31.3.15

porque ninguém brinca/goza com os piores

É caso para dizer que só acontece aos melhores. Cristiano Ronaldo foi alvo de brincadeira (ou gozo para quem preferir) por parte do canal humorístico brasileiro desimpedidos. O que fizeram foi pegar em tiques do jogador, leia-se gestos característicos seus dentro e fora do campo, e associar os mesmos à vida real. Ou seja, como seria Cristiano Ronaldo se fosse “apenas” mais um cidadão no meio de tantos outros. A resposta está aqui:


Chorei a rir com o vídeo. E acredito que até o próprio Cristiano Ronaldo achará piada ao que foi feito. É humor que não tem como objectivo principal gozar com alguém. São gestos característicos que faz com frequência e que ficam muito bem noutros casos (adoro a entrada no metro e o gesto para os carros na passadeira). E a verdade é que ninguém brinca/goza com os piores. É algo que acontece apenas aos melhores, como é o caso de Cristiano Ronaldo. E mesmo aqueles que pensam que têm piada mas que apenas tentam descredibilizar alguém com aquilo que consideram humor ou sátira só o fazem em relação aos melhores e aqueles que consideram superiores a si. Mas isso é tema para outro texto.

blogger morto à facada (e vão dois)

Mundo estranho este onde ainda existem pessoas que são mortas apenas porque têm uma opinião diferente. E porque partilham essa mesma opinião num blogue, por exemplo. Washigur Rahman, de 27 anos, foi brutalmente esfaqueado até à morte perto da sua casa, em Dacca, no Bangladesh, apenas e só porque era contra o fundamentalismo religioso. Esta morte acontece um mês depois de também ter sido assassinado, à catanada, o blogger norte-americano Avijit Roy, que era um dos mentores de um site dedicado ao ateísmo. O que vale é que somos todos charlie. Isto desde que os outros tenham a mesma opinião do que nós.

30.3.15

encaixa baby encaixa

Até Sexta-feira passada ainda não tinha ouvido falar da mais recente música (e vídeo) de Ana Malhoa que tem o nome Encaixa baby Encaixa. Ouvi falar da música no programa Fora do 5, de Pedro Fernandes, Luís Filipe Borges e António Raminhos, na Antena 3 (um dos melhores programas que existem na rádio neste horário). Não só fiquei a saber que existia esta música/vídeo como descobri que a artista é acusada de estar nua no mesmo. Para começar, e para quem não sabe do que falo, aqui fica o vídeo.


Antes de ir ao que foi dito no programa, em que Ana Malhoa era convidada, faço um breve apanhado das opiniões que tenho lido/ouvido sobre este vídeo. Indo directo ao assunto, a maior parte das acusações dizem respeito à classe, ou falta dela, deste vídeo. Ana Malhoa é acusada, na generalidade, de mau gosto. Depois, há quem critique o visual da cantora. Há quem diga que a música da introdução e a própria introdução são dignas de um filme porno. Há também quem não goste do local que parece um bar de alterne. Depois, existem aqueles que criticam a própria música, a letra, a frase de introdução da música e o registo de Ana Malhoa enquanto artista. Estas são as críticas que tenho lido/ouvido.

Agora, passo ao programa. Jorge, marido de Ana Malhoa, também estava no programa. Quando o vídeo e a alegada nudez de Ana Malhoa foram assunto, Jorge foi buscar outros exemplos. Explicou que, quando outras artistas como Beyoncé ou Shakira fazem algo do género – aparecer com menos roupa ou em danças sensuais – são destacadas pela sua vertente artística. Por sua vez, e esta é a opinião de Jorge, Ana Malhoa pode estar tapada até ao pescoço que estará sempre nua. Misturar a perspectiva das críticas com a defendida pelo marido de Ana Malhoa chega para levantar diversas questões.

Começando pela comparação entre os vídeos de Shakira e Beyoncé com este. As realidade são distintas. O universo é diferente. As artistas são diferentes. E os vídeos são diferentes. Isto ninguém pode negar. Mas, pegando na ideia de Jorge, vamos transportar Shakira e Beyoncé e qualquer uma das suas músicas para este cenário. Ou seja, o vídeo seria o mesmo de Ana Malhoa. A roupa seria igual, tal como o guião. Só mudava a protagonista e música. A opinião final seria a mesma? Agora, e mais uma vez num cenário hipotético, vamos transportar Ana Malho para este vídeo (Telephone) onde estaria no lugar de Lady Gaga ao lado de Beyoncé. Mais uma vez, só muda a protagonista e a música até podia ser Encaixa baby Encaixa. A opinião final seria a mesma? Estes dois cenários hipotéticos servem para tentar perceber se o estatuto de uma artista ajudam a moldar a nossa percepção de sensualidade e sobretudo de classe ou ausência dessa mesma classe.

