22.5.26

o que estão a fazer a antónio silva é de gente muito pequenina

Por estes dias tenho partilhado muitas reflexões sobre futebol, mas a verdade é que o panorama atual torna quase impossível falar de outra coisa. E há assuntos que ultrapassam as quatro linhas e tocam diretamente no respeito e na dignidade humana. Não consigo, de forma alguma, ignorar o massacre público que decidiram fazer a António Silva.

Antes que comecem a apontar o dedo: isto não tem nada a ver com o facto de ele ser central do Benfica, o meu clube de coração. Tem a ver com o comportamento vergonhoso e desumano que o futebol português está a demonstrar perante um jovem que tem apenas 22 anos. Leste bem: 22 anos. Sinto que muita gente se esquece da idade dele só porque apareceu muito cedo nos palcos principais e com uma maturidade acima da média.

Vamos aos factos. Roberto Martínez deixou-o fora dos eleitos para o Mundial de 2026. Até aí, tudo bem. O selecionador tem o direito de fazer as escolhas que bem entender e terá, naturalmente, de dar a cara pelos resultados. Tu, eu e qualquer pessoa que goste de futebol teríamos opções diferentes para a equipa de todos nós. Faz parte do jogo e o debate é saudável.

O problema — e o nojo que isto me mete — começa quando decidem transformar o António Silva no "bode expiatório" perfeito para desviar as atenções de uma convocatória que tem sofrido fortes críticas por parte dos portugueses.

Qual é a lógica ou o interesse de vir agora a público escavar um episódio privado que aconteceu em 2024? Revelar que o miúdo partilhou o onze com pessoas próximas e foi "apanhado" num erro de bastidores? Se aconteceu há dois anos e na altura ninguém achou relevante punir ou falar do tema, por que razão atiram o nome do jogador para a fogueira precisamente agora, no momento em que ele é riscado do Mundial?

Para mim, a resposta é óbvia e triste. Roberto Martínez demonstra ser um líder incrivelmente fraco ao expor um atleta desta maneira. O papel dos jornalistas é perguntar tudo, mas cabe ao selecionador, enquanto líder e escudo do balneário, proteger os seus homens — estejam eles convocados ou não. Queimar um jovem de 22 anos para sacudir a pressão do próprio capote é de uma pequenez tremenda.

21.5.26

o jogo mais cruel do mundo: crianças abandonadas em alcácer do sal

Há notícias que lemos no ecrã do telemóvel e que nos obrigam a parar, a respirar fundo e a ler outra vez. Não por falta de compreensão, mas porque a nossa mente se recusa a aceitar que o ser humano seja capaz de tamanha frieza. O caso que correu o país, sobre duas crianças encontradas sozinhas na zona de Alcácer do Sal, perto da Comporta, é uma dessas histórias que nos esmurra o estômago.

Se tens filhos, vais perceber a revolta imediata. Se não os tens, o sentimento de injustiça é exatamente o mesmo.

O "jogo" que escondia o pior pesadelo

Duas crianças, de apenas três e cinco anos, de nacionalidade francesa. Dois irmãos que, àquela idade, deviam ter nos pais a sua bolha de segurança absoluta. Em vez disso, foram vítimas de um plano que parece saído de um filme de terror psicológico.

Segundo os relatos recolhidos pelas autoridades e a indispensável testemunha que os encontrou, os pais terão vendado os olhos aos miúdos. Disseram-lhes que iam jogar às escondidas, que iam fazer uma "caça ao tesouro" na floresta à procura de um brinquedo. As crianças obedeceram, com a inocência pura que a idade carrega. Quando tiraram as vendas, os pais já tinham desaparecido na Estrada Nacional 253.

O detalhe das mochilas que denuncia o plano

Alexandre Quintas, o automobilista que viu os dois irmãos a chorar e a deambular à beira da estrada por volta das 19h00, percebeu imediatamente que algo estava muito errado. Ao inverter a marcha para os socorrer, deparou-se com o cenário que qualquer um de nós teme encontrar: o desamparo total.

