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24.9.26

stella: vergonha, aproveitamento ou o novo normal dos nossos dias?

 Por estes dias, parece que o país inteiro só consegue falar de uma pessoa: Stella.

Se andas a viver debaixo de uma pedra e não fazes ideia do que estou a falar, resumo-te o enredo. Trata-se da jovem de 24 anos que decidiu invadir o palco de um evento da RFM no Cais do Sodré, arrancou o microfone ao cantor Bluay e transformou-se instantaneamente num meme nacional e numa estrela viral.

A partir daí, a internet dividiu-se, as caixas de comentários pegaram fogo e as teorias multiplicam-se a cada minuto. Afinal, o que está por trás deste fenómeno?

Vergonha ou falta de civismo?

De um lado da barricada tens os defensores da moral e dos bons costumes. Há quem olhe para isto com profunda vergonha alheia. Como é possível que uma pessoa se torne famosa à custa de uma falta de respeito gritante pelo espaço alheio?

O que mais choca muita gente não é apenas a ação impulsiva da jovem, mas sim ver uma multidão a aplaudir e a legitimar um comportamento que, até há muito pouco tempo, seria visto como pura falta de educação. Estaremos a criar heróis de meia pataca que apenas sabem fazer barulho?

O aproveitamento e o cifrão nos olhos

Depois, passamos para a faceta empresarial e pragmática do assunto. Se achas que a Stella é apenas uma vítima ingénua da própria impulsividade, podes tirar o cavalo da chuva.

A jovem percebeu o comboio da fama a passar à velocidade da luz, correu a criar um perfil de Instagram e, segundo reza a lenda, já cobra 2.000 euros por ação de marketing. Uns chamam-lhe chico-espertismo digital; outros chamam-lhe uma visão de negócio implacável num mundo que premeia a atenção a todo o custo. Afinal de contas, quem de nós recusaria rentabilizar os quinze minutos de fama?

Um produto descartável das redes sociais

Por fim, deixo-te a grande dúvida que me persegue: não será a Stella um mero produto perfeito dos dias que correm?

Vivemos numa era em que as redes sociais fazem e desfazem heróis e vilões à velocidade de um scroll. Plataformas que elevam pessoas ao patamar de semi-deuses para, logo a seguir, as cuspir e esquecer na sarjeta da irrelevância digital.

Estará a Stella assim tão errada ao querer capitalizar a sua fama instantânea, tirando o maior proveito monetário possível antes que a internet passe para a próxima polémica?

Existem opiniões para todos os gostos e, sejamos honestos, provavelmente nenhuma delas está verdadeiramente errada. O que tem isto tudo no carro do Pingo Doce? Provavelmente o reflexo exato da sociedade em que vivemos.

Deixo-vos a questão. Votação aberta nos comentários: estamos perante o fim dos valores ou perante uma mestre do marketing moderno?

27.7.22

o instagram é apenas uma rede social, nada mais do que isto

A notícia caiu que nem uma bomba. Ainda que estejamos a falar apenas da possibilidade de o Instagram ficar mais parecido com o TikTok. Ou seja, aquela que é uma rede social que as pessoas mais facilmente associam a fotografias está a seguir a tendência dos vídeos. E ao contrário de muitas outras coisas que acontecem no mundo, isto está a geral revolta. Especialmente junto de influencers.

Para começar, e num pequeno aparte, não deixa de ser irónico que os influencers, que seguem tendências para somar seguidores, gostos, comentários, partilhas e eventualmente conseguirem novas parcerias, estejam a criticar uma rede social por… seguir uma tendência. Mas nem é por isso que escrevo este texto. O motivo que me leva a escrever estas linhas é porque esta revolta contra o Instagram é mais um exemplo da forma, errada na minha humilde opinião, como as pessoas estão a viver o mundo. Afinal, isto é apenas uma rede social.

Posso dividir o texto em duas partes distintas: pessoal e profissional. E vou começar pela primeira. Como já referi, o Instagram não passa de uma rede social. Que tem os seus encantos e que deveria ser um escape para os aborrecimentos da vida real. Só que não! O Instagram é que nos valida socialmente.

Somos bons se tivermos mais de 10 mil seguidores (contas por baixo). Somos interessantes se tivermos cupões de desconto que nunca ninguém utilizou. Somos pessoas fiáveis porque temos muitos gostos. E somos realmente bons porque comentam e partilham os nossos conteúdos. Não somos nada de jeito se não tivermos os requisitos mencionados. Pouco importa se os seguidores são comprados. Tal como os gostos e outras reacções. Pouco importa se não somos verdadeiros naquilo que fazemos e partilhamos. Isto é um mero acessório numa sociedade em que a validação real do que somos tem por base as redes sociais que pouco mostram sobre nós. E isto é triste. Isto deveria dar que pensar. Isto deveria ser tema de conversa entre pais e adolescentes que vivem isto de uma forma muito viva e, em alguns casos, incentivados pelos pais.

