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7.3.22

hora de mudança

Já gastei 120 euros em umas calças que tinham mais buracos do que uma rede de pesca. Hoje, adoro t-shirts de 4,99 euros e acho que umas calças acima de 30 euros são uma fortuna.

É verdade que mudei em relação a vários erros de adolescente, mas existem coisas em que não olho ao preço (dentro da minha realidade financeira). Uma delas é o calçado de desporto, sobretudo o de corrida.

O maior investimento tinha sido nuns Vomero 9. Algo que aconteceu em 2015 depois de ter rasgado o tendão de Aquiles num jogo de futsal.

Agora, e muito a custo, chegou o momento de mudar de ténis. Não o faço pelos buracos, mas pelo facto de sentir que estou a prejudicar as costas e joelhos ao continuar a correr com uns ténis que já não estão nas melhores condições e nível de protecção de sola.

Voltei ao mesmo local (loja Nike no Freeport Lisboa Fashion Outlet) e tive novamente sorte com o funcionário que encontrei.

Expliquei o que pretendia, quantos quilómetros corria por semana e quais as minhas preocupações. Sugeriu uns Pegasus e foi amor ao primeiro pé.

Tudo isto com a vantagem de uns ténis de 119 euros terem vindo para casa por 58, devido ao desconto adicional de 30% em relação ao preço outlet (83).

Conto os segundos para experimentar os novos ao mesmo tempo que me custa dizer adeus aos veteranos que me acompanharam numa fase complicada.

18.3.20

fica a saber o que os médicos têm a dizer sobre as corridas ao ar livre nesta altura

Não é segredo para ninguém que nos têm pedido para ficar em casa o maior tempo possível. Saindo apenas para tarefas essenciais, como idas às compras para bens alimentares, idas à farmácia e ao médico (em casos de necessidade inadiáveis), para dar três exemplos. Ainda assim, muitas pessoas insistem em sair para fazer coisas como praticar desporto, nomeadamente correr. Algo que, por exemplo, vejo da minha janela.

No modo a ajudar essas pessoas, bem como as que têm dúvidas sobre os perigos deste cenário, partilho a opinião de um médico. Mais especificamente, David Nieman, professor assistente na Escola de Saúde Pública da Universidade de Nevada, em Las Vegas, nos Estados Unidos da América, que esteve à conversa com a Men's Health. E o profissional de saúde começa por dizer que é seguro estar no exterior, referindo-se à transmissão de vírus (e, acredito eu, estando a pensar no cenário de corridas com poucas pessoas), mencionando ser igualmente seguro correr ao ar livre.

"O melhor plano de corrida neste momento é correr na companhia de um amigo saudável ou de um pequeno grupo de pessoas e aproveitar a paisagem", argumenta. Sendo que aconselha que exista alguma distância entre as pessoas e que não toques em ninguém. Assim que chegares a casa deverás lavar imediatamente as mãos. Esquece também o toque em botões de semáforos. É certo que o coronavírus não aguenta muito tempo em objectos que estão no exterior. Mas imagina que uma pessoa infectada acabou de carregar no botão? Por isso, se tens este hábito, usa luvas, a manga da camisola ou mesmo o cotovelo.

David Nieman aconselha ainda que pratiques exercício físico durante esta altura. Algo que deverás fazer com uma duração de 30 a 60 minutos. Até porque o exercício físico ajuda a que o sistema imunitário afaste os vírus. Excepto se estiveres adoentado. Aí, de acordo com o médico, não é boa ideia treinares.

21.10.19

cerveja, tremoços e corrida. sim, tudo numa prova só!

Gostas de correr? Se a resposta for afirmativa, podes ficar descansado que não te irei falar de uma maratona. Até porque nem todas as pessoas têm o desejo de correr essa distância. Mas antes de te falar de uma corrida fácil, de 5 ou 10 quilómetros, quero saber se gostas de cerveja e tremoços? Acreditando que corridas, cerveja e tremoços são a tua cena, vou falar-te da Beer Runners, corrida organizada pelos Cervejeiros de Portugal, que terá a primeira edição em Portugal já no dia 3 de Novembro.

Como referi, e estou a ter como base as palavras da organização, trata-se de uma corrida fácil. Que terá como ponto de partida a Praça do Império, em Belém, pelas 10 horas. Saliento ainda que as inscrições estão abertas a quem pretende correr ou a quem só quer andar. E que não importa se és um atleta experiente ou se estás a dar os primeiros passos nesta coisa das corridas. “Esta corrida visa, acima de tudo, fomentar a prática de exercício físico e conciliá-la com a tradição de partilhar uma cerveja com amigos. Queremos celebrar a amizade e a cerveja, ao mesmo tempo que promovemos o consumo moderado de uma bebida com baixo teor alcoólico e incentivamos todos a adoptarem um estilo de vida activo e saudável”, explica Francisco Gírio, secretário-geral dos Cervejeiros de Portugal.

