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1.1.25

2024: ano de desafios, 2025: vamos a ele

Olho para 2024 como um ano de desafios, boas escolhas e serenidade. Começando pelos desafios, desde 2020 que todos os anos são um verdadeiro desafio. Esse foi o ano em que a Matilde nasceu e a partir desse momento tudo se tornou desafiante na mais bela viagem da minha vida: a da paternidade. Por isso, no que a este aspecto diz respeito, será sempre desafiante. A partir daqui, posso escolher alguns momentos que foram marcantes ao longo de 2024.

Fevereiro

2023 já vinha sendo um ano de desafios profissionais. De objectivos e metas que nos levam a querer ser melhores a cada dia. E isto prolongou-se em para 2024. Sendo que foi neste mês que recebi um convite/desafio que muito apreciei. E que me tem obrigado a ser cada vez melhor. A reinventar, a aprender novas técnicas e a ter a ambição de crescer mais, mais e mais. Tem sido assim desde Fevereiro e será assim ao longo de 2025.

Maio

Maio foi um mês muito especial para mim. Pela primeira vez, em 43 anos, celebrei o meu aniversário em outro país e na companhia da minha mulher e da minha filha. Dei por mim a brindar com pessoas que tinha conhecido durante as férias e que eram de Inglaterra, Irlanda e Alemanha. Foi uma experiência diferente e ao mesmo tempo encantadora.

Foi também neste mês que tomei uma das decisões mais importantes dos últimos anos. E que muito contribuiu para a minha serenidade, paz e tranquilidade. Coloquei um ponto final em algo que já estava a ser tóxico para mim. Que me consumia muito da mente e que não tinha qualquer reconhecimento da outra parte. Não que precisasse desta “lição”, mas é mais uma exemplo simples de como facilmente se descobre a essência de quem nos rodeia. Com esta decisão, que peca por tardia, ganhei muito. Especialmente a minha família.

Junho

Junho terá sempre muito encanto devido ao nascimento da Matilde. E 2024 marca aquela que foi a primeira festa da Matilde com os seus amigos. E não há nada melhor do que ver a alegria na cara de uma filha. De ver a forma como é amada pelos amigos. Isto será sempre algo bastante especial.

Setembro

Costumo olhar para Setembro como uma espécie de Janeiro. Ou seja, é um mês de recomeços. E acabou por ser. Foi nesta altura que recebi um desafio que muito me tem preenchido e tem sido bastante enriquecedor.

Estes são momentos que merecem destaque. Ainda que pudesse falar de vários momentos familiares que são sempre especiais para mim.

Notas para 2025

Não sou de grandes resoluções com o passar dos anos. Nem faço grandes pedidos. Mas existem coisas que tenho vindo a tentar fazer com que estejam mais presentes em mim.

Relativizar. Há muito que tento ter isto em mente. E é algo fundamental para perceber que 90% (ou mais) dos aborrecimentos são facilmente ignorados e colocados de lado.

O dinheiro vai e vem, o tempo não. Este é um dos maiores desafios de todos. Equilibrar uma mente saudável com o ganhar dinheiro. E se há algo que muitas pessoas me disseram em Maio, enquanto me davam os parabéns pela decisão tomada, é que o dinheiro vai e vem. Algo que não acontece com o tempo. É complicado perceber este ponto porque precisamos de dinheiro para ter uma melhor vida. Mas é importante perceber que, em muitos casos, o dinheiro não paga aquilo que está a roubar e eventualmente destruir.

Projectos pessoais

Tenho uma gaveta cheia de projectos pessoais aos quais gostaria de dar vida. Gostava também de dizer que o irei fazer ao longo de 2025 com todos eles. O que verdadeiramente não posso prometer. Mas irei tentar que alguns deixem a gaveta para passarem a ser uma realidade.

Vamos a isso 2025!

