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7.6.19

o terror dos grupos de whatsapp

Este tema merece uma introdução. Só para criar o clima perfeito. Imagem que são Tom Cruise e que estão a dar vida a Ethan Hunt num qualquer filme da saga Missão Impossível. Chegou o momento de ficarem a descobrir qual a vossa missão. Agora que a aceitaram, chega a parte em que ficam a saber que a mensagem irá auto-destruir-se dentro de cinco segundos. 5... 4... 3... 2... 1... (entra a música). E podemos passar ao texto.

Vamos lá então falar de grupos de whatsapp, um "flagelo" que não poupa ninguém. Acredito que a esmagadora maioria das pessoas está inserida num grupo desta rede social. Mesmo que não queria. Até porque ninguém nos pede autorização para nos inserir num grupo. No meu caso, estou inserido em seis grupos activos: dois familiares, outros tantos de amigos e dois ligados à profissão. Mas já estive em mais. Mais do que queria. E do que tinha pedido.

E o que é que o Ethan Hunt tem a ver com isto? É que sair de um grupo de whatsapp é uma missão impossível. No meu caso, a primeira coisa que faço é tirar as notificações aos grupos. Isto aplica-se aqueles em que não me apetece estar. E também aqueles em que os amigos se lembram de enviar mensagens de madrugada de alguém a cair ou de outras coisas, como diria o outro, sabem do que estou a falar. Esta decisão só depende de mim. E ninguém sabe que a tomei.

Sair de um grupo já é uma coisa diferente. É certo que ninguém quer saber como chegámos ao grupo. Mas se tomamos a decisão de sair de algum (e já o fiz) é o fim do mundo em cuecas. Chego a acreditar que acabámos de cometer o pior crime do mundo. E que devemos ser condenados à pena de morte ou a ser escondidos num canto fechado em que nunca nos vão encontrar. A partir do momento em que decidimos sair, começa a confusão. "Por que saiu?", "O que lhe fizeram?" e "Deve ter a mania que é mais do que os outros" são as coisas que se ouvem depois de abandonar um grupo. Em que, volto a frisar, provavelmente não pedimos para estar inseridos.

Sair de um grupo de whatsapp (e verdade seja dita que existem vários que não servem para absolutamente nada) deveria ser a coisa mais normal do mundo. Só que vivemos numa era em que o virtual é que impera. Se não somos amigos no Facebook é porque não gostamos de alguém. Se não colocamos likes no Instagram, é porque não gostamos de alguém e se saímos de um grupo de whatsapp... merecemos a prisão perpétua. Fico à espera de actualizações que venham mudar tudo isto. Até lá, serei daqueles que merecem pena de prisão e que não medem o número de amigos pelos likes e amizades virtuais.

6.6.19

neymar, cristiano ronaldo e outros casos

Depois da polémica em torno da alegada violação de Cristiano Ronaldo, surge um caso em tudo semelhante. Desta vez, o protagonista é Neymar, outro jogador de futebol. Sendo que a grande diferença entre os dois casos está na reacção dos intervenientes. Tanto a mulher que acusa Cristiano como o jogador português foram mais recatados. Já no caso do Neymar, existem fotos, vídeos e entrevistas. Parece uma novela alimentada com novos episódios a cada cinco minutos.

Tendo em conta o mediatismo dos acusados, é muito fácil tomar um partido em poucos segundos. Falamos de dois símbolos desportivos de Portugal e Brasil.  Daqueles que são exemplos para milhões de pessoas em todo o mundo. E pessoas que todos defendem, mesmo não conhecendo nada mais do que o seu lado público. Por outro lado, é muito fácil olhar para estas duas mulheres como oportunistas. Que não querem mais do que dinheiro. Até porque "sabiam muito bem ao que iam".

A partir daqui, tinha de entrar nas minhas opiniões. E não quero ir por aí porque é um terreno muito sensível. Como é qualquer alegada violação. Basta pensar na história recente da menina holandesa que decidiu morrer depois de ter sido abusada e violada.

Não meto as minhas mãos no fogo por ninguém. Não defendo ninguém com uma certeza absoluta. Mas ficam muitas questões no ar. Muitas dúvidas. Tanto num caso como noutro. Ou em tantas outras histórias.

