17.4.15

só para homens que vão ao ginásio (mas elas podem ver e ajudar)

Ao longo dos meus 33 anos devo ter frequentado meia dúzia de ginásios. Em diferentes fases da minha vida mas com alguns detalhes que nunca mudam. E que sempre me fizeram confusão. Confusão no sentido de não perceber o motivo de tais comportamentos/posturas. Uma das coisas que me faz confusão são aquelas pessoas que treinam aos gritos. Não são gritos de esforço. São gritos que traduzidos de “gritês” para português significam algo como “olha para mim enquanto treino”.

Outra das coisas que não percebo são aqueles homens que treinam o tronco como se estivessem a preparar-se para a mais dura das batalhas que alguma vez existiu. Homens esses que ignoram o treino de pernas, como se nunca fossem precisar delas para o que quer que fosse. O que resulta num corpo bastante musculado da cintura para cima e numas pernas extremamente magrinhas sem qualquer “músculo”. O que, por sua vez, resulta num corpo desproporcional.

Esta ideia, de saltar o treino de pernas, foi adaptada à publicidade da ebike, da smart, criando a ideia de que só se pode ignorar o treino de pernas quando se recorre a esta bicicleta. Posto isto, agradeço que alguém que explico o motivo pelo qual alguns homens ignoram o treino de pernas. Já agora, e porque a maior parte das pessoas que por aqui passam são mulheres, elas acham piada a corpos assim?

tenho a pior profissão do mundo. e tu?

Como vem sendo hábito ao longo dos últimos anos, o site CareerCast – dedicado a anúncios de emprego – voltou a fazer uma lista onde constam as piores profissões deste ano. Não deve existir uma única pessoa que não tenha um dia mau no trabalho. Ou que se depare com um problema específico, que pode ir do chato do colega até à lentidão do computador, num determinado momento de um determinado dia. Porém, existem profissões nas quais os problemas são constantes. Para já, digo apenas que estão enganados aqueles que pensam que as piores profissões do mundo são bombeiros ou algo do género, devido ao risco.

A elaboração da lista teve por base critérios como ambiente, futuro e stress. E o primeiro lugar da lista, ou seja, a pior profissão de 2015 é a minha: jornalista de imprensa. Este lugar pode causar estranheza a muitas pessoas. Até porque acredito que o jornalismo ainda é visto como uma espécie de profissão de sonho. Mas não é assim. E qualquer jornalista pode comprovar isso. O stress é constante. A pressão é muita. Os trabalhos nem sempre são fáceis e exigem um grande desgaste. É um profissão recheada de ingredientes que cansam a cabeça.

E é muito mais complicado recuperar esse desgaste do que o desgaste físico. É certo que num jornal diário a noção de tempo é muito mais apertada. Mas mesmo numa publicação semanal consegue existir uma grande dose de stress. E é por isso que este lugar não me surpreende. Num destes dias vi uma tshirt onde se podia ler isto: “jornalist it´s not a career. It´s a post-apocalyptic survival skill”. E esta é uma boa forma de resumir o que é esta profissão.

Em segundo lugar está a profissão de lenhador. O último lugar do pódio é ocupado pelos militares no activo. Seguem-se os cozinheiros, locutores de rádio ou televisão, fotojornalistas, correctores de bolsa, taxistas, bombeiros e por fim, os carteiros. Posto isto, é oficial: tenho a pior profissão do mundo... pelo menos neste ano. Para o ano logo se vê se o ranking muda. Por sua vez, a melhor profissão do mundo é actuário. 

16.4.15

quantas pessoas (iguais a esta) conhecem?


"Ela não larga mais
Aquele telefone
Já não quer mais
Conversar ao vivo com ninguém

Mergulha de cabeça
Pela tela e some
Me diz pra que tanto selfie
Eu hein?

