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31.8.15

sou um génio incompreendido

Vou no carro com a minha mulher. Passamos ao lado de um cartaz de uma sex shop. Digo-lhe: "podíamos abrir uma sex shop. Mas só vendíamos artigos em segunda mão. Até já tenho um nome para o nosso negócio. Lavadinho é Como Novo. Que achas?", perguntei. Ela riu-se. Sou um génio incompreendido.

28.8.15

"truque" que melhora a vida sexual dos casais

Há quem goste e pratique. Há quem odeie e evite. Há quem ache fundamental. Há quem ache infantil e desnecessário. Mas, ao que parece, trata-se de algo que tem impacto na vida sexual dos casais. Refiro-me ao sexting. De acordo com Emily Stasko, uma investigadora dos Estados Unidos da América, a troca de mensagens de cariz erótico/sexual pode ter efeitos positivos na vida do casal. 

Foram analisadas 870 pessoas, com idades compreendidas entre os 18 e os 82 anos. Destas, 88% assumiu que já enviou pelo menos uma mensagem com conteúdo erótico/sexual enquanto 74% admitiram que o fizeram enquanto estavam numa relação estável e 43% fizeram-no durante relações casuais. Ainda de acordo com o estudo, as pessoas que enviam mais mensagens do género são aquelas que apresentam uma maior satisfação sexual.

um gin tónico sff

Quando percorro o corredor de um qualquer centro comercial de ponta a ponta fico sempre com vontade de entrar em algumas lojas, dirigir-me ao balcão e pedir um gin tónico. É que o excessivo volume da música faz com que aquele espaço se assemelhe mais a uma qualquer discoteca do que a uma loja de roupa ou de outra coisa qualquer.

PS - Ainda sou do tempo em que se trabalhava em lojas de roupa (trabalhei em duas) com música num determinado volume, que era suficiente para dar outra vida à loja sem incomodar os clientes que em vez de fugirem chegavam a perguntar, em alguns casos, quem eram os artistas que se ouviam.

27.8.15

broa ou boa de avintes?



Depois de ver o vídeo dá para ficar perguntar vezes sem conta "onde está a farinha?" Dá também para fazer o trocadilho mais fácil de todos que passa por retirar o r da broa, aquilo que está a ser promovido neste vídeo que se tornou viral. Mais especificamente a 28ª Festa da Broa que vai decorrer em Avintes, Vila Nova de Gaia, entre 29 de Agosto e 6 de Setembro.

Brincadeiras à parte, dou os meus parabéns à agência CRIA que consegue pegar na sensualidade e no humor para que o vídeo se torne viral, alcançando assim o objectivo da promoção de um evento que certamente muitas pessoas desconhecem. Já agora, partilho também o vídeo promocional da edição do ano anterior.

jantar no sal

Estes últimos dias têm sido dedicados a uma das pessoas (em conjunto com os meus pais) que mais sofreu com a minha lesão e operação. O que aconteceu comigo mudou a vida da minha mulher e os planos que tínhamos feito. Como tal, assim que saio da fisioterapia tenho como única missão mimar a minha mulher.

E ontem foi dia de ir jantar ao Sal, o restaurante situado na praia do Pego, no Carvalhal (Comporta), que foi considerado o melhor restaurante de praia do mundo. Já tínhamos ido à praia, o aspecto do restaurante foi do nosso agrado, prometia um extraordinário pôr-do-sol e acabámos por fazer uma reserva para ontem.

E ontem fiz aquilo que costumo fazer quando vou a restaurantes que não conheço: ler opiniões de clientes em diversos sites. Isto não faz com que deixe de ir ao restaurante mas serve para saber, por exemplo, quais os pratos mais apreciados. Ao ler os comentários sobre o Sal fiquei assustado. Porque muitos falavam mal de tudo. A comida que não era nada de jeito, o atendimento que era mau, o tempo de espera excessivo entre pratos, o preço e a falta de qualidade em geral. Comentei com a minha mulher a possibilidade de ser uma desilusão. Mas também lhe disse que existem pessoas que podem apanhar um mau dia, que falam mal só por falar e que nada melhor do que experimentar para saber se e bom ou não.

Chegámos à praia perto das 20 horas (não fazem reservas antes dessa hora) e ainda estivemos a observar a praia deserta. Fomos para o restaurante e fomos recebidos por uma funcionária simpática e atenciosa (tal como todos os que privaram connosco). Fomos para a nossa mesa e antes de jantar observámos um magnífico pôr-do-sol.

Para entrada optámos por amêijoas. Não demoraram a chegar e estavam bem confeccionadas e muito saborosas. O couvert era composto por uma manteiga/pasta caseira, queijo temperado e cortado em pequenos pedaços e pão daquele que considero guloso, ou seja, que se come sem parar.

Escolhemos dourada para prato principal. O peixe foi servido pouco tempo depois de termos terminado a entrada. Vinha bem servido (já sem a espinha maior) e acompanhado por batatas e legumes cozidos. O azeite da casa (algo que para mim faz toda a diferença no peixe) é Herdade do Esporão. Para acompanhar a refeição bebemos Quinta de Avidagos, um vinho branco da região do Douro que não conhecíamos e do qual ficámos fãs. O vinho foi aconselhado pela empregada pois a nossa opção tinha sido um vinho local (Herdade da Comporta) que não estava disponível.

A sobremesa foi uma tarde de lima que dividimos. Aliás, é o que sempre fazemos com as sobremesas. Para finalizar bebi um café. A conta foi apresentada num barco de madeira e acompanhada de rebuçados de mentol e de flocos de neve. Esta experiência gastronómica ficou em 78 euros.

Se achei caro? Não! Atendimento simpático, eficiente e prestável. Peixe e marisco de qualidade, bem servido e bom vinho num espaço muito bem decorado e situado num local de rara beleza. Tudo isto faz com que considere que paguei um preço justo.

Se já comi dourada boa e mais barata? Já! Mas noutro tipo de restaurantes. Com os quais não posso fazer uma comparação justa. O que me leva a considerar uma refeição cara ou barata são alguns dos factores que mencionei. Posso pagar 20 euros e achar caro e pagar 78 e achar barato ou justo. E foi o caso do que aconteceu no Sal, restaurante que recomendo.

Por fim aconselho a que não levem muito a sério os comentários partilhados nos mais diversos sites. As pessoas, até porque são todas diferentes, devem experimentar as coisas por si e não deixar de o fazer pelos outros e por comentários que podem ter (em alguns casos) outros objectivos. Como costumo dizer, o pior que pode acontecer é nunca mais voltar. No caso do Sal, espero voltar muitas vezes. Se alguém estiver a pensar ir lá é aconselhável reserva.

25.8.15

parabéns para ti

És a minha irmã mais velha. E única que tenho. Rapaz e rapariga com seis anos de diferença é mais do que suficiente para que existam aquelas confusões típicas que marcam as histórias dos irmãos de sexos diferentes. Mas, acima de tudo isso, que recordo com um sorriso nos lábios, prevaleceu sempre o amor que nos une. És uma das minhas melhores amigas, amo-te muito, deste-me uma linda prenda que é a sobrinha mais linda do mundo e não te trocava por nenhuma outra irmã. Hoje é o teu dia e é hora de festejar como bem mereces. Beijos grandes, muitos parabéns e até já.

quem fala?

Gostava de perceber aquelas pessoas que ligam para outras pessoas - sem que estejam a devolver chamadas - e começam o telefonema a perguntar "quem fala?". Não perguntam por um nome nem confirmam um número. Simplesmente, e com dificuldade em ceder, insistem na pergunta que lhes permitirá saber o nome da pessoa que está do outro lado e para quem, bem ou mal, ligaram. "Com quem deseja falar?", diz a pessoa do outro lado. "Quem fala?", insistem. "Para que número deseja ligar?", pergunta a pessoa. "Quem fala?", insistem. Por norma, é engano. Em alguns, poucos, casos esta situação acontece num segundo telefonema, logo a seguir ao primeiro.

24.8.15

dicas sobre viagens

Preciso da ajuda das pessoas que passam por aqui e que gostam de viajar. Que destino, quente e económico, recomendam para os meses de Novembro ou Dezembro. E quais as vantagens e desvantagens dos destinos que recomendam. Muito obrigado.