Mas há um pormenor nesta notícia da SIC Notícias que transforma este caso num ato premeditado e cruel. As crianças traziam mochilas feitas. Lá dentro? Uma muda de roupa, um pacote de bolachas, duas peças de fruta e uma garrafa de água. Isto não foi um "perdemo-nos na praia". Foi um kit de subsistência deixado por quem decidiu, deliberadamente, abdicar do papel de mãe.

O herói que olhou para o retrovisor

Num mundo onde tantas vezes seguimos viagem e ignoramos o que nos rodeia, a atitude de quem salvou estas crianças merece ser sublinhada. O instinto de proteção deste condutor — que olhou pelo espelho, estranhou o choro e a berma da estrada, e decidiu voltar atrás — evitou uma tragédia ainda maior. Aquela hora, o final do dia, com o tráfego da zona da Comporta, o desfecho podia ter sido fatal.

O caso está agora, e felizmente, nas mãos da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e das autoridades judiciais. Os pais já foram identificados.

Como homem e como cidadão, custa-me colocar em palavras o que sinto em relação a esta progenitora  (e padrasto). A psicologia explica muita coisa, mas a frieza de transformar o abandono de um filho num jogo infantil é de uma maldade que não encontra justificação em dicionário nenhum.

Fica o alerta para todos nós: que nunca nos falte o instinto de olhar pelo retrovisor quando o mundo lá fora parece precisar de ajuda.

20.5.26

benfica choca com a realidade: amorim fecha a porta da luz

Se és daqueles que passa os dias a fazer scroll pelas notícias desportivas à procura do próximo treinador do Benfica, puxa uma cadeira. A novela que envolve a sucessão no banco encarnado ganhou um enredo digno de uma produção da Netflix, mas acaba de sofrer uma reviravolta daquelas que ninguém esperava. Ou talvez sim.

Muito se tem falado sobre o destino de José Mourinho e, sejamos honestos, na ótica da direção de Rui Costa, Ruben Amorim seria a escolha que faria mais sentido para acalmar as bancadas.

Das exigências milionárias ao balde de água fria

Os rumores corriam à velocidade da luz. Dizia-se no ecossistema do futebol que Amorim já tinha uma lista de exigências para assinar pelo Benfica. Falava-se do regresso de Nuno Gomes para liderar a estrutura do futebol, da dispensa de figuras como Simão Sabrosa e Mário Branco, e até de pedidos cirúrgicos no mercado: um guarda-redes e três centrais. Constava que a Luz estava disposta a cometer verdadeiras loucuras financeiras a nível salarial.

Pois bem, podes esquecer os cenários hipotéticos. Este episódio da novela morreu mesmo antes de ir para o ar. Rúben Amorim fechou oficialmente a porta ao Benfica.

O esclarecimento que põe fim à especulação

Para travar a bola de neve — alimentada por várias peças televisivas —, a agência que gere a carreira do técnico emitiu um comunicado oficial categórico. E as palavras não deixam margem para dúvidas:

  • Rúben Amorim tomou, há muito tempo, a decisão de prosseguir a carreira no estrangeiro.

  • Não existiu qualquer reunião com clubes portugueses para discutir condições de trabalho, salários ou planeamento de plantel.

  • Tudo o que passe disto é pura especulação.

Com esta nega categórica ao futebol nacional, o foco de Amorim está claramente além-fronteiras. Resta agora saber quem será o próximo alvo da estrutura encarnada. Será que Marco Silva é o senhor que se segue, ou vamos ver esta novela transformar-se numa daquelas sagas longas e arrastadas?

Uma coisa é certa: os próximos capítulos prometem aquecer o defeso. E tu, quem gostarias de ver no banco das águias?

onde param os cozinheiros? o drama de já não se comer bem

Há uma pergunta que me assalta a mente sempre que decido sair para jantar: o que é feito dos verdadeiros cozinheiros?

Parece que, de um momento para o outro, a profissão desapareceu do mapa. Hoje já não há cozinheiros. Há "chefes de cozinha". E cuidado, não te atrevas a errar no termo! Muitos deles ficam genuinamente ofendidos se não espetarem logo à frente do nariz os seus 723 diplomas, com especializações em texturas, esferificações e tudo o que termine em termos técnicos pomposos.