Pode o mundo em volta estar caindo
Que ela não vai se abalar
Você fala, ela finge estar ouvindo
Mas na verdade não tá

O samba pegando fogo
O churrasco tá bombando
Ela pensa estar curtindo
Mas na verdade não tá

Todo mundo vendo o jogo
Tá torcendo, tá sambando
Ela pensa estar curtindo
Mas na verdade não tá"


Neste texto falei da mestria de Seu Jorge. Este grande artista brasileiro consegue pegar em temas banais transformando os mesmos em músicas de sucesso que ficam no ouvido. Desafio quem por aqui passa a ouvir esta música e a prestar atenção à letra. Por fim, uma questão: quantas pessoas (iguais à protagonista desta música) conhecem?

no sábado é isto

Quando era puto só queria desporto. Por mim, tinha jogos de futebol todos os dias da semana. Às segundas, quartas e sextas eram os treinos do clube. Às terças e quintas queria jogos com amigos. Se não fosse assim, ficava triste. Agora, aos 33 anos, continuo a querer o mesmo. E foi-me dado aquilo que desejei. De segunda a sexta, às sete da manhã, estou no ginásio. A isto junto, às quartas e sextas, pelas 22 horas, treinos de futsal que são bastante intensos pelo aprimorar dos bloqueios e jogadas que fazem a diferença no futsal. A isto acresce uma média de dois jogos de futsal por semana, em dois torneios diferentes.

Para mim, que adoro desporto, sobretudo futebol, isto é o mesmo que ser uma criança e receber um chocolate. Adoro este ritmo intenso. Gosto dos treinos bidiários. Gosto do treino do ginásio que é bastante útil para que aguente os intensos jogos de futsal. Adoro os momentos a sós, o que acontece no ginásio em que o treino depende apenas de mim, e os momentos de equipa em que dependo de um conjunto de pessoas. Baralhando e distribuindo, são estas coisas que me fazem sentir vivo. É o testar os meus limites e ajudar a elevar uma equipa sendo apenas mais uma peça na engrenagem.

Entre uma coisa, o ginásio, e outra, fazer parte de uma equipa de futsal, surgiu o convite de correr 12,5 quilómetros (uma distância que não costumo correr com frequência) numa prova de solidariedade, o Oikos Desafio 100. No próximo Sábado, às 9 da manhã, irei percorrer o primeiro troço desta prova, que terá partida na Lourinhã. Estou na dúvida entre tentar o meu melhor tempo, leia-se correr com determinação, ou aproveitar o momento para soltar as pernas e conviver pois tenho um importante jogo de futsal no dia seguinte.

Adoro desporto e adoro competir. Mas neste caso, aquilo que realmente importa é a solidariedade. E o convívio. Tenho a certeza de que me irei divertir na companhia do extraordinário casal (Sara e David) as pessoas responsáveis pelo extraordinário blogue Definitivamente São Dois e quem me irá dar boleia até à Lourinhã. No Sábado é isto que me espera. E estou ansioso pelo momento. Venha de lá essa corrida. Quem vai lá estar?

o que mais importa: o chocolate, o embrulho ou quem o vai comer?

Passei a maior parte desta semana em formação que incidiu no jornalismo digital e também nas redes sociais. Desde o tempo da minha licenciatura que se dizia que o futuro iria passar pelos jornais gratuitos que iam “acabar” com os outros. Isso não aconteceu. Pelo menos até agora. Mais recentemente começou a defender-se que que o online seria cada vez mais importante, podendo também “acabar” com as publicações físicas. Isso também ainda não aconteceu. Pelo menos até agora.

Mas é um facto que o online é cada vez mais importante. E é também uma importante receia de publicidade para algumas publicações e blogues que acabam por promover os conteúdos que têm em papel, convidando o visitante a comprar a edição física. E aquilo que aprendi é importante e válido para um site de uma qualquer publicação, para um site que não está preso a uma publicação física, a um blogue ou mesmo a quem tem um site de um qualquer negócio.

Fiquei surpreendido ao descobrir que muitos sites importantes estão mal feitos. Não no sentido da imagem que não é apelativa. Mas na programação. Onde existem erros básicos de programação que fazem toda a diferença. Existem pequenos “truques” que devem ser seguidos por todos que não sendo visíveis para quem navega no site ou blogue, são importantes para o Google, que é onde quase todas as pessoas fazem as suas pesquisas. Estes truques são responsáveis pela posição que a “aparecemos” numa pesquisa no Google. E coisas simples fazem a diferença entre aparecer na primeira página e num lugar de destaque ou aparecer na quinta ou sexta. E não me refiro a publicidade. Refiro-me a pequenas regras na programação de um site/blogue ou mesmo de uma notícia/post.

