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8.5.19

crianças, telemóveis, tablets e a miopia que os pais ignoram

Volta e meia converso com alguns amigos (com e sem filhos) sobre o comportamento das crianças nos dias que correm. E todos concordamos que passam a vida agarrados aos telemóveis e tablets. Conheço pessoas que dizem proibir esse comportamento em casa, assumindo também ser algo complicado de contrariar fora de portas. Até porque “todos o fazem”, dizem.

E esta frase é muito verdadeira. Hoje em dia, quer seja num café, restaurante ou noutro espaço qualquer, é praticamente impossível não encontrar uma criança agarrada a um gadget. Algo de que muitos pais gostam, até porque assim os filhos estão quietos e não aborrecem ninguém. E como é fácil calar uma criança deste modo, dá- se o aparelho para a mão.

Por outro lado, não concordo com isto. Talvez porque faça parte de uma geração que se habituou a estar à mesa a ouvir conversas dos pais ou a fazer desenhos nas toalhas de papel. Os tempos eram outros mas uso sempre como comparação o momento em que passei a ter computador e consola, algo que nunca foi mais importante do que brincar na rua com os meus amigos.

Nos dias que correm é o oposto. Parece existir um incentivo ao vício dos aparelhos. Já estive em restaurantes em que estão três filhos à mesa, cada um com o seu tablet, os pais com os telemóveis na mão e ninguém fala com ninguém. Algo que se prolonga durante praticamente toda a refeição. É certo que cada família sabe de si, mas existem dados que devem ser tidos em conta.

As crianças não só passam a vida agarrados aos aparelhos, como mergulham com a cabeça dentro dos pequenos ecrãs. E este é um dos perigos. Diversos especialistas estão a alertar para o perigo deste comportamento. Que pode acelerar a miopia nas crianças. Algo que resulta do uso exagerado destes aparelhos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2020 35% da população mundial terá miopia. Percentagem que pode subir para os 52% em 2050. Números verdadeiramente preocupantes. Se os pais não conseguem acabar com este vício dos filhos, certifiquem-se de que os aparelhos estão a uma distância de 30/40 centímetros dos olhos e, pelo menos, tentem que o uso não seja prolongado. Idealmente, e por mais que custe, acabem ao máximo com este vício que transforma uma criança em algo que não deveria ser.

29.4.19

o meu filho vai ter de ser tudo aquilo que não fui. a bem ou a mal

Num destes dias estive a ver a reportagem que a SIC fez sobre a violência nos jogos de futebol das camadas jovens. Com cada vez mais jogos em que pais agridem árbitros, insultam miúdos e lutam contra outros pais. Como comecei a jogar futebol (federado) com 12 anos e joguei durante mais de 20 anos, a minha primeira reacção foi: “os pais querem que os filhos sejam o próximo Cristiano Ronaldo”. E foi uma das coisas que acabei por ouvir na peça. E que faz cada vez mais sentido.

Quando era miúdo, Portugal não tinha nenhum jogador mediático à escala de Cristiano Ronaldo. Não existiam redes sociais. E não se falava tanto em dinheiro. Agora tudo é diferente. Os pais cada vez mais acreditam que o futebol é um desporto de milhões, que estão ali à mão de semear para qualquer puto que dá dois toques numa bola. E não basta que o miúdo jogue. Vai ter de ser, à força, um jogador profissional. Vai ter de sustentar a família. Mesmo que não tenha talento.

E os pais ficam tão cegos com esta obsessão que não percebem que acabam por ser o maior obstáculo à evolução do filho. Os meus pais iam ver os meus todos. Mas nunca, em momento algum, o meu pai passou o jogo a dar-me instruções. Não ficava descansado enquanto não os visse antes do jogo começar, mas estavam ali para me apoiar em “silêncio”. Mas mesmo no meu tempo já existiam alguns fenómenos estranhos.

