6.7.15

factura e 50 cêntimos para usar o wc

Uma mulher está numa esplanada, em Lisboa, acompanhada pelo marido e por uma criança. Consomem o que desejam, solicitam a conta e, antes de ir embora, a mulher vai ao wc. Quando lá chega depara-se com uma espécie de porteira do wc.

"Está na esplanada?", pergunta a "porteira".
"Estou", responde a mulher.
"Vou necessitar do talão que o comprove", diz.

A mulher acha a situação estranha mas vai buscar o talão.

"Aqui tem", diz a senhora, mostrando a factura.
"Vou ter de ficar com ela", diz a "porteira".
"Não vai não. É uma factura, é minha e necessito da mesma", explica.
"Então vai ter de pagar 50 cêntimos para utilizar o wc", refere.
"Pode chamar o responsável por este espaço", solicita a mulher.
"Vá, utilize lá o wc", diz a "porteira".

A mulher entra no wc que nem papel higiénico tem. Além de porteira, tem ainda a função de distribuidora de papel para os utilizadores do wc. Quando a mulher sai do wc depara-se com outra cliente que está a solicitar a presença de um responsável por achar tudo aquilo muito estranho.

Se eu ouvisse esta história teria dificuldade em acreditar na veracidade da mesma por considerar que é surreal. Acontece é que os protagonistas desta experiência são a minha mãe, o meu pai e a minha sobrinha. E o cenário é uma esplanada no coração da cidade. Aceito e compreendo que determinados espaços queiram que o acesso ao wc seja efectuado apenas por clientes. Até aqui tudo bem. Algo que se resolve facilmente com uma chave na porta. Agora, está tudo louco quando se quer ficar com uma factura de um cliente e quando se solicita um pagamento a quem já consumiu numa esplanada. É mais um triste episódio onde impera o chico-espertismo lusitano. É mais um triste episódio do vale tudo para ganhar mais algum dinheiro enganando pessoas que, em muitos casos, se deixam levar na conversa.

24 comentários:

  1. Pois, ao que parece isso é "normal" ... no fim-de-semana passado uma amiga minha viveu situação idêntica na zona de Belém e lembro-me de ter brincar com ela a dizer que talvez tenha apanhado uma senhora "naqueles dias difíceis" do mês... afinal há mais! Ao ponto que isto chegou! Qualquer dia elas tem que entrar com as pessoas para ver o que as pessoas fazem dentro do wx e taxar consoante o que se faça!

    http://ofabulosodestinodemariaamelia.pt/

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    1. Mas não deveria ser "normal", sobretudo nas circunstâncias em que aconteceu.

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    2. Claro que não! Tens toda a razão!

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  2. Sabes que a mim não me faz confusão o facto de se pagar o acesso à casa-de-banho, mesmo para aqueles que já consumiram. Na Alemanha isso é mais do que comum, visto que as casas-de-banho são geridas por empresas privadas. No entanto, a qualidade e a limpeza apresentada nas mesmas é algo de extraordinário para casas-de-banho públicas. Não haver papel é algo inimaginável!

    Na Hungria também há muitos sítios com casas-de-banho pagas em estabelecimentos e lembrei-me de uma, dentro de um Mcdonald's, que para quem tinha consumido lá só tinha que apresentar o talão para não pagar. Exigir ficar com um talão é ridículo...!

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    1. Não me fazia confusão se fosse algo cultural e algo como referes. Mas não é. As condições não são as melhores e exige-se ficar com uma factura. Isso é ridículo. Pedir o talão ainda aceito.

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  3. Em várias capitais da Europa, isso acontece, mesmo para clientes, e digo-o por experiência própria, por exemplo em Amesterdão, para utilizar o wc, apesar de ser cliente, pagava, e cada restaurante tinha diferenças de preços. O wc mais barato que encontrei, foi num museu, pertença da cidade. Se estivesse perto ia ao hotel, o único local onde não paguei. Agora estar uma porteira a fornecer o papel higiénico, sinceramente, deixa de ser higiénico... e essa de ficar com o talão, nem comento...Um problema que encontro em muitas cidades é a falta de casas de banho públicas, os restaurantes não têm de servir todas as pessoas que andam pela cidade, mas acho que os clientes não deviam pagar. Existem umas que já se vão encontrando em alguns locais, em que se colocam moedas, é uma solução prática e higiénica, pois limpa-se automaticamente, após cada utilização.

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    1. Aquilo que dizes é algo que faz sentido. Aquilo que aconteceu com a minha mãe, e num país onde não existe esse hábito, é ridículo.

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  4. O que costumo fazer quando viajo é utilizar as casas de banho dos hotéis. Os hotéis são sítios públicos e qualquer pessoa pode utilizar a casa de banho (sem passar do lobby/sem aceder aos pisos dos quartos) óbvio.

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  5. Eu vou mais longe de pensar que se calhar aquela senhora não estava lá com conhecimento de um superior.. Se fosse politica do café não tinham qualquer problema em chamar alguém.
    Eu já fui a cafés onde tenho de pedir a chave.. Aí conseguem controlar mais ou menos

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    1. Acredito que a mulher estivesse ali a cumprir ordens. Se as pessoas forem inteligentes chamam um superior.

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  6. Olá :)
    Já todos conhecemos e há muitos anos que existem estabelecimentos com o acesso condicionado ao wc, e que usam para tal a bela da chave que se tem que pedir ao balcão, (normalmente com uns porta-chaves do mais bizarro que há) e/ou o pagamento de uma quantia se não se está a efectuar consumo. E temos a tendência a compreender, (se não forem lambões na quantia que pedem), porque há o custo da água, do papel, da limpeza e manutenção do espaço.
    Pedir para ficar com a factura nunca vivenciei nem vi. Para mim é caso para chamar a Asae ao espaço, porque me parece uma forma de angariar facturas para evitar declarar mais algum às finanças.

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    1. É uma situação muito estranha em todos os aspectos. Existem coisas que entendo mas não nestes moldes.

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  7. Nos WC da estação de Campanhã e de S.Apolónia, já há muitos anos que se paga !!! Mas a estação de Campanhã é melhor que muitas casas de banho onde fiquei em hotéis de 4 estrelas!!!LIMPEZA,Plantas,Revistas e como tem imensas janelas, uma luz incrível!!!

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    1. Esse cenário compreendo. Aquele que a minha mãe viveu não.

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  8. a cobrança só é legal desde que estejam devidamente afixados no preçário dos estabelecimentos e que os clientes sejam previamente informados desse custo.

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