13.4.16

classe vs falta de chá

Enquanto benfiquista não me incomoda que alguns amigos sportinguistas ou portistas desejem que o Benfica perca hoje pelo maior número de golos que seja possível. Tal como não me importava na semana passada. Tal como nunca me importa. Faz parte da rivalidade e nem todas as pessoas conseguem afastar-se do seu clube numa competição em que não estão presentes.

Tal como acho que não somos obrigados a desejar que determinado clube internacional ganhe o que quer que seja apenas porque existe um português que o representa. Tal como não devemos dizer que fulano é melhor do que sicrano apenas porque é português. Isto é algo que se aplica à generalidade das pessoas. Mas considero que a determinadas figuras com determinado poder mediático exige-se um pouco de classe.

Classe que Cristiano Ronaldo demonstrou ontem ao revelar que gostava que o Benfica eliminasse hoje o Bayern de Munique. O jogador, formado no Sporting, assumiu o seu sportinguismo mas reforçou que gostava, enquanto português, que o Benfica fosse apurado e até gostaria de jogar em Lisboa na próxima eliminatória. E isto é classe. É algo que fica bem a um português que brilha no estrangeiro.

E é algo que contrasta com a azia ou falta de chá de André Villas-Boas no momento em que o Benfica eliminou o Zenit, clube russo que o português treina. Questionado sobre até onde o Benfica poderia chegar na competição, disse que se estava a marimbar porque é portista e não queria saber até onde o Benfica chegaria. E isto é falta de classe. Até porque o Porto já não estava em competição. E só lhe ficaria bem ter dito que desejava sorte ao Benfica, nada mais do que isto.

Desejar sorte ao Benfica não fazia de André Villas-Boas um portista menor. Apenas lhe dava mais classe. Era a mesma coisa que qualquer treinador português dizer que queria lá saber se o português tem sucesso na Rússia. “Sei lá. Não estou nesse campeonato. Quero lá saber do que ele faz. Sou benfiquista/sportinguista”, era algo que ficava mal. Era algo desnecessário. E uma gigantesca falta de chá.

A classe não se vê apenas na vitória. Aliás, é mais evidente na derrota do que na vitória. Ser deselegante em relação a outro clube não faz de ninguém um adepto mais fervoroso ou com mais classe. E dizer algo como Cristiano Ronaldo disse ontem – ou como disse José Mourinho - só fica bem a que profere tais palavras. Especialmente quando são portugueses que muitas vezes se queixam dos ataques que sofrem lá fora apenas porque são estrangeiros a tentar a sua sorte.

8 comentários:

  1. Muito bem e apesar de o Benfica, agora no intervalo, estar como empate, e precisa de fazer mais pontos, hoje sou Benfiquista.
    E adoraria , sim, que o Benfica e o Real Madrid se defrontassem.
    Vamos esperar mais um pouco.
    Boa sorte para o Benfica.

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  2. Eu sou portista, o marido é do Sporting, e ambos sofremos com o jogo e desejaríamos a vitória do Benfica. Eu penso que quando uma equipa nacional joga com uma estrangeira, é como se fosse a selecção de todos nós e deve ser apoiada por todos os portugueses. Seja essa equipa o Porto, Benfica, Sporting ou o Cascalheira Clube. E acredite que estou bem triste.
    Para mim quem põe a rivalidade biblística acima do patriotismo, não pensa como português.
    Abraço

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    1. Eu até aceito que as pessoas desejem que perca mas acho que a determinadas pessoas é exigido um pouco mais.

      Abraço

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  3. Eu quero tanto que o benfica ganhe "tudo o que há para ganhar", enquanto sportinguista, como quero que o Real Madrid (por ter o Ronaldo) ganhe "tudo o que há para ganhar", enquanto adepta do Atlético :p

    Ou para ser sincera, não estou nem aí... Interessam-me sim as competições em que somos rivais... Todas as outras, pode acontecer uma coisa qualquer que não dou a minima: nem fico euforica de alegria, nem fico aziada de revolta.

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    1. Acho que a determinadas pessoas, que não o adepto comum, é exigida classe.

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