21.7.17

a puta da vida

Iniciei-me no jornalismo em setembro de 2006. No papel de estagiário. A meio do estágio assinei contrato, deixei de ser "o" estagiário para passar a lidar com muitos outros. Especialmente ao longo dos últimos anos.

Já trabalhei com muitos estagiários. De uns não me recordo do nome. De outros não me recordo da cara. Uns eram muito bons. Outros assim assim. Do grupo de estagiários que me marcaram destaco um. Porque está muito presente na minha memória.

O [não interessa o nome dele] é especial para mim. Desde o primeiro dia que me meti com ele. Era o responsável por que falasse tanto na redacção. Estava sempre a meter-me com ele. Quando soube que ia mudar, passou a "pedir-me" para meter uma cunha para si.

Algo que fiz. Não por gostar dele, mas por acreditar no seu trabalho e numa vontade quase rara de tanto trabalhar. Inseri-o no meu grupo de amigos e passou a almoçar connosco sempre que podia. "Sou estagiário, não posso ir todas as semanas", dizia-me. O grupo acolheu-o como um dos nossos e todos perguntavam por si quando não estava presente.

Parece que me acabo de cruzar com eles. "Disseram-me que vou fazer estágio profissional", disse-me. "Vou para perto de ti". Fiquei mesmo contente. Até que sei que tinha sido internado. Passou vários dias no hospital. Fiquei assustado mas descansado quando me disse que não era nada cancerígeno.

No hospital tinha uma preocupação. Que não perdesse a oportunidade de estagiar. Algo que não deveria ser uma preocupação. Fiquei feliz quando soube que tinha ido para casa. Acreditei que estava mais perto de regressar. Até que levo novo murro.

Novas notícias apontam para cancro no estômago e esôfago. Seguem-se seis meses de quimioterapia. E só me apetece dizer, gritar, puta da vida. Espero que fique bom depressa. E que rapidamente esteja perto de mim, para estar sempre a meter-me com ele.

20.7.17

o karma não brinca em serviço

Era uma vez um homem que adorava ser mirone. Um homem que tinha como prazer diário espreitar outras pessoas durante momentos mais pessoais e íntimos. Ainda que praticados em locais públicos. Era uma pessoa que gostava, por exemplo, de ver mulheres na praia. E este encanto era tal que decidiu partilhar o mesmo com os amigos. Venham lá. Vamos ver umas coisas giras.

E assim foi. Equipa montada. Binóculos. Espreitadela para aqui. Espreitadela para ali. "Que belas mamas tem aquela mulher", diz-se. Todos espreitam. Até que chega a vez do tal homem. Que ao olhar pelos binóculos se apercebeu de que estava... a ver a filha a fazer topless. Aquela pessoa levou os amigos a olhar para as mamas da filha. O que tinha piada rapidamente passou a espectáculo de mau gosto. E todos foram embora. Com o homem pior do que estragado.

Moral da história: o karma não brinca nem tira férias. Este é momento em que digo que tudo não passa de uma brincadeira. De uma anedota. Mas não o posso fazer. Pelo simples facto de que é uma história verídica. Isto aconteceu.

19.7.17

hoje é o dia delas

Hoje é um dia histórico para o desporto português, no que às mulheres diz respeito. Pela primeira vez temos a principal selecção nacional de futebol presente num Europeu. E foi com grande alegria que ouvi um jornal de desporto, na Antena 1, abrir com este tema. Que teve maior destaque do que os temas habituais.

A missão não será fácil. Mas no ano passado também não era. E todos sabem o final feliz de que todos nos lembramos. Às cinco vou estar com os ouvidos colados ao rádio. Ou com os olhos colados à televisão. Força raparigas! Somos milhões a puxar por vocês.

18.7.17

há coisas que nunca mudam e elas vão ser sempre umas...

O mundo tem tido um avanço fantástico. Nos carros, nas casas, nas tecnologias e em tudo e mais alguma coisa. Mas as mentalidade não conseguem acompanhar a velocidade das restantes evoluções. Em alguns casos até parece mesmo que existe um recuo no modo de pensar. E quando o tema são mulheres e roupa, acaba sempre sempre com a palavras puta.

