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4.6.19

421 mil espécies de bactérias?!?

Quando li uma notícia da qual vou falar, recordei-me imediatamente dos meus vizinhos chineses. Que tinham o hábito de deixar o calçado à porta de casa. Recordo-me de uma altura em que tinham obras em casa e que os responsáveis tinham que fazer o mesmo antes de entrar em casa. Pois bem, de acordo com a tradição que chega do Oriente, devemos fazer isto para que a sujidade da rua e as más energias não entrem na nossa casa.

Se achas apenas piada a esta tradição, talvez leves mais a sério a ciência. Que refere que quando entramos calçados em casa, estamos a levar connosco 421 mil espécies de bactérias diferentes. Todas presentes na sola do calçado. Os investigadores norte-americanos encontraram todas estas bactérias em 96% das solas usadas no teste. Entre as que são destacadas, estão as que provocam infecções urinárias, respiratórias e até a E.Coli, que pode dar origem a graves problemas digestivos, entre outras coisas.

Os investigadores salientam ainda que 90 a 99% das bactérias são transferidas das solas para o chão da casa. E avançam com duas soluções. A primeira passa por lavar as solas com detergente assim que chegamos a casa. A outra, e foi aqui que me recordei dos meus vizinhos, passa por deixar o calçado fora de casa. Quanto a mim, ainda estou parvo com o número. 421 mil espécies!!!

23.5.19

afinal, a minha vida é fantástica

Volta e meia, dou por mim a lamentar-me em relação a diversos aspectos da minha vida. Coisas que representam uma gigantesca dor de cabeça para mim, mas que até podem ser pequenos grãos de areia para outras pessoas. Acredito que será assim com todas as pessoas. Tendemos a colocar as nossas questões, por mais pequenas que possam ser, num grau de elevada dimensão problemática. Onde não cabe mais nenhum problema mundial.

Até que leio a notícia de que Sara Carbonero, a mulher de Iker Casillas, está a lutar contra um cancro nos ovários. Que é tornado público dias depois de o jogador espanhol ter sofrido um enfarte durante o treino do Porto. E neste momento percebemos que afinal, a nossa vida não é assim tão má. Que os problemas, que temos e que todos têm, não são assim tão graves. Pelo menos na dimensão com que olhamos para eles.

E faço um pequeno aparte para falar também da minha história. Porque considero que mudei muito depois de ter acompanhado a luta da minha mãe contra um cancro da mama. E do meu pai, que passou por uma situação semelhante à de Casillas. Por mais estúpido que isto possa ser para todos nós, são estes momentos que nos mostram o que importa. Não é quando estamos num pico de alegria que nos focamos. Só nos focamos nos piores momentos.

15.5.19

as mulheres reais têm de ser gordas

Existem conceitos que me ultrapassam por completo. Um deles é o da “mulher real” que é sempre associado a mulheres com curvas e, na maioria dos casos, peso a mais. Atenção que nada tenho contra pessoas que têm peso a mais. Até porque olho para o espelho todos os dias. Só não percebo é o motivo que leva a olhar para estas pessoas como reais. Isto quer dizer que quem não se encaixa neste padrão não é real? Isto quer dizer que os homens que têm corpos definidos, são menos reais do que eu, que tenho as minhas gordurinhas aqui e ali?

Vivemos tempos em que existem cada vez mais alertas para o excesso de peso. Para os preocupantes números da obesidade infantil. Ainda assim, ficamos todos contentes quando alguém utiliza o termo “mulher real” associado às curvas e ao excesso de peso. Parece que é a desculpa que todos querem para se sentir bem, mesmo quando a saúde poderá estar em risco.

Acrescento também que não me incomoda minimamente ver mulheres e homens com corpos esculturais nas publicidades. Porque são isso mesmo, publicidades. É um produto que se tenta vender, da forma que alguém achou correcta. Quando olho para um anúncio – sem contar aqueles em que aparece a Charlize Theron – centro-me no produto. Não perco tempo a analisar o mesmo do ponto de vista das diferenças caso tivessem optado por um corpo diferente.

Voltando à “mulher real”, não gosto disto. Porque todas as mulheres são reais. Aquelas que têm peso a menos. As que têm peso a mais. As de corpo tonificado e todas as outras. Todas estas mulheres são reais. Tal como é um gigantesco erro achar que apenas as pessoas com excesso de peso são vítimas de bullying. Basta que falem com qualquer pessoa magra para perceber isso mesmo.

Enquanto o tempo for ocupado a catalogar pessoas como reais e irreais, estaremos apenas a contribuir para o problema e não para a solução. Parece que uma mulher, para ser real, tem de ter curvas. E isto não é verdade. E em todo este texto, onde se lê mulher poderá ler-se homem. Era mesmo bom é que as pessoas dedicassem mais tempo às notícias da organização mundial de saúde e não às campanhas publicitárias que recorrem a pessoas “reais”.

