9.4.15

o meu ataque às mulheres (isso ou discriminação no trabalho)

Ontem, escrevi um texto onde referi que não me chocava que fosse perguntado a uma mulher, numa entrevista de emprego, se pretendia ter filhos num futuro próximo. O texto tem seis parágrafos mas a única coisa que alguma pessoas leram foi que a pergunta não me choca. Por mais que tenha explicado que, entre outras coisas, acho que a pergunta não faz sentido numa empresa multinacional com uma saúde financeira invejável. Algumas pessoas olharam para o texto como um ataque às mulheres. Como se fizesse sentido atacar as pessoas que dedicam o seu tempo a ler as coisas que aqui partilho. Ou como se fosse, desde a criação do blogue, característica minha atacar as mulheres.

Aquilo que fiz foi colocar-me no papel de um empresário que vai contratar uma pessoa e apenas uma que, por exemplo, vai necessitar de formação de alguns meses e que irá desempenhar uma função que mais ninguém desempenha na empresa. E que num futuro próximo irá ausentar-se do local de trabalho para se dedicar, e bem, à família. Por sua vez, essa ausência irá implicar uma aposta temporária numa pessoa que também irá necessitar de formação e que no momento em que estiver apta para as funções será dispensada. Por isso, considero que em casos destes, a pergunta não me choca. Isto não é um ataque às mulheres. É um simples dado do mercado profissional que não está fácil em Portugal.

Se é discriminatório? É! Claro que é. Agora, que entrevista de emprego ou processo de selecção não é discriminatório? São todos! São etapas de discriminação até sobrar um, ou mais, candidato que fica com o lugar. Das cunhas aos idiomas, tudo é factor discriminatório. Já fui discriminado porque aquele que veio a ser meu chefe queria uma mulher e levou comigo por obrigação. Já fui discriminado porque, numa rádio todos entendiam que era o mais apto, mas uma pessoa, apenas uma, entendeu que era melhor ter uma voz feminina. Já fui discriminado porque tenho qualificações a mais para o cargo. Vou atacar aqueles que preferiam mulheres? Vou atacar as mulheres? Vou fazer deles regra geral? Não! Vou trilhar o meu caminho, continuando a evitar as pedras que lá deixam e tentando que as mesmas não atrapalhem quem passar na mesma estrada do que eu.

Ainda no campo da discriminação, empresas que só querem homens não discriminam? Empresas que só querem mulheres não discriminam? Empresas que têm padrões de beleza e de peso não discriminam? Empresas que são contra fumadores não discriminam? Podia passar o dia nisto. Tudo, ou quase tudo, no mercado de trabalho é uma discriminação. Por isso, porque é que batemos com a mão direita no peito quando a discriminação diz respeito às mulheres e ignoramos as restantes? Não existem mais discriminações que devem ser combatidas?

Por outro lado, muitas pessoas defendem que as empresas devem dar as melhores condições aos trabalhadores para que estes obtenham o melhor rendimento. Concordo com isto. Num mercado de trabalho justo, é isto que deve acontecer. Mas, se exijo coisas à empresa, não devo apostar nela também? Se a empresa aposta em mim, não deverei apostar na empresa? Ou só aposto na empresa enquanto me dá jeito e depois fico à sombra do meu trabalho a enumerar direitos que tenho, ignorando as minhas obrigações.

Isto tudo para dizer que o texto não foi um ataque às mulheres, Foi uma análise fria ao mercado de trabalho que temos. Mercado esse onde mulheres e homens lutam pelo melhor emprego possível, idealmente com uma remuneração justa. E mercado esse que é pautado pela discriminação. Mas desenganem-se aqueles que pensam que apenas as mulheres são discriminadas. Porque a crueldade do mercado profissional nacional discrimina mulheres, homens, pessoas com mais de 40 anos (ou até menos), pessoas “excessivamente” qualificadas, pais, solteiros, doentes, saudáveis e por aí fora. Se isto é justo? Não, não é! Se devemos ficar de braços cruzados? Não, não devemos. Mas para mudar algo temos de ter a capacidade de ver mais do que aquilo que o nosso umbigo alcança.

