12.5.14

má vizinhança

Até sair de casa, vivi sempre com os meus pais no mesmo apartamento. Cresci numa praceta de nove prédios. E, quando era puto, recordo-me que conhecia boa parte dos meus vizinhos. A minha geração, no que aos miúdos diz respeito, era a do meio. Existia um grupo mais velho e ainda outro mais novo. E, naquela altura, era comum convivermos todos na rua.

Recordo-me de jogar futebol no meio da rua, aproveitando os bancos de jardim para fazer de baliza. Lembro-me também de jogar basebol nesse mesmo espaço, batendo as bolas em direcção aos prédios, na esperança de colocar uma no telhado ou dentro de uma varanda ou na direcção da rua da frente, quanto mais longe melhor. Ambas as situações eram uma espécie de home run. Lembro-me também das guerras com balões de água, das batalhas com canudos e cartuchos, de jogar ao berlinde ou lançar o pião, jogar à apanhada, às escondidas e de ficar na rua, sem qualquer problema, até à meia-noite.

Tinha também algumas brincadeiras menos próprias, como tocar às campainhas e fugir ou mesmo colocar palitos nas campainhas. E havia também quem não gostasse das restantes brincadeiras. Quando isso acontecia, os vizinhos dirigiam-se a nós pelo nome. Quando isso não bastasse, existia liberdade para abordarem os nossos pais sem que isso fosse o fim do mundo nem despoletasse uma guerra entre vizinhos. Ou seja, praticamente toda a gente convivia de forma normal.

Olhando para o passado, lembro-me da minha mãe necessitar de algo com urgência para um cozinhado. Faltava-lhe um ingrediente de que se tinha esquecido e dizia-me para ir à casa da vizinha pedir aquilo de que necessitava. Recordo ainda as festas dos Santos no meio da rua. Arranjávamos os tijolos e íamos apanhar canas. Fazíamos a restante decoração e angariávamos dinheiro junto dos vizinhos. Essa verba servia para comprar comida e bebida. Mesmo assim, os vizinhos participavam na festa. Um emprestava a aparelhagem. Outro os pratos e talheres. Outro os copos e todos os que apareciam traziam mais comida para a festa. Sendo que existia sempre um pai ou mãe que se voluntariava para grelhar a carne e assar o peixe.

Isto foi o que vivi. Quando saí da casa dos meus pais fui viver para um condomínio de três prédios. Eram poucos inquilinos e não cheguei a saber o nome de metade deles. A grande maioria era capaz de passar na rua sem dizer um simples “bom dia”. Além disso, roubaram-me a bicicleta na garagem do prédio. Como se isso não bastasse, deixavam cocó nos elevadores, roubavam tapetes das portas, colocavam porcaria nas caixas do correio (estavam dentro do condomínio) e outras coisas mais. Se alguma vez necessitasse de algo, mais depressa me metia no carro e ia ao Continente do que me imaginava a pedir algo a um vizinho com quem nunca falava.

Mudei de casa. Estou num prédio com poucos inquilinos. Mais uma vez, existem pessoas que entram no elevador e são incapazes de dizer “bom dia”. Entram no prédio, reparam que está outro vizinho a chegar e fecham a porta. Onde moro não sei o nome de praticamente nenhum único vizinho. Destaco a simpatia das pessoas que partilham o andar comigo e que durante as mudanças se disponibilizaram para algo de que necessitasse. De resto, não conheço mais ninguém.

Perante a realidade que vivi e vivo nos dois locais onde morei e moro com a minha mulher lamento que não exista nada do que existiu na rua dos meus pais (onde também já não acontece o mesmo). Não há festas na rua com os miúdos dos prédios. Não existem cumprimentos. Não existe nada. Só mesmo aquilo que considero ser uma má vizinhança. Por um lado, lamento que os putos de hoje não saibam aquilo que vivi nem percebam (provavelmente) o que isso significava. Por outro lado, fico feliz pela minha infância e adolescência ter sido completamente diferente do que se vive hoje onde não existe o conceito de vizinho e onde as ruas são completamente diferentes do que eram.

42 comentários:

  1. Pois eu então devo ser um caso raro. Moro numa zona praticamente onde há só prédios, mas tive a sorte de cair num, onde é rara a vez que não se veja um jogo da bola na casa dos vizinhos, ora num ora noutro, ou noutro. Saímos para sair, ficamos com os miúdos uns dos outros quando é preciso, jantamos quase todos os fds, e estamos lá uns para os outros nas horas boas e más.