20.8.15

és (sou) pior do que as mulheres

Quando estava no ginásio fotografei o banco onde estava a toalha do duche, o meu saco e a parafernália de coisas que habitualmente utilizo. Estava lá, em cima do banco, o frasco de shampoo, o do gel de banho, o frasco de desodorizante, o creme do corpo, o creme dos pés e o óleo de rosa mosqueta que aplico na cicatriz de modo a que não deixe grandes marcas. Na foto vê-se ainda o nécessaire aberto, onde é possível observar o frasco de perfume e o boião do creme do rosto.

Quando enviei a imagem antecipei, até porque sou o primeiro a brincar com isso, a resposta, que veio a confirmar-se. "És pior do que as mulheres", foi o que recebi de volta. Quando era puto costumava brincar com a minha mãe porque tinha diversos cremes para diversas funções. Acreditava que um chegava para tudo. Hoje em dia não vou para lado nenhum sem a minha parafernália de cremes. E percebo que estava errado quando era mais novo. E percebo também que – ao contrário do que muita gente julga - não é preciso gastar uma fortuna em produtos que fazem bem ao corpo. Com poucos euros fica-se muito bem servido.

quem nunca teve um vizinho destes?


Será impressão minha ou todas as pessoas têm ou já tiveram pelo menos um vizinho que tem uns chinelos destes e que nunca os descalça? Eu já tive!

19.8.15

diz que é uma fotografia repugnante (é melhor não ver)


Esta imagem está a inundar as redes sociais. Nela, como se observa facilmente, está uma mãe e o filho recém-nascido (três dias), destacando-se ainda a cicatriz de uma cesariana. Poderia ser, como tantas outras, uma simples fotografia. Mas neste caso existe uma história por detrás desta imagem que é da autoria da fotógrafa Helen Aller.

A mulher da fotografia tinha medo de fazer uma cesariana. Pode até dizer-se que era o seu maior pesadelo. Mas este receio passou a obrigação quando teve complicações no parto. Aquilo que mais temia acabou por não só salvar a vida do seu filho como a sua própria vida. E isso levou a que quisesse registar esse momento numa fotografia, aquilo que solicitou à fotógrafa em questão. De forma inesperada a imagem tornou-se viral contado com cerca de 12 milhões de visualizações. A isto juntam-se mais de duzentos mil gostos e mais de sessenta mil partilhas.

Há quem olhe para esta imagem e defenda que é repugnante. Há também quem diga que é sexualmente explícita. E há até quem já tenha tentado denunciar a imagem ao Facebook. Este é o lado negativo desta imagem e aquele que merece menos importância. Isto porque existe um outro lado que provavelmente será desconhecido para muitas pessoas e que está ligado à cesariana em si.

A fotógrafa afirmou que tem sido contactada por diversas mães. E apercebeu-se de que existe um estigma em torno do tema que vai muito além da marca física. Ao que parece, muitas mulheres sentem que falharam quando foi necessária uma cesariana para que os filhos nascessem. Algo que também me surpreende porque nunca tinha sequer pensado que a situação poderia ser encarada dessa forma.

Por outro lado, já me tinha apercebido de que existe uma certa "vergonha" em relação à marca física que uma cesariana pode deixar. Existem mulheres que optam por esconder essa marca que não retira beleza nenhuma ao nascimento de uma criança. Por isso, mais do que tentar encontrar repugnância nesta imagem, congratulo-me que esteja a ajudar diversas mulheres que tiveram de passar por uma situação semelhante à desta mãe.

elas agradecem e eu falo por elas

Em nome da minha perna direita e da minha bota walker quero agradecer a todas as pessoas que perderam parte do seu dia a deixar uma palavra de apreço, neste dia especial para mim, aqui no blogue, na página de facebook do blogue e também no instagram do blogue. Obrigado também a quem optou por enviar mensagem e obrigado aqueles que me deram a sua força de forma mais silenciosa. Num processo de recuperação longo pequenos gestos como os vossos conseguem fazer uma grande diferença. Em alguns dias são a linha que separa a falta de motivação que rapidamente dá lugar a um "embora lá que está quase". Por isso, o meu sincero e eterno obrigado a cada um de vocês - uma boa parte não me conhece de "lado nenhum" - pela simpatia, carinho e apoio. E um obrigado especial à minha família que sempre puxou por mim para que este dia chegasse o mais cedo possível.

adeus (foi bom enquanto durou)

29 de Abril. Aproximadamente 21 horas. Sinto uma sensação muito estranha, sem qualquer dor, na perna direita, enquanto jogava futsal. Horas depois, já no hospital, o diagnóstico revela o pior cenário possível: uma ruptura total do tendão de Aquiles. Seguiu-se uma semana, já com gesso na perna, à espera de operação. Sou avisado que dia 4 de Maio tenho de estar no hospital bem cedo. Tenho a ilusão de ser operado nesse dia. Algo que não acontece. No dia seguinte não prometem mas acabam por me operar. E no dia depois desse regresso a casa, novamente com gesso na perna.

Seguiram-se seis semanas, com uma consulta pelo meio, a desejar ver-me livre do gesso. A desejar começar a usar a bota walker que me permitia caminhar sem muletas e com o tendão protegido. Além disso retirar o gesso significava uma liberdade diferente em coisas tão simples como tomar banho. E ainda dar início à fisioterapia. Quando esse momento chegou foi a minha primeira grande alegria. Inicialmente, por uma questão de equilíbrio e adaptação à bota, fui aconselhado a usar a bota auxiliado por muletas. Acabei por perder o medo e passei a andar só com a bota. Mais um momento de alegria.

Seguiram-se pequenos passos como começar a pedalar. Começar a fazer força no pé. Até que fui desafiado pela minha fisioterapeuta a passar a ir para a fisioterapia com ténis mas auxiliado com muletas. Mais uma vez o objectivo era fazer força no pé. Coxeava muito mas assim fiz. Mais um momento de alegria. Tal como a autorização para conduzir, apenas de casa até à clínica (uma das coisas que mais desejava para que o meu pai não tivesse que estar sempre dependente dos meus horários), com uma distância considerável para outros carros e sem grande velocidade, tudo isto para evitar movimentos bruscos com o pé. Uma travagem brusca poderia correr mal e ser bastante dolorosa para o pé/tendão. Voltar a conduzir foi mais um momento de liberdade bastante saboroso. Nunca tinha valorizado tanto a condução. Nem mesmo quando tirei a carta.

E assim tem sido a minha vida. Um pequeno passo a cada dia. E quando têm de ser dados. Sem qualquer pressa. Dou o melhor na fisioterapia e fico à espera das palavras da fisioterapeuta. Esta semana acreditava que a minha alegria ia ficar pelo início dos agachamentos e outro exercício em que fico em bicos de pés e depois apoiado nos calcanhares e ainda pelo novo ângulo na bota walker. E isto já era motivo de alegria para mim. Era mais um pequeno passo dado na minha evolução rumo à recuperação total.

Até que ontem, ouço algo como isto, da boca da minha fisioterapeuta. "Bruno, vamos começar a andar na rua sem a bota, ok? Mas para já com uma muleta. É melhor. E para aqui vens sem nada. Porque já reparei que aqui coxeias menos sem a muleta", disse-me. Expliquei que o coxeio por medo e por defesa. Pois quando ando perto de um espelho e noto que estou a coxear altero logo o andar sem qualquer dor. Numa altura em que vou na sessão 37 (de 60) da fisioterapia ouvi aquilo que mais queria. A autorização para andar na rua com dois ténis e sem a bota, que muito útil foi ao longo de semanas e que fez de mim um pequeno robocop para quem toda a gente olha a tentar adivinhar o que se passa: será que ele anda sempre assim? Será algo provisório? Dúvida que normalmente apenas as crianças esclarecem.

Por isso, está na altura de dizer adeus à bota. Adeus à minha fiel companheira das últimas semanas. O único objecto – ao longo de todo este tempo – que me fez sentir seguro. Com a bota sentia que o tendão estava totalmente protegido. Era o efeito psicológico ideal. Agora serei obrigado a enfrentar novos medos relacionados com coisas tão simples como subir escadas. Mas também serei obrigado a acabar gradualmente com o coxear. Acabou-se o calça a bota, descalça a bota e calça o ténis para conduzir. Descalça o ténis e calça a bota para andar e por aí fora. Isto porque a bota tem cinco tiras com velcro e ainda tem um sistema de ar que torna a bota mais confortável.

