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31.5.16

team johnny vs team amber

Neste momento existem as pessoas que têm 99,9% de certeza que Johnny Depp agrediu a mulher, atirando um telemóvel contra a cara da actriz. Neste momento existem também as pessoas que têm 99,9% de certeza que Amber Heard está a querer tirar proveito financeiro do divórcio. E que ninguém ouse dizer ao primeiro grupo que o actor não bateu na mulher tal como ninguém ouse dizer ao segundo grupo que a agressão poderá ser real. A ponderação não faz parte de nenhuma das equipas. Anda abandonada por aí. É como aquele menino que ninguém quer na sua equipa e que só joga quando é dono da bola.

vamos matar o josé cid

Aquilo que José Cid disse sobre as pessoas de Trás-os-Montes foi feio. Acho que ninguém coloca isso em causa. O próprio assume que errou e pediu desculpa aos visados. Costuma dizer-se que quem não sente não é filho de boa gente. E isto explica a reacção de diversas pessoas, em especial aquelas que têm uma ligação mais próxima a Trás-os-Montes.

De resto, é José Cid a ser José Cid. Só quem nunca leu uma entrevista deste artista é que ficará espantado com as suas palavras. José Cid diz o que pensa e verbaliza muitas ideias sem pensar no que vai dizer. Posso recordar uma entrevista que lhe fiz e em que disse que um determinado cantor português (não interessa o nome) era um cagalhão perfumado com marketing. E isto é José Cid.

Haverá quem goste. Tal como há quem goste das piadas de certos humoristas. E haverá quem não goste. E haverá ainda quem fique indiferente a casos destes. E esta é apenas mais uma guerra motivada por algo que acaba exposto numa rede social. A diferença é que neste caso foram necessários seis anos para que a polémica visse a luz do dia. E esta polémica não me surpreende. Acho perfeitamente normal porque as palavras suscitam polémica. Tal como acontece com tantos outros temas.

Aquilo que (ainda) me surpreende é a polémica passar a ameaça de morte em segundos. Ameaçar José Cid de morte por causa de um momento infeliz é um exagero descabido. Ameaçar alguém de morte por causa de algo semelhante é absurdo. Mas não posso esquecer que estamos na era das redes sociais e em tempos destes todas as pessoas soltam o Chuck Norris que há em si no momento de deixar um comentário numa qualquer rede social.

Não gosto de separar os temas por categorias de importância. Isto no sentido em que não defendo que os temas menores merecem menos atenção ou entrega por parte de cada um. E esta entrega depende sempre de cada pessoa e das suas prioridades. Mas confesso que gostava que as pessoas dessem tanta importância a notícias que mexem com os portugueses como dão a casos destes. Não desejo que esqueçam casos polémicos como este mas gostava que não esquecessem outros problemas e que revelassem a mesma entrega.

este será o novo james bond

Parece que já é oficial. Daniel Craig deixou de ser, de vez, Bond, James Bond. Em tempos li uma entrevista do actor – que terá recusado um contrato chorudo para fazer mais dois filmes – em que defendia que já não tinha nada de novo para dar ao personagem. Concordo. Acho que já não existem novidades porque já lhe aconteceu tudo na pele do agente secreto mais famoso do mundo.

Considero também que os últimos filmes da saga estão longe de ser os melhores. E a culpa disso não é de Daniel Craig que protagoniza aquele que para mim é o melhor filme de todos. Refiro-me a Casino Royale, o seu primeiro. Como referi, concordo com Craig quando diz nada mais ter para dar ao agente secreto. Mas acho também que estava na altura de Sam Mendes dar o seu lugar a alguém. Os seus filmes são muito semelhantes e acho que James Bond precisa de sangue novo para o agente e para quem ajuda a dar-lhe vida.

James Bond necessita de um filme ao estilo de Casino Royale. E digo isto a todos os níveis. Quantidade e qualidade na acção. Sedução e histórias de amor. Momentos de dúvida do agente. Precisa de tudo isto e muito mais. Neste momento está no auge o debate em torno daquele que será o próximo agente secreto mais famoso do mundo. Ao que parece já existe uma petição para que este senhor seja o eleito. E se dependesse de mim era já contratado.


somos uma cambada de gordos

Ao longo dos últimos tempo a gordura tem sido debatida somente na perspectiva estética. Transformou-se o excesso de peso num tema exclusivo da beleza. Ou seja, ser gordo é bonito ou feio? É só isto que se discute. Aquilo que importa discutir é a saúde. Mas isso não interessa a ninguém. Transforma-se qualquer debate sobre o excesso de peso num ataque a quem tem excesso de peso.

Pela primeira vez realizou-se um inquérito nacional de saúde com exame físico. Esta iniciativa decorreu no ano passado e os números são assustadores pois cerca de dois terços das pessoas pesadas e medidas têm excesso de peso. E 28,7% das pessoas são mesmo obesas. Estes números correspondem ao dobro dos números de 2004 e também de 2008.

Existem diversas leituras. Uma delas tem a ver com a crise e com o baixo preço de alimentos com muitas calorias. Outra leitura é a de que os números antigos não eram “reais” no sentido pela amostra e por não existir o exame físico. Isto porque as pessoas acham sempre que são mais magras e mais altas e acabam por reportar dados que não são reais. A verdade é que estes números são preocupantes. E não se trata de nenhuma situação estética. O que está em causa é a saúde. Por exemplo, no caso dos homens é bastante perigosa a gordura existente no perímetro abdominal.

Existem dados que dão que pensar porque muitas pessoas (sobretudo com menor conhecimento) desconhecem o tipo de alimentação que devem fazer e que devem consumir fruta e vegetais com frequência. E isto é algo que não tem de ser ensinado apenas aos mais novos mas também a muitos adultos que acham que sabem tudo.

É também necessário analisar o sedentarismo. E é igualmente importante que cada pessoa tenha noção daquilo que faz errado e que facilmente pode corrigir para ter uma melhor qualidade de vida. Enquanto se continuar a discutir o poder da imagem e o suposto culto do corpo xpto irá continuar-se a ignorar que o que está em causa não é algo estético. Esta questão tem a ver com saúde. É isso que está em causa.

a loja mais sensual de lisboa

Recebo um convite no email para ir à loja mais sensual de Lisboa. O desafio é personalizar um Magnum, algo que vai passar a ser possível na Magnum Lisboa, que vai abrir no Chiado, no dia 2 de Junho. Como se isto não bastasse ainda sou aliciado com uma imagem da “horrorosa” Kendall Jenner. Isto não se faz a ninguém. Vou ficar a babar o dia inteiro.


30.5.16

percebes que estás a ficar velho quando...

… percebes que ser submisso é visto como algo quase normal na vida diária de qualquer pessoa. Quando a submissão é apontada quase como um exemplo que todos devem seguir. Devo mesmo estar a ficar velho pois associava, sobretudo, a submissão a uma fantasia sexual. A ter em conta este novo conceito de “ser submisso” é capaz de já não existir uma única pessoa que escolha a submissão como fantasia sexual. Estou velho!

o castigo mais estúpido que pais podem dar a um filho

(Conversa ficcionada)

Pai - “O nosso filho é um menino mal comportado. Estou farto dos comportamentos dele.”

Mãe - “Tens razão! Também estou pelos cabelos. Mas o que fazemos?”