Antes de te falar um pouco mais sobre este movimento, revelo que aqueles que cruzarem a meta vão ter direito a degustar uma cerveja (com ou sem álcool) e ainda uns tremoços e frutos secos. Até porque, por mais que não acredites, é algo ideal para repor os níveis de hidratação e sódio. Conto-te agora que o Beer Runners teve início em 2007, em Filadélfia, Estados Unidos da América. Foi nessa altura que um grupo de corredores organizou corridas semanais que acabavam com a partilha de uma cerveja. Algo de que se recordaram depois de ter conhecimento de um estudo que associava a relação benéfica entre a prática desportiva e o consumo moderado de cerveja. Ainda assim, a primeira Beer Runners oficial só aconteceu em Espanha, em 2012.

Por fim, e se ainda estás a duvidar dos benefícios da cerveja, fica com a opinião de uma especialista. “A cerveja contém vitaminas do complexo B, sódio, magnésio, uma elevada presença de antioxidantes e um alto teor de água que fazem desta bebida, sobretudo a versão sem álcool, uma excelente aliada na recuperação após a prática de exercício físico. Consumida com moderação, a cerveja é um óptimo complemento da água na reidratação do organismo, que é fundamental para assegurar que os resultados da actividade física são satisfatórios”, salienta a nutricionista Natália Cavaleiro Costa, consultora dos Cervejeiros de Portugal. Que estará presente na sessão de aquecimento e no recinto da prova para esclarecer questões relacionadas com este tema. Se queres participar na prova, clica aqui e sabe o que fazer.

17.9.19

3 dicas de corrida para pessoas que odeiam correr

Durante muitos anos odiei correr. Jogava futebol e era capaz de passar horas a correr enquanto jogava. Mas que não me pedissem para correr só porque sim. Odiava os treinos de início de época que se destacavam pelo treino físico. Odiava correr na escola à volta da pista de atletismo. Queria mesmo era jogar futebol. E agora que penso nisso, não deixa de ser um pouco estranho isto. Até porque pratiquei atletismo antes desta fase e a corrida não me incomodava. Mas houve ali uma fase em que não achava piada nenhuma ao correr só porque sim.

Até que tudo mudou. Numa fase já adulta da minha vida, comecei a dar umas corridas. E fui gostando. Sendo que hoje é algo que aprecio bastante. Quer seja na rua ou na passadeira, gosto de correr. Não me incomoda nada. Ainda que não seja daquelas pessoas que têm como objectivo correr uma maratona. Aliás, já participei numa prova de 13 quilómetros e acho que chega. Muito mais do que isso já não é para mim. Bem, já chega de conversa. Vamos lá falar do que interessa.

Também és daquelas pessoas que odeiam correr. Ainda assim, gostavas que fosse o oposto. Até gostavas de ter interesse pela corrida. E há muito que andas a dizer que irás começar a dar umas corridinhas manhã cedo ou ao final do dia. Se é o caso, tenho três dicas para ti. Que talvez te ajudem a ganhar especial encanto pela corrida.

1 - Corre com amigos
Aqui tens várias hipóteses. Podes juntar-te a pessoas que já corram, na esperança de que o seu encanto passe para ti. Ou podes, por exemplo, desafiar amigos que estejam na mesma situação do que tu. Aqueles amigos que há muito dizem estar na hora de começar a correr. Acredita que em pouco tempo podem fazer das corridas uma espécie de ritual.

2 - Esquece as vergonhas
Muitas pessoas não vão correr com receio de pequenas coisas que consideram vergonhas. Como parar de correr perto de pessoas que correm que nem uma maravilha. Se tiveres de parar de correr para andar, não há problema. Não queiras tudo de uma vez. Acredita que a maioria das pessoas que vês a correr com facilidade também já passaram por isso.

3 - Inscreve-te em corridas
Existem cada vez mais corridas, com as mais variadas distâncias. Inscreve-te numa. De modo a que sirva de motivação para correres e estares preparado para a prova. Começa pelas distâncias mais curtas e daí vais partindo para outros desafios.

