25.9.13

is this love? (capítulo três)


Passaram vários dias desde que ele falou com ela. Mais especificamente 123 horas e 12 minutos desde que lhe disse que ainda a amava, que sempre a amou. E que ela saiu porta fora do café. Depois de todo este tempo, ele continua a achar que fez bem em não ir atrás dela. Tal como resistir ao desejo de lhe ligar ou enviar uma mensagem a revelar o desejo de dar continuidade à conversa. A única dúvida que mexe consigo é sobre se deveria ou não ter-lhe dito o que sentia. Em alguns casos acha que sim. Por norma, no silêncio da noite entende que errou. Que não deveria ter dito nada. Ao mesmo tempo que sente que poderia ter dito há mais tempo e de forma diferente.

Assim têm começado as noites dele. Todas. Com a mesma dúvida. Deveria ter dito ou não? É aquilo que questiona. Em segundos essa questão coloca em causa o seu modo de vida. As quecas casuais que se multiplicaram umas a seguir às outras, na esperança de encontrar uma mulher como ela. A deterioração pessoal, motivada pela ocultação do seu grande amor. De dúvida em dúvida chegou à certeza de que tinha de tentar falar com ela. A decisão estava tomada. Havia mais a dizer. Era aquilo em que acreditava piamente.

Na noite seguinte foi ao café do costume. Mas, nem sinal dela. Bebeu um café e uma água das pedras bem gelada. Como gosta. Enquanto via as horas passar acabou com o maço de SG Ventil que trazia no bolso. Em minutos fumou mais de cinco cigarros. E nem sinal dela. Na noite depois dessa, mais do mesmo. E assim foi durante mais algumas noites. Mentalizado de que a poderia ter afastado para sempre, recorreu ao telemóvel para entrar em contacto com ela. Num misto de embaraço com cobardia, optou por uma mensagem escrita. “Oi! Gostava de falar contigo. Acho que merecemos mais do que aquele final”, foi o que escreveu. Apesar do desejo em falar com ela, demorou quase dez minutos até enviar a mensagem.

Minutos depois ouviu o som que anuncia a chegava de uma mensagem ao seu telemóvel. “Oi! Hoje às 21h30 no café do costume”, foi a resposta dela. Sem as palavras simpáticas do costume. Sem o beijos e o smile que caracterizam as suas mensagens. “Isto não é bom sinal”, pensou. A tarde ainda ia a meio. Os nervos apoderaram-se dele até ao momento em que chegou no café. Faltavam dez minutos para a hora marcada. Ele ia a contar cumprir o ritual do costume. Porém, assim que entrou viu que ela já estava sentada na cadeira do costume, na mesa habitual.

Aproximou-se dela. Deu-lhe dois beijos e as boas noites. Sentiu um cheiro a tabaco vindo da boca dela. Mais um mau sinal pois para ela fumar é a última tentativa para se acalmar. “Tudo bem?”, perguntou-lhe. “Calculo que imagines que não”, respondeu ela. “Estás recordado de te ter dito que estava chateada com o meu namorado?”, acrescentou. Antes que ele pudesse responder, ela prosseguiu com a conversa. “O motivo da nossa zanga foste tu. Ele fartou-se de me chatear, dizendo que sentia que gostavas de mim. Pela forma que olhavas para mim quando estávamos juntos. E eu, feita parva, dizia-lhe que não. Que não havia qualquer lógica nisso. Que ele estava a ser ciumento em demasia. E afinal...” “Desculpa. Já pensei muito naquela noite. Estou contente por te ter dito o que sinto. Mas não sei se o deveria ter feito. Não por mim, mas por ti e pelo que construíste desde que me afastei de ti”, referiu.

“Eu queria-te tanto. E simplesmente afastaste-te de mim. Se doeu? Mais do que possas pensar. E o que achas que sentia quando aparecia aí com as tuas conquistas. Com aquelas pobres coitadas com quem fodias duas ou três vezes antes de apareceres com outra no café. Consegues imaginar o que isso provoca em alguém que julgou ser especial para ti?”, perguntou-lhe. “Mas tu és especial para mim. E sempre serás. Disso podes ter a certeza”, respondeu com convicção. “Quem me está a dizer isso? O menino lindo que cresceu comigo? Aquela sombra desse menino que costumava vir aqui ao café ou o arrependido que se quer justificar agora? Tens uma resposta?”