Pai - “Vamos castigá-lo!”

Mãe - “Boa ideia. Mas o que fazemos?”

Pai - “Fica fechado no quarto.”

Mãe - “Isso já não pega.”

Pai - “Não vê televisão.”

Mãe - “Isso não faz nada!”

Pai - “Já sei!”

Mãe - “Que fazemos?”

Pai - “Vamos abandonar o puto numa floresta.”

Mãe - “Gosto disso!”

Pais e filho, com sete anos lá foram para a floresta.

Mãe - “E agora?”

Pai - “Agora vamos embora para ele chorar um pouco.”

Mãe - "Basta afastar alguns passos?”

Pai - “Isso é pouco. É melhor 500 metros.”

Mãe - “Bem pensado!”

Pais afastam-se. Depois voltam ao local. E ficam espantados porque o filho não está lá.

Como referi o diálogo é inventado. A história não. Um casal decidiu castigar o filho e para isso a criança foi abandonada numa floresta no nordeste do Japão, com os pais a afastarem-se 500 metros. A criança em questão esteve desaparecida durante dois dias numa região que é conhecida por ter ursos selvagens. A polícia procurou a criança e os pais mentiram, dizendo que o menino se tinha perdido enquanto andavam à procura de vegetais. Mais tarde confessaram o que tinham feito com o pai a assumir que não teve coragem de contar a verdade enquanto decorriam as buscas.

Gente desta deveria ficar imediatamente impossibilitada de ter uma criança ao seu cuidado. E deveriam ser também castigadas. E o castigo até podia ser o mesmo que foi aplicado ao filho. Estas duas pessoas podiam ser abandonadas num local com ursos selvagens. Assim, aproveitavam e procuravam vegetais.

o que vais fazer?

duas que estavam por dar. uma boa e outra má

Tinha duas que estavam por dar. Quem é como quem diz, duas sessões de cinema que estavam prometidas há muito e que tinham ficado em falta. Um dos filmes era Batman vs Super-Homem: O Despertar da Justiça. O outro era Deadpool. Gostei muito de um e fiquei muito desiludido com o outro.

Sou mais fã do universo Batman do que da equipa Super-Homem. Estava curioso para ver o desempenho de Ben Affleck num papel brilhantemente desempenhado por Christian Bale nos últimos filmes. E a verdade é que achei o filme muito mau. Muitas coisas misturadas que resultam num filme que ficou a uma grande distância de me agradar.

Acho também que é um filme muito mau para Ben Affleck fazer a sua estreia enquanto Batman. Foi para Ben tal como seria para qualquer actor que fizesse a sua estreia num papel tão emblemático. Para estreia não deveria distribuir protagonismo com alguém que já está adaptado ao papel, como é o caso de Henry Cavill. Misturando isto tudo, fiquei desiludido com o que vi.

Depois vejo Deadpool e foi uma lufada de ar fresco no mundo dos super-heróis. E coloco Ryan Reynolds no patamar de Chris Pratt enquanto actores habilitados a dar vida a super-heróis pouco convencionais. O humor do filme está genial. A acção é também muita. Só de pensar em algumas piadas começo já a rir sozinho para o computador. E se fiquei desiludido com Batman fico muito feliz por saber que para o ano existe um novo Deadpool.

27.5.16

sou do tempo em que as profissões eram chamadas pelos seus nomes

Sou do tempo em que as profissões eram chamadas pelos seus nomes verdadeiros. Ou seja, um vendedor era um vendedor. Um varredor era um varredor. E por aí fora seguindo um longo caminho onde cabem todas as profissões possíveis e imagináveis. E, por exemplo, quando uma empresa queria contratar um vendedor colocava um anúncio a pedir isso mesmo... um vendedor. Não existiam grandes máscaras nem maquilhagens que transformavam uma profissão naquilo que não é. As coisas eram simples e directas.

Em poucos anos tudo mudou. Hoje, um vendedor é um assessor de marketing e comunicação. Pelo menos no anúncio de emprego. Porque na realidade é um vendedor. Quando me deparo com anúncios de emprego sinto que não me enquadro em nenhum. Ou em muitos poucos. Basta ler o cargo desejado para imaginar que estão a pedir uma licenciatura em Oxford, uma pós-graduação em Princeton e um mestrado em Harvard. E fico também com a ideia de que a falta de uma destes três coisas é factor eliminatório para os candidatos.

Mesmo assim dou-me ao trabalho de ler alguns anúncios. E começo a perceber que para alguns do cargos com nomes pomposos são pedidas pessoas que praticamente precisam apenas de saber falar. Pouco mais do que isto basta para que se possa vir a ser o assessor de marketing e comunicação que uma qualquer empresa necessita. E fico sem perceber o objectivo de dar nomes pomposos a funções tão simples e dignas que existem há muito. O objectivo será atrair mais pessoas? Pessoas com outras qualificações que possivelmente não estariam interessadas num anúncio mais simples? Não sei. O que sei é que em determinado momento vão ter de dizer ao candidato que a sua função será a de vendedor.

E quando começo a ver anúncios percebo também que ainda sou do tempo em que os trabalhadores eram pagos consoantes a experiência e formação académica. Não eram pagos à tabela ao estilo de 700 euros por mês para qualquer cargo de qualquer área sempre acompanhado da muleta "o mercado está complicado mas estamos a apostar em ti". Mas isto é tema para outro texto. Quem o diz é um especialista em comunicação direccionada para as redes digitais, ou, trocando isto por miúdos, o autor de um blogue.

uma no cravo, outra na ferradura

"Uma no cravo, outra na ferradura" é uma expressão popular que normalmente se associa a alguém que faz algo bem e que imediatamente a seguir faz algo errado que parece apagar o bem que foi feito. Recorro-me desta expressão para dar a conhecer duas histórias que não tendo a mesma pessoa como protagonista conseguem ser um exemplo do bem e do mal que vai acontecendo por esse mundo fora. Acções que tanto nos emocionam pela positiva como chocam pela negativa. E como gosto de finais felizes vou começar pela pior história.

Jacob é um pequeno menino norte-americano que passou parte da noite na companhia da irmã mais velha e do babysitter contratado pelos seus pais. Quando os pais chegaram a casa encontraram Jacob sozinho a chorar no chão do quarto enquanto o babysitter dormia no sofá com a irmã mais velha do menino. O homem disse não ter reparado em nada de anormal. Os pais acreditaram tratar-se de um caso de negligência até que no dia seguinte, a mãe, Alicia Quinney, viu o filho neste estado.


A mãe noto que o filho tinha a marca de uma mão no rosto, algo que indica que terá sido esbofeteado. Como seria de esperar os pais de Jacob apresentaram queixa. Mas, e se a história começa por chocar consegue tornar-se absurda, não haverá qualquer acusação porque Jacob não sabe falar e assim não pode contar aquilo que aconteceu.

Do mal salto para o bem. E dos Estados Unidos da América viajo para a Argentina. Foi neste país sul-americano que se disputou o último jogo de Diego Milito, um jogador de grande qualidade e bastante apreciado pelos argentinos. É um daqueles jogos que ninguém quer perder. Especialmente os mais pequenos. Como foi o caso de Santiago Fretes, uma criança de dez anos que não tem uma perna. Acompanhado por um amigo, Santiago Fretes emprestou uma muleta ao amigo para que este também conseguisse ver o jogo pois o muro era muito alto. "Estava a ver o Milito e o meu amigo saltava porque não conseguia ver, não chegava. Então emprestei-lhe uma para ele subir", explicou Santiago depois de o momento ter sido fotografado e de se ter tornado viral.

