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14.11.17

somos um povo que adora uma boa polémica

Somos um povo que adora uma boa polémica. E que gosta de discutir o que nem sempre tem discussão. Como é o caso da polémica com o Panteão Nacional. A partir do momento em que é legal, pouco há para discutir sobre o jantar da Web Summit. Porque não existe ilegalidade nenhuma. Não percebo como se pode pedir a demissão de uma pessoa que simplesmente cumpriu a lei.

Aquilo que se pode discutir é a autorização da utilização do espaço. Qual foi o motivo. Por que razão se paga apenas 3000 euros para utilizar um espaço tão nobre como o Panteão? Para onde vai o dinheiro? É utilizado para melhoramentos do espaço? Estes podem ser temas interessantes de discutir. E não apenas falar mal das pessoas da Web Summit nem pedir a demissão de alguém que cumpre a lei.

Já agora, vamos recuar até 2003. Foi muito giro ver o Panteão Nacional transformado na Escola de Hogwarts para o lançamento de um livro da saga Harry Potter. Neste caso, com muita exposição mediática, já ninguém se importou com o respeito pelos mortos e pelas figuras históricas. O que levanta outra questão: estamos mesmo preocupados com o Panteão ou andamos a brincar à política e temos ódio às pessoas da Web Summit?

17.10.17

abençoada chuva

Em condições "normais" as pessoas estariam a criticar a chuva e a desejar o bom tempo até ao próximo Verão. Neste caso, felizmente choveu. E a água foi suficiente para ajudar os bombeiros a colocar um ponto final em todos os fogos que ainda estavam a consumir Portugal. Estou muito feliz com esta chuva. Porque foi essencial para os bombeiros.

Agora, desejo que esta água também lave muitas bocas. E que lave as ideias erradas que tantas pessoas vendem como certezas absolutas, sem qualquer conhecimento de causa. Que este drama sirva, de uma vez por todas, para corrigir o que está mal em matéria de incêndios. Um problema que não tem dois dias, nem dois meses ou dois anos. Um problema que tem décadas! Aquilo em que não acredito é que tudo isto venha a servir para que muitas pessoas pensem duas vezes antes de abrir a boca.

16.10.17

aquilo que mais me irrita nos incêndios (e não só)

Aquilo que mais me irrita neste drama dos incêndios é a atitude de muitas pessoas nas redes sociais. Que há muito se transformaram numa espécie de tribunal onde todos são juízes com conhecimento em todas as matérias. Em todas! Irrita-me a sede de encontrar um culpado. Uma pessoa a quem apontar o dedo como culpado de todos estes incêndios. E para isso dizem-se as maiores barbaridades. Algumas por falta de conhecimento das leis. Outras por raiva e/ou impotência. E algumas, e peço desculpa pela sinceridade, por burrice.

Neste caso não há um culpado. Existem muitos. Mas mesmo muitos. Que vão de políticos aos donos do terrenos que ignoram aquilo que é um dever. Apesar dos constantes alertas. Ou para aquelas pessoas que sabem que está tudo a arder e mesmo assim ainda adoptam comportamentos de risco que podem levar a mais incêndios. E deixo apenas dois dados que talvez muitas pessoas desconheçam. Se não estou em erro, mais de 90% do mato em Portugal é privado. E são os donos que têm a obrigação de fazer a manutenção dos terrenos. E os portugueses são os europeus que fazem mais ignições. Se estes dois dados explicam tudo? Não! Longe disso. Tal como não explica tudo dizer que a culpa é do Governo.

Há muito para discutir. Desde o negócio dos incêndios até ao descuido dos proprietários dos terrenos, passando pelos políticos. E algures neste percurso estamos todos nós. Sem excepção. E enquanto andarmos a apontar o dedo uns aos outros, nada irá mudar. Servirá apenas para criar ainda mais confusão. Que nada resolve. As pessoas devem todas colocar a mão na consciência e perceber aquilo que está a ser mal feito. Mas tudo. E não apenas uma parte. Uma das coisas mais injustas que se podem fazer em momentos de dor como este é querer encontrar apenas um culpado. Alguém que sirva de bode expiatório para os erros de tantas pessoas.

