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26.3.15

agora escrevo eu #34

Neste texto, no passado fim-de-semana, brinquei ao dizer que era a “única” pessoa que não tinha estado na meia maratona de Lisboa. Nos comentários desse post expliquei que entendo que correr está na moda e que muitas pessoas ignoram a preparação necessária para uma prova destas. Correm porque é giro correr, porque todos correm e para partilhar imagens nas redes sociais. Um dia depois, recebi um email de um amigo que já foi atleta federado e que também correu a meia maratona de Lisboa. Como existem modas que podem ser perigosas, aconselho a leitura deste texto/relato de alguém que já levou a corrida muito a sério. Obrigado pelo texto.

“Li o texto que escreveste no blogue sobre a corrida e gostaria de partilhar a minha experiência enquanto foi atleta federado, isto caso não te importes.

Ao ler o teu texto, falas sobre algo muito importante e que muita gente desconhece, os seus limites, correr porque está na moda não é correcto, fazer uma meia maratona sem se treinar e sem se ter um acompanhamento correcto é ainda pior. Passo a falar da minha experiência pessoal enquanto atleta, em treinava todos os dias cerca de hora e meia a duas horas, sempre acompanhado por uma equipa constituída por médico e um treinador especializado em corrida.

Começando pela parte médica, ia fazer exames ao centro de medicina desportiva de 6 em 6 meses, e era ainda acompanhado pelo medico do clube que, nos controlava regularmente quer fosse através de análises de sangue quer fosse através de electrocardiograma normal ou de esforço, em que nos eram receitados alguns produtos para tomarmos, para nos ajudar a ter um equilíbrio fisiológico, no meu caso quase sempre era receitado duas vezes por ano magnesona para ajudar na recuperação muscular, e nas cãibras quais eu sofria muito.

A nível do treino era acompanhado por um treinador especializado, o qual me estipulava um plano de treino adequado aos meus objectivos. Treinava arduamente para esticar um pouco mais os meus limites, habituar o meu corpo a um grande esforço e a uma rápida recuperação, podia passar horas a falar sobre este tema, mas não o vou fazer.

No início desta minha aventura, não conhecia os meus limites, e por algumas vezes os ultrapassei caindo em lesões e fases de provas em que tive que abandonar e ser assistido pelos médicos, depois comecei a treinar com aquele que me ensinou muito sobre este desporto e que através de alguns testes físicos, definiu o meu limite e com um planeamento do treino me levou atingir novos limites, para os quais tive de trabalhar muito e ter muita calma, para os atingir.

Ao fim de alguns anos fiz a minha primeira meia maratona da ponte 25 Abril, com o tempo de 1 hora 16 minutos.

Com isto apenas quero dizer que quem pretende fazer corrida como desporto deve conhecer-se primeiro, fazer exames para ver se não existem problemas que impeçam a prática desportiva, e se possível procurar uma pessoa especializada para ajudar a melhorar e correr melhor, pois correr também tem técnica, não basta só sair de casa com uns ténis xpto e somos logo bons.”

5.3.15

agora escrevo eu #33

Considero-me um eterno apaixonado e um romântico que sempre o será, por maior que seja a dor que o amor possa motivar ou feridas que possa deixar. E já não sei o número de conversas que tive em que se falou do amor. E em acabaram por levar até ao “quando se gosta” que serve para explicar que não existem problemas nem obstáculos no amor. Existem apenas soluções. E é esse o tema deste maravilhoso texto da Pê. Um texto mais do que recomendado para românticos.

“Quando se gosta não há desculpa. Não há falta de tempo. Não há cansaço, não há horas. Não há nada que nos impeça de estar ali, ao lado de quem se quer. Para além do trabalho, onde durante essas horas se bombardeia o objecto do nosso amor com mensagens infindáveis e lamechas, tudo o resto é contornável.

A chuva e o sol aparecem quando devem, só para tornar cada momento mais especial. Toda a gente nos lê nos olhos e nos perdoa as ausências. Os amigos sorriem, estão felizes por nós. Nós estamos felizes. E o mundo sorri para nós.

Dorme-se menos. Come-se a correr. Trocam-se horários. Desdobramo-nos em festas e situações, só para podermos fugir e ir ter com. É isso que nos faz acordar com um sorriso estúpido depois de 2h de sono. Não há motivos, não há doenças. Não há cafés nem há compromissos. Não há impossíveis, nem falta de dinheiro. Não há nada que nos separe.

Só há vontade e borboletas. Conversa deitada fora, porque se quer conhecer mais e mais. Não há monólogos, só perguntas. Porque nos queremos actualizar de todos os anos que não estivemos ali. Comentários, cabeças na lua e sorrisos estúpidos. Frases sem sentido, olhares brilhantes. Problemas que deixam de existir. E um único objectivo, estar ali.

As horas são minutos, as frases são palavras e um beijo é tudo. As promessas são eternas, as mãos dadas são compromissos e os segredos são selados com um sorriso cúmplice. Faz-se das tripas coração, sem sequer se ter consciência disso.

Queremos apresentá-lo ao mundo para que toda a gente veja e se deslumbre, como nós nos deslumbramos. Para que toda a gente entenda o porquê do sorriso sem motivo. E perguntamo-nos como é que algum dia ousamos estar tristes se neste momento temos a certeza de que somos as pessoas mais felizes do mundo.

As músicas têm novas letras, os braços abrem-se e só queremos dançar, enquanto gritamos bem alto que aquela pessoa é nossa. E que nós somos dela. E que assim é que sempre devia ter sido.
Mas tudo tem um propósito. É um sentimento egoísta, só queremos o nosso bem, e esse só é atingido se o outro estiver connosco. Porque é o que somos quando o outro está presente e o que sentimos por ele que importa.

É querer mudar o mundo, achar que tudo é possível, acreditar que sempre devia ter sido assim. Não entender como é que até agora podíamos ter sido felizes se nos faltava uma parte tão importante. E acreditamos que vai ser infinito. Não só enquanto dure, não. Neste momento acreditamos que o infinito é eterno.