Esta gourmetização extrema traz consigo outra dúvida legítima: onde param aqueles restaurantes onde, puramente, se comia bem?

O cansaço das "experiências gastronómicas"

Quando procuro um sítio para almoçar ou jantar, a minha lógica é simples. Dou total primazia à qualidade da comida e a uma relação qualidade-preço justa. O resto é secundário. No entanto, escolher um restaurante hoje em dia tornou-se uma autêntica dor de cabeça.

Parece que o foco mudou. Já não interessa se a comida te aconchega a alma; o que importa é a "experiência gastronómica". Exige-se quase um mestrado para conseguir traduzir nomes complicados no menu para coisas que, na verdade, são ultra simples. Tudo se tornou demasiado complexo, artificial e, honestamente, cansativo.

O triunfo da simplicidade

Vamos falar a sério. Vejo muita gente sedenta por frequentar estes espaços XPTO, onde a conta final custa muito mais do que a refeição realmente vale. Pagas o conceito, o empratamento com pinça e a iluminação dramática. A comida? Fica para segundo plano.

Claro que há exceções. Existem restaurantes de autor, mais requintados, que são referências indiscutíveis e merecem cada cêntimo pela técnica e inovação. Mas sejamos honestos: a grande maioria não passa de fogo de artifício.

No final do dia, continuo a defender a mesma ideia. Aquilo que realmente sobrevive ao tempo, aquilo que nos deixa saudades, é o conceito do "bom, bonito e barato". É a travessa generosa colocada no centro da mesa, o jarro de vinho da casa e a partilha genuína. A verdadeira gastronomia não precisa de um palco de teatro; precisa apenas de sabor e simplicidade.

18.5.26

ruben amorim é o senhor que se segue no benfica

Fui acreditando, quase até ao fim, que José Mourinho iria renovar o seu contrato com o Benfica. Mas o futebol é fértil em reviravoltas e, hoje, tenho poucas dúvidas: o "Special One" vai mesmo embora. A minha leitura é que está a ser empurrado e que o seu destino será o regresso a Madrid. Prevejo uma novela penosa para a Luz enquanto se contam os dias para a rescisão por um valor "simbólico", mas o futebol não para e o futuro já mexe.

Escreve o que te digo: o senhor que se segue na Luz será Rúben Amorim.

O efeito "Mourinho 2.0" de Rui Costa

Porquê este nome? É simples. Amorim é o único treinador capaz de criar uma espécie de efeito "Mourinho 2.0" para a estrutura liderada por Rui Costa. Se o atual técnico ajudou a segurar a estabilidade, Rúben Amorim é o único que vejo com estofo para serenar os ânimos exaltados dos adeptos. Com todo o respeito pelo talento de Marco Silva, ele não conseguiria este impacto imediato.

Ainda assim, sei perfeitamente que o nome de Amorim está longe de ser consensual entre os benfiquistas. E o grande culpado tem três defesas.

A teimosia tática que falhou em Manchester

Se há coisa que aprendemos com a sua carreira é que Rúben Amorim morre com as suas ideias. Pode fazer um sol radioso, pode cair um nevão histórico, o plantel pode ter dez centrais ou apenas um disponível: ele não vai abdicar da linha de três defesas.

Esta rigidez tática, que muitos rotulam de teimosia, foi precisamente o que carimbou o seu insucesso em Inglaterra, onde acabou visto como um "flop" no Manchester United. Basta olhar para o que Michael Carrick está a fazer agora em Old Trafford, com os mesmos jogadores, mas com um sistema tático completamente diferente e mais fluido.

O trunfo que vai apaixonar o Seixal

Apesar deste risco tático, há um detalhe nesta escolha que vai agradar, e muito, à massa associativa encarnada: a aposta real na formação. Ao contrário de outros que lançam os miúdos nos últimos cinco minutos para fazer fumo, Amorim olha para o talento e não para o nome ou para o estatuto do jogador. Se tiver qualidade e trabalhar, joga.

