23.5.19

afinal, a minha vida é fantástica

Volta e meia, dou por mim a lamentar-me em relação a diversos aspectos da minha vida. Coisas que representam uma gigantesca dor de cabeça para mim, mas que até podem ser pequenos grãos de areia para outras pessoas. Acredito que será assim com todas as pessoas. Tendemos a colocar as nossas questões, por mais pequenas que possam ser, num grau de elevada dimensão problemática. Onde não cabe mais nenhum problema mundial.

Até que leio a notícia de que Sara Carbonero, a mulher de Iker Casillas, está a lutar contra um cancro nos ovários. Que é tornado público dias depois de o jogador espanhol ter sofrido um enfarte durante o treino do Porto. E neste momento percebemos que afinal, a nossa vida não é assim tão má. Que os problemas, que temos e que todos têm, não são assim tão graves. Pelo menos na dimensão com que olhamos para eles.

E faço um pequeno aparte para falar também da minha história. Porque considero que mudei muito depois de ter acompanhado a luta da minha mãe contra um cancro da mama. E do meu pai, que passou por uma situação semelhante à de Casillas. Por mais estúpido que isto possa ser para todos nós, são estes momentos que nos mostram o que importa. Não é quando estamos num pico de alegria que nos focamos. Só nos focamos nos piores momentos.

21.5.19

o final da guerra dos tronos (sem spoilers) e afins

Devo começar por dizer que vi apenas um ou dois episódios de A Guerra dos Tronos, não tendo ficado preso à série. Irei dar uma segunda oportunidade, até porque me dizem que fica melhor com o avançar dos episódios, mas não ter acompanhado até ao fim não significa que não possa assistir à febre que sempre existiu em torno da série. Aquela que muitos garantem ser das melhores de sempre.

Quer seja no trabalho ou no ginásio, ouço conversas sobre A Guerra dos Tronos, personagens, trama e afins. Sendo que nos últimos tempos noto uma desilusão generalizada. Parece que os fãs da série estão muito desiludidos em relação ao final da história. Existe mesmo uma petição, com mais de um milhão de assinaturas, a pedir que a última temporada seja refeita.

E é este ponto que me leva a este texto. Porque acho comum que séries de culto, principalmente aquelas que tendem a arrastar-se no tempo, nunca têm finais que agradem a todos. Nem que seja porque é impossível a agradar a uma legião de milhões de fãs. Uma das consequências do sucesso é arrastar algo bom. Porque existe a tentação de ganhar muito dinheiro com um produto. E quanto mais se estica, mais complicado é o processo. E é por isto que acredito que os finais tendem a desagradar aos fãs.

17.5.19

o robert? a sério?

Está escolhido o novo Batman. Será Robert Pattinson, de 33 anos, a dar vida a um dos super-heróis mais marcantes do cinema. E espero estar enganado, mas esta escolha tem tudo para correr mal. Até porque Pattinson está muito colado à saga Crepúsculo, algo que irá sempre ser tido em conta. Por outro lado, tem dois aspectos a favor. Um, de menor importância, é que tem aquilo que considero ser queixo à Batman. O outro, mais importante, é que sucede a Ben Affleck, que é considerado um dos piores atores que deu vida ao homem morcego.

16.5.19

para os portugueses, sexo na internet rima com videochamada

Ainda sou do tempo dos 12893423904890123890 anúncios das linhas telefónicas de valor acrescentado para que muitas pessoas ligavam para ouvir gravações de sons sexuais. Isso ou para participar num jogo de intimidades com desconhecidos. Isto já passou de moda e nova tendência é outra.

A Flame Love Shop realizou um estudo que dá a conhecer que 65% dos inquiridos já experimentou relações íntimas virtuais. Ou não estivéssemos nós numa era em que o virtual ganha destaque. Sendo que 70% das pessoas que participaram no estudo assume ter obtido uma sensação real neste tipo de experiência. Outra nota de destaque vai para os 40% que assume já ter praticado sexo virtual mais de dez vezes.

Entre as preferências está a videochamada. Algo que assumo não me surpreender. Quer seja entre casais e entre pessoas que recorrem a este tipo de jogo sexual com desconhecidos. Seguem-se as mensagens sexuais, sendo que o pódio termina com uma viagem ou passado. Ou seja, com gravações ou chamadas de voz.

O estudo/questionário tem ainda outros dados interessantes, que servem para uma boa discussão. 40% dos inquiridos assume que este tipo de comportamento não representa uma traição. Sendo que, dos que assumem já ter tido experiências deste género, 45% dizem tê-lo feito com o(a) parceiro(a). 23% dizem que foi com um(a) amigo(a), 19% com um(a) desconhecido(a) e 5% com um(a) amante.

15.5.19

as mulheres reais têm de ser gordas

Existem conceitos que me ultrapassam por completo. Um deles é o da “mulher real” que é sempre associado a mulheres com curvas e, na maioria dos casos, peso a mais. Atenção que nada tenho contra pessoas que têm peso a mais. Até porque olho para o espelho todos os dias. Só não percebo é o motivo que leva a olhar para estas pessoas como reais. Isto quer dizer que quem não se encaixa neste padrão não é real? Isto quer dizer que os homens que têm corpos definidos, são menos reais do que eu, que tenho as minhas gordurinhas aqui e ali?

Vivemos tempos em que existem cada vez mais alertas para o excesso de peso. Para os preocupantes números da obesidade infantil. Ainda assim, ficamos todos contentes quando alguém utiliza o termo “mulher real” associado às curvas e ao excesso de peso. Parece que é a desculpa que todos querem para se sentir bem, mesmo quando a saúde poderá estar em risco.

Acrescento também que não me incomoda minimamente ver mulheres e homens com corpos esculturais nas publicidades. Porque são isso mesmo, publicidades. É um produto que se tenta vender, da forma que alguém achou correcta. Quando olho para um anúncio – sem contar aqueles em que aparece a Charlize Theron – centro-me no produto. Não perco tempo a analisar o mesmo do ponto de vista das diferenças caso tivessem optado por um corpo diferente.

Voltando à “mulher real”, não gosto disto. Porque todas as mulheres são reais. Aquelas que têm peso a menos. As que têm peso a mais. As de corpo tonificado e todas as outras. Todas estas mulheres são reais. Tal como é um gigantesco erro achar que apenas as pessoas com excesso de peso são vítimas de bullying. Basta que falem com qualquer pessoa magra para perceber isso mesmo.

Enquanto o tempo for ocupado a catalogar pessoas como reais e irreais, estaremos apenas a contribuir para o problema e não para a solução. Parece que uma mulher, para ser real, tem de ter curvas. E isto não é verdade. E em todo este texto, onde se lê mulher poderá ler-se homem. Era mesmo bom é que as pessoas dedicassem mais tempo às notícias da organização mundial de saúde e não às campanhas publicitárias que recorrem a pessoas “reais”.

13.5.19

futebol é o reflexo da vida

Gosto muito, mas mesmo muito de futebol. Foi por isso que acompanhei à Premier League até ao fim. Com o Manchester City a levar a melhor sob o Liverpool, conquistando o campeonato com um ponto de diferença. No final, Klopp, o treinador do Liverpool, deu os parabéns ao vencedor. Destacou o trabalho que a sua equipa tem vindo a fazer ao longo das últimas duas épocas. Prometeu fazer melhor e deu os parabéns à equipa que os conseguiu superar. Simples!

Por cá, é o que toda a gente vê. Ainda falta uma jornada e é o que se vê. Ninguém assume ter feito opções erradas, ninguém assume demérito nos insucessos. Os outros, aqueles que ganham, é sempre por factores estranhos. Esta é a mensagem que se passa no futebol português. E que as pessoas continuam a comer, sem questionar o que quer que seja. Assusta-me a facilidade com que as pessoas são enganadas por pessoas que têm uma agenda própria.

Acabo de ler uma noticia de uma pessoa que pede prisão para os árbitros. Pessoa essa que ainda há duas semanas ofendia jogadores e pessoas que tivessem a ousadia de aplaudir a equipa depois de mais um insucesso. E é isto que temos por cá. Mas também tenho de ser sincero. Isto não é mais do que o reflexo de tudo neste País.

