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16.5.16

a promoção que afinal é mais cara

Entro num hipermercado e vou à procura de um vinho para um jantar com a minha mulher. Reparo num vinho que está a um preço muito simpático. É anunciada uma promoção superior a sessenta porcento. Infelizmente o espaço está vazio. Acabo por escolher outro até que me deparo com o primeiro vinho no corredor central do hipermercado.

Encontro pessoas a agarrar em diversas garrafas. O vinho está com tanta saída que têm de ser os clientes a abrir as caixas de papelão para retirar as garrafas. Se não estou em erro o vinho era anunciado como tendo um valor superior a doze euros e estava a ser vendido por menos de três. Como costumo fazer nestas ocasiões recorro à aplicação Vivino para saber o real preço do vinho.

Fotografei o rótulo e percebo que o preço médio de uma garrafa daquele vinho é vinte centimos mais barato do que o preço da promoção. Acabei por levar outro um pouco mais caro mas que realmente tinha uma promoção de vários euros. Fica o alerta para todos aqueles que gostam de vinhos.

Instalem a aplicação Vivino que permite perceber o verdadeiro preço de um vinho e perceber se realmente a promoção é boa ou enganadora. Isto aplica-se aos vinhos como a tantas outras promoções. Mas, no que aos vinhos diz respeito, felizmente a aplicação Vivino permite ter uma melhor ideia do preço real de um produto específico.

13.4.16

um copo de vinho torna a vida mais divertida (imagina três)

“O primeiro copo de vinho é da comida, o segundo é do amor e o terceiro da confusão”, é um suposto ditado popular que deu origem a um projecto bastante original, da autoria de um fotógrafo brasileiro. Marcos Albertini quis perceber até que ponto este ditado correspondia à realidade. Para isso juntou um grupo de amigos que fotografou em três momentos distintos: depois de um copo de vinho, com mais um e, por fim, depois da ingestão de três copos de vinho. Partilho aqui dois exemplos.



“A primeira foto era sempre feita quando chegavam ao estúdio e tinha o objectivo de retratar o stress do trânsito ou o cansaço de um dia de trabalho”, explica. Depois de cada um dos três copos de vinho acontecia uma nova fotografia. Após o último copo eram as gargalhadas que dominavam.

Acho que não é novidade para ninguém que o vinho desinibe e torna a vida muito mais divertida. Por exemplo, muitas mulheres antes de posarem nuas para uma revista bebem um copo de vinho para ficarem mais desinibidas. Três copos de vinho não fazem mal a ninguém e aqui fica a prova de que fazem com que a vida fique muito mais divertida, que os rostos fiquem muito mais bonitos e que as pessoas sejam muito mais abertas em relação aquilo que as rodeia.

18.3.16

o néctar dos deuses

O que dizer de uma bebida que tem o rótulo de néctar dos deuses? Nada que não seja elogios. Não bebendo todos os dias, o vinho é uma bebida que aprecio bastante. Quer seja num jantar a dois como num jantar de família ou amigos. E tanto bebo do vinho da casa do mais simples que existe à marca mais badalada. Aquilo que me importa é a qualidade, que nem sempre pode ser medida pelo preço.

Quando falo de vinhos existem dois comportamentos comuns em mim. Quando vou a casa de alguém gosto de levar uma garrafa e quando vou a um hipermercado gosto de passear pela área destinada ao néctar dos deuses. E através das promoções tenho experimentado diversos vinhos dos quais acabo por ficar fã e que recomendo às pessoas que me são mais próximas.

Num passado mais ou menos distante um colega de profissão falou-me da aplicação Vivino. Na altura achei piada mas acabei por não fazer o download. Isso ou na altura ainda não tinha iPhone, já não sei precisar. Agora já me rendi à aplicação (obrigado David) e recomendo a mesma a todas as pessoas.