E este problema dos portugueses não é exclusivo dos incêndios. É comum a todas as grandes notícias que nos chegam. Desde o Cristiano Ronaldo que atira um microfone para a água até às decisões de Donald Trump. Os portugueses sabem tudo de tudo. Só não sabem dos problemas que têm em casa. Nem daquilo que podem (e devem) mudar perto de si. É aquela máxima de que todos querem mudar o mundo, mas ninguém está disposto a mudar.

um aperto no coração

Tanto incêndio. Em Outubro. Com temperaturas a rondar (ou ultrapassar) os trinta graus. Não consigo sequer imaginar o desespero de todas aquelas pessoas que estão dispostas a dar a vida para proteger aquilo que construíram ao longo da vida. Não consigo imaginar o desespero que leva uma mulher grávida a perder a vida na tentativa de fugir do incêndio. É tudo muito triste. Não há palavras para esta situação...

26.7.17

incêndios sem fim

É desesperante assistir à dor das famílias que lidam de perto com o drama dos incêndios. A sensação de impotência é muito grande. É das piores coisas que se podem ver na televisão. Uma aflição sem fim. E tanta coisa para fazer...

24.7.17

como é que isto é possível?

Nesta altura do ano é comum encontrar cartazes políticos fora do normal. Existem até compilações daqueles que são considerados os cartazes mais divertidos. Há também quem procure os mais diversos erros. Muitos destes casos chegam de zonas mais pequenas. De locais que, em alguns casos, quase ninguém conhece. O que faz com que os erros tenham mais piada mas menor relevo político.

Nunca dou grande atenção aos cartazes de terras mais pequenas. Porque olho para aquelas campanhas como algo feito com tostões e por pessoas que provavelmente pouco percebem de política e de comunicação. Só isso explica que exista tanto desleixo no cartão de visita para as pessoas que podem vir a votar naquele candidato.

Mas o caso muda de figura quando os exemplos chegam de cidades como Lisboa. Onde as campanhas são feitas com “milhões” e onde nada, mesmo nada, pode ser deixado ao acaso. Principalmente quando os maus exemplos chegam de fortes candidatos. Como é o caso de Teresa Leal Coelho, a candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa.

Tornou-se viral um cartaz da candidata que é um verdadeiro tiro nos pés. “Por uma cidade onde se pode circular” é o slogan do cartaz. Talvez para os mais distraídos não exista nada de errado nesta mensagem. Mas isto é publicidade (e da boa) ao actual presidente. Se é por uma cidade onde se pode circular, é porque tudo está bem. Já seria diferente se o pode desse lugar a um “possa”.

As pessoas acabam a rir-se dos exemplos que chegam de terras pequenas. Mas os erros mais graves são estes. Porque alguém recebeu muito dinheiro para fazer aquele cartaz. E alguém recebeu muito dinheiro para o aprovar. Tal como alguém recebeu muito dinheiro para gerir a campanha eleitora. E todos falharam. Sendo que a falha é ainda mais grave quando elogia o principal opositor.

os portugueses não gostam de ganhar dinheiro

Durante a estadia em Lagos frequentei três restaurantes. Em dois deles fiquei com a sensação de que poderiam ganhar muito mais dinheiro do que aquele que ganham (e que não deve ser pouco). E para isso era necessário apenas um pequeno detalhe: organização. Às vezes fico com a sensação de que os portugueses (e isto não acontece apenas no Algarve) ficam satisfeitos com pouco. Se ganham x não se preocupam em ganhar y. Mesmo que a distância entre estas duas letras esteja concentrada apenas na palavra organização.

Num dos restaurantes o peixe era fantástico. Devo ter estado perto de uma hora na fila para arranjar mesa. Durante este tempo vi mesas que não eram levantadas, empregados desorganizados porque todos vinham buscar pessoas para sentar, clientes insatisfeitos porque alguém lhes passava à frente e outros detalhes do género. Tudo detalhes que eram facilmente resolvidos. Bastava ter uma pessoa que tinha como missão gerir as mesas. E outras duas que tinham como missão levantar mesas.

Numa primeira análise podem parecer três ordenados que são um luxo porque os outros empregados podem fazer estas coisas. Mas são funções que fazem a diferença. E o aumento de lucro devido a esta organização paga muito mais do que estes três ordenados. Não faz sentido ter pessoas vinte minutos à espera de mesa quando as mesas estão vazias. Não faz sentido ter diversos empregados a sentar as pessoas quando nem têm noção dos lugares que estão por ocupar.

Neste caso específico o restaurante era mesmo muito bom. O peixe estava divinal. O atendimento foi simpático. Mas fica a sensação de que aquela máquina de fazer dinheiro poderia fazer muito mais com a alteração de apenas dois ou três detalhes. E quando me deparo com casos destes fico sempre com a sensação de que as pessoas estão tão preocupadas em ter o negócio a funcionar que nem perdem algum tempo a pensar na forma de fazer ainda mais dinheiro, deixando os clientes ainda mais satisfeitos.