Hoje é o dia em que deixo de usar bota. É o dia em que vou começar a lutar contra novos medos. Que vão ter de ser vencidos um a um, como tantos outros até agora. Acima de tudo é um dia feliz. A recuperação total ainda vai longe mas este passo faz com que pareça que está já ali ao dobrar da esquina. Agora, vou só ali cantar (e dançar) esta música. "Because I'm happy. Clap along if you feel like a room without a roof. Because I'm happy. Clap along if you feel like happiness is the truth. Because I'm happy. Clap along if you know what happiness is to you. Because I'm happy. Clap along if you feel like that's what you wanna do".

18.8.15

pensamento da semana #28


mudança de mentalidade, preconceito ou um mero flop?

Há muito que os reality shows alimentam milhões de telespectadores em todo o mundo. É um fenómeno que, como em muitos outros, se verificou primeiro no estrangeiro, acabando por chegar a Portugal na altura da primeira edição de Big Brother. Um programa desconhecido para os concorrentes e para um País que desde então passou a consumir esse produto com frequência. E com efeito em diversas áreas.

Não consigo compreender o fascínio, em alguns casos bastante acentuado, pela vida dos outros. Em querer saber tudo da vida dos outros. Em querer acompanhar a par e passo a vida de alguém como se isso tivesse alguma importância para a vida de quem vê. Tal como não percebo como é que, em alguns casos, esse vício não é saciado com uma telenovela ou uma série.

Como seria de esperar, até pela dimensão de Portugal, este fenómeno é muito maior no estrangeiro. E neste mercado, dos reality shows, existia uma grande expectativa em torno de I Am Cait. Este reality show acompanha a vida de Caitlyn Jenner, em tempos Bruce Jenner, o padrasto das três famosas irmãs Kardashian, as protagonistas do melhor sucedido reality show do género. A transformação de Bruce para Caitlyn deu que falar e criou um grande frisson em torno do programa que iria (e está a) mostrar a nova vida de Bruce, agora enquanto mulher.

I Am Cait estreou no dia 26 de Julho no canal E! e foi um sucesso. O primeiro episódio teve 2,7 milhões de espectadores. Porém, o segundo episódio desceu para metade. E agora, depois de três semanas a ser emitido, a média de espectadores ronda apenas os 1,2 milhões. Um número baixo para o mercado em questão. A expectativa era grande, o investimento do canal também foi e agora a desilusão também o é, tanto que existe a hipótese de cancelar o reality show.

Tudo isto levanta diversas questões. Será um mero, como tantos outros, flop televisivo? Será simplesmente um programa mal feito? Será que as pessoas estavam apenas interessadas em ver Bruce Jenner enquanto mulher e para isso basta um programa? Será que Caitlyn Jenner não tem interesse afastada da família Kardashian? Será que não tem o que é necessário para ser protagonista de um programa do género? Será preconceito pois ninguém quer ver um programa centrado na vida de um transexual? Será preconceito porque as pessoas estão a marimbar-se para os problemas com que um transexual tem que lidar na sua vida?

Ou, por outro lado, será uma mudança de mentalidade? Será que as pessoas começam a ficar saturadas (então nos Estados Unidos da América onde a oferta é gigante) dos programas que acompanham a vida deste, daquele e de tantos outros. Só os próximos tempos vão dar resposta a esta última hipótese. E até lá aposto que existem teorias e argumentos para todas as outras hipóteses que mencionei.

é uma cena que não me assiste #2

Andar com ela para dentro não é para mim. Eu gosto é de andar com ela de fora, sempre aos saltos. Mesmo que isso possa ofender alguém e representar um risco para mim. Ela de fora e sempre a saltar é que é. E refiro-me à roupa. Não gosto de andar com tshirts, camisas, pólos ou o que quer que seja por dentro das calças. Nem quando jogava futebol prendia a camisola nos calções, mesmo sabendo que corria o risco de ser admoestado com um cartão amarelo. Sinto-me preso com roupa presa nas calças. A única excepção é quando tenho de usar fato, algo que acontece muito raramente. Tshirts, camisas, pólos ou o que quer que seja por dentro das calças é uma cena que não me assiste.

the late late night show with hsb #34



La música se adueña de mi. Yo me pierdo en tu cuerpo. Tú me quemas com tu fuego. En tu cintura quiero vivir. Respirar de tu aliento y que me beses lento. Ay! llévame despacio que no hay prisa. Ve dejando en mi camisa una ruta de besos. Que me lleve al mismo cielo. Ay! pégate sin miedo con malicia. Lléname de tu sonrisa el corazón. A ritmo de tu cuerpo. Lento, baílame lento. Así con todo sentimiento. Vem cá menina, não me deixe. Lento, cierra los ojos. Y vivamos el momento. Baila conmigo hasta que veas salir el sol.

17.8.15

parece uma telenovela venezuelana dobrada em brasileiro

17 de Maio de 2015. O Benfica acaba de se sagrar bicampeão nacional. Nos festejos de tal conquista nota-se (pelo menos notei e mencionei isso cá em casa) um treinador diferente. Um homem, de nome Jorge Jesus, em tudo diferente daquele que em tempos foi confundido com um adepto e agarrado por um agente da Polícia em festejos semelhantes. Algo estava diferente. Muito diferente.

Dias depois começam os rumores que apontam para a não renovação de contrato de Jorge Jesus com o Benfica, onde auferia um ordenado principesco. Fica ou sai? Parece estar perto de sair. Até que surge a notícia bomba. Jorge Jesus está mesmo de saída do Benfica mas não vai para longe. Atravessa a Segunda Circular e muda-se para o Sporting. Vai para o clube da sua vida e realiza o sonho do seu pai, dizem uns. Traiu o presidente do Benfica, acusam outros. Sendo certo que vai ganhar ainda mais do que os quatro milhões que auferia no seu antigo clube.

Desde o momento em que foi tornado público que seria o novo treinador do Sporting que não se fala de outra coisa. Jorge Jesus é o homem mais falado em Portugal. A isto junta-se um treinador abandonado – Marco Silva – no seu novo clube. Por sua vez, o Benfica apresenta Rui Vitória como novo treinador. Curiosamente o primeiro jogo oficial coloca frente a frente Benfica e Sporting. Aquele que é o Verão mais quente dos últimos anos do futebol português atinge outro patamar a poucas horas do jogo entre ambas as equipas.

Mais uma vez, Jorge Jesus no centro da polémica. Ao dizer que o novo treinador do Benfica não mudou nada no clube e assumindo-se como o cérebro do Benfica. Isto já para não falar da guerra cérebro vs estrutura de um clube. O Sporting ganha o jogo e ainda no relvado acontece nova polémica. Jorge Jesus dá um "calduço" a Jonas, seu antigo jogador. O brasileiro não gosta e devolve o carinho três vezes ao seu antigo treinador, já junto aos autocarros.

Neste momento já não me recordo da polémica do início do texto. Mas sei que não acaba no último bloco de texto. Dias depois do jogo é divulgada uma suposta troca de mensagens entre Jorge Jesus e alguns dos seus antigos jogadores. Mas não são mensagens de circunstância. Existem picardias tácticas. Este passa a ser o tema mais falado em Portugal ao longo dos últimos dias. E quando pensava que tudo acabava aqui, surge mais um episódio.

Agora o treinador (Jorge Jesus) queixa-se de que o Benfica não lhe pagou o último ordenado, correspondente ao mês de Junho, e promete resolver tudo em tribunal. Por sua vez, o Benfica assume a falta de pagamento, justificando a mesma com a quebra de contrato por parte do treinador que sendo ainda empregado do Benfica já trabalhava para outra entidade patronal, o Sporting. Como tal, não só não paga como avisa que irá levar o treinador a tribunal pedindo uma indemnização de 7,5 milhões de euros, valor correspondente à cláusula de rescisão, por quebra do contrato.