Em relação ao caso do Neymar, e depois de muito mistério, já se sabe quem é a mulher que o acusa. Que acaba de dar a primeira entrevista. Deixo aqui o vídeo e a partir daqui cada pessoa faz a leitura que quiser. Mas que é um tema muito sensível, é.


4.6.19

procura-se: requisitos mínimos para a educação

Não sou da opinião de que as pessoas devem andar sempre sorridentes. Sempre com os dentes à mostra e a oferecerem-se a todos aqueles com que se cruzam, como se existisse a obrigação de revelar que estão disponíveis. Mas defendo que devem existir requisitos mínimos para a educação. E aqui fico-me pelo básico. Que passa por dizer "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" a alguém. Podia incluir aqui o "se faz favor" e o "obrigado", mas isso já é confundir que não percebe o primeiro conjunto de palavras.

Faz-me confusão que numa empresa, uma pessoa passe por um colega, mesmo que não o conheça pessoalmente, e não o cumprimento. Faz-me confusão que uma pessoa se equipe no ginásio, ao lado de outra pessoa, e não a cumprimente. E estes são apenas dois exemplos básicos e muito comuns. Se há coisa que ninguém deveria negar a ninguém, é algo tão básico como isto. E não me digam que isto é coisa de jovens que existem adultos que são bem piores do que muitos miúdos, que se destacam pela educação.

421 mil espécies de bactérias?!?

Quando li uma notícia da qual vou falar, recordei-me imediatamente dos meus vizinhos chineses. Que tinham o hábito de deixar o calçado à porta de casa. Recordo-me de uma altura em que tinham obras em casa e que os responsáveis tinham que fazer o mesmo antes de entrar em casa. Pois bem, de acordo com a tradição que chega do Oriente, devemos fazer isto para que a sujidade da rua e as más energias não entrem na nossa casa.

Se achas apenas piada a esta tradição, talvez leves mais a sério a ciência. Que refere que quando entramos calçados em casa, estamos a levar connosco 421 mil espécies de bactérias diferentes. Todas presentes na sola do calçado. Os investigadores norte-americanos encontraram todas estas bactérias em 96% das solas usadas no teste. Entre as que são destacadas, estão as que provocam infecções urinárias, respiratórias e até a E.Coli, que pode dar origem a graves problemas digestivos, entre outras coisas.

Os investigadores salientam ainda que 90 a 99% das bactérias são transferidas das solas para o chão da casa. E avançam com duas soluções. A primeira passa por lavar as solas com detergente assim que chegamos a casa. A outra, e foi aqui que me recordei dos meus vizinhos, passa por deixar o calçado fora de casa. Quanto a mim, ainda estou parvo com o número. 421 mil espécies!!!

31.5.19

o que pensas de mim?

Nos dias que correm, apercebo-me de que muitas pessoas perdem demasiado tempo a pensar naquilo que os outros pensam sobre si. Será que gosta de mim? Será que me vê como acho que sou. Como gostaria que me visse. E por aí fora. Tudo isto num processo que, do meu ponto de vista, é completamente desnecessário. Até mesmo desgastante.

Salvo raras excepções, pouco me importo com aquilo que os outros pensam sobre mim. É certo que podem basear-se em comportamentos que tenho. Mas na maioria dos casos, as pessoas criam ideias com base naquilo em que querem acreditar. Tanto para o bem como para o mal. E também com base naquilo que ouvem de terceiros. Aqui já funciona quase sempre para o lado errado. E nada do que possa fazer irá alterar esse modo de pensar. E estou a falar de mim apenas como exemplo, pois isto aplica-se a qualquer pessoa.

Quando digo que não me importo com aquilo que pensam sobre mim, é pelo simples facto de que não tenho que viver com isso. Sei o que sou. Conheço as minhas qualidades e sou o primeiro a apontar os meus defeitos. E é com isto que tenho de viver. 24 horas por dia, sete dias por semana. Mas em nenhum deste tempo tenho de viver com aquilo que as pessoas pensam sobre mim. Os outros é que têm de lidar com isso. Por tudo isto é que não perco tempo a pensar nessas coisas. E acho que ninguém devia.