Olho para o futebol, para a reacção das pessoas, como olho para a vida. E acredito que tudo isto está ligado. As pessoas que reagem assim com o futebol, reagem assim com tudo. Com todos os sucessos alheios. E isso é evidente nos comentários nas redes sociais, independentemente do tema. E volto a dizer. Assusta-me a forma como as pessoas são iludidas de forma tão fácil.

8.5.19

crianças, telemóveis, tablets e a miopia que os pais ignoram

Volta e meia converso com alguns amigos (com e sem filhos) sobre o comportamento das crianças nos dias que correm. E todos concordamos que passam a vida agarrados aos telemóveis e tablets. Conheço pessoas que dizem proibir esse comportamento em casa, assumindo também ser algo complicado de contrariar fora de portas. Até porque “todos o fazem”, dizem.

E esta frase é muito verdadeira. Hoje em dia, quer seja num café, restaurante ou noutro espaço qualquer, é praticamente impossível não encontrar uma criança agarrada a um gadget. Algo de que muitos pais gostam, até porque assim os filhos estão quietos e não aborrecem ninguém. E como é fácil calar uma criança deste modo, dá- se o aparelho para a mão.

Por outro lado, não concordo com isto. Talvez porque faça parte de uma geração que se habituou a estar à mesa a ouvir conversas dos pais ou a fazer desenhos nas toalhas de papel. Os tempos eram outros mas uso sempre como comparação o momento em que passei a ter computador e consola, algo que nunca foi mais importante do que brincar na rua com os meus amigos.

Nos dias que correm é o oposto. Parece existir um incentivo ao vício dos aparelhos. Já estive em restaurantes em que estão três filhos à mesa, cada um com o seu tablet, os pais com os telemóveis na mão e ninguém fala com ninguém. Algo que se prolonga durante praticamente toda a refeição. É certo que cada família sabe de si, mas existem dados que devem ser tidos em conta.

As crianças não só passam a vida agarrados aos aparelhos, como mergulham com a cabeça dentro dos pequenos ecrãs. E este é um dos perigos. Diversos especialistas estão a alertar para o perigo deste comportamento. Que pode acelerar a miopia nas crianças. Algo que resulta do uso exagerado destes aparelhos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2020 35% da população mundial terá miopia. Percentagem que pode subir para os 52% em 2050. Números verdadeiramente preocupantes. Se os pais não conseguem acabar com este vício dos filhos, certifiquem-se de que os aparelhos estão a uma distância de 30/40 centímetros dos olhos e, pelo menos, tentem que o uso não seja prolongado. Idealmente, e por mais que custe, acabem ao máximo com este vício que transforma uma criança em algo que não deveria ser.

7.5.19

sem palavras. só suspiros #7






Kendall Jenner

o caso uno, algo que nunca deveria ter existido

Ainda hoje gosto de jogar UNO. Até porque era um dos jogos que costumava jogar no secundário. Há muito que não ouvia falar deste jogo, até que reparo que está em grande destaque nas notícias. Tudo por causa de uma regra. Diz até que é o maior mito em torno do UNO.

“Se alguém coloca uma carta +4, deves apanhar quatro cartas e passar a tua vez. Não podes pôr uma carta +2 para que a pessoa seguinte apanhe seis cartas. Sabemos que já o fizeste”, escreveu a empresa no Twitter. É aqui que entra o título que dei a esta publicação.

Isto porque nunca joguei deste modo. Até porque no meu grupo de amigos do liceu, em caso de dúvida, era percorrer o manual das regras para perceber se era uma jogada possível ou não. E como se percebe, não é.

Só que neste tipo de jogos, todos querem criar as próprias regras. Principalmente aquelas que dão jeito no momento de ficar com menos cartas ou penalizar o jogador seguinte. E é assim que se criam os tais mitos que se propagam rapidamente porque ninguém quer ler as regras do jogo. Tivessem amigos como os meus e iam ver se não paravam o jogo para perceber as regras.

met gala 2019 resumida em menos de três minutos



O resto é conversa.

verdade ou mito #105

Tanto homens como mulheres podem ser alérgicos ao sexo. Isto será verdade ou mito? Será que os casais, com comportamentos comuns, acabam por desenvolver uma alergia ao sexo que se traduz em diversos sintomas que raramente são associados ao sexo. Ou não passa de um mito porque isso da alergia ao sexo é algo que não faz sentido. Verdade ou mito?

5.5.19

amo-te muito mãe

Gostava de conseguir explicar o quanto amo a minha mãe. Gostava de explicar o que significa para mim. A importância que tem na minha vida. Aquilo que me tem ensinado ao longo da vida. Mas não consigo. Não existem palavras que façam justiça aquilo que a minha mãe é para mim. Por isso, tenho de lhe deixar um grande beijo e dizer que a amo muito. Aproveito ainda para deixar um beijinho especial para todas as mães.



30.4.19

como é que estas podem ser as 10 músicas mais ouvidas durante o sexo?

Quem diz que nunca pensou numa banda sonora para o sexo está a mentir. Já todos nós estivemos nessa situação. É certo que somos todos diferentes. E aquilo que é bom para mim não tem de ser para os outros. E como me considero um romântico, imagino uma playlist para sexo com artistas como Barry White, Sade, Teddy Pendergrass e por aí fora.

Podem dizer que são músicas lamechas, mas o amor também o é. E na minha modesta opinião, são músicas que melhor combinam com o momento em si. Mas não estou aqui para debater as minhas opiniões pessoais. Ou para fazer delas regra geral. O que não invalida que não fique surpreendido com algumas das músicas mais ouvidas durante o sexo.

O Spotify analisou 2,5 milhões de playlists de músicas para ouvir durante o sexo. O serviço de stream chegou assim à conclusão de que estas são as 10 músicas que as pessoas mais ouvem no mundo quanto estão a ter relações sexuais.

10 - Dreams - Fou De Toi
9 - Talk Is Cheap - Chet Faker
8 - Night Like This – LP
7 - Let's Get Started - Dylan Gardner
6 - Sweet Ophelia - Zella Day
5 - You & Me (Flume Remix) – Disclosure
4 - Magic – Coldplay
3 - Menswear - The 1975
2 - From Eden – Hozier
1 - Intro - The xx

Não sei se sou o único a pensar desta forma, mas existem músicas que não merecem estar nesta lista.

estás mais magro. treinas muito, não é?

Nos últimos tempos diversas pessoas têm dito que estou mais magro. Normalmente associam esse facto ao gostar de treinar e de tentar, ir ao ginásio cinco dias por semana. Algo completamente errado. Muitas pessoas acreditam que o segredo para perder peso está no exercício físico. E enquanto pensarem assim... não vão perder peso.

O segredo para perder peso está na boca. Naquilo que se come. 95% do sucesso para perder peso está numa alimentação saudável. Algo que não deve ser confundido com passar fome e deixar de comer tudo e mais alguma coisa. Basta ter força de vontade para ter uma alimentação regrada. Se isto acontecer, o exercício físico será um grande aliado. Caso contrário, de pouco serve.

Existem pessoas que acreditam que podem comer todas as porcarias e mais algumas só porque andam no ginásio. Isto só fará com que a pessoa não piore muito do ponto de vista físico. O ginásio, por si só, não irá ajudar grande coisa. São necessários alguns cuidados. E caso a pessoa queira trabalhar muito o corpo, os cuidados vão ter de ser ainda maiores.

29.4.19

habemus bond girl

O 25º filme da saga James Bond já tem Bond Girl. Trata-se de Ana de Armas (long suspiro) e acho que Eva Green vai ser destronada do topo da lista das minhas preferências.

o meu filho vai ter de ser tudo aquilo que não fui. a bem ou a mal

Num destes dias estive a ver a reportagem que a SIC fez sobre a violência nos jogos de futebol das camadas jovens. Com cada vez mais jogos em que pais agridem árbitros, insultam miúdos e lutam contra outros pais. Como comecei a jogar futebol (federado) com 12 anos e joguei durante mais de 20 anos, a minha primeira reacção foi: “os pais querem que os filhos sejam o próximo Cristiano Ronaldo”. E foi uma das coisas que acabei por ouvir na peça. E que faz cada vez mais sentido.