Depois, existe o lado profissional. Muitas pessoas constroem negócios (seja a principal fonte de rendimento ou um ajuda extra) em cima de coisas que não controlam. E falo do Instagram como poderia falar do Facebook ou de outras redes sociais. E isto é algo que também deveria ser tido em conta. Porque a realidade é que nenhum utilizador controla o alcance que as suas partilhas têm. Podem implorar para que as pessoas façam gostos, comentem e partilhem. Podem usar truques de horários e hashtags e mais não sei o quê. Tudo isto está fora do nosso alcance. E este detalhe é ignorado por muitos. Porque, lá está, tanto a nível pessoal como profissional estamos cegos com a validação das redes sociais. Aquilo que define quem somos como pessoas e como empresários.

Volto a dizer, isto são apenas redes sociais. Podem ter as mais diversas finalidades para as pessoas, mas são redes sociais. Que nunca vão ser dominadas pelos utilizadores. Podem ter essa ilusão, mas nunca terão o controlo que gostam de acreditar que têm. E o mais triste de tudo é o lado pessoal. Aquela validação parva que eleva pessoas que não são o que dizem ser e que marginaliza tantas apenas porque têm poucos seguidores.

25.3.22

é por isto que podes ser banido do whatsapp

Nos últimos dias tornou-se viral a versão pirata do WhatsApp, que tem vindo a ser utilizada por um número crescente de utilizadores. Um dos motivos do sucesso está relacionado com as funcionalidades disponibilizadas por esta versão. Depois de se ligar a uma conta oficial, o WthasApp GB permite agendar mensagens. Tal como esconder o status online e ligar mais do que um número de telefone ao mesmo perfil.

Se recorres a esta versão – disponível apenas para smartphones Android – deverás ter em mente os riscos que corres. Sendo que o WhatsApp está a banir contas que não sejam oficiais. Algo que tem gerado revolta junto de muitos utilizadores. “O WhastApp não é compatível com essas aplicações porque não podemos validar as medidas de segurança implementadas por eles”, explica a empresa através de comunicado enviado ao InfoMoney.

“O WhastApp não é compatível com essas aplicações”

E se as vantagens aparentam ser vastas, os riscos também os são. Algo que é destacado por um utilizador da rede social Twitter. “Basicamente entregas todos os teus dados do WhatasApp só para teres alguns benefícios”, alerta. “Essas práticas de recolha de dados de utilizadores, incluindo número de telefone, foto do perfil e status do WhatsApp, configuram uma violação dos termos do WhatsApp”, acrescenta a empresa.

Sabe o que fazer para não seres banido

Caso a tua conta tenha sido banida é certo que recebeste o aviso “temporariamente banido” na rede social. Posto isto, tens algum tempo para voltar a usar a versão oficial. Se não o fizeres, o banimento poderá ser permanente. O WhatsApp dá ainda a conhecer práticas que deverás evitar de modo a que não seja banido da rede social.

Mensagens indesejadas
Se um contacto pedir que pares de enviar mensagens, remove essa pessoa da tua lista de contactos e evita entrar em contacto novamente.

Mensagens automáticas ou em massa
Não envies mensagens em massa e mensagens automáticas. Nem faças chamadas automatizadas com o WhatsApp.

Listas de contactos de terceiros
Não partilhes números de telefone sem autorização. Nem uses dados obtidos de fontes ilegais para enviar mensagens a usuários no WhatsApp ou para adicioná-los a grupos.

Uso excessivo de listas de transmissão
As mensagens enviadas por uma lista de transmissão só serão recebidas por utilizadores que tenham adicionado o teu número de telefone à lista de contactos. Contas que são denunciadas várias vezes são banidas.

Recolha de dados pessoais
Não uses o WhatsApp para obter dados pessoais em grande escala para qualquer fim proibido. Que seja de forma manual ou automática. Essas práticas de recolha de dados de utilizadores, incluindo número de telefone, foto do perfil e recado do WhatsApp, configuram uma violação do uso.

Violação dos Termos de Serviço
Os Termos de Serviço proíbem, entre outras coisas, a publicação de mensagens caluniosas. Além da ameaça a utilizadores. E qualquer comportamento de ódio em termos raciais ou étnicos.

