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22.12.22

depressão e um tiro na cabeça

Durante muito tempo tive uma rotina para as noites de sexta-feira. Ia buscar pizza e jantava com a minha mulher no chão da sala. Isto enquanto víamos na televisão o So You Think You Can Dance.

Foi deste modo que conheci o tWitch. Que rapidamente se tornou num dos meus preferidos. Desde então que fui acompanhando o que fazia e, por exemplo, dei por mim, durante o confinamento, a fazer uma aula de dança com ele e com a mulher num live nas redes sociais.

É certo que não conhecia o tWitch de lado nenhum. Mas fiquei de rastos pela notícia da sua morte. Com o relato do suicidio na casa de banho de um quarto de motel. Pensei imediatamente nos filhos pequenos e na mulher. E desde então que dou por mim a pensar nele e na vida.

Não se deixem levar pelas aparências. A depressão não ataca apenas quem está na “merda” e tem problemas na vida. Também afecta quem tem a vida com quem sempre sonhou e está sempre de sorriso estampado no rosto.

Cabe a nós olhar por todos os que nos rodeiam. Perguntar se estão bem. Não deixar aquele telefonema para o amanhã que é sempre amanhã. Não se deixem iludir pelo “esse está bem na vida que tem tudo” porque pode não ter nada. Foquem-se nas coisas boas da vida e estejam lá em todos os momentos. Para que cada vez menos pessoas pensem que a melhor solução é morrer.

26.7.22

a perigosa consequência das ondas de calor que pode ser mortal

Portugal tem vindo a lidar com altas temperaturas e o excesso de calor pode ser o ponto de partida para o agravamento dos sintomas de quem lida com problemas de saúde mental. É realçado que no extremo é algo que pode mesmo levar ao suicídio. Isto segundo a opinião de médicos ouvidos pela rede de televisão Telecinco, que apontam a falta de sono com um dos focos do problema.

É salientado que temperaturas acima dos 40 graus podem originar alterações de humor naqueles que lidam com depressão e ansiedade. Sendo que um trabalho, mencionado pelo canal, realça que por cada aumento de um grau da temperatura média mensal, aumenta em 2,2% as mortes relacionadas com a saúde mental. Com os mais vulneráveis a serem as pessoas com mais de 65 anos. Outro dado de relevo é o facto de que o calor pode acentuar negativamente os efeitos secundários dos medicamentos psiquiátricos ou tornar a acção dos fármacos menos eficaz.

O canal dá ainda destaque a um estudo britânico que refere que o aumento das taxas de suicídio é de 3,8% por cada grau da temperatura média que sobe. Por fim, é ainda referido que um número cada vez maior de estudos associa o crime às temperaturas elevadas. Algo que está a ser relacionado ao impacto em hormonas e funções cognitivas.

16.2.22

o bullying venceu, mas não pode continuar a ganhar

Chamava-se Drayke Hardman.
Tinha apenas 12 anos.
Adorava basquetebol, torcia pelos Utah Jazz e sonhava jogar um dia na NBA.

Este texto começa no passado. Pelo simples facto de que Drayke Hardman já não está neste mundo. Esta criança entendeu que a solução era matar-se. Vítima de bullying enforcou-se no quarto com a própria roupa. É muito doloroso, mas reforço, enforcou-se com a própria roupa. O corpo foi encontrado no chão pelas irmãs. Foi prontamente assistido, mas acabaria por morrer na manhã seguinte.

Pensei sobre a eventualidade de partilhar esta história. De partilhar as fotos. De tocar no tema com uma brutalidade com que ninguém deveria ter de lidar. Mas decidi fazê-lo. A começar pelo facto de esta história ser dada a conhecer pelos pais de Drayke. De as impressionantes fotos (em que os pais se despedem do filho) terem sido partilhadas pelos pais. E porque é preciso falar disto. Para que nenhuma criança tenha de passar pelo mesmo.

“Como é que um menino de 12 anos, que era ferozmente amado por todos, acha que a vida é tão difícil que precise de acabar com ela?”, pergunta Samie Hardman, mãe do menino. “O meu filho lindo estava a travar uma batalha de que nem eu o poderia salvar. É real, é silencioso e não há nada, absolutamente nada, como pai, que se possa fazer para retirar essa dor profunda”, acrescenta.

“O que poderia fazer um menino de 12 anos perder a esperança no seu coração a ponto de amarrar o capuz no pescoço para se matar? Uma palavra: BULLYING”, escreve o pai. “Acordei esta manhã mais zangado do que alguma vez estive na vida. Culpo-me? Culpo o bully do meu filho? Culpo o sistema! Culpo o facto de esses bullies sequer existirem! Como é que existe tanto ódio no mundo ao ponto de permitirmos que crianças magoem outras crianças? É simples… é algo que fazemos uns aos outros e eles aprendem que é normal alimentar a falta de confiança. Acham que isso faz com que pareçam porreiros”, desabafa o progenitor.

“O meu filho nunca irá casar, nunca irá ser pai. Merda, ele nunca terá um qualquer futuro. Tudo por causa de uma criança cobarde. O que merece este rapaz por tratar o meu filho como se nem fosse humano? O que aconteceu para que ele, e os seus amigos cobardes, se transformasse num fã de ódio. Foram os pais? Não tenho respostas, mas sei que ISTO TEM DE ACABAR AGORA”, conclui.

Esta é uma história com um final trágico. Infelizmente, uma de muitas. E existem aqui pontos que são importantes de salientar. Como refere a mãe, esta é uma dor que se vive em silêncio. O menino chegou a aparecer com um olho negro em casa e mentiu aos pais para não os preocupar. Por outro lado, o pai destaca o comportamento entre adultos. Que faz com que as crianças achem normal que se tratem mal umas às outras. Como sendo algo que lhes confere um ar cool.

Como pai é uma realidade que me assusta. E muito. Cabe a todos nós fazer deste um mundo melhor. Cabe a todos nós fazer de nós adultos melhores. O que fará com que, como consequência, as crianças sejam também melhores. Como dizem os pais de Drayke: isto tem de parar.

#DoItForDrayke

Contactos de prevenção à violência e suicídio

Linha de apoio à vítima da APAV
116 006 (chamada gratuita)
Linha disponível dias úteis das 09h às 21h

SOS Voz Amiga
213 544 545
Linha disponível diariamente das 15h30 às 00h30