27.9.16

não vejas isto (fica o aviso)

Fica o aviso. Não ouças esta música. Não vejas o vídeo. Não carregues no play. Foge o mais depressa que puderes. Fica o aviso...



Eu avisei. Agora vais ficar com a música na cabeça. Vais começar a cantar isto. E a dançar. Este é o maior pesadelo que podias ter. Mas eu avisei...

PS - Em apenas três dias este vídeo já vai a caminho das quatro milhões de visualizações.

ser selectivo é bom

Quando somos mais novos, isto na generalidade dos casos, não somos selectivos em quase nada. Basta perguntar a um jovem de 18/20 anos se quer sair à noite e ainda a pergunta não está concluída já ele está pronto para sair. É algo normal. Também era assim. Mesmo não saindo muitas vezes, facilmente aceitava um convite. Sem questões ou sem grande pensamento.

Não importava quem ia nem para onde ia. Ia sair à noite e isso chegava. E isto aplica-se a muitas outras coisas como jantares de grupo, jogos de futebol e outras actividades semelhantes. Agora, com 35 anos, um convite quase que parece uma entrevista de emprego para um dos mais importantes cargos do mundo. Interessa saber para onde é para ir, quem vai e por aí.

Se antigamente existiam desculpas para ir, agora existem desculpas para não ir. E quando existe vontade de ir é importante que o momento seja partilhado com pessoas que me dizem algo (dispenso estar com quem nada me diz) e em sítios onde todos se sintam bem. Isto é um dos bons efeitos do passar dos anos e do amadurecimento natural de uma pessoa. Pelo menos gosto de acreditar nisso e é isso que vejo em mim.

Até porque são detalhes destes que fazem a diferença no momento de sair, para o que quer que seja. É a diferença entre uma boa noite (ou um bom jantar) e horas que custam a passar e que nos levam a estar sempre a olhar para o relógio e a pensar numa desculpa para ir embora o mais depressa possível. Gosto de ser assim. Gosto que as pessoas que me rodeiam sejam assim. Porque tudo sabe muito melhor quando assim é.

o motivo pelo qual as pessoas gostam de hillary clinton

Na primeira vez que abordei, aqui no blogue, as eleições presidenciais norte-americanas referi que olhava para a candidatura de Donald Trump como uma brincadeira de um menino mimado e rico que acha que pode ser o que quiser. É aquele menino que leva a bola de futebol para o campo de modo a que possa jogar. O avançar do tempo provou que estou errado. E as constantes sondagens também. O que faz com que Trump seja um sério candidato ao lugar ocupado por Barack Obama.

As pessoas odeiam Donald Trump. Sobretudo fora dos Estados Unidos da América. Mas este ódio mostra também que tem mais força do que muitos julgavam. E digo isto porque existem diversas campanhas pró Hillary e as sondagens nunca fugiram muito do equilíbrio. E se é assim com tomada de posição de jornais, políticos e figuras públicas que quase imploram votos... imagino como seria se assim não fosse. Muitas pessoas acusam os norte-americanos de ser um povo burro. Defendem que só podem votar em Hillary. Mas poucos explicam, de forma mais elaborada, o motivo desse voto.

Isto leva à questão: qual o motivo pelo qual as pessoas gostam de Hillary Clinton? E a resposta mais óbvia é porque não gostam de Donald Trump. Recuando mais no tempo, a compaixão em torno de Hillary Clinton surge graças a Monica Lewinsky, a mulher que teve um caso com Bill Clinton, então presidente norte-americano. Nessa altura, aquela que era apenas mais uma primeira-dama, conquistou a compaixão de pessoas mundo fora. Por outro lado, foi elogiada por uns (e criticada por outros) por não abandonar o marido na sequência do escândalo sexual. Este é o primeiro momento “oooohhhhhhhhhh coitada” que levou muita gente a gostar de Hillary (isto sem tirar mérito às coisas que tem feito mas das quais poucos sabem).

E agora a candidata é apenas o mal menor em relação a Donald Trump. Isto aos olhos de muitas pessoas. Mais do que desejar que Hillary ganhe as eleições, muitas pessoas querem é que Donald Trump perca. Isso é que importa. E isto acontece nestas eleições tal como acontece em muitos outros países. As pessoas votam nuns porque não gostam dos outros. Infelizmente é assim. A diferença é que os Estados Unidos da América têm muita influência no mundo. Se assim não fosse, ninguém queria saber destes dois candidatos para nada.

Voltando ao ódio a Donald Trump. As pessoas não gostam dele. Ou dizem que não gostam. Pois as sondagens fazem do candidato uma espécie de revista do segmento social que todos dizem não comprar nem ler mas que é um sucesso de vendas. O fenómeno é semelhante. Não tenho problemas em dizer que não gosto de Donald Trump. Não gostava que fosse presidente de um país como os EUA. Mas creio que as pessoas sabem o que o candidato é. Não existe maquilhagem que adultere quem é e o que defende. Quem votar nele sabe ao que vai. Sabe o que esperar.