27.12.24

é a vida que segue e não espera pela gente

Existe uma música de Mariza de que gosto muito. Falo de Melhor de Mim. Sendo que estou a começar o texto a falar desta música porque quero pegar numa parte da letra que faz todo o sentido para aquilo de que quero falar. "É a vida que segue e não espera pela gente", canta Mariza com a sua voz característica. E por que pego nestas palavras? É que porque estou a viver uma fase da minha vida em que o tempo parece passar muito mais depressa. Parece que vai em excesso de velocidade na autoestrada. Ou, por outras palavras, parece que estou sentado à janela de um comboio que segue a uma velocidade tão rápida que aquilo que vislumbro do lado de fora são apenas manchas de cor.

Quando somos pequenos estamos sempre com vontade de crescer. É o desejo de ter os 18 anos. É o desejo de sair à noite. De ter carta e de ter condução. Depois, queremos algo mais à frente. Já pensamos em outras coisas. Até que damos por nós a perceber (é nisto que acredito) que tivemos vontade de viver demasiado depressa uma das fases mais bonitas das nossas vidas. Pare depois chegarmos ao momento em que só queremos que o tempo passe mais devagar. Que circule na autoestrada dentro do limite de velocidade. Ou que, se fosse um comboio, ande a uma velocidade que permita observar cada detalhe da paisagem.

A minha filha tem apenas quatro anos, mas dou por mim cheio de saudades de pequenos detalhes que vivemos. De coisas que ela gostava de fazer e que agora já não faz. E isto aplica-se a quase tudo o que é bom na vida. Existe uma publicação viral nas redes sociais que mostra um grupo de amigos a jogar futebol. Depois, diz algo como isto. "Um dia saímos de casa para ir jogar futebol com os amigos sem saber que era a última vez que o faríamos". E é muito isto. E quem ler isto certamente que irá associar este cenário do futebol a muitas outras coisas da vida.

E como a vida segue e não espera pela gente, cada vez mais evito o que é tóxico. Afasto-me de pessoas que não me acrescentam nada. Agarro-me às pessoas que fazem o meu coração bater mais depressa. E tento viver os momentos com intensidade por talvez ser a última vez que acontece algo específico de que gosto. Não sei se esta será a melhor estratégia de todas. Mas de uma coisa estou certo: Dá-me paz de espírito. E isto vale ouro.

20.12.24

ainda alguém lê blogues?

Hoje passei por aqui. Voltei ao blogue de que tanto gosto e percebi que o último texto que escrevi foi no início de 2024. E dou por mim a pensar: Alguém ainda lê blogues? Gostava muito de acreditar que sim. Mas tenho de ser o mais realista possível. Como isto quero dizer que quase de certeza que já ninguém ocupa o seu tempo a ler blogues. Mais, a "febre" da blogosfera há muito tempo que parece ter, infelizmente, morrido.

Recordo-me dos tempos de loucura dos blogues. Lembro-me de ter muitas vezes acima de 10.000 visita diárias ao blogue. Depois, começou uma espécie de migração para outras redes sociais. Numa fase inicial, apostou-se no Instagram. E muito ainda o fazem. Depois, foi (e é) o Tik Tok. Agora, existem podcasts sobre tudo e mais alguma coisas. Aliás, quase que me sinto marginalizado por não ter um podcast.

Mas a verdade é que a minha paixão está (e sempre esteve) na escrita. Aquilo de que gosto mesmo é de dar vida a palavras. Passar pensamentos, por mais banais que sejam, para um pequeno texto. Ignorando por completo os avisos de que com uma fotografia é que as pessoas vão gostar mais. Tenho saudades deste meu canto. Tenho saudades de estar aqui diariamente a escrever. E sou o mais sicero que posso ser: Nunca escrevi a pensar nos números. Porque quando comecei tinha ainda menos pessoas a visitar o blogue do que tenho agora. E o encanto pela escrita era o mesmo. E isto numa era em que a blogosfera tanto alimentava paixões como ódios que nunca compreendi. 

Venho aqui na tentativa de perceber se alguém ainda perde (ou ganha, dependendo da perspectiva) tempo em espaços como este. Volto aqui a pensar que vou estar por aqui frequentemente a escrever algo. Gostava, mas não sei. Veremos o que aí vem. Até lá, vou pensando se alguém ainda lê blogues.

3.1.24

vamos a isto?