Quando era miúdo, Portugal não tinha nenhum jogador mediático à escala de Cristiano Ronaldo. Não existiam redes sociais. E não se falava tanto em dinheiro. Agora tudo é diferente. Os pais cada vez mais acreditam que o futebol é um desporto de milhões, que estão ali à mão de semear para qualquer puto que dá dois toques numa bola. E não basta que o miúdo jogue. Vai ter de ser, à força, um jogador profissional. Vai ter de sustentar a família. Mesmo que não tenha talento.

E os pais ficam tão cegos com esta obsessão que não percebem que acabam por ser o maior obstáculo à evolução do filho. Os meus pais iam ver os meus todos. Mas nunca, em momento algum, o meu pai passou o jogo a dar-me instruções. Não ficava descansado enquanto não os visse antes do jogo começar, mas estavam ali para me apoiar em “silêncio”. Mas mesmo no meu tempo já existiam alguns fenómenos estranhos.

Pais que não perdiam um treino. Que se juntavam a falar de tudo e mais alguma coisa sobre a equipa. Que queriam ser os treinadores e que defendiam que os seus filhos eram os melhores do mundo e arredores. Existia um caso de um rapaz que o pai passava o jogo todo atrás dele (na linha lateral) a dar-lhe instruções e a dizer o que fazer. Perdi conta ao número de vezes que o rapaz dizia que o pai só o atrapalhava. Até que explodiu num jogo e gritou para o pai se calar.

Este é apenas um exemplo que prova que os pais só atrapalham. Os pais podem (e devem) motivar os filhos para que sejam melhores. Mas isto passa pela aplicação nos treinos, pela alimentação (muito importante) e até por aspectos técnicos do jogo. Que podem ser estudados. De resto, podem (e devem) estar presentes nos jogos. Mas se forma silenciosa. Não é a chamar nomes aos miúdos, a ofender outros pais e por aí fora.

Se pensam que isto faz com que os miúdos sejam melhores, podem ter a certeza de que só fará com que sejam piores. Vão ficar tensos e com receio de muitas coisas. Sem esquecer que vão lidar com muitos outros jovens que transformam os pais em piadas de balneário pelo ridículo que são. E nem todos sabem lidar bem com isto. O que faz com que em pouco tempo possam estar a perder o encanto pelo futebol.

Não é por quererem que o miúdo seja o próximo Cristiano Ronaldo que isso irá acontecer. Até porque se fosse fácil, não existia um Cristiano Ronaldo, existiam milhões. E se pensam que o futebol dá milhões a todos, informem-se sobre jogadores de bons clubes que têm largos meses de ordenados em atraso. Transfiram metade da energia dos milhões que desejam para incentivo para que se apliquem nos estudos da mesma forma que se aplicam no desporto. Porque a carreira de futebolista profissional de sucesso será sempre algo apenas ao alcance de poucos. Atentem no número de crianças que jogam no Benfica, Porto e Sporting e vejam quantos chegam a profissionais.

23.4.19

eu, o meu pénis, a cristina ferreira e o programa da cristina

Foi com surpresa que recebi uma mensagem a falar sobre um convite relacionado com O Programa da Cristina. Falaram-me de duas ideias de Cristina Ferreira e deram-me a possibilidade de participar numa reportagem sobre uma delas. Acabei por escolher falar sobre sexo, mas especificamente sobre a relação do homem com o seu pénis. Até porque gostei da ideia da falar abertamente sobre um tema que considero tabu para muitas pessoas.

Devo confessar que ponderei muito bem sobre o convite. Não por ter receio de falar sobre o tema, mas por acreditar que seria muito fácil ser uma piada. Bastava uma frase mal dita, uma edição atrevida e facilmente seria transformado numa piada. Até porque sabia que são seria em directo. Algo que por um lado é bom, mas por outro rouba-me algum controlo. Ainda assim, aceitei. Sem qualquer problema.

O passo seguinte foi uma entrevista por telefone com uma mulher (muito simpática) que nunca conheci pessoalmente. Falámos durante largos minutos sobre sexo. Sobre a minha relação com o meu pénis, com o meu corpo e por aí fora. Se me comparava com outros. Se alguma vez me tinha deixado ficar mal. Se lhe dava nome. Se a minha mulher tinha razão de queixas. Com que idade tinha perdido a virgindade, entre muitas outras coisas como depilação masculina e por aí fora. Respondi a tudo com a mesma naturalidade que responderia à pergunta: "que horas são?". Pelo simples facto de que não olho para a sexualidade como um tabu.

Expliquei que os momentos mais "estranhos" que tive deixaram de o ser em poucos segundos. Um deles foi quando, já adulto, fui ao médico que me acompanha desde criança e que me mexeu no pénis. Outro foi quando fui fazer um espermograma. E rapidamente percebi que era apenas o trabalho deles. E que era tão natural para aquelas pessoas como para mim é escrever textos. De resto, não dou nome ao meu pénis, tal como não dou aos meus braços ou pernas. Não me comparo com outros e sinto-me bem como aquilo que sou e com o corpo que tenho.

Falei ainda de algo que considero curioso. Que passa por, cada vez mais, os homens esconderem o corpo nos balneários dos ginásios. Acabam o treino e vão todos tapados para o duche. De onde já saem tapados. Se é complexo? Não sei! Mas para mim não faz sentido. Sendo que expliquei que desde miúdo que jogo futebol e que sempre foi natural para mim estar nu perto de outros homens. Como se nada fosse. Sendo que a nudez também nunca foi tabu na minha casa. Sempre vi os meus pais sem roupa, com a maior naturalidade do mundo. Falei ainda do mito da importância do comprimento e da forma que o meu pénis tem impacto na minha vida.

Em traços gerais, esta foi a conversa que tive ao telefone. Sendo que fui entrevistado, já em vídeo, por outra pessoa. Que acabou por me fazer perguntas um pouco diferentes, mais ligeiras e mais divertidas. Algo que não teve qualquer problema. Mas que acaba por retirar alguma "importância" a tudo aquilo que tínhamos falado ao telefone e que considero importante para acabar com tabus.

Por exemplo, perguntaram-me se "mexia nele" ou algo do género. Respondi que mexia nos testículos, como qualquer homem deve fazer, para tentar detectar algo fora do normal e para ajudar a prevenir o cancro testicular. Quem viu a reportagem ouve apenas "mexo algumas vezes". O que não tem nada de errado, mas que acaba por levar a pessoas a pensar algo que não disse e que passa pela masturbação.

Ao telefone também disse que considero que o sexo ainda é tabu, pois as pessoas não falam abertamente sobre nada. Têm receio de tudo e isso fica provado pelo que vou dizer agora. É uma pequena inconfidência que não faz mal a ninguém. Depois de responder às perguntas (pelo telefone) disseram-me que ninguém aceitava o convite. Homens conhecidos, bloggers e anónimos. E isto mostra que o tema ainda é tabu para muitos homens.

Em jeito de balanço, estou feliz com a minha modesta contribuição para o tema. Agradeço o convite que me foi feito e estarei sempre disponível para este tipo de coisas. E o maior elogio que posso receber é ter os meus amigos homens e dizerem que estive bem a falar do tema em questão. Aproveito ainda para agradecer a Cristina Ferreira por pegar em temas sérios, torná-los um pouco mais ligeiros e fazer com que as pessoas falem de algo que deveria ser completamente natural.

17.4.19

notre-dame, moçambique e todo o mal do mundo no mesmo saco

Começo por dizer que cada vez menos uso o Facebook. Posso mesmo dizer que até já pensei encerrar as minhas contas nesta rede social. E o motivo é só um: não aguento tanto ódio. Esta rede social transformou-se numa espécie de batalha campal em que todos são heróis, donos da razão e os maiores do mundo. Algo que consegue ser assustador.

E como seria de esperar, com o incêndio de Notre-Dame não poderia ser diferente. Já perdi conta aos comentários de ódio relacionados com os apoios financeiros que estão a ser dados para reconstruir a catedral. E que têm como base de comparação a tragédia de Moçambique. Algo que, na minha modesta opinião, não faz qualquer sentido.

Lamento, mas não posso comparar as duas situações. Se isto significa que entenda que uma das tragédias é mais importante do que a outra? Não! Simplesmente, são diferentes. Se me choca que existam apoios para Notre-Dame? Não! Se me choca que o drama de Moçambique passe ao lado de tantas pessoas? Também não. Num cenário ideal, ambas as tragédias teriam o maior e melhor apoio possível. Mas não me peçam para olhar para Notre-Dame como um mero edifício sem qualquer história. Recuso-me a fazer aquilo que considero um grande erro. Porque espaços como Notre-Dame nunca serão apenas meros edifícios. O problema é a falta de cultura que faz com que muitas pessoas não entendam o peso de espaços como aquele.

