3.4.17

violência doméstica

Por norma associa-se a violência doméstica às mulheres, enquanto vítimas, e aos homens, no papel de agressores. Esta é a imagem que a sociedade retém de um tema bastante sensível. Até porque a mediatização do tema está associada a mulheres que são vítimas e também porque a maioria dos homens – e existem muitos – que são vítimas de violência física por parte das mulheres acabam por não apresentar queixa. E o motivo é simples: têm vergonha de reconhecer que são agredidos por mulheres. Encaram isso como sinal de fraqueza.

Não escondo que quando se fala de violência doméstica faço, numa primeira análise, o raciocínio que referi. Mas quando assim é recordo de imediato uma cena que assisti, em tempos, numa discoteca. Homem e mulher (provavelmente ex ou namorados) estão no bar. Nota-se que estão a discutir. O homem mantém-se calmo e a mulher bastante exaltada. Esta situação arrasta-se durante alguns minutos. O homem sempre calmo. A mulher sempre exaltada.

Apesar da insistência da mulher, ele parece preferir ignorar a sua presença. Até que a mulher dá-lhe um estalo. Não se ouviam palavras mas parecia que ele nada dizia enquanto ela discutia muito. O homem não tem qualquer reacção ao estalo. A mulher continua a discutir. E volta a dar-lhe um estalo. E aí o homem reage, dando um murro à mulher. E outro, até que são separados. Saíram da discoteca e algum tempo mais tarde quando saí estavam os dois, na presença de agentes da Polícia, à porta da discoteca. O homem permanecia calmo e ela berrava, com o olho negro.

Se não tivesse testemunhado a situação iria imediatamente pensar que a culpa era somente dele. Teria em conta as marcas no rosto dela e a postura de ambos. Mas vi aquela mulher “massacrar” aquele homem até que ele perdesse a paciência. Quase que parecia que tinha um qualquer objectivo que passava por aquele fim. Naquele caso têm os dois culpa. Tem ele porque, mesmo perdendo a paciência, não pode dar dois murros à mulher, e tem ela porque depois de violência verbal partiu para a violência física.

Abomino a violência doméstica. Aliás, abomino qualquer tipo de violência como sendo a solução para o que quer que seja. Mas quando o tema é a violência doméstica torna-se bastante complicado emitir uma opinião. Porque a sociedade ainda olha para as mulheres como vítimas, mesmo quando são agressoras e para os homens como culpados, mesmo quando são vítimas. E tentar explicar isto, salientando que são realidades existentes, mesmo em menor número, é uma tarefa quase impossível.

quando elas são uma pizza

Quando vou a um restaurante onde são servidas pizzas estou à espera de encontrar nomes convencionais. E espero isto porque é o que acontece na esmagadora maioria dos sítios. Para dar um exemplo, sei que a Diavola será a pizza picante de qualquer espaço que tenha esta pizza na carta. Como gosto de coisas diferentes, aprecio imenso quem pensa de outra forma. Como acontece na Mundet Factory, restaurante e bar situado na zona ribeirinha do Seixal.

Aqui as pizzas têm nomes de mulheres. São uma homenagem às mulheres da vida do Chef João Macedo e também de Sérgio Lopes, os proprietários do espaço. Tem a sua piada abrir a carta e ler “as nossas meninas” quando se chega às pizzas. Nesse momento não existe o convencional. E a pessoa acaba a ler os ingredientes de cada uma delas para descobrir como são feitas.

Sendo amigo de infância de ambos marquei presença na festa de lançamento da nova menina da Mundet Factory. Por outras palavras, da nova pizza do espaço. E não se trata de uma pizza qualquer. Esta tem assinatura de Magali Aravena, a mulher de Eduardo 'Toto' Salvio, jogador do Benfica. Presença assídua na Mundet, Magali foi desafiada a criar uma pizza. E mais do que simplesmente dar o nome a uma pizza, Magali foi para a cozinha ajudar a preparar aquela que considera ser a pizza perfeita e uma que não se encontra em Portugal.

Num passado não muito distante a Mundet Factory, como existe hoje, não passava de um sonho de amigos de infância. Hoje é um espaço de sucesso que já conquistou o seu espaço e que tem vindo a crescer a cada dia. E com pessoas que pensam fora da caixa, que sonham, que arriscam e que dão tudo para que os clientes partilhem bons momentos e se sintam em casa. Podia dizer que é a amizade que me leva a escrever este texto, a partilhar um momento feliz de pessoas de quem gosto, mas isso seria injusto. Porque a pizza da Magali, que acompanhei desde o primeiro segundo, é realmente divinal e porque a Mundet Factory merece uma visita, além de ser o exemplo vivo de que não é preciso estar numa grande cidade para ter um espaço de qualidade.


Fotos: Bruno Barata

2.4.17

ficar em casa ao fim-de-semana

Li algures algo do género: "ficar em casa ao fim-de-semana reduz o stress". Não sei se isto é verdade! Aquilo que sei, é sou pessoa que aprecia imenso passear e fazer refeições fora de casa, é que cada vez mais gosto de estar em casa, um dos poucos lugares onde me sinto realmente bem.

Tenho dificuldade em trocar um almoço em casa por um restaurante barulhento onde a confusão impede que se aproveite o almoço e a companhia. Custa-me trocar um filme visto no sofá - ou uma maratona, controlada por mim, de episódios de uma qualquer série da Netflix - por uma sala de cinema barulhenta onde as pessoas parecem interessadas em tudo menos num filme.

Penso duas vezes antes de trocar um gin elaborado por mim por outro bebido num qualquer bar onde ainda posso ser apanhado no meio de uma qualquer confusão que não me fiz nada. E estes são apenas três exemplos de coisas que me levam a optar pela minha casa.

Reforço a ideia de que gosto de sair. Sou é cada vez mais selectivo na companhia e nos locais. E mais depressa convido alguém para vir cá a casa e vou para a cozinha fazer algo do que vou para um qualquer sítio onde acabo por não me sentir à vontade.