Podia pedir muita coisa no início de um novo ano. Podia falar de vários projectos que gostaria de colocar em prática. Mas, à parte da saúde, não peço muito mais para 2024. Fico-me pelo ser melhor. Se conseguir ser melhor pai, filho, marido, trabalhador (e por aí fora), estarei muito mais perto de qualquer coisa que ambicione. Vamos a isso, 2024. E já agora, bom ano para todos.

27.10.23

falta egoísmo a muita gente

Não sou, de todo, o maior fã de egoísmo. E o que se segue pode até soar a contra-senso pois sou da opinião de que falta egoísmo a muita gente. E defendo isto porquê? Pelo simples facto de que as pessoas não têm tempo para nada. E esta é muitas vezes a muleta usada para adiar sonhos pessoais. Para deixar de apostar em algo que se deseja fazer.

Até ao momento em que alguém precisa de ajuda. E o que essas pessoas fazem? Ajudam! Arranjam tempo para ajudar. Mesmo que continuem a dizer que não têm tempo para fazer as suas coisas. E o que acontece em muitos destes casos? Estas pessoas – as que ajudam – acabam quase descartadas assim que deixam de ser úteis. São meros consumíveis. E é por isto que defendo que falta egoísmo a várias pessoas.

“Preciso da tua ajuda para isto e aquilo”. “Desculpa, não vai dar. Estou ocupado a apostar em mim”, deveria ser a resposta. Mesmo que isto faça com que os outros olhem com maus olhos para quem tenha a audácia de apostar em si. A verdade é que vão falar mal das pessoas na altura em que passam a ser descartáveis. Por isso, mais vale que falem mal quando existe a coragem de apostar em si. E mal daqueles que condenam este tipo de egoísmo. Que, volto a dizer, falta a muita gente.

2.6.23

m... de mudança

A vida é feita de ciclos. Uns que se abrem, outros que se fecham e uns que se abrem porque outros se fecham. Este que aí vem é um desses casos. Hoje, é dia de fechar um ciclo. Segunda-feira é dia de abraçar outro. E há muito que a vida me ensinou (ou que aprendi, talvez seja mais justo) que não vale a pena perder tempo a pensar no que ficou para trás. É olhar para a frente, com determinação.

Assim que conheci a data do novo ciclo que me foquei no que irá acontecer a partir desse momento. Chegou a hora do desafio. E vamos a isso com muita m****, como dizem no teatro antes de o pano subir. Neste caso, o m vem mesmo bem. Porque é de mudança e do novo projecto que aí vem. Vamos a isso!

9.1.23

feliz ano novo. que este primeiro dia de 2023 seja grandioso

Feliz Ano Novo! É hoje que começa o ano, certo? Uma semana com uma amigdalite, que não deixava vontade para fazer nada, não conta como 2023, pois não? Que seja o melhor ano das vossas vidas e que tenha começado melhor do que o meu.

 

4.11.22

de volta!

Foram várias semanas em que o tempo para o blogue acabou por ser pouco. Problemas para resolver, dias sem trabalhar e quase 100% do tempo dedicado ao meu melhor "projecto": a minha filha. Agora, é hora de retomar rotinas. É uma espécie de Janeiro e de início de novo ano. A vontade é muita e este blogue, para já, não irá acabar. Ainda que já quase ninguém se preocupe com blogues. Vamos a isso!

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10.10.22

25 dias em modo pai

Passei os últimos 25 dias em modo pai. A minha filha foi a única preocupação que tive durante este período de tempo. Começo por dizer que me sinto agradecido pelo que tive a possibilidade fazer. Tenho a noção de que é quase impossível para muitos pais passarem este tempo com os filhos. Quer seja porque isso implicava gastar as férias todas de uma vez. Ou porque as empresas não permitem gozar tantos dias de forma contínua. No meu caso, tenho a “sorte” de ter uma profissão que me leva a acumular muitas folgas e de ter a possibilidade de as gozar com relativa facilidade.