7.2.22

estás preparado para viver em instagram e facebook? (sim, pode vir a acontecer em breve)

Faço parte de uma geração que viveu uma boa parte de tempo sem redes sociais. Aliás, recordo-me de ter recebido o meu primeiro telemóvel (não confundir com smartphone) já no secundário. E que o mesmo servia para chamadas e nada mais. Relembro-me também de o envio de mensagens começar a ganhar popularidade. E mais tarde, as redes sociais.

Aliás, o mais próximo de rede social era mesmo o mIRC. As salas de conversação e os famosos DD TC? Que era como se perguntava de onde a outra pessoa estava a escrever. Depois foi o Hi5, mas sempre sem a loucura social que se vive nesta era. E, verdade seja dita, é uma consequência da evolução das tecnologias. Ainda que muitas pessoas exageram nesta realidade. Agora, fico a ideia de que muitas pessoas não conseguiriam viver sem Facebook ou mesmo Instagram.

Mas é melhor que estas pessoas se preparem para isto. Que pode vir a ser uma realidade em breve. Pois Mark Zuckerberg está a ameaçar banir o Facebook e o Instagram da Europa. Algo que é visto como uma pequena ameaça à Europa. Que não permite, desde 2020, a partilha de dados dos utilizadores para os Estados Unidos da América. O milionário entende que isto é fundamental para o funcionamento das redes sociais e avança com a ameaça caso não exista uma alteração na lei europeia.

Acho que esta eventualidade deveria ser o mote para que as pessoas pensassem como seria a sua vida sem redes sociais. Pelo menos sem duas das que são mais populares em Portugal. Ao deparar-me com a notícia dei por mim a pensar nisso e acredito que não teria qualquer problema em desligar-me do mundo virtual. Gosto muito do Instagram, mas não sou das pessoas mais activas nesta rede. Quanto ao Facebook, já estive para acabar com a página (pessoal) muitas vezes. Acho que se tornou num mundo feio habitado por (muitas) pessoas más. É um sítio de ódio. Do qual me tento afastar cada vez mais. Por isso, fica a pergunta: conseguias viver sem estas duas redes sociais?

27.1.20

redes sociais vs vida real

Tenho uma ideia que já partilhei com diversas pessoas. Só não sei se já lhe dediquei algum texto no blogue, mas acredito que sim. Aquilo de que quero falar está relacionado com as redes sociais. Com a forma como as pessoas decidem participar nas mesmas. E daqui vou excluir aquelas pessoas que operam de forma anónima. Refiro-me aqueles que dão a cara. E que são nossos conhecidos. Sim, porque convém não misturar o nobre conceito da amizade com algo que não vai além de um mero conhecimento mútuo, sem grandes afectos que unam as pessoas.

Defendo que a postura que as pessoas decidem manter nas redes sociais é um espelho do que são na realidade. Ou seja, nas redes sociais as pessoas mostram aquilo de que são feitas. Sendo que, infelizmente, nem sempre mostram o melhor. Vou dar o desconto da falta de coragem (ou de outra coisa qualquer) para agir assim presencialmente. Mas mantenho a opinião de que uma pessoa que não sabe estar no perfil de uma rede social de alguém que conhece, também não saberá estar no resto da sua vida.

A ignorância não deixa de existir apenas porque não está agarrado ao telemóvel a comentar algo. A falta de educação não deixa de existir apenas porque não se expressa num comentário. A completa ausência de noção da sua liberdade em comparação com a de outras pessoas não passa a existir quando desliga o computador ou arruma o telemóvel. Quem não sabe respeitar alguém numa rede social, também não o sabe fazer na chamada vida real.

As redes sociais têm muitas virtudes. Tal como têm muitos defeitos. E um destes últimos acaba por ser o melhor dos primeiros. Digo isto porque as redes sociais permitem perceber a verdadeira essência de alguém que nos é (mais ou menos) próximo. E isso permite que seja feito um filtro para a vida longe das redes sociais. Concluindo, as redes sociais permitem excluir toda a merda que só nos atrapalha. Possibilita que certas pessoas sejam bloqueadas, mas na vida real.

1.4.19

este estranho ritual laboral que quase parece ser obrigatório

Não sei se é por passarem muito tempo nos locais de trabalho, mas fico com a ideia de que as pessoas confundem cada vez mais os conceitos de amizade. E estou a juntar a amizade às relações profissionais porque parece que existe um ritual laboral que quase parece ser obrigatório. E que passa pela amizade virtual.