Resumindo, de Maio até Agosto (e duvido que fique por aqui, provavelmente para alegria da classe política portuguesa) só se fala de Jorge Jesus e do Benfica. Até nas conferências de imprensa do Sporting se consegue falar mais do Benfica do que do Sporting. Isto parece uma das melhores telenovelas venezuelanas dobradas em brasileiro com milhões de espectadores que devoram jornais, sites, programas de televisão e blogues dedicados ao tema. Tendo em conta que temos três canais que apostam na ficção nacional, acho que era de aproveitar e fazer uma telenovela com moldes semelhantes, algo (penso) nunca feito em Portugal (recordo-me apenas de uma telenovela brasileira com um actor a fazer de jogador).

Traições, corações partidos, fortunas, casa de luxo, fortunas perdidas, dramas familiares e muito mais, tudo associado a um tema que atrai diversas pessoas. Fica a dica para se fazer algo em torno disto. Aposto que seria um sucesso de audiências. E fazer um guião seria bastante fácil.

#queroqueodicaprioganheumoscar (ou um nobel)

Sou daqueles que defendem que Leonardo DiCaprio já deveria ter recebido um Oscar. Isso podia ter acontecido com O Lobo de Wall Street. Ou com Diamante de Sangue. Só para dar dois exemplos. Mas este meu desejo tem sido sucessivamente adiado. O que faz com que comece a levar a sério aquela piada de que um dia será feito um filme sobre a vida de Leonardo DiCaprio e que o actor escolhido para fazer de DiCaprio irá vencer um Oscar com essa performance.

Como tal decidi lançar o movimento #queroqueodicaprioganheumoscar. E porquê agora? Simples! Porque caminhamos a passos largos para a estreia do próximo grande projecto do actor, de 40 anos. Falo de The Revenant: O Renascido, que conta a história verídica de um caçador (DiCaprio) do século XIX que é abandonado pelos pares (Tom Hardy e Will Poulter) junto a um urso pardo que o atacou para proteger as suas crias, e que tem estreia marcada para o início do próximo ano. Este homem, de nome Hugh Glass, consegue escapar da morte certa e regressa para se vingar dos homens que o abandonaram, acabando por se tornar numa lenda.

História verídica é meio caminho andado para ser um grande filme. Ter DiCaprio como protagonista – sobretudo nesta fase da carreira em que cada projecto é melhor do que o outro - é um extra bastante valioso. Acrescentar Tom Hardy, que também atravessa um excelente momento na carreira, é outro belo bónus. E, como se isto não bastasse, o filme é realizado por... (rufar de tambores) Iñárritu. Isto misturado chegava para ser sucesso garantido. Mas há mais.

A rodagem do filme está cheia de peripécias. O realizador foi muito minucioso na escolha das zonas de filmagem, que tiveram início no Canadá. A previsão era iniciar em Setembro do ano passado e ter terminado em Março deste ano. Porém, as filmagens duravam poucas horas por dia porque Iñárritu quis utilizar apenas luz natural e na ordem cronológica da história. A neve começou a acabar no Canadá e a equipa mudou-se para a Argentina. Algures neste processo foram despedidas pessoas e outras despediram-se.

Facilmente se percebe que os seis meses foram curtos para a rodagem do filme. Tudo isto fez com que o orçamento desse um salto dos 54 milhões de euros para os 121 milhões. Quanto a DiCaprio, parece que o actor que foi obrigado a deixar crescer a barba terá apanhado piolhos na mesma e nem mesmo assim foi autorizado a cortar a barba. É que podiam ter de filmar certas cenas novamente. Este caldeirão de acontecimentos levantou críticas. Às quais Iñárritu não ficou indiferente. "Foi planeado para ser assim, para serem pequenos momentos preciosos. Foi assim que concebi a produção. Era para criar intensidade nos momentos assim como nas condições do clima. Cada pequena cena é muito difícil, emocional e tecnicamente. Quando virem o filme vão ver a sua escala. E vão dizer Wow", explicou.



Tendo em conta o historial de Leonardo DiCaprio e o seu momento de carreira aposto no sucesso deste filme. Tendo a assinatura de Iñárritu, reforço essa aposta. Vendo o trailer, coloco mais fichas na mesa e faço um all-in nesta longa-metragem. Quase de certeza que irá resultar numa nomeação de Leonardo DiCaprio. Provavelmente, caso isso aconteça, não será o vencedor. Por isso, e para evitar este desfecho, lanço o movimento #queroqueodicaprioganheumoscar. Ou então esquecemos esta ideia e avançamos já para o Nobel.

missão impossível 692312122369

Já perdi conta ao número de filmes que existem com a chancela Missão Impossível. Como tal, também já perdi conta ao número de vezes que fui ao cinema ver um desses filmes. Algo que aconteceu com o mais recente Missão Impossível: Nação Secreta. Não preciso de trailer para querer ver um destes filmes mas confesso que neste caso específico o trailer (quem não viu pode ver aqui) está muito bem feito. Cria-se a ideia de que poderá ser o último filme (algo que permanece sempre um mistério) numa missão ainda mais complicada do que as anteriores.

Sei que vou ver mais do mesmo mas neste caso não se trata de uma crítica mas de um elogio. Ou seja, a qualidade mantém-se. Acção. Muita acção, em alguns casos com cenas extraordinárias, tal como acontece neste filme com uma cena com um carro e diversas motas. Sei que vou encontrar também humor que dá um toque especial ao filme. Sei que não faltará sensualidade. Neste caso essa parte está a cargo de Rebecca Fergunson. E sei também que o elenco não vai desiludir.

Os anos parecem não passar por Tom Cruise que continua muito bem na pele de Ethan Hunt. Simon Pegg também não desilude na pele de Benji. Ving Rhames não aparece muito neste filme mas consegue deixar a sua marca. Jeremy Renner é Jeremy Renner, um actor que não sabe representar mal e que continua bem a dar vida a Brandt. Surge agora Alec Baldwin e acredito que veio para ficar. Sean Harris também está bem na pele de um vilão que prima pela inteligência e antecipação. E, como já tinha referido, a sensualidade, muito bem regada com acção, ficou a cargo de Rebecca Ferguson.

Saí da sala de cinema com a sensação de que se trata de um filme que consegue ter melhores cenas de acção do que determinados filmes com orçamentos muito mais elevados. A cotação de 7,8 no IMDB mostra também que é um filme que está a agradar às pessoas. É daqueles filmes que merecem ser vistos no cinema e revistos em casa. Agora, este post vai autodestruir-se dentro de cinco segundos e que venha o próximo filme.

PS - Só tenho saudades de encontrar no filme uma música como I Disappear, dos Metallica ou Take a Look Around, dos Limp Bizkit, que já fizeram parte da banda sonora de dois dos filmes Missão Impossível. 

hoje cozinho eu #1

Faço parte do grupo de pessoas que achando não ter jeito para cozinhar acaba por gostar de o fazer. E o meu modus operandi é o seguinte: deparo-me com uma receita (num programa de televisão ou num site), gosto da mesma, entendo que a consigo elaborar, compro os ingredientes e fecho-me na cozinha a preparar aquilo que vou fazer. Quando estou a cozinhar gosto de fazer da cozinha uma espécie de local sagrado que não deve ser pisado por mais ninguém.

E foi isto que aconteceu quando me deparei com uma receita de peixe ao sal num programa de televisão de Gordon Ramsay que coloquei em prática neste fim-de-semana. Porém, acabei por seguir a receita de Henrique Sá Pessoa, que também tinha sido partilhada no seu programa Ingrediente Secreto. E decidi partilhar a aventura de fazer o meu primeiro peixe ao sal. Trata-se de uma receita simples que faz de qualquer zero à esquerda na cozinha um mestre de culinária.

Ingredientes:
Robalo (cerca de 1 kg) com escamas.
2 kg de sal marinho
500 g de sal fino
100 g de pasta de azeitona preta
1 ovo (clara)
1 ramo tomilho

Preparação
É essencial que o peixe tenha as escamas. Limpar a barriga, retiras as vísceras, lavar muito bem o peixe e colocar o ramo de tomilho na barriga do peixe.

Misturar bem a pasta de azeitona com o sal (grosso e fino). A ideia é que fique semelhante à areia molhada da praia. Caso a pasta de azeitona não chegue para esse efeito basta acrescentar a clara de ovo. (Quem preferir pode fazer sem a pasta de azeitona e sem o ovo. Nesse caso, colocar um pouco de água por cima do sal quando já estiver colocado em cima do peixe).