38 comentários:

  1. As pessoas têm por habito agarrar em tudo para tornar um cavalo de batalha e fazer uma guerra. Agora está na moda ser feminista e andar de cartaz em punho a gritar que queremos igualdade e bla bla bla. Eu sou mulher, toda a vida trabalhei e se fosse dona de uma grande empresa e se tivesse num processo de selecção, para um trabalho que fosse preciso suar a camisola, dar horas do dia ou da noite, não escolhia uma mulher com filhos. Porque sei que não têm a mesma disponibilidade, LEIA SE disponibilidade, não é capacidade, e quem manda sou eu, e quem escolhe sou eu. E sou mulher. E não me venham com histórias, mas onde trabalha muita mulher junta às x é pior que muito homem. Porque a mulher é mais má colega que homem. Agora podem vir e crucificar me. ADELAIDE

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    1. E viva os estereótipos.
      Rita

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    2. Uma mulher que pense como tu ainda é mais atacada do que eu.

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    3. ehehhehe sem medos, cada um tem a sua opinião e a vida é assim. Não acho que a mulher seja inferior ao homem de modo nenhum, mas sei que há coisas que nós mulheres enquanto mães não abdicamos e se estás ao comando de uma empresa, tens que ter consciência disso. Portanto entre um homem solteiro e uma mulher com filhos, em que é preciso dar noites, dias fora, eu escolho o melhor para a minha empresa. Lamento e será o homem. As pessoa têm tendência a confundir e achar que discriminamos as mulheres, mas não é o caso.

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    4. As pessoas observam apenas aquilo que dá jeito.

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    5. Se eu for linchada pelos meus comentários, fujo para me pagares o café e me defenderes ehehehhehe

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    6. Então e se fosse um homem com filhos? Não digo um pai solteiro, estou a dizer um homem casado e com dois filhos. Também não o contratava?

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    7. Mas eu no primeiro texto coloquei um cenário com duas mulheres: uma com desejo de ser mãe e uma centrada na carreira. Também podemos colocar o cenário de dois homens: um com total disponibilidade e outro com menos, se preferires, um homem com filhos e outro sem filhos, sendo que o emprego envolve muitas deslocações: qual contratavas?

      Lamento que mais uma vez se olhe para as palavras como um ataque contra as mulheres. Mas isso não depende de mim.

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    8. Peço desculpa, estava a perguntar ao anónimo. Aliás, à Adelaide.
      Rita.

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    9. Se fosse um homem com filhos escolheria o sem filhos, aqui não está em causa o sexo, está em causa o melhor para mim enquanto empresária. Como entre um homem com filhos e uma mulher solteira centrada na carreira, escolhia a mulher.

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    10. Eu falo aqui pela minha experiência, trabalho num sitio onde já fiz noites, já suei e passei noites em branco a trabalhar no principio daqui estar, era solteira e tinha disponibilidade, casei e tenho filhos. Não faço noites a trabalhar, as x saio a correr, para ir às escolas a reuniões dos filhos, já nada é igual. Ora bem sabe me bem ter emprego, claro que sim, mas se me colocar no lado do meu patrão, claro que gostava mais do meu antes, até porque quando acontece algo ele tem sempre que colocar outra no meu lugar e pagar mais por isso.

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    11. Acho que é fácil perceber essas coisas e não fazer das mesmas uma guerra de sexos.

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  2. Não comentei, acho que foi apenas a tua opinião, como existe a tua, existem outras. Bjs

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  3. Eu já fui descriminada num estágio por causa da minha escola :p fiz o estágio mas notava-se imenso a diferença de tratamento :P
    As pessoas leem e percebem aquilo lhes dá jeito

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    1. As pessoas centram-se numa frase ou palavra e criam uma imagem consoante o que dá jeito.

