20.5.26

onde param os cozinheiros? o drama de já não se comer bem

Há uma pergunta que me assalta a mente sempre que decido sair para jantar: o que é feito dos verdadeiros cozinheiros?

Parece que, de um momento para o outro, a profissão desapareceu do mapa. Hoje já não há cozinheiros. Há "chefes de cozinha". E cuidado, não te atrevas a errar no termo! Muitos deles ficam genuinamente ofendidos se não espetarem logo à frente do nariz os seus 723 diplomas, com especializações em texturas, esferificações e tudo o que termine em termos técnicos pomposos.

Esta gourmetização extrema traz consigo outra dúvida legítima: onde param aqueles restaurantes onde, puramente, se comia bem?

O cansaço das "experiências gastronómicas"

Quando procuro um sítio para almoçar ou jantar, a minha lógica é simples. Dou total primazia à qualidade da comida e a uma relação qualidade-preço justa. O resto é secundário. No entanto, escolher um restaurante hoje em dia tornou-se uma autêntica dor de cabeça.

Parece que o foco mudou. Já não interessa se a comida te aconchega a alma; o que importa é a "experiência gastronómica". Exige-se quase um mestrado para conseguir traduzir nomes complicados no menu para coisas que, na verdade, são ultra simples. Tudo se tornou demasiado complexo, artificial e, honestamente, cansativo.

O triunfo da simplicidade

Vamos falar a sério. Vejo muita gente sedenta por frequentar estes espaços XPTO, onde a conta final custa muito mais do que a refeição realmente vale. Pagas o conceito, o empratamento com pinça e a iluminação dramática. A comida? Fica para segundo plano.

Claro que há exceções. Existem restaurantes de autor, mais requintados, que são referências indiscutíveis e merecem cada cêntimo pela técnica e inovação. Mas sejamos honestos: a grande maioria não passa de fogo de artifício.

No final do dia, continuo a defender a mesma ideia. Aquilo que realmente sobrevive ao tempo, aquilo que nos deixa saudades, é o conceito do "bom, bonito e barato". É a travessa generosa colocada no centro da mesa, o jarro de vinho da casa e a partilha genuína. A verdadeira gastronomia não precisa de um palco de teatro; precisa apenas de sabor e simplicidade.

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