27.11.14

ciúmes em locais impróprios. ou é outra coisa?

Gosto de ciúmes numa relação. Acho que, desde que sentidos (ou revelados) de forma suave são um sinal de paixão. Porque, quem ama e deseja acaba por sentir ciúmes em diversas situações. Por mais que se diga que não ou que se consiga evitar que os mesmos sejam revelados, acredito que eles acabam por existir. Quando os ciúmes são doentios, é algo que não aguento. E que não compreendo pois levam a relação para um patamar onde a desconfiança e as discussões têm lugar de destaque.

E se não compreendo ciúmes doentios numa relação, muito menos compreendo ciúmes em relações de amizade ou em relações profissionais, apenas para dar dois exemplos. E se também não compreendo este tipo de ciúmes, ainda muito menos compreendo os ciúmes que têm lugar em locais impróprios. Como por exemplo... no ginásio. Local onde descobri que existem. Existem pessoas que conseguem sentir ciúmes do tratamento que um “professor” dá aos “alunos”.

Queixam-se de que fulano nunca é criticado nem corrigido. “Sou só eu que faço as coisas mal”, dizem. “E os outros?”, perguntam. Chegando a acusar sicrano de ter um tratamento especial. Quando, na realidade, e independentemente da relação de amizade que as pessoas têm fora do ginásio, o tratamento é igual para todos. A diferença está somente num detalhe importante: a forma como se lida com a crítica.

Aqueles que são acusados de tratamento especial são aqueles que ouvem a crítica e corrigem o que estão a fazer mal, de modo a que não tenham de ouvir a mesma crítica dezenas de vezes. Não perdem tempo a tentar descobrir erros nos outros, preferindo corrigir os seus. Os outros, aqueles que acusam, são aqueles que ouvem a mesma crítica dezenas de vezes e que mesmo assim continuam a cometer o mesmo erro. Não percebem que não corrigiram algo e optam por encontrar tratamento especial onde ele não existe. Os ciúmes que sentem são afinal outra coisa. Mas preferem ignorar esse detalhe.

orgasmos. homens vs mulheres





Confere?

as vacas sagradas

Ontem, e no seguimento da detenção de José Sócrates, partilhei – no facebook do blogue - aquilo que considero ser uma excelente reportagem. Foi noticiada a ligação entre os governos de Sócrates e o Grupo Lena, do qual Carlos Santos Silva (outro dos arguidos) foi administrador. Este grupo foi um dos mais cotados com contratos públicos num montante superior a 153 milhões de euros durante o tempo em que Sócrates foi primeiro-ministro. Tendo em conta este dado de relevo, considero que uma boa reportagem passa por encontrar relações semelhantes no actual governo. E não só. Nos governos que antecedem José Sócrates, independentemente da cor política.  

Não posso dar garantias mas acredito que seriam encontradas ligações muito semelhantes a esta. Que por sua vez levantariam muitas suspeitas. Que por sua vez seriam incómodas para muitas pessoas com cargos de relevo. E que podiam até dar lugar a problemas sérios. Não é mais do que a minha opinião, mas acredito que seria o resultado da reportagem. Por outro lado, acredito que esta reportagem dificilmente via a luz do dia. Ou seja, dificilmente seria publicada num jornal/revista ou emitida num canal. Tal como acredito que muitos jornalistas iam ter problemas sérios pelo caminho.

E isto leva-me às “vacas sagradas” que existem em todo o lado. São aquelas pessoas que são intocáveis em diversos locais. São aquelas pessoas que têm as suas histórias escondidas numa gaveta algures, com a certeza de que nunca vão ser divulgadas. E não têm de ser as mesmas. Cada publicação tem as suas. Cada qual “defende” os seus. Consoante as mais diferentes motivações e relações pessoais. E existem “vacas sagradas” em todas as áreas. Da música à política, passando por tantas outras áreas. E incomodar essas pessoas acaba sempre numa gigantesca dor de cabeça.

como ser invejado pelas mulheres


Para ser invejado pelas mulheres basta ser um boneco Lego, de nome b., e cair nas mãos de Pedro Teixeira, um dos solteiros mais "cobiçados" de Portugal.

26.11.14

porque ele faz parte de nós

No último post fiz uma referência a um diálogo muito peculiar, protagonizado por Herman José e Nicolau Breyner, na pele de Senhor Contente e do Senhor Feliz. Estes personagens nasceram na década de setenta. Apesar de ter nascido em 1981, estes dois papéis não me são desconhecidos. Não me passam ao lado. Hoje, um amigo cantarolou este diálogo. E, para meu espanto, outro amigo nosso, de 27 anos, não fazia a mínima ideia do que se falava. Não sabia quem eram os tais senhores, o Contente e o Feliz, que protagonizavam esta rábula.

Perante este desconhecimento, perguntei se O Tal Canal lhe dizia algo. Respondeu que não. Perguntei também se sabia quem eram os personagens José Esteves, Serafim Saudade, Nelito e Maximiana. Voltou a dizer que não. Falei-lhe ainda de Melga Shop e de Mike e Melga. Também não sabia quem eram. Mudei-me para o grupo de tripeiros ferrenhos que estavam indignados com a Expo 98 e que preparavam, em segredo, a Expo Nobenta e Seite, algo que ia envergonhar os mouros, com destaque para o Engenheiro Paços de Ferreira. Mais uma vez, disse que não sabia quem eram.