13.5.19

futebol é o reflexo da vida

Gosto muito, mas mesmo muito de futebol. Foi por isso que acompanhei à Premier League até ao fim. Com o Manchester City a levar a melhor sob o Liverpool, conquistando o campeonato com um ponto de diferença. No final, Klopp, o treinador do Liverpool, deu os parabéns ao vencedor. Destacou o trabalho que a sua equipa tem vindo a fazer ao longo das últimas duas épocas. Prometeu fazer melhor e deu os parabéns à equipa que os conseguiu superar. Simples!

Por cá, é o que toda a gente vê. Ainda falta uma jornada e é o que se vê. Ninguém assume ter feito opções erradas, ninguém assume demérito nos insucessos. Os outros, aqueles que ganham, é sempre por factores estranhos. Esta é a mensagem que se passa no futebol português. E que as pessoas continuam a comer, sem questionar o que quer que seja. Assusta-me a facilidade com que as pessoas são enganadas por pessoas que têm uma agenda própria.

Acabo de ler uma noticia de uma pessoa que pede prisão para os árbitros. Pessoa essa que ainda há duas semanas ofendia jogadores e pessoas que tivessem a ousadia de aplaudir a equipa depois de mais um insucesso. E é isto que temos por cá. Mas também tenho de ser sincero. Isto não é mais do que o reflexo de tudo neste País.

Olho para o futebol, para a reacção das pessoas, como olho para a vida. E acredito que tudo isto está ligado. As pessoas que reagem assim com o futebol, reagem assim com tudo. Com todos os sucessos alheios. E isso é evidente nos comentários nas redes sociais, independentemente do tema. E volto a dizer. Assusta-me a forma como as pessoas são iludidas de forma tão fácil.

8.5.19

crianças, telemóveis, tablets e a miopia que os pais ignoram

Volta e meia converso com alguns amigos (com e sem filhos) sobre o comportamento das crianças nos dias que correm. E todos concordamos que passam a vida agarrados aos telemóveis e tablets. Conheço pessoas que dizem proibir esse comportamento em casa, assumindo também ser algo complicado de contrariar fora de portas. Até porque “todos o fazem”, dizem.

E esta frase é muito verdadeira. Hoje em dia, quer seja num café, restaurante ou noutro espaço qualquer, é praticamente impossível não encontrar uma criança agarrada a um gadget. Algo de que muitos pais gostam, até porque assim os filhos estão quietos e não aborrecem ninguém. E como é fácil calar uma criança deste modo, dá- se o aparelho para a mão.

Por outro lado, não concordo com isto. Talvez porque faça parte de uma geração que se habituou a estar à mesa a ouvir conversas dos pais ou a fazer desenhos nas toalhas de papel. Os tempos eram outros mas uso sempre como comparação o momento em que passei a ter computador e consola, algo que nunca foi mais importante do que brincar na rua com os meus amigos.

Nos dias que correm é o oposto. Parece existir um incentivo ao vício dos aparelhos. Já estive em restaurantes em que estão três filhos à mesa, cada um com o seu tablet, os pais com os telemóveis na mão e ninguém fala com ninguém. Algo que se prolonga durante praticamente toda a refeição. É certo que cada família sabe de si, mas existem dados que devem ser tidos em conta.

As crianças não só passam a vida agarrados aos aparelhos, como mergulham com a cabeça dentro dos pequenos ecrãs. E este é um dos perigos. Diversos especialistas estão a alertar para o perigo deste comportamento. Que pode acelerar a miopia nas crianças. Algo que resulta do uso exagerado destes aparelhos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2020 35% da população mundial terá miopia. Percentagem que pode subir para os 52% em 2050. Números verdadeiramente preocupantes. Se os pais não conseguem acabar com este vício dos filhos, certifiquem-se de que os aparelhos estão a uma distância de 30/40 centímetros dos olhos e, pelo menos, tentem que o uso não seja prolongado. Idealmente, e por mais que custe, acabem ao máximo com este vício que transforma uma criança em algo que não deveria ser.

29.4.19

o meu filho vai ter de ser tudo aquilo que não fui. a bem ou a mal

Num destes dias estive a ver a reportagem que a SIC fez sobre a violência nos jogos de futebol das camadas jovens. Com cada vez mais jogos em que pais agridem árbitros, insultam miúdos e lutam contra outros pais. Como comecei a jogar futebol (federado) com 12 anos e joguei durante mais de 20 anos, a minha primeira reacção foi: “os pais querem que os filhos sejam o próximo Cristiano Ronaldo”. E foi uma das coisas que acabei por ouvir na peça. E que faz cada vez mais sentido.

Quando era miúdo, Portugal não tinha nenhum jogador mediático à escala de Cristiano Ronaldo. Não existiam redes sociais. E não se falava tanto em dinheiro. Agora tudo é diferente. Os pais cada vez mais acreditam que o futebol é um desporto de milhões, que estão ali à mão de semear para qualquer puto que dá dois toques numa bola. E não basta que o miúdo jogue. Vai ter de ser, à força, um jogador profissional. Vai ter de sustentar a família. Mesmo que não tenha talento.

