18.9.13

is this love? (capítulo dois)

Parte da história deles foi contada aqui. De forma resumida, cresceram juntos. Diziam-se namorados. Faziam juras de amor eterno. Até que os anos foram passando. E eles afastaram-se. Ela arranjou namorado. Ele saltava de cama em cama e as suas relações duravam o mesmo tempo do acto sexual. Até que perceberam que nunca se amaram. Ele dizia não saber o que era amar. Ela garantia que nunca o tinha amado. Mas será mesmo assim?

Os tempos foram passando. E eles continuavam a encontrar-se ocasionalmente no café. Ela sempre acompanhada pelo namorado. Ele sozinho. Ou acompanhado. Dependia dos momentos. Mas, mesmo acompanhado, nunca assumia que a sua companhia era mais do que uma simples amiga. Mais do que uma defesa, era a maneira de evitar explicar a ausência dessa mulher nos próximos encontros ocasionais no café do costume. Os tempos foram passando. Até que um dia ele chegou ao café. E na mesa do costume, não estava ninguém. “Eles não estão cá. É certo que nunca combinamos nada mas nunca cheguei cá sem que eles cá estivessem”, pensou.

Sentou-se. E pediu o habitual. Um café e uma água das pedras bem fresca. Como gosta. Não sabe explicar os motivos mas sente um gosto especial em beber uma água com gás quase gelada depois de um café quente. Mesmo no Inverno. Enquanto bebia o café reparou que ela tinha acabado de entrar. Linda. Como sempre. Porém, não tinha o sorriso habitual. Nem vinha acompanhada pelo namorado de longa data. Ela aproximou-se dele. Cumprimentou-o. Sentou-se. E fez o pedido como se nada fosse.

“Estás bem?”, perguntou. “Não me recordo da última vez que te vi com essa cara”, acrescentou. “Está tudo bem”, respondeu ela naquela forma característica de responder de alguém que tem um problema do qual evita falar. Notando isso mesmo, mas fazendo-se de desentendido, prosseguiu a conversa. “O teu namorado não vem hoje?”, disse-lhe. “Pois... acho que não”, foram as palavras que saíram da boca dela. “Estou a ser tonta. Não há motivo para estar com rodeios contigo. Estou chateada com ele. Discutimos como nunca antes. E acabei por vir sozinha ao café. Só te peço que não me perguntes o motivo da discussão porque não quero falar sobre isso”, referiu. E assim foi. Ele acedeu ao seu desejo. “Apesar da tristeza que trazes estampada no rosto estou feliz”, contou ele. “Então? Que te aconteceu?”, inquiriu ela. “Há muito que não estava sozinho contigo, algo que aconteceu anos a fio e que acabámos por perder”, disse ele.

“Tens toda a razão no que dizes. Mas sabes bem que foste tu que te afastaste de mim”, explicou ela, de forma seca. “Não discuto isso. E sei que o fiz. Sempre te dei a entender que era algo inconsciente. Mas não era. Fiz de propósito. Quer dizer. Inicialmente não pensava que me ia afastar de ti. Mais tarde, acabei por querer fugir de ti”, referiu. “Desculpa? Que estás a dizer?”, questionou ela num tom de voz ligeiramente mais elevado do que o habitual. “Sempre gostei de ti. Mais do que pensava. E só percebi isso quando a vida me afastou de ti. Nessa altura descobri que te amava. Quando descobri isso tinha dois caminhos a seguir. Lutar pelo teu amor ou tentar matar o que sentia. Escolhi a primeira opção. Mas, no dia em que te ia dizer tudo tu estavas muito feliz. Ligaste-me a dizer que tinhas algo para me contar pessoalmente. Quando nos encontramos, disseste que tinhas namorado e que estavas loucamente apaixonada por ele. Foi um dos momentos mais complicados da minha vida. Ter que lidar com a tua alegria. Alegria essa que significava que a minha tinha de morrer naquele segundo. Consegues imaginar o quanto me custou querer beijar-te e segundos depois saber que os teus lábios só desejavam outro homem? Foi muito duro”, desabafou.

“Não sei que te diga. Não imaginava isso. Nem sequer davas sinais de que me amavas. Parecias distante e farto de mim”, disse. “Aprendi a esconder o mais belo que vive em mim. E a manter um sorriso de fachada que uso apenas contigo, de modo a que nunca descobrisses nada. Por que achas que salto de cama em cama? Conheço uma mulher. Entrego-me. E em minutos percebo que nunca a irei amar. Pelo simples facto de que nenhuma delas se parece contigo. Eu dizia-te que não sabia amar. Escondia-me nessa mentira. Mas eu sei amar. Como poucos homens sabem. Mas só te sei amar. E não consigo amar mais ninguém. E viver com este peso é muito mais do que aquilo que consigo suportar”, contou ele.

