26.5.14

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Robbie Williams marca dois momentos da minha vida. Um bom e outro que nunca esquecerei. Começando pelas coisas boas, em 2003 assisti aquele que ainda é o melhor concerto que vi nos meus 33 anos de vida. E foi protagonizado por Robbie Williams no Pavilhão Atlântico. Por sua vez, o cantor está também associado ao acidente de viação mais aparatoso que tive. Num dia em que ia a ouvir o seu álbum ao vivo em Knebworth perdi o controlo do carro no Eixo Norte-Sul (provavelmente estaria óleo na estrada). Andei alguns metros a lutar com o carro. Perdi. Andei mais uns bons metros a fazer piões (são breves segundos mas parece uma eternidade em que dá para pensar em tudo) até que bati no separador central e fiquei parado no meio da estrada. No meio do azar tive a sorte de ninguém me bater porque uma carrinha parou para “proteger” o meu carro. Tremia por todos os lados mas felizmente o carro só necessitou de um parafuso de plástico. Nunca me esqueço disto porque é uma estrada onde passo diariamente e onde já vi muitos carros prontos para a sucata.

Ontem, ao ver o concerto de Robbie Williams recordei estes dois momentos. Revivi o espectáculo onde mostrou que existem poucos artistas como ele. Desde a abertura, com o inevitável Let me Entertain You até à rapariga que foi beijada em palco, passando ainda pelas palavras (em português) que tinha escritas em papéis que estavam em zonas distintas do palco e onde ele podia ler coisas como “mamas” e “rabo”. Recordei também o momento em que agradeceu o carinho e entusiasmo do público, fazendo questão de salientar que não dizia o mesmo em todos os concertos, dando o exemplo dos suecos, que considerava um público fraco. Por isso não me espantou que ontem dissesse que o som do Rock in Rio fosse uma “merda” porque estava a ouvir coisas a mais nos seus auriculares salientando que o público era muito bom. Isto é Robbie Williams.

Tal como é assumir que tinha problemas de álcool e drogas, sendo impossível ensaiar com os Take That sem beber uma garrafa de whisky. Dizer que não garantia que nunca tivesse uma experiência homossexual ao mesmo tempo que criticava os artistas homossexuais que fingem ser heterossexuais. Ou dizer que é uma estrela natural, tanto que quando abre a porta do frigorífico e se acende a luz, começa a cantar. E ainda confessar que quando conheceu David Beckham hesitou entre apertar-lhe a mão ou lamber-lhe a cara. Tudo isto é Robbie Williams no seu estado normal. Sem filtros criados a pensar na venda de mais alguns álbuns ou na marcação de mais meia dúzia de concertos.

Podia dizer que gosto de Robbie Williams pelo seu talento natural e único. Por ser um dos autores (o outro é Guy Chambers) de Angels, uma das melhores músicas de sempre e de tantos outros temas que ouço com frequência, como este. Podia dizer que sou fã da irreverência, do estilo e das dezenas de tatuagens. Não estaria a mentir. Mas aquilo que destaco é mesmo a total ausência de filtros. É aquilo que é, sem maquilhagem que tem este ou aquele objectivo escondido. Sem duas faces para ocasiões distintas. E isso faz falta em cima de um palco, num local de trabalho, no café da minha rua ou na paragem de autocarro. E é pena que esteja a cair em desuso.

21 comentários:

  1. Também gosto muito do Robbie Williams. Nunca o vi ao vivo mas está na minha lista de desejos :)

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    1. Vi o concerto de 2003 e espero voltar a vê-lo nesse registo :)

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  2. Eu também assisti, ao vivo e a cores, ao concerto do Robbie Williams no Pavilhão Atlântico, mas não o considero o melhor concerto que vi, quiçá porque achei que foi muito "by the book", quiçá porque já vi muitos concertos e torna-se difícil eleger um como o melhor.

    Ontem não vi o concerto do Robbie Williams no Rock in Rio ao vivo e a cores, mas sim no sofá da minha casa. É um bom 'entretainer' mas achei um exagero que (quase) metade do repertório fosse feito de covers! Um cantor com 10 albuns a solo, sem contar com os alguns com os Take That, enchia uma hora e meia de concerto e ainda sobram canções - não precisava nada de versões.

    Foi um bom espectáculo? Foi. Foi um bom concerto? Não. Mas é a minha opinião e vale o que vale.

