10.8.17

os tristes polícias que temos

Este texto merece uma nota prévia. Nada tenho contra polícias. Tenho amigos que seguiram esta profissão e que são excelente profissionais. Mas "profissionais" como aquele com quem me cruzei hoje servem para dizer coisas como as palavras que escolhi para o título deste texto. Sem querer generalizar, são polícias destes que fazem com que muitas pessoas não gostem da classe no geral. E que olhem para todos com o mesmo olhar.

A situação passou-se numa estrada. Circulava na faixa da esquerda (existem três). Vou dentro do limite de velocidade. Vou a ultrapassar os carros que seguem na faixa à minha direita (ou seja, na do meio). São vários carros seguidos. E tenho mais duas viaturas à minha frente. Olho pelo retrovisor e reparo que tenho uma mota da polícia atrás de mim. Praticamente colada ao meu carro. Seguia a uma distância que de segurança nada tem.

Tenho o cuidado de observar o comportamento do agente. As luzes estão desligadas. Segue sozinho. Por isso entendo que não está com pressa, leia-se com urgência. Se assim fosse, assinalava isso mesmo. Como manda a lei. Mesmo assim, costumo desviar-me dos polícias. O que neste caso era impossível. Porque tenho carros ao meu lado. E carros à minha frente. Que provavelmente não conseguem observar a mota, que segue colada ao meu carro.

O polícia (nitidamente amuado, algo que percebi mais tarde) não descansou enquanto não se posicionou ao meu lado. Obrigando-me a mudar de faixa. Volto a dizer que tenho carros à minha frente e à minha direita. Ou seja, o desejo do agente - que não está a sinalizar marcha de urgência - não podia ser satisfeito apenas porque sim. Tinha de esperar que tivesse espaço para uma manobra em segurança. Quando digo que o polícia estava amuado, é pelas caras que fez quando estava ao meu lado. "Obrigando-me" a mudar de faixa.

Se fosse uma pessoa nervosa, assim que o polícia começou a gesticular, tinha mudado de faixa. Sem olhar para retrovisores, arriscando-me a bater no carro que seguia ao meu lado. Mas só mudei quando havia espaço para isso. Provocando ainda mais ira ao agente. Que seguiu mais alguns metros a olhar para o meu carro como um touro olha para algo vermelho. O meu desejo foi dizer algo de que me arrependeria assim que as palavras saíssem da minha boca. Optei por ficar calado e subir o volume da música que ia a ouvir.

Percebia o estado do polícia caso viesse com urgência e o estivesse a ignorar. Também percebi caso fosse na faixa da esquerda a fazer turismo, enquanto tinha as outras duas livres. Mas estava a fazer tudo bem. Uma ultrapassagem dentro dos limites de velocidade. E mais demorada do que o normal porque tinha dois carros à minha frente e vários à minha direita. Por isso é que digo que são pessoas como esta que fazem com que outros polícias levem com rótulos que só pessoas destas merecem. Peço desculpa a todos os outros polícias, mas este faz-me dizer "tristes polícias que temos".

2 comentários:

  1. Bons a maus profissionais há em todos os lados.
    Quem não cumpra a Lei ainda há em mais lados.
    Policias, Bombeiros, Jornalistas, Enfermeiros, não passam de ser humanos como todos nós, e como tal cometem erros como todos os humanos.
    Não concordo que com essa atitude passe a ser um triste policia.
    Jornalista também os há que fazem figuras tristes e não é por isso que são "Tristes Jornalistas".
    Julguemos menos os outros, porque todos nós temos atitudes que irritam os demais.

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    1. Tens toda a razão. Mas eu não tenho de levar com o mau dia de um homem fardado, em estrada e a abusar do poder. Quando tenho um mau dia fico em casa. Ou deixo os problemas na porta do trabalho. E não ando fardado a incomodar pessoas sem motivo.

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