2.6.17

não gostas porque não experimentaste

Quando era mais novo pratiquei atletismo. Tendo feito boa parte das modalidades mais populares. Entre elas, a corrida. Joguei também ténis de mesa antes de chegar ao futebol, a modalidade de que mais gosto. Apesar de gostar muito de futebol, que também vive da corrida, nunca gostei de correr. Correr atrás de uma bola? Isso podia ser todos os dias, várias vezes aos dia. Correr por correr? Detestava.

No início da época existiam duas semanas que eram mais dedicadas ao físico. A presença da bola era quase inexistente. Já a corrida, chegava e sobrava. Até chegava a ter treinos de corrida na praia. Já para não falar de longos e penosos minutos a correr à volta do campo. Odiava tudo isto! Parecia que caminhava no corredor da morte. Contava os segundos para aquilo acabar.

Por isso nunca pensei vir a gostar, como hoje gosto, de correr. Já nem me lembro bem como começou. Talvez tenha sido para manter a forma entre épocas, de modo a que não custasse tanto a pré-época. O que sei é que com o passar dos tempos dei por mim a gostar de correr. E aquela corrida que odiava. Ou seja, que não termina com um pontapé numa bola. Hoje fico triste se fico muito tempo sem correr.

E contente, como é o caso, quando consigo correr os cinco dias da semana. É algo que sinto que me faz bem ao corpo e também à cabeça. Não ignorando o facto de ter a possibilidade de correr junto a um rio e num piso em condições. Mas o meu encanto pela corrida fica por aqui. Não vou para a rua para ser melhor do que todos os que lá estão a correr. A minha competição é apenas comigo. Basta-me tentar ser melhor do que fui no dia anterior.

Por tudo isto, quando ouço alguém dizer "não gosto de correr" costumo responder, porque ainda não começaste. Porque quem começa acaba por ganhar o gosto. Isto não se aplicará a todas as pessoas, mas a uma boa parte delas. E também não confundir o gostar com o desejo de participar em provas todas as semanas. Porque uma coisa não implica a outra. São temas distintos. Gostar de correr não implica participar em x provas por ano ou em correr determinadas distâncias. Isso depende de cada pessoa.

12.4.17

vamos?


Vamos correr dez quilómetros no dia 14 de Maio? É aqui que costumo correr e garanto que vale pela vista.

6.4.17

aquilo que mais detesto quando vou correr

Gosto de dar a minha corrida ao final do dia. Com frio, chuva, sol ou calor, é algo que gosto de fazer. Mas existe algo que me incomoda bastante. E refiro-me aquelas pessoas que conseguem ir correr uma semana inteira com a mesma roupa... sem que a mesma seja lavada. Correm, transpiram, deixam a roupa a secar e voltam a usar no dia seguinte. Não sei se estas pessoas acreditam que a roupa perde o incomodativo cheiro a suor desta forma. Se pensam... estão errados! E se há coisa incomodativa é o intenso cheiro a suor quando se passa a correr por alguém.

15.3.17

treinar para uma maratona é bastante fácil

Estou a rever a série Foi Assim que Aconteceu, uma das mais divertidas que vi nos últimos tempos e que facilmente é reconhecida por qualquer grupo de amigos. Num dos últimos episódios que vi, Barney Stinson explica que não existe treino para correr uma maratona. E explica porquê!



A verdade é que Barney Stinson correu a maratona. E só não fez melhor tempo porque dedicou-se a outro desporto com uma atleta a meio do percurso. De resto, quem já viu a série poderá recordar o que lhe aconteceu depois de ter corrido a maratona. E numa altura em que dizia que ainda ia para o ginásio.

8.1.17

só quem corre irá perceber



Break Free. Quem corre perceberá este anúncio como ninguém. Parabéns aos alunos que criaram este brilhante anúncio que capta na perfeição o significado da corrida.

14.12.16

dica útil para quem gosta de correr

Uma das coisas que me causa mais impressão quando vou correr é ver pessoas que correm com calçado que não se adequa à prática desportiva. E digo isto porque é meio caminho andado para provocar lesões nos joelhos, costas e por aí fora. Em condições ideais o calçado escolhido para a corrida deverá suportar o peso do corpo no momento do impacto.

Nos dias que correm já se encontram modelos bons a um preço relativamente baixo. Hoje em dia existem marcas muito baratas que cumprem o efeito. Basta que a pessoa perca um pouco de tempo a ler as características do modelo em vez de ficar apenas pela cor que até é bonita. Mas quando se trata de corrida aconselho que as pessoas – pelo menos aquelas que correm com frequência – não se preocupem em gastar um pouco mais num modelo adequado para o tipo de corrida, frequência e distância. Isto pode parecer muito complicado mas é bastante fécil de perceber.