26.5.16

será que adivinhas o que aconteceu a esta mulher?


a) Foi assediada por um homem no ginásio e os responsáveis disseram que nada podiam fazer porque era normal e aceitável isso acontecer;
b) Foi expulsa de um ginásio por ter as mamas grandes e usar roupa inapropriada (que na realidade é igual à das restantes mulheres que frequentam o espaço);
c) Andava a assediar homens e mulheres no ginásio e foi expulsa porque não assediou um dos responsáveis.

(Uma das hipóteses é uma história verídica)

25.5.16

ficar em forma a fazer sexo

Primeiro ponto. Quando pensamos que já vimos tudo surge sempre algo novo. Segundo ponto. Quase todas as pessoas querem ficar em forma sem ter de ir ao ginásio ou sem ter de sair de casa para praticar desporto. Da junção destas realidades nasce o Bang Fit, uma criação do Pornhub, o famoso site de entretenimento para adultos. Mas o que é isto do Bang Fit?

Trata-se de um peculiar programa de treino muscular. E foi criado a pensar em todas as pessoas que odeiam ginásios e corridas ao ar livre, apenas para dar dois exemplos. Por outro lado são pessoas que adoram sexo. E este treino promete tonificar, aumentar a massa muscular e a força enquanto se faz algo tão simples como sexo.

Basta ir a este site e é por lá que estão as sequências de exercícios disponíveis para uma, duas ou três pessoas. Depois basta apenas um computador e um smartphone com ligação à internet. E como é que isto funciona? Trata-se de um programa de treino que tem por base o sexo sendo que os utilizadores são desafiados a imitar aquilo que os avatares estão a fazer. Tal como num jogo, ou num qualquer programa de treino, existem diferentes níveis. Neste caso específico existem posições bastante básicas como outras dignas de ginastas de alta competição.

O smartphone deverá estar fixado nas ancas dos participantes de modo a calcular diferentes dados estatísticos como calorias gastas, número de repetições efectuadas e mesmo as pontuações. Isto poderá soar a disparatado mas acho que pode apimentar a vida sexual de um casal. Partilho um vídeo que explica como funciona e sugiro que prestem atenção às primeiras frases que são muito acertadas.



a sensação de ter 35 anos

Despedi-me dos 33 e entrei nos 34 com uma operação ao tendão de Aquiles da perna direita. Uma novidade para mim. Agora entro nos 35 com uma gripe e com o carro "doente" a necessitar de mimos do médico, leia-se mecânico. Por isso, e para já, os 35 sabem a frio, calor, arrepios, dores no corpo e uma preocupação com o carro. Como bom português penso que podia ser pior e que agora será sempre a subir.

os alunos do ensino privado são todos burros e ricos

Nos últimos tempos multiplica-se a ideia de que os alunos do ensino privado são todos burros (se fossem inteligentes estavam numa escola pública). Como se não bastasse a falta de inteligência, são também ricos (se fossem de famílias humildes estavam no ensino público). Resumindo, estas são as duas principais ideias que estão a ser avançadas por muitas pessoas devido à polémica instalada em relação ao ensino privado.

Não pretendo discutir apoios. Pretendo antes revelar um pouco de alguma realidade que também existe no ensino privado e que muitas pessoas preferem ignorar. E dou o meu caso. Estudei, em diversos momentos mas numa fase já mais adulta, no ensino privado. Inicialmente paguei tudo do meu bolso. Ou seja, não passava a vida a "coçar a micose" na faculdade nem passava a vida em festas. Trabalhava para pagar os estudos. Na faculdade contei também com o importante apoio dos meus pais. Que infelizmente não são ricos.

Trabalhar e estudar no ensino privado obrigou-me a ter aulas, ao longo do curso, de manhã, de tarde e também de noite. Nunca estive na mesma turma por causa dos meus empregos. Também não fui o melhor aluno que podia ser porque o tempo para estudar não era muito. Mesmo assim é com orgulho que posso dizer que fui a exame apenas duas vezes. Não sou exemplo para nada. Não sou melhor do que ninguém. Nem considero estar melhor formado do que os alunos de universidades públicas. Aquilo que sei é que me saiu do pelo (e dos meus pais) estudar no ensino privado.

E porque não fui para o público? Porque quis tentar um curso mas já não fui a tempo das provas físicas. A opção era ficar parado um ano ou entrar noutro curso. Assim fiz, e acabei em jornalismo. E sei de histórias de colegas meus que passaram por algo semelhante. Se existia quem tivesse apoio? Claro que existia. Mas isto não chega para dizer que as pessoas são todas burras e ricas. Porque não são. Um dos nossos grandes males é julgar o todo com base numa (mais ou menos) pequena parte.

gordas não cabem na política de saúde e fitness


Esta imagem da modelo Tess Holliday levou-me a descobrir que a rede social Facebook tem uma "política de saúde e de fitness". Fiquei a saber que esta imagem, que fazia parte de uma campanha para promover a diversidade e o bem-estar da mulher em relação ao seu corpo, viola a tal política, tendo sido banida da rede social por mostrar partes do corpo de maneira indesejável.

Explica a empresa de Mark Zuckerberg que "estes anúncios não são permitidos porque fazem com que os utilizadores se sintam mal consigo próprios. Por isso, recomendamos o uso de uma imagem de uma actividade como correr ou andar de bicicleta", dizem. Após uma reclamação da organização feminista, que tinha criado a campanha da qual esta imagem faz parte, o Facebook acabou por assumir a existência de um erro tendo ainda efectuado um pedido de desculpas. Acrescentam ainda que é comum existir uma imagem que seja proibida de forma incorrecta tal é o número de imagens que são analisadas diariamente.

Esta política é realmente fantástica, sendo que fica por explicar quais as pessoas que são abrangidas pela mesma. E ficam algumas questões no ar: será que os gordos só podem publicar imagens se estiverem a correr ou a andar de bicicleta? Outro argumento interessante é o de que as pessoas se sentem mal consigo próprias ao ver imagens destas. Posso estar errado mas acho que é o oposto. Acredito que mais facilmente as pessoas se sintam mal com imagens de pessoas (homens ou mulheres) com corpos considerados perfeitos. Acho muito mais fácil que isso aconteça com essas pessoas e não com imagens como a de Tess. Acredito que fotografias destas conseguem fazer com que as pessoas se sintam bem com o corpo que têm e que aos olhos da sociedade é imperfeito.

Por outro lado, defendo que se deve promover a saúde e não a imagem física das pessoas. As pessoas devem ser alertadas para os perigos do excesso de peso e para o risco que isso implica na saúde de cada pessoa. Este deve ser o tema a debater em vez de existirem guerras entre gordos e magros porque a estética é irrelevante. Aquilo que interessa mesmo é a saúde. É certo que se pode (e deve) debater a temática que diz respeito a que as pessoas se sintam bem com o corpo que têm mas sempre associada à saúde. E por vezes parece que a saúde é irrelevante e o que importa é a beleza.