As pernas tremem só de o ver chegar. Um sorriso salta só porque sentimos que está a olhar para nós. O coração quase que pára quando ouvimos o nosso nome dito por aquela boca, com aquela voz. Aquela boca que nos dá os melhores beijos. A voz que nos faz suar frio.

Trocamos a festa do ano por cinco minutos com direito a um beijo e um xi apertadinho. Fazemos quilómetros só por um olá. Não conseguimos engolir só porque ouvimos uma palavra bonita. Acordamos a meio da noite só porque queremos ter a certeza de que a outra pessoa está ali, que não é só um sonho bom. Sonhamos acordados, e vivemos em sonhos, porque o dia só tem 24h. Um toque no cabelo que nos faz arrepiar, um beijo que nos faz desejar o mundo. Agarrá-lo para sempre, esperar que o tempo pare e passar a eternidade assim.

E não há desculpa para não estar.
Para não telefonar.
Para não ir.
Para não dormir.
Para não dizer.
Para não andar.
Para não abraçar.
Para não ouvir.
Para não contar.
Para não sentir.
Para não tremer.
Para não dançar.
Para não suar.
Para não correr.
Para não sorrir.
Para não cantar.
Para não ferver.
Para não ter.
Para não beijar.
Para não viver.
Para não ser.
Não há desculpa.
Porque quando se gosta…”

19.2.15

agora escrevo eu #32

Depois de alguns meses de ausência, volto a dar vida a este espaço onde publico os textos que me enviam. Para já tenho de pedir desculpa a quem me enviou textos que ainda não publiquei. Peço desculpa pelo meu desleixo mas todos os textos vão ter o seu espaço aqui. Recordo também que quem quiser participar – pois esta rubrica não tem data de validade – só tem de enviar um email para homemsemblogue@gmail.com com o seu texto e com “agora escrevo eu” no assunto do mesmo. Identificar o autor do mesmo é algo que deixo ao critério de quem envia o texto.

Para recuperar este espaço publico um texto de Ana Tavares, autora do blogue A mamã é só Minha, e que tem como tema a polémica em torno dos sacos de plástico que passam a ser vendidos a dez cêntimos. Será que pagar por um saco faz de nós amigos do ambiente? Será que é assim que se resolvem os problemas? Ou será que nos querem enganar fazendo de nós amigos do ambiente a troco de dez cêntimos o saco? No seu texto, que começou por ser um desabafo na sua página pessoal de facebook, Ana defende o seu ponto de vista, recorrendo também a duas imagens para passar a sua mensagem.

“0,10€ por um saco de compras?

A sério? UAU! Parece que, finalmente descobriram a fórmula mágica para acabar, com essa praga de sacos inúteis. Vou começar a dar esse dinheiro todo por um saco, como penalização pelas poucas vezes que me esqueço de levar o meu saco amigo do ambiente às compras, e pelas vezes que preciso de sacos de plástico para colocar nos baldes de lixo e da reciclagem cá em casa. Senhores governantes, já pensaram que, se calhar, graças às vossas políticas de austeridade, há por aí muitos portugueses que nem dinheiro têm para comprar sacos reutilizáveis? Se calhar não! Pessoas, que “enchem o papo”, à custa do povo, dificilmente têm a capacidade de se colocar no lugar do outro.

É isso mesmo, levem tudo o que puderem, extorquem-nos até ao tutano! Alguém tem de pagar os vossos carros de alta cilindrada, não é? Já agora, até posso dar uma sugestão, e que tal começarem por dar o exemplo e trocarem os vossos luxuosos automóveis por carros eléctricos? Se calhar fazia alguma diferença no ambiente, não?

Esta medida não vai melhorar em nada o ambiente, apenas vai penalizar os portugueses. Porquê? Porque a culpa não é dos sacos. Se os sacos vão parar ao mar, conforme alegam, a questão é outra: falta de civismo.  Considero uma tremenda injustiça castigar uma nação inteira, porque há pessoas que não são responsáveis pelos sacos que usam. Provavelmente são as mesmas que atiram beatas para o chão, lenços de papel, e outro lixo…  E que tal apostarem mais na educação? Seria bem mais benéfico e traria resultados em mais áreas.

Não tenho formação na área do ambiente, mas tenho outra coisa, que vocês governantes, que apenas sabem subir e aplicar impostos, não têm! Tenho um enorme respeito pela Natureza. Reciclo tudo, mesmo tudo! Sou dos melhores exemplos que conheço a poupar água. Sempre que possível compro o que é nosso, para evitar que os produtos viagem kms. Olho para as embalagens e escolho com consciência.


E é aí que deviam intervir, só para começar. Que tal aplicar multas às empresas que enganam o consumidor com grandes embalagens mal cheias e que não respeitam o meio ambiente? Proibir a entrada de produtos em Portugal com embalagens mal cheias, e criar uma lei que obrigue as nossas empresas a ajustar as embalagens/invólucros à quantidade de produto. Pegávamos em menos peso a transportar as compras pelas escadas acima e poupávamos também dores de costas e idas ao centro de saúde, comprávamos menos medicamentos e fazíamos menos lixo… Com um simples gesto como este, ficávamos todos a ganhar, inclusive mais espaço na despensa e nos Eco Pontos.

Por outro lado, os transportes de mercadorias ganham mais espaço e podem transportar mais produtos por viagem, reduzindo dessa forma milhares de viagens e também emissões de gases poluentes emitidos pela queima dos combustíveis, que por sua vez, reduz também o aquecimento global.

O que é que vai acontecer agora? Os portugueses vão resistir durante alguns meses e não vão comprar os referidos sacos, optando pelos sacos ditos “amigos do ambiente” (alguém vai ganhar muito dinheiro com isto). Entretanto vão-se esquecendo e habituando-se ao novo preço dos sacos e voltam aos velhos hábitos (alguém vai ganhar muito dinheiro com isto).  Quanto ao ambiente esse vai continuar no esquecimento porque tudo isto não passa de uma manobra para encher os cofres de alguém. Se a preocupação com o ambiente fosse verdadeiramente genuína, havia tanto a fazer…”

Ana Tavares
Autora do blog “A mamã é só minha” 

5.6.14

agora escrevo eu #31

Já dizia, e bem, o Miguel Esteves Cardoso que o amor é fodido. O amor, e aquilo que provoca a cada um de nós, origina os maiores picos de sentimentos que podemos viver. No topo, quando amamos e quando nos amam de volta. No fundo do poço, sem luz do Sol, quando sofremos por amor. Podem escrever-se duzentas linhas, a cada minuto, sobre amor que o tema nunca irá esgotar-se. E nunca existirá uma certeza sobre tudo. Mas que o amor é fodido, lá isso é.