Esta aplicação tem uma grande vantagem que passa por perceber o real preço de um vinho. Basta fotografar o rótulo e aparecem notas dadas pelas pessoas, comentários dos utilizadores e ainda (mesmo que não aconteça com todos os vinhos) o preço médio da garrafa. E este dado permite que o cliente perceba se a promoção é realmente boa. Além disso, a aplicação permite ainda que a pessoa fique com uma base de dados dos vinhos que já consumiu.

Fui comprar uma garrafa de vinho para levar para um almoço na casa dos meus pais. Cruzei-me com uma garrafa de Principium (tinto), que estava em promoção, a 3,99 euros. Fotografei o rótulo e percebi que o preço médio de cada garrafa ronda os 5,35 euros. Acabei por levar e acabo agora a partilhar o vinho aqui. Não apenas pela promoção mas porque foi uma das surpresas mais agradáveis que tive nos últimos tempos. Recomendo este vinho a todas as pessoas.

23.2.16

gostas de vinho?

Esta é a “melhor” altura do ano para todas as pessoas que, tal como eu, apreciam vinho e que gostam de ter a sua garrafeira em casa. Digo que é a melhor altura porque é agora que têm lugar as respectivas feiras temáticas nas diversas superfícies comerciais. E estes eventos permitem que se comprem bons vinhos a preços mais atractivos.

Por exemplo deixo aqui uma sugestão de um vinho que descobri no Continente. Chama-se Terra Lenta e trata-se de um vinho tinto premium da Carmim. Em condições normais uma garrafa custa 9,99 euros, um preço ligeiramente “elevado” para supermercado. Além da garrafa, de que gostei, captou a minha atenção o desconto pois uma garrafa tinha um preço inferior a três euros. Comprei, bebi, gostei e recomendo. Aliás, esta estratégia (aproveitar os descontos) tem feito com que vá descobrindo bons vinhos que acabo por comprar a preços muito mais competitivos.

14.1.16

bebe que ficas mais bonita

Há uma piada em torno da beleza que diz qualquer coisa como “não existem pessoas feias, tu é que ainda não bebeste o suficiente”. Mas ao que parece, isto tem um fundo de verdade. Parece que a beleza é realmente adulterada consoante a quantidade de álcool que as pessoas ingerem. E ao contrário do que as pessoas pensam não é necessário beber muito para que todas as pessoas que nos rodeiam fiquem mais bonitas aos nossos olhos.

Segundo um estudo levado a cabo pela Escola de Psicologia da Universidade de Bristol basta apenas um copo de vinho para que as outras pessoas fiquem mais atraentes para nós ou para que nos achem pessoas mais bonitas. Neste estudo participaram quatro dezenas de homens e mulheres que tinham como missão olhar para três imagens da mesma pessoa. A primeira era sem consumo de álcool. A segunda após a ingestão de 250 mililitros de vinho (um copo grande) e a terceira depois de beber 500 mililitros de vinho, cerca de dois terços de uma garrafa.

Curiosamente a foto em que a pessoa ficava menos atraente era a terceira. Quando a quantidade de vinho era muita a pessoa já não era atraente para as pessoas. Em segundo lugar ficou a foto que era observada sem consumo de álcool. E, por exclusão de partes, em primeiro a foto analisada depois do consumo de um copo de vinho. Ou seja, a beleza está associada a um copo de vinho!

18.11.15

é barato? então não presta

Tenho diversos amigos que acreditam que a qualidade de um vinho mede-se exclusivamente pelo preço. Mas nem sempre é assim. Não é necessário gastar, por exemplo, cinquenta euros numa garrafa de vinho tinto para se beber uma “boa pomada”, como diz a sabedoria popular.

Quando o vinho é barato, existem pessoas que começam a fazer imediatamente as contas ao vidro, ao rótulo e à rolha para depois dizerem que é uma “porcaria” porque se é barato não paga estas coisas que referi. Mas este modo de pensar é errado. E pode ser desmontado com um exemplo recente. Porca de Murça 2013, um vinho tinto da região do Douro que custa apenas (p.v.p.r.) 2,99 euros.