Aquilo que deveria ser algo normal acaba por ser uma raridade. Queremos que as pessoas tenham filhos, mas depois é quase impossível que pai e mãe estejam juntos com as crianças, principalmente na fase inicial das suas vidas. Temos filhos e em pouco tempo o pai tem de ir logo trabalhar. Ou tem de “roubar” dias à mãe para que possa estar mais tempo em casa. Depois, são profissões/empresas que olham de soslaio para pessoas quem quer construir família (principalmente mulheres). Mas os homens também lidam com isto. Posso dar o exemplo de um amigo que ouviu isto de uma chefe quando pediu para ir a uma consulta do filho: “Então e a mãe? Não vai?”.

Ou seja, vivemos tempos em que a maioria dos pais acordam cedo e deixam os filhos nos colégios (ou familiares, quando existe essa possibilidade). Vão buscá-los ao final do dia e sobram poucas horas para rotinas como banho e refeições. E um tempo ainda mais curto para brincadeiras antes do momento de ir dormir e repetir isto, cinco dias por semana. Resta o sábado e o domingo para que pais e filhos estejam juntos mais tempo.

Este texto não é uma crítica a ninguém. Não é um ataque a quem quer que seja. É apenas um lamento. É apenas olhar para uma realidade que acaba por desencorajar muitas pessoas que estão a pensar ter filhos. E que vão adiando esse desejo enquanto aguardam por aquele que acreditam ser o momento certo. E que muitas vezes nunca chega.

15.9.22

obrigado, roger federer

Sou jornalista desde 2006. Desde então que já tive a oportunidade de estar à conversa com muitas figuras públicas das mais diversas áreas. Devo ter meia dúzia (se tanto) de fotografias ao lado de alguém com quem estive à conversa. Autógrafos, muito menos.

A única excepção de que me recordo é Roger Federer quando passou pelo Estoril Open, em 2010. Cruzei-me com poucas estrelas (desta dimensão) com a simplicidade de Federer. Numa área em que o pensamento dominante é “sou o dono do mundo porque apareci 2 segundos na televisão”, Roger Federer é um exemplo de humildade e disponibilidade.

Foi assim com os jornalistas como com todas as pessoas com quem se cruzava a caminho do court e que atrasavam o seu percurso. Neste dia, e por ser algo que entendo que não devo fazer enquanto estou a trabalhar, pedi-lhe um autógrafo à saída da tenda da Comunicação Social. O momento ficou registado, sem qualquer pedido, pela lente da extraordinária Leninha (Helena Morais), uma das maiores fãs de Federer que já conheci.

Federer vai acabar a carreira e não será o ténis que irá perder uma lenda. É o desporto que fica mais pobre com o final da carreira de alguém que é um exemplo para todas as crianças que sonham um dia ser profissionais.

Obrigado, Roger Federer.

1.9.22

desabafos de pais reais que dizem asneiras e gritam com os filhos

As pessoas costumam aproveitar as redes sociais para partilharem o lado bom da vida. Independentemente de ser uma partilha profissional ou pessoal, existe uma tendência para que seja dado a conhecer aquilo que nos faz bem e deixa bem. E isto aplica-se também ao lado parental da vida de cada um. É frequente ver os pais a partilharem bons momentos passados ao lado da criançada. Sendo que também existem alguns desabafos daqueles que são vistos como “pais reais” que dão conta de diversos episódios menos felizes ao lado dos filhos. E que podem ser pautados por gritos e asneiras. E é disto que quero falar. Porque compreendo na perfeição estes desabafos mas não me revejo nos mesmos.

Vamos começar pela compreensão. A maior parte das pessoas passa a vida a correr de um lado para o outro. Estar com o filho é algo que, às vezes, se tem de fazer a par de mil tarefas. Existe depois a privação de sono. Existem as birras. Existem mil e uma coisas com que os pais têm de lidar. Uns com mais, outros com menos. Por isso, compreendo que algumas pessoas acabem por se “passar” com os filhos. Sendo que tenho a certeza de que todos se arrependem dos momentos em que se apercebem de que estão a gritar por nada de extraordinário. E que o grito não foi tão eficaz com pensavam.