E não é a banir fotos de pessoas consideradas gordas que dá um passo neste sentido. Banir imagens que são consideradas pouco saudáveis por alguém que criou uma política de saúde e fitness é varrer o problema para debaixo do tapete. É fingir que não existem pessoas com excesso de peso. É fingir que não existem pessoas com excesso de peso que se sentem mal com a censura constante. É também fingir que não é importante que as pessoas se sintam bem da forma como são. E é também ignorar que existem pessoas com excesso de peso que são realmente felizes e que se sentem bem como são.

deixem em paz quem quer ter filhos e quem já os tem

Ontem recebi um telefonema de um amigo de infância. É daqueles com quem já não estou com a frequência que era costume porque seguimos caminhos diferentes. Mas não é isto que altera o conceito de amizade que nos une. Estivemos alguns minutos à conversa, deu-me os parabéns e colocámos a conversa em vida. A determinado momento brinquei com ele, perguntando-lhe se sabe ser pai pois já tem um menino.

Abordámos o tema até que me fez aquela pergunta que é um clássico e que é comum nestas conversas. "Então e tu? Para quando um filho?", perguntou-me. Estivemos a falar sobre o assunto e depois diz-me: "as pessoas são muito chatas não são?", em alusão às pessoas que estão constantemente a perguntar a alguém sobre a chegada de um filho. E a verdade é que as pessoas conseguem ser muito chatas. E não percebem que existem diversos factores para que um casal não tenha filhos. E são coisas tão distintas como não querer, não conseguir ou não ser uma prioridade. E estes são apenas três dos muitos exemplos que podiam ser dados.

A conversa prosseguiu e o meu amigo acrescentou outro detalhe interessante. "As pessoas são sempre chatas, não mudam. Se não tens filhos perguntam quando tens. Se tens um menino perguntam pela menina. Se tens uma menina perguntam pelo menino. São sempre chatas e nunca se calam", disse. E não preciso de ter filhos para confirmar a veracidade deste desabafo do meu amigo.

Não sei se as pessoas recorrem ao tema dos bebés porque não têm mais nada para dizer. Não sei se o fazem porque entendem que têm de o fazer. Também não sei se acreditam que os pais ou aspirantes a pais gostam de debater este tema. Aquilo que sei, ou pelo menos em que acredito, é que a esmagadora maioria dos pais e aspirantes a pais dispensam esta conversa e estas perguntas. Mais, acho que ficam fartos e que se aborrecem com a insistência de algumas pessoas. Por isso, deixem os pais (e todos aqueles que desejam ter filhos) em paz!

24.5.16

não envelheço, ganho experiência

Com o aproximar do aniversário comecei a brincar com a minha mulher, dizendo que estava a ficar velho. Brincava também com o já considerável número de cabelos brancos que tenho. E tudo isto servia para fazer algumas piadas. Mas a verdade é que não passa disso mesmo, de uma piada. Porque não tenho qualquer problema com o passar dos anos. E não olho para a chegada dos 35 como se de um drama se tratasse.

Muitas pessoas costumam dizer algo do género: "gostava de voltar a ter vinte anos mas a saber o que sei hoje". Não vou mentir e dizer que nunca disse isto. Mas, bem vistas as coisas, nunca fez sentido que o dissesse. É certo que seria bom recuar no tempo de modo a evitar algumas coisas, alguns erros que acabaram por se revelar uma lição de vida que impede que os erros voltem a acontecer no futuro. Mas nada mais do que isto.

É com a maior sinceridade que digo sentir-me melhor agora, com 35 anos, do que quando tinha vinte anos. Tal como me sinto muito melhor do que quando tinha 32 anos. E sinto-me melhor em todos os aspectos. No que menos importa, o físico, sinto-me muito melhor e gosto mais de mim fisicamente agora do que quando era mais novo. E naquilo que mais importa também me sinto melhor. E o que mais importa é o homem que sou. E sinto-me melhor homem agora do que quando era mais novo. E isto é algo que só a idade pode oferecer.

Por tudo isto não tenho receio do avançar dos anos. Sinto-me bem e adapto-me a qualquer idade. E acho que este é o grande segredo para que as pessoas sejam a sua melhor versão, independentemente da idade. A única coisa que me incomoda é que este avançar da idade não é algo só meu. Este avançar dos anos significa que as pessoas que me rodeiam também passam a ter mais anos. E é só isto que me incomoda. De resto, gosto da ideia de não envelhecer, prefiro dizer que ganho experiência.

diz que hoje é o meu dia


Diz que é aos 35 que se passa a veterano, certo? Como diz uma frase que encontrei, tenho 18 anos. Os outros são de experiência.

23.5.16

as coisas que não devemos aceitar no nosso parceiro (mas isto ainda é novidade?!?)

A notícia é do site norte-americano Huffington Post e diz respeito a relações amorosas. Esta publicação consultou um grupo de especialistas matrimoniais de modo a elaborar uma lista com tudo aquilo que ninguém deve aceitar numa relação. É uma espécie de sete pecados mortais das relações. A saber:

1 - Uma pessoa que não dá tudo pela relação;
2 - Uma pessoa que não admite estar errada;
3 - Uma pessoa que não cresce com a outra;
4 - Uma pessoa que é demasiado dependente da outra;
5 - Uma pessoa que não partilha o sentido de humor;
6 - Uma pessoa que não é amiga;
7 - Uma pessoa que não nos admira.

Se esta lista me surpreende? Não! Se fico surpreendido que seja notícia? Mais ou menos... Se acho estranho que não seja do conhecimento geral? Muito! O site aborda as relações sólidas. E não concebo uma entre duas pessoas que não dão tudo pela relação. Nem é preciso ler mais pontos. Basta ficar logo por esse. Quando a este ponto se somam o terceiro e o sexto está tudo dito. É o cocktail ideal para tudo correr mal.

O que mais me assusta no meio de tudo isto é o aparente número de pessoas que se contentam com pouco. Que se ficam pelo mínimo e ficam presas a uma vida e a uma história de amor que é tudo menos isso. Ou que é isso mas de forma bastante suave e ligeira. E isto pode originar diversas questões. Será que pensam que aquilo que vivem é o expoente máximo do amor? Será que consideram normal que a outra pessoa cometa aqueles três erros que destaquei? Será que vivem obcecados em relação a alguém que não estão dispostos a mudar? E passava horas a levantar hipóteses.

amamentar em público: sim ou não?

Creio que não é um assunto novo aqui no blogue. E será um assunto que está longe de ser consensual. Tal como está deveras afastado da total ausência de polémica. Uma fotografia de uma mãe a amamentar em público é o suficiente para dar vida e voz a duas "claques". De um lado estão as pessoas que apoiam a mãe. Do outro estão aquelas pessoas que não aceitam que uma mulher amamente um filho em público como se estivesse no conforto e intimidade do seu lar.


Esta mãe é alemã e dá pelo nome de Naomi Jael. "Quando se está num casamento, a usar um vestido chique e de saltos altos, e o filho tem fome, bem... está-se nas tintas e alimenta-se o miúdo", escreveu Naomi na fotografia que partilhou no instagram e onde aparece a amamentar o filho. Em pouco tempo os gostos eram superiores aos 11 mil. E os elogios batiam-se com as críticas. O que levou a mãe a escrever algo mais. "A quem ficou furioso com isto: também alimentei o meu filho durante a cerimónia na igreja, DENTRO da igreja. Aqui na Alemanha as pessoas não ficam chateadas com isto. É NORMAL. Não tem nada de ofensivo ou mau. É para isto que tenho peito. Deus deu-me mamas para alimentar os meus filhos", acrescenta.