Mas quando se gasta uma quantia mais elevada num modelo é bom ter em conta algo que muitas pessoas desconhecem: o tipo de passada. A maioria das pessoas são supinadores ou pronadores. Trocando isto por outra linguagem, gastam mais sola do lado de fora do ténis ou do lado de dentro, respectivamente. Depois existe uma pequena margem de pessoas que têm uma passada neutra, ou seja pessoas que apoiam o pé por igual, sem qualquer movimento que faz com que o apoio seja mais localizado em determinada zona.

Neutro

Pronador

Supinador

Quando se gasta mais dinheiro é bom ter isto em conta. Pelo simples facto de que conhecer a passada permite saber onde é que a sola deve ser mais reforçada. Saber isto aumenta o conforto da corrida e permite dar mais tempo de vida aos ténis que vão ter uma sola adequada à corrida. Uma forma simples e básica de conhecer a passada é olhar para a sola de calçado que se tem em casa. Percebe-se onde é que está mais gasta e isso dá uma ideia.

Mas agora já não é assim tão complicado efectuar um teste em condições. Neste fim-de-semana estive na loja Decathlon (Almada) e deparei-me com um aparelho que permite que a pessoa conheça (de forma gratuita) o seu tipo de passada. Basta colocar alguns dados como peso e altura e correr por cima de um aparelho próprio. Três vezes com um pé e mais três com outro. E sabe-se o resultado em pouco tempo.

Isto pode parecer uma “mariquice”. Pode soar a desculpa apenas para se gastar cerca de cem euros (ou mais) nuns ténis. Mas o que parece caro pode vir a ser muito barato tendo em conta a duração dos ténis. Ou tendo em conta as consultas e sessões de fisioterapia que podem resultar de algo que facilmente poderia ter sido evitado. Já agora, o valor dos ténis também é uma questão que facilmente se ultrapassa. Existem lojas de marca que vendem modelos a preços atractivos. Posso dar o exemplo dos meus ténis que eram 160 euros e que ficaram por metade do preço.

23.2.16

quantos quilómetros preciso correr para queimar o que como?

Corro, posso comer tudo. Treino, posso comer tudo. São frases bastante utilizadas por quem pratica desporto não abdicando de cometer alguns pecados alimentares. As pessoas costumam dizer as frases com frequência mas será que existe a noção dos quilómetros que são necessários correr para queimar as calorias ingeridas com alguns dos mais populares alimentos do mundo? Não, pois não? Aqui ficam alguns dados curiosos.

Um wrap "saudável"

Uma Coca-Cola normal

Um pacote de batatas fritas

Um cheese burguer

Uma cerveja Heineken

Um pacote de batatas fritas

Três bolachas

Frasco de Nutella

Um Snickers

Um McFlurry

Um snack salgado

Chávena de café

Dois Ferrero Rocher

Por exemplo, e tendo por base as imagens disponibilizadas, uma ida ao McDonalds pode significar uma corrida de 16 quilómetros para queimar aquilo que se consumiu. Valor baixo para quem muito corre. Valor alto para quem não pratica desporto. Partilhei estas imagens sem ter o intuito de cortar com o consumo do que aqui aparece (consumo boa parte das coisas que aparecem nesta lista) mas apenas para colocar em quilómetros a famosa frase do "corro/pratico desporto, por isso posso comer tudo que queimo num instante".

6.10.15

só para quem deseja correr maratonas mas não é um "runner"

Correr está cada vez mais na moda. E ainda bem. É uma daquelas modas que nunca são um exagero pois tudo o que leve alguém a praticar desporto, mesmo que seja porque os outros também o fazem, é sempre positivo. Outra questão completamente diferente é correr (ou praticar qualquer actividade desportiva) apenas porque sim, sem perceber se é o mais adequado para o corpo, para o actual estado físico e para o objectivo desejado. Ou querer correr imediatamente uma maratona apenas porque os outros também correm.

E outro tema distinto é a competitividade que as pessoas transportam para algumas actividades físicas. E isto aplica-se ao ginásio onde todos têm de levantar mais um quilo do que a pessoa do lado, ao futebol onde todos têm de marcar mais um golo do que os colegas de equipa, ou mesmo à corrida onde todos têm de correr uma maratona mais depressa do que todos os outros. E a competitividade exagerada misturada com provas físicas para as quais as pessoas não estão preparadas nas melhores condições pode resultar em algo menos positivo e perigoso.