Agora, a parte de não me rever. Não vou mentir. A minha filha também tem os seus momentos de birra. Que felizmente, não são muitos. Também acorda a meio da noite e pede colo. Ou seja, também tem os seus momentos em que me poderia tirar do sério. Quer seja pelo cansaço acumulado ou por outro motivo qualquer. Só que gritar com a Matilde, dizer asneiras, berrar com ela, ser bruto ou o que quer que seja não é uma opção para mim. Numa fase inicial da vida de pai irritei-me com a Matilde porque não queria adormecer. Poucos minutos depois tive a noção de que tinha errado. De que tinha sido injusto. E que o meu comportamento não serviu para mais nada do que irritar a minha filha ainda mais. Senti-me mau pai. Fiquei a sentir-me mal com o erro e desde então percebi que não era o rumo que queria seguir. E que não voltaria a fazer o mesmo.

É por isto que digo que não me revejo nos tais desabafos de quem se passa com alguma frequência. Desde aquele episódio que passei a fazer tudo de forma diferente. Há uma birra? Tento conversar com a Matilde. Está bastante irritada? Dou-lhe tempo para que acalme. Não quer fazer algo? Explico as consequências que isso poderá ter, a nível de tempo, para o que ainda quer fazer no resto do dia. E este tem sido o modo como tenho lidado com os menos em que a Matilde faz birra ou está mais agitada. Se isto faz de mim melhor pai do que aqueles que gritam, dizem asneiras e fazem isto ou aquilo? Não! Não faz de mim melhor nem pior. Esta é simplesmente a forma como decidi lidar com a minha filha.

Aproveito ainda os tais desabafos (e a minha experiência enquanto pai) para defender a opinião de que ser pai é um dos maiores desafios da vida. A começar logo pela momento em que temos uma vida que depende de nós. E isto será um desafio que se prolonga ao longo da vida. Mas é também um desafio para a própria pessoa. Para o casal. Para a vida a dois. Tudo isto acaba por ser testado com a chegada de uma criança. E creio que todos aprendemos muito com aquilo que fazemos. Que seja com o filho, com a pessoa com quem estamos ou mesmo em relação a quem somos.

30.8.22

treinar nas férias: sim ou não?

Treinar nas férias: sim ou não? Antes de dar a minha resposta avanço com diversos pontos de vista. Existem pessoas que nas férias começam a prometer mudar de estilo de vida. E parte delas acha que deve começar a fazê-lo logo nas férias. Mesmo que a actividade física seja uma miragem há largos meses ou anos. Depois, há quem treine de forma regular. E que ache que não deverá pausar durante as férias. Por fim, aqueles que treinam, mas que entendem dar descanso ao corpo enquanto estão de férias.

Sou uma pessoa que treina de forma regular. Nesta fase não estou a frequentar o ginásio, mas dou as minhas corridas diárias, cinco vezes por semana. E sou daquelas pessoas que já levaram planos de treino para as férias. Agora, não. Há muito que percebi que o corpo também precisa de descanso. E que, em muitos casos, não treinar é o melhor treino que podemos fazer. E refiro-me por exemplo, aos dias em que dormimos mal e em que estamos muito cansados.

Por isso, nestas férias decidi parar de treinar. Vou na terceira semana de descanso, o que corresponde à terceira sem corridas. Ainda que férias com uma menina de dois anos tenham muita actividade física envolvida. Mais do que me preocupar em treinar, foco-me em descansar. Porque logo voltarei às minhas rotinas. E sei que esta é uma boa opção para o meu corpo e para o meu bem-estar.

Não sendo obcecado com a alimentação (ainda que tenha alguns cuidados) também aproveito as férias para estar mais à vontade. Sendo que, quando uma alimentação regrada é regra geral, acabo por não ser de grandes excessos. Isto tudo para dizer que não devemos viver escravos de certos pensamentos. Acima de tudo, deveremos saber escutar o que o nosso corpo nos diz. E fazer aquilo que nos faz sentir bem e não aquilo que é moda ou algo do género.