Por outro lado, acho que isso não é claro em relação a Hillary Clinton. Será que as pessoas sabem ao que vão? Será que a candidata é a pessoa que esperam que seja? Ou será tudo diferente quando chegar ao poder? Posso estar errado mas muitas pessoas que veneram a candidata vão desiludir-se no momento em que (e se) chegar ao poder. Mais triste do que andar a pedir votos por compaixão e porque não há melhor é ver um país como os EUA deixado “à sorte” destes dois candidatos que estão muito longe de ser aquilo de que o país necessita. E é ver a política (e começa a ser assim em todo o mundo) entregue ao "menos mau".

o melhor creme hidratante do mercado custa... 2,99 euros

Não se trata de nada de novo. Não é a primeira vez que diversos produtos são testados com resultados que mostram que nem sempre caro é sinónimo de qualidade. Aliás, na verdade o caro raramente é sinal de que estamos perante um produto de qualidade superior. Pelo menos uma qualidade que justifique a disparidade de preços.

Resumindo e indo directo ao assunto, um creme de 2,99 euros – comercializado no Lidl – foi aquele que teve melhor nota entre 17 cremes hidratantes testados por uma associação de defesa dos consumidores espanhola. Ficou também evidente que exista uma diferença de preço abismal entre produtos basicamente iguais. O creme com melhor nota é o mai barato sendo que o mais caro, com um custo superior a 200 euros, foi dos que teve pior nota. Recorde-se que trata-se de uma prova cega. Ou seja, as pessoas não sabem qual a marca que estão a testar. Recordo ainda que a Deco Proteste já tinha feito um teste semelhante em 2014 e na altura foi também um creme do Lidl (cerca de 25 vezes mais barato do que o produto mais caro a teste) que se destacou.

Estes testes ajudam a comprovar que a ideia do “se é caro é melhor” é uma ideia absurda. Tal como achar que os produtos de marca branca (marca própria) não têm qualidade. No que aos cremes diz respeito, existem pessoas que chegam a ter medo dos produtos do Lidl ou de outra superfície comercial qualquer. Aposto até que existem pessoas que duvidam destes testes e que acham que tudo é combinado.

Neste caso específico fico contente com o resultado porque o creme hidratante de rosto que uso é da Cien, do Lidl. O tal que ficou em primeiro lugar e que custa uma ninharia quando comparado com outros. Já usei cremes mais caros e não minto se disser que este – que já uso há algum tempo – é daqueles com que me dei melhor e de que mais gosto. E posso dar mais um exemplo. Tenho por hábito fazer compras em Espanha, no Mercadona. De tempos a tempos vou lá e abasteço-me com diversos produtos. E os cremes de lá, que são muito baratos, são igualmente dos melhores que tenho. Destaco o creme de pés e o de corpo. Este é apenas mais um exemplo de que a qualidade não se mede em euros.

dá que pensar

No fim-de-semana estava a passear com os meus pais quando um senhor, mais velho, passou por nós. Estava em Setúbal, perto de uma avenida muito movimentada. Como o homem em questão era cego, o meu pai perguntou se necessitava de ajuda para atravessar a estrada. O senhor respondeu que pretendia ir para a paragem que ficava mais ou menos a uma centena de metros do local onde estávamos.

O meu pai acabou por ajudar o senhor e lá foram a conversar. Entre outras coisas, revelou ao meu pai que tinha sido professor e que o cidadão mais famoso de Setúbal - José Mourinho - tinha sido seu aluno. Destaco ainda uma frase que foi dita ao meu pai. "Os mais cegos são aqueles que vêem", disse o homem. E realmente é uma frase que dá que pensar. Especialmente em tempos como estes.

26.9.16

a dignidade cabe na casa dos segredos?

Com maior ou menor preconceito a verdade é que as pessoas tendem a olhar para os concorrentes de reality shows como pouco inteligentes, pessoas vazias de conteúdo e sem ambição na vida. E nem um modesto cargo político, um curso superior ou uma profissão pomposa arrancam estes rótulos a quem se inscreve num programa como a Casa dos Segredos.

Esquecendo os rodriguinhos, existem concorrentes que são mesmo a imagem que as pessoas têm deles. Existem outros que são o oposto do que as pessoas julgam. Tal como existem concorrentes que só querem fama e outros que acreditam ir ganhar mundos e fundos com a participação num reality show. Pelo meio disto tudo, a maioria deles são manipulados pelo programa sem que tenham noção de que são uma marioneta que procura audiência televisiva. Ou, caso tenham esta noção, aceitam as regras do jogo.

Tudo isto misturado numa casa faz com que se questione até que ponto a dignidade tem direito a entrar na Casa dos Segredos. Os concorrentes sabem ao que vão. Pelo menos deveriam saber. Sabem que vão ser explorados ao máximo, com relações postas à prova e com a tentativa de que existam conflitos que vão prender o telespectador à televisão. Ou não fosse este o grande objectivo destes programas.