E os pais ficam tão cegos com esta obsessão que não percebem que acabam por ser o maior obstáculo à evolução do filho. Os meus pais iam ver os meus todos. Mas nunca, em momento algum, o meu pai passou o jogo a dar-me instruções. Não ficava descansado enquanto não os visse antes do jogo começar, mas estavam ali para me apoiar em “silêncio”. Mas mesmo no meu tempo já existiam alguns fenómenos estranhos.

Pais que não perdiam um treino. Que se juntavam a falar de tudo e mais alguma coisa sobre a equipa. Que queriam ser os treinadores e que defendiam que os seus filhos eram os melhores do mundo e arredores. Existia um caso de um rapaz que o pai passava o jogo todo atrás dele (na linha lateral) a dar-lhe instruções e a dizer o que fazer. Perdi conta ao número de vezes que o rapaz dizia que o pai só o atrapalhava. Até que explodiu num jogo e gritou para o pai se calar.

Este é apenas um exemplo que prova que os pais só atrapalham. Os pais podem (e devem) motivar os filhos para que sejam melhores. Mas isto passa pela aplicação nos treinos, pela alimentação (muito importante) e até por aspectos técnicos do jogo. Que podem ser estudados. De resto, podem (e devem) estar presentes nos jogos. Mas se forma silenciosa. Não é a chamar nomes aos miúdos, a ofender outros pais e por aí fora.

Se pensam que isto faz com que os miúdos sejam melhores, podem ter a certeza de que só fará com que sejam piores. Vão ficar tensos e com receio de muitas coisas. Sem esquecer que vão lidar com muitos outros jovens que transformam os pais em piadas de balneário pelo ridículo que são. E nem todos sabem lidar bem com isto. O que faz com que em pouco tempo possam estar a perder o encanto pelo futebol.

Não é por quererem que o miúdo seja o próximo Cristiano Ronaldo que isso irá acontecer. Até porque se fosse fácil, não existia um Cristiano Ronaldo, existiam milhões. E se pensam que o futebol dá milhões a todos, informem-se sobre jogadores de bons clubes que têm largos meses de ordenados em atraso. Transfiram metade da energia dos milhões que desejam para incentivo para que se apliquem nos estudos da mesma forma que se aplicam no desporto. Porque a carreira de futebolista profissional de sucesso será sempre algo apenas ao alcance de poucos. Atentem no número de crianças que jogam no Benfica, Porto e Sporting e vejam quantos chegam a profissionais.

17.4.19

notre-dame, moçambique e todo o mal do mundo no mesmo saco

Começo por dizer que cada vez menos uso o Facebook. Posso mesmo dizer que até já pensei encerrar as minhas contas nesta rede social. E o motivo é só um: não aguento tanto ódio. Esta rede social transformou-se numa espécie de batalha campal em que todos são heróis, donos da razão e os maiores do mundo. Algo que consegue ser assustador.

E como seria de esperar, com o incêndio de Notre-Dame não poderia ser diferente. Já perdi conta aos comentários de ódio relacionados com os apoios financeiros que estão a ser dados para reconstruir a catedral. E que têm como base de comparação a tragédia de Moçambique. Algo que, na minha modesta opinião, não faz qualquer sentido.

Lamento, mas não posso comparar as duas situações. Se isto significa que entenda que uma das tragédias é mais importante do que a outra? Não! Simplesmente, são diferentes. Se me choca que existam apoios para Notre-Dame? Não! Se me choca que o drama de Moçambique passe ao lado de tantas pessoas? Também não. Num cenário ideal, ambas as tragédias teriam o maior e melhor apoio possível. Mas não me peçam para olhar para Notre-Dame como um mero edifício sem qualquer história. Recuso-me a fazer aquilo que considero um grande erro. Porque espaços como Notre-Dame nunca serão apenas meros edifícios. O problema é a falta de cultura que faz com que muitas pessoas não entendam o peso de espaços como aquele.

O que gostava de perceber é aquilo que essas pessoas, que acusam quem está a dar dinheiro a Notre-Dame, já fizeram para mudar o mundo. Ajudaram na tragédia de Moçambique? E na de tantos outros países? Deixaram de comprar roupas e objectos feitos por crianças? Não comem carne de animais que são maltratados em vida? E poderia ficar aqui horas a dar exemplos de tragédias  e problemas das mais diversas dimensões. Que vão sempre ser menores ou maiores aos olhos de quem as vê.

E nunca as pessoas vão conseguir olhar para todas as tragédias com os mesmos olhos. O que é normal. Aquilo que as pessoas podem fazer é olhar para o espelho antes de acusar este ou aquele. E perceber se fizeram aquilo que acusam os outros de não fazer. Ou será que só os outros é que têm a obrigatoriedade de mudar o mundo ao ritmo dos nossos desejos?

1.4.19

este estranho ritual laboral que quase parece ser obrigatório

Não sei se é por passarem muito tempo nos locais de trabalho, mas fico com a ideia de que as pessoas confundem cada vez mais os conceitos de amizade. E estou a juntar a amizade às relações profissionais porque parece que existe um ritual laboral que quase parece ser obrigatório. E que passa pela amizade virtual.