O que gostava de perceber é aquilo que essas pessoas, que acusam quem está a dar dinheiro a Notre-Dame, já fizeram para mudar o mundo. Ajudaram na tragédia de Moçambique? E na de tantos outros países? Deixaram de comprar roupas e objectos feitos por crianças? Não comem carne de animais que são maltratados em vida? E poderia ficar aqui horas a dar exemplos de tragédias  e problemas das mais diversas dimensões. Que vão sempre ser menores ou maiores aos olhos de quem as vê.

E nunca as pessoas vão conseguir olhar para todas as tragédias com os mesmos olhos. O que é normal. Aquilo que as pessoas podem fazer é olhar para o espelho antes de acusar este ou aquele. E perceber se fizeram aquilo que acusam os outros de não fazer. Ou será que só os outros é que têm a obrigatoriedade de mudar o mundo ao ritmo dos nossos desejos?

4.4.19

peço desculpa, mas o futebol não é o momento

Poucos são aqueles que gostam de ter memória no futebol. “Futebol é o momento”, defendem. E não concordo com isto nem um pouco. Estou a recuperar este assunto depois da derrota do Benfica em Alvaldade, para a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal. E porque isto deu origem a muitos comentários, nas redes sociais, a criticar Bruno Lage. Como prefiro ter memória, vou usar a mesma neste momento.

Bruno Lage pegou numa equipa mentalmente destruída. O Benfica de Rui Vitória (deste época) não praticava um bom futebol. Os reforços não se destacavam e mesmo aqueles que já cá estão há muito jogavam mal. Até que chegou Bruno Lage, o treinador que muitos acreditavam orientar a equipa até chegar alguém com mais experiência.

Com os mesmo jogadores, Lage conseguiu meter o Benfica a praticar bom futebol em pouco tempo. Até ao momento conta apenas com três derrotas e de sete pontos de atraso, passou para líder do campeonato. Pelo meio, conseguiu ir ganhar a Alvalade e ao Dragão, em partidas a contar para o campeonato. O novo treinador do Benfica recuperou jogadores, deu vida a uns que pareciam perdidos e melhorou ainda mais aqueles que estavam em lugar de destaque. Sendo que teve a coragem de apostar em jovens jogadores, algo aprecio bastante.

Se tudo tem sido perfeito? Não! Se o jogo que ditou a eliminação da Taça de Portugal foi bom? Também não. Mas mesmo nas exibições menos conseguidas, vejo uma equipa com fio de jogo. Jogadores que raramente se desorganizam quando antigamente poucas eram as vezes em que estavam organizados. E é por isto que recuso perder a memória e colocar tudo em causa por causa de um jogo que foi decidido num lance individual de Bruno Fernandes, um grande jogador.

Já tinha dito nas minhas redes sociais e volto a dizer. Não sei se o Benfica irá ser campeão este ano. E posso dizer que não acredito nisso por motivos que não merecem ser partilhados aqui. Mas nada disto tira brilhantismo ao trabalho de Bruno Lage. Que pegou numa equipa sem rumo e sem confiança. Este trabalho não perde relevância por um ou outro jogo menos bom. Ou por um ou outro erro, que fazem parte do futebol e que são comuns a todos os jogadores e treinadores.

De resto, e enquanto benfiquista, gostava muito que o Benfica fosse campeão este ano. Porque há muito que não assistia a uma campanha de ódio deste dimensão no futebol português. E sobre isto também não vale a pena alongar-me. É o que é. Vende quem quer, compra quem quer. Sendo que voltamos à falta de memória nestes momentos.

1.4.19

este estranho ritual laboral que quase parece ser obrigatório

Não sei se é por passarem muito tempo nos locais de trabalho, mas fico com a ideia de que as pessoas confundem cada vez mais os conceitos de amizade. E estou a juntar a amizade às relações profissionais porque parece que existe um ritual laboral que quase parece ser obrigatório. E que passa pela amizade virtual.

Hoje em dia, uma pessoa chega a um emprego novo e uma das primeiras “tarefas” passa por estabelecer amizade virtual com todos os colegas. Como se o novo emprego fosse sinónimo de amizade com pessoas que se conhecem há cinco minutos e com quem se trocou duas ou três palavras. É disparar pedidos de amizade em tudo e mais alguma coisa. É no Facebook, é seguir no Instagram e Twitter, se existir. E em todas as redes sociais possíveis e imaginárias.

Parece que é obrigatório ser amigo das pessoas com quem se trabalha. Mesmo que não exista uma relação que vá além do profissional e cordial. E mal daqueles que não entram nesta onda. “Aquele(a) não aceita o meu pedido de amizade porquê?”, perguntam. E depois criam teorias em torno disto. Quando são amigos, surgem novos problemas.

“Já viste o que aquele(a) escreveu? De certeza que é uma boca para fulano ou sicrano!” E está assim montada uma telenovela venezuelana dobrada em brasileiro, que passa na televisão à hora de almoço. Comecei por dizer, no título, que é um estranho ritual laboral. E mantenho esta opinião. Porque não sou obrigado a ser amigo de todas as pessoas com quem trabalho. Tal como não tenho que saber detalhes pessoais das suas vidas nem eles das minhas. E, por mais que algumas pessoas confundam as coisas, as redes sociais pessoais não são ferramentas de trabalho. Para ninguém e em lado nenhum.

31.3.19

até falava da colecção de roupa unissexo da zippy, mas prefiro falar de moçambique

Por estes dias só se tem falado da supostamente polémica colecção de roupa da Zippy. Parece que meio mundo está escandalizado com as peças de criança que se destacam por ser sem género. Algo que no meu tempo, e só tenho 37 anos, se chamava unissexo. Como não encontro nada chocante nisto, não perco tempo a alongar-me sobre o assunto. É o que é e só compra quem gosta. E pelas fotos parecem ser peças bem giras.

Prefiro centrar-me na catástrofe que assolou Moçambique. Já perdi conta ao número de peças jornalistas que vi sobre o assunto e em todas fiquei emocionado. Sendo que destaco algo que encontrei em todas elas. Estou a falar da total ausência de uma vontade cega de culpar alguém. Ninguém perde tempo a culpar este ou aquele.

Vi uma peça em que um homem, descalço, andava no meio da lama a limpar estradas. Este homem tinha ficado sem casa e dizia apenas que os trabalhos corriam dentro do previsto. Vi uma mulher grávida que só deseja uma casa para que o filho possa nascer, dizendo que o passado era isso mesmo. Vi pessoas falarem de pessoas que viram morrer com uma postura completamente diferente.

Aqui, andamos a discutir a polémica em relação a uma colecção de roupa. Já aquele povo, que lida com uma tragédia que não se deseja a ninguém, ensinam uma lição que só não aprende quem não quer. Ou quem prefere olhar para peças de roupa como se fossem balas ou bombas atómicas.

27.3.19

pessoas, trânsito e radares

Quando o tema é o trânsito e os radares, existem três grandes grupos de pessoas:

1 - Tanto faz, para o bem ou para o mal
Estas são aquelas pessoas que passam pelo aviso de radar e pelo radar sempre à mesma velocidade. Algo que funciona para o bem, quando estão dentro dos limites da lei. Ou para o mal, quando vão em excesso de velocidade.

2 - Aquilo que importa é mesmo o aviso, não é?
Neste grupo estão aquelas pessoas que reduzem a velocidade quando passam no aviso de radar, que acende a luz porque estão com excesso de velocidade. Neste momento reduzem e depois passam pelo radar em excesso de velocidade. Estas pessoas acreditam que o que poderá ditar a multa é o excesso de velocidade no aviso. E que passar dentro dos limites pelo mesmo é uma espécie de cartão "livre da prisão" do Monopólio.

3 - Será que já estou fora de alcance?
Aqui estão aquelas pessoas que passaram por um radar no Algarve e que no momento em que estão quase a chegar ao Porto acreditam que ainda podem ser apanhados pelo radar algarvio.

