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16.5.18

o estado a que chegou o sporting

Quem me conhece e/ou acompanha o blogue há algum tempo sabe que sou do Benfica. Nunca escondi este facto no qual tenho muito orgulho. Mas não sou um adepto doente. Em condições "normais" estaria contente com o que está a acontecer ao Sporting. Que se transformou num clube que não precisa de nada nem de ninguém para se destruir. Não são necessários ataques do Benfica nem do Porto. Basta deixar que Bruno de Carvalho lidere à sua maneira, continuando a errar sempre em momentos chave para o clube que diz amar.

Clubismos à parte, quero acreditar que qualquer pessoa que gosta de futebol terá ficado chocada com o que aconteceu ontem em Alcochete. Ontem, não vi Jorge Jesus, treinador do Sporting. Vi um homem de 64 anos ser agredido a murro e cabeçada. Não vi um dos melhores avançados do campeonato, vi um homem de 28 anos a chorar com feridas na cabeça. Não vi um dos melhores jogadores deste campeonato, vi um jovem de 23 anos em pânico, como que a despedir-se dos colegas e mais tarde a ligar à família para fugir de Lisboa.

Isto não é futebol. Isto não honra em nada aqueles que são os campeões da Europa de selecções. Isto não mancha apenas o Sporting, mancha o futebol português e faz corar de vergonha o menino de nove anos que começou a jogar hoje no clube lá da terra e que sonha vir a ser o próximo craque do futebol português. Falando apenas de Sporting, isto pode ser apenas um grande passo na "destruição" do clube.

O Sporting arrisca perder os seus maiores activos a custo zero. Jogadores que podem vir a partir para uma rescisão unilateral (ou com justa causa), deixando o clube sem os milhões que poderia amealhar com as suas vendas. E ninguém pode criticar os jogadores que optem por este caminho. Basta que transponham esta situação para as suas vidas e rotinas. Gostariam de continuar a trabalhar num local onde o patrão está sempre a falar mal de vocês e onde são agredidos de forma bárbara? E é este o perigo de que alguns sportinguistas ainda não se aperceberam.

Fico feliz que os jogadores tenham decidido participar na final da Taça de Portugal, apesar de considerar que a festa já está estragada. E trata-se apenas do jogo mais bonito que o nosso País tem. E quem já foi ao Jamor sabe do que falo. Mas jogarem abre a porta a diversos cenários. Se ganharem e fizerem uma grande exibição, muitas vozes vão defender que valeu a pena a porrada. Se perderem e jogarem mal, muitas vozes vão defender que fizeram de propósito. Porque foi a isto que chegou o futebol português.

Ontem, ia percorrendo o mural do facebook e fiquei espantado com a quantidade de pessoas que acredita que aquilo que aconteceu é obra do Benfica. Que até teriam sido adeptos do Benfica a fazer-se passar por membros da claque do Sporting. Algo que a identificação de dois dos agressores já provou ser falso. Pois, por mais que custe a algumas pessoas, são mesmo adeptos do Sporting. É a minha opinião e vale o que vale. Mas Bruno de Carvalho tem muita culpa nisto tudo. Porque as suas palavras estão sempre carregadas de ódio. São ataques constantes aqueles que deveria proteger acima de tudo.

Quando depois de um escândalo daqueles um presidente diz algo como "foi chato", está tudo dito. Volto a dizer. Tenho pena e vergonha do estado a que chegou o futebol português que mais parece um reality show (dos maus). E não mudava uma vírgula a este texto caso o cenário da guerra de ontem tivesse sido o centro de treinos do Benfica ou do Porto. Pessoas destas não fazem falta ao futebol. Todos nos rimos quando vemos jogos na Turquia ou América do Sul que acabam à pancada. Mas hoje, somos nós a anedota mundial.

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