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  2. no meu tempo, as traseiras da minha rua ficavam cheias de miúdos, mais velhos do que eu e da minha idade. este pequeno jardim era dividido em duas partes. os rapazes que jogavam à bola e a outra com as meninas que brincavam com as bonecas enquanto as senhoras mais velhas faziam tricô, falavam da vida dos outros vizinhos. em alguns dias jogávamos todos juntos à bola, ou andávamos de bicicleta ou até jogar às escondidas. a maioria foi mudando de casa, outros miúdos ocuparam as traseiras e o vandalismos chegou. a nespereira que era trepada com amor e carinho para ser conservada é partida todos os anos para tirarem as nêsperas, os gritos malcriados são os mais comuns, existem janelas partidas, estendais danificados. uma selva. não sei de que são feitos estes miúdos, porque na verdade são a geração seguinte à minha, mas são uns vândalos do pior. o respeito.. eles nem sabem o que isso significa. que geração é esta..

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    1. Não me digas que és da mesma zona do que eu pois também existia uma nespereira.

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  3. Hoje em dia, as pessoas tornaram-se impessoais, indiferentes, intolerantes para com o próximo, e isso reflecte-se na forma como lidam com os vizinho..

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  4. Ainda bem que ė assim, menos pessoas a meterem-se na nossa vida! Eu vivi numa aldeia até aos meus 15 anos e jurei que nunca mais! Entretanto mudei para outra casa com os meus pais e a maior parte das vezes nem cumprimentava os vizinhos. Hoje vivo num ap e so digo bom dia com muito custo.
    Cada um na sua vida
    Quantas vezes, fechei a porta do elevador depressa, so para nao entrar outros! Cada um na sua vida , para mim isso ė ser bom vizinho!

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    1. Não consigo perceber onde é que um Bom dia ou um Olá pode ser meter-se na vida das outras pessoas. Chama-se educação e não faz mal a ninguém.
      Acho esse tipo de pensamento mesmo triste, por ti também vivias bem sozinho neste mundo certo?
      Compreendo que existe quase sempre aquele vizinho que gosta de ser cusco isto e aquilo, e de se meter na vida dos outros(sim a minha vizinha de baixo é assim, e também berra e faz peixeirada com os filhos todos os dias às 7 da manhã), no entanto não é por isso que deixo de lhe dirigir a palavra.
      Tenho pena que sejas um dos que o Bruno falou.

      Rui

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    2. anónimo 13h43
      Para mim, ser bom vizinho é ser educado e conviver de uma forma saudável com essas pessoas. Isto não significa que tenham de saber a minha vida nem eu a deles. Trata-se de uma convivência saudável que pode crescer para uma amizade.

      Rui
      Acho que o mínimo que se pode fazer é ser bom educado. Já não digo que existam as coisas que vivi mas deveriam existir mínimos de boa-educação.

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    3. O anónimo das 13h43 de certeza que não se importaria de viver dentro de uma caverna. Fala que isso é meter-se na vida das pessoas mas se calhar é o 1º a usar as redes sociais para o mesmo efeito...enfim

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  5. Partilho da tua opinião. Cresci numa quinta (à moda antiga) tinha de tudo, desde patos até carneiros e porcos.

    Foi uma infância feliz, cheia de boas memórias, e cheiros! Entre a matança do porco (não gostava) e as vindimas (o que eu me deliciava com essa época do ano), mais umas quantas tropelias (sempre fui maria rapaz) com os meus primos.

    Nos últimos anos já vivi em alguns sítios diferentes. Entre a maioria prédios. E sei bem o que é 'não' ter vizinhos. Vivemos em paredes meias com um número bastante razoável de seres humanos e nem lhes sabemos o nome.

    Pior, são mal educados, mal encarados, e bloqueiam o único elevador do prédio, porque estão quase quase a sair de casa e não querem/podem esperar que a vizinha que chegou cheio de sacas do supermercado suba, enquanto a maria e o cachopo não põem pé porta fora. E depois a vizinha tem de subir três andares a arfar (qual atleta em final de maratona) e de braços a tremer mais uns quantos dedos quase cortados pelo peso dos sacos, porque suas excelências não querem esperar uns segundos pelo elevador...

    (sim, a vizinha das sacas era eu...)

    Se fosse tua viznha dizia-te no mínimo: 'bom dia Bruno!' todos os dias ;)

    Zana
    http://zanasblog.blogspot.com/

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    1. O que contas é uma triste realidade. E é mesmo triste. Ainda bem que não te deixas levar por essa realidade ;)

      Bom dia!

