Quando as pessoas se cruzam comigo e me
perguntam o que aconteceu e respondo que fiz uma ruptura total do tendão de
aquiles a reacção é quase sempre a mesma. E pode ser muito bem descrita pela
cara que algumas pessoas fazem quando mordem um limão. É muito semelhante e
acredito que as pessoas imaginem logo algo muito doloroso e bastante grave. Entendo que a tal
reacção deve-se à dor que imaginam e à gravidade da lesão em si.
Quanto à dor, e não é para me armar em
forte, ela – no meu caso – não existiu. E já falei com diversas pessoas que
tiveram a lesão e que também não sentiram dor. No meu caso, a lesão aconteceu
num jogo de futsal. Estava sozinho. A avançar no campo de costas até que a bola
sai. Sem uma mudança brusca de velocidade deixo de andar para trás para andar
para a frente. E foi nesse instante que senti algo que pode ser descrito como
estranho.
A minha primeira reacção foi olhar para
trás e perguntar ao jogador da equipa adversária que estava mais perto de mim o
motivo pelo qual me estava a pisar o calcanhar direito. Respondeu-me que estava
longe de mim e que não me tinha feito nada. Nesse momento percebi logo o que
tinha. Já li que a sensação é a de uma facada. Há também quem fale no “efeito
pedrada” – com o qual concordo – mas a verdade é que não senti dor nenhuma. Só
no hospital, antes de me imobilizarem o pé e enquanto estava a arrefecer é que sentia algumas dores.
Toda a gente pergunta pelas dores. Era
assim antes e continua a ser assim depois da operação. Mas a verdade é que são
poucas e até se aguentam bem. O que faz com que este “fardo” seja mais fácil de
carregar. Agora, é um dia de cada vez e sem qualquer pressa de queimar uma
qualquer etapa.
PS – Quando se cruzarem com alguém que
fez uma ruptura total do tendão de aquiles não tenham a reacção de quem mordeu
um limão. Quem sofreu a lesão sabe a gravidade da mesma. E, por norma, estará
em baixo e com receio do seu futuro desportivo. Como tal, essas caretas não
ajudam, só fazem com que a pessoa fique ainda mais receosa.