Agora, esquecendo as palavras de Jorge e pegando apenas nas críticas. Está em causa a imagem que a maioria das pessoas tem em relação a Ana Malhoa? É mesmo falta de classe e de gosto? É o vídeo que é mau do princípio ao fim? É a música que faz com que tudo seja mau? É um estilo de que não se gosta e isso influencia o resto? Ou simplesmente é tudo mau? Ou aquilo que as pessoas defendem como mau impede que se veja algo positivo?

Por fim, neste tipo de vídeos ou mesmo em relação a artistas que recorrem à sensualidade, o que define a linha que separa o bom do mau gosto e a classe da ausência da mesma?

para comer, vestir ou ambos?

Muitas pessoas olham para a cadeia McDonald´s como a principal responsável pela obesidade de algumas pessoas. Quando ouço algumas críticas neste sentido fico com a ideia que obrigam as pessoas a ir lá comer um hambúrguer. Mas esse não é o tema deste texto. Se o McDonald´s fosse dividido em equipas, criadas com base nos seus hambúrgueres, eu faria parte da equipa McBacon. Mas uma grande parte (a maioria, acredito) faria parte da equipa Big Mac, aquele que será o hambúrguer mais popular da cadeira de fast food.

Mais do que desejar que se devore um dos seus hambúrgueres, o McDonald´s da Suécia decidiu pegar na imagem do icónico Big Mac e transformar o mesmo numa colecção de roupa e não só que pode ser adquirida online aqui. As criações são diversificadas e podem agradar aos mais diferentes públicos. Partilho aqui o que existe até ao momento, apesar de nem todos os artigos estarem disponíveis para compra. As receitas revertem para a Ronald McDonald House Charities.









Destas imagens destaco a da roupa para exercício físico pois é aquela que as pessoas mais comentam. Os comentários dividem-se entre a surpresa e o espanto de ter um hambúrguer estampado em roupa de desporto. Como se as pessoas que comem hambúrgueres estivessem impedidas de praticar desporto/ser saudáveis e aquelas que os comem tivessem obrigatoriamente que ser sedentárias. Fica a questão: uma boa ideia? 

andreas lubitz

O trágico acidente do voo 4U 9525 é um daqueles caso em que quanto mais sei, menos quero saber. Inicialmente acreditei que seria “apenas” mais um dia trágico para a história da aviação. Seria “somente” mais um acidente que infelizmente acabava com a vida de 150 pessoas. Na altura do acidente acabei por nada escrever sobre o mesmo para perceber o que poderia ter motivado este desfecho. Uma avaria? Era nisso que acreditava estando longe de imaginar que, na realidade, tinha sido obra de um homem que desejava este desfecho.

Neste momento já não existem dúvidas. Andreas Lubitz, o co-piloto do airbus fez o avião cair. E não o fez num acto de loucura. Foi algo estudado detalhadamente. Os dados mais recentes revelam que o jovem alemão fez os possíveis para ficar sozinho no cockpit do avião, insistindo para que o piloto fosse à casa-de-banho. E que no momento de discutir a aterragem com o piloto disse coisas como “esperemos” e “logo se vê”. Além disso, a sua respiração manteve-se calma até ao momento da queda nos Alpes. Isto chega para provar que sabia o que queria e sabia o que fazia.

Depois, existem dados que levantam diversas questões. Como é que alguém que teve uma grave depressão e alegadamente tinha graves problemas psiquiátricos conseguiu superar os testes físicos e psicológicos, efectuados em 2013? Como é que Andreas Lubitz enganou e iludiu a companhia aérea para que trabalhava, escondendo a baixa médica e a indicação de que não estava apto para trabalhar. Depois existem dúvidas em relação à própria segurança do avião.

Depois do 11 de Setembro, os cockpits passaram a ser abertos apenas por dentro. O que faz sentido, até porque existe um código de segurança que permite abrir a porta pelo exterior. Mas que pode ser anulado por quem esteja dentro do cockpit, algo que Andreas Lubitz terá feito, de acordo com as autoridades francesas. Posto isto, qual é a solução? Viver com medo? Deixar de andar de avião? Passar a ter um polícia/segurança dentro do cockpit? Esperar que esse polícia/segurança também não tenha um plano maquiavélico?

Também já me tentei colocar no papel dos pais de Andreas Lubitz. Não consigo imaginar o que sentem. Mas acredito que percebam que não conheciam o filho. Devem questionar onde falharam na sua educação. Devem questionar se lhe faltou amor. Acredito também que se sintam, de certo modo, responsáveis pela morte das 150 pessoas. Tal como não consigo imaginar o que sentem os familiares e amigos das vítimas que não devem parar de procurar resposta para a pergunta: porquê? Resposta essa que nunca chega.