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  6. Aqui por estas bandas, miúdos na rua até meia noite já não, mas a partilha entre vizinhos existe e é bem cool. Tipo, matança do porco, sementeira das batatas, plantação do cebolo, vindimas, no tempo da poda da videira, nas sementeiras, nas regas, nas desfolhadas, enfim... É trabalho duro, mas com ajuda de todos é bem mais fácil. Mas bonito é a junção deste povo no final de um dia de trabalho é festa, festa rija.

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    1. Quando fui à Irlanda, reparei que eles se juntavam nos pubs depois do trabalho. É algo como o que descreves. E sinto falta disso.

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  7. Tenho pena de ouvir estas coisas, ultimamente tenho lido isto mesmo vindo de várias pessoas.
    Ainda vivo com os meus pais, todos os vizinhos do prédio onde vivemos se dão minimamente bem, felizmente existe sempre um "Olá, tudo bem?" ou pequenos gestos como segurar a porta a um vizinho que está a sair do carro. Mesmo entre vizinhos do prédio da frente ou do prédio do fim da avenida existe este tipo de contacto. Parece que Leiria é uma cidade muito amistosa ou sou eu que tenho sorte nas pessoas que encontro! :)
    No que depender de mim este tipo de vizinhança vai continuar a existir, tenciono passar estes valores a futuras gerações e a toda gente que me rodeia, um "Olá", "Boa tarde" irá sair sempre da minha boca.

    Rui

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    1. Quando vou a casa dos meus pais, aquilo não tem nada a ver com o que era. Mesmo no prédio deles, há pessoas que passam e nada dizem. Que fecham a porta na cara. Ainda há gente boa mas pouca, infelizmente.

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  8. Muito triste tudo isso... cada vez mais a nossa sociedade é oca, sem valores e sem respeito pelo próximo. Onde vamos parar pergunto-me todos os dias. Vivo num prédio pequeno com 4 frações e por vezes a loucura é tanta que nem sei. Um faz barulho e o outro ainda faz mais e depois continua até alguém chamar a policia... foi o que fiz no outro dia. Ninguém respeita ninguém. Na verdade o respeito que tinha por estes vizinhos foi-se no meio de tanta maluquice. Existe uma pessoa que não vive no prédio e vai fazer festas até ás tantas na garagem que comprou. Ninguém se fala e nas reuniões de condominio é só gritos e faltas de respeito. Deixei de ir porque a minha sanidade mental é mais importante. Que saudades dos tempos em que vivia numa localidade pequena em que todos conviviam pacificamente. Enfim estes tempos em que vivemos fazem as pessoas agressivas e centradas nelas mesmas. Pouca solidariedade e pouco respeito pelos outros. Essa é a minha opinião.
    Sílvia

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    1. Também tenho saudades desses tempo. Infelizmente, parece que é algo que tende a deixar de existir.

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  9. Os condomínios são caros mas a educação é barata. E há muita gente que acha que lhes cai um dente se usarem de um pingo de cortesia. Verdadinha.

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    1. Se eu fosse contar tudo o que acontecia naquele condomínio... A tua primeira frase diz tudo.

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  10. Fizeste mesmo lembrar-me da minha infância...em tudo igual. Juntava duas brincadeiras: jogar ao espeta (com uma chave de fendas "roubada" da caixa de ferramentas do pai e fazer pistas com tacos de parquet que se utilizava imenso na altura em nossas casas...Em relação à vizinhança acho que nos cabe a nós sermos diferentes e mesmo que não nos digam bom dia nós devemos dizê-lo...

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    1. Às tuas coisas, que adorava, acrescento as caricas com caras de jogadores de futebol.

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  11. É verdade o que contas e és jovem, ainda.
    Imagina eu, que tenho idade qb, o que brincava, também, jogava a bola, enfim, tu contaste tudo neste teu lindo post.
    Em relação à vizinhança, na minha rua há cumprimentos, no prédio também, mas eu vivo numa rua em que a maioria das pessoas vive aqui há pelo menos 30/40 anos. Eu vim estrear este prédio, era eu miúda.
    Brincar na rua, aqui, já não se brinca porque tudo mudou, infelizmente para pior...já não é possível as crianças brincarem na rua até às 23h ,como nós (se bem que quem vive aqui são os pais das crianças que são agora pais e mães), pois há muitos perigos. Já não me recordo de ver à noite uma criança brincar.
    Saltavam, sim , para o recreio da escola primária, mesmo em frente à minha casa e ficavam até ás tantas.Essas crianças cresceram, já ninguém vai para lá.
    Quanto a pedir alguma coisa, não, porque a quem eu pedia ou emprestava alguma coisa, já não vive aqui (passavamos as coisas pela janela da frente). Belos tempos.
    Mas sabes um coisa?
    Os vizinhos que tu falas são mal educados mas com certeza que no FB são as melhores pessoas do mundo.
    Tanta falta de civismo!
    Adorei este teu post.
    Beijinho

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    1. No facebook toda a gente é exemplar. Tão exemplar que há quem faça gostos no facebook e não cumprimente na rua.