Numa altura em que a corrida é moda, não só por cá mas em todo o mundo, e numa época em que todas as pessoas acreditam ser o melhor atleta alguma vez criado é bom encontrar uma publicidade que põe um travão nesta euforia sem que isso desmotive ninguém. Aliás, é uma publicidade perfeita onde todos vão perceber que não são os melhores e que ficar em último não tem de ser mau nem desmotivante.

E esta mensagem é transmitida de forma brilhante pela Nike na sua mais recente publicidade dedicada aqueles que correm mas que não são "runners", ou seja, atletas que participam em provas – neste caso maratonas – num registo mais sério. No anúncio é recordado que a primeira pessoa a correr os 42,195 quilómetros morreu. Pessoa essa que era um runner. Depois, num comentário que pode soar a negativo, é salientado que quem está a ver a publicidade e que se identifica com o que vê não é um atleta. Muito menos um corredor de maratonas. Mas no final todos podem vir a ser corredores de maratonas.


Para quem gostar, a música é Every Little Bit Hurts, de Aretha Franklin

Não passa de um anúncio. Mas está muito bem pensado. E as pessoas que estão (e ainda bem que assim é) a ser conquistadas pela febre das corridas podem ver este vídeo. Porque ficar em último não tem que ser uma coisa necessariamente má. Porque não se passa do zero para o mil sem esforço nem trabalho. E porque o mais importante é não desistir quando se percebe que nem tudo se faz de um dia para o outro.

4.9.15

dois em um (ou desta é que não me escapas)

Ontem perdi o medo (sobre o qual falei aqui) e numa caminhada de mais de dois quilómetros - o que nesta altura para mim parece uma ultramaratona – arrisquei correr não mais de cem metros. Tinha a ideia de que ia cair ao primeiro passo com a perna direita. Acreditava que a perna ia saltar ou que ia ficar cheio de dores. Felizmente correu tudo bem. A sensação ainda é esquisita mas praticamente sem dor. A correr tinha a sensação de que era o Edgar do filme Men in Black, todo desengonçado na cena em que caminha na rua. Mas a minha mulher diz que não é tão mau como imagino. Diz que apenas coxeio ligeiramente.

Hoje contei a experiência à fisioterapeuta e disse-lhe que tanto a caminhada em passo rápido como a pequena corrida tinham corrido bem. Expliquei-lhe onde sentia dores e perguntei qual o meu plano de corridas, ou seja, o que posso fazer. E fiquei a saber que posso correr 15 minutos por dia, em passo lento, num piso adequado e plano, evitando mudanças de velocidade e mudanças bruscas de direcção. Noutra fase da minha vida isto sabia a pouco. Não dava nem para aquecer. Agora sabe-me pela vida. Este tempo com o medo que ainda sinto – assim que acabei de correr mexi diversas vezes no tendão - é mais do que suficiente para voltar ao normal e também para deixar de coxear. Depois de saber que podia correr troquei mensagens com a minha mulher.

"A S. diz que posso correr 15 minutos todos os dias", escrevi.
"Eu, sem estar coxa, não corro esse tempo neste momento", disse-me.
"Mas vais ter de o fazer comigo", referi.
"Muito bem. É agora que começo a correr... Às vezes falo demais", respondeu recordando o momento em que me disse que começava a correr comigo quando eu pudesse correr.

Por isso, esta situação é uma daquelas duas em uma. Volto a correr e, melhor do que isso, volto a correr com a companhia da minha mulher. Sou uma pessoa que gosta de correr com companhia (apesar de não me importar de correr sozinho) e com música nos ouvidos. Podendo ter companhia, nada melhor do que correr com a minha mulher, que por questões profissionais não tem conseguido dedicar mais tempo ao desporto.

Depois de várias tentativas, agora não me escapa. É desta que começa a correr "a sério" comigo. E como a minha perna não me permite grandes aventuras acaba por ser ideal para o crescimento da minha mulher na corrida. Voltar a correr já bastava para me animar e motivar. Saber que o vou fazer a puxar pela minha mulher (acredito que será mais ela a puxar por mim) é ainda melhor. Que comecem as corridas e como costumas passar por aqui, aponta na tua agenda a primeira já para amanhã.

3.9.15

desejava tanto este dia que agora tenho medo dele

Tenho de recuar até 29 de Abril para encontrar o último dia em que corri, uma das coisas que mais gosto de fazer e uma das coisas das quais retiro mais prazer. Ainda por cima quando envolve uma bola de futebol. Corridas, duas balizas e uma bola de futebol são mais do que suficientes para me fazer feliz. E não tenho isso, nem corridas sem bola, desde o dia em que me lesionei, acabando no bloco operatório.