“NADA AGORA!

Acho que já não me sinto, o meu corpo não me obedece, abandonou-me, deixou-me a desejar parar de me mover e pede-me a cada dia que desista e que acabe como tu, no lugar para onde te perdi!

Lutar foi o que fiz, o desejo de que houvesse um erro, de que fosses mais forte e que o nosso amor bastasse para empurrar o que te consumia, pareceu a opção certa.

Nunca te deixei sentir o anoitecer, nunca te abandonei, ofereci-te o que desejava para mim mesma, tive-te, tivemo-nos, com uma intensidade e velocidade que nos permitiu tocarmo-nos bem dentro, sermos um só e estarmos vivos enquanto a morte nos rondava a ambos.

Deixei que acordasses com o meu olhar vibrante, mesmo após tantas noites em claro onde te olhava e vigiava o sono inquieto. Percorri todos os pedaços do corpo que me enlouqueceu de amor e memorizei cada sinal, os músculos que fraquejavam, os cabelos que cheirava para te armazenar. Foram tantas as vezes que consegui estar dentro de ti, viajar para o lugar onde te perderia, tocar a tua alma e gritar em silêncio que se te perdesse não iria resistir...

Foi a caminhada mais difícil da minha vida, fi-la ao teu lado, liderei-a algumas vezes e recuei para que brilhasses durante o tempo que te restava.

Não sei de que forma me conseguirei reconstruir, se alguma vez voltarei a ter voz, ou a sorte de morrer de amor, de me deitar quieta e já não acordar. Não consigo sentir-me, estou tão vazia que me dói respirar. Os sons que me acompanhavam não existem mais, nem a música me envolve, agora apenas nada!”

29.5.14

agora escrevo eu #30

Tenho uma irmã mais velha. São oito os anos que nos separam. Tivemos a fase das turras e também, entre muitas outras, aquela em que saíamos os dois para ir para a noite. “Deu-me” a única sobrinha que tenho e é uma das pessoas que mais amo na vida e por quem sou capaz de tudo. Talvez por isto, acho um especial encanto em relatos de histórias protagonizadas por irmãos que também têm alguns anos de diferença, como é o caso deste relato da Pintarolada, autora do blogue Pintarola que, apesar do nervosismo, teve a coragem de abordar um tema sobre o qual muitos adultos não falam com os mais novos.

“Sempre tive uma certa relação de protecionismo em relação á minha irmã. Talvez demais! Erro meu. Talvez por ser uns dez anos mais velha! Temos sempre uma tendência para pensar, ou pelo menos querer, que aquela pessoa que sempre protegemos tome decisões mais corretas que as nossas. No nosso inconsciente essa pessoa tornar-se-á no reflexo das melhores escolhas que poderíamos ter tomado no passado.

Agora que ficamos cá as duas, imaginava que as questões relacionadas com namorados seria algo perfeitamente adiável, de um futuro longínquo. Que inocente que és, pensam vocês. Pois era! Um dia, andava eu de volta dos tachos na cozinha, ela vem-me contar que tem um namorado! A minha reação foi como se ela me estivesse a contar que estava grávida ou a snifar cocaína. Quase que me dava um piripaque, sentei-me na cadeira, com a cabeça afundada nas mãos a reter toda a informação. Disse que a coisa é séria, já tem uns três ou quatro meses, já lhe deu uma rosa, duas caixas de chocolates e um CD dos One Direction (original! Importante para comprovar a veracidade do amor). Nada de piercings ou penteados duvidosos, não fuma, não ouve música estranha, não é gótico, usa as calças no lugar correto! Todos estes argumentos para acalmar o meu espírito inquieto. Lá tive que aceitar os factos: a minha irmã mais nova, aquela que ainda há bem pouco tempo me fez ficar colada à porta do bloco onde nascem bebés, na esperança de que um choro me fosse familiar, mesmo sem nunca o ter ouvido! Pulei de alegria quando a enfermeira vinha com uma espécie de embrulho na minha direção e do meu pai: confirmou-se que o bebé com choro mais esganiçado era mesmo o dela! Fez-me sentir incrivelmente feliz quando vi a língua multicolorida de tanto chorar, até que achei que era uma bebé feia mas ainda assim achei-a o máximo e não a trocava por nada porque, logo da primeira vez nos vimos, vi olhos prometedores de muitas alegrias. A minha irmã que ainda ontem corria de fraldas para o meu quarto para que lhe lesse uma história ou a levasse ao parque. Parece que foi ontem que lhe caíram os dentes da frente e revejo mentalmente a cara endiabrada que fazia para as fotos, sem dentes, carinha gorducha, que se prometia portar-se bem com a promessa de um ovo Kinder. Nunca se portava bem! E naquele dia, estava eu na cozinha e ela, agora mais alta que eu, cabelos indomáveis, cheios de caracóis, com um sorriso de arrasar qualquer um (mas que preferia que não fosse para já) vem contar-me que um marmanjo qualquer anda a dar-lhe beijos na boca e anda de mão dada com ela na escola!! Nem queria acreditar que a minha irmã já soubesse dar beijos na boca! 
Acabamos as duas num abraço, ela mais piedosa que eu, a dar-me palmadinhas nas costas! Parecia que me tinham tirado o chão. Não estava preparada para lidar com isto. Muito menos sozinha.

Contei a uma amiga. Aconselhou-me a falar-lhe em preservativos. Achei que estava louca! É muito cedo para isso. Porém, a realidade começou a dar de si e tive a percepção que estava na altura de termos "a" conversa que qualquer pai ou mãe costuma ter. Dizem que por ser irmã mais velha ainda é melhor, que isso faria-a sentir-se mais á vontade. Mas quer-me parecer que a única pessoa que não estava nada confortável era eu. 