Num misto de desespero (e também num teste final) perguntei se estava recordado de ver Herman José na SIC, com as visitas de alguns convidados duvidosos e se estava recordado de ver o seu nome associado a um dos maiores escândalos do país. Nesse momento disse logo que sim. Estas duas coisas eram claras na sua cabeça e eram as únicas memórias do humorista. Expliquei que tudo o que estava para trás estava ligado a Herman José, uma pessoa que considero fazer parte da nossa cultura, sendo um dos maiores talentos que tive o prazer de ver na televisão e ao vivo. “Não me lembro de nada disso. Era muito novo”, justificou.

Defendo que as pessoas não são obrigadas a gostar do mesmo. Aceito perfeitamente que me digam que Herman José não tem talento. Por mais que discorde, tenho de aceitar que existam pessoas que não gostem do seu humor. Mas entristece-me o desconhecimento em relação a momentos marcantes da nossa cultura, algo que ninguém pode negar. Quer se goste ou deteste, Herman José está ligado a momentos marcantes da nossa cultura. O Tal Canal é marcante. E são personagens como aqueles que referi que criaram espaço a tantas coisas que ainda hoje são feitas por muitos humoristas que se inspiram no seu talento.

É uma pena que cada vez mais, cultura e história sejam palavras que envolvem um espaço temporal de aproximadamente dois ou três anos. Entristece-me que sejam dados como grandes exemplos de pessoas que fizeram algo pela nossa cultura pessoas que começaram a carreira ontem e que têm apenas um trabalho. E que muitas vezes é de qualidade duvidosa. Não sou ninguém para apontar o dedo aos outros e para acusar de desconhecer isto ou aquilo. Mas entristece-me este aparente desinteresse por tantas coisas boas que foram feitas pelos nossos e que marcaram gerações. Mais do que isso, que são a nossa história.

digam-me que isto vos diz algo...

“Como passa senhor Contente?”
“Como está senhor Feliz?”
“Diga à gente, diga à gente, como vai este país”

Digam-me que, independentemente da vossa idade, este diálogo vos diz algo. Que o associam, no mínimo, a uma pessoa.

quem será agora?

Até sair de casa dos meus pais vivi sempre no mesmo prédio. Num dos nove de uma pequena praceta. O apartamento é num sexto andar e todos os prédios têm sete. Ao longo da minha infância e adolescência mantive praticamente os mesmos vizinhos. Poucos foram os que saíram de lá, o que fez com que crescesse sempre com os mesmos amigos, apesar das diferentes idades que nos separavam. Entre os amigos que não mudaram de casa até ao casamento, está o meu vizinho de cima, que deve ter mais oito ou nove anos anos do que eu.

Este amigo e vizinho tinha uma particularidade. Conseguia passar o dia inteiro a ouvir a mesma música com o volume no máximo. Em momentos ocasionais, conseguia ouvir um álbum até à exaustão ao longo do dia. A isto acrescentava um gosto musical bastante reduzido. Quando lhe dava para ouvir um álbum inteiro, a escolha era sempre a mesma: Moonspell. Quando queria ouvir apenas uma música ao longo do dia também podia escolher uma das muitas da banda portuguesa. Porém, por norma, a sua opção era Who Can It Be Now? ou Down Under, ambas dos Men at Work.

Isto não aconteceu num dia. Não aconteceu numa semana. Nem sequer num mês. Isto reproduziu-se ao longo de anos a fio. Eu, que na altura não conhecia os Moonspell nem os Men at Work, dava por mim a cantar as músicas. Mas apenas as dos Men at Work pois perceber as letras dos Moonspell de um andar para o outro, com o volume no máximo e com alguns pulos pelo meio, era uma tarefa mais complicada. O facto de ter acontecido ao longo de anos poderia ter feito com que odiasse por completo ambas as bandas. Curiosamente, aconteceu o oposto.

Apesar daquilo – o volume no máximo e a mesma música ao longo de horas – ser algo estranho para mim (naquela altura) fiquei fã de Men at Work. Não desgosto de Moonspell mas não sou tão fã como da banda australiana que teve o seu grande sucesso nos anos oitenta. Quando começamos a sair à noite fui descobrindo outras músicas e, mais uma vez, graças ao meu vizinho. Como era o mais novo, ainda não conduzia e nas nossas saídas ouvia o resto do álbum no seu carro. “Isto é aquilo que passas o dia a ouvir com o volume no máximo”, dizia-lhe. Acho até que acabei por ficar com o cd, deixando-lhe apenas os Moonspell para os seus momentos musicais.

Desde então que sou fã (um dos poucos, creio. Sobretudo nos dias que correm) dos Men at Work. Delicio-me a devorar os seus hits, a ver concertos ao vivo. Até porque é um tipo de música que já não é feito actualmente. E isto aplica-se à maioria das grandes bandas que surgiram nos anos oitenta e que conseguem ter músicas eternas. Para quem não os conhece, partilho uma das minhas preferidas que não é um dos seus principais sucessos.


Como referi no texto, naquela altura fazia-me confusão que o meu amigo e vizinho passasse um dia inteiro a ouvir uma música com o volume no máximo. Hoje, como não vivo sem música, dou por mim a fazer o mesmo. Quando são músicas e álbuns que adoro sou capaz de os devorar como se fossem o melhor banquete do mundo. A diferença é que guardo esta boa vibe para mim. A festa é só minha. E não “incomodo” ninguém com algo que certamente será repetitivo noutros ouvidos que não os meus.