15.8.22

Um silêncio que entristece

Sempre gostei de chegar a casa e do silêncio daquele que é o meu refúgio. Que acaba por ser uma das formas de criar uma barreira entre aquilo que acontece fora de casa e que não permito que entre no meu lar. E sempre foi assim. Até ao dia em que a Matilde nasceu. A partir desse momento, esta paz foi sendo pintada com barulhos que são tudo menos incomodativos. São as gargalhadas, os passos pela casa, os sons dos brinquedos, as conversas e por aí fora. E se é verdade que sempre gostei de estar sozinho em casa, agora custa muito. Estou há alguns dias sem a companhia da Matilde e o silêncio entristece. Vejo os brinquedos. Vejo as coisas dela. Mas há um silêncio que me congela. Não há um sorriso, uma brincadeira, uma palavra… não há nada. E tudo isto faz com que sinta um grande vazio com algo que sempre apreciei.

12.8.22

interessa correr muito ou pouco?

São 4 quilómetros por treino.
São 5 treinos por semana.
São 80 quilómetros por mês.

Estes números dão para tudo. Para um “uau, farta-se de correr” até um “bela merda, corro isso numa semana”. Para mim, é a melhor forma de rentabilizar a hora de almoço. Corrida + duche + refeição.

Corro menos tempo do que quero. Faço distâncias mais curtas do que o treino já pede. E corro a horários que dispensava. Mas, lá está, é o buraco que encontrei para treinar e que me dá margem para outras coisas. E desenganem-se aqueles que acreditam que treinos mais curtos sao menos eficazes. E também é possível criar objectivos em treinos destes.

Podia correr mais, mas estou feliz assim. E com resultados dentro do que estipulei: menos peso e menos volume. Agora, é manter e trabalhar para o objectivo final.

9.8.22

sobre esta coisa do “foste pai tarde”

Fui pai em 2020 quando tinha 39 anos. E desde então que tenho ouvido algumas vezes algo como “foste pai tarde”. Sendo que incluo estas palavras naquele segmento de chavões a que as pessoas recorrem quando acham que têm que dizer alguma coisa. Digo isto porque sei que muitas pessoas não o dizem por mal – nem é algo que me incomode – mas também acredito que dizem apenas porque sim.

Nos dias que correm é cada vez mais comum ver pessoas que são pais (pela primeira vez) perto dos 40. Aliás, numa das consultas que tivemos, uma médica disse à minha mulher (ligeiramente mais nova do que eu) que ia ser mãe nova tendo em conta os tempos que vivemos. E este pode ser o ponto de partida para a minha opinião. Longe vão os tempos em que a generalidade dos casais tinha filhos aos vinte anos e em que as mulheres ficavam em casa e tinham como “profissão” estar com os filhos.

Hoje, tudo é diferente. A estabilidade financeira não chega muito depressa. As relações estáveis nem sempre acontecem em tenra idade. E tanto homens como mulheres dão prioridade, até certa idade, às carreiras. Adiando assim o desejo de ter um filho. E o caso das mulheres até dava para um texto à parte. Porque muitas, apenas para dar um exemplo, adiam o desejo com medo de perder o cargo que têm. Este é um ponto.

Depois, há outros casos. Tal como existem pessoas que acham que fui pai tarde, vejo pessoas que entendo (na minha modesta opinião) terem sido pais demasiado jovens. Vejo pais sem qualquer preparação (entre aquelas que podemos antecipar) para o nobre cargo que desempenham. E até prefiro não aprofundar muito este ponto com receio de ser mal interpretado. Vejo também casais que têm filhos sem qualquer base sólida entre ambos. E podia dar mais exemplos.

Quando era mais novo costumava dizer que queria ser pai aos 25 anos. Mas cedo percebi que seria complicado. Algo que a vida me ensinou. E tenho a certeza de que fui melhor pai com 39 anos do que seria com 25 anos. E não acho que tenha sido pai tarde porque isso seria olhar para mim como “velho”. É certo que podemos recorrer à matemática para fazer contas e sustentar esse pensamento do “tarde”. Mas, mais uma vez, não é assim que vejo as coisas. Porque conheço pessoas de 20 anos que são velhas e conheço pessoas com mais de 50 que são muito jovens. Concluindo, os chavões também se desactualizam. E ser pai não é algo que possa ser sustentado com uma equação matemática.