19.7.17

hoje é o dia delas

Hoje é um dia histórico para o desporto português, no que às mulheres diz respeito. Pela primeira vez temos a principal selecção nacional de futebol presente num Europeu. E foi com grande alegria que ouvi um jornal de desporto, na Antena 1, abrir com este tema. Que teve maior destaque do que os temas habituais.

A missão não será fácil. Mas no ano passado também não era. E todos sabem o final feliz de que todos nos lembramos. Às cinco vou estar com os ouvidos colados ao rádio. Ou com os olhos colados à televisão. Força raparigas! Somos milhões a puxar por vocês.

17.7.17

qual é a lógica disto?

Qual a lógica de ter um sistema de comunicações de emergência que nunca funciona em casos de emergência? Mais quantas coisas vão ter de correr mal para que seja encontrada uma solução para este problema que deveria ser a solução para tantas pessoas?

28.6.17

apenas nojento. nada mais do que isso

A tragédia de Pedrógão Grande é uma das maiores de que temos memória num passado recente. Muitas pessoas perderam a vida. Outros sobreviveram, mas ficaram sem nada. Inventaram-se teorias. Trocaram-se acusações. Algo que considero errado. Apesar de entender que existem momentos para discutir tudo aquilo que está errado e que pode ajudar a reduzir um impacto de um incêndio como aquele.

E se considero errado que se atirem acusações para o ar, fico revoltado com o aproveitamento da dor das pessoas que vivem uma tragédia que irá marcar as suas vidas para sempre. E considero nojento o aproveitamento político que se tenta obter de uma tragédia desta dimensão. Ao estilo de "com o meu partido nada disto acontecia". Isto é do pior que pode ser feito. Independentemente da cor política que siga este rumo.

22.6.17

aquilo que realmente importa sobre pedrógão grande

Até ao momento morreram 64 pessoas. O número de feridos ultrapassou os 200. Este é o último balanço do incêndio de Pedrógão Grande. E neste momento só uma coisa importa sobre o incêndio. Aquilo que realmente importa é descobrir o desgraçado que deu início ao fogo. Mesmo que ele não existe. Temos de arranjar uma pessoa, mesmo sem nome ou rosto, que seja considerado o culpado do início do incêndio.

E como é que fazemos isto? Ao melhor estilo nacional... com suspeitas. E quem vier a seguir que feche a porta. Lança-se a suspeita. Diz-se que a Polícia Judiciária não percebe nada disto. Que não há cá trovoadas secas. E nunca na vida seria possível a natureza ser responsável por um incêndio desta dimensão. Isso é coisa que só acontece no estrangeiro. Naqueles países distantes que nada têm a ver connosco. Quanto a nós... só há uma solução: alguém ateou o fogo. E damos tempo de antena a todas as pessoas que têm algo a dizer sobre esta teoria. Mesmo que não digam nada.

Não sei se foi fogo posto ou não. Nem isso importa neste momento, no sentido que nada disso dará vida aos que morreram. Mas a verdade é que a Polícia Judiciária apresentou a sua teoria, referindo ter encontrado a árvore onde terá tido início o incêndio. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera também já apresentou um relatório. E até prova em contrário - e não me refiro a boatos - esta explicação é credível para mim. Que nestes casos não acho minimamente interessante perder tempo com teorias da conspiração que partem do vizinho que conhece alguém que viu alguém que tinha conhecido alguém que não ouviu nenhuma trovoada seca.

Considero muito mais interessante (e importante) dedicar os próximos tempos a tentar perceber o que funcionou mal. Aquilo que não impede um incêndio, mas que minimiza os danos. Falar do SIRESP. Funciona? Não funciona? Porque não funciona? Falar do incumprimento (apesar dos alertas frequentes) relativo à limpeza dos terrenos, na sua maioria particulares. Discutir a falta de condições da maioria dos bombeiros. Tal como as teorias de conspiração, nada disto dá vida aos que morreram. Mas existe uma grande diferença. É que falar disto, discutir isto, analisar e melhorar o que está mal permite que no futuro existam menos vítimas em incêndios.

20.6.17

assim lembram-se deles?