4 - Radar, vamos travar!
São aquelas pessoas que travam quando estão a passar pelo radar.

Só falta saber a que grupo pertences.

21.3.19

apaixonei-me e o sonho de uma vida destruído por um parvo

Sempre gostei dos The Killers. Mas recentemente apaixonei-me pela banda liderada por Brandon Flowers. De uma música saltei para o concerto do Royal Albert Hall, que teve lugar em 2015. E daí andei a saltar de música em música e de concerto em concerto. Com especial destaque para aqueles que a banda de Las Vegas deu no ano passado.

Enquanto assistia ao concerto dado na Escócia, percebi que os The Killers deixam uma pessoa do público subir ao palco para tocar bateria no tema “For Reasons Unknow”. Neste caso foi Tony que teve o prazer de tocar com a banda que admira. E que show deu o puto! Já no Brasil foi a apresentadora (algo desconhecido por Brandon Flowers) Dedé Teicher quem teve a oportunidade de tocar para dezenas de milhares de pessoas. Podem ver as duas actuações nos vídeos.



(A partir dos 23 minutos)



(A partir dos 37 minutos)

Se fosse músico e baterista, teria o maior prazer em tocar com uma das minhas bandas de eleição. E é isso que acredito aconteceu com Dedé e especialmente com Tony, que parece um menino que acaba de receber o melhor presente de Natal de sempre. Isto para não dizer que sabe tudo na perfeição.

Por outro lado, a banda corre um risco enorme quanto toma esta decisão. Porque nem todas as pessoas são bem intencionadas. Depois da actuação de Tony, Brandon Flowers fala do desastre que tinha acontecido na Bélgica. Fui pesquisar o concerto e deparei-me com um parvo, que não tem outro nome, que simplesmente não toca bateria.



(A partir dos 40 minutos)

Gostei da forma como Brandon Flowers resolveu a situação, tal como recusou tocar a música enquanto o rapaz não saísse do palco. E quem tem este tipo de comportamento acaba por roubar a oportunidade de alguém, como aconteceu com Tony, realizar o sonho de uma vida. Tal como pode levar a banda a decidir colocar um ponto final neste iniciativa. Até tentava perceber o que leva alguém a fazer isto em cima de um palco, passando por parvo num vídeo que irá ser visto em todo o mundo. Mas prefiro ir ver o jovem escocês a arrasar novamente.

19.3.19

maddie. pais. comportamentos e polémica

O documentário da Netflix sobre o “desaparecimento” da pequena Maddie trouxe o assunto de volta à agenda mediática. Em relação ao documentário não posso dar uma opinião porque ainda não o vi na totalidade. Mas posso (e vou) opinar sobre os comentários que tenho lido nas redes sociais, onde o assunto voltou a estar em destaque.

Muitos pais estão estupefactos com a quantidade de pessoas que coloca a hipótese de que a criança tenha morrido na sequência de um acidente e que os pais tenham feitos os possíveis para encobrir o sucedido. Para estes pais é impossível que um pai possa estar implicado, mesmo que por negligência, no desaparecimento de um filho.

Estes pais também consideram normal e aceitável que se deixem filhos sozinhos num apartamento enquanto se vai jantar e beber uns copos de vinho na companhia de amigos. Para estes pais tudo está bem porque até existia um plano para verificar as crianças enquanto estas dormiam sozinhas num apartamento.

Não sou pai. Mas choca-me que existam pais que achem que isto é normal e aceitável. “É algo cultural e normal para eles”, dizem. Se este é o modo de raciocínio, vamos aceitar aqueles países que tratam as mulheres como seres inferiores e que as maltratam. É que nestes países é algo normal e culturalmente aceitável.

Tenho a minha opinião sobre o que terá acontecido naquela noite. Mas não é isso que está em causa. Só não me peçam para ofender as forças policiais portuguesas e defender pais que deixam filhos sozinhos para ir jantar e beber uns copos com amigos. Para isso, não contem comigo. Por mais que seja normal para eles. Por mais perfeito que seja o cenário, existe sempre um risco grande de acontecer uma tragédia. Seja ela qual for.

Basta recordar o caso daqueles pais que também tinham o hábito de deixar o(s) filho(s) sozinhos enquanto iam para o casino. E como exercício de memória, é ver o tratamento mediático, político e mesmo judicial com que foram tratadas duas situações em tudo semelhantes, com a diferença que num dos casos existe um corpo.

12.3.19

isto é tudo muito bonito até que aparece uma atriz porno

Vamos começar pelos clichés:

- As mulheres devem apoiar-se umas às outras;

- Não devemos julgar os outros pela aparência;

- Todos merecemos uma segunda oportunidade;

- Não devemos rotular alguém apenas por uma coisa que fez;

(E podia passar o dia a debitar frases feitas que ficam sempre bem partilhadas numa rede social)

Mas tudo isto vai por água abaixo quando aparece uma atriz porno nas nossas vidas. Quando isso acontece, as mulheres não se defendem umas às outras. Nesse momento, julgamos as pessoas pela aparência. E não existem segundas oportunidades. Fazemos questão de rotular as pessoas pelo que escolheram fazer em determinado momento das suas vidas.

Sónia Gomes está a tentar a sua sorte no amor no segundo programa televisivo. Já tenha tentado ser feliz em "First Dates" e agora aparece em "Quem Quer Casar com o Meu Filho?". Mas esta não é uma concorrente qualquer. Esta é uma antiga atriz porno. E todas as pessoas devem saber isso. Porque fazemos questão que assim seja. Até porque uma "porca" que "fazia sexo" em filmes badalhocos não é boa para ninguém.

Nenhum concorrente de nenhum programa é um antigo pasteleiro que agora trabalha numa loja de desporto. Ninguém é rotulado de nada. Menos quando queremos salientar algo que achamos negativo. E Sónia nunca será Gomes, será sempre Kel. Será sempre uma "vaca" e uma "porca" que aparecia em filmes para adultos. E todos temos direito a clichés fofinhos, menos a Sónia e pessoas como ela. Porque gente dessa não presta. É o que temos.

que mal é que eu fiz a alguém?

Acho que já todos passámos por isto. Quando não conseguimos realizar algo que muito desejamos, ou simplesmente quando um plano corre mal, damos por nós a perguntar: "que mal é que eu fiz a alguém?". Tentamos encontrar uma justificação que passe por algo que não nos diz respeito. Por algo ou alguém que está a impedir a nossa felicidade, independentemente da forma como é medida, de ser plena.

Não sei se isso acontece com quem está a ler este texto, mas assumo que acontece comigo. Já dei por mim, em diversas ocasiões, a pensar nisto. E quanto mais penso, mais profundos e alargados são os pensamentos. Dou por mim a pensar em coisas como "deve ser porque não mereço", "devo estar a pagar pelo mal que fiz a alguém", "não é para mim" e por aí fora. É certo que não costumo encontrar uma resposta, mas penso nestas e em muitas outras hipóteses.

Depois, dou por mim a pensar no tal destino e naquilo que está eventualmente programado para nós e que não depende das nossas vontades. Até que ponto isto é verdade. Até que ponto é que somos nós que temos o poder de escolher tudo aquilo que desejamos, sem depender de nada ou de ninguém. E mais uma vez, são mais as dúvidas do que as certezas.

O que é certo é que, enquanto penso nisto, existem coisas que se realizam e outras que vão ficando para trás. Coisas que continuo a desejar e outras que começam a fazer com que acredite noutras coisas, noutras realidades. E se há dias em que estas deambulações até têm a sua piada, noutros são uma merda. Haverá quem diga que esta é a piada da vida ou que devemos lutar por tudo o que queremos, mas não sei até que ponto será mesmo assim.

26.2.19

quem se lembra da polémica com ingrid oliveira?

Ingrid Oliveira ficou conhecida mundialmente em 2016, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A atleta brasileira, de 22 anos, competia em saltos para a água, mas não ficou conhecida por aquilo que fez na prancha e na piscina. Ingrid Oliveira deu que falar depois de se ter tornado público que tinha feito sexo na Aldeia Olímpica. Isto aconteceu há sensivelmente três anos, mas só agora é que a atleta revelou aquilo que realmente aconteceu.

