O tema da emigração é algo que me diz muito.
Por nunca ter tido a coragem (por factores que já expliquei) de mudar de país e
por conhecer muitos relatos de quem fez as malas e partiu à procura de uma vida
melhor. Este relato, da Cátia Lopes, é daqueles que dá que pensar e que nos
deixa a pensar se a emigração para os jovens é uma opção ou um
empurrão/obrigação.
“Chamo-me Cátia, tenho 31 anos e sou uma dos
muitos jovens portugueses que foram à procura de uma oportunidade, no
estrangeiro. Na verdade o que pretendo é dar voz à geração de jovens
emigrantes, porque dar este passo deveria ser uma opção e não uma obrigação.
Deveria ser permitido a todos os jovens fazer uma escolha, todos temos o
direito de fazer escolhas e não de ser empurrados pelo nosso próprio país para
uma escolha que poderá não ter volta. Não sabemos se algum dia teremos a
oportunidade de regressar.
Há dez meses atrás e após seis meses de
desemprego em Portugal eu decidi emigrar para Londres, sim foi uma escolha,
poderia não o ter feito, mas muito provavelmente não teria conseguido dar um
rumo à minha vida. Sair do país foi como se tivesse aberto uma janela para o
futuro porque sentia que estava cada vez a ser empurrada para um caminho
incerto, sem rumo.
Foi a minha escolha, mas houve quem não tivesse
tempo para essa escolha.
Confesso que emigrar tem inúmeros aspectos
positivos e não o vejo como algo negativo. As aprendizagens são de tal tamanho
que não haveria currículo vitae que conseguisse conter inúmera descrição.
Na verdade, quando comecei esta nova etapa na
minha vida, tornei-me outra pessoa comecei a dar um grande valor às coisas
simples e a valorizar que mais importante do que ter é ser e que o valor da
vida está nas pequenas coisas e, principalmente, comecei a dar o real valor ao
meu país, porque quando estamos a viver fora percebemos que Portugal teria tudo
para dar certo.
Este país tem inúmeras qualidades que poderiam
fazer dele um país cheio de oportunidades, mas pelo contrário ele está a ser
destruído por um desgoverno total e impune. E todos permanecemos resignados
sobre a justificação de que é a crise. E será que esta crise terá algum dia, um
fim?
E se um dia eu achei que era a hora de arriscar
e ir à procura da felicidade no desconhecido, outro dia, irá haver que quererei
voltar para o meu país, porque não há sol como o de Portugal, porque é lá que
está o lugar onde eu nasci e cresci, é lá que está a minha família, é lá que
está o meu porto de abrigo.
Não sabemos se algum dia teremos a oportunidade
de regressar, porque cada dia que passa sinto que aquele barco ao largo do
oceano está cada vez mais a afundar.”