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13.3.20

Vamos esquecer o egoísmo por um pouco, ok?

Praticar desporto é das coisas que mais gosto de fazer na vida. Sendo que, nesta fase, este prazer traduz-se em idas ao ginásio (na sua maioria). Quando não treino, acabo por sentir falta de tudo aquilo que de bom a prática de actividade física me proporciona.

Há alguns dias tomei a decisão de não frequentar o ginásio. Decisão que irei manter por tempo indeterminado. Não porque não me sinta seguro no espaço que frequento (Kalorias – Seixal), que até melhorou as condições de higiene, impondo regras mais duras aos membros, mas porque não posso ser egoísta neste momento. Aliás, nenhum de nós pode.

Se fosse uma decisão egoísta, manteria os treinos. Mas não posso esquecer que vivo com uma mulher extraordinária, que está grávida. Que lido com os meus pais, sobrinha, restantes familiares e muitas outras pessoas. E não quero correr o risco de ser eu (porque nenhum de nós está 100% seguro) a transmitir o vírus aqueles que me rodeiam.

Por isso, deixo um apelo a todas as pessoas que gastam o precioso tempo das vossas vidas a ler as coisas que escrevo e partilho no blogue e redes sociais. Não sejam egoístas. Não nos podemos dar a esse luxo neste momento. Tomem todas as decisões a pensar nos outros. A começar pelos que vos estão mais próximos e a acabar nas pessoas que vos rodeiam e que não conhecem de lado nenhum.

Está na altura de adaptar as nossas rotinas a outras que sejam seguras. No caso do desporto, pratiquem em casa o que for possível. Ou ao ar livre, se existirem condições de segurança para que isso aconteça. Se leste o texto até ao fim, o meu profundo obrigado.

28.1.14

obrigado carina


Hoje, é impossível ficar indiferente a este vídeo, que está a ser partilhado em dezenas de sites, blogues e outras tantas páginas de facebook. Tal como é impossível, pelo menos para mim, ficar indiferente ao sofrimento de Filomena Teixeira ao longo dos últimos dezasseis anos. Quanto ao vídeo, só tive força para o ver uma única vez do principio ao fim. Isto porque, aos 27 segundos, apodera-se de mim um misto de sensações que me impede de continuar.

Não sou pai. Sou “apenas” tio mas morro de medo só de pensar na possibilidade de viver aquilo que Filomena tem vivido ao longo dos últimos anos da sua vida. Aos 27 segundos, é quando a mãe de Rui Pedro, que hoje faz 27 anos, aparece pela primeira vez. Os seus soluços e a falta de força para dizer o que quer que seja arrepiam-me. Assustam-me. Metem-me muito medo. Não sei o que Filomena tem vivido ao longo dos anos. A dor vazia e sem fim de não saber o que é feito do seu filho. Mas sei que nenhum pai devia viver estes sentimentos durante poucos segundos. Quanto mais durante anos.

Por outro lado, e igualmente aos 27 segundos, vejo em Filomena uma força capaz de fazer girar o mundo. São anos e mais anos de sofrimento, de dor e de ausência de respostas. Mesmo assim, Filomena consegue ter força para lutar, não descansando enquanto não tiver o seu filho perto de si. O seu objectivo de vida. Quem procurar fotos desta mãe ao longos dos últimos anos, irá verificar um enorme desgaste que se nota fisicamente nos traços do seu rosto. Quem olhar com atenção, encontrará também uma força ao alcance de poucos.

É aqui que entra Carina Mendonça, a filha de Filomena Texeira. Digo isto sem qualquer conhecimento de causa mas arrisco que Carina tem sido a tábua de salvação de Filomena Teixeira. Acredito que Carina é o principal motivo para que a mãe não entre num colapso total, do qual seria impossível recuperar. Por isso, obrigado Carina! E que o futuro desta família seja risonho.