23.5.19

afinal, a minha vida é fantástica

Volta e meia, dou por mim a lamentar-me em relação a diversos aspectos da minha vida. Coisas que representam uma gigantesca dor de cabeça para mim, mas que até podem ser pequenos grãos de areia para outras pessoas. Acredito que será assim com todas as pessoas. Tendemos a colocar as nossas questões, por mais pequenas que possam ser, num grau de elevada dimensão problemática. Onde não cabe mais nenhum problema mundial.

Até que leio a notícia de que Sara Carbonero, a mulher de Iker Casillas, está a lutar contra um cancro nos ovários. Que é tornado público dias depois de o jogador espanhol ter sofrido um enfarte durante o treino do Porto. E neste momento percebemos que afinal, a nossa vida não é assim tão má. Que os problemas, que temos e que todos têm, não são assim tão graves. Pelo menos na dimensão com que olhamos para eles.

E faço um pequeno aparte para falar também da minha história. Porque considero que mudei muito depois de ter acompanhado a luta da minha mãe contra um cancro da mama. E do meu pai, que passou por uma situação semelhante à de Casillas. Por mais estúpido que isto possa ser para todos nós, são estes momentos que nos mostram o que importa. Não é quando estamos num pico de alegria que nos focamos. Só nos focamos nos piores momentos.

21.5.19

o final da guerra dos tronos (sem spoilers) e afins

Devo começar por dizer que vi apenas um ou dois episódios de A Guerra dos Tronos, não tendo ficado preso à série. Irei dar uma segunda oportunidade, até porque me dizem que fica melhor com o avançar dos episódios, mas não ter acompanhado até ao fim não significa que não possa assistir à febre que sempre existiu em torno da série. Aquela que muitos garantem ser das melhores de sempre.

Quer seja no trabalho ou no ginásio, ouço conversas sobre A Guerra dos Tronos, personagens, trama e afins. Sendo que nos últimos tempos noto uma desilusão generalizada. Parece que os fãs da série estão muito desiludidos em relação ao final da história. Existe mesmo uma petição, com mais de um milhão de assinaturas, a pedir que a última temporada seja refeita.

E é este ponto que me leva a este texto. Porque acho comum que séries de culto, principalmente aquelas que tendem a arrastar-se no tempo, nunca têm finais que agradem a todos. Nem que seja porque é impossível a agradar a uma legião de milhões de fãs. Uma das consequências do sucesso é arrastar algo bom. Porque existe a tentação de ganhar muito dinheiro com um produto. E quanto mais se estica, mais complicado é o processo. E é por isto que acredito que os finais tendem a desagradar aos fãs.

15.5.19

as mulheres reais têm de ser gordas

Existem conceitos que me ultrapassam por completo. Um deles é o da “mulher real” que é sempre associado a mulheres com curvas e, na maioria dos casos, peso a mais. Atenção que nada tenho contra pessoas que têm peso a mais. Até porque olho para o espelho todos os dias. Só não percebo é o motivo que leva a olhar para estas pessoas como reais. Isto quer dizer que quem não se encaixa neste padrão não é real? Isto quer dizer que os homens que têm corpos definidos, são menos reais do que eu, que tenho as minhas gordurinhas aqui e ali?

Vivemos tempos em que existem cada vez mais alertas para o excesso de peso. Para os preocupantes números da obesidade infantil. Ainda assim, ficamos todos contentes quando alguém utiliza o termo “mulher real” associado às curvas e ao excesso de peso. Parece que é a desculpa que todos querem para se sentir bem, mesmo quando a saúde poderá estar em risco.

Acrescento também que não me incomoda minimamente ver mulheres e homens com corpos esculturais nas publicidades. Porque são isso mesmo, publicidades. É um produto que se tenta vender, da forma que alguém achou correcta. Quando olho para um anúncio – sem contar aqueles em que aparece a Charlize Theron – centro-me no produto. Não perco tempo a analisar o mesmo do ponto de vista das diferenças caso tivessem optado por um corpo diferente.

Voltando à “mulher real”, não gosto disto. Porque todas as mulheres são reais. Aquelas que têm peso a menos. As que têm peso a mais. As de corpo tonificado e todas as outras. Todas estas mulheres são reais. Tal como é um gigantesco erro achar que apenas as pessoas com excesso de peso são vítimas de bullying. Basta que falem com qualquer pessoa magra para perceber isso mesmo.