Hoje em dia, uma pessoa chega a um emprego novo e uma das primeiras “tarefas” passa por estabelecer amizade virtual com todos os colegas. Como se o novo emprego fosse sinónimo de amizade com pessoas que se conhecem há cinco minutos e com quem se trocou duas ou três palavras. É disparar pedidos de amizade em tudo e mais alguma coisa. É no Facebook, é seguir no Instagram e Twitter, se existir. E em todas as redes sociais possíveis e imaginárias.

Parece que é obrigatório ser amigo das pessoas com quem se trabalha. Mesmo que não exista uma relação que vá além do profissional e cordial. E mal daqueles que não entram nesta onda. “Aquele(a) não aceita o meu pedido de amizade porquê?”, perguntam. E depois criam teorias em torno disto. Quando são amigos, surgem novos problemas.

“Já viste o que aquele(a) escreveu? De certeza que é uma boca para fulano ou sicrano!” E está assim montada uma telenovela venezuelana dobrada em brasileiro, que passa na televisão à hora de almoço. Comecei por dizer, no título, que é um estranho ritual laboral. E mantenho esta opinião. Porque não sou obrigado a ser amigo de todas as pessoas com quem trabalho. Tal como não tenho que saber detalhes pessoais das suas vidas nem eles das minhas. E, por mais que algumas pessoas confundam as coisas, as redes sociais pessoais não são ferramentas de trabalho. Para ninguém e em lado nenhum.

31.3.19

até falava da colecção de roupa unissexo da zippy, mas prefiro falar de moçambique

Por estes dias só se tem falado da supostamente polémica colecção de roupa da Zippy. Parece que meio mundo está escandalizado com as peças de criança que se destacam por ser sem género. Algo que no meu tempo, e só tenho 37 anos, se chamava unissexo. Como não encontro nada chocante nisto, não perco tempo a alongar-me sobre o assunto. É o que é e só compra quem gosta. E pelas fotos parecem ser peças bem giras.

Prefiro centrar-me na catástrofe que assolou Moçambique. Já perdi conta ao número de peças jornalistas que vi sobre o assunto e em todas fiquei emocionado. Sendo que destaco algo que encontrei em todas elas. Estou a falar da total ausência de uma vontade cega de culpar alguém. Ninguém perde tempo a culpar este ou aquele.

Vi uma peça em que um homem, descalço, andava no meio da lama a limpar estradas. Este homem tinha ficado sem casa e dizia apenas que os trabalhos corriam dentro do previsto. Vi uma mulher grávida que só deseja uma casa para que o filho possa nascer, dizendo que o passado era isso mesmo. Vi pessoas falarem de pessoas que viram morrer com uma postura completamente diferente.

Aqui, andamos a discutir a polémica em relação a uma colecção de roupa. Já aquele povo, que lida com uma tragédia que não se deseja a ninguém, ensinam uma lição que só não aprende quem não quer. Ou quem prefere olhar para peças de roupa como se fossem balas ou bombas atómicas.

12.3.19

isto é tudo muito bonito até que aparece uma atriz porno

Vamos começar pelos clichés:

- As mulheres devem apoiar-se umas às outras;

- Não devemos julgar os outros pela aparência;

- Todos merecemos uma segunda oportunidade;

- Não devemos rotular alguém apenas por uma coisa que fez;

(E podia passar o dia a debitar frases feitas que ficam sempre bem partilhadas numa rede social)

Mas tudo isto vai por água abaixo quando aparece uma atriz porno nas nossas vidas. Quando isso acontece, as mulheres não se defendem umas às outras. Nesse momento, julgamos as pessoas pela aparência. E não existem segundas oportunidades. Fazemos questão de rotular as pessoas pelo que escolheram fazer em determinado momento das suas vidas.

Sónia Gomes está a tentar a sua sorte no amor no segundo programa televisivo. Já tenha tentado ser feliz em "First Dates" e agora aparece em "Quem Quer Casar com o Meu Filho?". Mas esta não é uma concorrente qualquer. Esta é uma antiga atriz porno. E todas as pessoas devem saber isso. Porque fazemos questão que assim seja. Até porque uma "porca" que "fazia sexo" em filmes badalhocos não é boa para ninguém.

Nenhum concorrente de nenhum programa é um antigo pasteleiro que agora trabalha numa loja de desporto. Ninguém é rotulado de nada. Menos quando queremos salientar algo que achamos negativo. E Sónia nunca será Gomes, será sempre Kel. Será sempre uma "vaca" e uma "porca" que aparecia em filmes para adultos. E todos temos direito a clichés fofinhos, menos a Sónia e pessoas como ela. Porque gente dessa não presta. É o que temos.

26.2.19

quem se lembra da polémica com ingrid oliveira?

Ingrid Oliveira ficou conhecida mundialmente em 2016, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A atleta brasileira, de 22 anos, competia em saltos para a água, mas não ficou conhecida por aquilo que fez na prancha e na piscina. Ingrid Oliveira deu que falar depois de se ter tornado público que tinha feito sexo na Aldeia Olímpica. Isto aconteceu há sensivelmente três anos, mas só agora é que a atleta revelou aquilo que realmente aconteceu.