Que esta imagem, partilhada nas redes sociais pelo bombeiro Pedro Brás, fique gravada na memória de todas as pessoas. E que isso faça com que as pessoas se recordem destes heróis durante todo o ano. E não apenas quando acontece uma tragédia. Obrigado por tudo!

18.6.17

pedrógão grande e portugal enquanto tribunal popular

Infelizmente Portugal acordou com a notícia de uma das maiores tragédias de sempre. No que a incêndios diz respeito. Um dantesco incêndio, em Pedrógão Grande, roubou a vida a 61 pessoas. Número de vítimas mortais à hora em que escrevo este texto. E número que, infelizmente, deverá subir com o passar das horas. Como acontece com muitas outras tragédias, as pessoas vão para o Facebook. Dizer aquilo que pensam.

Perdi conta ao número de pessoas que falaram de fogo posto. Aliás, existem canais que ainda colocam essa hipótese. Mesmo depois de a Polícia Judiciária confirmar que o incêndio teve origem numa trovoada seca que pegou fogo a uma árvore. Sendo este o ponto de partida para a tragédia que roubou a vida a dezenas de pessoas. Este é um daqueles casos em que tudo tem origem num ataque de fúria da Natureza. E contra isto é muito complicado lutar. O que é certo é que a declaração das autoridades coloca um ponto final nos comentários centrados no fogo posto.

Nesta altura só consigo pensar nas vítimas. Na forma dolorosa como perderam a vida. Nos familiares das mesmas. Nas pessoas que ainda não sabem se têm casa. E nos bombeiros que arriscam as suas vidas de modo a salvar a de outras pessoas. Depois disto, entendo que existe muito para discutir em torno da temática dos incêndios. E que vai além do fogo posto. Porque existe muito em que as pessoas devem pensar.

A começar pelos bombeiros. Alguns deles nem têm a formação adequada para aquilo que fazem. Para os riscos que correm. Recordo-me do dia em que um amigo fotógrafo estava a fazer um trabalho sobre o combate aos incêndios. O meu amigo parou de fotografar para corrigir os bombeiros que estavam a fazer coisas erradas. Acrescento que este meu amigo tem formação de combate a incêndios. E este é apenas um exemplo.

Ainda sobre os bombeiros. Quando acontecem tragédias destas todos querem ajudar os bombeiros. Mas todos fecham os olhos às campanhas que os bombeiros fazem durante o ano. Porque nessa altura nada está a arder. Infelizmente, os bombeiros fazem parte daquele grupo de pessoas que só são lembradas quando fazem falta. Acho bem que se ajude agora, mas temos de perder o defeito de funcionar de forma reactiva. Porque os bombeiros precisam de ajuda todo o ano. E não apenas em momentos complicados como este. Algo que não se aplica à ajuda às vítimas e familiares. Isso será sempre de forma reactiva.

Outro tema que deve ser debatido diz respeito à manutenção das matas. Muitas pessoas ignoram que a maioria das matas nacionais sejam privadas. O que faz com que os proprietários tenham a responsabilidade de fazer a manutenção das mesmas. Algo que poderá fazer com que uma tragédia tenha um impacto menor. E daqui podemos saltar para para o negócio milionário do combate a incêndios. Que leva a que muitas teorias da conspiração ganhem asas. Também é importante discutir o papel da comunicação social no meio de tudo isto. Será mesmo necessário estar a mostrar corpos mortos na estrada? Fazer zoom a um cadáver? Isto é relevante para a notícia?

São muitos temas que merecem debate. São temas que algumas pessoas ignoram. São temas que só são recordados em caso de tragédia. E é bom que tudo isto seja discutido de forma séria. Para que tragédias destas sejam cada vez menos frequentes. Para que existam cada vez menos incêndios. Para que pessoas, animais e casas não sejam destruídas. Está na altura de olhar para o panorama global.

29.5.17

pesadelo nas cozinhas portuguesas

Sou fã do programa Pesadelo na Cozinha. Tal como já era, há muito, fã de Kitchen Nightmares, de Gordon Ramsay, que é basicamente o mesmo programa. A essência do programa é boa. E está muito bem construído. Existem pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Como os funcionários dos espaços falarem com um ar "desleixado" e "abatido" antes da intervenção do Chef Ljubomir Stanisic e "arranjados" e "animados" após a mudança.

Apesar de existir uma edição muito boa, praticamente perfeita, este programa vive muito de Ljubomir. Tal como Kitchen Nightmares e o programa Hell's Kitchen vivem muito daquilo que é Gordon Ramsay. Estes três programas seriam completamente diferentes com dois homens diferentes. Que não tivessem a postura de Ljubomir e Ramsay.