8.8.22

não sei se vale a pena manter o blogue a funcionar

Muitas são as vezes em que me sinto isolado numa ilha deserta chamada blogosfera. Dez anos de blogue são uma eternidade que dá para experimentar diversas sensações. E neste fase, e digo-o com a maior das sinceridades, penso diversas vezes na eventualidade de acabar com o blogue e ficar agradecido por tudo aquilo que aconteceu. Por outro lado, a paixão pela escrita leva-me a querer continuar a escrever.

E este segundo desejo faz com que pense no rumo que quero para o blogue. Até porque não tenho qualquer vontade de migrar para o Instagram (que sempre tive, mas raramente com uma variante de textos que poderiam estar aqui) nem para outra rede social qualquer. Ou seja, estas serão sempre uma extensão do blogue, que é a minha verdadeira paixão. Uma coisa é certa, tenho saudades daquela vertente mais pessoal do blogue. É certo que aprecio muito escrever, adoro notícias – ou não fosse jornalista – e vou partilhando por aqui algumas que considero interessantes. Mas acho que chegou a hora de mudar o rumo do blogue.

Não sei quantos textos irei publicar nem a frequência com que o irei fazer. Mas é certo: irá regressar o lado pessoal que sempre esteve por aqui. Isto enquanto irei continuar a combater aquela voz que me diz que talvez seja mesmo melhor deixar isto chegar ao fim. Vamos a isto e veremos no que dá.

27.7.22

o instagram é apenas uma rede social, nada mais do que isto

A notícia caiu que nem uma bomba. Ainda que estejamos a falar apenas da possibilidade de o Instagram ficar mais parecido com o TikTok. Ou seja, aquela que é uma rede social que as pessoas mais facilmente associam a fotografias está a seguir a tendência dos vídeos. E ao contrário de muitas outras coisas que acontecem no mundo, isto está a geral revolta. Especialmente junto de influencers.

Para começar, e num pequeno aparte, não deixa de ser irónico que os influencers, que seguem tendências para somar seguidores, gostos, comentários, partilhas e eventualmente conseguirem novas parcerias, estejam a criticar uma rede social por… seguir uma tendência. Mas nem é por isso que escrevo este texto. O motivo que me leva a escrever estas linhas é porque esta revolta contra o Instagram é mais um exemplo da forma, errada na minha humilde opinião, como as pessoas estão a viver o mundo. Afinal, isto é apenas uma rede social.

Posso dividir o texto em duas partes distintas: pessoal e profissional. E vou começar pela primeira. Como já referi, o Instagram não passa de uma rede social. Que tem os seus encantos e que deveria ser um escape para os aborrecimentos da vida real. Só que não! O Instagram é que nos valida socialmente.

Somos bons se tivermos mais de 10 mil seguidores (contas por baixo). Somos interessantes se tivermos cupões de desconto que nunca ninguém utilizou. Somos pessoas fiáveis porque temos muitos gostos. E somos realmente bons porque comentam e partilham os nossos conteúdos. Não somos nada de jeito se não tivermos os requisitos mencionados. Pouco importa se os seguidores são comprados. Tal como os gostos e outras reacções. Pouco importa se não somos verdadeiros naquilo que fazemos e partilhamos. Isto é um mero acessório numa sociedade em que a validação real do que somos tem por base as redes sociais que pouco mostram sobre nós. E isto é triste. Isto deveria dar que pensar. Isto deveria ser tema de conversa entre pais e adolescentes que vivem isto de uma forma muito viva e, em alguns casos, incentivados pelos pais.

Depois, existe o lado profissional. Muitas pessoas constroem negócios (seja a principal fonte de rendimento ou um ajuda extra) em cima de coisas que não controlam. E falo do Instagram como poderia falar do Facebook ou de outras redes sociais. E isto é algo que também deveria ser tido em conta. Porque a realidade é que nenhum utilizador controla o alcance que as suas partilhas têm. Podem implorar para que as pessoas façam gostos, comentem e partilhem. Podem usar truques de horários e hashtags e mais não sei o quê. Tudo isto está fora do nosso alcance. E este detalhe é ignorado por muitos. Porque, lá está, tanto a nível pessoal como profissional estamos cegos com a validação das redes sociais. Aquilo que define quem somos como pessoas e como empresários.