Hoje em dia, uma pessoa chega a um emprego novo e uma das primeiras “tarefas” passa por estabelecer amizade virtual com todos os colegas. Como se o novo emprego fosse sinónimo de amizade com pessoas que se conhecem há cinco minutos e com quem se trocou duas ou três palavras. É disparar pedidos de amizade em tudo e mais alguma coisa. É no Facebook, é seguir no Instagram e Twitter, se existir. E em todas as redes sociais possíveis e imaginárias.

Parece que é obrigatório ser amigo das pessoas com quem se trabalha. Mesmo que não exista uma relação que vá além do profissional e cordial. E mal daqueles que não entram nesta onda. “Aquele(a) não aceita o meu pedido de amizade porquê?”, perguntam. E depois criam teorias em torno disto. Quando são amigos, surgem novos problemas.

“Já viste o que aquele(a) escreveu? De certeza que é uma boca para fulano ou sicrano!” E está assim montada uma telenovela venezuelana dobrada em brasileiro, que passa na televisão à hora de almoço. Comecei por dizer, no título, que é um estranho ritual laboral. E mantenho esta opinião. Porque não sou obrigado a ser amigo de todas as pessoas com quem trabalho. Tal como não tenho que saber detalhes pessoais das suas vidas nem eles das minhas. E, por mais que algumas pessoas confundam as coisas, as redes sociais pessoais não são ferramentas de trabalho. Para ninguém e em lado nenhum.

8.11.18

dica para pessoas que vivem das borlas

O número de seguidores que alguém tem nas redes sociais tem poder suficiente para atrair as mais diversas marcas. Ou, numa perspectiva completamente diferente, faz com que muitas pessoas sintam poder para abordar marcas e espaços a solicitar algo em troco de "publicidade". Até aqui nada de novo. É uma consequência do crescimento da era social/virtual e trata-se de uma dança que terá sempre de ser dançada a dois: quem quer promover algo e quem quer receber algo.

Apenas defendo que tudo na vida deve ter uma estratégia. E muitas pessoas parecem esquecer isso no momento de "pedir" mais uma borla. Vamos pegar no exemplo dos restaurantes. Se uma pessoa aborda um determinado espaço, a solicitar uma experiência gastronómica a troco de visibilidade nas redes sociais, não deverá propor o mesmo do restaurante ao lado no dia seguinte. Ou uma semana ou mesmo um mês depois. É algo que irá cair mal a um espaço ou mesmo aos dois. E será uma atitude que provavelmente irá fechar duas portas para sempre.

E dou o exemplo dos restaurantes porque tenho um bastante próximo. Poderia falar de outras situações ou mesmo de outras realidade fora do mundo virtual. Noto que as pessoas cada vez mais pensam apenas naquele minuto. Não param para pensar no impacto que aquele minuto poderá ter no futuro. Não estão preocupadas em perceber se será um único minuto ou vários no futuro. E depois nunca percebem os motivos pelos quais as portas estão fechadas.

25.10.18

isto do (mau) anonimato nas redes sociais

Nas redes sociais muitos são aqueles que optam pelo anonimato. Algo que não tem nada de errado. Há quem não queria ser reconhecido no local de trabalho, outros não querem que os amigos e familiares descubram aquilo que escrevem e haverá quem simplesmente queira escrever sobre tudo e sobre nada sem dar cavaco a ninguém. As opções são todas válidas, mas convém nunca esquecer que as redes sociais não são o antigo faroeste, onde não existem leis.

E isto aplica-se a quem recorre ao anonimato para infringir leis, pensando que as redes sociais estão lá para ajudar a manter o anonimato. E falo sobre isto porque muitas coisas têm sido ditas em relação ao facto de a Google ter fornecido os dados de alguns bloggers que partilharam informação roubada ao Benfica. Esta situação poderá causar estranheza a muitas pessoas, mas convém perceber que aquelas pessoas cometeram um crime.

Muitos pensam que o crime é apenas cometido por quem rouba algo, quando não é bem assim. Vamos supor que existe uma pessoa que tem acesso, de forma ilegal, a informação confidencial de um político. E que partilha essa informação roubada comigo, que recorro ao meu blogue para partilhar a mesma. Na verdade não fui o autor do roubo, mas estou a dar continuidade ao crime, ao partilhar algo que foi roubado.

E se estou a falar deste caso é porque provavelmente é a primeira vez, pelo menos em Portugal, que o anonimato das redes sociais dá que falar. Recorro-me deste exemplo porque é bom que as pessoas percebam que as redes sociais também têm regras e leis. Que não são camufladas ou protegidas pelo blogger, wordpress, google e afins. E optar pelo caminho mais perigoso pode resultar em grandes (e graves) problemas para que opta percorrer essa estrada.

