AVISO: Quem é fã das séries 24 e Dexter mas ainda não acabou de ver ambas é capaz de não achar grande piada a este texto. Fica o aviso.
Aproveitei o frio e o mau tempo do último fim-de-semana para me entregar ao sofá e deliciar-me com vários episódios de 24: Live Another Day, que é a nona temporada da série em torno de Jack Bauer e também com os seis episódios que me faltavam ver da última temporada (a oitava) de Dexter, a série que acompanha a vida de um peculiar serial killer. E escrevo este texto envolvido num misto de sentimentos onde não faltam algumas decepções.
Em relação à nova vida de Jack Bauer, congratulo-me com o regresso de uma das melhores séries de todos os tempos. 24 consegue prender quem assiste pela constante acção. Cada episódio sabe a pouco. No final fica sempre o desejo de ver mais um. E mais um. E ainda mais outro depois desses. E esse efeito não se perdeu em Live Another Day, que se passa em Londres e que conta com um Jack Bauer, considerado terrorista, que aparece para evitar um ataque terrorista. Nem a redução para 12 episódios (mantém as 24 horas mas um episódio – o último – corresponde a doze) retira encanto à serie. Acção, mortes, paixões e dor voltam a marcar a vida de Jack Bauer que acaba o dia a sacrificar-se às mãos dos russos para salvar a vida de Chloe O´Brian, a sua única amiga. O final deixa em aberto a continuidade da série que nesta temporada tem como novidade a presença de Yvonne Strahovski, a Hannah McKay de Dexter.
Quanto a Dexter, fico um pouco desiludido com o final. Até porque fica a sensação de que a série foi arrastada até aquele ponto. Acho que o final do protagonista é justo. Tendo em conta o seu passado, acabar sozinho, simulando a sua própria morte, faz todo o sentido. Até porque entende que aqueles que o rodeiam acabam por sofrer por sua culpa. E faço parte do grupo que o prefere ver sozinho em vez de feliz com uma vida nova na Argentina ao lado da sua grande paixão, Hannah McKay e do seu filho, Harrison. Dexter nunca conseguiu ser realmente feliz. Por isso, não fazia sentido um final alegre ao estilo de um filme romântico.
Depois do que passou, por causa do irmão, não sei se Debra merecia morrer. Aceito que optem pela sua morte porque isso agrava a dor de Dexter e faz com que queira ficar sozinho, com medo da morte do filho e da mulher que ama. É algo que aumenta, e muito, a dor do final e o dramatismo. Mas, depois daquilo por que passou, acho que Debra merecia uma morte mais forte que não passasse pelas mãos de um vilão que não é o melhor das temporadas. E muito menos que fosse o resultado de uma complicação depois de uma operação na consequência de um tiro. Existem também alguns detalhes, como a morte de Saxon, que soam a forçados e que estão longe do brilhantismo inicial de Dexter. Entendo também que os restantes personagens mereciam um maior destaque no final. Fica a sensação que, a determinado momento alguém se lembrou de que a série tinha de acabar e aquilo é tudo feito à pressa. Por outro lado, é um daqueles finais que deixa tudo em aberto (apesar de não ser muito provável que exista uma continuidade). A qualquer momento, aquele novo Dexter que surge sozinho numa casa medonha pode reaparecer caso exista vontade de dar continuidade à sua vida.
Agora, sem Dexter e com a nona temporada de 24 consumida em poucos dias, está na altura de me entregar a novas séries. Aceito dicas daquela(s) que consideram ser a(s) melhor(es) séries. Daquelas que nos predem à televisão.