Méritos à parte, Pesadelo na Cozinha deixa-me com a sensação de que a ASAE anda meio a dormir. E acredito que as pessoas que lá trabalham não devem achar grande piada a que um Chef faça um trabalho que deveria ser seu. Pegando no caso de ontem, trata-se de um restaurante que servia comida podre. Que tinha uma cozinha má de mais para ser verdade. E este é apenas o caso mais recente de uma realidade que infelizmente será comum a muitas cozinhas. E que deixará muitas pessoas com dores de barriga (para ser simpático) sem que percebam o que aconteceu para provocar aquele estado.

Conheço restaurantes que têm visitas regulares por parte da ASAE. Enquanto este programa dá a conhecer espaços que, aparentemente, passam despercebidos ao radar da ASAE. Que acaba por funcionar de forma reactiva em função de um programa de televisão. Mesmo colocando a hipótese de existir um número deficitário de inspectores, entre outras situações possíveis, Pesadelo na Cozinha não só é o melhor programa (nas audiências) como dá um grande bigode à ASAE.

22.5.17

o fenómeno madonna

Não me recordo da última vez em que se falou tanto de Lisboa. E estou a referir-me às constantes notícias desde que Madonna chegou a Lisboa. Recuando um pouco no tempo, talvez encontre paralelo no momento em que Monica Belucci comprou casa em Lisboa. De resto, existem notícias pontuais sobre a cidade. Quase sempre quando a cidade é notícia lá fora. Desde que Madonna chegou até já vi canais com pequenos debates sobre os encantos de Lisboa.

Isto não é uma crítica. Defendo é que tendemos a desvalorizar o que é nosso. Pelo simples facto de que é nosso. É uma realidade diária. Está ali ao lado diariamente. É o mesmo que diversas pessoas falarem de Sintra com encanto quando para mim é ambiente de trabalho diário. Trabalhando em Sintra, não é a primeira opção para um passeio de fim-de-semana. E muitas pessoas pensam o mesmo de Lisboa. Quando têm tempo para passear, fogem daquela realidade diária. Por mais bela que seja.

Não significa que não se goste de Lisboa, uma das mais belas cidades do mundo. Simplesmente está aqui mesmo ao lado. E esta proximidade faz com que os encantos acabem por se desvanecer. Até que chega uma Madonna. E anda a passear por sítios muito bonitos. Que estão aqui mesmo ao lado. E que acabam por ser notícia. E nesse momento é que nos lembramos dos reais encantos com os quais lidamos diariamente e que acabam por ser desvalorizados.

15.5.17

concordo com o salvador sobral

Já tinha manifestado a minha opinião ao dizer que não sou o maior fã de Salvador Sobral, nem da música com que conquistou o Festival Eurovisão da Canção. O que não implica que não tenha desejado a sua vitória. Sentimento transversal a tantas outras músicas que tentaram aquilo que apenas agora Salvador Sobral conseguiu. Até porque passaram grandes nomes (em épocas diferentes) pelo Festival da Canção. Músicas sem sucesso internacional mas que conquistaram o seu espaço na história da música nacional.

Não sendo o maior fã, assumo que existem ideias de Salvador Sobral com as quais me identifico. A forma como olha para o panorama nacional (e mesmo internacional) da música é uma dessas coisas. É uma indústria muito característica. Em que existem fenómenos, sem qualidade, que são fabricados a pensar no sucesso. Com estratégias muito bem montadas que vão da produção até à forma como as músicas são tratadas nas rádios, fazendo com que as músicas acabem, quase que à força, por conquistar as pessoas que acabam por ser afastadas de outras músicas.

Por outro lado, olho para o caso de Salvador Sobral como um exemplo de outro fenómeno actual. Quando as coisas correm mal, ninguém tem culpa de nada. Poucos dão uma palavra de apreço. Poucos apoiam algo. Todos dizem coisas como "sabia que ia correr mal" e por aí fora. Basicamente ninguém quer estar perto da pessoa. Quando as coisas correm bem, tudo muda. Todos querem uma fatia do sucesso. Todos sabiam que tudo correria bem. Todos estão lá para apoiar e para revelar um amor incondicional que dura desde sempre.