Enquanto o tempo for ocupado a catalogar pessoas como reais e irreais, estaremos apenas a contribuir para o problema e não para a solução. Parece que uma mulher, para ser real, tem de ter curvas. E isto não é verdade. E em todo este texto, onde se lê mulher poderá ler-se homem. Era mesmo bom é que as pessoas dedicassem mais tempo às notícias da organização mundial de saúde e não às campanhas publicitárias que recorrem a pessoas “reais”.

13.5.19

futebol é o reflexo da vida

Gosto muito, mas mesmo muito de futebol. Foi por isso que acompanhei à Premier League até ao fim. Com o Manchester City a levar a melhor sob o Liverpool, conquistando o campeonato com um ponto de diferença. No final, Klopp, o treinador do Liverpool, deu os parabéns ao vencedor. Destacou o trabalho que a sua equipa tem vindo a fazer ao longo das últimas duas épocas. Prometeu fazer melhor e deu os parabéns à equipa que os conseguiu superar. Simples!

Por cá, é o que toda a gente vê. Ainda falta uma jornada e é o que se vê. Ninguém assume ter feito opções erradas, ninguém assume demérito nos insucessos. Os outros, aqueles que ganham, é sempre por factores estranhos. Esta é a mensagem que se passa no futebol português. E que as pessoas continuam a comer, sem questionar o que quer que seja. Assusta-me a facilidade com que as pessoas são enganadas por pessoas que têm uma agenda própria.

Acabo de ler uma noticia de uma pessoa que pede prisão para os árbitros. Pessoa essa que ainda há duas semanas ofendia jogadores e pessoas que tivessem a ousadia de aplaudir a equipa depois de mais um insucesso. E é isto que temos por cá. Mas também tenho de ser sincero. Isto não é mais do que o reflexo de tudo neste País.

Olho para o futebol, para a reacção das pessoas, como olho para a vida. E acredito que tudo isto está ligado. As pessoas que reagem assim com o futebol, reagem assim com tudo. Com todos os sucessos alheios. E isso é evidente nos comentários nas redes sociais, independentemente do tema. E volto a dizer. Assusta-me a forma como as pessoas são iludidas de forma tão fácil.

8.5.19

crianças, telemóveis, tablets e a miopia que os pais ignoram

Volta e meia converso com alguns amigos (com e sem filhos) sobre o comportamento das crianças nos dias que correm. E todos concordamos que passam a vida agarrados aos telemóveis e tablets. Conheço pessoas que dizem proibir esse comportamento em casa, assumindo também ser algo complicado de contrariar fora de portas. Até porque “todos o fazem”, dizem.

E esta frase é muito verdadeira. Hoje em dia, quer seja num café, restaurante ou noutro espaço qualquer, é praticamente impossível não encontrar uma criança agarrada a um gadget. Algo de que muitos pais gostam, até porque assim os filhos estão quietos e não aborrecem ninguém. E como é fácil calar uma criança deste modo, dá- se o aparelho para a mão.

Por outro lado, não concordo com isto. Talvez porque faça parte de uma geração que se habituou a estar à mesa a ouvir conversas dos pais ou a fazer desenhos nas toalhas de papel. Os tempos eram outros mas uso sempre como comparação o momento em que passei a ter computador e consola, algo que nunca foi mais importante do que brincar na rua com os meus amigos.

Nos dias que correm é o oposto. Parece existir um incentivo ao vício dos aparelhos. Já estive em restaurantes em que estão três filhos à mesa, cada um com o seu tablet, os pais com os telemóveis na mão e ninguém fala com ninguém. Algo que se prolonga durante praticamente toda a refeição. É certo que cada família sabe de si, mas existem dados que devem ser tidos em conta.

As crianças não só passam a vida agarrados aos aparelhos, como mergulham com a cabeça dentro dos pequenos ecrãs. E este é um dos perigos. Diversos especialistas estão a alertar para o perigo deste comportamento. Que pode acelerar a miopia nas crianças. Algo que resulta do uso exagerado destes aparelhos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2020 35% da população mundial terá miopia. Percentagem que pode subir para os 52% em 2050. Números verdadeiramente preocupantes. Se os pais não conseguem acabar com este vício dos filhos, certifiquem-se de que os aparelhos estão a uma distância de 30/40 centímetros dos olhos e, pelo menos, tentem que o uso não seja prolongado. Idealmente, e por mais que custe, acabem ao máximo com este vício que transforma uma criança em algo que não deveria ser.