Vivemos na era social, onde todas as pessoas pensam que vale tudo. E está mais do que provado que não é bem assim. O mundo virtual, com anonimato ou não, também tem leis. É tudo uma questão de alguém querer chatear-se e ter paciência (e dinheiro) para o fazer. E se formos ver bem as coisas, no mundo real, e não virtual, é a mesma coisa.

3.7.18

e se fosse um homem a dizer isto a uma mulher?



Este rapaz dá pelo nome de Rurik Gislason. É islandês, joga futebol e foi considerado o jogador mais bonito do Mundial que está a decorrer na Rússia. Rurik chegou à competição com 40 mil seguidores no Instagram e agora já é seguido por mais de um milhão e trezentas mil pessoas.

Quando li a notícia fui ver a conta do jogador (que já sabia fazer parte da lista dos 23 mais bonitos). E reparei que as fotos têm centenas de milhares de comentários, muitos deles de mulheres. E bastante divertidos.

"Se fosses um gelado, comia-te até ao pau", é um deles. "Gostava de ser o pão da tua salsicha", é outro. "Se precisares de afiar o lápis, posso ser o teu afia", é mais um. "Quero dar-te como o Uruguai deu à Rússia: forte e em casa", é apenas mais um dos muitos comentários deixados nas fotos de Rurik.

Confesso que acho piada e não vejo maldade nenhuma nos mesmos. Mas vamos imaginar que Rurik era uma mulher. E que comentários destes (divertidos mas com cariz sexual) eram feitos por homens. Será que estaria tudo bem na mesma? Ou era o fim do mundo? Infelizmente, acredito mais na segunda hipótese.

15.1.18

ninguém suporta uma gaja fit

Se existir uma lista de coisas que ninguém suporta, tenho a certeza de que um dos lugares de destaque da lista será ocupado pelas mulheres que gostam de ter os corpos fit. Mulheres que gostam de treinar de forma a manter uma silhueta que é do seu agrado. Nem que para isso tenham de fazer alguns sacrifícios (ou escolhas) alimentares e abdicar de certas coisas. Porque a verdade é que ninguém pode com estas mulheres. Vulgarmente conhecidas por "gajas".

Se estas mulheres estiverem grávidas ou tiverem sido mães recentemente e mesmo assim tiverem um corpo fit, pior ainda. Passam a ser mulheres do demo. Criações do diabo que vieram à terra sem qualquer finalidade útil. E quando penso nestas "gajas" lembro-me imediatamente de dois nomes conhecidos: Carolina Patrocínio e Laura Figueiredo. Duas famosas fit que semeiam ódio a cada foto que publicam do corpo.

Curiosamente (ou não) são duas mulheres que mantiveram o corpo fit durante a gravidez - no caso de Carolina Patrocínio é algo recorrente - e ficaram logo em forma pouco tempo depois do nascimento das filhas. E isto, sem que perceba porquê, semeia ódio. É "gaja" para aqui, "gaja" para ali. Ofensas atrás de ofensas. É porque as crianças não vão ser saudáveis, é porque estão doentes e porque são anorécticas. Isto só para resumir as ofensas e comentários mais comuns.

E não percebo porque não se toleram estas mulheres. Que têm corpos que dão trabalho a manter. É uma opção tão válida como não querer treinar nem ter uma alimentação saudável. E com isto não quero dizer que as pessoas são obrigadas a gostar de mulheres com corpos destes. Mas creio que basta dizer que não se gosta. Que é algo que se considera feio. Que pode ser uma obsessão. Daqui a comentários como "és doente", "estás anoréctica" e falar das crianças, vai uma distância que nunca irei compreender.

8.1.18

nem tudo é mau nos comentários nas redes sociais

Nem tudo é mau nas redes sociais. Mais especificamente nos comentários que se partilham. É certo que me surpreendo com aquilo que as pessoas escrevem. Com as barbaridades que dizem. Com os ataques que fazem. E a forma como vivem aqueles espaço de opinião onde podem ser quem quiserem.

Mas há um "fenómeno" crescente nos comentários do Facebook a que acho especial piada. Refiro-me aos comentários que são feitos sem palavras mas com recurso a um gif. Adoro! Farto-me de rir com opções inteligentes, cheias de piada que são mil vezes melhores do que palavras.