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  12. Acho que é um problema de quem vive em apartamentos, ou condomínios. As pessoas vão tão ocupadas com as suas vidas, as suas coisas, que dizer um "bom-dia" não entra nas contas. Eu por acaso digo sempre bom dia aos meus vizinhos, e às pessoas que vejo regularmente, mesmo que não as conheça.

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    1. Eu digo, até ser ignorado duas ou três vezes. Aí, desisto dessa pessoa. Não de todas mas daquela.

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  13. Estás no prédio errado no Seixal :-) e olha q nao devo morar muito longe de ti ;-) Felizmente vivo num prédio onde todos nos conhecemos e cumprimentamos. Ha sempre um mais/menos simpático do q outro, mas tenho a sorte de conhecer todos os meus vizinhos e de o ambiente no prédio ser agradável e familiar.
    Mas percebo o q queres dizer, mais ainda talvez pq passei toda a minha infância numa terriola pequena no campo onde todos se conhecem e a diferença para a realidade de hoje em dia é abismal.
    É como se ser educado/simpático custasse muito e fosse uma raridade! E infelizmente isso reflecte-se nos jovens de hoje em dia... cada vez mais mal-educados!
    BCR

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  14. Apesar de viver numa cidade, tenho sorte no prédio onde estou, não sei os nomes de todos mas existe sempre um "bom dia" de ambas as partes e se vejo algum deles carregado, vou prontamente ajudar (foi assim que me ensinaram) e também eles seguram a porta (da rua e do elevador). Tenho pena que não existam pessoas mais cívicas e que zelam pelo interesse de terceiros, só teriam a ganhar com isso.

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    1. Fazem falta mais pessoas como tu. Seria bem melhor.

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    2. Agora foste tu que me fizeste corar.... :)
      Acho que trato as pessoas, regra geral, da forma como gosto que me tratem... :)

      Obrigada. :)

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  15. Percebo perfeitamente o que dizes. Na minha infância também era assim. Não vivi numa praça assim, mas íamos a casa uns dos outros, comíamos na casa uns dos outros. Ia a pé para a escola sozinha, apenas pela companhia dos colegas que ia encontrando no caminho. Saíamos da escola e íamos ao café/mini-mercado sozinhos comprar gelados, ou cromos para as nossas colecções. Enfim...foi uma infância bem mais divertida e saudável do que é agora.
    beijinho

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  16. eu pelo contrario gosto de um certo anonimato. Digo bom dia , boa tarde, faço algum favor sem problema, peço algo se tiver de pedir, mas não quero conviver com os meus vizinhos, não quero que saibam a minha vida nem quero saber da deles.
    Manuela

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    1. Percebo o que dizes mas o convívio não implica que se saiba de tudo. Isso depende de nós. Eu é que escolho aquilo que conto às pessoas com quem convivo e não conto o mesmo a todas.

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  17. Bolas na Quinta da trindade era assim a vizinhança? Ainda bem que voltámos atrás com a compra. Ana Paula

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    1. Sim, era assim. Nada a apontar (excepto num caso muito desagradável) à Quinta da Trindade, mas o resto...

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  18. Em relação à infancia partilho completamente o sentimento. Digo vezes sem conta à minha irma mais nova (e so temos 9 anos e meio de diferença - vistas bem as coisas nao é assim tanto) que ela e os colegas dela nunca serao felizes como nós fomos porque nao têm a "liberdade" da rua que nós tivemos.
    Em relação aos vizinhos la do predio... a do lado é que a traz sempre um pedaço de bolo acabado de fazer e a quem damos uma taça de parte do doce que nós fizemos.. troca-se azeite, sal, ovos, o que for.... somos como uma grande familia no mesmo andar. Os restantes conhecemos, damos-nos bem, mas nada de confianças.

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    1. Haver essa união no patamar já é muito bom :)

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  19. Revejo-me completamente no que escreveste. E as vezes dou por mim a relembrar esses belos tempos da minha infância e a desejar que pudesse viver isso só mais 1 vez mas o tempo não vota atrás. Mas fico feliz por ter tido uma infância espectacular e só espero poder proporcionar aos meus futuros filhos metade do que eu tive nesse aspecto.

    Acho que os principais culpados de tudo isto ter mudado foram as novas tecnologias. A desculpa da criminalidade não explica tudo, ate pq actualmente as crianças preferem PC e consolas com os amigos que futebolada...é uma pena!

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