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  4. Concordo com tudo! Como mulher, e porque considero que tive sorte, nunca me senti discriminada a nível profissional. Já fui olhada "de lado" em situações que são maioritariamente resolvidas por homens, porque na minha área há menos mulheres que homens, mas resolvi tudo na mesma! Agora, como mãe de gémeos, garantidamente já o fui! Os olhares entre entrevistadores quando o assunto maternidade é abordado e digo que tenhos gémeos pequenos, são completamente esclarecedores. E sim, a discriminação está em todo o lado! Como empregadora, só tenho uma funcionária, e rezo para que não tenha filhos cedo! Precisamente porque me vai deixar em dificuldades! Mas alguém disse que a vida de trabalho era justa? A vida só por si já não o é, quando mais a vida de trabalho! :D

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    1. Obrigado pela tua partilha. É bom quando as opiniões são femininas :D

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  5. Estamos a falar aqui de discriminação de género. Acho que as pessoas ficariam escandalizadas por haver discriminação racial numa entrevista de emprego ou discriminação de sexualidade. São coisas do foro privado e são coisas que nada têm a ver com o trabalho que pessoa vai desempenhar. As mulheres não podem ser discriminadas por terem a capacidade de terem filhos. Isso não vai afetar o trabalho delas. Estava a falar de se pôr no lugar do empregador. Ponha-se no lugar de uma mulher de 27 ou 28 anos, com imensas qualificações, desempregada, casada e com desejo de ter filhos nos próximos anos. Acha que merece que a discriminem por querer ter filhos? Eu acho que não e fico completamente chocada com qualquer tipo de discriminação que mencionei acima fora ou dentro da vida profissional. Choca-me um pouco que as pessoas não se choquem.
    Que a discriminação existe, ah existe sim. Que fiquemos de braços cruzados a dizer "oh well" isso já não.

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    1. Eu consigo colocar-me no papel da mulher. E na de muitos casais que conheço que adiam o desejo de ter um filho porque a vida não o proporciona e porque, infelizmente, não lhes basta o desejo de ter um filho. Agora pergunto, consegues colocar-te no lugar do(a) empresário(a) que referi no texto? Não leste em nenhum dos textos que devemos ficar de braços cruzados.

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    2. Sinceramente não me consigo pôr no lugar de ninguém que discrimina na base do género. Tal como não conseguia pôr-me no papel de uma pessoa racista ou homofóbica

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  6. E acho que vais continuar a explicar-te e vais sentir-te "um Minion"

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    1. Este texto surgiu pelo respeito que as mulheres que por aqui passam merecem. Mais do que isto é chover no molhado. Quem não quer perceber, continuará a não perceber.

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  7. Posso dizer que esta foi das poucas vezes que li um dos teus posts até ao fim, e concordei na íntegra. Eu tenho o emprego que tenho por não ser mãe, tenho perfeita consciência disso. Vivo em 2 países diferentes - 3, se contar com Portugal - e vejo a minha agenda ser alterada diariamente; muitas das viagens são marcadas com 48h de antecedência e nunca estou ausente por menos de 4/5 dias. Não é preciso mais para perceber que seria muito diifícil, a todos os níveis, manter uma relação saudável com um parceiro e ainda participar na educação dos meus filhos 8quanto mais estar com eles).
    Por muitas capacidades e profissionalismo que uma mulher possa ter, não é possível julgar e condenar uma entidade empregadora que opte por um homem ou uma não-mãe para posições como aquela que eu desempenho, por exemplo.
    Concordo quando dizem que o feminismo está na moda e que é irritante... já não se aguenta.

    V.

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    1. Muito obrigado pela tua opinião. É bom quando a perspectiva é partilhada por uma mulher. Assim talvez se perceba que não é um ataque de género.

      És menos mulher do que uma que prefere estar em casa e ter filhos? Não! És menos profissional? Não. É uma escolha. E tu fizeste a tua que certamente será valorizada pelo teu patrão. Simples.

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  8. O que foste fazer... mexeste com um tema onde se é preso por ter cão e por não ter, estás a ver.
    Eu acho perfeitamente normal que a pergunta seja feita, aliás acho que é sempre importante perceebr os objectivos e o percurso das pessoas que são contratadas.
    É normal perguntar se é casada, tem filhos, se pensa ter, se os miudos estão com familiares, se vão para a creche. Para mim faz tudo sentido. Quer queiramos, quer não tudo isso são condicionantes que podem afectar o nosso horario, a nossa disponibilidade, e até o nosso empenho. Se temos filhos é normal ou comum que tenhamos noites mais dificeis e isso reflete-se no trabalho (eu que o diga). Acho que muitas vezes se faz alarido por coisas que sinceramente não fazem sentido. E sim sou mulher, sou trabalhadora e sou mãe. E sei que desde que fui mãe sou uma profissional diferente, continuo dedicada à carreira, mas o ranking das prioridades mudou. E eu se fosse empregadora gostava de saber com o que se pode contar, porque não gere um empresa em cima do joelho, tudo tem que ser planeado.