7.5.19

o caso uno, algo que nunca deveria ter existido

Ainda hoje gosto de jogar UNO. Até porque era um dos jogos que costumava jogar no secundário. Há muito que não ouvia falar deste jogo, até que reparo que está em grande destaque nas notícias. Tudo por causa de uma regra. Diz até que é o maior mito em torno do UNO.

“Se alguém coloca uma carta +4, deves apanhar quatro cartas e passar a tua vez. Não podes pôr uma carta +2 para que a pessoa seguinte apanhe seis cartas. Sabemos que já o fizeste”, escreveu a empresa no Twitter. É aqui que entra o título que dei a esta publicação.

Isto porque nunca joguei deste modo. Até porque no meu grupo de amigos do liceu, em caso de dúvida, era percorrer o manual das regras para perceber se era uma jogada possível ou não. E como se percebe, não é.

Só que neste tipo de jogos, todos querem criar as próprias regras. Principalmente aquelas que dão jeito no momento de ficar com menos cartas ou penalizar o jogador seguinte. E é assim que se criam os tais mitos que se propagam rapidamente porque ninguém quer ler as regras do jogo. Tivessem amigos como os meus e iam ver se não paravam o jogo para perceber as regras.

met gala 2019 resumida em menos de três minutos



O resto é conversa.

5.5.19

amo-te muito mãe

Gostava de conseguir explicar o quanto amo a minha mãe. Gostava de explicar o que significa para mim. A importância que tem na minha vida. Aquilo que me tem ensinado ao longo da vida. Mas não consigo. Não existem palavras que façam justiça aquilo que a minha mãe é para mim. Por isso, tenho de lhe deixar um grande beijo e dizer que a amo muito. Aproveito ainda para deixar um beijinho especial para todas as mães.



29.4.19

o meu filho vai ter de ser tudo aquilo que não fui. a bem ou a mal

Num destes dias estive a ver a reportagem que a SIC fez sobre a violência nos jogos de futebol das camadas jovens. Com cada vez mais jogos em que pais agridem árbitros, insultam miúdos e lutam contra outros pais. Como comecei a jogar futebol (federado) com 12 anos e joguei durante mais de 20 anos, a minha primeira reacção foi: “os pais querem que os filhos sejam o próximo Cristiano Ronaldo”. E foi uma das coisas que acabei por ouvir na peça. E que faz cada vez mais sentido.

Quando era miúdo, Portugal não tinha nenhum jogador mediático à escala de Cristiano Ronaldo. Não existiam redes sociais. E não se falava tanto em dinheiro. Agora tudo é diferente. Os pais cada vez mais acreditam que o futebol é um desporto de milhões, que estão ali à mão de semear para qualquer puto que dá dois toques numa bola. E não basta que o miúdo jogue. Vai ter de ser, à força, um jogador profissional. Vai ter de sustentar a família. Mesmo que não tenha talento.

E os pais ficam tão cegos com esta obsessão que não percebem que acabam por ser o maior obstáculo à evolução do filho. Os meus pais iam ver os meus todos. Mas nunca, em momento algum, o meu pai passou o jogo a dar-me instruções. Não ficava descansado enquanto não os visse antes do jogo começar, mas estavam ali para me apoiar em “silêncio”. Mas mesmo no meu tempo já existiam alguns fenómenos estranhos.

Pais que não perdiam um treino. Que se juntavam a falar de tudo e mais alguma coisa sobre a equipa. Que queriam ser os treinadores e que defendiam que os seus filhos eram os melhores do mundo e arredores. Existia um caso de um rapaz que o pai passava o jogo todo atrás dele (na linha lateral) a dar-lhe instruções e a dizer o que fazer. Perdi conta ao número de vezes que o rapaz dizia que o pai só o atrapalhava. Até que explodiu num jogo e gritou para o pai se calar.