Li com atenção a entrevista e destaco diversos detalhes. A começar pela forma como ainda olhamos para o sexo e para os atletas. Parece que é um bicho de sete cabeças. Mas só o é para nós pois Ingrid revela que eram distribuídos muitos preservativos na Aldeia Olímpica, inclusivamente no refeitório. Conta ainda que foram inventadas muitas mentiras sobre si e sobre a história. Algo que não me surpreende porque quando o tema é sexo e polémica, existem sempre mil versões inventadas por outras tantas pessoas.

A atleta brasileira confessa ainda que passou ainda a receber muitas nudes e propostas para fazer sexo. Confesso que isto não me surpreende, mas esta nova tendência das nudes para pessoas que não se conhecem de lado nenhum, merece um texto à parte. Aquilo que quero destacar é um detalhe que sempre foi assim e que dificilmente irá mudar. O que é pena.

Ingrid Oliveira diz que entrava no Instagram do atleta que levou para o seu quarto e que todas as pessoas lhe davam os parabéns pelo sexo. Já no seu eram só ofensas e rótulos como "vadia. Ingrid Oliveira refere mesmo que as pessoas que consideram Pedro [o rapaz que levou para o quarto] um garanhão são aquelas que dizem que é uma vadia. E isto nunca irá mudar. Duas pessoas na mesma situação, mas com dois pesos e duas medidas.

Por fim, a jovem brasileira refere que aquilo que fez é algo bastante comum a muitos atletas, nas mais variadas competições. Conta que Usain Bolt levou uma mulher, sem credencial, para o quarto e entende que a diferença está no facto de a sua aventura ter sido descoberta e também por ser mulher.

11.2.19

o futebol embrutece as pessoas

Começo por dizer que não conheço nenhuma pessoa que goste mais de futebol como eu. Tal como não conheço ninguém que adore mais do que eu um bom debate sobre futebol. Realço o detalhe “sobre futebol” pois não tenho paciência para conversas que saltam do futebol jogado para gritos, ofensas e argumentos absurdos. E foi por isto que tomei uma decisão há coisa de dois anos.

Fartei-me do que lia nas redes sociais e até em grupos de whatsapp e tomei a decisão de não voltar a comentar publicações, de outras pessoas, sobre futebol, especialmente sobre outros clubes que não o Benfica, aquele de que gosto. E decidi isto porque o futebol embrutece as pessoas, que dizem as maiores barbaridades e que sentem necessidade de defender a honra do clube, por mais patéticos que estejam a ser, de um modo que nem a própria mãe defendiam.

E fartei-me disto. Por isso não comento publicações de outras pessoas e chego a não responder a comentários deixados nas publicações que faço na minha página de Facebook pessoal. Tenho algumas excepções que são aqueles amigos, ainda que de outros clubes, com quem consigo falar de futebol. E foi com uma destas pessoas que voltei a ter um exemplo de que o futebol embrutece mesmo as pessoas.

Essa pessoa fez uma publicação sobre outro clube que não o meu. Deixei um comentário a dizer que determinado lance do jogo desse clube poderia ter feito com que já não tivessem treinador hoje. Tudo normal. Até que uma pessoa, que não conheço de lado nenhum, responde ao meu comentário com uma ofensa. Respondi ao comentário, não descendo ao mesmo nível, e recebo mais um, que da ofensa salta para o campo da ameaça.

Estas pessoas são o exemplo vivo de que o futebol embrutece (ainda mais) determinadas pessoas. Que não são capazes de ter uma conversa com argumentos que não entrem no campo da ofensa e da ameaça. Por mais que acreditem que ganham uma conversa assim, estão na realidade a mostrar apenas aquilo que são. Gosto muito de futebol e de boas conversas sobre este desporto, mas não contem comigo para momentos destes.

31.1.19

a nossa escrita é um caso perdido (e tenho de culpar os pais)

Enquanto jornalista passo os dias a lidar com palavras, textos e mais textos. Como tenho de fazer diversas pesquisas acabo por ler os mais diversos sites, dos mais diversos países e também publicações em papel. E, com muita pena minha, o destaque vai para os erros que encontro. Acrescentado também que já dei os meus erros. Mas existem erros e erros.

Pode passar despercebido a quem não trabalha na área, mas é fácil perceber quando um erro é uma simples gralha que resulta da tentativa de publicar (e refiro-me ao online) o texto rapidamente. É algo que acontece, ainda que não seja desculpável. Também existem muitas falhas de pontuação, algo que acaba por não ser o maior dos problemas. Até porque começo a achar que a nossa escrita é um caso perdido.

Não gosto daquela coisa do “no meu tempo”, mas aqui tenho de usar esta muleta. Porque a verdade é que no meu tempo, ou seja, na minha fornada de jornalistas, existia mais qualidade a nível de escrita do que existe agora com os mais jovens. É um facto! Vejo muitos textos de muitas pessoas mais novas e alguns são mesmo assustadores. Erros atrás de erros, falta de vocabulário e grande limitação na construção de um simples texto de meia dúzia de parágrafos. E isto é muito, mas mesmo muito grave. Principalmente para quem quer trabalhar nesta área.