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    1. Ainda bem que mais uma mulher percebe um texto sem que veja no mesmo um ataque a mulheres. Muito obrigado pelas tuas palavras.

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  9. Não achei que estivesses a querer atacar as mulheres, estavas apenas a expressar a tua opinião. Quem lê pode ou não concordar. Eu não concordei e espero que não tenhas levado a minha opinião como um ataque :)

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    1. Claro que não levei. Agradeço imenso os teus comentários e pontos de vista :)

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  10. Uma empresa não deve ser gerida em cima do joelho e isso significa que deve estar preparada para imprevistos: acidentes, doenças, férias, sei lá... Entendo a perspectiva do empregador! Entendo o que quis dizer. Aliás foi bastante cauteloso no exemplo que deu. Só não entendo que este tipo de questões se tenha convertido num lugar comum. Nunca seria o facto de alguma mulher me dizer sim estou a pensar engravidar que me faria deixar de a contratar... Até porque arrisco-me a dizer que mais de 50% das mulheres com uma relação estável pensa ter filhos. Para determinadas posições e cargos essas perguntas sobre a vida pessoal até podem fazer sentido e deviam ser feitas tanto a homens como mulheres. Acho que a questão está aqui. Porque é que só nós temos de dar contas se estamos a pensar ou não engravidar. Porque é que se parte do pressuposto que têm de ser elas a deixar a carreira para trás, a tirar a licença toda, a passar as noites em claro, etc, etc?! Andamos às voltas na superfície e raramente mergulhamos.

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    1. Prefiro ser tratado por tu Filipa, pode ser?

      Não questiono nada do que dizes mas a verdade é que existem muitas pessoas (mulheres e homens) que estão centrados na carreira e não na família. Pessoas para quem o trabalho é uma prioridade. Como é óbvio, os patrões preferem estas pessoas. Sabem que, em condições normais, vão dar tudo pelo emprego. Isto não quer dizer que as pessoas casadas e com filhos não possam dar tudo. Mas é um facto que podem estar mais limitadas no tempo. "Não posso ir porque não tenho com quem deixar a criança". Já tive complicações no meu trabalho e o argumento é que tinha de ser assim porque elas são mães. Escolheram ser mães e muito bem. Eu quero ser pai mas ainda não sou. Agora, não tenho de ser penalizado por não ter filhos.

      Isto é um tema muito mais profundo do que parece. Existem muitos factores que podem ser tidos em conta. Mas quem defende tudo ao limite para as mulheres grávidas, tem de se colocar no outro lado. Não sou no do patrão mas também no dos colegas que não tendo filhos, têm vida. Algo que alguns pais ignoram e acham que os solteiros sem filhos têm de ser pau para toda a obra quando eles não podem.

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    2. A pergunta choca-me: constitui uma intromissão inadmissível na esfera privada do trabalhador. É claro que há opções pessoais que têm repercussões na esfera profissional, como sucede com a maternidade/paternidade. Mas um trabalhador é, antes de tudo, uma pessoa, e deve poder realizar-se plenamente enquanto tal, ainda que isso implique faltar ao trabalho justificadamente por causas dos filhos. Dizes que deve ser considerada também a perspectiva da empresa. Mas a única perspectiva da empresa, salvaguardadas honrosas excepções, é a da maximização do lucro. Por isso, penso que, neste conflito, atenta a sua relevância social, não é a perspectiva da empresa que deve intervir, deve o Estado a resolver o conflito, proibindo as empresas de colocarem este tipo de questões discriminatórias nos processos de recrutamento e de promoção dos trabalhadores. Aliás, é interessante constatar que os países com maior consciência social são os que desenvolveram economias mais fortes e oferecem melhores salários. Em Portugal, muitas empesas rejeitam liminarmente trabalhadoras que manifestem vontade de engravidar, não as recrutando ou não renovando os contratos e oferecendo, tem troca, salários ridículos, horas de trabalho suplementar não pagas e empregos sem hipótese de progressão na carreira. Por outro lado, acho que misturaste com esta questão muitas outras que com ela não estão directamente relacionadas. É claro que um trabalhador tem obrigações para com a empesa e que as deve cumprir, assim como também tem um dever de lealdade e solidariedade com os colegas. Tudo isso não invalida que o trabalhador tenha direitos e que faça uso deles, com seriedade e sem medos de consequências e represálias.

