27.3.15

pornografia de mulheres para mulheres

Sexo é tema tabu para muitas pessoas. A pornografia idem. Os sites pornográficos têm um número de visualizações gigantesco e a indústria dos filmes para adultos gera milhões mas aparentemente ninguém gosta de pornografia. Ou dito de outra maneira, ninguém assume gostar de pornografia. E ninguém vê pornografia. O número de pessoas que assume que vê é ainda reduzido e quase sempre catalogado de tarado sexual. No que tocas às mulheres, pior ainda. Até porque existe o mito de que as mulheres não gostam de pornografia. Que não passa disso mesmo, de um mito. E as que assumem ver são filhas do demo e umas badalhocas.

Uma verdade que ninguém pode negar é que, na sua generalidade, os filmes pornográficos são feitos para satisfazer o homem. São feitos a pensar no homem como consumidor final. Mas isto está a mudar. Ou já mudou! E o mérito é de Erika Lust, uma aluna de ciências políticas e sociais que passou a realizadora de filmes para adultos. “A mulher num filme porno é um objecto, satisfaz todas as fantasias masculinas e no fim sorri para a câmara com a maquilhagem desfeita e as mamas de plástico a cintilar. Eles são musculados, têm pilas maiores que o Burj Khalifa e são tão interessantes como um bloco de cimento. É preciso uma revolução”, defende a realizadora de 37 anos.

A crítica de Erika vai mais longe, considerando que os filmes pornográficos são chauvinistas e machistas. A realizadora defende ainda que os filmes não retratam a sexualidade real e que as actrizes escolhidas nem sempre correspondem às mulheres reais. Resumindo, a crítica central assenta na ideia que os filmes transmitem, ou seja, de que existe a subserviência da mulher que está ali apenas e só para servir sexualmente o homem. A realidade é assim?

Como tal, Erika Lust decidiu quebrar as regras da indústria pornográfica fazendo filmes que podem ser considerados de mulheres para mulheres. E enganem-se aqueles que pensam que isto significa filmes apenas com mulheres. São filmes que se destacam pelo bom gosto protagonizados por pessoas tão “reais” como qualquer uma que passe por aqui e leia este texto. Ignoram-se os clichés tradicionais dos filmes. Dá-se protagonismo ao erotismo e aos fetiches. Isto associado a histórias reais pois os filmes são feitos a partir de fantasiais reais do seu público.

Mãe de duas meninas, Erika Lust deseja que as suas filhas cresçam a lidar com a sexualidade sem a misoginia e chauvinismo presentes na generalidade da indústria pornográfica. Para quem estiver interessado, partilho o link para o seu site, onde são disponibilizados os seus filmes que são considerados como um lado bastante real da sexualidade. Erika Lust tinha a ambição de mudar a pornografia e parece que o conseguiu com diversas mulheres a assumirem que passaram a gostar de pornografia por sua causa. Por fim, enganem-se os homens que pensam que são filmes apenas para elas.

23 comentários:

  1. acho muito bem o que a Erica fez...

    abraço

    ResponderEliminar
  2. Eu não gosto de pornografia, prefiro sim filmes com mais erotismo e menos pornográficos! Fiquei com curiosidade de espreitar o link =)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Parece que está a fazer com que as mulheres gostem :)

      Eliminar
  3. Respostas
    1. Bem pensado. Encontrou a solução para um problema que sendo seu é de muitas outras pessoas.

      Eliminar
  4. Interessante!;) Concordo com muitas coisas escritas neste texto! ;)
    Bom fim de semana e boas leituras! :)

    ResponderEliminar
  5. Aqui no trabalho não posso seguir o link :) mas logo não me escapa!
    Depois dou a minha opinião.

    ResponderEliminar
  6. A industria pornográfica estar maioritariamente virada para o prazer masculino explica a grande quantidade de mulheres que, pornograficamente, procuram filmes lésbicos (não o sendo)!

    ResponderEliminar
  7. Foram várias as vezes que experimentei ver pornografia mas aquilo realmente não era para mim. Digo isto porque, tal como referiste, não é "real", e as mulheres são olhadas como objecto. Para além de que todos os filmes que vi eram demasiado carnais para o meu gosto. A pornografia é para ser carnal? Sim, se calhar é mas, depois com todos os outros aspectos desisti de procurar filmes ou até vídeos bons.
    No entanto, fiquei curiosa com este post e gostava que partilhasses o link comigo :) *

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não se nota muito bem mas o link está no texto. Aqui vai erikalust.com.

      Ela mudou aquilo que questionas :)

      beijos

      Eliminar
    2. Realmente não reparei ali no link. Desculpa pelo lapso mas obrigada pela link :)*

      Eliminar
  8. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E parece que está a ter muito sucesso :)

      Eliminar
    2. Ontem vi o um bocadinho do Cabaret Desire e é pareceu-me realmente muito bom e diferente. É acima de tudo um filme, com uma história, algo que poucos filmes pornográficos que apanhei eram.

      Eliminar
    3. Acho que está a agradar a muitas mulheres. Ainda bem.

      Eliminar
  9. "Dá-se protagonismo ao erotismo e aos fetiches. Isto associado a histórias reais pois os filmes são feitos a partir de fantasiais reais do seu público".

    Espreitei o link e acho que sim, temos filmes erótico/pornográficos com estilo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É algo mais real. E isso faz toda a diferença.

      Eliminar
  10. Sem dúvida que a senhora tem uma visão diferente, e acho muito bem, para não ser mais do mesmo.

    ResponderEliminar