Agora, discute-se a segurança dentro do avião. Passa a ser proibido que esteja apenas uma pessoa dentro do cockpit, uma medida já pensada e que agora será colocada em prática. Depois existe outra questão que tem de ser debatida e que diz respeito ao sigilo médico. Em casos como este, o médico deve calar-se ou alertar a companhia aérea por acreditar que possa existir risco para a vida de outras pessoas? São muitas questões, muitas dúvidas mas existe uma certeza: o medo não pode vencer nem dominar a vida das pessoas.

sentir-me vivo e orgulho em ser fénix

Neste texto partilhei o convite que me foi feito para fazer parte de uma equipa de futsal. Pois bem, Sábado foi dia do primeiro jogo ao serviço do novo clube. Na Sexta o treino prolongou-se para lá das 23 horas e pouco tempo depois, às nove da manhã, era a hora da concentração no local do jogo. Não escondo que estava ansioso com o momento do apito inicial e curioso em descobrir como é que o corpo ia reagir à exigência física de um jogo de futsal, que nada se compara com o trabalho que faço no ginásio. O treino que faço de segunda a sexta é excelente e ajuda-me a estar em forma mas aquilo que o corpo “sofre” durante o jogo é completamente diferente.

O último treino correu mal, muito mal. Isto do ponto de vista do jogo de equipa. As jogadas estavam a sair mal. Os golos não apareciam. Ao contrário dos que se acumulavam na nossa baliza. As rotinas de jogo pareciam não existir. Cada um de nós parecia estar perdido no campo, sem saber o que fazer. No balneário, e na brincadeira, dissemos que perder por uma diferença de 17 golos seria uma vitória para nós. Isto porque temos pela frente clubes com uma dinâmica de jogo completamente diferente da nossa.

Até que o jogo começa. Entramos bem no jogo. Atacamos. Temos jogadas perigosas. Defendemos bem. Jogo controlado e equilibrado. O equipa adversária chega pela primeira vez com perigo à nossa baliza e faz golo. Mantemos a organização. Continuamos a fazer o nosso jogo. Tudo corre bem (menos o resultado) até que um novo erro nosso oferece mais um golo à equipa adversária. Chega o intervalo com uma desvantagem de dois golos. Discurso motivador. Temos motivos para estar orgulhosos. Temos pela frente uma equipa muito forte na teoria. Estamos a perder por dois golos. Mas a figura da equipa não envergonha ninguém.

A bola começa a rolar novamente. O jogo parece igual. Equilibrado. Até que surge um golo para nós. Minutos depois, novo golo. A vantagem está anulada. Minutos depois, novo golo para nós. A reviravolta estava feita. O jogo continuava equilibrado. Até que um novo erro nosso (e alguma sorte da equipa adversária) resulta num golo que coloca o marcador em 3-3. O tempo continua a avançar e este parece ser o resultado final. Até que num lance de bola parada fazemos o 3-4. Um lance ensaiado durante toda a semana que deu os seus frutos. Pouco tempo depois o apito final. E aqueles que pensavam que podiam perder por muitos acabaram por ganhar.

Isto pode parecer algo que não merece qualquer referência. Mas, para mim, é um exemplo de superação de um grupo de pessoas que fazem do conjunto das suas fraquezas uma força que serve, pelo menos, para dar luta aqueles que são reconhecidos como mais fortes. E quem pratica qualquer desporto já terá sentido um momento de superação destes. Que pode ser pessoal ou colectivo, dependendo da modalidade praticada. Aqui não há profissionais. São pessoas que trabalham e que ainda vão treinar ao final da noite. São pessoas que trocam horários no trabalho de modo a estar no jogo antes de mais um longo e duro dia de trabalho. E tudo isto dá muito mais sabor à vitória.

Pessoalmente, senti-me vivo. Não sabia se ia jogar de início e quanto tempo ia jogar. Acabei por jogar o tempo todo. Marquei um golo, ofereci outro e tive participação em mais um. Ainda tirei dois golos em cima da linha. O jogo foi Sábado de manhã e ainda tenho dores. Mas o tempo de jogo supera qualquer dor muscular. Hoje já treinei no ginásio. Logo tenho treino de futsal. E Quarta há mais um jogo. E tudo isto faz com que me sinta vivo. E é por coisas como estas que aconselho todas as pessoas a praticar desporto, seja ele qual for.

Porque independentemente da grandeza de um clube o símbolo no peito será sempre mais importante do que o nome nas costas: Clube Desportivo Fénix.

27.3.15

animais. quem conhece a nova tendência?


Já tinha visto pessoas com diferentes animais de estimação. Já tinha visto pessoas que os têm apenas e só para ostentação. Mas nunca tinha visto ninguém como Iulia Albu, uma designer romena (caso não esteja enganado). Será uma nova tendência?