Nada tenho conta mães que amamentam em público. Acho é que existem coisas que dispensam uma bandeira ou luzes neon que piscam de modo a tornar alguém no centro das atenções. Amamentar em público poderá ser uma necessidade. Mas que viverá sempre bem com a discrição. Uma mãe que amamenta em público não precisa de "estar aos gritos" e a dizer algo como "olhem para as minhas mamas enquanto alimento o meu filho".

À discrição (ou falta dela) podem juntar-se outro ingredientes como questões culturais. Haverá que ache que esta foto não tem nada de errado tal como haverá quem ache que esta mulher deveria ser queimada numa fogueira por ousar expor tanto o corpo. E algures pelo meio disto tudo existe um equilíbrio que deveria ser do agrado de todos. Mas este é um daqueles temas que nunca será consensual. Como referi, não me espanta que esta mãe tenha amamentado o filho (e não vejo nada de errado nisso). Tal como não me incomoda nenhuma mãe que o faça em público. A única coisa que dispenso é que a amamentação em público seja transformada num show que tem por objectivo fazer de uma mãe o centro das atenções.

Neste caso específico, a única coisa que acho um pouco exagerada é a explicação "É para isto que tenho peito. Deus deu-me mamas para alimentar os meus filhos". Acho que é uma resposta ao estilo das críticas que são feitas e não é um argumento que sirva para vencer qualquer argumentação. Se assim fosse, poderiam ser usadas desculpas semelhantes para pessoas que urinam em público em frente a outras ou para pessoas que decidem ter relações sexuais em espaços públicos.

as más opções de fernando santos

Ontem muito se falou de André Silva, jovem avançado do Porto que fez um jogo brilhante. Muitas vozes reclamam que o jovem deveria fazer parte dos eleitos de Fernando Santos e que deveria ter sido convocado para o Europeu que vai decorrer em França. E isto levanta uma questão: quem é que o seleccionador deve convocar: os jogadores em melhor forma ou aqueles que fazem parte do seu grupo? E as respostas são as mais divergentes.

Já o tinha dito em relação a Paulo Bento e volto a dizer o mesmo em relação a Fernando Santos. Não critico que escolham aqueles em quem confiam. Aquilo que faço é julgar as apostas com base nos resultados obtidos. Se Fernando Santos tivesse escolhido os jogadores pelo momento de forma teria de ter convocado Ricardo Pereira que está no Nice e que foi considerado um dos melhores da Europa na sua posição. Teria também de ter convocado André Silva, Pizzi, André Almeida e, sobretudo, Hugo Vieira. E estes são apenas alguns exemplos de atletas num bom momento de forma.

Mas destes apenas Pizzi e André Almeida costumam ser convocados por Santos. André Silva ainda é jovem e Hugo Vieira misteriosamente não é convocado. Isto para dizer que optar por jogadores em melhor momento de forma não implica que se forme uma boa equipa. Pelo facto de que não estão habituados a jogar juntos. Neste caso sou defensor de que devem ser convocados assim que começam a destacar-se de modo a que seja feita a integração na selecção. Convocar os do "costume" reforça a equipa em si mesmo que o momento de forma não seja o melhor. Esta é a minha opinião.

Por outro lado considero que um seleccionador inteligente tira proveito da forma como determinados jogadores jogam nas suas equipas. Por exemplo, em 2004, Scolari tirou proveito do excelente trabalho que era feito no Porto. Transportou a "equipa" para a selecção nacional. Outro exemplo disto é a melhor Espanha que era o Barcelona ou mesmo a Alemanha que era o Bayern. Um seleccionador inteligente aproveita o trabalho de meses (ou anos) que é feito por um treinador num clube. E transporta isso para a selecção fazendo com que essas rotinas sejam uma mais valia.

Na minha opinião, Portugal tinha isto com Scolari. Mas não teve com mais seleccionador nenhum. E a minha grande crítica vai no sentido da forma como determinados jogadores são integrados na selecção. Dou um exemplo: José Fonte, que considero o melhor defesa central que Portugal tem neste momento mas que dificilmente jogará. Há muito que deveria ser titular de modo a preparar o Europeu. E isto pode ser aplicado a outros jogadores. Olho para as escolhas de Fernando Santos como uma aposta segura e sem riscos. E já falta pouco tempo para perceber se a opção foi a mais correcta.

de espanha, nem bom vento, nem bom casamento

Diz a sabedoria popular que "de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento". Este provérbio serve para explicar que os ventos de leste são mais secos e rigorosos do que os ventos oceânicos. Por outro lado, é uma alusão histórica aos casamentos mal sucedidos entre as coroas de Portugal e de Espanha. Com o passar dos anos muitas pessoas socorrem-se deste provérbio para dizer que nada de bom chega de Espanha. A verdade é que nem sempre é assim. Mas preciso de recuar um pouco para explicar tudo.

Quando chegámos ao Monte Gois, na sexta-feira, perguntámos onde seria possível jantar. "Almodôvar", foi a resposta. E a primeira sugestão foi a cervejaria D. Dinis. Como era dia de feira em Almodôvar e como também havia futebol liguei para reservar mesa. O senhor que atendeu tinha uma pronúncia estranha e lá fomos nós. Quando encontrámos o restaurante ficámos meio na dúvida sendo certo que o restaurante não teria sido recomendado caso não fosse bom. E a dúvida está relacionada com o impacto visual de um espaço que é "paredes" meias com um bar e que parece ser muito antigo.

Entrámos e fomos recebidos pelo dono, António Garcia. E as dúvidas do sotaque ficaram dissipadas. Percebem-se imediatamente as raízes espanholas do proprietário. Numa das paredes destacam-se fotografias com algumas celebridades e não só. Noutra vinhos. E o grande destaque vai mesmo para todas as mesas que estão reservadas (o espaço não é muito grande) e para as pessoas que acabam por não conseguir mesa para jantar.

Voltando ao provérbio, quem o diz com frequência não conhece António Garcia, uma das pessoas mais simpáticas que conheci nos últimos tempos e uma raridade na sua área. Sempre sorridente e com detalhes que fazem a diferença como colocar vinhos nos copos e dizer "saúde". A simpatia de António (tal como do seu filho) ganha ainda mais valor quando se prova a comida da casa. Os bifes são divinais, tal como as migas e as costeletas de borrego. Já para não falar das entradas. E o preço dos pratos oscila entre os dez e os treze euros.

Assumo que o impacto visual não foi o melhor mas também confesso que fiquei rendido ao espaço assim que entrei e também à comida. Tanto que reservámos mesa para o dia seguinte. E sempre que passar por Almodôvar irei passar pelo restaurante do senhor António. Por isso, de Espanha, boas pessoas e boa comida.

ir para fora cá dentro

Há muito que sabia que a minha mulher tinha reservado um fim-de-semana para nós os dois. Inicialmente o destino era surpresa e só recentemente é que fiquei a saber que o destino seria o Monte Gois Country House & Spa. Por outras palavras, um peculiar monte alentejano situado na Serra do Mu, localizada a poucos quilómetros de Almodôvar.