Desde então, sobretudo desde que iniciei a fisioterapia, que conto os dias para voltar a correr. Conto os dias para que alguém me diga "vamos correr". A vontade é tanta que até puxei conversa com a fisioterapeuta em diversas ocasiões. "Quando é que posso correr?", perguntei. "Isso só lá mais para a frente", respondia-me. Desde o início (e já vou conhecendo a minha fisioterapeuta) que percebi que as suas respostas, principalmente quando envolvem datas para isto ou aquilo, são sempre alargadas. E ainda bem que o faz. Prefiro assim do que me diga que posso fazer isto ou aquilo amanhã e depois chega esse dia e não consigo. Prefiro uma meta longa que é superada antecipadamente do que uma meta curta que me desilude em caso de fracasso.

Como tal, há muito que meti na cabeça que só lá para Novembro, altura em que passam seis meses da operação, é que ia voltar a correr. Só nessa altura é que voltaria a juntar-me às pessoas que vejo a correr na baía perto da minha casa. E mentalizei-me de tal forma que nem estava triste com isso. É assim que tem de ser, é assim que é. Tenho tempo para correr nessa altura. Até que hoje tudo mudou.

"Bruno, vais experimentar correr, pode ser?", diz-me a fisioterapeuta. "Como? Correr? Já?!?", perguntei ainda meio atordoado por ouvir algo que esperava ouvir daqui a dois meses. "Sim, agora. Mas não corras em alcatrão nem durante muito tempo. Tenta correr em areia e a direito num piso regular", diz-me. "E relva?", perguntei. "É melhor não porque pode ter algum buraco que não se vê", explicou-me. E assim chegou o dia que tanto desejava mas que não esperava chegar tão cedo.

E desejava tanto este dia que agora tenho medo dele. "Correr? Já?", pergunto vezes sem conta a mim próprio. Não coloco em causa o valor da fisioterapeuta mas é mesmo o medo que se mete comigo. "Será que o tendão está pronto para correr?", pergunto a mim mesmo vezes sem conta. E neste momento a balança está equilibrada. Tanta é a vontade de correr como o medo de dar o primeiro passo. Tanta é a vontade de correr como o medo da dor do impacto. Tanta é a vontade de correr como o medo de sentir o tendão a ceder novamente.

E o medo só vai deixar de mandar em mim quando decidir dar o primeiro passo de corrida. E o primeiro passo de corrida só vai acontecer quando o medo de o fazer desaparecer. Até esta altura já enfrentei diversos medos. É o alongamento mais puxado. É o andar sem nada. É o subir escadas. É o descer escadas. É o agachamento apoiado apenas na perna direita. É o andar em bicos de pés. Mas este medo é "O" medo. Acima deste só voltar a jogar futebol e voltar a experimentar os movimentos repentinos e explosivos da modalidade, algo que para já não me passa pela cabeça. Agora não há nada a fazer. É tudo entre mim e o medo. E não sou eu que vou perder. Recuso-me a perder.

20.4.15

há sempre uma primeira vez (mesmo que não seja a primeira)

Devia ter os meus dez/onze anos quando fui atleta federado de atletismo. E essa foi a única altura da minha vida em que corri, normalmente os 3000 metros, em competição. De resto, corridas só no futebol ou em lazer e, mais tarde, no ginásio. Até que aceitei correr 12,5 quilómetros do Oikos Desafio 100, uma corrida solidária – pretendeu alertar para desperdício alimentar – com uma centena de quilómetros. Apesar de estar em boa forma física pois treino cinco dias por semana (em alguns deles duas vezes por dia) não costumo correr esta distância mas, assim que me foi endereçado o convite disse logo que sim.

No passado Sábado o despertador tocou às 5h45. E, poucos minutos depois das oito, chegava à Lourinhã para participar na corrida e ter o privilégio de correr “ao lado” de Rosa Mota, umas das figuras do desporto que marca a minha infância. Não sabia como é que a corrida ia ser nem sequer sabia que aguentaria até ao fim. Mesmo assim, estava hesitante entre testar-me e tentar um bom tempo ou aproveitar a paisagem e conversar um pouco durante o percurso. Optei pela segunda opção. Mas apenas durante o primeiro quilómetro da corrida. Depois percebi que isto ia cansar-me mais do que correr mais depressa e abri o passo, acabando por correr os 12,5 quilómetros em 1h09, naquele que foi um tempo melhor do que pensava fazer.