Estávamos no carro, depois da escola. Respirei fundo e disse:
Eu: Precisas de ir ao médico?
Ela: Para quê?
Eu: Não sei. Sabes o que é a pílula?
Ela: Sei (com cara de: pergunta estúpida)
Eu: Se bem que eu espero que não andes a fazer nada disso, és muito nova!
Ela: Claro que não M., não sou maluca! Sei que sou muito nova para isso!
(Silêncio, muito silêncio)
Eu: (2 minutos depois): Sabes que já tens idade pra coiso não sabes?
Ela: Uhm coiso, o quê?
Eu: En...engravidar (ufa, nem acredito que consegui dizer)!
Ela: Ahahahah, sei! M. posso ensinar-te como se tem uma conversa com uma adolescente sobre este assunto?
Eu: (nãomeacreditoqueelavaidizeroqueerasupostoeudizer)
Ela: (virada para a frente, como se fosse eu a falar e a pessoa imaginária fosse ela): R. és muito nova, tens que ter cuidado para não estragares a tua vida até porque já és uma mulherzinha e podes engravidar e certamente não quererás isso. Por isso, nada de relações sexuais com rapazes. Quer dizer...com raparigas também não convém (Oi? O que fizeram com a minha irmã?)!

Portanto, neste momento, a minha irmã vai recordar para sempre a primeira conversa constrangedora como algo absolutamente cómico, vulgo, esquisito, em que a irmã mais velha diz algo como: "sabes que já tens idade para coiso"! Está bonito está...Definitivamente, este assunto exige parte II e desta vez vou encher-me de coragem e mentalizar-me que a minha irmã já deixou as fraldas!”


9.5.14

agora escrevo eu #29

Este é um dos textos mais complicados que me chegaram. Em primeiro lugar, pela situação em si. Depois, por ser de alguém especial, as palavras e atitudes mostram que o é, que me acompanha há muito tempo e a quem me atrevo a chamar de amiga, esperando que não leve a mal. O que está escrito neste texto é partilhado por mim e já tive oportunidade de escrever sobre o tema. Existem pessoas cuja sensibilidade em torno da gravidez dos outros é completamente nula. Acredito que não seja por mal, mas muitas pessoas não colocam a hipótese de que simplesmente existem casais que tentam muito ter um filho mas que, infelizmente, não conseguem. E, quando as pessoas até ponderam sobre essa hipótese, nunca têm coragem para falar dela. Optam sempre por outros caminhos. E a ausência de sensibilidade faz com que não percebam a dor que pode provocar uma simples e aparente divertida frase como “vais ficar para tia/tio” ou passar dias a perguntar por filhos. Quero agradecer a quem me enviou este texto, e que me pediu anonimato, pela coragem para dizer tantas coisas certeiras que muitas pessoas pensam mas que poucas têm coragem de dizer.

“Tu não és mãe, não sabes!

Desta forma exteriorizo aquilo que não posso com muitas (ou todas) as pessoas que conheço. Desta forma exponho os meus sentimentos, os mais crus e sinceros. O grito, a dor, o desabafo: 

NÃO SOU PORQUE NÃO CONSIGO!

Todas adoram falar-me das experiências da maternidade, muitos adoram confrontar-me com o facto de ainda não existirem na minha vida, poucos (para não dizer nenhuns) são capazes de abrir um pouco mais os olhos e tentar compreender o que se pode passar do lado de cá.

Uma mãe que pressiona, uma sogra (na verdadeira aceção da palavra) que menciona (demasiadas vezes, para ser simpática) o assunto, amigos que se mostram um pouco insensíveis.

Quero, QUERO MUITO! Se calhar é melhor não, não fui talhada para isto! Não, não quero, se calhar nem mereço… um ciclo de pensamentos que se vai repetindo ao longo do tempo e que oscila entre a expetativa, a esperança e a defesa causada pela desilusão, mês após mês, ano após ano… 

Às vezes até me engano, digo que não penso nisso… digo que a prioridade é o trabalho, gozar a vida, aproveitar enquanto não os tenho… tudo mentiras! Tudo camuflagens do sofrimento que não quero que os outros vejam.

Alturas há em que não compreendo esta sorte madrasta, em que me sinto sob um desígnio maldito qualquer. Sei que muitos passam por isto, mas quando olho para trás e vejo o tempo que já passou sou egoísta porque me sinto incompleta. 

Quero tanto aquele amor incondicional. Quero tanto abraçar, mimar, encher de beijos alguém meu, de mim. Quero aquela preferência que os bebés têm sempre pela mãe em preferência de qualquer outra pessoa. Quero passar noites em claro e estar sempre a prestar atenção às asneiras. Quero sorrisos e quero preocupações. Quero saber! Quero ser mãe!”

3.4.14

agora escrevo eu #28

Acredito que tudo pode originar um bom texto. Quer seja a pedra a que demos um pontapé logo pela manhã, uma música que passou na rádio ou o amor da nossa vida. Aliás, até um piaçaba pode originar um texto cheio de brilhantismo que se ramifica para diferentes temáticas. Algo que foi feito com mestria pelo Cronista da Parvoíce.

"A Importância do Piaçaba na nossa Sociedade (este tema foi sugerido pelo Nuno Pereira)

No limiar das nossas forças, e em situações de grande dificuldade, surgem sempre grandes ideias. Muito por influência do que nos rodeia. Uma revista no chão. Um rolo de papel higiénico. O bidé. E mesmo aquela estranhíssima escova de dentes gigante: o piaçaba. Confesso que sempre achei o Feng Shui sanitário muito inspirador. A casa de banho possui um incrível poder. Consegue retirar o melhor e o pior que há em mim. E sempre quando estou sentado na sanita.

Nos momentos de grande concentração, patrocinados pelo meu drunfo intestinal, várias questões de importância capital assolam a minha mente. Será que as pessoas cegas conseguem ver os seus sonhos? Será que as agulhas para as injecções letais dos condenados à morte são esterilizadas? Será que o papel higiénico vai chegar? É incrível nas merdas em que uma pessoa pensa enquanto caga.