Num tabuleiro fazer uma cama com o sal. Colocar o peixe e cobrir o mesmo com o sal. Certificar que fica totalmente (o rabo é desnecessário) de sal e que o peixe está bem fechado.

Levar ao forno (pré-aquecido a 180 graus) durante 20/25 minutos. A dica de Henrique Sá Pessoa é que se contem 20 minutos por cada quilo de peixe. Eu (o meu robalo tinha 750 gramas) deixei 20 minutos.

Retirar do forno. Partir o sal com cuidado e está pronto a servir.

No meu caso acompanhei com batata cozida. Numa panela colocar as batatas e água (fria) suficiente apenas para tapar as mesmas. Cozer com pele e não ter receio de abusar no sal porque a pele ajuda a que não fiquem salgadas. Levar ao lume durante cerca de 15 minutos. Ir espetando um garfo nas batatas para perceber quando estão devidamente cozidas.

Pode também ser servido com batatas assadas e com verduras. Depende do gosto de cada pessoa. Acompanhei a refeição (para duas pessoas) com um vinho branco (Reguengos) alentejano. Aqui fica a foto do resultado final.


Esta é a primeira aventura culinária que aqui partilho. Pretendo partilhar mais mas sem uma periodicidade obrigatória. Comecei por esta receita porque é a prova de que todas as pessoas podem fazer um brilharete, de forma bastante simples, na cozinha. Trata-se de uma receita muito fácil, sem grandes truques e que resulta sempre num peixe delicioso que certamente agradará à(s) pessoa(s) que irá partilhar a refeição. Agora basta escolher o dia para dizer: "hoje cozinho eu".

14.8.15

chegou o dia em que os vizinhos começam a ouvir asneiras (e não envolve sexo)

Eles passam o Verão a desejar este dia. Consomem jornais como se não houvesse amanhã. Querem saber quem está para vir. Quem está para nos abandonar. Fazem-se palpites. Vestem-se os fatos de Mourinho e Guardiola. Se eu fosse treinador jogava assim. Eu jogava assado. Eu dispensava este. Eu comprava aquele. Os amigos discutem. Depois fazem as pazes. Depois voltam a discutir. E depois voltam a fazer as pazes.

O que é verdade é que eles contam o tempo para que chegue este dia. Ainda para mais quando se vive um Verão escaldante como não se vivia há muito. Além das transferências, que trouxeram até ao nosso País jogadores conhecidos em todo o mundo e pagos a peso de ouro, existem os casos. As polémicas. As mensagens que o treinador supostamente enviou. Ao todo, fazendo as contas por baixo e ignorando eventuais surpresas, existem três galos para um poleiro. Sendo que dois deles passaram cheques como se não houvesse amanhã, apostando tudo na vitória final.

Mas, dizia eu no título do texto, que é o dia em que os vizinhos começam a ouvir asneiras. E esse fenómeno começa às 20h30 de hoje, sexta-feira (14), momento em que tem início o campeonato nacional de futebol. Prova que se vai arrastar durante nove meses, fazendo com que o fenómeno dure o mesmo período de tempo. Hoje, a partir das 20h30 começam a ouvir-se asneiras vindas da casa do vizinho do lado.

De um lado estão os adeptos do Sporting, desejosos de uma entrada vitoriosa no campeonato. Mesmo tendo em conta que o seu novo treinador, o messias de Alvalade, só tenha vencido três vezes (em dezasseis possíveis se a memória não me atraiçoa) na primeira jornada. Empolgados com a pré-época, os adeptos verdes e brancos acreditam na vitória de hoje e também na próxima jornada (algo que o treinador nunca conseguiu pois Jorge Jesus não é homem de dar duas de seguida, leia-se duas vitórias de seguida nas duas primeiras jornadas do campeonato). E estes adeptos são capazes de soltar alguns impropérios caso algum jogador falhe um golo de baliza aberta, num daqueles momentos em que todos se lembram da avó que marcava aquele golo com uma perna às costas.

Por outro lado, os adeptos do Benfica e do Porto também vão estar colados ao ecrã, na esperança de um desaire. E se os verdes e brancos vão recordar-se da avó (nas circunstâncias que referi) os encarnados e os azuis e brancos vão recordar-se de algo parecido com camarão e com a filha da truta, caso algum jogador do Sporting marque um golo. E talvez se recordem das avós caso seja um jogador do Tondela (já agora ainda não tinha referido que o jogo Tondela vs Sporting inaugura esta edição do campeonato) a falhar um golo de baliza aberta.

Seja como for, é certo que vão ouvir-se asneiras atrás de asneiras durante os próximos nove meses. Quer sejam dedicadas aos jogadores, aos treinadores, às pobres coitadas das mães dos árbitros, aos dirigentes ou a outras pessoas quaisquer. Que comece o campeonato. Que vença o melhor. E que o melhor seja o Benfica.

Quanto ao jogo de hoje, que vença o Tondela. "Lá estás tu contra o Sporting. Estás com azia por causa do Jorge Jesus e por teres perdido a Supertaça", podem dizer. Mas não é nada disso. Estou mesmo a torcer pelo Vítor Paneira, jogador que cresci a admirar e que nunca me hei-de esquecer que tinha por hábito dizer "vou jogar aqui" quando passava junto ao antigo Estádio da Luz. E a verdade é que jogou e que tornou-se num símbolo do clube que amo. Por isso, boa sorte Vítor Paneira, na tua estreia na principal divisão do futebol português.

diz que dexter, o serial killer, pode voltar

Trata-se de uma mera conversa informal mas David Nevin, o presidente do canal Showtime, revelou que a série Dexter poderá ter uma continuação. "É uma questão de saber quando é a hora certa. Se há vontade de fazer, certamente vou analisar", referiu durante uma conversa nos Television Critics Awards. David Nevin explicou ainda que o eventual regresso só faz sentido caso Michael C. Hall esteja disponível para o projecto. "Teria de o envolver. Só iria faze-lo com o Michael. A série é esse personagem. Se tivéssemos de fazer, gostava de fazer de Dexter um novo conceito com uma nova configuração. Quero que a série seja diferente e não apenas uma continuação", concluiu.

Apontamentos vários sobre este eventual regresso. Primeiro fico feliz por perceber que ainda existem pessoas que percebem que determinadas séries vivem do seu protagonista. Continuar Dexter sem o famoso serial killer era absurdo. Nesse sentido era preferível fazer algo novo em vez de recuperar uma das séries mais marcantes dos últimos anos.

Por outro lado, uma continuação deveria ser obrigatória. Com o passar dos tempos Dexter foi perdendo qualidade e o final teve como único ponto positivo a porta que ficou entreaberta para uma eventual continuidade e a solidão de um homem que sempre lidou com o sofrimento, tanto o seu como aquele dos que o rodeiam. De resto, a maior parte dos personagens merecia algo mais, sobretudo Debra, a irmã de Dexter que teve um final tão fraco e imerecido como a própria série. Acredito que esta pausa foi suficiente para que um eventual regresso de Dexter esteja à altura do início da série. Que volte depressa.

Dexter, Prison Break e 24: (que infelizmente irá tirar o protagonismo a Bauer) vão regressar. Resta saber quando vão fazer o mesmo com Lost, que também mastigou a história durante algum tempo. Por fim, qual a série - destas ou outra qualquer - que gostariam que tivesse continuidade?

13.8.15

(des)encontros (capítulo catorze)


Assim que a rapariga se voltou foi dissipada qualquer dúvida que ainda pudesse apoquentar João. Não existia qualquer dúvida de que era ela. Era a mulher que tinha arrebatado o seu coração em Portugal. De tal forma que era o protagonista de uma viagem com final desconhecido mas com o objectivo de a encontrar. Mas se não tinha qualquer dúvida de que era Sophia, existia algo estranho no seu olhar. Algo que João não conseguia decifrar. Uma reacção que não era perceptível para si.

"És a Sophia não és?", perguntou João. "Sim, esse é o meu nome. Posso ajuda-lo em algo?", devolveu Sophia, para espanto de João. "Sou o João. Não te recordas de mim?", insistiu. "Não! É verdade que me chamo Sophia mas não serei aquela que procura", explicou. "Mas...", disse João sem tempo de prosseguir a frase pois Sophia virou costas, juntando-se novamente às amigas. A tristeza apoderou-se de João. Ainda mais quando ouviu as amigas gozarem consigo e Sophia murmurar às amigas que devia ser um falhado qualquer à procura de uma pobre coitada.