Veremos o que os próximos dias nos reservam. Mas, nesta altura do campeonato, visualizo cada vez mais Rui Costa a fazer um autêntico all-in no treinador que mais obrigará a uma profunda reformulação do plantel do Benfica. Estará a estrutura preparada para lhe dar a chave do clube?

17.5.26

mourinho e o benfica: o terceiro erro histórico está prestes a acontecer

Se há coisa que o futebol nos ensina, é que quem não aprende com o passado está condenado a repetir os mesmos falhanços. E eu temo, com muita honestidade, que o Benfica esteja prestes a cometer o terceiro erro histórico com José Mourinho.

Para perceberes onde quero chegar, precisamos de recuar no tempo e olhar para os fantasmas que a Luz insiste em não querer ver.

1. O pecado original: A não renovação 

O primeiro erro já todos conhecemos, mas convém nunca esquecer. Quando um jovem e ambicioso José Mourinho começou a mostrar as garras na Luz, a direção da altura preferiu o orgulho à competência. Não renovaram o contrato, deixaram-no sair pela porta pequena e o resto... bem, o resto é a história de um treinador que conquistou a Europa.

2. O desvio em Leiria (O erro que poucos lembram)

Este segundo falhanço passa ao lado de muitos adeptos, mas foi crucial. Quando o Mourinho estava a fazer milagres no União de Leiria, tinha tudo praticamente fechado para regressar ao Benfica. Ele próprio confessou aos jogadores mais próximos — aqueles que mais tarde levou para as Antas — que o destino era a Luz e que os ia contratar.

O que aconteceu? O Benfica foi "comido de cebolada" pelo FC Porto nos bastidores. O treinador acabou no Norte e seguiu-se a época de ouro dos azuis e brancos. Um murro no estômago que ainda hoje se sente. 

3. O terceiro erro: A blindagem de Rui Costa

E agora, chegamos ao presente. O Benfica arrisca-se a deixar escapar José Mourinho mais uma vez. Porquê? Porque, na minha opinião, Rui Costa prefere manter intocável o círculo de pessoas que o rodeia na direção — pessoas que considero inaptas para as exigências do clube — em vez de entregar a pasta do futebol a quem realmente percebe disto.

Mourinho seria a solução imediata. É um dos profissionais mais viscerais e defensores dos clubes por onde passa. Com ele, o rumo mudava. Em vez disso, o que nos espera? O habitual rodízio de treinadores. Entra um, sai outro, e no fim do dia os técnicos serão sempre os bodes expiatórios do insucesso da estrutura.

A minha previsão: Rui Costa tem nas mãos uma oportunidade única de fazer uma limpeza geral e segurar Mourinho. Se não o fizer, só um milagre evitará eleições antecipadas na Luz. Até lá, muito temo que esta direção continue a cavar um buraco do qual será muito complicado sair.

15.5.26

lembras-te da tua primeira música no spotify? a minha foi esta

Há datas que nos ficam gravadas na memória por motivos óbvios, mas outras surgem como uma surpresa digital quando decidimos escavar o passado. Para mim, o dia 16 de fevereiro de 2017 marca um ponto de viragem na forma como consumo música. Foi o dia em que entrei oficialmente no mundo do Spotify.

Sabes aquela sensação de abrir uma porta para uma biblioteca infinita? Foi exatamente isso. E a primeira música? Bom, não foi um hit passageiro de rádio. Foi "Crash into Me", dos Dave Matthews Band.

Um clássico que sobrevive ao algoritmo

É curioso como, passados todos estes anos, certas faixas mantêm o mesmo impacto. "Crash into Me" é um daqueles temas que adorava, adoro e continuo a ouvir religiosamente. É presença obrigatória na minha playlist do carro, servindo de banda sonora para muitas viagens e momentos de reflexão.

Isto prova que, embora o streaming nos ofereça milhares de novidades todos os dias, o nosso "eu" de há uns anos sabia perfeitamente o que era bom. A música tem esta capacidade incrível de nos transportar para momentos específicos, e aquele primeiro "play" em 2017 é agora uma cápsula do tempo.

