7.11.13

is this love? (capítulo nove)


Completamente encharcados e a molhar os bancos do carro dele, seguiram viagem. Até que ela voltou-se para trás de modo a apanhar a mala que estava no banco do carro. Pegou nela. Abriu-a. E começou, num daqueles gestos típicos das mulheres, à procura de um objecto dentro da mesma. Movimentava a mão direita em círculos assemelhando-se a um cozinheiro que mexe a sopa num enorme panelão. “Alexandra, de que estás à procura?”, perguntou ele. “Estou a tentar encontrar o telemóvel. Preciso de ligar à minha mãe para dizer que não apanhei o avião e que vou ficar cá”, respondeu-lhe. “Aqui está ele!”, acrescentou triunfante, enquanto tirava o Blackberry da mala.

Depois de desbloquear o telemóvel marcou o número da mãe. Apesar de estar registado nos contactos, ela prefere sempre marcar os nove dígitos. Algo que faz religiosamente em todos os telefonemas para os pais. “Oi mãe, tudo bem?”, disse. “Estás a ligar-me? Que se passou filha? O avião está atrasado?”, questionou. “Está tudo bem. Eu é que não apanhei o avião. Desisti da viagem. Prefiro ficar por aqui”, referiu. “Tu quê? Desististe daquilo que mais querias. Não me digas que foi por causa do Miguel”, disse a mãe com a voz alterada e num tom mais alto do que o habitual. Antes que ela respondesse, a mãe voltou a falar. “Quando o teu pai souber disto vai ficar maluco. Aquela viagem era o que mais querias.”

Para que ele não ouvisse as palavras da mãe, ela baixou o volume do telemóvel. “Vou a casa e já passo por aí para falar contigo”, referiu ela. “Comigo e com o teu pai que ligou-me a dizer que vinha a caminho de casa. Nem sei como é que ele vai reagir a isto”, suspirou, desligando o telefone. “Que se passa? Está tudo bem?”, perguntou ele ao aperceber-se da tristeza dela. “Está...”, respondeu. “Não me mintas. Nota-se que não está tudo bem. Como seria de esperar os teus pais não reagiram bem ao facto de teres desistido de um sonho. É isso não é? Podes ser sincera”, disse. “Só falei com a minha mãe. O meu pai ainda não sabe que desisti da viagem. Vou ter de ir lá a casa e contar o que se passou. Os meus pais sabem que sempre gostei muito de ti. E, antes da viagem disse-lhes que eras responsável pelo único motivo que me levava a hesitar. O que sentia por ti levava-me a querer ficar cá”, explicou ela. “E os meus pais disseram-me que seria parva em ficar cá e por acreditar num amor e numa pessoa que me tratava como tu tratavas”, acrescentou sem que ele tivesse tempo para alguma pergunta.

“Não os posso censurar. No lugar deles certamente teria a mesma reacção. Eu senti-me mal com muitas coisa mas sou incapaz de me colocar no lugar dos teus pais. Por mais que tente não consigo imaginar o que sentem ao saber que a filha desistiu de um sonho por causa de um rapaz, que neste caso sou eu”, foram as palavras que saíram da sua boca. “Queres que fale com eles?”, perguntou-lhe. “Não. Para já não. Isto é uma decisão minha. Não tens culpa naquilo que opto fazer. E os meus pais não podem mandar no meu coração quando nem eu consigo mandar nele. Se eu conseguisse mandar nele provavelmente as coisas entre nós tinham sido diferentes”, referiu, revelando de imediato arrependimento pelas suas últimas palavras.

“O que queres dizer com isso? Sou um erro?”, inquiriu. “Desculpa. Não foi isso que quis dizer. Estou apenas triste com a reacção da minha mãe. Podes deixar-me em casa? Preciso de um duche quente para arrumar as ideias antes de ir a casa dos meus pais.” “Claro que sim”, respondeu ele. Durante o resto da viagem, a alegria de ambos, pelo facto de estarem juntos, foi ensombrada pelo medo do que poderia acontecer quando Alexandra conversasse com os pais. Por um lado, ela tinha receio dos danos que a relação familiar poderia sofrer. Ele, estava apavorado com a hipótese do pais dela fazerem tudo para que a relação deles, que parecia encaminhar-se, entrasse em ruptura. Pior, que a obrigassem a viajar ainda hoje.