Este é apenas um exemplo que prova que os pais só atrapalham. Os pais podem (e devem) motivar os filhos para que sejam melhores. Mas isto passa pela aplicação nos treinos, pela alimentação (muito importante) e até por aspectos técnicos do jogo. Que podem ser estudados. De resto, podem (e devem) estar presentes nos jogos. Mas se forma silenciosa. Não é a chamar nomes aos miúdos, a ofender outros pais e por aí fora.

Se pensam que isto faz com que os miúdos sejam melhores, podem ter a certeza de que só fará com que sejam piores. Vão ficar tensos e com receio de muitas coisas. Sem esquecer que vão lidar com muitos outros jovens que transformam os pais em piadas de balneário pelo ridículo que são. E nem todos sabem lidar bem com isto. O que faz com que em pouco tempo possam estar a perder o encanto pelo futebol.

Não é por quererem que o miúdo seja o próximo Cristiano Ronaldo que isso irá acontecer. Até porque se fosse fácil, não existia um Cristiano Ronaldo, existiam milhões. E se pensam que o futebol dá milhões a todos, informem-se sobre jogadores de bons clubes que têm largos meses de ordenados em atraso. Transfiram metade da energia dos milhões que desejam para incentivo para que se apliquem nos estudos da mesma forma que se aplicam no desporto. Porque a carreira de futebolista profissional de sucesso será sempre algo apenas ao alcance de poucos. Atentem no número de crianças que jogam no Benfica, Porto e Sporting e vejam quantos chegam a profissionais.

17.4.19

notre-dame, moçambique e todo o mal do mundo no mesmo saco

Começo por dizer que cada vez menos uso o Facebook. Posso mesmo dizer que até já pensei encerrar as minhas contas nesta rede social. E o motivo é só um: não aguento tanto ódio. Esta rede social transformou-se numa espécie de batalha campal em que todos são heróis, donos da razão e os maiores do mundo. Algo que consegue ser assustador.

E como seria de esperar, com o incêndio de Notre-Dame não poderia ser diferente. Já perdi conta aos comentários de ódio relacionados com os apoios financeiros que estão a ser dados para reconstruir a catedral. E que têm como base de comparação a tragédia de Moçambique. Algo que, na minha modesta opinião, não faz qualquer sentido.

Lamento, mas não posso comparar as duas situações. Se isto significa que entenda que uma das tragédias é mais importante do que a outra? Não! Simplesmente, são diferentes. Se me choca que existam apoios para Notre-Dame? Não! Se me choca que o drama de Moçambique passe ao lado de tantas pessoas? Também não. Num cenário ideal, ambas as tragédias teriam o maior e melhor apoio possível. Mas não me peçam para olhar para Notre-Dame como um mero edifício sem qualquer história. Recuso-me a fazer aquilo que considero um grande erro. Porque espaços como Notre-Dame nunca serão apenas meros edifícios. O problema é a falta de cultura que faz com que muitas pessoas não entendam o peso de espaços como aquele.

O que gostava de perceber é aquilo que essas pessoas, que acusam quem está a dar dinheiro a Notre-Dame, já fizeram para mudar o mundo. Ajudaram na tragédia de Moçambique? E na de tantos outros países? Deixaram de comprar roupas e objectos feitos por crianças? Não comem carne de animais que são maltratados em vida? E poderia ficar aqui horas a dar exemplos de tragédias  e problemas das mais diversas dimensões. Que vão sempre ser menores ou maiores aos olhos de quem as vê.

E nunca as pessoas vão conseguir olhar para todas as tragédias com os mesmos olhos. O que é normal. Aquilo que as pessoas podem fazer é olhar para o espelho antes de acusar este ou aquele. E perceber se fizeram aquilo que acusam os outros de não fazer. Ou será que só os outros é que têm a obrigatoriedade de mudar o mundo ao ritmo dos nossos desejos?

1.4.19

este estranho ritual laboral que quase parece ser obrigatório

Não sei se é por passarem muito tempo nos locais de trabalho, mas fico com a ideia de que as pessoas confundem cada vez mais os conceitos de amizade. E estou a juntar a amizade às relações profissionais porque parece que existe um ritual laboral que quase parece ser obrigatório. E que passa pela amizade virtual.

