Corria o ano de 1994 quando José Cid
posou nu, apenas com um disco de ouro a cobrir as suas partes íntimas. Sem
depilação, algo quase impensável numa foto do género nos dias que correm.
Apesar desta foto ser motivo de brincadeira ao longo dos anos, poucas pessoas
devem saber o que motivou a mesma. Aquele gesto do Elton John da Chamusca
(definição do próprio) foi um protesto contra as playlist das rádios. Ou seja,
José Cid quis despir-se de preconceitos. E só para terminar o tema José Cid,
quantas pessoas sabem que tem um álbum numa lista – da Billboard - dos melhores
100 álbuns do mundo, de rock progressivo, de todos os tempos?
Mais de duas décadas depois volto a ver
uma imagem que me recorda da imagem de José Cid. Tem um homem. Continua nu. Em
vez de deitado está sentado. E os pelos dão lugar, quase em “igual” número, às
tatuagens. O cantor é substituído por um jogador, de nome Ricardo Quaresma, e o
disco de ouro dá lugar a um quadro de Cristina Ferreira, a dona da revista onde
pode ser vista a imagem.
Confesso que não sou o maior fã desta
capa. Em primeiro lugar porque acho que a pose de Quaresma está esquisita,
tendo em conta que está despido. Acho que está demasiado à vontade. Considero
também que o quadro com a imagem da apresentadora está ali a mais. Excepto se
dê o caso de o jogador assumir um fascínio pessoal ou profissional pela apresentadora
durante a entrevista (e acredito neste cenário porque as fotos foram feitas
dias depois da conversa entre ambos).
Mesmo não sendo o maior fã da capa (o
que não significa que a odeie) reconheço mérito na mesma em diversos factores.
A começar pela pessoa em si. Quaresma é um jogador que não costuma falar muito
da sua vida pessoal. É jogador de poucas entrevistas e isso joga a favor da
publicação. A imagem, gostando ou não, deixa curiosidade em relação ao que pode
ser visto, daqui a alguns dias, no interior da revista. E existe ainda o
preconceito das tatuagens que talvez seja ligeiramente quebrado com esta
produção fotográfica.
Como seria de esperar, bastaram minutos
para que começassem a surgir capas alternativas a esta (as que encontrei estão
no facebook do blogue), menos sérias e muito mais divertidas. Por fim, e acho
que seria o número mais vendido de todos, gostaria de ver Cristina Ferreira
numa produção semelhante a esta, na sua revista. Acho que é o único espaço onde
pode acontecer. E acredito que irá acontecer mais cedo ou mais tarde.

