22.6.17

o melhor sono de todos

Existem estudos e mais estudos sobre o sono. Acabo de ler um que até me é favorável. Que refere que as pessoas que se deitam sempre à mesma hora são mais bem-sucedidas. Uma rotina de sono ajuda, dizem os especialistas. E isto é algo que faço. Costumo deitar-me sempre por volta da mesma hora. Se estiver em casa, deito-me sempre por volta da mesma hora. Isto de segunda a sexta. Faço questão de me deitar de modo a descansar o número de horas que considero essenciais.

Não sendo especialista, não considero que isto seja o mais importante para mim. Se dormir menos, acordo mais cansado. Mas mesmo que durma muito, se a cabeça não estiver bem, isso é que terá influência na forma como lido com o dia. E na forma como vou ser sucedido. O pior é que existe a tendência para empurrar os problemas de um lado para o outro. E na hora de ir dormir, andam de um lado para o outro da cabeça. Influenciando o sono.

E influência também o dia. Com pouca ou nenhuma paciência. Com falta de humor. Com dias cinzentos. E isto acaba por ser muito pior. Os problemas que não se resolvem têm influência no sono. E no dia. Por isso, e reforçando que não sou especialista na matéria, aconselho que as pessoas resolvam os problemas. Isso tem influência no sono. Na relação profissional. Com os amigos. E até nas relações amorosas. Que é o mesmo que dizer que tem influência na forma como cada pessoa é bem sucedida em diversas áreas.

uma espécie de guilty pleasure

Nesta altura do ano adoro ver os programas de futebol. E não me refiro aqueles onde todos gritam e ninguém diz nada de jeito. Para esses não tenho paciência. Gosto é daqueles programas em que se fala de jogadores. Dos que vão ser comprados. Dos que vão ser vendidos. E de todos os outros. Acompanho estes programas quase como um reality show. Só ainda não será este ano que aponto todos os negócios avançados, de modo a perceber os que realmente aconteceram.

aquilo que realmente importa sobre pedrógão grande

Até ao momento morreram 64 pessoas. O número de feridos ultrapassou os 200. Este é o último balanço do incêndio de Pedrógão Grande. E neste momento só uma coisa importa sobre o incêndio. Aquilo que realmente importa é descobrir o desgraçado que deu início ao fogo. Mesmo que ele não existe. Temos de arranjar uma pessoa, mesmo sem nome ou rosto, que seja considerado o culpado do início do incêndio.

E como é que fazemos isto? Ao melhor estilo nacional... com suspeitas. E quem vier a seguir que feche a porta. Lança-se a suspeita. Diz-se que a Polícia Judiciária não percebe nada disto. Que não há cá trovoadas secas. E nunca na vida seria possível a natureza ser responsável por um incêndio desta dimensão. Isso é coisa que só acontece no estrangeiro. Naqueles países distantes que nada têm a ver connosco. Quanto a nós... só há uma solução: alguém ateou o fogo. E damos tempo de antena a todas as pessoas que têm algo a dizer sobre esta teoria. Mesmo que não digam nada.

Não sei se foi fogo posto ou não. Nem isso importa neste momento, no sentido que nada disso dará vida aos que morreram. Mas a verdade é que a Polícia Judiciária apresentou a sua teoria, referindo ter encontrado a árvore onde terá tido início o incêndio. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera também já apresentou um relatório. E até prova em contrário - e não me refiro a boatos - esta explicação é credível para mim. Que nestes casos não acho minimamente interessante perder tempo com teorias da conspiração que partem do vizinho que conhece alguém que viu alguém que tinha conhecido alguém que não ouviu nenhuma trovoada seca.

Considero muito mais interessante (e importante) dedicar os próximos tempos a tentar perceber o que funcionou mal. Aquilo que não impede um incêndio, mas que minimiza os danos. Falar do SIRESP. Funciona? Não funciona? Porque não funciona? Falar do incumprimento (apesar dos alertas frequentes) relativo à limpeza dos terrenos, na sua maioria particulares. Discutir a falta de condições da maioria dos bombeiros. Tal como as teorias de conspiração, nada disto dá vida aos que morreram. Mas existe uma grande diferença. É que falar disto, discutir isto, analisar e melhorar o que está mal permite que no futuro existam menos vítimas em incêndios.