Num desses grandes momentos de reflexão, comecei a olhar para o piaçaba doutra forma, e percebi o quão é importante numa sociedade moderna. Muitos consideram o seu valor discutível, e menosprezam a sua utilidade. Estes habilidosos do sem-espinha são indiferentes a terrível crise identitária que ele sofre. Verdadeiro Patinho Feio das casas de banho é gigante no mundo das escovas-de-dente e anão no reino das vassouras.

Mas na verdade, o piaçaba é mais que um utensílio sanitário, é a ferramenta primordial para a nossa sobrevivência social. A sua importância transcende a sua existência física. A sua essência metafórica é o espelho do nosso comportamento em sociedade. As nossas vidas estão repletas de excrementos sociais. Porcaria que fizemos, voluntaria ou involuntariamente, e da qual nos libertamos, nos limpamos. O piaçaba social intervém nestas situações, nos momentos em devemos proteger os que nos rodeiam. Evitar os danos “culaterais”.

Por norma, eu não gosto de usar as casas de banho dos outros. Quando o faço acontece sempre desgraças. Lembro-me de uma vez em que o piaçaba salvou a minha vida social e sexual. Nesse dia tinha ido jantar a casa da Joana, e sabia que o desfecho da noite só poderia ser um. Era noite de espalhar magia, entre outras coisas. Ela estava na cozinha quando senti a tragédia bater a porta. Eram gases, mas não só. Uma verdadeira “cocótástrofe”. Tentando libertar-me dessa trovoada intestinal, fui a correr para a casa de banho. Maldito cozido da véspera. E depois de alguns minutos de esforços imensos, ganhei finalmente a luta contra a minha barriga. E num gesto vitorioso, como que mandando foguetes, puxei o autoclismo. Mas infelizmente, tinha cantado vitória cedo demais. No fundo da sanita, permanecia o esforço dos minutos anteriores, o cocó rebelde. Estupefacto puxei novamente o autoclismo. Mas incrivelmente, e num esforço quase sobre-humano, o meu cocó resistia no turbilhão da sanita. Ele parecia insubmersível.

Nunca vira um assim. Uma verdadeira força da natureza. Ao menos tempo, estava a espera de quê? É meu. Num ato de desespero, puxo novamente o autoclismo, e digo adeus ao meu bravo cocó com um misto de alívio e tristeza. Mas não fora embora sem lutar, e deixara as marcas da sua resistência na sanita. Felizmente, havia uma piaçaba por perto e eliminei as provas do crime. Logo depois fui ter com a Joana, e disse-lhe que deveria chamar um canalizador para arranjar a casa de banho. É inadmissível ser preciso puxar 3 vezes o autoclismo por causa de uma mijadazinha de nada. Nessa noite, o piaçaba salvou-me a noite e verifiquei que é realmente o instrumento ultimo para sobrevivência social."

20.2.14

agora escrevo eu #27

Existem pessoas que passam o tempo a lamuriar-se das coisas da vida. Pessoas que entendem ter os maiores problemas do mundo. Para essas pessoas tudo é um caso de vida ou de morte, quando na realidade a maior parte dos seus problemas não passam de coisas simples. São aquilo a que se costuma chamar uma tempestade num copo de água. Este texto, cuja autora me pediu o anonimato, é, num primeiro impacto, um forte murro no estômago. Depois, cabe a cada pessoa que tiver oportunidade de o ler, transforma-lo numa sábia lição de vida. Pode parecer um simples texto mas é muito mais do que isso.

Uma palavra especial de apreço para a autora. Obrigado por teres desistido da ideia de não partilhar aquilo que escreveste e que, a meu ver, muitas pessoas precisam de ouvir ou necessitam de alguém que tenha coragem de lhes dizer aquilo que aqui transmites. Muito obrigado.

“Ninguém sabe prever quando termina, nem como a viagem, apesar de pensarmos que sim, que sabemos, por vezes até temos a arrogância de ter certezas, no fundo só queríamos era ter o dom de fazermos com que na nossa vida só acontecessem coisas boas, a nós e a todos aqueles que amamos.

Mas o livre arbítrio da vida aparece e acaba, no meu caso, com uma história de amor de 30 anos, entre colegas de escola, amigos e mais tarde namorados apaixonados e unidos pelo amor e vivência de casados e pais. Em poucos segundos, o que até aí era uma tarde perfeita de férias de Verão, a que era o tempo de desfrute da praia, de dias a dois, muito namoro, muitas fotografias, muitos passeios pela Meia-Praia, por Lagos, por Marvão, noites frescas e estreladas, sol a escaldar e banhos de mar, tempo de amanhãs, o coração traiu um dos passageiros e assim termina a viagem e a minha história de amor. Ficámos a 20 dias de comemorar e festejar 24 anos de casados, até àquela tarde tínhamos tempo, falávamos no futuro, íamos fazer e acontecer. Mas não tivemos sequer uma segunda oportunidade, a vida foi inesperada e brutalmente interrompida. O meu marido morreu de paragem cardio-respiratória um mês depois de fazer 48 anos.

Por isso tenho a ousadia e infelizmente legitimidade para vos dizer que se deixem de "mariquices" e vivam as vossas vidas numa de paz e amor.”

13.2.14

agora escrevo eu #26

Gosto de pessoas que são como são. Que não se vendem com base em detalhes que acham que vão ficar bem aos olhos dos outros. Gosto de pessoas que dizem como são. Mesmo sabendo que isso pode não ser do agrado da maioria. Eu sou assim. Queres, ficas. Não gostas, não te censuro. E este texto ajuda a descobrir que ainda existem pessoas assim. Obrigado Su.

“Esta sou eu...
Para quem gosta, ou odeia, para quem acha que é demasiado, que me afasto e me torno inacessível, mas esta sou eu e quero-me assim...

Vou ter que fazer pequenos ajustes, eu sei, mas a essência está toda lá.