Quando a minha mulher me mostrou imagens do destino fiquei logo conquistado. Acredito que qualquer pessoa que olhe para as imagens deste local fique imediatamente com vontade de conhecer o espaço. Mas chegar ao Monte Gois é superior (e muito mais intenso) do que qualquer reacção motivada por uma imagem, por melhor que seja. O primeiro impacto está relacionado com a magia do local. Depois destaca-se a simpatia das pessoas, sempre sorridentes e prontas para o que for necessário. Não nos cruzámos com a Cátia mas apenas com o Ricardo (casal que é dono do espaço) e posso confirmar a simpatia de que tanto gozam e que vai passando de boca em boca.

Visitar o espaço envolvente, com duas piscinas, e já na companhia dos cães da casa, faz com que deixem de existir dúvidas (caso ainda existam) de que é o local indicado para um fim-de-semana romântico ou mesmo para uma estadia em família pois as crianças conseguem gostar tanto daquele espaço como os adultos. Por fim, entrar no quarto é entrar numa atmosfera mágica que nos conquista. No nosso caso ficámos no quarto Spiritus, que se destaca pelo tom azul. Existem outros quartos, todos diferentes, apartamentos, suites e um bungalow. O complicado é mesmo escolher onde ficar e tudo depende da carteira de cada um.

A viagem (de quase 200 quilómetros no nosso caso) é rápida porque é praticamente feita em autoestrada. Apesar de perto os hóspedes conseguem estar longe de tudo. O único barulho que se ouve é dos animais que por ali andam. E é esta atmosfera de isolamento do mundo que faz com que considere a estadia ideal para um casal. Estando perto de tudo parece que se está num local distante onde os problemas não têm autorização para passar o portão. Fiquei fã, espero voltar e recomendo a todos os casais que procuram um destino para um fim-de-semana a dois que seja mágico mas que ao mesmo tempo seja em conta e não muito distante de modo a que se aproveite o tempo ao máximo. Partilho algumas imagens do local.

Vista geral

Quarto Spiritus

Existem locais onde ainda é possível deixar a chave na porta

Sala

Sala

Sala

Esplanada

Parede dos hóspedes

Piscina

Outra piscina

Uma das companhias do local

E mais outra

20.5.16

pessoas que se vendem como ninguém

Existem algumas pessoas que são muito fortes no marketing pessoal. São pessoas que se vendem como ninguém. Ao longo da minha carreira já trabalhei com algumas pessoas assim. E quando digo que se vendem muito bem refiro-me a pessoas que conseguem convencer muitas outras de que são os melhores profissionais que a sua profissão já conheceu. No meu caso essas pessoas nunca foram as melhores profissionais com que trabalhei. A grande maioria acabou por ser uma desilusão quando se começa a perceber que o rótulo não combina com o conteúdo. Mas o que é certo é que estas pessoas nunca estão mal. São aquelas que conseguem ir saltando de emprego em emprego, de cargo e cargo e, em muitos casos, com melhores condições monetárias.

Provavelmente fico a perder (tal como ficam todas as pessoas que façam o mesmo) mas não gosto desta maneira de enfrentar o mundo profissional nem a vida. Não tenho jeito nem paciência para prometer o que não cumpro nem para me vender como o melhor em que quer que seja. E isto para mim tem as suas vantagens. Cumpro aquilo que prometo. E não me cobram muitas coisas que não alcanço. Mas cada vez mais me convenço de que o mercado profissional está para os "espertos" e para aqueles que são fortes no marketing pessoal.

Vou tentar transformar isto que acabo de referir num caso real e recente. E estou a referir-me a Jorge Jesus. Neste caso tenho de fazer a ressalva de considerar que é um treinador com muitas qualidades. Fica a perder noutros domínios mas enquanto treinador é muito forte e isso não pode ser colocado em causa. Já tinha dito a diversos amigos sportinguistas que existem algumas coisas que são recorrentes em Jorge Jesus. Uma delas é a altura da época em que as suas equipas costumam vacilar e perder pontos. A outra é a forma como se vende.

No final da primeira época no Benfica surgiram boatos de que Jorge Jesus estava de saída para o Porto. O que aconteceu? Poderes reforçados no Benfica e um ordenado de príncipe. Algo que voltou a acontecer em mais uma renovação de contrato com o Benfica. Agora, no Sporting, volta a surgir o "trunfo" Porto. Notícias que está de saída e um dia depois das mesmas a renovação por mais um ano com o Sporting. Poderes reforçados e mais um milhão de euros por ano (passa de cinco para seis). Como referi, neste caso, existe competência profissional na pessoa. É certo que a nível de troféus foi praticamente nulo mas a qualidade está lá. Mas tudo isto serve para mostrar a importância do marketing pessoal nos dias que correm.

Trocando os milhões de Jorge Jesus pelos tostões da realidade do mercado profissional nacional, o marketing pessoal consegue fazer maravilhas. A pessoa não tem de ser realmente boa. Não tem de ter grandes qualidades. Basta apenas que consiga fazer com que os outros acreditem ser o melhor profissional que alguma vez conheceram e a solução para todos os problemas de uma empresa. No momento em que as pessoas perceberem que isso não bate certo a pessoa já estará de saída para outra empresa onde se apresenta como ainda melhor do que aquela onde estava.

o que faz uma miúda de 15 anos no mundo da moda?

O que faz uma miúda de 15 anos (com 11 de carreira) no mundo da moda? Esta questão foi levantada em Cannes devido à presença de Thylane Blondeau, um jovem modelo francesa a quem muitos auguram um grande futuro na moda. Há quem defenda que será a próxima Kate Moss. Este nome pode passar despercebido a algumas pessoas mas trata-se da jovem que foi capa da Vogue vestida de mulher quando tinha apenas 10 anos.

O primeiro desfile de Blondeau aconteceu quando tinha quatro anos e desde aí que a polémica rodeia a sua vida e carreira. E a questão é sempre a mesma: não será demasiado nova para trabalhar no mundo da moda? Questão que acaba por levar a outras dentro da mesma indústria. Acho as questões legítimas. Considero normal que algumas (ou muitas) pessoas achem incorrecto que exista uma rotina de adulto na vida de uma criança que talvez acabe por não ter tempo para o ser.

Só não percebo é porque é que apenas no mundo da moda se debate esta "exploração infantil". Então e aqueles programas de talentos para os mais novos que chegam a ser transmitidos em directo e a horas impróprias para crianças que têm escola na manhã seguinte? E as telenovelas que têm ritmos intensos de gravações? E tantos outros exemplos que poderiam ser dados.

Acredito que algumas pessoas confundem o conceito geral do problema – a "exploração infantil" - com o mediatismo de apenas uma criança/adolescente. Já para não falar de muitos casos em que são os pais que obrigam os filhos a fazer determinada coisa que lhes permite viver, mesmo através dos filhos, aquilo que não viveram. A problemática vai muito além de Blondeau. E de todas as Blondeaus do mundo da moda. Não é algo exclusivo da moda. E é algo que dava pano para mangas.

está no corredor do raio que vos parta

Querida e estimada nutella,

Espero encontrar-te bem desse lado. E espero que tenhas algum tempo para que te possa dedicar algumas palavras. Sem perder mais tempo vou directo ao assunto que me leva a escrever-te esta missiva. Em primeiro lugar quero agradecer a motivação que me dás para treinar. Graças a ti corro mais rápido e durante mais tempo, capricho mais na aulas de bicicleta tal como dou o máximo quando estou a fazer musculação.