Li com atenção a entrevista e destaco diversos detalhes. A começar pela forma como ainda olhamos para o sexo e para os atletas. Parece que é um bicho de sete cabeças. Mas só o é para nós pois Ingrid revela que eram distribuídos muitos preservativos na Aldeia Olímpica, inclusivamente no refeitório. Conta ainda que foram inventadas muitas mentiras sobre si e sobre a história. Algo que não me surpreende porque quando o tema é sexo e polémica, existem sempre mil versões inventadas por outras tantas pessoas.

A atleta brasileira confessa ainda que passou ainda a receber muitas nudes e propostas para fazer sexo. Confesso que isto não me surpreende, mas esta nova tendência das nudes para pessoas que não se conhecem de lado nenhum, merece um texto à parte. Aquilo que quero destacar é um detalhe que sempre foi assim e que dificilmente irá mudar. O que é pena.

Ingrid Oliveira diz que entrava no Instagram do atleta que levou para o seu quarto e que todas as pessoas lhe davam os parabéns pelo sexo. Já no seu eram só ofensas e rótulos como "vadia. Ingrid Oliveira refere mesmo que as pessoas que consideram Pedro [o rapaz que levou para o quarto] um garanhão são aquelas que dizem que é uma vadia. E isto nunca irá mudar. Duas pessoas na mesma situação, mas com dois pesos e duas medidas.

Por fim, a jovem brasileira refere que aquilo que fez é algo bastante comum a muitos atletas, nas mais variadas competições. Conta que Usain Bolt levou uma mulher, sem credencial, para o quarto e entende que a diferença está no facto de a sua aventura ter sido descoberta e também por ser mulher.

19.2.19

vamos lá falar de sopas. quem está comigo?

Quando falamos de sopas existem dois grupos de pessoas. Mas antes de falar deles, dou a conhecer a minha história com sopas. E devo confessar que não sou o maior fã das mesmas. Durante boa parte da minha infância só olhava com bons olhos para a bela da canja, aquela que ainda hoje é a minha sopa preferida. Posso comer canja todos os dias que não me aborreço.

A partir daqui, não tinha grande ligação com sopas. Se bem que nos últimos anos passaram a ser uma das minhas principais opções para o jantar durante a semana. E lembram-se de ter falado dos dois grandes grupos? É aqui que eles entram. Existem pessoas que gostam de sopas com diversas coisas lá dentro. Mas não basta saber que existem. Têm de as sentir. São aquelas pessoas que gostam de sopas com coisas que quase que davam para comer de faca e garfo.

Depois, existem as outras pessoas. Como eu. São aquelas pessoas para quem a sopa está muito bem em forma de creme. Não é preciso trincar nada. Não é preciso sentir nada. Basta saber que as coisas estão lá. Preferencialmente muito bem passadas. Podem dizer que sou um "bebé" pois só eles é que comem sopas destas. Mas, para mim, a sopa tem de ser assim. Não consigo ser fã de sopas que têm tudo e mais alguma coisa lá dentro em tamanhos que quase saem da tigela.

Só não sei se sou o único nesta equipa. Mas prometo que a irei defender até ao fim.

14.2.19

namoradas há muitas e dias também

Diz que hoje é um dos dias mais românticos do ano. Diz que é Dia dos Namorados. Quanto a isto, começo por dizer que namoradas há muitas. E dias também. Mas mulheres como aquela que tanto amo é que já não. Mulheres assim são raras e fazem com que o Dia dos Namorados tenha começado no dia em que a conheci e que só termine no momento em que dê o último suspiro.

Não escondo que gosto destas datas. São sempre um motivo especial para dar mais espaço ao romantismo que existe em cada pessoa e que muitas tentam esconder, com uma quase vergonha de o revelar. Parece que falar de sentimentos é algo proibido. Especialmente quando falamos de homens. Até porque um homem que fala abertamente sobre aquilo que sente só pode ser homossexual.

Como não concordo minimamente com esta forma de pensar, gosto de falar daquilo que sinto. Daquilo que faz bater o meu coração mais depressa. Daquilo que me deixa com ansiedade e que faz com que seja melhor pessoa. E tudo isso encaixa no amor que sinto pela mulher da minha vida. Pela mulher que me fez crescer e que faz de mim um homem melhor.

Namoradas há muitas. Dias também. Mas pessoas como tu, não! O que faz com que me sinta muito especial por ser amado por ti. És a minha vida. És uma grande parte de mim. Obrigado por seres a pessoa que és. Obrigado por fazer com que a minha vida seja um constante dia dos namorados. Obrigado. Por tudo. Amo.te'nos mais do que tudo na vida.

13.2.19

dr, tell me why?

Quem me acompanha nas redes sociais sabe que a Mundet Factory é uma espécie de segunda casa para mim. Não só por ser muito perto da minha casa, mas por ser um projecto fantástico de um amigo de infância que realizou o sonho de ter um restaurante num espaço emblemático da terra onde cresceu.

Numa das vezes em que estava lá com o João Macedo, diz-me que ia passar a ter um jogo nas noites de quarta-feira. “É o Dr. Why”, disse-me. Assumi que não conhecia aquilo de que estava a falar e lá me explicou que era um quiz ao vivo. “Dizem que é o melhor”, acrescentou. Assim que me explicou, percebi logo o que era e até lhe disse que tinha visto algo assim no Mercado Bom Sucesso, no Porto.

Não consegui estar presente na primeira noite. Na segunda gostei do que vi e desde a terceira semana que já tenho uma equipa que não falha uma noite de jogo. Até já temos o cartão de equipa. E a verdade é que é muito fácil ficar “viciado” no jogo. Por diversos motivos. É uma desculpa para os amigos se juntarem. Testamos o nosso conhecimento. Existem divertidas picardias com outras equipas e mesmo com quem apresenta o jogo.

E este último detalhe é muito importante. No caso da Mundet existe um apresentador que é mais de metade do sucesso do jogo. É divertido, puxa pelas equipas, alimenta a diversão e tudo isto faz com que horas pareçam segundos. Fica a dica para quem procura um plano a meio da semana que acaba por fazer muito bem à cabeça.

11.2.19

o futebol embrutece as pessoas

Começo por dizer que não conheço nenhuma pessoa que goste mais de futebol como eu. Tal como não conheço ninguém que adore mais do que eu um bom debate sobre futebol. Realço o detalhe “sobre futebol” pois não tenho paciência para conversas que saltam do futebol jogado para gritos, ofensas e argumentos absurdos. E foi por isto que tomei uma decisão há coisa de dois anos.

Fartei-me do que lia nas redes sociais e até em grupos de whatsapp e tomei a decisão de não voltar a comentar publicações, de outras pessoas, sobre futebol, especialmente sobre outros clubes que não o Benfica, aquele de que gosto. E decidi isto porque o futebol embrutece as pessoas, que dizem as maiores barbaridades e que sentem necessidade de defender a honra do clube, por mais patéticos que estejam a ser, de um modo que nem a própria mãe defendiam.

E fartei-me disto. Por isso não comento publicações de outras pessoas e chego a não responder a comentários deixados nas publicações que faço na minha página de Facebook pessoal. Tenho algumas excepções que são aqueles amigos, ainda que de outros clubes, com quem consigo falar de futebol. E foi com uma destas pessoas que voltei a ter um exemplo de que o futebol embrutece mesmo as pessoas.

Essa pessoa fez uma publicação sobre outro clube que não o meu. Deixei um comentário a dizer que determinado lance do jogo desse clube poderia ter feito com que já não tivessem treinador hoje. Tudo normal. Até que uma pessoa, que não conheço de lado nenhum, responde ao meu comentário com uma ofensa. Respondi ao comentário, não descendo ao mesmo nível, e recebo mais um, que da ofensa salta para o campo da ameaça.

Estas pessoas são o exemplo vivo de que o futebol embrutece (ainda mais) determinadas pessoas. Que não são capazes de ter uma conversa com argumentos que não entrem no campo da ofensa e da ameaça. Por mais que acreditem que ganham uma conversa assim, estão na realidade a mostrar apenas aquilo que são. Gosto muito de futebol e de boas conversas sobre este desporto, mas não contem comigo para momentos destes.

9.2.19

cuidado com o vinho que compras

Estamos na altura das feiras de vinhos e enchidos, época que muitos aproveitam para renovar as garrafeiras lá de casa. É altura em que os clientes são aliciados com promoções tão generosas que parece que nos pagam para levar o vinho para casa.