    PS: a cena da rapariga beijada em palco já está mais que vista e revista, Robbie!!!

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    1. Compreendo o que dizes. Quem quiser pode ver o concerto de Knebworth no youtube e tem a noção do que aconteceu no pavilhão atlântico e como era o palco. O registo é semelhante mas nunca fiquei com a sensação de que era apenas mais um concerto para ele.

      Quanto ao concerto do Rock in Rio. Acho que muitas pessoas não repararam que no cartaz dizia Robbie Williams swings both ways. Este é esse registo. É esta faceta dele. Em pouco tempo percorreu a história da música. Gostei do que vi, em casa tal como tu, mas preferi o concerto de 2003.

      E sim, naquela altura estava sempre a beijar miúdas. Agora é um homem casado e à espera do segundo filho. É um senhor :) Apesar de já ter divulgado uma foto onde parece estar nu (não sei se será numa tenda do Rock in Rio) e a levar uma massagem.

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  3. Passou na T V, mas quando soube, já foi tarde de mais.
    Gosto de ouvir este cantor.
    Memórias tuas que contaste mas que felizmente, não te magoaram.
    Bj

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  4. Hoje estive de folga e como tal estive a espreitar a transmissão de ontem dos concertos do Rock in Rio. Não vi o concerto todo do Robbie Williams, mas do que vi só tenho a dizer: respect! O gajo é um bicho de palco, um verdadeiro entertainer!

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    1. Não há melhor do que ele para entreter o público.

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    1. Eu optei pelo Timberlake. Ouvi dizer que o concerto do Brasil foi dos melhores de sempre e estou na expectativa.

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  6. Ontem foi um bocado o assunto do dia. Muitos o criticaram por ter cantado "covers"... A mim, não me incomodou nadinha. Porquê ?! Porque ele pode!!!!
    Ele é sem dúvida "O" Mr. Entertainer! Não sou grande fã da sua música, mas páro para ver videoclips... Gosto dele! E acho que é pelo facto de ele não ter filtro!!! ihihihih

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    1. Acho que quem critica não reparou que no cartaz dizia Robbie Williams swings both ways. A roupa dele mostrava logo que era esta a faceta a seguir. Se ele quisesse, podia ter optado apenas por essas musicas e mesmo assim cantou outras. Acho que ele pode e que esteve muito bem. Apesar de ter preferido o concerto de 2003.

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  7. Eu conheci o Rpbbie mesmo no inicio dos Take That. A seguir aos New Kids on the Block, comecei a gostar dos Take That (that's how old I am!).
    Gosto que ele seja mesmo como disseste, sem filtros. O gajo já esteve todo fodido e voltei em grande.
    Em relação às músicas, gosto do "Rock DJ" e pouco mais. Prefiro-o como "pessoa", do que as músicas.

    PS - Para que foi o "Wonderwall"? Deve ter sido boca ao cagalhão do Gallagher que o chamou gordo.

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    1. A minha irmã gostava muito dos New Kids. Ainda temos para lá um vinil deles. Não tem mesmo filtros e isso é uma coisa boa.

      Gostei do Wonderwall seguido do Song 2. Conseguiu unir os maiores rivais da música britânica.

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  8. Acho-o um excelente entertainer, como cantor ja nao lhe acho grande graça.

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    1. Neste caso acho que consegue juntar a arte de entreter o público a uma boa voz.

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  9. Acabei de ler o penúltimo paragrafo. Aquele que acaba com "Tudo isto é Robbie Williams no seu estado normal. Sem filtros criados a pensar na venda de mais alguns álbuns ou na marcação de mais meia dúzia de concertos."

    Bolas, quanto ingénuo é que você é?

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    1. É a minha opinião. Acho que uma pessoa que diz em palco que o som do Rock in Rio é uma merda está a ser genuíno. Mais depressa isso o prejudica do que beneficia. Mas, lá está, é apenas a minha opinião.

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  10. No RIR 2014 voltou a não em secar parar de dançar e pular! Muito bom, obrigada a quem o convidou.

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    1. Estes concertos sabem-me sempre a pouco. Prefiro quando actuam em nome próprio.

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  11. O Robbie é o One Man Show!!
    Tanto que a última tour dos take that (2011), teve direito a um mini concerto só dele.

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