Não sendo a minha primeira corrida, foi a primeira em que contei com coisas como carros de apoio que me fizeram companhia em alguns momentos. Foi a primeira corrida em que tive pessoas na rua (fiz questão de cumprimentar todas por quem passei) a incentivar, a puxar por mim, a buzinar e até a explicar-me o caminho num determinado momento. Gostei da paisagem do percurso e das pessoas com quem corri. Optei por correr sem relógio – apenas com o iPhone no braço – o que foi uma vantagem. Como não mexi no telemóvel, não tinha a noção do tempo de corrida nem do percurso que faltava. Não saber isso é algo que não mexe com a cabeça e torna a experiência muito melhor. No final da corrida, o pensamento era apenas um: tenho de fazer isto mais vezes!

É impensável para mim não agradecer à Sara e ao David (os autores dos blogue Definitivamente são dois), os meus amigos da Margem Sul com quem fui até à Lourinhã e com quem comecei a correr. A nós três juntou-se a Lénia (autora do blogue not so fast) e os momentos partilhados a quatro foram bastante divertidos. Uma bela equipa que se juntou. Obrigado por tornarem o dia ainda melhor. Também tive a oportunidade de conhecer José Guimarães (De Sedentário a Maratonista) que ia correr 50 quilómetros num dia e outros tantos no dia seguinte. O melhor elogio que lhe posso fazer é que olhar para ele e para a sua atitude fazem com que se pense que correr a maior distância do mundo é a coisa mais simples da vida. Disposição essa que é contagiante e partilhada pela sua mulher com quem ainda corri um pouco.

Quero ainda agradecer à Andreia Vale e à Sara Antunes de Oliveira com quem corri pouco tempo mas o suficiente para protagonizar um dos momentos mais divertidos do percurso que foi saltar uma vedação (acho que nos enganámos algures) e voltar a enganar no percurso poucos metros depois. Quero também deixar o meu agradecimento ao João Moleira, o meu “colega” da maior parte do percurso. Obrigado pelo ritmo e por saberes o caminho. Um grande obrigado às figuras públicas que deram a cara a esta causa, aos corredores anónimos como eu que se juntaram a esta corrida e também à SIC, pela cobertura mediática que eventos desportivos como este merecem. Por fim, mas não menos importante, um agradecimento à organização que providenciou as condições necessárias para uma prova de excelência.

PS – Quem não participa numa prova destas (onde o convívio é muito superior à competição) não sabe o que está a perder.

9.4.15

as inscrições acabam já amanhã. vens comigo?

É o Oikos Desafio 100. Uma prova de 100 quilómetros que será repartida em dois dias – 18 e 19 de Abril – desde a Lourinhã até ao Jamor. Mais do que uma corrida, trata-se de uma prova solidária pois os fundos angariados revertem para a luta conta o desperdício alimentar na produção em Portugal.

O valor da inscrição é 25 euros por pessoa. Trata-se de uma prova que aceita a participação individual (para correr 12,5 quilómetros) mas a ideia é de que o esforço seja feito, preferencialmente em equipa e em regime de estafeta, sendo que as equipas poderão ter quatro ou oito elementos, existindo diferentes possibilidades de participação.


Os interessados podem saber tudo no site oficial do desafio ou na página de facebook do mesmo. Eu (em conjunto com outros bloggers) vou lá estar para correr 12,5 quilómetros. E tu? Vens correr por esta causa?

Já sei que vou correr, na companhia dos restantes bloggers, o primeiro troço. Ou seja, vou arrancar na Lourinhã. Sei que a Andreia Vale, Paulo Flor, João Meira, Jorge Pina, Pedro Fernandes e a embaixadora Rosa Mota também vão correr neste primeiro troço. Só resta saber se tu vens? Vamos a isso? Aposto que contigo tem mais piada.

31.3.15

se é para aderir à moda das corridas, que seja em condições

Em Agosto de 2013 escrevi este texto dedicado à corrida. Já passaram quase dois anos desde que foi escrito mas continua bastante actual pois a febre das corridas (running, para quem preferir) aumentou com cada vez mais adeptos. Ver muitas pessoas a correr é algo que me alegra. É sinal de que as pessoas estão cada vez mais atentas à saúde. E isso é bom para todos. Porém, observar as pessoas que correm é algo que ainda me entristece, no sentido que muitas pessoas não estão minimamente preparadas para o que fazem. Infelizmente, muitas pessoas correm apenas e só porque correr está na moda. É uma realidade que não pode ser negada. Correm porque o(a) famoso(a) corre, porque o(a) blogger corre ou até porque o(a) vizinho(a) do lado e os(as) colegas do trabalho também correm. E se estas pessoas correm dez ou mais quilómetros, eu também tenho de correr. Mesmo que não pratique desporto há mais de dez anos. Como tal, vou ao roupeiro, pego numa roupa qualquer, nuns ténis velhos que estão ali de lado e toca a correr dez quilómetros que é para poder dizer aos outros que também corro dez quilómetros.