Mas João não tinha dúvidas. Não era apenas o nome que unia aquela mulher ao motivo da sua viagem. Eram a mesma pessoa. Por momentos pensou abordar Sophia novamente. Acreditou que pudesse ser esquecimento. Acreditou que a noite pudesse ter sido marcante para si e não para ela. Mas quando se preparava para avançar em direcção a Sophia percebeu também que poderia estar a ser ignorado propositadamente. Ou que as duas amigas impedissem uma conversa normal entre ambos. O medo de ser ignorado uma segunda vez fez com que se afastasse. Lentamente, com a sensação de que o seu corpo tinha aumentado cerca de uma centena de quilos em breves segundos. E como se isso não bastasse ainda conseguia sentir diversas facadas no corpo. Estas eram as sensações com que se deslocava.

Assim que se cruzou com o primeiro empregado pegou num copo. Não reparou se era vinho branco. Ou tinto. Ou outra bebida qualquer. Pegou nele e bebeu tudo de uma vez. Estava num tal estado que já depois de beber conseguia ser perceber o que tinha bebido. Sabia apenas que não era água e que queria mais. Não interessava se saboreava ou identificava a bebida. Naquele momento a sensação de beber trazia-lhe o conforto de que necessitava. E que provavelmente, dadas as circunstâncias, só lhe poderia ser oferecido pelo álcool. E assim pegou no segundo copo, levando-o à boca. No momento em que se preparava para beber ouviu uma voz dizer o seu nome, enquanto lhe tocava no ombro. Voltou-se e viu Sophia. O que não impediu que bebesse mais um copo.

"Não devo ser o João que procuras", disse-lhe. "Não sejas assim. Desculpa ter fingido que não te conhecia mas são duas amigas do meu noivo. Elas não estiveram em Portugal e não sabem o que se passou. Se te falasse perto delas tinha muito para lhes explicar. E não me apetece isso. Indo ao assunto, até porque não tenho muito tempo que elas foram ao wc, o que fazes aqui?", perguntou Sophia. "Podia dizer-te que vim ao concerto e que por obra do destino acabei por me cruzar contigo por aqui. Mas estaria a mentir. Não consigo parar de pensar em ti desde aquela noite. E vim à tua procura sem ter a certeza de que te encontrava. Quando soube deste concerto, calculei que estivesses cá. E estavas", explicou João.

"À minha procura? Vieste de Portugal apenas por mim?", referiu com espanto. "Sim. Pela mulher que com um beijo me deixou num estado tal que sabia que não descansava enquanto não fizesse esta viagem. Mesmo desconhecendo o desfecho da mesma. Precisava mesmo desta viagem", disse. "Mas o que esperas de mim?", perguntou Sophia. "Queres que abandone tudo por uma noite e um beijo contigo?", insistiu. "Eu não quero nada disso. Queria apenas encontrar-te. Queria apenas ver a mulher que me beijou e que me disse que não estava muito feliz com a relação. Se bem me recordo até disseste que te sentias presa à relação e que tudo estava a avançar muito depressa", recordou João. "Aquilo que tenho para te dizer é que me deixaste com vontade de fazer esta viagem. Tal como tenho vontade de estar contigo. De te conhecer melhor. De tentar algo contigo. Era isto que te queria dizer", explicou.

"João...", suspirou Sophia. "Não sei o que te dizer. Foi uma noite de excessos. O álcool já falava por mim. E não vou trocar aquilo que tenho por ti. Não te conheço. Talvez tenha desabafado contigo por acreditar que nunca mais te via. Talvez seja só isso", referiu. Por mais vontade, e era muita, de chorar, João esforçou-se como nunca para não revelar a sua parte fraca. "Esta viagem merecia mais do que a desculpa do álcool. E já agora, costumas dizer a todas as pessoas que esperas nunca mais ver que nunca as esquecerás?", perguntou. "Já te disse que não estava bem em mim. Foi a situação, foi o ambiente. Foi tudo junto. Nunca imaginei que fizesses isto. Nem eu mereço isso", disse Sophia.

"Estamos de acordo na parte do não mereceres a viagem. Nem do outro lado da rua quanto mais a que fiz. A desilusão está muito próxima da mágoa e poderia dizer coisas de que até nem me arrependeria porque agora sou eu que acredito que nunca mais te vou ver. Mas não o vou fazer. Peço-te apenas que nunca mais faças isto a ninguém. Se não estás bem com a tua relação, não aproveites aqueles momentos de libertação, algo que aconteceu em Portugal, para magoares pessoas que nada têm a ver com a tua vida. E obrigado", referiu. "Obrigado?", perguntou Sophia. "Obrigado por me mostrares que precisava de fazer esta viagem por mim e não por ti. Obrigado por me ensinares, à bruta, que nem todas as histórias têm um final feliz. Que sejas feliz", disse, voltando costas a Sophia.

"João", chamou Sophia. João acabou por se voltar. "Só mais uma coisa. Tenho de me ir embora porque este desgraçado vai à procura de uma pobre coitada", gracejou, mostrando a Sophia que tinha ouvido as suas palavras às amigas. "Algo que só deverá acontecer quando chegar a Portugal. Porque a pobre coitada desta história eras tu. Adeus", disse, pegando em mais um copo de vinho que bebeu antes de se afastar de Sophia. "João! João! João! Espera", gritou Sophia.

o outro lado da má fama (ou porque nem todos têm de ser burros)

Os participantes de reality shows como A Casa dos Segredos têm aquilo a que se chama de má fama. O programa em si, apesar do sucesso de audiências, também está associado a aspectos menos positivos. Resumindo, é uma espécie de vale tudo para alcançar a fama o mais depressa possível. Este lado menos positivo está igualmente associado aos concorrentes. Porque são burros. Porque não têm qualquer cultura. Porque não dizem duas coisas acertadas de seguida. Porque estão dispostos a tudo e mais alguma coisa para alcançar cinco minutos e fama e para mais meia dúzia de presenças em diversas discotecas. E por aí fora.

E isto acaba por estar associado a todos os concorrentes. Acaba por não se fazer uma distinção. São todos, como diz o povo, farinha do mesmo saco. Se um é burro, todos são. Se um tem determinado objectivo, todos têm. Se um não sabe tirar partido da exposição mediática de um dos programas mais vistos em Portugal, nenhum sabe. Se um tem como objectivo de vida viver de presenças em discotecas e quem sabe participar numa qualquer música, todos almejam a mesma sorte. E a verdade é que são os próprios concorrentes (e a forma como são servidos ao público) que fazem com que seja complicado perceber que podem existir pessoas diferentes.

Uma dessas pessoas, que não conheço de lado nenhum, parece ser Marco Costa. Foi um dos concorrentes mais mediáticos, até porque a sua história de vida tinha todos os ingredientes que os telespectadores apreciam, das diferentes edições do polémico reality show. Do meu ponto de vista soube tirar proveito da exposição mediática. Facilmente terá percebido que as presenças não são eternas. E, e isto sou eu a dar palpites, soube canalizar a fama e os proveitos da mesma para se lançar numa área onde a sua qualidade é reconhecida.

Como referi não conheço Marco Costa pessoalmente mas conheço pessoas que o conhecem e a opinião é unânime. Dizem-me que se trata de um bom rapaz que conquista as pessoas com a sua forma de ser. Muitas vezes criam uma ideia errada dele e descobrem um homem completamente diferente. Isto é o que tenho ouvido sobre Marco Costa.

Já tinha ouvido falar muito bem da famosa torta de laranja do Marco. Ontem, através das redes sociais, percebi que estaria presente nas Festas Populares da Amora (que tiveram ontem início) e acabei por passar por lá, de modo a descobrir se a fama do doce era merecida. Neste aspecto não há muito a dizer. A torta de laranja merece todos os elogios que lhe têm feito. É de comer e chorar por mais. Não tem um sabor industrial. Parece aquela torta de laranja que alguém na família faz com muita qualidade, amor e carinho e que todos desejam ver em cima da mesa em tempos festivos.

