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15.9.22

obrigado, roger federer

Sou jornalista desde 2006. Desde então que já tive a oportunidade de estar à conversa com muitas figuras públicas das mais diversas áreas. Devo ter meia dúzia (se tanto) de fotografias ao lado de alguém com quem estive à conversa. Autógrafos, muito menos.

A única excepção de que me recordo é Roger Federer quando passou pelo Estoril Open, em 2010. Cruzei-me com poucas estrelas (desta dimensão) com a simplicidade de Federer. Numa área em que o pensamento dominante é “sou o dono do mundo porque apareci 2 segundos na televisão”, Roger Federer é um exemplo de humildade e disponibilidade.

Foi assim com os jornalistas como com todas as pessoas com quem se cruzava a caminho do court e que atrasavam o seu percurso. Neste dia, e por ser algo que entendo que não devo fazer enquanto estou a trabalhar, pedi-lhe um autógrafo à saída da tenda da Comunicação Social. O momento ficou registado, sem qualquer pedido, pela lente da extraordinária Leninha (Helena Morais), uma das maiores fãs de Federer que já conheci.

Federer vai acabar a carreira e não será o ténis que irá perder uma lenda. É o desporto que fica mais pobre com o final da carreira de alguém que é um exemplo para todas as crianças que sonham um dia ser profissionais.

Obrigado, Roger Federer.

8.1.14

um dia numa imagem

Podia partilhar fotos e vídeos da cerimónia dentro do Estádio da Luz. Podia divulgar relatos de amigos. Podia falar das lágrimas que escorriam pelos rostos dos durões das claques. Podia também dedicar algumas linhas ao atraso de Cavaco Silva na chegada às cerimónias fúnebres. Podia igualmente falar do desportivismo dos adeptos e num caso específico, de Bruno de Carvalho. Em jeito de brincadeira podia falar das mensagens de "gozo" de quem me viu na televisão ou mesmo do orgulho em ter vivido tudo isto de perto. Mas, prefiro partilhar a foto que marca o dia mais intenso e marcante (peço desculpa pela redundância) da minha carreira de jornalista. Foi aqui que Eusébio entrou e saiu pela última vez daquela que será sempre a sua casa.

6.1.14

o que separa os comuns mortais das lendas

Com a morte de Eusébio, Portugal perde o seu maior jogador de todos os tempos. E não digo isto por ser benfiquista. Mas enquanto pessoa que ama futebol e que é incapaz de comparar um jogador dos tempos de Eusébio a alguém dos dias de hoje. Não entro em comparações porque nos tempos de Eusébio não se faziam substituições. As bolas pesavam muito mais. Os equipamentos não tinham as tecnologias da actualidade. Os treinos eram diferentes. Os tratamentos e recuperações também. Enfim, tudo era diferente. Além disso, Eusébio era de uma altura em que não existiam estrelas. Quer dizer, elas existiam mas não faziam questão de o demonstrar. Basta dizer que Eusébio referia-se à maioria dos jogadores por senhor. Como tal, para mim, Eusébio é o melhor jogador português de todos os tempos. Como Toni disse, e muito bem, príncipes há muitos, rei é que houve só um.

Por tudo aquilo que fez em vida, Eusébio nunca morrerá. Será eterno. Será uma lenda mundial. E existem pequenos relatos que ouvi ontem – poucos dos muitos que existem e que muitas pessoas provavelmente nunca vão conhecer – que separam Eusébio dos comuns dos mortais. O primeiro exemplo passa pelas homenagens feitas nas mais diversas redes sociais. Não me refiro às feitas pelos anónimos que decidem homenagear um símbolo (grupo no qual me incluo) mas aquelas que foram efectuadas por diversas personalidades e entidades do desporto mundial.

Outro exemplo foi partilhado pelo basquetebolista Miguel Barroca, que recordou na sua conta no instagram (@miguelbarroca) a primeira vez que entrou na garagem do Estádio da Luz. “Reparei que havia alguns lugares marcados: Presidente, Vice-Presidente, etc. Até que vi um que dizia Eusébio! Por muitos que vão e venham nos vários cargos, aquele era o lugar dele! Do Eusébio! Ele é o Eusébio! O maior”, escreveu. Este relato diz tudo sobre ele.

Também tenho de partilhar aquilo que Pedro Rolo Duarte partilhou no seu blogue. Excertos de uma conversa que mostram a essência do Pantera Negra.“- O meu único vicio é o Benfica. E, às vezes, por causa do meu Benfica, sinto a máquina a falhar. Quando chegar o meu dia que seja ali no Estádio. Gostava de morrer no Estádio da Luz? - Se me dessem a escolher gostaria de morrer ali. É uma casa que me fez homem, onde eu estou desde os 18 anos. Nós não escolhemos, mas eu gostava… E já agora num jogo de emoção e com uma vitória do Benfica.
Pensa muito nisso? - Há uns anos tinha medo da morte, agora já não. DNA, 13/Set/1997 Entrevista de Luís Osório e Pedro Rolo Duarte.” Não deixa de ter a sua piada que esteja a transcrever isto ao mesmo tempo que Eusébio expressa este ideia num documentário que está a dar na Sporttv. “Sei que vou ter muitas pessoas comigo no meu dia”, disse. E estava certo. Cumpre-se o desejo de ter o corpo no seu Estádio, na sua “casa” e com a companhia que merece.

Partilho ainda duas histórias de anónimos. Uma revelada por uma reformada de 61 anos num programa especial da SIC Notícias. Dizia a senhora que nunca o tinha conhecido mas que agradecia-lhe por muitas vezes matar a fome à família. A senhora, oriunda de uma família numerosa, contava que quando o Benfica ganhava era uma alegria no café onde o seu pai estava, com o dono a oferecer rodadas, por exemplo. Essa alegria sentia-se depois em sua casa e acabava por ser um grande conforto para si e para os seus irmãos. E ainda o momento em que um adepto do Sporting pede desculpa aos benfiquistas antes de colocar um cachecol do Sporting na estátua do Eusébio por achar que neste momento não existem rivalidades clubísticas e que o antigo jogador era um símbolo para todos. Todos estes exemplos são apenas alguns que revelam que Eusébio é uma lenda. E as lendas não morrem.

Por fim, acho justo que o corpo de Eusébio seja trasladado para o Panteão Nacional dentro de um ano. É um símbolo de Portugal no mundo. Um embaixador eterno do nosso país. E clubismos à parte, aquela merece ser a sua última morada, tal como aconteceu justamente com Amália Rodrigues. Também gostava de ver Bruno de Carvalho e Jorge Nuno Pinto da Costa hoje, no funeral do Pantera Negra. E, se não for pedir muito, que os adeptos do Porto que se deslocarem ao Estádio da Luz no próximo Domingo, aproveitem essa oportunidade para dar uma verdadeira lição de civismo durante as homenagens efectuadas ao King.

Já agora, e como o desporto vive de inspirações, que os jogadores do Benfica façam da ausência física de Eusébio uma fonte de força para o que resta desta época e que cumpram os desejos do maior símbolo que o Benfica alguma vez terá. Que honrem o prazer de ter privado com o homem que fez do Benfica um clube universal. E mais importante do que isso, que os 23 jogadores que vão representar Portugal no Mundial do Brasil, honrem a sua memória naquela que será a primeira competição sem o Pantera Negra que se agarrava à sua toalha e que apertava quando as coisas não corriam como desejado.