Aconselhar alguém a realizar uma avaliação física é o primeiro passo. Mais vale prevenir e saber se está tudo bem do que remediar uma qualquer lesão ou problema que se podia ter evitado. Depois disto, uma das coisas que considero fundamentais para quem corre é o calçado. Já vi pessoas a correr de sandálias e com ténis que não são indicados para desporto. Nesse sentido, e ao contrário do que fiz no texto antigo, vou partilhar alguns ténis que foram escolhidos como os melhores deste ano, de acordo com o site The Active Times. Convém salientar que listas de ténis são como as dos anti-vírus, ou sejam ficam desactualizadas depressa com o aparecimento de novidades. Porém, com ou sem novidades, qualquer uma destas escolhas é boa.

Antes de escolher os ténis, convém saber o tipo de passada. Isto é fundamental para que se compre um modelo que vá durar mais tempo e, mais importante, seja indicado ao atleta. Existem os pronadores (são aqueles que gastam mais sola do lado exterior do pé), os supinadores (lado de dentro) e os neutros (gastam a sola por igual). Existem lojas que disponibilizam um teste mas também podem ter uma ideia olhando para a sola do calçado que têm em casa. Assim percebem onde gastam mais sola. Sabendo isto pode investir-se nuns ténis mais caros escolhendo o modelo adequado e não aquele que tem as cores mais bonitas e que fica melhor nas fotografias.

Adidas adizero Adios Boost 2.0

Uma das escolhas dos maratonistas. Um modelo leve com tecnologia boost no amortecimento, que garante suporte e conforto ao mesmo tempo que oferece o máximo retorno e energia a cada passada.

Nike Lunar Eclipse 5

A qualidade do amortecimento da passada e as características de estabilidade são um cartão de visita. A plataforma Dynamic Support oferece um suporte extra sem peso adicional.

Asics Gel-Nimbus 17

Modelo bastante popular. É mais leve do que as versões anteriores e tem o sistema de retropé e antepé Gel aumenta o conforto global o que resulta numa corrida mais suave do que nunca.

Salomon S-Lab Fellcross 3

Considero um dos melhores modelos do ano para trail e a reputação da marca no que aos desportos ao ar livre diz respeito fala por si. É uma espécie de segunda pele nos pés daqueles que gostam de corridas em terrenos mais extremos.

Merrell All Out Charge

Outra boa escolha para os trail runners que gostam de se sentir seguros na corrida. Foi pensado tendo em conta a durabilidade e o amortecimento garante protecção contra o impacto.

New Balance Borocay

O destaque é o amortecimento suave e consistente atavés daquilo que a marca descreve como “a ciência a levar a suavidade a um nível nunca visto”. Ideal para corredores que querem uma passada suave e orientada.

Mizuno Wave Rider 18

As actualizações deste clássico passam por um melhoramento da zona dos dedos dos pés o que garante uma maior suavidade, uma maior durabilidade na sola que absorve melhor o choque garantindo uma maior protecção no impacto.

Este modelos destacam-se por um preço mais elevado. O que numa primeira análise pode soar a caro. Mas, quando se tem em conta o bem que fazem ao corpo, não apenas aos pés, e o dinheiro que poupam em eventuais tratamentos acabam por ser modelos baratos. Mesmo assim, quem não quer gastar (ou não pode) tanto dinheiro num destes modelos, poderá optar por um da própria marca das lojas de desporto. As marcas já disponibilizam modelos próprios com tecnologias semelhantes a estas com preços mais convidativos. O que aconselho é que comparem as características desses modelos ou que peçam ajuda aos funcionários de modo a perceber qual a melhor escolha.

Quanto à roupa, julgo que não seja necessário um aconselhamento mais prolongado. Nos dias que correm, qualquer loja tem roupa boa a bons preços. No meu caso, posso dizer que as tshirts que mais uso neste momento foram compradas no Lidl e provavelmente são as mais baratas que tenho. De resto, calções uso sempre (pelo menos na maioria das vezes) calções de futebol. Por fim, esqueçam lá isso de correr dez quilómetros hoje quando não correm há dez anos. Não digo que não consigam mas a pressa será sempre inimiga da perfeição. Nada tenho contra modas, mas aquelas que colocam em risco o corpo e a saúde devem ser separadas das demais. Espero que as dicas sejam úteis.