Volto a dizer, isto são apenas redes sociais. Podem ter as mais diversas finalidades para as pessoas, mas são redes sociais. Que nunca vão ser dominadas pelos utilizadores. Podem ter essa ilusão, mas nunca terão o controlo que gostam de acreditar que têm. E o mais triste de tudo é o lado pessoal. Aquela validação parva que eleva pessoas que não são o que dizem ser e que marginaliza tantas apenas porque têm poucos seguidores.

23.7.22

19 anos de ti e amo-te cada vez mais

Existem 19 anos a separar o momento em que escrevo este texto do dia em que começámos a namorar. 19 anos, caramba! Não são alguns dias, semanas, meses ou anos. É aquilo a que costumo chamar de uma vida. Tendo em conta que tenho 41 anos é justo dizer que a minha vida foi passada a teu lado. Pelo menos a adulta. E a viagem tem sido fantástica.

Posso dizer, sem qualquer hesitação, que te amo muito mais hoje do que quando te beijei pela primeira vez e do que naquela fase a que as pessoas gostam de chamar “cor-de-rosa” em que tudo é maravilhoso numa relação. É verdade que também tivemos os nossos momentos menos bons, mas foi nessa altura que sempre percebi o quanto te amo e o quão importante és para mim.

Hoje, quero agradecer-te o bem que me fazes. A paz que me transmites. O homem que me ajudaste a ser. A felicidade que me dás. Sou sincero ao dizer-te que nunca imaginei ser amado por alguém como tu me amas. Tal como nunca pensei estar tanto tempo ao lado de alguém. És um dos pilares da minha vida e dizer que te amo é muito curto para aquilo que és para mim. Mas também é verdade que não existem palavras que ajudem a fazer justiça aquilo que sinto por ti. E duvido que venham a existir.

Desejo que estes sejam os primeiros de muitos 19 anos e tenho a certeza de que sempre te amarei até à última batida do meu coração. Isto é um facto. É também impossível não falar daquilo que a nossa relação passou a ser a partir do 26 de Junho de 2020. Éramos dois e passámos a ser três. A Matilde juntou-se a nós e com a melhor filha do mundo descobri a melhor mãe que a Matilde poderia escolher. Descobri também uma nova forma de te amar porque qualquer casal com filhos poderá confirmar que as relações amorosas também se ajustam a este crescimento familiar. Hoje, com vocês as duas, sou o homem mais rico do mundo. E estarei eternamente grato por isso.

QUERO GRITAR O QUANTO TE AMO, Paixão da Minha Vida.

PS – Não deixa de ser curioso que o dia em que assinalamos mais um ano de namoro é o mesmo em que os meus pais celebram mais um de casamento. E este ano são já 50. Já não se fazem histórias de amor assim e os meus pais são um exemplo em tudo para mim. Até nesta (infelizmente) rara forma de amar. Um beijo especial para os meus pais.

18.7.22

lá vou ter de levar com as malditas trotinetas no seixal

Estou muito feliz com o facto de as trotinetas da Bolt terem chegado ao Seixal. É uma opção a outros meios de transporte. É menos poluente. E está com um preço de lançamento bastante atractivo. Agora, só falta aquela parte mais chata. E não, não vou culpar a Câmara Municipal do Seixal. Nem a Bolt. O mais chato é mesmo trabalhar o civismo e educação das pessoas que utilizam este útil meio de transporte. Já cheguei a casa com duas trotinetas no meio da estrada logo após uma curva. Já cheguei com esta igualmente no meio da estrada. Já vi muitas abandonadas em locais que atrapalham a circulação dos peões e também viaturas.

E isto só pode ser propositado. Porque tanto custa abandonar a trotineta no meio da estrada como num local com o menor impacto possível na circulação. E gostava tanto que o Seixal fosse um bom exemplo no que ao civismo diz respeito. Até para não dar razão aqueles que dizem algo como: "lá vou eu ter de levar com as malditas trotinetas no Seixal". Vamos a isso?