. Sou genuína, sei como dar e continuo à espera de receber de igual forma.
. Não há nada que não faça para transformar a pessoa que amar no ser mais feliz do planeta.
. Gosto de vibrar com as notas das músicas que me entram intensas na alma e no corpo que se move seguro, sensual, capaz de mudar os dias mais cinzentos.
. Tenho o meu Universo rodeado de palavras e dou-lhes o valor que merecem, sem nunca abdicar de querer do outro lado, quem as use tal como eu, que lhes conheça o significado, que as tenha presentes.
. Sou de gargalhada fácil, e sei como iluminar vidas, lugares, espaços onde apenas a positividade deve imperar para que se abafem os momentos menos bons.
. Sou uma mulher com fome de conhecimento, de sons, de espaços novos, de pessoas que pretendo me acrescentem valor à vida.
. Tenho sonhos dos quais não abdico e asseguro-vos que ainda não viram nada.
. Por fim e não menos importante, sou a mãe que concebo, a única que me serve para modelo, porque o melhor da minha vida foi quem criei e acompanharei sempre, nos percalços, nas conquistas, nas derrotas, mas sempre com colo, com apoio, com a segurança que apenas eu sei proporcionar. São os meus 3 filhos que me fazem assim, a pessoa de quem se recordarão sempre, e que poderão ter como modelo, mesmo nas falhas que sei ter. Se sou tudo o que reconheço hoje, é simplesmente porque não os quero, em momento algum, defraudar. Ainda lhes vou dar e fazer conhecer os mundos dos quais falamos e nos dizem tanto. Vou continuar a tentar erguer as barreiras que lhes serão valiosas para amortecerem as quedas inevitáveis.

Esta sou eu, e tenho alguma pena que quem melhor me conhece não esteja tão perto tanto quanto desejaria, mas aprendi a ter a força de que necessito para me segurar sempre que me apetece desistir, vacilar, parar de lutar. O meu espaço só se poderá estender e a cada dia trabalharei para ser sempre melhor, eu e eu mesma sabemos que assim é!”

Feelme

30.1.14

agora escrevo eu #25

A emigração é um tema que já passou por este espaço. Desta vez, a Vera junta a emigração à utilidade dos blogues. Para aqueles que pensam que os blogues não servem para nada, partilho um belo exemplo de algo bom e mágico que pode ser facilmente alcançado com um blogue.

“Eu, tal como muitos outros, sou uma portuguesa que decidiu emigrar. Em Portugal trabalhava num call-center, que não é de todo vergonha nenhuma mas não foi para isso que estudei e dediquei tanto tempo e dinheiro. Há um ano e meio surgiu a possibilidade de vir para Amesterdão fazer um estágio, cujo objectivo seria mostrar as minhas capacidades e caso me saísse bem tentaria obter um contrato. Assim foi, estou com contrato há quatro meses.

O tempo foi passando e alguns amigos sugeriram que eu criasse um blog por diversos motivos, nem todos têm facebook outros têm mas assim também poderia partilhar as experiências com outras pessoas. Não foi à primeira que tomei a decisão porque eu não gosto de hobbies com obrigações, mas lá me convenci e desde Agosto existe loveadventurehappiness.blogspot.pt contando com quase 7000 visualizações, que não estava de todo à espera! Algo bom nos blogues é a troca de experiências com pessoas que estão na mesma situação que nós, Tenho várias bloguers que me seguem e eu a elas. É constante a troca de mensagens, comentários e sugestões…

Para quem pensa emigrar, não me arrependo em nada, os meus pais e amigos dizem que foi o melhor que fiz mas… não é fácil, nada mesmo, principalmente se não forem com alguém. Eu já tenho o meu namorado comigo e antes disso vivia com os meus primos que são fantásticos mas mesmo assim não é fácil…E basicamente é isto, falei um pouco sobre mim e se quiserem saber mais podem sempre espreitar o blog e conhecer um pouco mais de mim, das minhas aventuras e desventuras enquanto procuro o meu lugar ao sol, ou neste pais mais o meu lugar à chuva e frio, mas tem valido a pena :D”

23.1.14

agora escrevo eu #24

Muitas pessoas gostam de escrever. Mas têm medo de partilhar aquilo que escrevem. Este é um receio que gostava que desaparecesse do mundo. E ainda bem que a Daniela perdeu a timidez que sentia em relação às suas palavras. Até porque palavras e sentimentos nunca ficam mal. Que seja um exemplo para os tímidos que escondem as suas palavras do mundo.

“Amar é isso mesmo. Ter cinquenta peles, sentir cinquenta sensações, ter-se a si mesmo e o outro também. Amar é ser-se completo e sentir-se vazio quando o outro está longe. É estar só quando o outro não está por perto, mas saber-se que se é amado e que estamos no pensamento de alguém. É ter certeza que vamos ter saudades, mesmo que nos vejamos logo à tarde.

Amar é isso mesmo. Chegar a casa, atirar com os sapatos para o fundo do corredor e perguntar como correu o dia. É lamuriar-se e reclamar com a vida que se leva, mas agradecer pelo o facto de a outra pessoa estar ali e só ali e não noutro lugar. Porque ela escolheu estar ali. Porque ela quer estar ali. Amar é assim, escolher-se sem se ter opção de escolha. É uma escolha voluntária que se faz sem pensar. É saber que se fez a escolha acertada, sem perceber quais foram as razões. Amar é olhar para o outro e por vezes percebemos que o outro é um mistério, é descobri-lo dia após dia, sem noção dos dias da vida conjunta.

Amar é assim, perceber que o nosso mundo é algo mais só porque as escovas dos dentes estão no mesmo copo, só porque as chaves de casa estão em ambos os porta-chaves, só porque sim. Amar é não ter respostas, é não ter explicações para aquilo que se quer explicar. É um simples assim. E é assim que se ama. No meio de 7 biliões de pessoas, aquele ser veio parar até nós. E nós fomos parar até ele. E se não estivermos juntos é mais uma parte, no meio de tantas partes, do universo que não faz sentido. Porque amar, e não amor, é dar de si mesmo, é entregar-se, é pensar no outro sem saber porquê, é querer agrada-lo sem precisar de razões.