20.6.17

quem quer ir ao Grant's Stand Together? (passatempo)

O festival Grant's Stand Together é o grande evento nacional de storytelling. Além de ter sido pioneiro no género, consegue surpreender a cada ano. Já estive presente em diversas ocasiões e sabe sempre a pouco. Recordo-me do anfitrião, Joaquim de Almeida, se emocionar no palco. Recordo-me da hilariante história de César Mourão e da forma peculiar de contar histórias de Valter Hugo Mãe.

Melhor do que falar deste evento é assistir ao Grant's Stand Together. Por isso tenho três convites duplos para oferecer. Para um dia à escolha dos vencedores. Para ganhar só é necessário ser seguidor da página de Facebook da Grant's Portugal, bem como do Instagram da Grant's Portugal. E deixar um comentário neste post com a seguinte frase: "Quero ir ao Grant's Stand Together". O vencedor será escolhido de forma aleatória com recurso ao random.org. O passatempo é válido até final do dia 22 e os vencedores só têm de levantar os bilhetes na bilheteira. Boa sorte!


quando o drama ganha uma dimensão próxima e real

Qualquer tragédia tem o poder de unir pessoas. Quanto maior a dor, maior a união. Está a ser assim com o incêndio dantesco de Pedrógão Grande. Foi assim com o incêndio que consumiu uma torre em Londres. Foi assim com os (cada vez mais frequentes) atentados. Tal como foi assim com o atentado de 11 de Setembro de 2001. Não sei explicar o fenómeno que faz com que algumas pessoas sejam bondosas apenas nestes momentos. Mas, como dizem muitas pessoas, mais vale uma vez do que nunca.

Nestes momentos as pessoas tendem a emocionar-se. E quanto maior for a proximidade, mesmo que ilusória, maior o impacto junto de cada um. Foi assim com o caso do menino sírio que foi fotografado morto numa praia e que se tornou no símbolo da luta de todos os migrantes. Aquele menino podia ser o filho, sobrinho ou neto de muitas pessoas. E essa ideia de proximidade causou um impacto maior.

Não escondo que me emociono com algumas histórias que vou conhecendo nas diferentes tragédias. Já para não falar da tragédia de um ponto de vista geral. Fiquei sem reacção quando ouvi o morador da Grenfell Tower, em Londres, relatar que viu um pai a atirar os filhos pela janela do prédio que era consumido pelas chamas. Ainda hoje fico sem reacção quando vejo o The Falling Man, fotografado em queda livre numa das Torres Gémeas, em 2001. Tal como fico sem saber o que dizer quando vou ouvindo histórias de Pedrógão Grande.

Mas tive uma reacção diferente quando me deparei com a história da família de Sacavém que estava desaparecida. Os familiares e amigos andavam à procura do casal e dos dois filhos que tinham ido de férias para Castanheira de Pêra. Acabei por ir parar à página de Facebook da mulher, na altura desaparecida e com as pessoas à espera de um milagre. Foi aí que vi a última publicação que fez nas redes sociais. Uma foto dos filhos numa piscina.

Quando vi aquela foto engoli em seco. Lembrei-me imediatamente que os meus pais e a minha sobrinha tinham estado naquela mesma piscina num passado recente. Esta associação levou-me imediatamente a pensar na sorte que tive. E a pensar na eventualidade de o incêndio ter acontecido naquela altura. Coisas em que não queremos pensar, mas em que acabamos a pensar. São momentos destes que fazem com que me sinta muito pequenino. Com receio. Com medo de coisas que não controlo. Que ninguém controla.

assim lembram-se deles?

Que esta imagem, partilhada nas redes sociais pelo bombeiro Pedro Brás, fique gravada na memória de todas as pessoas. E que isso faça com que as pessoas se recordem destes heróis durante todo o ano. E não apenas quando acontece uma tragédia. Obrigado por tudo!