Hoje em dia, uma pessoa chega a um emprego novo e uma das primeiras “tarefas” passa por estabelecer amizade virtual com todos os colegas. Como se o novo emprego fosse sinónimo de amizade com pessoas que se conhecem há cinco minutos e com quem se trocou duas ou três palavras. É disparar pedidos de amizade em tudo e mais alguma coisa. É no Facebook, é seguir no Instagram e Twitter, se existir. E em todas as redes sociais possíveis e imaginárias.

Parece que é obrigatório ser amigo das pessoas com quem se trabalha. Mesmo que não exista uma relação que vá além do profissional e cordial. E mal daqueles que não entram nesta onda. “Aquele(a) não aceita o meu pedido de amizade porquê?”, perguntam. E depois criam teorias em torno disto. Quando são amigos, surgem novos problemas.

“Já viste o que aquele(a) escreveu? De certeza que é uma boca para fulano ou sicrano!” E está assim montada uma telenovela venezuelana dobrada em brasileiro, que passa na televisão à hora de almoço. Comecei por dizer, no título, que é um estranho ritual laboral. E mantenho esta opinião. Porque não sou obrigado a ser amigo de todas as pessoas com quem trabalho. Tal como não tenho que saber detalhes pessoais das suas vidas nem eles das minhas. E, por mais que algumas pessoas confundam as coisas, as redes sociais pessoais não são ferramentas de trabalho. Para ninguém e em lado nenhum.

31.3.19

até falava da colecção de roupa unissexo da zippy, mas prefiro falar de moçambique

Por estes dias só se tem falado da supostamente polémica colecção de roupa da Zippy. Parece que meio mundo está escandalizado com as peças de criança que se destacam por ser sem género. Algo que no meu tempo, e só tenho 37 anos, se chamava unissexo. Como não encontro nada chocante nisto, não perco tempo a alongar-me sobre o assunto. É o que é e só compra quem gosta. E pelas fotos parecem ser peças bem giras.

Prefiro centrar-me na catástrofe que assolou Moçambique. Já perdi conta ao número de peças jornalistas que vi sobre o assunto e em todas fiquei emocionado. Sendo que destaco algo que encontrei em todas elas. Estou a falar da total ausência de uma vontade cega de culpar alguém. Ninguém perde tempo a culpar este ou aquele.

Vi uma peça em que um homem, descalço, andava no meio da lama a limpar estradas. Este homem tinha ficado sem casa e dizia apenas que os trabalhos corriam dentro do previsto. Vi uma mulher grávida que só deseja uma casa para que o filho possa nascer, dizendo que o passado era isso mesmo. Vi pessoas falarem de pessoas que viram morrer com uma postura completamente diferente.

Aqui, andamos a discutir a polémica em relação a uma colecção de roupa. Já aquele povo, que lida com uma tragédia que não se deseja a ninguém, ensinam uma lição que só não aprende quem não quer. Ou quem prefere olhar para peças de roupa como se fossem balas ou bombas atómicas.

27.3.19

pessoas, trânsito e radares

Quando o tema é o trânsito e os radares, existem três grandes grupos de pessoas:

1 - Tanto faz, para o bem ou para o mal
Estas são aquelas pessoas que passam pelo aviso de radar e pelo radar sempre à mesma velocidade. Algo que funciona para o bem, quando estão dentro dos limites da lei. Ou para o mal, quando vão em excesso de velocidade.

2 - Aquilo que importa é mesmo o aviso, não é?
Neste grupo estão aquelas pessoas que reduzem a velocidade quando passam no aviso de radar, que acende a luz porque estão com excesso de velocidade. Neste momento reduzem e depois passam pelo radar em excesso de velocidade. Estas pessoas acreditam que o que poderá ditar a multa é o excesso de velocidade no aviso. E que passar dentro dos limites pelo mesmo é uma espécie de cartão "livre da prisão" do Monopólio.

3 - Será que já estou fora de alcance?
Aqui estão aquelas pessoas que passaram por um radar no Algarve e que no momento em que estão quase a chegar ao Porto acreditam que ainda podem ser apanhados pelo radar algarvio.

4 - Radar, vamos travar!
São aquelas pessoas que travam quando estão a passar pelo radar.

Só falta saber a que grupo pertences.