Muitas pessoas vão pensar que não será grande coisa porque é barato. Mas este vinho ocupa o 39º lugar, em cem, da lista dos melhores vinhos do mundo da Wine Spectator. É também o mais barato da lista (a título de curiosidade o Taylor’s LVB 2009 - Vinho do Porto - ficou em 16º lugar da mesma lista). Isto prova que que a qualidade não se mede apenas pelo preço.

Agora, seja com este vinho ou com um de duzentos euros, convém que seja bem servido. Que seja servido à temperatura certa – esqueçam isso de colocar a garrafa de tinto perto da lareira – e preferencialmente em copos indicados. Porque nem o melhor vinho do mundo sobrevive com facilidade às condições que não são indicadas para o consumo. Uma dica para o vinho tinto. Colocar no frigorífico, na zona destinada às garrafas, três horas antes de ser servido.

9.10.15

fazer um brilharete com vinhos

Sou um apreciador de vinhos. Gosto de beber. Gosto de comprar para ter em casa. E gosto sempre de levar uma garrafa quando vou jantar à casa de alguém. Isto faz com que goste de saber um pouco mais sobre este mundo. Gosto de estar informado para que o meu conhecimento vá além do gosto e do não gosto e para que perceba de forma simples e rápida se um vinho está ou não em condições de ser servido. E, caso não esteja, qual o motivo de modo a que não diga coisas disparatadas e não culpe quem não tem culpa.

Há alguns anos participei num curso de três dias onde aprendi algumas coisas. E ontem, a convite do Mercado de Vinhos, que vai ter lugar no Campo Pequeno, de 23 a 25 de Outubro, participei num workshop com Tomás Caldeira Cabral. Foi bom recordar alguns detalhes e relembrar a facilidade com que se percebem coisa básicas e que permitem a qualquer pessoa fazer um brilharete num jantar com amigos. E vou partilhar aqui algumas dicas sobre a forma de descobrir um vinho.

Antes de ir ao vinho é importante falar dos copos. Pois um bom vinho num mau copo é um desperdício. Os copos devem ter um pé alto (não se pega no copo pelo balão porque isso aquece o vinho) e o balão deve ser adequado ao vinho e deve potenciar as suas qualidades. Sem querer entrar muito em marcas sei que os copos da Schott Zwiesel são apostas seguras porque são muito bons. De resto existem muitas opções no mercado mas o design desta marca permite ter uma ideia do formato que deve ter um bom copo de vinho.

Agora, vamos ao vinho. Quer seja num restaurante como em casa quando se dá um vinho a provar muitas pessoas começam imediatamente rodar o copo. Isto é um erro. A primeira e mais rápida análise ao vinho é feita apenas com os olhos. Pega-se no copo e observa-se a limpidez do vinho. O vinho está limpo quando não existe gás (isto não se aplica aos verdes e espumantes) nem espuma. Ter depósito (acumula-se no fundo do copo) não é defeito. É resultado da evolução do vinho e é algo associado a vinhos de qualidade. Pode também analisar-se o brilho de um vinho, algo relacionado com a acidez.

Depois disto segue-se uma segunda etapa que é o exame olfactivo, algo que permite conhecer a intensidade e qualidade. Mais uma vez, esta etapa é feita inicialmente sem rodar o copo. Aqui percebem-se os aromas mais voláteis e efémeros do vinho. Um mau cheiro é facilmente identificável. Nesta etapa as mulheres costumam safar-se melhor do que os homens pois por norma têm um olfacto mais treinado do que o deles. Depois disto agita-se o copo. E volta-se a cheirar o vinho. E o resultado será diferente pois libertaram-se os compostos aromáticos mais pesados e complexos do vinho. Se o vinho for bom a sua natureza aromática será vasta. As diferenças entre a primeira e segunda etapa deste momento permitem conhecer a complexidade do vinho. Os aromas do vinho vão dos florais (violeta, rosa, etc) à madeira passando pelos químicos (manteiga, caramelo, ovos podres, etc) e ainda aos animais (caça, estrebaria, chichi de gato, etc), entre muitos outros.