Na procura de um culpado para esta situação, o mais fácil será dizer que a responsabilidade é dos professores. Porque eles, pensam muitos pais, é que têm a obrigação de preparar os jovens para tudo e mais alguma coisa. Este modo de pensar está errado. Que me desculpem os pais, mas a maior parte da responsabilidade está nos pais. Que não estimulam os filhos a trabalhar tudo aquilo que acaba por ser importante para a escrita.

Hoje é “lol”, “kkk”, abreviaturas para tudo e mais alguma coisa e não passa disto. Não se lê (e já nem vou aos livros, fico-me por jornais e sites), não se faz nada que leve a uma estimulação que tenha reflexo na escrita. Os adolescentes lidam com vocabulários bastante limitados e não passam disto. Isto poderá não ser grave para alguns (volto a discordar deste modo de pensar) mas é extremamente negativo para quem quer trabalhar no jornalismo.

A isto junta-se outro problema desta geração. Refiro-me à falta de capacidade (e análise) para perceber que são maus, que têm limitações e que precisam de evoluir. Hoje, um jovem tem desculpa para tudo e mais alguma coisa. Existe sempre uma justificação para um erro, nem que seja porque uma borboleta bateu as asas num país distante. E, de justificação em justificação, os erros vão-se mantendo. Sempre os mesmos. Sempre básicos. Sempre graves.

Muito sinceramente, e mais uma vez com grande pena minha, não prevejo que isto melhore. Imagino este cenário cada vez mais negro. E enquanto passarmos a vida a culpar os professores, nada irá evoluir. Enquanto sonho com uma mudança, continuo a deparar-me com jovens que gozam com os erros alheios sem que percebam que fazem muito, mas mesmo muito pior do que aquilo com que gozam.

30.1.19

as banhas de rita pereira, as minhas banhas, as banhas de todos

Rita Pereira partilhou uma imagem no Instagram onde aparecer a agarrar as gordurinhas que tem um mês depois de ter sido mãe e de já ter voltado ao trabalho. A atriz decidiu chamar “banhas” à gordura e, num registo cada vez mais comum, instalou-se a polémica. Uma confusão tão grande que quase parecia que o mundo dependia das “banhas” de Rita Pereira para manter a sua normalidade.

Este texto não tem por objectivo defender ou atacar Rita Pereira. Pretendo antes falar das banhas da actriz, das minhas banhas e das banhas de todos aqueles que têm redes sociais. Mas já lá vamos! Primeiro dou a conhecer aquilo que senti quando vi a imagem no Instagram. No momento em que me deparei com a foto nas redes sociais, pensei que Rita Pereira ia ser elogiada. E tinha esta opinião por diversos fatores.

As pessoas adoram destruir a imagem de perfeição que associam, de forma errada, às figuras públicas que conhecem apenas da televisão e redes sociais. A esmagadora maioria das adora ver estrias de mulheres famosas, vibram com a celulite alheia e batem palmas em pé quando algo está fora do sítio. É quase aquela coisa do “estou mal, mas aquela também não vai bem”. Parece que nos sentimos melhores pelo facto de os outros, que nada nos dizem, terem “defeitos” (pelo menos aos nossos olhos).

Quanto Rita Pereira assumiu que ainda não está na forma física normal, acreditei que isso seria elogiado por mulheres que lidam diariamente com a exigência de perfeição. E por todas aquelas pessoas que lidam com problemas de imagem associados ao próprio corpo e que são reflexo da tal perfeição que impera no mundo virtual. Por isso, não me choquei com o termo “banhas”. Tinha tanto para analisar que nem liguei à palavra.

Mas parece que, até porque adoramos uma boa confusão, escrever “banhas” é um ataque a pessoas que têm excesso de peso. Se bem que acredito que aqueles que defendem esta opinião ficariam chocados com qualquer termo que a atriz tivesse escolhido. E esta confusão levou a que a atriz ligasse para um programa de televisão para se justificar. E isto considero um erro. Rita Pereira, como qualquer pessoa, tem um modo de pensar que não necessita de esclarecimentos ou pedidos de desculpa televisivos. Quanto muito, e se sentir essa necessidade, justifica-se na sua “casa”, a rede social onde partilhou a opinião.

É neste momento que entram as banhas da Rita, as minhas e a de todas as pessoas que têm redes sociais. E onde está banhas deve ler-se opinião. É certo que as redes sociais têm coisas muito boas, mas conseguem ser assustadoras pelas leituras polémicas que as pessoas fazem de tudo e mais alguma coisa.

É a imagem que tem isto a mais, é a pessoa que tem aquilo a menos. É o que se mostra e que os outros não têm, é um atentado a isto, aquilo e a mais não sei o quê. E vivemos tão centrados nestas “banhas” que nos esquecemos do que aquilo é, de onde está e da real importância que tem para todos nós. E nem perdemos tempo a tentar perceber se aquilo que a pessoa quer dizer é aquilo que nós estamos a perceber, sem qualquer certeza absoluta. Depois, nos breves segundos em que deixamos o smartphone numa mesa, não temos a mesma postura para a vida real, aquela que não é feita de fotos, gostos e comentários.