Era bom que as pessoas, já que têm a possibilidade de ser quem querem, escolhessem este caminho. E refiro-me ao da inteligência. Quer seja num comentário a favor de algo ou para criticar uma opinião. É muito mais inteligente (e divertido) do que um ataque fácil e vazio de valores.

17.10.17

abençoada chuva

Em condições "normais" as pessoas estariam a criticar a chuva e a desejar o bom tempo até ao próximo Verão. Neste caso, felizmente choveu. E a água foi suficiente para ajudar os bombeiros a colocar um ponto final em todos os fogos que ainda estavam a consumir Portugal. Estou muito feliz com esta chuva. Porque foi essencial para os bombeiros.

Agora, desejo que esta água também lave muitas bocas. E que lave as ideias erradas que tantas pessoas vendem como certezas absolutas, sem qualquer conhecimento de causa. Que este drama sirva, de uma vez por todas, para corrigir o que está mal em matéria de incêndios. Um problema que não tem dois dias, nem dois meses ou dois anos. Um problema que tem décadas! Aquilo em que não acredito é que tudo isto venha a servir para que muitas pessoas pensem duas vezes antes de abrir a boca.

2.8.17

scooby scooby doo!

Se me disserem Scooby, respondo imediatamente Scooby Doo. Porque é um desenho animado que me acompanhou durante a infância e adolescência. Mas existe outro Scooby. Menos conhecido das pessoas, mas que tem sido notícia por estes dias. Trata-se de um surfista que é casado com Luana Piovani, a conhecida atriz brasileira. Por estes dias, o nome de Pedro Scooby ganhou maior destaque. Tudo porque partilhou esta imagem da mulher nas redes sociais.


Existem casos em que as opiniões acabam por dividir-se. Existem os que gostam e aqueles que não acham piada a determinada imagem. Neste caso a crítica é quase geral ao criticar a foto em questão. Neste caso, por mais que pense, não consigo encontrar um motivo lógico – apesar de aceitar que não existe nenhum necessário – para uma imagem destas ser partilhada nas redes sociais.

1.8.17

a realidade escondida no instagram

Qualquer pessoa gosta de estar bem numa foto. A coisa mais normal do mundo. E que ninguém pode censurar. Só que vivemos numa época em que as fotografias deixaram de ter o objectivo de aparecer num álbum de família para passarem a ficar guardadas numa qualquer rede social. E se todos queremos estar bem numa foto do álbum de família, queremos estar perfeitos numa foto que acaba nas redes sociais. Porque aí ninguém poderá ver as nossas pequenas (e normais) imperfeições. Nas redes sociais o mundo é perfeito. E as fotos têm de espelhar isso.

Não censuro quem edita fotos antes de as publicar numa rede social. Eu faço isso. Só com filtros, nada mais. Mas não censuro que recorre a outras ferramentas para trabalhar e alterar uma imagem. Até porque sei perceber se uma foto é real ou se existe um grande trabalho de edição até ao produto final. Como já referi, e reforço, não censuro quem o faz. Só que muitas pessoas ainda não estão "educadas" para esta realidade.

São aquelas pessoas que olham para fotos - e isto acontece muito com as mulheres - e dizem coisas como "gostava tanto de ser assim:". Quando na realidade já são "assim". Porque estão a olhar para uma foto que foi tirada de modo a captar o melhor da pessoa. Que foi pensada ao detalhe. E que até poderá ter sido editada. Para quem não acredita no que digo, partilho o exemplo de Sara Puhto, que decidiu desmistificar a realidade escondida em algumas fotografias que são publicadas nas redes sociais.








5.7.17

o mundo volta a ficar baralhado. és tu que sabes que cor é esta?

Recordam-se deste vestido? Aquele que colocou o mundo inteiro a debater cores. Pois bem, a confusão está novamente instalada. E agora a culpa é da Nike. Não necessariamente da marca da foto que tens produtos da marca. Agora não se chega a uma resposta consensual. Afinal estamos a ver cinzento ou cor-de-rosa? Aceitam-se palpites.

4.7.17

chocolate branco e preto

Existem pessoas que nasceram para ser polémicas. Ou que a vida e carreira levou a que assim fosse. Cristiano Ronaldo é uma dessas pessoas. O jogador fez uma brincadeira nas redes sociais com um amigo de longa data. Fotografaram-se a exibir os músculos e o jogador do Real Madrid decidiu escrever na legenda "combinação perfeita entre chocolate branco e preto". Isto bastou para que tivesse início uma guerra.