Pais que não perdiam um treino. Que se juntavam a falar de tudo e mais alguma coisa sobre a equipa. Que queriam ser os treinadores e que defendiam que os seus filhos eram os melhores do mundo e arredores. Existia um caso de um rapaz que o pai passava o jogo todo atrás dele (na linha lateral) a dar-lhe instruções e a dizer o que fazer. Perdi conta ao número de vezes que o rapaz dizia que o pai só o atrapalhava. Até que explodiu num jogo e gritou para o pai se calar.

Este é apenas um exemplo que prova que os pais só atrapalham. Os pais podem (e devem) motivar os filhos para que sejam melhores. Mas isto passa pela aplicação nos treinos, pela alimentação (muito importante) e até por aspectos técnicos do jogo. Que podem ser estudados. De resto, podem (e devem) estar presentes nos jogos. Mas se forma silenciosa. Não é a chamar nomes aos miúdos, a ofender outros pais e por aí fora.

Se pensam que isto faz com que os miúdos sejam melhores, podem ter a certeza de que só fará com que sejam piores. Vão ficar tensos e com receio de muitas coisas. Sem esquecer que vão lidar com muitos outros jovens que transformam os pais em piadas de balneário pelo ridículo que são. E nem todos sabem lidar bem com isto. O que faz com que em pouco tempo possam estar a perder o encanto pelo futebol.

Não é por quererem que o miúdo seja o próximo Cristiano Ronaldo que isso irá acontecer. Até porque se fosse fácil, não existia um Cristiano Ronaldo, existiam milhões. E se pensam que o futebol dá milhões a todos, informem-se sobre jogadores de bons clubes que têm largos meses de ordenados em atraso. Transfiram metade da energia dos milhões que desejam para incentivo para que se apliquem nos estudos da mesma forma que se aplicam no desporto. Porque a carreira de futebolista profissional de sucesso será sempre algo apenas ao alcance de poucos. Atentem no número de crianças que jogam no Benfica, Porto e Sporting e vejam quantos chegam a profissionais.

19.3.19

maddie. pais. comportamentos e polémica

O documentário da Netflix sobre o “desaparecimento” da pequena Maddie trouxe o assunto de volta à agenda mediática. Em relação ao documentário não posso dar uma opinião porque ainda não o vi na totalidade. Mas posso (e vou) opinar sobre os comentários que tenho lido nas redes sociais, onde o assunto voltou a estar em destaque.

Muitos pais estão estupefactos com a quantidade de pessoas que coloca a hipótese de que a criança tenha morrido na sequência de um acidente e que os pais tenham feitos os possíveis para encobrir o sucedido. Para estes pais é impossível que um pai possa estar implicado, mesmo que por negligência, no desaparecimento de um filho.

Estes pais também consideram normal e aceitável que se deixem filhos sozinhos num apartamento enquanto se vai jantar e beber uns copos de vinho na companhia de amigos. Para estes pais tudo está bem porque até existia um plano para verificar as crianças enquanto estas dormiam sozinhas num apartamento.

Não sou pai. Mas choca-me que existam pais que achem que isto é normal e aceitável. “É algo cultural e normal para eles”, dizem. Se este é o modo de raciocínio, vamos aceitar aqueles países que tratam as mulheres como seres inferiores e que as maltratam. É que nestes países é algo normal e culturalmente aceitável.

Tenho a minha opinião sobre o que terá acontecido naquela noite. Mas não é isso que está em causa. Só não me peçam para ofender as forças policiais portuguesas e defender pais que deixam filhos sozinhos para ir jantar e beber uns copos com amigos. Para isso, não contem comigo. Por mais que seja normal para eles. Por mais perfeito que seja o cenário, existe sempre um risco grande de acontecer uma tragédia. Seja ela qual for.

Basta recordar o caso daqueles pais que também tinham o hábito de deixar o(s) filho(s) sozinhos enquanto iam para o casino. E como exercício de memória, é ver o tratamento mediático, político e mesmo judicial com que foram tratadas duas situações em tudo semelhantes, com a diferença que num dos casos existe um corpo.

