15.3.16

ainda sobre "no meu tempo"

Um dos textos que partilhei hoje no blogue era sobre algo que considero ser diferente do tempo em que era adolescente. E refiro-me às semelhanças a nível de imagem que se observam nos adolescentes nos dias que correm. Tanto os rapazes como as raparigas parecem todos iguais, como roupas iguais e até, em muitos casos, penteados iguais. Parece que ver um é ver todos. Algo que considero diferente da altura em que era adolescente.

Por outro lado existe algo que não mudou desde aquela época até agora. E algo que provavelmente não mudará com o passar dos anos. E agora refiro-me ao local que se escolhe para sair à noite. Tal como na altura em que era adolescente (e quando comecei a sair à noite) também agora se procuram os sítios mais badalados. Quando alguém fala em noitada existe sempre alguém no grupo que menciona a discoteca mais badalada. Há sempre alguém a querer convencer o grupo a ir ao sítio "onde todos vão" e "onde tudo se passa". E isto não mudou com o tempo.

Na altura em que era adolescente isso acontecia. No momento de escolher um sítio para sair as hipóteses acabavam quase sempre por passar pelas discotecas mais badaladas. Onde todos sabiam que provavelmente até podiam pagar mais mas não se importavam. Existiam todas as desculpas desde as mulheres e homens mais bonitos até à melhor música quando aquilo que estava em causa era ser um sítio mais badalado.

E isto não mudou. Só mudaram os sítios. Pelo menos a maioria deles. Pois os jovens continuam a querer os espaços mais badalados de Lisboa, Porto e de tantas outras cidades. Sem que percebam que a melhor diversão, bebidas, música, companhia, seja o que for, não tem de estar necessariamente nesses locais badalados que aparecem em anúncios de rádios e em fotos de festas de famosos nas revistas. Os motivos para isto podem ser os mais diversos desde a aceitação aquilo que se considera "status", passando por tantas outras coisas.

Nesta temática, a idade ensina que os sítios mais badalados nem sempre são os melhores. Ensina também que a companhia dos amigos é melhor do que a qualidade da música ou mesmo que os atributos físicos daquela mulher ou daquele homem. A idade ensina que um bar vazio de clientes mas cheio de amigos pode ser muito melhor que aquela discoteca de que toda a gente fala. Mas enquanto não se aprende isto continua a achar-se que sair à noite passa necessariamente pelos locais mais badalados. Que se nunca se entrar em nenhum deles não se é ninguém nisto dos adolescentes que saem à noite.

8 comentários:

  1. Acho que isso faz parte da adolescência mesmo ;) em relação a serem todos iguais, estou de acordo. Até faz impressão. Dantes, andar de igual era motivo de piadas. Agora, se são diferentes, são olhados de lado.

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    1. Também acho que sim. Da adolescência e da ilusão daquilo que faz com que uma pessoa esteja "in".

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  2. Absolutamente de acordo. Mas adolescência não é época de mostrar personalidade e querer ser diferente, sob pena de se ser marginalizado. Não há maturidade suficiente na maioria dos adolescentes para terem esse entendimento.
    Um abraço

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    1. Acho que acaba por fazer parte do crescimento de cada um.

      Abraço

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  3. Eu cruzo-me com vários adolescentes ao longo dos dias (trabalho numa escola perto de escolas que têm jovens mais crescidos do que os meus alunos), no caminho para a escola e no regresso, ou à hora do almoço... e não acho isso.

    P.S. - Eu frequentei uma escola onde tínhamos de andar de farda, talvez seja por isso que não me parecem iguais...

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  4. Ah, e os sítios mais badalados nunca, mas nunca mesmo, me despertaram interesse. Aliás, nem me interessavam o suficiente para saber quais eram... Tinha, no entanto, irmãos e irmãs (somos sete) que sabiam essa informação e ma poderiam dar, se eu estivesse interessada.

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    1. Existem sítios badalados que são realmente bons mas uma coisa não implica a outra. Ser muito falado não significa que seja bom.

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