Cristiano Ronaldo está a ser acusado de racismo por causa da legenda da fotografia. E este é apenas mais um exemplo da falta de distanciamento que as pessoas têm. Cristiano Ronaldo não publicou uma fotografia de pessoas que não conhece de lado nenhum para fazer uma piada de mau gosto. Fez uma foto com um amigo e recorreu à boa forma física de ambos para fazer a piada. Se a foto foi publicada é porque o amigo deixou.

E não passa disto. De uma brincadeira partilhada pelo atleta que mais seguidores tem nas redes sociais. O mesmo atleta que já chamou cigano a Ricardo Quaresma noutra publicação. Igualmente sem maldade. E tudo isto seria normal. Só que vivemos numa era de predadores das redes sociais. Pessoas que procuram detalhes em todas as publicações de modo a apontar o dedo.

E são pessoas que provavelmente têm brincadeiras iguais com pessoas com que têm confiança. E que também partilham esses momentos nas redes sociais. A diferença está apenas num factor: o mediatismo de quem tem mais dedos apontados. Que todo o mal do mundo, ou mesmo das redes sociais, fosse o humor de Cristiano Ronaldo com um amigo de infância.

19.6.17

o facebook enquanto medidor da vida

Já tinha percebido que as pessoas olham para as redes sociais de forma séria. Parecem esquecer, ou ignorar, o lado virtual das redes sociais. Encaram as mesmas como bastante reais. Chega ao ponto de muitas pessoas olharem para o Facebook, apenas para dar um exemplo, como o medidor da vida das pessoas.

Se acontece uma tragédia, a pessoa é obrigada a deixar um comentário nas redes sociais. Tem de publicar um post onde dá a sua opinião. Caso não o faço é um insensível. Como é possível que determinada pessoa não dedique um post a determinado acontecimento? Só pode ser insensível. Algo que acontece com frequência.

Se a pessoa é amiga de alguém e não faz likes nas publicações e fotos dessa mesma pessoa... é outra dor de cabeça. “Como é que te dizes meu amigo se não fazes gosto nas minhas coisas? Nunca comentas nada! E já reparei que comentas coisas de outras pessoas”, dizem. Como se o código de conduta da amizade tivesse uma adenda relativa ao comportamento nas redes sociais.

E estes são apenas dois exemplos da forma demasiado séria como se encara uma rede social. As redes sociais são boas. Úteis em muitos casos. Perigosas noutros. Mas são isso mesmo, uma rede social. Não são o medidor da vida das pessoas. Não é o que acontece ali que conta. Aquilo que verdadeiramente interessa é o que se passa longe dali.

12.6.17

justiça ou tortura? ou ambos?

Há uns dias cruzei-me, algures numa rede social, com um vídeo. Em que um jovem brasileiro parecia ter uma tatuagem na testa. Na mesma podia ler-se “eu sou ladrão e vacilão”. Vi aquilo. Fiquei um pouco espantado com o que estava a ver. Se por um lado acreditei que poderia ser real, por outro esperava que fosse uma brincadeira. Algo que não se confirma.

O rapaz que aparece com a testa tatuada é um jovem de 17 anos. Que foi apanhado a roubar a bicicleta de um tatuador. Que, com auxílio de um vizinho, entendeu que um castigo exemplar para aquele delinquente seria uma frase “eterna” gravada na testa. Como acontece frequentemente nas redes sociais, as opiniões dividiram-se entre os que apoiam o castigo e aqueles que o condenam.

A história poderia ficar por aqui. Mas entretanto aparece a família do jovem. Com a mãe a dizer que está desaparecido de casa há algum tempo. E que tem problemas mentais. Colocando ainda a hipótese de estar drogado no momento do vídeo. Esta mulher reconheceu o filho devido ao vídeo. E alertou as autoridades. Resultado de tudo isto: o jovem está desaparecido. E os autores da tatuagem detidos, à espera de julgamento. Dizem, em sua defesa, que queriam ensinar uma lição ao rapaz. Mas estão acusados de tortura.

Continua a existir um grande número de pessoas que aplaude aquilo que foi feito pelos dois homens. Por outro lado foi criada uma página para angariar dinheiro para o jovem. Para que remova a tatuagem e para que possa ser submetido a tratamentos. O objectivo era angariar quatro mil euros, mas já foram angariados cinco mil euros.

Este caso recuperou o debate em torno do castigo que deve ser dado a quem faz algo do género do que foi feito por aquele adolescente. Não escondo, até porque já partilhei isso no blogue, que defendo que existem crimes que merecem punições mais exemplares do que uma pena suspensa ou algo do género. Mas acho que o roubo de uma bicicleta não é digna de uma tatuagem na testa.