Deves estar a pensar o que tens a ver com isto. Eu explico. Como não resisto e meter o dedo no teu frasco (sim, sou à moda antiga e vou lá mesmo com o dedo) e a deliciar-me com o teu delicioso creme acabo por treinar mais e melhor de modo a queimar mais calorias. Sabes, é um efeito bola de neve. Se gasto mais calorias acabo por poder saciar o meu desejo mais vezes.

Mas a nossa relação estava bem assim. É certo que já partilhei o teu amor com crepes e croissants mas por norma sou só eu e o teu frasco. E tudo estava bem assim. Nem a minha mulher tem ciúmes, chegando mesmo a juntar-se a nós. Não tantas vezes como eu mas ainda algumas. Como te disse, tudo estava bem assim. Até que vejo uma publicidade. "nutella B-ready no corredor das bolachas". O frasco que tenho em casa tremeu logo de ciúmes. E dei por mim a percorrer uma superfície comercial em busca deste alimento do demo. Mas não encontrei.

Até que, noutro dia e noutro espaço, dou por mim a olhar de frente para um vasto número de embalagens de nutella B-ready. Parecia um filme de cowboys. Nós dois ali a olhar um para o outro. Só faltava a música e perceber quem sacava a arma primeiro. Devo confessar-te que não estava no corredor das bolachas - nem andava à tua procura - e que ganhei (ou será que perdi?) o duelo e acabei por trazer uma embalagem para casa. Aliás, confesso-te que escrevo este texto com a embalagem, já reduzida a metade, ao lado do computador.

Isto tudo para te ofender. Permite-me mudar a publicidade para "no corredor do raio que vos parta" pois é impossível resistir a este novo produto. Se acharem que a minha proposta é muito ofensiva sugiro que coloquem o vosso produto no corredor do carvão ou algo do género. Ou seja, num daqueles que raramente frequento. É que já não bastava o frasco de nutella e agora tenho também de lutar contra o desejo desta coisa a que deste o nome de B-ready. Acho que fizeste de propósito. Sabes que me chamo Bruno e escolheste a letra B só para me aliciar. Malandra!

Informo também que a minha tristeza e ódio contrastam com a alegria e felicidade do frasco de nutella e da embalagem de B-ready que já são os melhores amigos na minha dispensa.

Sem outro assunto, despeço-me com os meus melhores cumprimentos,
Bruno

já deu para ver que isto não é uma brincadeira

Já partilhei textos no blogue em que dava conta de que todas as pessoas olhavam para a candidatura de Trump à presidência dos Estados Unidos da América como uma brincadeira. Não passava de uma brincadeira de um milionário com dinheiro e tempo livre a mais. Expliquei também que aquilo que parecia uma brincadeira tinha tudo para se tornar em algo sério. Tão sério como estar a discutir o cargo com Hillary Clinton.

A última sondagem colocam Trump à frente de Clinton (45% para 42%). A vantagem é curta mas a verdade é que na última sondagem o milionário perdia para Hillary. E nas anteriores tinha uma desvantagem grande. Mas agora, a seis meses da eleição, lidera. Volto a dizer aquilo que já disse. Assusta-me que possa vencer. Por outro lado, acho que mundo ajuda Trump. A situação mundial e o medo fazem de pessoas como Trump alguém para quem muitas pessoas olham com esperança. E acho também que Trump verbaliza aquilo que muitas pessoas pensam mas não têm coragem de dizer. Vamos ver como será o futuro.

19.5.16

cannes boquiaberta com este vestido?!? porquê?

Diz que Cannes ficou boquiaberta com o ousado vestido escolhido pela bela Bella (esta redundância fica bem) Hadid num dos mais famosos e prestigiados festivais de cinema do mundo. Muito honestamente, não consigo perceber o motivo pelo qual este vestido consegue deixar várias pessoas boquiabertas. Não percebo como consegue ser o centro das atenções. Nem consigo perceber porque é o foco principal dos fotógrafos.

E digo isto porque houve tempos em que um vestido destes era uma ousadia ao alcance de poucas. Era um acto de coragem devido a mentalidades mais fechadas que defendem que a mulher deve tapar-se dos pés à cabeça. Mas um vestido destes passou do que referi para algo banal e esperado, tal é o número de mulheres que optam por algo semelhante em eventos com grande destaque mediático.

Ver fotografias de mulheres com um vestido destes num evento destes é a mesma coisa que ir ao Estádio da Luz e ver pessoas com a camisola do Benfica. Ou ir a Alvalade ou ao Dragão e encontrar pessoas com camisolas do Sporting e do Porto. Ou é a mesma coisa que ir a uma discoteca e ver pessoas com calças de ganga. Ou ainda é equivalente a ir a um casamento e ver a noiva vestida de branco e o noivo de preto. Ou seja, é algo normal e esperado.

Perdeu-se o efeito surpresa. Perdeu-se aquele factor que fazia com que as pessoas ficassem boquiabertas perante a ousadia de tal criação. Aliás, até os vestidos que revelam mais (ou deixam menos à imaginação) do que este já se tornaram banais e esperados. Já todos dizem algo como "lá está pessoa x novamente vestida desta forma". Acabou-se o factor surpresa. A beleza e sensualidade de determinadas mulheres não se perde ou esgota num vestido destes. Simplesmente o vestido em si tornou-se banal.

um sonho que nem isso era

Diz que um sonho é uma utopia, uma imaginação sem fundamento, um devaneio ou ideias e imagens que se apresentam ao espírito durante o sono. Ao pensar nisto talvez seja injusto dizer que se trata de um sonho. Porque na realidade nunca o foi. Era apenas uma ideia que quando verbalizada por alguém respondia de pronto "isso não é para mim". Até que surgiu a hipótese de realmente ser para mim.

Sendo que este ser para mim não impede que continue a achar que não é para mim. Quanto muito talvez esta realidade tenha sido promovida a utopia. Mesmo sabendo que é uma realidade palpável e cada vez mais próxima. Continuo a achar que não é para mim. Mas o passar do tempo deixa-me ansioso. Ainda por cima quando as pessoas que me rodeiam revelam uma paixão que me faz pensar que já valeu a pena. O relógio está em modo tic tac constante, como sempre, mas desta vez mais presente na minha cabeça. A ampulheta tem cada vez menos areia. E o sonho, que nem isso era, está cada vez mais próximo.

feliz divórcio (e não foram felizes para sempre)

Já está disponível para compra e é hoje apresentado. Trata-se de um livro de uma amiga que tem tudo para ser um sucesso. Não só pela temática mas também pelo que o tema representa nos dias que correm e pela forma como muitas pessoas ainda encaram o divórcio. O tema em si, o divórcio, poderá não ser encarado de ânimo leve por muitas pessoas, mas nesta obra é tratado através de uma perspectiva completamente diferente. E desenganem-se aqueles que pensam que se trata de um livro apenas para pessoas que se divorciaram ou estão prestes a fazê-lo.

a culpa de uma mãe com filhas que sofreram de anorexia

Não sou pai. Mas também não preciso de o ser para pensar em determinados momentos que certamente serão bastante dolorosos para quem o é. É certo que por mais que imagine, por mais que tente, nunca irei perceber determinados níveis de dor. E ainda bem que assim é. Mas nada do que escrevi até agora impede que me arrepie com determinadas palavras e situações. Como é o caso de uma mãe que tem duas filhas que já tiveram anorexia.