Mesmo assim acho que há espaço para a dignidade. E isso ficou provado ontem pela concorrente Helena Isabel que decidiu fazer algo que poucas pessoas conseguem fazer com sucesso: confrontar um “monstro televisivo” como Teresa Guilherme, que considero a melhor pessoa em Portugal para conduzir um programa deste género. Esta concorrente não gostou de ser alvo de uma brincadeira, que considerou de mau gosto e que envolvia a sua lingerie. E disse isso mesmo à apresentadora.

Já acompanhei mais este tipo de programas mas hoje deparei-me com a notícia deste momento. Vi o vídeo e confesso que fiquei fã de Helena Isabel, que parece ser a pessoa que tem pânico de atravessar a ponte 25 de Abril. Já vi muitas argumentações que são pautadas por gritos, ofensas e falta de classe. Esta concorrente conseguiu confrontar Teresa Guilherme com calma, argumentando em condições e colocando os pontos nos ii. E com isto conseguiu ter a opinião pública do seu lado, tendo em conta as diversas críticas feitas à apresentadora.

Este episódio mostra que a dignidade tem espaço numa casa de um qualquer reality show. E creio que sempre teve. A diferença é o preço a que é comercializada pois muitas pessoas facilmente abdicam da sua por muito pouco. E bem vistas as coisas este problema não é exclusivo de um reality show. Para quem não sabe o que aconteceu, fica aqui o vídeo do momento.

porrada não vai faltar!

A guerra, se assim se pode chamar, que opõe os taxistas (ou parte deles) à Uber e Cabify conheceu um novo capítulo. Isto porque o Governo já tem pronto o decreto-lei que irá dar um enquadramento legal às empresas que parecem ser o terror dos taxistas. Mas isto não chega. Existem taxistas que nem assim ficam satisfeitos.

Para começar, os motoristas destas duas plataformas vão ter de ter formação e passa a ser obrigatório um título que os habilite a prestar o serviço. Passa também a ser obrigatório (independentemente de a plataforma já o fazer online) ter a identificação visível dentro da viatura, que passa a ter um dístico. Além disto, os carros só podem ter sete anos de “vida” (algo que não acontece com os táxis), são obrigados a ter um seguro igual ao dos táxis e a submeter-se a uma inspecção anual.

Só os taxistas é que podem circular nas vias BUS e só os taxistas é que podem apanhar passageiros que “levantem o braço” na rua. E também apenas os taxistas podem estar parqueados nas praças. Estas empresas não têm benefícios fiscais (as empresas de táxis têm) e são obrigadas a emitir automaticamente uma factura electrónica certificada (aos taxistas é exigido apenas em papel).

Florêncio Almeida, presidente da Antral, não conhece o diploma que vai legalizar estas empresas mas não tem problemas em avisar o Governo português de que “porrada não vai faltar!”. E são palavras como estas que fazem com que muitas pessoas gostem menos de uma classe. São também palavras destas que fazem com que muitas pessoas fujam a sete pés de um taxista. É aquela coisa de pagar o justo pelo pecador.

E são também palavras como estas que mostram que algumas pessoas parecem estar apenas dispostas a manter o monopólio de um serviço ao mesmo tempo que impedem que o cliente tenha opção de escolha. Sempre defendi que é o cliente que fica a ganhar com a oferta de serviços e produtos. É assim com os táxis, com os combustíveis, com a roupa, acessórios e alimentos em qualquer hipermercado, onde todas as pessoas adoram ter a opção de escolher produtos muito mais baratos do que outros, iguais, de marcas diferentes.

Olhando para aquilo que consta no decreto-lei creio que os taxistas continuam a ser protegidos em muitas coisas. As vantagens são mais do que aquelas que muitos querem fazer parecer não existir. Se está tudo perfeito? Talvez não esteja. Mas a ameaça de porrada a outros profissionais faz com que pessoas como o presidente da Antral percam a razão. Isso ou aqueles taxistas que agridem os colegas (e danificam viaturas) que preferem trabalhar em vez de fazer greve.

As pessoas necessitam de opções de escolha. Porque se é verdade que existem taxistas que são excelentes profissionais, existem outros que são desleixados, que têm viaturas com higiene que deixa a desejar, que são mal educados e que fazem o que podem para enganar clientes. E o aparecimento de outras opções fazem com que os maus profissionais vão ficando para trás ou que percebam que têm de evoluir profissionalmente para que os clientes optem por si e não pela concorrência.

Mas perceber o que é necessário para isto acontecer (e não é uma coisa do outro mundo) dá muito mais trabalho do que partir para ameaças físicas à concorrência. É o não querer ser melhor do que os outros mas apenas impedir que alguém seja melhor do que nós.