6.6.17

nudez (nada) acidental

Cada vez mais existe uma tendência nas redes sociais. Que passa pelas fotos com nudez. Em topless ou mesmo em nu integral. As imagens nunca são muito fortes porque, pegando no caso do Instagram, existe uma censura às publicações femininas. E são as mulheres que mais partilham este tipo de fotos. E existem cada vez mais mulheres conhecidas a partilhar momentos destes.

Uma forma de olhar para estas imagens é a mais inocente. Acreditar que é apenas um belo momento que acabou imortalizado numa imagem. Que, por sua vez, acaba partilhada numa rede social. É algo que não passa disto. Não teve outro objectivo. Nem tem uma finalidade. É apenas uma imagem como tantas outras que as pessoas partilham nas redes sociais. A diferença é que é mais ousada.

Existe outra forma de ver tudo isto. Menos inocente. Mais fria. E que passa despercebida a muitas pessoas. Que passa por um plano pensado ao detalhe. Plano no sentido de não ser inocente. De existir um objectivo. Uma finalidade. E isto não é tão absurdo como possa parecer. Para muitas pessoas será apenas uma imagem. Mas poderá ser muito mais do que isso.

São imagens que têm um grande alcance. Chegam a mais pessoas. Muitas são mesmo notícia. Multiplicam-se os gostos. Os comentários. Em algumas a mulher usa apenas um biquíni da marca x. Noutras destaca-se outra coisa da marca y. Às vezes não importa a marca mas a visibilidade que dá à pessoa que acaba por chamar a atenção de quem a possa procurar para um trabalho. E todos estes detalhes fazem com que a nudez possa não ser acidental.

Isto não é necessariamente uma crítica. É uma realidade das redes sociais. É saber tirar proveito das mesmas. E quando é feito na perfeição acaba por passar despercebido. Isto não quer dizer que aconteça sempre. E com todas as pessoas. Mas é uma tendência que está a crescer cada vez mais e que joga com as armas que pode.

31.5.17

haters e ofensas

Maria Vieira (ou quem eventualmente escreve por ela nas suas redes sociais) é aquilo a que chamo de hater visível. Isto no sentido de que está constantemente a falar mal de pessoas e de situações. Com a diferença que dá a cara quando faz as suas críticas. A mais recente tem por alvo Salvador Sobral, uma espécie de Éder da música portuguesa. Ou seja, um herói nacional que tornou possível um conquista inédita.

Assumo que Salvador Sobral tem características que não aprecio. Mas diz muitas coisas com que concordo. Uma dela motivou o mais recente ataque de Maria Vieira. Tudo porque o cantor disse algo como "gostava de experimentar um atentado que não fosse noticiado" durante uma entrevista à RTP. A frase, mesmo retirada da entrevista, tem a sua lógica. Sem esquecer que o ideal seria que não existissem atentados. De resto, Salvador Sobral tem razão. Porque um dos factores que alimenta os terroristas é o tempo de antena que as suas "obras de arte" (aos seus olhos) conseguem ter.

Acho que qualquer pessoa percebe que um atentado seria completamente diferente com um impacto mediático bastante reduzido. Será que o fatídico 11 de Setembro teria o mesmo impacto caso as torres não tivesse caído em directo para todo o mundo? Tudo seria diferente. E agora ainda mais. Porque às notícias dos atentados juntam-se as imagens dos corpos mortos. Em alguns casos sem qualquer filtro. Isto tem um efeito duplo ou triplo. Por um lado, une as pessoas. Por outro, espalha o medo e alimenta o ego de terroristas que sonham acabar com a vida do maior número possível de infiéis para depois ser notícia em todo o mundo.

Não é por acaso que os terroristas gostam de ser identificados. Sabem que vão morrer. Mas certificam-se de que vão ser identificados. E tanto aplico esta teoria ao terrorismo como, numa escala menor, à época dos incêndios em que os canais mostram incêndios em directo durante largos minutos. Isto também alimenta os incendiários. Porque muitos deles têm prazer em ver o "seu" fogo na televisão. Uma das maneiras de amenizar isto passa por limitar o tipo de informação dada às pessoas.

Mas limitar a informação, principalmente nos dias que correm, é uma missão quase impossível. Porque há sempre quem dê a notícia de determinada forma. E depois todos dão. Numa corrida louca que todos querem ganhar e que ninguém quer perder. Isto aplica-se a todo o tipo de notícias, nas mais diversas áreas. Mas como em tudo na vida, são as piores notícias que mais mexem com as pessoas. São aquelas de maior impacto. E no que ao terrorismo isso também se aplica.