Ariel Winter deu-se a conhecer enquanto adolescente. E algumas pessoas devem ter ficado presas nesses tempo. E não se apercebem de que a jovem já tem 19 anos. Está mais perto de ser uma mulher do que de ser uma menina de 12 anos. E que gosta de usar calções e tops (qual a jovem que não gosta?) e que gosta de partilhar imagens nas redes sociais.

Estes ingredientes resultam quase sempre em puta. Algo de que a actriz está a ser acusada por causa desta foto. E se já condeno críticas destas, até porque os homens nunca são vistos com o mesmo olhar crítico, abomino comentários como: "nenhum namorado deixaria a namorada andar por aí assim vestida". Mas os homens mandam nas mulheres? E nas roupas que usam? E ainda fico mais espantado porque estes comentários são feitos por jovens que conseguem ter mentalidades mais antigas do que muitas pessoas de gerações mais velhas.

eles são todos umas p****

Longe vão os tempos em que os jogadores de futebol eram pessoas "sérias" com amor à camisola. Hoje, e ninguém pode condenar isso, são uns mercenários que se vendem a quem pagar mais e melhor. Volto a dizer que não censuro isto. Aquilo que critico é a estupidez associada a esta forma de ser mercenária. E Fábio Coentrão é o exemplo mais recente do que pretendo explicar.

Fábio Coentrão foi um grande jogador. Um dos melhores laterais esquerdos do mundo. Mas, por motivos que só o próprio poderá explicar, perdeu fulgor. As lesões são muitas, os jogos são poucos e quando assim é, a carreira tende a descer. Pegando nisto tudo, é normal que o jogador em questão veja com bons olhos a mudança para o Sporting. Mesmo depois de ter passado anos no Benfica. É normal porque foi no Benfica que teve os melhores anos da sua carreira. E foi com o treinador do Benfica, que agora está no Sporting, que melhor jogou. Isto misturado faz com que Fábio Coentrão acredite que com Jorge Jesus irá voltar a ser o jogador que era.

Tudo o que referi é lógico. Aquilo que deixa de ser lógico é andar a gritar ao mundo que ama o Benfica. E que em Portugal só joga no Benfica. E que nunca jogaria no clube onde agora está. E que parece, segundo o próprio, ser a realização de um sonho de criança. E que tire fotos com adeptos que, ao jeito do adepto que é mais anti um clube do que a favor de outro, gostam de provocar. É isto que transforma um atleta inteligente num mercenário burro. E falo de Coentrão porque é o exemplo mais recente de alguém que tem de engolir o que disse.

No lado oposto dou o exemplo de uma entrevista recente de Miguel Vítor. A quem perguntaram se jogaria no Porto ou Sporting, depois de ter sido formado no Benfica. E o jogador respondeu dizendo que era profissional. E que, apesar de existir uma ligação sentimental ao Benfica, não poderia fechar as portas a clubes como o Sporting e o Porto, os únicos que conseguem, em Portugal, pagar o que recebe no estrangeiro. Miguel Vítor não passa a ser pior profissional por dizer isto. Não apaga a sua história no Benfica por abrir as portas a outros clubes.

A grande diferença é que Miguel Vítor passa por inteligente e Fábio Coentrão por burro. Algo que seria evitado se não tivesse passado anos a gritar que amava um clube e que só jogaria por esse clube no seu País. Também saliento que nos dias que correm os mercenários estão em todo o lado. Os futebolistas apenas são mais mediáticos. Porque o mercado profissional está cheio de pessoas assim.

adeus maluca que lambia martelos

Não a conheço de lado nenhum, mas fico feliz por ver Miley Cyrus de volta à normalidade. Considero que é uma mulher bonita, inteligente e talentosa. Nunca percebi se viveu uma fase "posso fazer tudo" ou se aconteceu algo completamente diferente que levou a que fosse aquela Miley que todos conheceram e com a qual todos fizeram piadas. As opiniões valem o que valem e a minha é a de que assim está muito melhor.