O silêncio apoderou-se da mesa. De ambos. Apesar de cheio, o café parecia vazio. Para eles, mais ninguém estava ali. Aliás, para eles não existia mais vida no mundo. Tudo tinha congelado naquele instante. Ela permanecia imóvel. Ele pensou em dezenas de coisas para dizer. “Desculpa contar-te isto hoje. Mas não sei quando te iria apanhar sozinha novamente. E não penses que quero tirar partido da tua situação. Mas...”, e foi interrompido por ela, que num gesto brusco levantou-se da cadeira. Com os olhos a lacrimejar olhou para ele. “Desculpa! É informação a mais para mim. E num dia errado”, disse, enquanto se afastava dele que permaneceu imóvel.

30 comentários:

  1. Vai ter continuação? É que gostava de dar o meu palpite :P

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    1. O meu palpite baseia-se nisto:
      "Só te peço que não me perguntes o motivo da discussão porque não quero falar sobre isso"

      Eu cá acho que o motivo da discussão era o tal amigo de infância e que ela também sempre o amou :P

      Mas vou esperar o desenrolar da história xD

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    2. Quando li aquela frase, pensei no mesmo.

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  2. Uau... gostei mesmo do texto. Num mundo onde a blogosfera é tão vasta, às vezes é difícil algo prender a nossa atenção desde de uma ponta de uma publicação longa até outra. Pois bem - conseguis-te. :)
    Parabéns. Quero a continuação. *

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    1. Obrigado pelas imerecidas palavras Daniela. Nem sei que te dizer excepto que terás a tua continuação. *

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  3. O que será que se passou? Tenho um palpite mas... Precisamos de mais!! :)
    Aguardo (novamente) a continuação! :)

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  4. vês??? eu bem tinha escrito que isso era Amor.. a diferent kind.. ;)

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  5. Promete que continuas... Preciso de saber o que aconteceu a estes dois... Está lindo, Bruno! Parabéns.

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  6. Pura ficção ou baseado em história veridica? De qualquer modo está muito bonito, emotivo.

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    1. Sobretudo ficção quiçá pintada com momentos verídicos :)

      Obrigado.

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  7. Adorei, muitos parabéns. está fantástico!

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  8. O problema destas short stories... é que tens de esperar pelo resto...
    É como ver uma série na televisao e ter de esperar uma semana para ver o seguimento!
    Grrr... isso poe me dos nerbos!! :P
    Mas está lindo! E mal posso esperar pelo que ainda está por vir! :)

    Beijoca

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    1. Quando sentir que é o momento, escrevo a terceira parte. Assim que estiver escrita, coloco online :)

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  9. mais uma bela história que nos ofereces e que nos cativa...a ver no que dá :)

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  10. Mau mau... Isto assim não pode ser... 2 dias seguidos que passo por aqui, e fico com a lágrima a espreitar???
    Sim, eu sei que sou lameças... fazer o quê?

    E sim, estou aqui sentadinha à espera do próximo capitulo...

    Beijinho, gostei mesmo muito!

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  11. Como é que ele lhe conta assim ?!?!?!? E ela sai assim ???? É demasiada informação ? Como assim ???? Oh meu deus..... Ela volta atrás.... tem que voltar atrás, porque a conversa continua......

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  12. rsrsrsrsrrs...na primeira, eu fiquei meio que consternado por ele, e disse para mim mesmo, ele tem a tatuagem do infinito, que pela minha percepção era a maneira que ele tinha encontrado, para estar sempre com ela...e hoje Voilá, ele teve a oportunidade de dizer o que lhe estava a matar o coração e consequentemente à espera de uma brecha, para soltar, essas coisas de amor, quando a pessoa começa a falar as palavras soltam-se como um turbilhão, principalmente porque não são meras palavras, são sentimentos...E boa sorte para Ele, quase que já a tem...Espero pela última parte...E Parabéns ao autor...o texto prende o leitor da primeira à última letra!!!

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    1. Obrigado pelos elogios. O amor é tramado. Vamos ver no que dá.

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  13. Espero que o timming deles finalmente acerte...

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