Mas existe muito mais para dizer além da qualidade da torta. Apesar de ser um doce muito bom é impossível não perceber que este negócio vive também da imagem de Marco Costa. Se ele estiver presente certamente que as vendas aumentam. É normal que assim seja. E ontem, quando lá cheguei, lá estava ele. Cumprimentava as pessoas que se aproximavam, tinha tempo para todas, conversava, tirava mais uma foto e distribuía mais uns beijinhos. Sem o conhecer, atrevo-me a dizer que o fazia com a maior das naturalidades do mundo. Não era um frete.

Basicamente, tem a perfeita noção de que é o melhor cartão de visita do seu negócio. E também o melhor promotor possível da marca e do produto. E é isso que faz na perfeição, sendo simpático para as pessoas, deixando sempre o desejo de que a sua torta seja do agrado dos clientes. Saliento também que, tendo jeito como pasteleiro, poderia cair na tentação de querer comercializar diversos doces. Mas (e bem) centrou-se, neste registo, naquele pelo qual é famoso: a torta de laranja.

Comecei por referir que os concorrentes de reality shows costumam estar associados à falta de inteligência. Marco Costa é o exemplo do oposto. Fiquei com a ideia de que é uma pessoa extremamente inteligente e que soube retirar o melhor proveito das portas que a fama abriu. E quando assim é, resta dar os parabéns e desejar a melhor das sortes para o negócio. Por fim, quem andar pela Margem Sul até domingo visite as Festas Populares da Amora e prove a torta. Vale mesmo a pena.

12.8.15

ghosting? conhecia por outro nome

Diz que é o último grito da moda no que às relações amorosas diz respeito. Trata-se do ghosting. E o que é o ghosting? Nada mais do que acabar uma relação ao estilo do melhor dos fantasmas. Ou seja, não se fala com a outra pessoa. Não se diz nada. Simplesmente a pessoa deixa de aparecer. Mas o fenómeno fica por aqui. Não é necessário que a pessoa que deixa de aparecer – o tal fantasma – volte para atormentar a pessoa que abandonou sem dar explicações.

Fui atraído pelo fenómeno ghosting. O nome captou a minha atenção e quis perceber que nova tendência era esta para o final das relações. Quando li que passa simplesmente por deixar de aparecer sem justificação aparente percebi que não se trata de nenhuma novidade. É algo que existe e é praticado por muitas pessoas há largos anos. Quando andava no secundário dizia-se que era uma relação à David Copperfield ou Luís de Matos. Era aquela relação que por norma durava pouco tempo e em que uma das pessoas desaparecia tal como se fosse magia.

Havia até quem brincasse perguntado a outra pessoa se estava interessada numa relação à David Copperfield/Luís de Matos. "Como assim?", respondia a pessoa. "Estamos juntos e depois desapareces", explicava a outra pessoa. O fenómeno é mais ou menos o mesmo. Só que agora tem um nome mais apelativo e um destaque maior por ser praticado por pessoas conhecidas em todo o mundo, como é o caso de Charlize Theron e Sean Penn.

Este fenómeno do ghosting não me surpreende. Nos dias que correm com a cada vez maior desvalorização das relações pessoais (amorosas ou de amizade) desaparecer é aquilo que muitas pessoas fazem. Algo que acontece, por exemplo, quando já não se precisa da outra pessoa. Ou quando alguém se farta de outra pessoa. Já lá vai o tempo em que as pessoas se davam ao trabalho de explicar algo a alguém. Já lá vai o tempo em que as pessoas eram valorizadas ao ponto de merecer uma justificação. Agora são descartáveis.

Por outro lado, ainda bem que isto acontece. Talvez seja a forma mais rápida de perceber que não se trata de um amigo(a). E talvez seja a forma mais eficaz e bruta de se perceber que aquela pessoa afinal não é a ideal para uma relação mais séria. E sempre é melhor do que aquele discurso do "não és tu sou eu" e outros semelhantes. Assim não existe espaço de manobra para que a pessoa abandonada tente persuadir quem simplesmente deseja desaparecer mas não tem coragem para o assumir frontalmente.

quem quer 50 euros para gastar em compras? (resultado)

A Bárbara Lopes é a grande vencedora do segundo sorteio do passatempo levado a cabo em parceria com a Showroomprive.pt e irá receber um vale de 50 euros para gastar no clube de vendas. Obrigado a todos os participantes e parabéns à Bárbara. Peço à vencedora que me envie um email para homemsemblogue@gmail.com com os dados com que está registada em Showroomprive.pt. Obrigado



(Caso o prémio não seja reclamado será efectuado um novo sorteio)

a maior mentira da internet está a mudar de rosto

Devia ter os meus 14 anos quando o LOL (laughing out loud) começou a ganhar fama em Portugal. Até me recordo de que nessa altura muitas pessoas utilizavam o lol para tudo e mais alguma coisa, desconhecendo por completo o significado daquelas três letras. Recordo-me de perguntar o significado a algumas pessoas que ficavam sem jeito ao não ter resposta. Por exemplo, tinha um amigo que pensava que lol era uma espécie de ofensa e era esse o uso que dava às três letras.

Com o passar do tempo o lol foi conquistando o seu espaço, deixando para trás todas as outras formas de mostrar um sorriso a alguém que está do outro lado do ecrã de um computador ou para quem está algures a receber uma mensagem escrita no seu telemóvel. Com o passar dos anos, o lol tornou-se no rei dos sorrisos. Mas como todos os reinados têm um fim, o lol já era. O terreno que conquistou está a ser perdido para outras duas letras, que se multiplicam vezes sem conta.

As pessoas que ainda utilizam o lol fazem parte de uma minoria. Agora, a moda é o ahahah. Por exemplo, naquela que deverá ser a rede social mais famosa do mundo – facebook – o ahahah já ultrapassou o lol. Quando alguém quer mostrar que está a rir com algo recorre ao ahahah em detrimento do lol, fazendo daquelas duas letras as novas rainhas dos sorrisos virtuais.

Mas existe algo de que não tenho dúvidas. Seja com lol, com ahahah, com kkk ou com emojis, os sorrisos virtuais vão continuar a ser a maior mentira utilizada na internet ou nas mensagens escritas enviadas através do telemóvel. Quantas e quantas pessoas recorrem ao lol, ao ahahah, ao kkk ou aos emojis para passar a ideia de um sorriso quando na realidade o seu rosto nem sequer se aproximou de um esboço de um sorriso?

11.8.15

diz que é isto que o cristiano ronaldo come

Seis pessoas norte-americanas quiseram comer aquilo que para eles representa a comida portuguesa e que são os pratos que Cristiano Ronaldo deverá comer. A escolha destas pessoas passou por uma francesinha, aquilo a que apelidaram de "sandes de pizza", sardinhas, das quais não ficaram fãs, bacalhau à braz, "quiche de peixe" e ainda bolas de berlim, "tipo donut mas melhor".


Pode ser questionada a escolha dos pratos e da música que não tem qualquer ligação a Portugal. Mas não é isso que me leva a escrever. Aquilo que me leva a escrever é a reacção das pessoas à "nossa" comida. Não me surpreende que tenham ficado fãs da bola de berlim (a que chamaram malassadas, algo diferente), ou não fizessem parte de um país onde a cultura dos donuts é considerável. E talvez o mesmo possa ser aplicado à francesinha para a qual olham como uma sandes de pizza cheia de carne. Também não me surpreende que detestem o peixe porque a forma como o comem nada tem a ver com a maneira como os portugueses comem peixe.

Mais do que questionar a escolha dos pratos, até porque poderiam lá estar muitos outros, fico com a ideia de que a confecção deixa muito a desejar e não pode ser comparada com aquela que é feita em Portugal onde se podem comer estas coisas com muita qualidade, conquistando até os mais cépticos.

10.8.15

bate boca. alimentar ou ignorar?

Hoje debatia com dois amigos o duelo de palavras Jorge Jesus vs Rui Vitória. De um lado um treinador (Jorge Jesus) que aos olhos da maioria – e concordo com esta perspectiva – foi deselegante para o outro treinador (Rui Vitória) e que desde então continua a bater na mesma tecla. Os meus amigos são da opinião de que Rui Vitória já deveria ter respondido. Eu defendo que a resposta dada, que passa por ignorar, afirmando em público que o deixará a falar sozinho, é a melhor possível.