19.9.18

o drama de ir buscar uma criança à escola

Hoje, fui buscar a minha sobrinha à escola. Algo que gosto de fazer quando estou de férias. Como se trata da única sobrinha que tenho e como não sou pai, não tenho outra escola como comparação. Por isso, digo que ir buscar uma criança à escola é um drama. E a culpa é dos pais ou dos familiares que as vão lá buscar. E aquilo que aqui vou retratar não é mais do que um comportamento habitual em situações semelhantes.

Ir buscar uma criança à escola significa (para 90% das pessoas que o fazem) para o carro o mais perto possível da criança. Se a escola autorizar, é levar o carro até à porta da sala. Se não autorizar, é parar junto ao portão até à criança aparecer. E os carros que estão atrás, a fazer fila, porque não conseguem passar? Esses esperam pela vez deles. Se isto não resultar, é estacionar mal o carro. De modo a que uma pessoa tenha de demorar cinco minutos a fazer uma manobra de cinco segundos. E se tiver que acontecer um acidente (toque entre carros) que assim seja. Só não podemos perder o lugar em frente ao portão.

Isto que acabei de descrever acontece sempre que vou buscar a minha sobrinha à escola. Aliás, aconteceu tudo hoje. Menos o acidente, que foi evitado por meros milímetros. E quando digo que isto não é mais do que um comportamento habitual é porque a maioria das pessoas comporta-se assim com os carros. É no estacionamento perto de casa, é nos centros comerciais e em todos os lados. Vale tudo para o carro ficar o mais perto possível do destino.

Continuo a adorar ir buscar a minha sobrinha. E continuo a ficar fascinado com os comportamentos que observo. Como a mãe que para o carro em frente ao portão e sai do carro para fumar um cigarro junto às crianças da escola. E nem quando o filho chega é capaz de apagar o cigarro. É verdade que nada disto me diz respeito, mas não é por isso que deixa de me fazer confusão. Simplesmente porque não percebo este tipo de comportamentos.

21.6.18

mães que amamentam, isto é uma vergonha!

Já dediquei pelo menos um texto a mães que amamentam em locais públicos, na presença de outras pessoas. E gosto de acreditar que sou uma pessoa de mente aberta e que tolera muitas coisas. Mas existem coisas que não posso aceitar. E que dizem respeito às mães que amamentam. Aquilo que a mãe desta fotografia está a fazer é inaceitável. Vai muito além do que é tolerável. Até porque se quer fazer isto, que o faça em casa. Onde ninguém a está a ver e onde ninguém tem de levar com um comportamento destes. Onde é que já se viu isto? Colocar os chinelos em cima da mesa! Isso é que não!

18.6.18

aquilo que dizemos aos filhos dos outros

É rara a pessoa que não gosta de se meter com crianças. Especialmente quando estamos em lojas pois os funcionários adoram meter-se com crianças. O que não significa que saibam sempre o que dizer. Aliás, há quem diga mesmo grandes asneiras.

Num destes dias estava numa loja e à minha frente estava um homem com dois filhos. E um deles tinha aquilo a que se costuma chamar "cara de traquina". E acho que foi nisto em que a funcionária reparou quando decidiu meter-se com a criança.

"Tu tens cara de quem pegava fogo a isto tudo se o teu pai não estivesse a olhar", disse. Sendo que a partir daqui foi sempre a descer. Notava-se que tentava ser simpática, mas os comentários eram sempre um tiro ao lado.

Por acaso aquele pai não se chateou. Mas acredito que muitos pais não achassem piada à forma como tentou ter piada e ser simpática. Por outro lado, a verdade é que muitas pessoas tentam ser simpáticas acabando por dizer grandes asneiras. Mas com crianças tudo ganha uma dimensão maior.