É perpetuar a imaculidade da pessoa em nós, amar alguém é estender-nos a nós mesmos e ligar-nos a outra pessoa. São as coisas simples que nos fazem amar alguém até ao fim da nossa existência individual. É um café num café qualquer da cidade, é um telefonema para avisar de quem vai buscar os miúdos hoje, é deitar-nos de frente um para o outro e saber que amanha é um outro dia e a outra pessoa ainda vai estar ali. É um beijo no topo da testa em sinónimo de despedida e de respeito. É um abraço vindo do nada e um favor à muito pedido. É um de nós ir ao supermercado, só porque o outro precisa de chocolate para o leite, pois sem isso não consegue adormecer.

Amar é estar ali, sentados no sofá da sala a ver uma série, é conversar na mesa da cozinha, é discutir problemas sem se levantar o tom da voz. Amar é ter limites, sendo-se ilimitado. Ilimitado no amor e naquilo que podemos dar ao outro, respeitando os limites daquilo que constrói o amor entre ambos. Amar é ser-se assim, algo mais, ser uma única pele, só porque existimos em conjunto. Amar só porque sim.”

19.12.13

agora escrevo eu #23

Nos dias que correm acho que é cada vez mais importante vestir a camisola do projecto profissional que se abraça. Mesmo que não passe de uma etapa para aquela profissão que tanto queremos. Acho que é isso é uma das coisas que destaca um bom profissional de uma pessoa que não passa de um número mecanográfico no meio de tantos outros. Este belo texto da Sandra mostra que isso das profissões menores é um conceito errado para muitas pessoas.

““Sou bibliotecária”. Sinto-me um pouco presunçosa a dizer isso pois não passo de uma mera estagiária irrelevante. Porém, sinto-me feliz em dizer com um sorriso estampado no rosto e com orgulho a encher-me o peito: “Sou bibliotecária”. As reacções normalmente não correspondem à minha atitude e as respostas mais comuns são: “Isso estuda-se?”; “Fazes isso porque queres ou porque és obrigada?”; “Mandas calar pessoas?”. Penso que estes feedbacks algo incrédulos são consequência de uma imagem desacertada da minha profissão.

Para ser sincera, as duas imagens proeminentes que por aí circulam são: a velha bibliotecária de cabelo branco, rigidamente apanhado, com uns óculos severos que manda calar ao mínimo sussurro; ou então a imagem da bibliotecária sexy com os óculos descaídos numa pose sedutora qualquer. Não existem muitas profissões que tenham de lidar com uma imagem social tão descrente e contraditória, e que, no entanto, em nenhum momento está relacionada com a verdadeira prática da profissão. Tenho a dizer, o que espero não ser surpresa nenhuma, que nada do que acabei de dizer se aplica na realidade.

Não excluo a existência de bibliotecárias seniores, nem de bibliotecárias bem-parecidas, mas não nos limitamos à aparência física nem a emitir sons de reclamação. O nosso principal foco, seja numa biblioteca escolar, universitária, pública ou especializada é O UTILIZADOR. Nós trabalhamos para as pessoas e com as pessoas. O principal objectivo é facilitar o acesso à informação e criar igualdade, evitar situações de infoexclusão e, ao mesmo tempo, cuidar do património que a todos pertence. Património esse que não se limita a livros: estamos a falar de jornais, fotografias, objectos, tudo o que possam imaginar.

Os espólios dos “nossos grandes” estão a ser tratados nas nossas bibliotecas. O nosso trabalho abrange tudo o que (não) possam imaginar, desde do tratamento documental (intelectual e físico) até ao atendimento ao público, e ainda nos preocupamos muito com questões actuais como, por exemplo, a digitalização e a questões da Web 2.0. Penso em nós como profissionais multifacetados, que fazem muito com pouco, e que estão sempre a procura de ser mais eficazes e eficientes. Somos pequenos investigadores, descobridores por vezes, que não se limitam nunca a existir como simples “ratos de biblioteca”. Ao mesmo tempo que caminhamos para o futuro, somos os guardiões do passado. Mas não somos só nós os bibliotecários: as nossas classes profissionais mais próximas os arquivistas e os museólogos fazem um trabalho exímio com objectivos semelhantes e igualmente honrosos.

Dou-me por contente, encontrei aquele lugar especial, a biblioteca, seja a tradução do conceito físico ou digital. Estamos aqui para todos vocês! Aproveitem porque não sei quanto tempo vamos continuar a estar. Peço desculpa por este desabafo mas hoje acordei e apeteceu-me defender a minha profissão.”

Sandra

12.12.13

agora escrevo eu #22

O tema da emigração é algo que me diz muito. Por nunca ter tido a coragem (por factores que já expliquei) de mudar de país e por conhecer muitos relatos de quem fez as malas e partiu à procura de uma vida melhor. Este relato, da Cátia Lopes, é daqueles que dá que pensar e que nos deixa a pensar se a emigração para os jovens é uma opção ou um empurrão/obrigação.

“Chamo-me Cátia, tenho 31 anos e sou uma dos muitos jovens portugueses que foram à procura de uma oportunidade, no estrangeiro. Na verdade o que pretendo é dar voz à geração de jovens emigrantes, porque dar este passo deveria ser uma opção e não uma obrigação. Deveria ser permitido a todos os jovens fazer uma escolha, todos temos o direito de fazer escolhas e não de ser empurrados pelo nosso próprio país para uma escolha que poderá não ter volta. Não sabemos se algum dia teremos a oportunidade de regressar.

Há dez meses atrás e após seis meses de desemprego em Portugal eu decidi emigrar para Londres, sim foi uma escolha, poderia não o ter feito, mas muito provavelmente não teria conseguido dar um rumo à minha vida. Sair do país foi como se tivesse aberto uma janela para o futuro porque sentia que estava cada vez a ser empurrada para um caminho incerto, sem rumo.

Foi a minha escolha, mas houve quem não tivesse tempo para essa escolha.
Confesso que emigrar tem inúmeros aspectos positivos e não o vejo como algo negativo. As aprendizagens são de tal tamanho que não haveria currículo vitae que conseguisse conter inúmera descrição.