Os meus amigos foram buscar o exemplo de José Mourinho que remeteu Jorge Jesus para a sua "ignorância" levando JJ a colocar um ponto final na polémica. Defendi que Rui Vitória não tem a bagagem desportiva necessária para um duelo desses. Tem a intelectual mas não a desportiva. Expliquei que do meu ponto de vista, Rui Vitória poderia ter dito algo como "É certo que o antigo treinador do Benfica tem x finais. Eu tenho uma contra ele. E ganhei. Só me interessa outra que não disputei as restantes". Mas expliquei que isto serviria apenas para alimentar a discussão e que a melhor solução passa por deixar Jorge Jesus a falar sozinho.

A conversa teve por base um caso ocorrido recentemente. Mas a minha resposta seria a mesma em todos os casos que envolvam um bate boca, sobretudo quando um dos protagonistas tem um ego que não cabe no Terreiro do Paço. Em primeiro lugar porque acho que a ausência de resposta (ignorar) consegue ser uma resposta melhor do que aquela articulada por diversas palavras que a outra pessoa não irá responder. Depois, porque considero que não é preciso entrar numa discussão para fazer valer um ponto de vista ou para ficar por cima da discussão.

Além disso, quem gosta de duelos de palavras vive das respostas dos outros. Está sempre à espera de uma resposta para dizer algo mais. É isso que alimenta quem gosta de discussões. Nesse sentido a ausência de resposta é algo que acaba por ser uma frustração para aqueles que adoram discussões. É o pior que lhes pode ser feito. Ficam sem saber o que fazer. Ainda tentam mais duas ou três vezes mas acabam por se calar porque não têm troco. Provavelmente mudam-se para outra pessoa mas percebem que não têm importância suficiente para aborrecer aquela determinada pessoa que tanto desejavam aborrecer.

Por isso é que considero que o silêncio é a melhor resposta num duelo de palavras que não leva a lado nenhum. Porque não é preciso falar nem discutir para revelar inteligência. Não é preciso rebaixar o outro para mostrar superioridade. É tão simples como escolher as guerras que realmente são importantes, que têm de ser travadas e ignorar tudo o resto.

é uma cena que não me assiste #1

Passar por cima de grelhas. Sobretudo daquelas de grandes dimensões e que deixam ver um gigantesco buraco onde ninguém quer cair. Por mais anos que viva nunca irei gostar de passar por cima destas grelhas. Por mais que me digam que são do mais seguro que existe. Se existir outro caminho será aquele que irei percorrer. Grelhas no chão é uma cena que não me assiste.

o cérebro disto tudo

Realizou-se ontem o primeiro jogo oficial da época 2015/16 que serve para decidir quem fica com o último troféu da última época. Seria apenas mais um jogo e a disputa do troféu menos importante da época (a par da Taça da Liga). Num ano normal seria um jogo sem grande história. Neste caso tudo foi diferente pelo facto de Jorge Jesus ter trocado de banco. Este detalhe bastava para dar uma dimensão extra a este jogo, elevando este jogo para um patamar que não é o seu. Por momentos parecia que se ia disputar o troféu mais importante da época e que se tratava do jogo do título. Ainda mais quando Jorge Jesus decidiu incendiar o ambiente numa entrevista polémica dada à RTP.

Quanto ao jogo jogado pouco há para dizer. Não esperava mais nesta fase da época. Um jogo equilibrado na sua maioria do tempo. Oportunidades claras de golo de parte a parte. Erros graves de arbitragem de parte a parte – um golo mal invalidado ao Sporting, uma grande penalidade clara não marcada a favor do Benfica e um outro lance polémico dentro da área do Sporting, que de forma injustificável nos dias que correm não teve direito a repetição - e momentos em que uma equipa destacou-se da outra. O Sporting entrou melhor no jogo nas duas partes. No início da segunda marcou o golo solitário da final num ressalto de bola. Um remate que tinha como destino os painéis de publicidade acabou no fundo da baliza. O futebol também é feito disto, de sorte, e o Sporting acabou por vencer. Com justiça. Tal como existiria justiça na vitória do Benfica pois foi um jogo equilibrado.

Mas existem muitos outros factores de destaque neste jogo. A começar pelo gigantesco ego de Jorge Jesus, o homem que acredita ter inventado o futebol e que acredita ser superior a qualquer clube. Na antevisão do jogo, Jorge Jesus decidiu, de forma deselegante para o clube que o deu a conhecer ao mundo, para os seus antigos jogadores e até para Rui Vitória, intitular-se de "cérebro" do Benfica. Cada qual analisa estas palavras como deseja. No meu caso, é a taxa de basófia no máximo, ou seja, sem mim eles não jogam nada e o outro está a viver do que deixei feito.

Este jogo revela também que cinco semanas são mais do que suficientes para apanhar aquilo a que chamo de "doença dos pequeninos" ou falta de atenção. Ao longo deste tempo, sempre que concedeu entrevistas, Jorge Jesus passou mais tempo a falar do Benfica do que a falar do seu novo clube, o Sporting. E quase sempre "cuspiu" no prato que o alimentou ao longo de seis anos. Mesmo ontem, depois de ganhar, passou o tempo a falar do Benfica, contabilizando finais, conquistas, duelos e outras coisas. Jorge Jesus dá a entender que tem algo mal resolvido com o anterior clube. Passa a sensação de que ainda queria lá estar e a forma como tem lidado com o assunto tem ajudado a revelar aquilo que é (que é pouco) como homem. Não confundir aquilo que é como treinador pois são coisas distintas.

Aquele que se intitula de cérebro do Benfica já o tinha feito no passado. Basta recordar que quis para si o mérito do excelente trabalho de Domingos no Braga (ficou em segundo lugar e atingiu uma final da Liga Europa), que fez melhor do que Jorge Jesus tinha feito no clube dos arcebispos. Agora quer o mérito do eventual sucesso de Rui Vitória. Tal como irá querer o mérito do próximo treinador do Sporting (numa altura em que possivelmente estará no Porto pois tenho a ideia de que a sua ambição é estar nos três grandes de Portugal).

Jorge Jesus intitula-se de cérebro do Benfica. Onde estava esse cérebro quando perdeu um campeonato aos 90+2 minutos no Dragão colocando em campo Roderick Miranda (nada contra o jogador) quando tinha Jardel no banco? Onde estava o cérebro nos duas finais europeias (sobretudo contra o Sevilha) perdidas? Onde estava o cérebro no outro campeonato, além do já mencionado, perdido para Vítor Pereira? Onde estava o cérebro na final da Taça de Portugal perdida para o Vitória de Rui Vitória? E ainda nas eliminações, na mesma competição, em casa frente ao Vitória e ao Braga? Já referi diversas vezes que aprecio as qualidades de Jorge Jesus enquanto treinador. Não perdeu valor ao sair do Benfica mas também não é o inventor do futebol que finge ser. Para mim está no mesmo patamar de Jesualdo Ferreira (Porto), Vítor Pereira (Porto) e Fernando Santos (Porto). Treinadores que ganharam com as ferramentas de que necessitavam para vencer. De resto, está num patamar inferior a André Villas-Boas (Porto) e obviamente dezenas de degraus abaixo de José Mourinho (Porto). Isto só para comparar com os treinadores portugueses vitoriosos dos últimos anos da competição (e acho que não me escapa nenhum). Jorge Jesus é bom. É um excelente treinador. Mas revela ser um homem pequeno quando quer para si tanto protagonismo e quando se coloca em patamares que não são os seus.

Ainda sobre ontem, fica o exemplo de que cinco semanas são suficientes para que uma pessoa que chega a um clube grande mantenha os pés no chão e não se ache o melhor do mundo e sobretudo melhor pessoa do que os outros. Nesse sentido, até porque nos momentos menos felizes é que se descobre muito sobre as pessoas, dou os meus parabéns a Rui Vitória que apesar das diversas tentativas de Jorge Jesus em transformar o jogo em algo que não deve ser manteve-se fiel à sua postura, reafirmando que irá deixar o treinador do Sporting a falar sozinho. E agora que esta semana passe depressa que o campeonato (a prova que todos desejam) está a começar e este ano promete muito.