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24.9.15

(des)encontros (capítulo dezasseis)


“Foda-se! Merecia um pouco mais de sorte”, desabafava João enquanto bebia mais um pouco de cerveja. “É certo que decidi fazer a viagem por mim e desconhecendo o que poderia suceder mas depois de acontecer o que aconteceu com a Sophia não precisava de ser humilhado pela Inês. Sorte de cão”, lamentava. “Não dá para acontecer algo bom?”, questionava. “Quer dizer... a cerveja até nem é má e o preço não é dos piores. Por isso não me posso queixar de tudo”, gracejou, acabando com a cerveja que tinha à sua frente, pedindo de imediato outra ao empregado de bar.

“Estás a falar sozinho?”, ouviu João. Era uma voz feminina que chegava das suas costas. “Inês?”, pensou. “Não pode ser pois acabou de me humilhar. Nem deve ser para mim que há portugueses em todo o lado”, foi aquilo em que pensou, permanecendo imóvel. “Estás mesmo a falar sozinho”, insistiu a voz. João acabou por se virar e deparou-se com Inês. “Tu?!? Não chega de humilhação?”, perguntou. “Não”, respondeu Inês. “Então não demores muito que o teu ´date jeitoso` está à espera”, disse João, apontando para a mesa onde estava o homem sozinho.

“Olha ele a fazer piadas e com ciúmes”, disse Inês, de sorriso estampado no rosto. “Achas que estou com ele? Estava a brincar contigo”, acrescentou. “Estavas a quê? Não achas que já sofri demais?”, respondeu João. “Não sei se sofreste demais. Achei que estares aqui sozinho é porque algo correu mal mas pensei que simplesmente podias não ter conseguido o que vinhas cá fazer”, explicou Inês. “E decidi brincar contigo pela reacção que tiveste quando pedi para te entregarem o meu cartão”, acrescentou. “Podes não acreditar mas fui tão parvo que pensei que me querias vender um seguro”, disse. “ahahahahahahahahahahahahaah”, reagiu Inês com uma gargalhada que captou a atenção de diversas pessoas. “Mas estás desculpado”, referiu. “Porquê?”, questionou João. “Quando os homens têm a cabeça numa mulher perdem o raciocínio e a lógica. Pouco ou nada te falei de trabalho e dava-te um cartão para vender seguros? Dei-te o cartão porque gostei de ti”, disse, deixando João sem reacção.

“Posso pagar-te uma bebida como pedido de desculpa?”, perguntou João. “Podes. Um copo do champanhe mais caro que esta casa tiver”, respondeu Inês. “Ouch! Mas a verdade é que mereço. Espera aí que vou pedir”, disse. “Queria mais uma cerveja se faz favor”, pediu ao empregado. Quando recebeu colocou o copo em frente a Inês. “Diz que é o melhor champanhe que têm aqui”, brincou motivando um sorriso em Inês. “Brincadeiras à parte, conta-me, caso queiras, o que correu mal no teu plano”, disse Inês.

“Gostas de coisas tristes?”, perguntou João. “Não”, respondeu Inês. “E de histórias tristes daquelas que ninguém suporta ouvir?”, insistiu. “Também não”, disse Inês. “E de histórias bonitas? De momentos felizes?”, perguntou João. “Disso já gosto”, referiu Inês. “Nesse caso vou contar-te uma história que se passou num bar, pode ser?”, disse João. “Vamos a isso que tenho tempo até que o meu namorado venha aqui ter connosco”, respondeu Inês. “A sério?”, perguntou João. “Estava a brincar”, gracejou Inês. “Então vamos a isto. Era uma vez um rapaz que fez uma viagem e que conheceu uma menina simpática no avião. Depois de alguns azares acabou a beber cerveja, quer dizer champanhe com essa menina num bar. Fim. Gostaste?”, perguntou. “Parece-me bem. Mas acabou depressa. A história deles fica pelo champanhe?”, disse Inês olhando fixamente João.

“Faltam alguns episódios na história dele entre o avião e o champanhe. Como tal é capaz de ser melhor acabar assim. Não foram felizes para sempre, pelo menos um com o outro, mas o final consegue ser simpático”, explicou João. “E eu a pensar que ia haver por aí umas cenas de sexo tipo 50 Sombras de Grey”, soltou Inês, fazendo com que João se engasgasse com a cerveja. “Não me digas que é agora que me vais confidenciar que afinal estás em Dublin porque é aqui que tens o teu quarto secreto e que pretendes fazer de mim o teu escravo sexual”, disse João. “Por acaso não. Tenho um quarto desses mas em Lisboa. Nem te passa pela cabeça as coisas que lá faço. Se te contasse ainda te engasgavas mais”, referiu Inês num tom de voz que deixou João sem perceber se era brincadeira ou se Inês estaria a ser sincera.

“Ainda bem que tens o teu quarto secreto a milhares de quilómetros daqui. Até porque apetecia-me mais uma cena ao tipo de Notting Hill”, disse João. “E tu fazes de Spike? Vais à porta em cuecas?”, pergunta Inês. “Deu para ver que gostas do filme. Mas posso dizer-te que preferia fazer ser o William e tu podias ser a Anna, mesmo sendo muito mais bonita do que a Julia Roberts”, disse. “E que cena do filme vamos fazer?”, perguntou Inês. “Aquela parte em que saltamos a vedação e vamos os dois sozinhos para o jardim. Até parece que já estou a ouvir o Ronan Keating a cantar When You Say Nothing at All”, explica João. “E não há uma única cena de sexo, ao estilo de Nove Semanas e Meia?”, pergunta Inês. “Não queiras saber o guião todo...”, disse João.

4 comentários:

  1. Oh... e eu que achava que o João e a Sophia iam dar certo :\

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    1. Nunca foi a ideia. Acho que ele merece melhor. Só não sei se vai ter ;)

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  2. Ahhhhh, thank GOD!!!! Finalmente... consegui ler do princípio ao fim com um sorriso nos lábios! Agora Bruno, resta saber se vais enveredar pelo tipo de escrita à E.L. James, ou se nos vais deixar pendurados só a imaginar! Eu voto na 1ª opção! ;)
    Depois de um dia logo e extenuante soube mesmo ler este episódio! Obrigada!
    Beijinho

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    1. Nem eu sei no que isto vai dar. Se terá algo mais caliente ou não ;)

      Obrigado pelo teu carinho e apoio. Sabe mesmo bem.

      Beijos

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