Por fim, existe o exame gustativo. Só deve ir à boca a quantidade suficiente para fazer circular o vinho na cavidade bucal durante alguns segundos. A língua só sente quatro tipos de sabores: doce (ponta da língua), ácido (laterais da língua), amargo (final da língua) e salgado (zona central). Além de mexer com estes quatro factores também se fica a conhecer a persistência do vinho. A persistência, ou seja, o tempo que a sensação aromática se mantém na boca é um indicador da qualidade do vinho. Um bom vinho será equilibrado, ou seja, todos os elementos se conjugam com facilidade. Já agora, primeiro identifica-se o doce, depois a acidez e por fim o amargo. Este equilíbrio e os aromas que predominam na boca servem também para casar o vinho com a comida. O sabor da comida deve estar equilibrado com a persistência do vinho. Nenhum deles deve destacar-se muito do outro.

Existe um dado que muitas pessoas ignoram mas que é muito importante. Ao longo de anos partilhou-se a ideia de que o vinho tinto se bebe à temperatura ambiente. Existem pessoas que abrem a garrafa e até a vão rodando perto da lareira ou do fogão. Isto é um erro. Isto "estraga" o vinho. O vinho tinto deve ser servido "fresco", entre os 14/16 graus. Porque como os copos estão, por norma, a 21 graus, a temperatura sobe ligeiramente. Se o vinho estiver quente vai destacar-se o álcool, não será descoberto o verdadeiro potencial do vinho e provavelmente quem o beber irá ficar com aquela sensação de cabeça pesada. Existe um truque muito bom que facilmente convence as pessoas e que passa por ter duas garrafas do mesmo vinho. Uma é colocada no frigorífico (na zona das garrafas e não no congelador, mais ou menos três horas antes da refeição) e outra junto do calor. Depois provam os dois e vão ver qual é melhor apesar de ser o mesmo vinho. Até podem fazer uma prova cega.

Dicas:
Se vão ter um jantar de amigos onde a conversa se vai destacar não comprem vinho muito caro. E o motivo é simples. As pessoas vão estar mais atentas à conversa do que ao vinho e a qualidade do vinho passará despercebida. Um bom vinho é ideal por exemplo para um jantar romântico.

Se pretendem comprar um vinho caro esqueçam as grandes superfícies comerciais. Optem por garrafeiras. Porque os vinhos caros não circulam com grande velocidade nas grandes superfícies e nem sempre estão guardados nas melhores condições, o que faz com que um vinho possa, num ano, envelhecer três ou quatro.

Quando o vinho tem rolha não fiquem com má imagem do produtor pois ele não tem culpa. Nem cortem esse vinho da vossa lista. Existe um cogumelo que se desenvolve e cresce no interior das rolhas e que estraga as mesmas. E ninguém está livre disto.

Num restaurante, caso o vinho não esteja bom, não tenham receio de o mandar para trás. Existe uma espécie de acordo entre a maioria dos produtores. Ou seja, o cliente devolve o vinho, o restaurante devolve ao distribuidor e este devolve ao produtor.

Para amantes de vinho e não só
Como referi no início do texto, o workshop de ontem foi uma iniciativa do Mercado de Vinho, que vai ter lugar no Campo Pequeno, entre os dias 23 e 25 de Outubro. Este evento vai reunir 120 produtores portugueses sendo que o requisito é que nenhum deles venda nas grandes superfícies comerciais. Aos vinhos acresce uma selecção de vinte dos melhores produtores de queijo, enchidos, presuntos, pães, azeites e outros produtos gourmet. O horário é das 11h30 às 21h30 e a entrada custa três euros sendo que dois deles são reversíveis em compras de valor igual ou superior a 16 euros. Para quem gosta de vinho estes eventos são indicados para boas compras que enriquecem a garrafeira de cada um.