Entre as dúvidas de cada um chegaram ao apartamento dela. “Queres que vá contigo?”, insistiu ele. “É melhor não. Vou tomar um duche e vou à casa dos meus pais. Depois ligo-te a dizer como correu. Quero um beijo e um abraço bem forte, pode ser?”, disse-lhe. Algo que ele não negou. Abraçou-a como nunca antes e deu-lhe um beijo apaixonado. Chegada ao apartamento e com receio do que poderia acontecer, Alexandra esqueceu a ideia do duche rápido. Optou antes por encher a banheira. Colocou os sais de morango, de que tanto gosta e por ali ficou até a água começar a arrefecer. Abriu uma das malas de viagem. Espalhou a roupa pela cama. Pegou nuns jeans, numa tshirt branca e no casaco fino de que tanto gosta. Vestiu-se. Calçou os all-star pretos, pegou na chave do carro que estava escondida num local conhecido apenas pelos pais e rumou à casa dos pais.

Com os nervos nem sequer ligou o rádio. Logo ela, que não dispensa música nas suas viagens. Por mais curtas que sejam. Em menos de vinte minutos estava na casa dos pais. Tocou à campainha. “Quem é?”, foi o que ouviu, dito pela sua mãe. “Sou eu!”, disse. A porta abriu-se, apanhou o elevador. A viagem até ao segundo andar foi curta. Assim que saiu do elevador notou que a porta de casa dos pais já estava aberta. Entrou. Fechou a porta. Caminhou para a sala. Onde os pais estavam sentados, lado a lado, no sofá. Desta vez, a sua mãe nada disse. As palavras foram do seu pai. “Filha, senta-te aqui ao meu lado que temos muito que falar”, disse sendo que as suas palavras foram acompanhadas por uma expressão onde a tristeza se mistura com a desilusão.

19 comentários:

  1. Pode ser que li mal mas o nome da personagem principal é Silvia ou Alexandra? Parabéns pela história... tenho seguido tudo.

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    1. Gosto muito dos dois nomes e estava indeciso. Acabou por ficar Alexandra mas ainda escrevi Sílvia uma vez. Obrigado pela observação :)

      Muito obrigado.

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    2. por curiosidade sou Sílvia Alexandra...o melhor de dois mundos...Lol

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  2. Agora o cliché de sempre, lidar com o as outras pessoas que amamos, fazer com que aceitem as nossas decisões, fazê-las ver e crer que são parte de nós…boa sorte à Alexandra e ao Bruno, agora o barco deles enfrentará tempestades, mas confio neles…já passaram por muito…isto não há de ser nada!
    Não pude deixar de notar...Pegou nuns jeans, numa tshirt branca e no casaco fino de que tanto gosta. Vestiu-se. Calçou os all-star pretos…Afinal o texto tem de levar parte da alma do autor….cute!
    E mais...Foi a primeira vez que citou os nomes não?

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    1. Vamos ver no que isto dá :) Mas palpita-me que vão existir problemas entre eles. Que a tempestade ainda não passou.

      Há coisas da minha vida que passam para lá. Aos poucos e sim, foi a primeira vez :)

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  3. :) Não vai ser fácil... mas quando já passaram por tanto...
    Aguardo pelo próximo capitulo!
    Quando sai o livro?

    Beijinho

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    1. Vamos ver no que isto vai dar.... Mas ainda vai mexer muito.

      Se quiseres, no final compilo tudo e ofereço-te.

      beijos

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    2. :) Obrigada!
      Mas eu posso compilar tb e guardar a história :)
      Foi uma forma de dizer que gosto muito deste tipo de escrita... e um pouco por falta de tempo tenho comprado muito menos livros e lido muito menos... e digo muito sinceramente, que me está a saber muito bem ler esta história ...

      Bj.

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    3. Obrigado eu pelo carinho nat. :)

      beijos

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  4. Ui...conversa com os pápis...tenho um palpite, acredito que pápi seja mais compreensivo....Será?

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  5. Estou completamente rendida a esta história. E a tua escrita consegue tornar-se bastante envolvente apesar de bastante simples, o que também lhe dá beleza. Anseio por saber o que acontece a seguir, mas tenho a sensação que não vais deixar que esta história se torne num dos comuns clichés.
    Bjs e parabéns :)

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  6. Isto das opções em prol do amor é muito complicado...não virá ao de cima a não realização de um sonho quando este amor passar por caminhos mais tortuosos? Daqui a uns anos não olhará Alexandra para Miguel e verá a personificação da frustração?

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    1. É uma hipótese e uma perspectiva. Há quem prefira a razão e quem prefira o coração. Acho que a Alexandra segue as batidas do coração.

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    2. Só quando seguimos o coração é que somos verdadeiramente felizes...

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