20.4.15

há sempre uma primeira vez (mesmo que não seja a primeira)

Devia ter os meus dez/onze anos quando fui atleta federado de atletismo. E essa foi a única altura da minha vida em que corri, normalmente os 3000 metros, em competição. De resto, corridas só no futebol ou em lazer e, mais tarde, no ginásio. Até que aceitei correr 12,5 quilómetros do Oikos Desafio 100, uma corrida solidária – pretendeu alertar para desperdício alimentar – com uma centena de quilómetros. Apesar de estar em boa forma física pois treino cinco dias por semana (em alguns deles duas vezes por dia) não costumo correr esta distância mas, assim que me foi endereçado o convite disse logo que sim.

No passado Sábado o despertador tocou às 5h45. E, poucos minutos depois das oito, chegava à Lourinhã para participar na corrida e ter o privilégio de correr “ao lado” de Rosa Mota, umas das figuras do desporto que marca a minha infância. Não sabia como é que a corrida ia ser nem sequer sabia que aguentaria até ao fim. Mesmo assim, estava hesitante entre testar-me e tentar um bom tempo ou aproveitar a paisagem e conversar um pouco durante o percurso. Optei pela segunda opção. Mas apenas durante o primeiro quilómetro da corrida. Depois percebi que isto ia cansar-me mais do que correr mais depressa e abri o passo, acabando por correr os 12,5 quilómetros em 1h09, naquele que foi um tempo melhor do que pensava fazer.

Não sendo a minha primeira corrida, foi a primeira em que contei com coisas como carros de apoio que me fizeram companhia em alguns momentos. Foi a primeira corrida em que tive pessoas na rua (fiz questão de cumprimentar todas por quem passei) a incentivar, a puxar por mim, a buzinar e até a explicar-me o caminho num determinado momento. Gostei da paisagem do percurso e das pessoas com quem corri. Optei por correr sem relógio – apenas com o iPhone no braço – o que foi uma vantagem. Como não mexi no telemóvel, não tinha a noção do tempo de corrida nem do percurso que faltava. Não saber isso é algo que não mexe com a cabeça e torna a experiência muito melhor. No final da corrida, o pensamento era apenas um: tenho de fazer isto mais vezes!

É impensável para mim não agradecer à Sara e ao David (os autores dos blogue Definitivamente são dois), os meus amigos da Margem Sul com quem fui até à Lourinhã e com quem comecei a correr. A nós três juntou-se a Lénia (autora do blogue not so fast) e os momentos partilhados a quatro foram bastante divertidos. Uma bela equipa que se juntou. Obrigado por tornarem o dia ainda melhor. Também tive a oportunidade de conhecer José Guimarães (De Sedentário a Maratonista) que ia correr 50 quilómetros num dia e outros tantos no dia seguinte. O melhor elogio que lhe posso fazer é que olhar para ele e para a sua atitude fazem com que se pense que correr a maior distância do mundo é a coisa mais simples da vida. Disposição essa que é contagiante e partilhada pela sua mulher com quem ainda corri um pouco.

Quero ainda agradecer à Andreia Vale e à Sara Antunes de Oliveira com quem corri pouco tempo mas o suficiente para protagonizar um dos momentos mais divertidos do percurso que foi saltar uma vedação (acho que nos enganámos algures) e voltar a enganar no percurso poucos metros depois. Quero também deixar o meu agradecimento ao João Moleira, o meu “colega” da maior parte do percurso. Obrigado pelo ritmo e por saberes o caminho. Um grande obrigado às figuras públicas que deram a cara a esta causa, aos corredores anónimos como eu que se juntaram a esta corrida e também à SIC, pela cobertura mediática que eventos desportivos como este merecem. Por fim, mas não menos importante, um agradecimento à organização que providenciou as condições necessárias para uma prova de excelência.

PS – Quem não participa numa prova destas (onde o convívio é muito superior à competição) não sabe o que está a perder.

6 comentários:

  1. Pipocante Irrelevante Delirante20 de abril de 2015 às 19:18

    Dez anos, correr os 3000? Em pista não era de certeza. Quanto muito, provas de corta-mato, e com essa idade nao eram tao longas.
    Qual era o clube?

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    1. Dez/onze pois aos doze comecei a jogar futebol e pratiquei atletismo antes disso. Também fiz provas de corta mato mas mais na escola. As outras eram na pista do Alfeite, se não estou enganado. O clube era o Independente Futebol Clube Torrense.

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    2. Pipocante Irrelevante Delirante21 de abril de 2015 às 11:07

      Sim, mas os 3000mt não eram decerteza com essa idade. Nos infantis/iniciados a distância longa eram os 1000mt, sendo que as prova de corta-mato podiam ser um pouco (não muito) mais longas.

      Ainda pensei que nos pudessemos ter cruzado, mas afinal não...

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    3. Posso estar a fazer confusão com os 1000/1500. Fazia provas ali todos os Domingos se não me engano. Salto em altura, comprimento, lançamento do peso, disco e muitas outras provas. Também cheguei a ir a outros sítios mas ocasionalmente.

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  2. Eu nessa altura praticava natação, de competição também, agora correr nunca fui muito disso.

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    1. Uma coisa que nunca fiz mas que acho fascinante.

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