21.3.19

apaixonei-me e o sonho de uma vida destruído por um parvo

Sempre gostei dos The Killers. Mas recentemente apaixonei-me pela banda liderada por Brandon Flowers. De uma música saltei para o concerto do Royal Albert Hall, que teve lugar em 2015. E daí andei a saltar de música em música e de concerto em concerto. Com especial destaque para aqueles que a banda de Las Vegas deu no ano passado.

Enquanto assistia ao concerto dado na Escócia, percebi que os The Killers deixam uma pessoa do público subir ao palco para tocar bateria no tema “For Reasons Unknow”. Neste caso foi Tony que teve o prazer de tocar com a banda que admira. E que show deu o puto! Já no Brasil foi a apresentadora (algo desconhecido por Brandon Flowers) Dedé Teicher quem teve a oportunidade de tocar para dezenas de milhares de pessoas. Podem ver as duas actuações nos vídeos.



(A partir dos 23 minutos)



(A partir dos 37 minutos)

Se fosse músico e baterista, teria o maior prazer em tocar com uma das minhas bandas de eleição. E é isso que acredito aconteceu com Dedé e especialmente com Tony, que parece um menino que acaba de receber o melhor presente de Natal de sempre. Isto para não dizer que sabe tudo na perfeição.

Por outro lado, a banda corre um risco enorme quanto toma esta decisão. Porque nem todas as pessoas são bem intencionadas. Depois da actuação de Tony, Brandon Flowers fala do desastre que tinha acontecido na Bélgica. Fui pesquisar o concerto e deparei-me com um parvo, que não tem outro nome, que simplesmente não toca bateria.



(A partir dos 40 minutos)

Gostei da forma como Brandon Flowers resolveu a situação, tal como recusou tocar a música enquanto o rapaz não saísse do palco. E quem tem este tipo de comportamento acaba por roubar a oportunidade de alguém, como aconteceu com Tony, realizar o sonho de uma vida. Tal como pode levar a banda a decidir colocar um ponto final neste iniciativa. Até tentava perceber o que leva alguém a fazer isto em cima de um palco, passando por parvo num vídeo que irá ser visto em todo o mundo. Mas prefiro ir ver o jovem escocês a arrasar novamente.

19.3.19

maddie. pais. comportamentos e polémica

O documentário da Netflix sobre o “desaparecimento” da pequena Maddie trouxe o assunto de volta à agenda mediática. Em relação ao documentário não posso dar uma opinião porque ainda não o vi na totalidade. Mas posso (e vou) opinar sobre os comentários que tenho lido nas redes sociais, onde o assunto voltou a estar em destaque.

Muitos pais estão estupefactos com a quantidade de pessoas que coloca a hipótese de que a criança tenha morrido na sequência de um acidente e que os pais tenham feitos os possíveis para encobrir o sucedido. Para estes pais é impossível que um pai possa estar implicado, mesmo que por negligência, no desaparecimento de um filho.

Estes pais também consideram normal e aceitável que se deixem filhos sozinhos num apartamento enquanto se vai jantar e beber uns copos de vinho na companhia de amigos. Para estes pais tudo está bem porque até existia um plano para verificar as crianças enquanto estas dormiam sozinhas num apartamento.

Não sou pai. Mas choca-me que existam pais que achem que isto é normal e aceitável. “É algo cultural e normal para eles”, dizem. Se este é o modo de raciocínio, vamos aceitar aqueles países que tratam as mulheres como seres inferiores e que as maltratam. É que nestes países é algo normal e culturalmente aceitável.

Tenho a minha opinião sobre o que terá acontecido naquela noite. Mas não é isso que está em causa. Só não me peçam para ofender as forças policiais portuguesas e defender pais que deixam filhos sozinhos para ir jantar e beber uns copos com amigos. Para isso, não contem comigo. Por mais que seja normal para eles. Por mais perfeito que seja o cenário, existe sempre um risco grande de acontecer uma tragédia. Seja ela qual for.

Basta recordar o caso daqueles pais que também tinham o hábito de deixar o(s) filho(s) sozinhos enquanto iam para o casino. E como exercício de memória, é ver o tratamento mediático, político e mesmo judicial com que foram tratadas duas situações em tudo semelhantes, com a diferença que num dos casos existe um corpo.