Somos maltratados no trabalho? Ficamos calados! Fazem-nos mal? Ficamos calados. Não concordamos com diversas coisas que nos fazem? Ficamos calados? Não gostamos de determinados comportamentos dos outros em relação a nós? Ficamos calados. E quando nos fartamos disto, voltamos ao mundo virtual para procurar umas “banhas” onde seja possível descarregar todas aquelas energias negativas (porque não quero chamar-lhes outras coisas) que acumulamos nos nossos problemas reais.

16.1.19

a paciência (ou falta dela) nas relações

Cada vez mais me convenço de que um dos grandes problemas das relações amorosas é a paciência. Ou neste caso, a falta dela. Sendo que estou a excluir desta análise a amizade, respeito e amor, que são pedras basilares de qualquer relacionamento. A partir daqui, destaca-se a paciência. Um bem precioso, cada vez mais raro nos dias que correm, sendo que as relações não são uma excepção.

Hoje em dia as pessoas não têm paciência para nada nem para ninguém. E no que toca às relações, ao primeiro problema, por mais pequeno que seja, vai cada um para seu lado. Sem que exista paciência para tentar perceber as coisas ou solucionar o problema. As pessoas cometem o grande erro de acreditar que o próximo relacionamento será melhor e sem problemas. Até que volta a existir um obstáculo e, mais uma vez, não existe paciência para o tentar resolver.

E assim vai sendo, de relação em relação. Sempre a acreditar que o próximo será melhor. Até que, muito tempo depois, essas pessoas percebem que os problemas foram sempre os mesmos, só as pessoas foram mudando. E digo que foram sempre os mesmos porque todas as relações passam por momentos menos bons que acabam por testar a relação. E se não houver paciência, tudo cai em poucos segundos.

O tempo é um dos bens mais preciosos que podemos ter. E nos relacionamentos tenho de destacar a paciência. Porque começa a ser cada vez mais rara e vendida ao preço do ouro. Acaba por ser curioso que muitas pessoas não têm paciência nenhuma nos relacionamentos, mas acabam por ter uma paciência de santo em "merdinhas" onde não deveriam ser tão tolerantes.

10.12.18

como é fácil manipular uma imagem e catalogar uma pessoa

Por estes dias muito se tem falado da manifestação que está a decorrer em Paris. Sendo que nas últimas horas o destaque vai para uma imagem captada durantes os protestos dos coletes amarelos. Na foto em questão é possível ver uma jovem sorridente dentro de um Burger King que está a fotografar a confusão que acontece na rua, onde o realce vai para o gás lacrimogéneo.



Olhando para a imagem rapidamente se começou a dizer que era o espelho da atualidade. Uma jovem confortável a fotografar o caos enquanto se ri daquilo que vê. Esta é a mensagem que tem sido passada e que tem levantado uma grande polémica. Quando na realidade... nada disto faz sentido. E teve de ser o próprio fotógrafo a revelar aquilo que aconteceu.

A imagem foi captada no dia 1 de Dezembro e o fotógrafo tem a opinião de que deverá ser uma funcionária do Burger King, que tinha sido encerrado naquele dia. Conta ainda que a jovem estava a fotografar aquilo que estava a acontecer na rua (quem não o faz ou fazia naquela situação?) até que se apercebeu de que era o foco dos fotógrafos. Que começaram a fotografá-la e o resultado é uma imagem forte, disso não há dúvidas. Só que os sorrisos só surgem quando nota que está a ser fotografada, sendo que existem imagens em que está a dizer adeus aos mesmos.

Só que a imagem isolada, e sem contexto, parece a de uma jovem que aparentemente encontra gozo no caos em que Paris mergulhou nos últimos dias. Quando na realidade está a fazer aquilo que todas as pessoas fazem. Quantas notícias, mesmo de atentados, já tiveram uma imagem porque foi uma pessoa anónima que recorreu ao smartphone para registar o momento? E nada disto está errado.

Fica é provado que é muito fácil manipular uma imagem. E aquilo que é verdadeiramente assustador é a facilidade com que se manipulam pessoas, alimentando as mesmas com informações falsas que são consumidas como verdades absolutas.

23.11.18

a estupidez da black friday

Na generalidade, a black friday pode ser resumida por um grupo de pessoas que vão comprar coisas de que não precisam, gastando dinheiro que não têm, e que nunca as vão utilizar. Em traços gerais, é isto que acontece. Porque as pessoas são aliciadas por campanhas que são sedutoras e que poucos perdem tempo a analisar.

Este dia é bem aproveitado por um pequeno grupo de pessoas. Que são aquelas que sabem muito bem o que querem e que acompanham os preços há muito, não caindo no engodo da promoção espectacular que nos leva a comprar algo mais caro do que quando não estava em promoção.

Observem os preços, analisem os produtos e saibam aquilo que vão comprar. Estudem o orçamento e estabeleçam prioridades em relação aquilo que realmente precisam em vez de ser algo que eventualmente será útil em determinado dia. Quando se consegue fazer isto, a black friday ganha muito mais encanto.