Mas como nem tudo o que parece é, aconselho que sejam prudentes no momento da escolha. Não comprem por impulso, para não comprarem vinhos mais caros do que seriam antes da promoção.

Num destes dias deparei-me com dois vinhos com promoções superiores a 70%. Fui analisar os vinhos e um deles tinha uma promoção de apenas 10 cêntimos e o outro estava ao preço que custa, mesmo sem a suposta promoção.

Acabei por levar um, um pouco mais caro, mas que estava com uma promoção real de quase 50%. Por isso é que aconselho prudência no momento da escolha. Existem promoções realmente boas, mas por norma não nos são oferecidas como a melhor maravilha do mundo.

3.2.19

falar em cima de vitórias é fácil. ainda assim...

Não faço parte do benfiquistas que odeiam Rui Vitória. Acho apenas, ainda que compreenda, que foi muito teimoso ao querer meter o Benfica a jogar em
4-3-3, aquela que é a sua táctica de eleição.

Rui Vitória apanhou um Benfica oleado para o 4-4-2, numa herança de Jesus. Testou a sua táctica no início da primeira época, correu mal, voltou ao 4-4-2 e teve sucesso em dois anos. Depois, entendeu que deveria vingar com a sua táctica de sempre. E... tudo correu mal.

Por isso, quando saiu, disse aos meus amigos que qualquer treinador que metesse o Benfica a jogar em 4-4-2 seria melhor do que Vitória. E assim tem sido com Bruno Lage. Podia dedicar várias linhas à pouca qualidade dos treinos do Benfica - informação que me chegou através de jogadores - mas acho que a táctica era meio caminho andado para resolver os problemas.

OBenfica está formatado para o 4-4-2. Rende mais assim, cria mais perigo assim, é melhor equipa assim. E um treinador ceder a uma táctica que não é a sua preferida não é sinal de fraqueza, mas de inteligência.

Rui Vitória não quis fazer isso. Bruno Lage percebeu, ainda que goste da táctica, que era o melhor para equipa, meteu os jogadores no sítio e a equipa ficou melhor. Sei que é fácil falar em cima de vitórias, mas isto é simples de ver.

1.2.19

será este homem o próximo batman?

O próximo filme totalmente centrado em Batman irá estrear em 2021 e é certo que Ben Affleck não será o homem morcego. A história será centrada num Bruce Wayne mais novo, o que limita a lista de actores que possam ser escolhidos para o filme. Diz que Richard Madden, o protagonista da série "Bodyguard", é um dos fortes candidatos ao lugar.




Aprovo por dois factores. Em primeiro lugar, e mais importante, é bom actor. Além disso, tem aquilo que considero ser fundamental para dar vida ao super-herói: queixo à Batman.

31.1.19

a nossa escrita é um caso perdido (e tenho de culpar os pais)

Enquanto jornalista passo os dias a lidar com palavras, textos e mais textos. Como tenho de fazer diversas pesquisas acabo por ler os mais diversos sites, dos mais diversos países e também publicações em papel. E, com muita pena minha, o destaque vai para os erros que encontro. Acrescentado também que já dei os meus erros. Mas existem erros e erros.

Pode passar despercebido a quem não trabalha na área, mas é fácil perceber quando um erro é uma simples gralha que resulta da tentativa de publicar (e refiro-me ao online) o texto rapidamente. É algo que acontece, ainda que não seja desculpável. Também existem muitas falhas de pontuação, algo que acaba por não ser o maior dos problemas. Até porque começo a achar que a nossa escrita é um caso perdido.

Não gosto daquela coisa do “no meu tempo”, mas aqui tenho de usar esta muleta. Porque a verdade é que no meu tempo, ou seja, na minha fornada de jornalistas, existia mais qualidade a nível de escrita do que existe agora com os mais jovens. É um facto! Vejo muitos textos de muitas pessoas mais novas e alguns são mesmo assustadores. Erros atrás de erros, falta de vocabulário e grande limitação na construção de um simples texto de meia dúzia de parágrafos. E isto é muito, mas mesmo muito grave. Principalmente para quem quer trabalhar nesta área.

Na procura de um culpado para esta situação, o mais fácil será dizer que a responsabilidade é dos professores. Porque eles, pensam muitos pais, é que têm a obrigação de preparar os jovens para tudo e mais alguma coisa. Este modo de pensar está errado. Que me desculpem os pais, mas a maior parte da responsabilidade está nos pais. Que não estimulam os filhos a trabalhar tudo aquilo que acaba por ser importante para a escrita.

Hoje é “lol”, “kkk”, abreviaturas para tudo e mais alguma coisa e não passa disto. Não se lê (e já nem vou aos livros, fico-me por jornais e sites), não se faz nada que leve a uma estimulação que tenha reflexo na escrita. Os adolescentes lidam com vocabulários bastante limitados e não passam disto. Isto poderá não ser grave para alguns (volto a discordar deste modo de pensar) mas é extremamente negativo para quem quer trabalhar no jornalismo.

A isto junta-se outro problema desta geração. Refiro-me à falta de capacidade (e análise) para perceber que são maus, que têm limitações e que precisam de evoluir. Hoje, um jovem tem desculpa para tudo e mais alguma coisa. Existe sempre uma justificação para um erro, nem que seja porque uma borboleta bateu as asas num país distante. E, de justificação em justificação, os erros vão-se mantendo. Sempre os mesmos. Sempre básicos. Sempre graves.

Muito sinceramente, e mais uma vez com grande pena minha, não prevejo que isto melhore. Imagino este cenário cada vez mais negro. E enquanto passarmos a vida a culpar os professores, nada irá evoluir. Enquanto sonho com uma mudança, continuo a deparar-me com jovens que gozam com os erros alheios sem que percebam que fazem muito, mas mesmo muito pior do que aquilo com que gozam.

30.1.19

as banhas de rita pereira, as minhas banhas, as banhas de todos

Rita Pereira partilhou uma imagem no Instagram onde aparecer a agarrar as gordurinhas que tem um mês depois de ter sido mãe e de já ter voltado ao trabalho. A atriz decidiu chamar “banhas” à gordura e, num registo cada vez mais comum, instalou-se a polémica. Uma confusão tão grande que quase parecia que o mundo dependia das “banhas” de Rita Pereira para manter a sua normalidade.

Este texto não tem por objectivo defender ou atacar Rita Pereira. Pretendo antes falar das banhas da actriz, das minhas banhas e das banhas de todos aqueles que têm redes sociais. Mas já lá vamos! Primeiro dou a conhecer aquilo que senti quando vi a imagem no Instagram. No momento em que me deparei com a foto nas redes sociais, pensei que Rita Pereira ia ser elogiada. E tinha esta opinião por diversos fatores.

As pessoas adoram destruir a imagem de perfeição que associam, de forma errada, às figuras públicas que conhecem apenas da televisão e redes sociais. A esmagadora maioria das adora ver estrias de mulheres famosas, vibram com a celulite alheia e batem palmas em pé quando algo está fora do sítio. É quase aquela coisa do “estou mal, mas aquela também não vai bem”. Parece que nos sentimos melhores pelo facto de os outros, que nada nos dizem, terem “defeitos” (pelo menos aos nossos olhos).

Quanto Rita Pereira assumiu que ainda não está na forma física normal, acreditei que isso seria elogiado por mulheres que lidam diariamente com a exigência de perfeição. E por todas aquelas pessoas que lidam com problemas de imagem associados ao próprio corpo e que são reflexo da tal perfeição que impera no mundo virtual. Por isso, não me choquei com o termo “banhas”. Tinha tanto para analisar que nem liguei à palavra.

Mas parece que, até porque adoramos uma boa confusão, escrever “banhas” é um ataque a pessoas que têm excesso de peso. Se bem que acredito que aqueles que defendem esta opinião ficariam chocados com qualquer termo que a atriz tivesse escolhido. E esta confusão levou a que a atriz ligasse para um programa de televisão para se justificar. E isto considero um erro. Rita Pereira, como qualquer pessoa, tem um modo de pensar que não necessita de esclarecimentos ou pedidos de desculpa televisivos. Quanto muito, e se sentir essa necessidade, justifica-se na sua “casa”, a rede social onde partilhou a opinião.