E Salvador Sobral é exemplo da forma como se olha para um caso de sucesso nos dias que correm. E pelas suas palavras, acredito que sabe que é isto que lhe está a acontecer. E como é óbvio só tem que tirar o melhor proveito do "barulho" que é criado ao seu lado. E que nunca existiu quando já revelava o seu talento a cantar nas ruas. Ou que nunca existiu quando lançou o seu primeiro álbum.

Infelizmente, a forma como Salvador Sobral olha para a música (e com razão) não é muito diferente da forma como as pessoas olham para os fenómenos, sejam eles da música, do desporto ou da televisão. Que seja bem sucedido na missão de conseguir alterar o panorama musical nacional. Pode ser que assim também consiga mudar algumas pessoas.

26.4.17

a psp está no bom caminho mas...

Longe vão os tempos em que aqueles momentos em que um agente da Polícia de Segurança Pública falava à Comunicação Social eram rapidamente transformados num momento de humor. Quer fosse pela imagem do agente, rapidamente associada a todos os agentes, quer fosse pelo discurso. Ficava a ideia de que a comunicação, que acaba por ser a ligação com as pessoas, era relegada para segundo plano. Era algo sem interesse aparente.

Mas tudo mudou. E muito. Actualmente a PSP é um exemplo no que diz respeito ao uso das redes sociais para comunicar com os cidadãos, ao mesmo tempo em que alerta as pessoas para diversas situações que eventualmente passariam despercebidas às pessoas. Além disso, os agentes já não têm aquela imagem com que as pessoas costumavam brincar. E ainda bem que assim é.

Se a página de Facebook é um excelente exemplo do bom uso que pode ser dado a uma rede social, os sub-comissários Sílvia Caçador e Hugo Abreu são bons exemplos desta nova onda de agentes de autoridade que conseguem cativar as pessoas. É certo que isso está quase sempre associado à imagem. Muitas pessoas vão dizer que só reparam neles porque são considerados bonitos e atraentes. Algo com que discordo.



E acho que a PSP está no bom caminho com a forma como lida com a comunicação e a presença nas redes sociais. A única coisa que alterava, apesar de compreender, é o discurso que ainda vão tendo, com recurso a palavras que fazem parte do vocabulário dos agentes mas que raramente são utilizadas pelas pessoas diariamente. Só falta que o discurso seja adaptado para que tudo seja ainda melhor.

24.4.17

muito mais do que uma fartura e fogo-de-artifício

Cresci e vivo num concelho em que as celebrações do 25 de Abril são vividas de forma bastante intensa. E até soa estranho realçar esta intensidade pois é uma data que não pode passar ao lado de qualquer português. Pelo menos daqueles que tenham memória e interesse pela história de Portugal. Se há data que nos diz muito é o 25 de Abril.

Um dos momentos de que mais gosto ao longo do ano é de chegar a meia-noite de hoje e estar na Baía do Seixal a olhar para o espectáculo de fogo-de-artifício que costuma culminar com um barco a “arder” onde se lê “25 de Abril Sempre”. Gosto ainda da fartura (que não dispenso) e dos jantares, como acontece este ano na renovada Mundet Factory, que veio dar vida a um espaço marcante do concelho onde vivo.

Estes são os ingredientes da minha noite. Mas o simbolismo da mesma vai muito além de tudo isto. Porque é impossível não pensar no preço que algumas pessoas tiveram de pagar para que existem coisas tão simples como estar à conversa na rua com um grupo de amigos ou algo tão básico como ter uma opinião e poder partilhar a mesma com todas as pessoas, como faço no blogue. Isto é um bem adquirido para todas muitas pessoas. Que não se lembram que não é preciso recuar muito no tempo para encontrar uma realidade completamente diferente.

Nesta noite, e com o passar dos anos isto nota-se cada vez mais, vejo muitos adolescentes que querem é beber uma cerveja, meter-se com miúdas e gozar com alguns amigos ou com pessoas que não conhecem de lado nenhum. Outros querem apenas saber dos concertos dos Deolinda e do Agir. Há também quem goste do fogo-de-artifício. Secretamente desejo que além destes motivos exista o entender da importância de tudo aquilo que se celebra. O perceber o motivo pelo qual se ouve a música Grândola, Vila Morena antes do espectáculo pirotécnico.

Existem coisas que se perdem com o passar dos anos. É um dos preços da evolução. Mas existem coisas que não deviam ser ignoradas nem esquecidas. E o motivo pelo qual hoje festejamos a liberdade é algo que nunca poderá ser esquecido. Obrigado a todos aqueles que fizeram parte de uma revolução que mudou a história de Portugal.