22.11.18

ninguém trata tão mal as mulheres... como as próprias mulheres

Há muito que defendo que as piores inimigas das mulheres são as próprias mulheres. Conseguem ser más umas para as outras, conseguem dizer os piores comentários em relação a outras e são muito mais críticas e ofensivas do que os homens. E um exemplo disto tudo é a forma como a jornalista Joana Latino se referiu às mamas (desculpem não escrever peito, mas o termo correcto é mesmo assim) da jovem atriz, Júlia Palha.

“Júlia Palha, tenho que falar contigo amor (…) Eu também adoraria por-me nesse vestido, mas iam chegar as minhas maminhas primeiro e depois eu. Foi exatamente o que aconteceu contigo, chegaram as maminhas e depois chegaste tu. E a gente já não viu mais nada do teu look”, começou por dizer num programa de televisão. Acrescentou ainda que via “um brilho estranho em cima da prateleira” de Júlia Palha e que tinha vontade de “posar a cerveja, o telemóvel” nas mamas da atriz.

Tudo isto é um belo desabafo da forma como as mulheres podem ser maldosas em relação às outras mulheres. Joana Latino está no seu direito em criticar a roupa de Júlia Palha. Quer seja porque a considera feia ou porque acha que não se coaduna com o corpo da atriz. Daí a recorrer a pensamentos como posar a cerveja nas mamas de alguém vai uma grande distância. É mesmo algo que muitos homens não dizem em conversas menos próprias.

Existem excepções e homens que conseguem ser bastante ordinários. Mas é muito mais fácil encontrar, ver ou ouvir conversas de mulheres em que falam assim em relação a outras. E quando não é a prateleira é porque são gordas, magras, feias e por aí fora. As pessoas não são obrigadas a gostar todas umas das outras, mas ter algum cuidado com a escolha de palavras é algo que fica sempre bem.

22.10.18

o mundo numa imagem


Este cartoon é dos mais actuais que conheço. E que infelizmente se vai mantendo actual com o passar dos anos. E isto aplica-se a praticamente todas as realidade que qualquer pessoa conhece. Quer seja nos locais de trabalho ou na vida pessoal de cada um. Todos sabemos o que é preciso mudar. Todos temos a certeza em relação a tudo aquilo que está mal no mundo. Todos sabemos como endireitar todas as situações e mais algumas.

Até ao momento em que nos pedem para fazer uma pequena mudança. E aí baixamos a cabeça. Olhamos para o lado. Assobiamos como se nada fosse. Depois, não contentes com isto, perdemos longas horas e gastamos as nossas energias a discutir coisas insignificantes. Nem que seja porque entendemos que isso ajuda a vincar a nossa posição, por mais absurda que seja. Mas na hora das grandes lutas, dizemos que já não temos nada para dar.

E enquanto este cartoon se mantiver actual, provavelmente iremos ser mais infelizes. Iremos passar ao lado de oportunidades que merecemos. E todas as pessoas cabem nesta crítica. A começar por mim, que a escrevo, até aquelas pessoas que nunca vão ler estas palavras ou ver esta imagem que volta e meia circula nas redes sociais.

19.10.18

vamos lá falar de crianças, beijos e pedófilos com opinião

Liberdade de expressão é uma coisa muito bonita em Portugal. Desde que todos pensem e defendam aquilo que nós pensamos e defendemos. Esta é a grande lição que se pode retirar da polémica que envolve o professor Daniel Cardoso.

E a controvérsia instalou-se porque este homem defende que não se deve obrigar uma criança a dar beijinhos aos avós. Vou esquecer os números que mostram que 80% dos abusos sexuais a crianças têm origem nas famílias. Vou esquecer outros dados que serviam apenas para mandar mais lenha para a fogueira.

Prefiro centrar-me apenas na obrigação que está a ser ensinada à criança e que está relacionada com contacto físico. E neste sentido não me choca minimamente a opinião de Daniel Cardoso. Porque o amor de uma criança pelos avós (ou outros familiares) não se mede pelos beijinhos forçados ou mesmo naturais.

E o pior é a quantidade de pais que obrigam as crianças a dar beijos a toda a gente. É aos amigos dos pais, aos amigos dos amigos e já para não esquecer o dia em que vão para os empregos dos pais e são obrigados a dar dois beijinhos a todos os colegas de trabalho dos pais, mesmo que não os conheçam de lado nenhum. E se não dão beijos são logo chamados de "bichos do mato" e "antipáticos". Por tudo isto, e muito mais, defendo que os beijos devem ser naturais e nada forçados.

Depois existe a tal liberdade de expressão. Não se gosta da opinião do homem e é de "pedófilo" para cima. Vale tudo e mais alguma coisa para anular a opinião de um professor que não se enquadra na imagem padrão que as mentes fechadas têm em relação ao ensino superior.

Se fosse um categorizado professor internacional a defender o mesmo, todos estavam a debater os motivos de tais palavras. Como foi o "tuga" que defende o poliamor, só pode ser um "pedófilo". E isto é o mais triste de tudo. Apesar de não ser nada de novo num País que muito critica as mentes fechadas e antigas de outras nações. Mas afinal... é tudo igual.