretensão gigantesca de que a maquinaria será tão perfeita quanto a original.
      Todos os dias nascem crianças, todos os dias as mães assinam consentimentos informados para que possámos levar os cordões umbilicais para o laboratório (eu mesma recolhi vários), possámos isolar células e estuda-las. Portanto, a fonte é gratuita. E manipular a população de células recolhidas é bastante mais sustentável do que enveredar por engenharia celular, especialmente se a população portuguesa for consciencializada para as vantagens de manter um banco de células público.

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    2. Este tema é daqueles que dá pano para mangas. Infelizmente, acho que vivemos uma fase em que é sobretudo um negócio.

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  16. Até aqui a criopreservação é apenas um conceito. Um bom conceito, mas sem provas dadas. O processo de preservação de células em laboratório é delicado, e descongela-las implica uma técnica igualmente hábil de forma a recuperar o máximo de células possível. Por normal recuperam-se cerca de 60% das células da poulação inicialmente congelada.

    O cordão umbilical tem várias populações de células diferentes. O processo de isolamento não é 100% perfeito (o que significa que as células retiradas do cordão poderão consistir de uma população heterogénea de células estaminais (indiferenciadas) e células diferenciadas).

    As células estaminais são células com capacidade de passar, sob estimulação correcta, de um estado indiferenciado para um estado diferenciado maduro (ou seja: uma linhagem específica que constituirá um tecido humano específico). Até há pouco tempo pensávamos que as células diferenciadas não podiam regredir a um ponto 'estaminal', mas esse conceito de irreversibilidade foi provado errado. Igualmente recente é o conhecimento de que células estaminais de diferentes fontes (como cordão umbilical, medula óssea, ...) podem dar origem a mais linhagens celulares do que inicialmente pensávamos. Acresce ainda que o processo de identificação e separação de populações heterogéneas em populações especificamente controladas é cada vez mais eficiente.

    Tendo tudo isto em consideração, ter uma fonte de células estaminais guardadas pode ser uma grande vantagem se a ciência evoluir no sentido de a usar convenientemente. O serviço de congelamento das células nada tem a ver com a ciência envolvida na aplicação dessas células congeladas. Portanto, a publicidade (salvar vidas) é um tanto enganosa: eles só se encarregam de providenciar um congelador (criopreservação), não têm nada a ver com o processo de aplicação dessas células. É também importante realçar que as células estaminais apresentam a maravilhosa característica de não provocarem uma resposta imunológica no corpo de outra pessoa, pelo que o banco de reserva deveria ser público (todos ajudam todos; em vez de "estas células são do meu bebé porque só são compatíveis com ele" o que não corresponde à verdade).

    Em resumo: actualmente o serviço de criopreservação promete mais do que realmente faz [pode até perder todas as células isoladas do cordão numa das várias etapas de isolamento, preservação e descongelamento], mas a ciência continua a evoluir muitíssimo nesta área. Então, se me perguntarem, como cientista que trabalha diariamente com células estaminais, se devemos guardar células do cordão umbilical como uma ferramenta no combate a problemas de saúde, por certo responderei: sim. Mas tenhamos claro que a ferramenta poderá ter de esperar alguns anos pelo desenvolvimento do nosso conhecimento para a usar.
    Então: guardemo-las. Num banco público, de custo reduzido ou nulo, não num banco privado de criopreservação.

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    1. Muito obrigado pelo teu esclarecimento. É bom ouvir falar alguém que percebe muito da área. Obrigado.

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  17. Ola. Como sabes estou grávida e mesmo antes de estar andei a informar-me sobre esse assunto e cheguei à seguinte conclusão:

    Neste momento não passa de um negócio de milhões. Aproveitam-se da fragilidade de quem quer o melhor para o seu filho e vendem-lhes falsas esperanças, com base numa tecnologia que pode nunca chegar.
    Há sempre o banco público a quem podemos doar essas células. Claro que não ficam para nosso uso, futuro, exclusivo. Aliás, algumas serão mesmo destruidas durante experiências e afins.

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    1. Este tema está a tocar-me particularmente. Desculpem (a ti em particular, HSB) os vários comentários.

      Morango Azul, as células não serão *destruídas*! Serão *estudadas* de tal forma que a ciência evolua ao ponto de sabermos aplicá-las na clínica.

      A ciência está a evoluir fortemente nessa área. E não se fazem omeletes sem ovos: doem os vossos cordões à ciência. A outra opção é deitá-los ao lixo.

      Sem estudos não se descobre nada, e depois das descobertas concretizadas se não tivermos bancos de células em número suficiente também não se salvam vidas.

      E mesmo que a esta ciência só esteja pronta a ser aplicada daqui a 50 anos, ainda poderia ir a tempo de salvar os vossos filhos.

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    2. Claro que sei Morango. E fiquei muito feliz :)

      É daqueles temas que mexem muito connosco. Acredito que contigo ainda mais por estares a viver a gravidez. Espero que decidam bem sobre o que vão fazer.

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