E tu, já consultaste o teu "histórico de crime"?

O tempo voa, e a plataforma evoluiu tanto que agora nos permite analisar os nossos hábitos com uma precisão cirúrgica. Já ouviste falar do Spotify 20? É a ferramenta ideal para quem, como eu, gosta de ficar a par dos seus dados musicais e perceber como os seus gostos mudaram (ou não) ao longo das décadas.

É um exercício de autoconhecimento musical. Às vezes ficamos surpreendidos com aquele artista que ouvimos em loop num verão esquecido ou com a música que nos ajudou a superar uma fase mais complicada.

O desafio está lançado

Agora quero saber de ti. Consegues recuar no tempo e dizer-me qual foi a tua primeira música no Spotify? Foi um clássico como o meu, ou algo de que hoje te arrependes ligeiramente?

Deixa a nostalgia bater à porta, faz o teu Spotify 20 e partilha comigo os resultados. Afinal, a música é feita para ser discutida, partilhada e, acima de tudo, sentida.

13.5.26

desilusão ou ilusão? o erro que todos cometemos com os outros

Já todos passámos por isto. Aquele momento em que sentes um nó no estômago porque alguém em quem confiavas falhou redondamente. Olhas para o lado e dizes: "Fiquei mesmo desiludido com aquela pessoa". Mas deixa-me convidar-te a dar um passo atrás e a pensar comigo: será que foi ela que te desiludiu ou foste tu que te deixaste iludir?

A armadilha da imagem idealizada


A verdade é que nós somos máquinas de criar perfis falsos na nossa cabeça. Conhecemos alguém num jantar, no ginásio ou através de amigos comuns e, de imediato, o nosso cérebro começa a preencher os espaços em branco. Criamos uma imagem, uma aura de perfeição ou de compatibilidade que, na esmagadora maioria das vezes, não tem qualquer correspondência com a realidade.

Acreditamos no que queremos ver. Se precisas de um amigo leal, vais projetar lealdade absoluta naquele conhecido recente. Se procuras um parceiro ideal, vais ignorar os sinais de alerta só para manter a tua construção mental intacta.

O ambiente não é a pessoa


Muitas vezes, o erro nasce da falta de profundidade. Conheces alguém num determinado ambiente — profissional, social ou digital — e assumes que aquela pessoa é assim 24 horas por dia. Mas o ser humano é complexo. O "facto" é que passamos pouco tempo com a maioria das pessoas que nos rodeiam. Conhecemos "partes" e tentamos vender a nós próprios que conhecemos o "todo".

Quando essa pessoa age de acordo com a natureza dela (e não com a tua regra), sentes-te traído. Mas quem traiu quem? Ela, por ser quem é, ou tu, por quereres que ela fosse como os teus olhos decidiram?

Aceitar a realidade para evitar o tombo


Eu acredito piamente que a desilusão é apenas o fim de uma ilusão que nós alimentámos. É o choque entre a fantasia e o real. Se queres sofrer menos, o segredo é simples, embora difícil de aplicar: observa mais e projeta menos. Aceita que as pessoas são falíveis, imprevisíveis e, acima de tudo, diferentes do que tu gostarias que fossem.

E tu, o que achas? Costumas carregar o peso da desilusão ou já percebeste que, às vezes, o realizador deste filme foste tu?

12.5.26

hantavírus: será este o início de uma nova pandemia?

Depois de tudo o que passámos com a Covid-19, é natural que qualquer notícia sobre um "novo" vírus coloque toda a gente em sentido. Recentemente, o nome Hantavírus começou a circular com mais força, e a pergunta que recebo mais vezes é: "Vem aí outra pandemia?". Vamos baixar o tom do alarme e olhar para os factos, porque a realidade é bem menos dramática do que as redes sociais fazem parecer, mas exige, ainda assim, a tua atenção.
 

Afinal, o que é o Hantavírus?