Depois de instalar uma útil ferramenta passei a ter a possibilidade de analisar qualquer site ou blogue deste ponto de vista. E os resultados são surpreendentes. Pois existem muitas coisas feitas de modo errado. E refiro-me a grandes sites ou a blogues de grandes dimensões. É certo que existem sites e blogues cujos nomes falam por si. E com conteúdos que também falam por si. Mas isto não significa que sejam ignoradas regras básicas.

O chocolate, leia-se conteúdos, é importante. O embrulho, leia-se aparência, é igualmente importante. Mas não será igualmente importante a pessoa que o vai desembrulhar e saborear? É a diferença entre o site/blogue ser visto por 10 ou 100 pessoas. Ou entre 50 mil ou mais de cem mil visitas. Quantas mais pessoas tiverem a possibilidade de olhar para o chocolate mais vão querer provar o mesmo. Se ficar escondido algures, será procurado pelo reduzido número de pessoas que quer aquele chocolate específico e que já o conhece.

PS - A título de curiosidade, existe um site português criado por dois jovens que não tem nada de extraordinário do ponto de vista de conteúdos. Isto porque não vive dos conteúdos. Mas que está muito bem pensado e que é também um sucesso no Facebook. Para se ficar com uma ideia, o site dá um lucro de mais de 30 mil euros por mês. E é muito simples. Mas, lá está, é muito bem feito.

nada bate uma boa história

Se há coisa que adoro é uma boa história. Nada bate uma boa história. Sobretudo quando é contada por alguém que o sabe fazer. Sou o tipo de pessoa que consegue passar horas numa tasca a beber cervejas e a ouvir as pessoas mais velhas contarem as suas histórias. Gosto de todos os tipos de histórias. De familiares, amigos e tudo mais. E se gosto de ouvir, também gosto de contar. E tudo isto faz com que aprecie bastante o Festival Grant´s True Tales, cuja 4ª edição tem início hoje, no Cinema São Jorge, em Lisboa, prolongando-se até dia 18, sob o mote Stand Together.

A melhor forma de resumir este evento, para quem não o conhece, é que se trata de conjunto de histórias partilhadas por pessoas que todos conhecemos. Pessoas conhecidas nas mais diversas áreas que contam uma história que pode ou não estar relacionada com a carreira. Joaquim de Almeida volta a ser o anfitrião. Camané, Carminho, César Mourão, Leonor Seixas, Kalaf, Ljubomir Stanisic, Nuno Markl, Richie Campbel, Sílvia Alberto e Valter Hugo Mãe vão partilhar as suas histórias. Existem ainda alguns “duetos” como é o caso de João Manzarra e Salvador Martinha em “Amigos, Amigos, Mentira à parte” e Daniel Oliveira nos bastidores de Hollywood. E ainda Miguel Araújo e António Zambujo em “Logo eu, que nem sou de intrigas” num concerto com histórias e canções. Fernando Alvim terá a sua maratona de histórias com os participantes a contarem histórias sob o tema “#IOU – Devo-te uma”. Existem ainda sessões de cinema com destaque para a exibição do filme A Mãe e o Mar de Gonçalo Tocha, do filme SELMA, nomeado para os Prémios da Academia, e do documentário Complexo Alemão dos irmãos Patrocínio, numa versão não censurada. Edson Athayde apresentará a sessão “Qual é a sua história”, uma espécie de stand-up, que explica o que é o storytelling, as suas origens e técnicas e a sua importância no jornalismo, publicidade e no cinema. O Festival Grant´s True Tales manterá a tradição de doar parte das receitas de bilheteira à Apoiarte – Casa do Artista. Isto tudo regado com whisky Grant´s que, se acontecer como no ano passado, será servido de forma surpreendente.


Os bilhetes podem ser adquiridos aqui. Mais informações aqui e também aqui.

Eu vou lá estar hoje. Apareçam que vale a pena.