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    3. Aquilo que referes não é apenas oferecido a mulheres grávidas. É a realidade do mercado de trabalho para todos. E as represálias também são para todos. É triste mas real.

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  11. As generalizações é no que dá... Onde há muita gente necessariamente há de tudo. Claro que há diferentes opções de vida. Eu respeito-as a todas.

    Há pais responsáveis, dedicados ao trabalho e aos filhos, daqueles que fazem trinta por uma linha para não faltar, não sobrecarregar ninguém e muitas vezes acabam sempre por sentir que estão em falta... com os filhos ou com o trabalho ou com... O problema é que se põe a fasquia lá em cima para tudo. Há que ser o melhor pai/mãe de sempre, o melhor trabalhador, o melhor marido/esposa, o melhor, o melhor... é possível? Não! Mas fazer bem feito é. Se houvesse uma perspetiva mais conciliadora das diferentes esferas da vida e não esta tendência em separar... Há aqueles (eles e elas) que aproveitam a desculpa da prol lá de casa para escaparem... Há outros que preferem ficar no trabalho a ter de enfrentar a prol lá de casa... Pelos vistos ficou provado num estudo recente que os pais são menos produtivos nos primeiros anos de vida da criança, mas depois aumentam exponencialmente a produtividade... natural...

    Mas não os há também sem filhos?
    É preferível um solteiro sem filhos amargurado que faz a vida de todos um inferno (e olha que os há) porque está 24 sob 24 dedicado ao trabalho ou um casado/a, com filhos que sabe que tem de gerir muito bem o seu tempo para sair a horas porque tem de ir buscar o miúdo e até está disposto a levar trabalho (para não correr o risco de ir para o olho da rua agora que tem bocas para alimentar) para casa para acabar isso urgente que na volta vai-se a ver e nem era nada assim tão urgente?

    Há pessoas que são excelentes colegas de trabalho, que encaram o trabalho como uma relação de colaboração (hoje por mim, amanhã por ti) e outras que não...

    Como entidade patronal preferiria que os meus funcionários se sentissem bem, realizados e acarinhados no local de trabalho e não reprimidos. Pessoas valorizadas são mais produtivas, mais eficientes, mais responsáveis...

    Claro que as pessoas que não têm filhos têm vida própria. Sinceramente a mim custa entender as pessoas que só têm o trabalho, mas respeito. Por isso mesmo, se aqueles que não têm filhos têm direito à sua vida os que têm filhos também. A questão é que um solteiro sem filhos provavelmente vai ao cinema, a um concerto, tomar um copo com os amigos... Os pais esses vão embrenhar-se nas fraldas, nos ranhos e nos achaques...

    Se te entendi acho que o teu post partiu de uma situação particular que viveste ou presenciaste no trabalho, mas acabas por advogar o mesmo para todos. Direito a ter vida para além do trabalho. Seja a jogar ao faz de conta seja a beber umas cervejas... E nisso estamos perfeitamente de acordo.

    O que é dar tudo pelo emprego?

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    1. Como dizes e bem, há-de tudo. Em todo lado. Com e sem filhos.

      Logicamente e naturalmente que uma pessoa sem filhos pode "dar mais" à empresa no sentido de que tem menos coisas para gerir. Isto é perfeitamente normal. Mas isto não faz desse solteiro um melhor trabalhador.

      Isto é uma questão quase sem fim e que depende de pessoa para pessoa.

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  12. Infelizmente tens toda a razão, e essa questão do ser mãe também a perguntam aos homens, se pensam ser pais nos próximos x anos, pois há entidades que acham que a paternidade tira o foco.

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    1. Mas também não me choca que seja perguntado aos homens.

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