 
Ao contrário do coronavírus, o hantavírus não é exatamente um recém-chegado. É uma família de vírus transmitida principalmente por roedores (ratos e ratazanas). A transmissão para humanos acontece, geralmente, quando respiramos poeiras contaminadas pela urina, fezes ou saliva destes animais.
 
Aqui está a primeira grande diferença: o Hantavírus não se transmite facilmente entre pessoas. Embora tenham ocorrido casos raríssimos de transmissão interpessoal na América do Sul, a regra de ouro é que o contágio é ambiental. Ou seja, o risco de uma propagação global explosiva como a que vimos em 2020 é, cientificamente, muito baixo.
 

Devemos estar alarmados?

 
A resposta curta é: não. Mas devemos estar informados. O Hantavírus pode causar duas condições graves: a Síndrome Renal com Febre Hemorrágica (HFRS) e a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (HPS). Os sintomas iniciais podem parecer uma gripe comum — febre, dores musculares e fadiga —, mas podem evoluir rapidamente para dificuldades respiratórias graves.
 
Embora a taxa de letalidade seja preocupante em casos graves, a baixa capacidade de contágio entre humanos impede que o vírus se torne uma ameaça pandémica ao nível da gripe ou da Covid-19.
 

O que deves ter em mente (e como te proteger)

 
Se vives em zonas rurais, tens uma casa de férias que esteve fechada muito tempo ou lidas com armazéns e garagens, aqui ficam as regras de ouro:
 
- Arejar antes de limpar: Nunca entres num local fechado há muito tempo e comeces logo a varrer. Abre as janelas, deixa o ar circular pelo menos 30 minutos.
 
- Higiene húmida: Não uses vassouras ou aspiradores em locais com vestígios de roedores; isso levanta partículas que podes respirar. Usa lixívia diluída e limpa com panos húmidos.
 
- Veda a casa: Garante que os ratos não têm por onde entrar. Se não há roedores, não há vírus.
 
Conclusão: Não estamos perante uma "nova Covid-19". O sistema de saúde global está muito mais atento hoje do que estava há cinco anos. O Hantavírus é um risco real, mas localizado e controlável através de cuidados básicos de higiene.

11.5.26

chamem-me velho, mas o blogue está de volta!

Podes chamar-me velho. Podes chamar-me antiquado ou dizer que os blogues são uma "relíquia" de 2010. Podes dizer o que quiseres, mas a verdade é uma: eu continuo a adorar escrever. Depois de algum tempo em silêncio, senti que faltava este espaço para debitar opiniões sobre tudo e sobre nada, longe da ditadura dos algoritmos rápidos das redes sociais.

Por que é que decidi voltar?


Há uma liberdade na escrita de um blogue que não encontras num reel de 15 segundos ou numa legenda limitada do Instagram. Senti saudades deste meu cantinho. Saudades de me sentar à frente do teclado e deixar que as ideias fluam sem a pressão de ter de ser "tendência".

Aqui, no homem sem blogue, o ritmo é outro. É o meu ritmo. Volto nem que seja para desabafar sozinho, sem a garantia de ser lido por alguém. Mas, curiosamente, é nesse desabafo honesto que muitas vezes encontramos as melhores conversas.

O valor da resistência digital


Vivemos num mundo onde tudo é efémero. Escrever num blogue em 2026 é quase um ato de resistência. É valorizar a profundidade sobre a superficialidade. Se és daqueles que ainda prefere ler um texto estruturado, com princípio, meio e fim, então este regresso também é para ti. Vou continuar a falar do que me move. Mas farei-o à minha maneira, com o tom de quem está a beber um café contigo.

Estás desse lado?


Este blogue sempre foi mais do que um depósito de textos; foi uma comunidade. Por isso, se por acaso ainda estiveres desse lado, se o teu leitor de RSS ainda funciona ou se o link te apareceu por mero acaso, não passes sem dizer nada.

Deixa uma mensagem nos comentários. Diz-me o que tens feito, o que queres ler por aqui ou apenas deixa um "olá" para eu saber que não estou a falar para as paredes. O homem sem blogue está oficialmente de volta à ativa. Vamos a isto?