Na verdade, quando comecei esta nova etapa na minha vida, tornei-me outra pessoa comecei a dar um grande valor às coisas simples e a valorizar que mais importante do que ter é ser e que o valor da vida está nas pequenas coisas e, principalmente, comecei a dar o real valor ao meu país, porque quando estamos a viver fora percebemos que Portugal teria tudo para dar certo.

Este país tem inúmeras qualidades que poderiam fazer dele um país cheio de oportunidades, mas pelo contrário ele está a ser destruído por um desgoverno total e impune. E todos permanecemos resignados sobre a justificação de que é a crise. E será que esta crise terá algum dia, um fim?

E se um dia eu achei que era a hora de arriscar e ir à procura da felicidade no desconhecido, outro dia, irá haver que quererei voltar para o meu país, porque não há sol como o de Portugal, porque é lá que está o lugar onde eu nasci e cresci, é lá que está a minha família, é lá que está o meu porto de abrigo.

Não sabemos se algum dia teremos a oportunidade de regressar, porque cada dia que passa sinto que aquele barco ao largo do oceano está cada vez mais a afundar.”

5.12.13

agora escrevo eu #21

O desejo. Esse malvado que torna incontrolável aquilo que todos pensam controlar. Esse malvado que nos leva a perder o raciocínio. Que nos pode levar a seguir caminhos que não queremos. E que nos leva a escrever textos tão maravilhoso como este. Será verdade? Será uma fantasia? Uma história? Isso só a Borboleta do Mar é que sabe e deixa em aberto na conversa que tem comigo. Mas aquilo de que ninguém duvida é que o desejo em si, esse está bem patente nestas palavras.

“A atração entre eles despontou no mesmo segundo em que os olhos se cruzaram com um rápido e tímido deambular pelos seus corpos. Ela nada sabia sobre o que a esperava... Ele desejava mergulhar nos seus seios e apertar acariciando com alguma força as suas nádegas. Aquela sua voz suave e meiga despertava nela os mais básicos desejos. Imaginava-se com ele em longas tardes de luxúria, com aquela voz a sussurrar-lhe desejos escondidos e vontades ousadas. A sua imaginação fluía e aquela timidez que dele emanava, alimentava o seu desejo de o conhecer melhor.

No entanto, ambos eram comprometidos. Havia que parar aquele desejo ardente que crescia graças aos jogos de sedução, que sem combinarem nem conversarem, começavam, lentamente, a despontar. Aqueles olhares repletos de curiosidade e de desejo ardente de uma simbiose de corpos ardentes e quentes crescia cada vez mais. Ela tentava parar aquela vontade que surgia no seu interior e percorria o seu corpo. Ele. Ele tentava também lutar contra o desejo que o preenchia e afastar-se dela. Mas esse afastamento não passava de algumas horas... Nada havia a fazer.

A curiosidade, o desejo físico, o desejo interior não podiam ser ignorados. Um café hoje; uma confidência amanhã; olhares lascivos; desejos reprimidos; fugas; reeencontros... Aqueles dias de luta e de desejo tornaram-se inesquecíveis... Um café num shopping repleto de gente, uma viagem de elevador... viagem quente e demasiado rápida para o desejo que ela sentia em provar o sabor daqueles lábios. Acreditava ela que deviam ser doces e quentes. Beijos intensos deveriam sair dali como o melhor mel... Não podia resistir mais, tinha que o beijar. Tinha a certeza que precisava sentir aquele calor para se afastar, mas o elevador parou antes que ela o conseguisse fazer!

Mais uma vez a concretização daquele desejo ficou adiado, mas não esquecido. Tinha que o provar. Sentir a invasão do desejo e do prazer percorrer o seu corpo ávido de sensações intensas e molhadas...Esse beijo aconteceu... Foi tal como imaginara... Tímido... Intenso... Libidinoso... Sensual... Inesquecível...Aquela mulher sentira algo a percorrer o seu corpo que jamais havia sentido... Quis lutar contra aquele desejo imenso de descoberta, mas de nada adiantou... A cada dia que passava, desejava mais e mais descobrir aquele corpo... Aquele homem... Seria seu. Correria todos os riscos... Tinha que viver aquela paixão.

Ele tentou também fugir... Afastar-se... Mas o desejo libidinoso não o deixava ir embora... Algo lhe dizia que iria viver momentos de intenso prazer... De união verdadeiramente perfeita com alguém. Como se os corpos fossem capaz de se fundir num só. E isso acabou por acontecer e a vida de ambos jamais voltou a ser o mesmo marasmo, a mesma apatia.”

Borboleta do Mar

29.11.13

agora escrevo eu #20

Pessoalmente, considero que os textos mais sentidos e interessantes, que não têm de ser obrigatoriamente os mais belos, são aqueles que são escritos com o coração nas mãos. Quando a emoção comanda as palavras dá sempre bom resultado. E este texto, da autoria da Sibilla A. é um excelente exemplo do que a emoção consegue fazer a um texto e a uma pessoa.

Volto a recordar que este espaço irá existir enquanto existirem textos para publicar. Peço desculpa às pessoas que já enviaram textos e que ainda não publiquei. Garanto que vão ser todos publicados. Pela ordem que os recebo. Obrigado a todos.

“Quero

...acordar amanhã nos teus braços. Quero olhar em silêncio nos teus olhos uma e outra e outra vez; ...escapar a este martírio de saber que não vou ter notícias tuas.

Quero poder ler-te, saber de ti (lembras quando me dizias que eu era a tua leitura favorita?)

Quero amaldiçoar o dia em que voltei a esbarrar em ti, em que voltei a falar contigo, em que voltei a tocar-te. Em que voltei a dizer em voz alta que te amava...

Quero esquecer-te.

...fazer de conta que foste um sonho, daqueles cujo estado febril me fez puxar-te para junto de mim.

Quero dizer: Tu não existes na minha vida, não há espaço nela para ti.

Quero odiar-te, como me odeio a mim, por ter deixado a felicidade escapar-me das mãos.

Quero arrepender-me de estar arrependida...

Quero ter paz, mas a minha vida é um inferno sem ti.”