O silêncio apoderou-se deles. Ele tinha a resposta na ponta da língua mas não conseguia dizer-lhe nada. Enquanto olhava para ela sentia a raiva das suas palavras. Talvez não fosse raiva. Mas mágoa era certamente. E muita. Disso ele não tinha dúvidas. “Estou a ser o mais sincero que posso”, garantiu. “Não consigo acreditar em ti e nas tuas palavras. Aceitei vir aqui falar contigo. Por tudo o que vivemos juntos. Pelo nosso passado. Que me impede de te tratar como desejo. Mais do que vir aqui para te ouvir, vim para falar. E agora é a minha vez de ser sincera”, referiu ela.

O coração dele bateu mais forte. As centésimas de segundo até ela falar novamente pareceram horas. “Vou levantar-me e vou sair daqui. Não te vou dar beijos de despedida. Não vou olhar para trás. E comigo vou levar apenas uma coisa. A dúvida se quero ou não voltar a falar contigo. Sendo que neste momento espero que esta seja a última vez que olho para a tua cara. Nunca pensei dizer-te isto mas é o que sinto”, disse, antes de se levantar.

Cumprindo com o prometido, afastou-se dele. Sem beijos. Sem despedidas carinhosas. Sem sorrisos. Apenas palavras secas com uma grande ar de desprezo. Ele ficou na sua cadeira. Até que o empregado perguntou se queria o costume. “Só o café. Esquece a água e dá-me um whisky por favor.” Bebeu o café. E em segundos fez desaparecer o copo de JB. Enquanto passou a mão pela boca para a limpar pensou que a história deles não podia ficar por ali. E pediu mais um whisky.

23 comentários:

  1. Percebo o lado dela, mas também penso que percebo o lado dele. Será que a dúvida dela vai permitir que voltem a falar? E será que ele vai atrás do que deixou fugir antes? Espero as cenas do próximo capítulo! :)

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  2. Não podia, nem vai ficar... Bruno, dá a volta a isso!! :s

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  3. :) As coisas dificeis sempre sao as mais importantes na vida de uma pessoa...
    Acredito que isto ainda nao acaba aqui ;) Can't wait!!!
    Beijo

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  4. Is this love? não pode acabar assim!! não digo que deva acabar no altar (ainda que como wedding planner sou uma romântica perdida!) mas ainda deve correr alguma tinta... a zanga dela, está ou não está com o namorado?... espero o capitulo 4 please :)

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  5. Faz sentido.... Mesmo ela tendo namorado, e aparecendo com ele no mesmo café que eles frequentavam, ela não gostava de ver que ele era mais frequentado que banco de autocarro.... Mas também o poderá estar a deixar na expectativa, só mesmo numa de ruindade feminina para ver o que é que ele quer. Muito bom.... Muito bom mesmo.... :)))))

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  6. Estou a adorar! Venha o próximo! Parabéns! :)

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  7. Já há muito tempo que não leio um "livro" deste género... a vantagem do livro é que mesmo que pensasse com os meus botões "vou ler só mais um capitulo", se a duvida fosse muito grande, podia sempre continuar até ao final do livro... Por aqui, estás a dar-me umas lições de paciência...

    Com a certeza de que a história não fica por aqui (pelo menos assim espero)... fico a aguardar o próximo capitulo!

    Beijinhos e muitos parabéns!

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  8. Hum...Agora é que é...Ela disse que gosta dele (implicitamente, ao menos percebi assim)...agora cabe a ele provar o seu amor...acho que ele é homem para isso!...It's Getting unpredictabble better!

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  9. Hum...Agora é que é...Ela disse que gosta dele (implicitamente, ao menos percebi assim)...agora cabe a ele provar o seu amor...acho que ele é homem para isso!...It's Getting unpredictabble better!

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