É neste momento que entram as banhas da Rita, as minhas e a de todas as pessoas que têm redes sociais. E onde está banhas deve ler-se opinião. É certo que as redes sociais têm coisas muito boas, mas conseguem ser assustadoras pelas leituras polémicas que as pessoas fazem de tudo e mais alguma coisa.

É a imagem que tem isto a mais, é a pessoa que tem aquilo a menos. É o que se mostra e que os outros não têm, é um atentado a isto, aquilo e a mais não sei o quê. E vivemos tão centrados nestas “banhas” que nos esquecemos do que aquilo é, de onde está e da real importância que tem para todos nós. E nem perdemos tempo a tentar perceber se aquilo que a pessoa quer dizer é aquilo que nós estamos a perceber, sem qualquer certeza absoluta. Depois, nos breves segundos em que deixamos o smartphone numa mesa, não temos a mesma postura para a vida real, aquela que não é feita de fotos, gostos e comentários.

Somos maltratados no trabalho? Ficamos calados! Fazem-nos mal? Ficamos calados. Não concordamos com diversas coisas que nos fazem? Ficamos calados? Não gostamos de determinados comportamentos dos outros em relação a nós? Ficamos calados. E quando nos fartamos disto, voltamos ao mundo virtual para procurar umas “banhas” onde seja possível descarregar todas aquelas energias negativas (porque não quero chamar-lhes outras coisas) que acumulamos nos nossos problemas reais.

eu trouxe um último jantar pa ti

29.1.19

mulheres, meias e orgasmos (tudo está relacionado)

Existem estudos para tudo e mais alguma coisa e já assumi ser fã dos mesmos. Não escondo que gosto de ler notícias que fazem as mais diversas associações nos mais diferentes temas. Desta vez, e através de um estudo que chega da Holanda, o destaque vai para mulheres, meias e orgasmos. Porque, aparentemente, tudo está relacionado.

Diversos estudos demonstram que os homens têm uma maior facilidade em atingir o orgasmo. Mas, e é aqui que entre este novo trabalho, existe um pequeno truque que aumenta em 60% a probabilidade das mulheres atingirem o clímax. E a solução está nas meias. Ou nos pés aquecidos. Mulheres com pés aquecidos têm uma maior probabilidade de atingir o orgasmo.

A explicação da equipa de investigadores refere o conforto físico e emocional, algo que acontece quando elas têm os pés aquecidos. Isto faz com que exista um relaxamento da amígdala e do córtex pré-frontal, duas zonas do cérebro que estão ligadas à ansiedade. Como a ansiedade é um dos grandes inimigos do orgasmo, tudo está mais facilitado.




Acrescento ainda que o estudo teve por base diversos casais que tiveram relações sexuais sem meias e, numa segunda fase, com meias. Foi então que se verificou o tal aumento de quase 60% nas mulheres que atingiram o orgasmo.

28.1.19

e por falar em netflix...

Aquilo que despoletou o texto anterior foi a partilha de uma mini maratona para acabar de ver a série "Bodyguard". Já tinha ouvido falar muito da série, tinha começado a ver mas depois dediquei-me a "Narcos: México", antes de fazer uma pequena pausa. Depois disto, entreguei-me aos episódios que faltavam de "Bodyguard".

É uma boa série, uma espécie de - com as devidas comparações - "24:" mas sem relógio. Fica a porta aberta para a continuidade, o que fará com que seja ainda mais semelhante à série de Jack Bauer, sendo que caso não seja para continuar, também se aceita.

Independentemente disto tudo, é daquelas séries que recomendo. É curta (6 episódios) mas com episódios um pouco longos. Ainda assim, o movimento faz com que se veja muito bem.

desconhecia esta coisa sexual do netflix and chill

Há muito que sou cliente Netflix, especialmente pela oferta que existe a nível de série, produto que consumo em grandes doses. E sempre olhei para o Netflix and Chill como uma espécie de slogan associado ao serviço de streaming. Sendo que nunca olhei para estas palavras como um simbolismo sexual.

Mas, ao que parece, estou errado. Ontem, tal como já tinha acontecido em diversas ocasiões, partilhei uma história no Instagram onde associava o domingo ao Netflix and Chill. Pouco tempo depois recebo uma mensagem de uma amiga a dizer que dispensava saber quais eram os meus planos sexuais para a tarde de domingo.

Foi então que pesquisei um pouco mais, e até encontrei aquelas que dizem ser as melhores posições sexuais para os adeptos do Netflix and Chill. Entretanto, recebi mais mensagens de amigos que dizem que esta associação sexual sempre existiu. Não sei porquê mas fico com a sensação de que não sou o único inocente a pensar que a frase não tem qualquer maldade ou cariz sexual.



26.1.19

a notícia que não queria ouvir

Durante mais de duas semanas fui acompanhando o caso do menino caído num furo de captação de água. Desde o início que percebi que o desfecho seria este, mas sempre acreditei no milagre que seria a notícia de que Julen estava vivo. Infelizmente, não estava e para trás ficam vários dias com profissionais a lutarem ao máximo e com muitos percalços pelo caminho.

Neste momento só consigo tentar pensar qual será o sentimento daqueles pais. Dois jovens que perdem dois filhos de forma trágica num curto espaço de tempo. Um ataque cardíaco fulminante na praia e uma queda num buraco. Nem sei o que pensar...

25.1.19

vamos lá falar de apostas

Gosto de apostas. É algo que não escondo a ninguém. Tal como não é uma bandeira minha. E escrevo este texto porque faço parte de alguns grupos de apostas, onde as pessoas partilham as suas opiniões, e costumo ler comentários que conseguem ser assustadores. Pessoas que revelam estar dispostas a gastar 10 ou 20 euros e que pedem a alguém que diga um ou dois jogos para apostar. E assim que tiverem uma resposta, lá vão eles a correr para a aposta.

Para quem faz isto, começo por dizer que o melhor é comprar uma raspadinha. De resto, nos grupos dos quais faço parte, não tenho por hábito partilhar os meus palpites. Algo que faço por um motivo muito simples. Quando o fiz e as apostas correram bem, passei a receber pedidos de amizade no Facebook e mensagens de pessoas que me pediam jogos para determinados dias.

Tenho por hábito apostar – em futebol – um euro por dia. Ocasionalmente aposto mais, mas tem de ser naqueles dias em que existem mesmo muitos jogos. E esta é a minha estratégia. E faço um parêntesis para realçar que todos os apostadores DEVEM ter uma estratégia e regras que respeitam ESCRUPULOSAMENTE. Além disso, não aposto ao calhas. Se for para fazer isso, prefiro comprar uma raspadinha.

E perco tempo, não tanto como devia (porque não consigo), a estudar os jogos em que escolho apostar. Classificação e momento das equipas, performance em casa e fora, jogadores ausentes e confrontos directos são alguns dos detalhes que tenho em conta antes de escolher os jogos. Porque existe muito de estudo nas apostas. Sem ignorar o factor sorte pois um cartão vermelho ou uma grande penalidade aos cinco minutos de jogo destroem todos os estudos.

Há pouco falei de estratégia e de regras. Uma delas, que considero fundamental, passa por estabelecer um plafond mensal que se está disposto a gastar e que deve ter em conta o orçamento mensal de cada um. Quando esse valor foi ultrapassado, espera-se pelo próximo mês. Quando se ganha um valor que passa o orçamento, é retirar esse valor e aposta com o resto do lucro.

Isto é meio caminho andado para existir controlo. Depois, depende de cada um. Há quem só aposte em equipas que jogam em casa, outros escolhem equipas com odds que não passem do 1,50 e por aí fora. Aqui já depende de cada um. Por fim, o conselho que quero aqui deixar é o de não pedirem apostas a pessoas que não conheçam de lado nenhum. O dinheiro é vosso e não dessas pessoas. Se estão na dúvida e querem mesmo opinião, estudem a pessoa a quem pedem. Analisem o grupo onde estão inseridos e vejam se é alguém que costuma acertar diversas vezes.

Não se deixem levar por coisas como “esta é certinha” e outras expressões semelhantes. Porque por mais básica que possa parecer, nenhuma aposta está certa. E qualquer apostador pode confirmar isto. Não apostem mais do que podem e sejam ponderados nas escolhas. Retirem a paixão da equação e centrem-se no jogo e nas equipas. Boa sorte!