Essa mãe, ou uma dessas mães, é Júlia Pinheiro, mulher que já tive o gosto de entrevistar e mulher de quem é fácil gostar. Não consigo imaginar o que custa a uma mãe lidar com uma situação tão dramática ao mesmo tempo que ocupa um cargo de relevo. E isto aplica-se a esta mãe famosa tal como se aplica a todas as mães (e pais) anónimas que têm de equilibrar a carreira com a preocupação de não falhar enquanto mãe. Situação por si complicada e ainda mais quando os filhos lidam com situações complexas.

E se não consigo imaginar o que é viver isto, arrepio-me quando ouço as palavras de uma mãe em relação à doença dos filhos. "Foi um cataclismo. Uma espécie de vertigem. Os pais nunca estão preparados para a doença dos filhos. E a anorexia é uma doença que, lá em casa, pôs toda a gente doente. Passámos a viver sob a ditadura de um prato", revela Júlia Pinheiro numa entrevista, para a sua revista, feita por Manuel Luís Goucha. E o apresentador pergunta mesmo se Júlia Pinheiro se culpou do que aconteceu. "Sim, muito. Posso dizer com a maior tranquilidade que nunca falhei a nada por causa da minha profissão, nunca faltei a uma festa da escola, a um sarau de pífaros, de piano, de ginástica, a aniversários, nada. O meu maior erro, para além de não ter estado tão atenta como deveria no momento em que as coisas estavam a começar, foi achar que o amor chegava", diz.

Não sei se foi uma resposta fácil de dar mas tenho a certeza absoluta que é a mais sincera de todas. Enquanto filho não acho que achar que o amor chega é um erro. Tal como nenhum pai consegue estar atento a tudo e durante todo o tempo. Infelizmente existem situações como esta que acabam por virar do avesso a vida de uma família. Tiro o meu chapéu à resposta de Júlia Pinheiro e também ao facto de assumir a sua (eventual) culpa numa situação delicada.

o motivo pelo qual as princesas não passam de moda

Existem coisas que não passam de moda com o avançar dos anos. E uma destas coisas é o encanto existente em torno das princesas. Não daquelas das histórias da Disney que nos são contadas há gerações mas as de carne e osso. Aquelas que fazem parte das famílias reais mundiais. Ainda mais quando se trata de princesa do povo. Aquelas mulheres reais (no sentido que são iguais a tantas outras que não nasceram no seio de uma família real) que vivem o seu conto de fadas casando com o príncipe encantado.

Acredito que estas mulheres têm um encanto que nunca passa de moda. E tudo aquilo que fazem tem um impacto forte junto do povo, em especial junto das mulheres que sonham um dia viver algo semelhante ou que procuram semelhanças com determinada pessoa. Por exemplo, quando uma figura pública usa determinada peça de roupa é comum que passe a ser objecto de procura nas lojas. Mas entendo que este fenómeno é muito superior quando se trata de uma princesa. Ainda mais quando é modesta e compra roupa na Zara.

As pessoas estão à espera que a roupa seja de marcas inacessíveis monetariamente. Que seja tudo muito caro. Até ao momento que sabem, por exemplo, que Kate Middleton (mulher do príncipe William que não sendo princesa – é duquesa – enquadra-se neste assunto) compra roupa na Zara. Como aconteceu com um casaco vermelho que custa 63 euros e que esgotou em 48 horas. Neste caso é curioso que o mesmo cobrisse um vestido Dolce & Gabanna de seis mil euros. Assim que surgiram fotos do evento onde Kate estava, o casaco começou a desaparecer.

Aquilo que explica este fenómeno será a proximidade com a vida da maioria das pessoas. A dose de realidade que confere a uma pessoa que tem uma vida com que muitas pessoas apenas sonham. É certo que existirá quem não possa gastar 63 euros num casaco mas haverá muito mais gente que não pode gastar seis mil euros num vestido. E qualquer pessoa sentirá mais proximidade da mulher do príncipe que vai comprar roupa às lojas do “povo” do que daquela que apenas veste roupas caras. Tal como apreciam que repitam roupa em eventos, para dar outro exemplo.

Passa aquela imagem de que determinada pessoa é “uma de nós”. Acredito também que muitas destas coisas não são inocentes. Acredito que é um claro objectivo das casas reais de modo a passar a mensagem que se preocupam com o povo no sentido de não passarem a vida a ostentar riqueza numa altura em que as pessoas estão constantemente a reduzir o orçamento. E ainda bem que assim é. E misturando tudo isto, é por isto que as princesas não passam de moda, mesmo em países como o nosso em que a monarquia não está tão vincada mas onde as famílias reais fazem um sucesso que muitas pessoas desconhecem.

18.5.16

convém recordar as diferenças entre leggings e collants

Uma coisa é isto:
Leggings |léguingues|
(palavra inglesa)
substantivo feminino plural
Calças justas, normalmente de tecido ou malha extensível.

Que não deve ser confundido com isto:
Collants
substantivo masculino plural
2. [Vestuário] Peça de roupa interior, aderente ao corpo, que cobre desde os pés até à cintura. = COLÃS

Conhecer as diferenças permite que não aconteça isto:





E creio que todas as pessoas agradecem que isto não aconteça. Desde a pessoa que veste (quero acreditar que ninguém o faz propositadamente e podem chamar-se ingénuo mas quero mesmo acreditar que as pessoas acreditam que não se vê nada) até aquelas que se deparam com esta realidade.

instarun mas não tem nada a ver com corridas. ou se calhar até tem

As redes sociais, entre elas o Instagram, são um mar de fenómenos curiosos de observar. Existe um, nesta rede social, a que acho especial piada. Refiro-me aquelas pessoas que gostam de comentar as imagens partilhadas por personalidades nacionais e, sobretudo, internacionais que tem muitos seguidores. Mas não se trata de um comentário qualquer. Existem pessoas que só se interessam por um comentário que diga algo como “first”, “1” ou “primeiro”.

Estas pessoas não querem deixar nenhuma mensagem alusiva à imagem. Querem apenas deixar bem claro que são pessoas atentas às redes sociais e rápidas no gatilho, leia-se comentário, algo que fica evidente quando conseguem ser as primeiras a comentar uma qualquer imagem. Este fenómeno tem um outro associado. São aquelas pessoas rápidas no gatilho que assim que publicam o seu “first”, “1” ou “primeiro” percebem que existe um qualquer Lucky Luke que foi ainda mais rápido.

Ou seja, até ao momento em que publicam o comentário acreditam ser a pessoa mais rápida do instagram. Mas, quando o comentário é publicado existem uns quantos – normalmente iguais em termos de conteúdos – que já lá estavam e que foram primeiros. E o que fazem os rápidos no gatilho que afinal são meio lentos? Ofendem aqueles que conseguiram ser os primeiros. E ofendem porquê? Porque realmente conseguiram ser os primeiros.

Quando observo este fenómeno, bastante comum no Instagram, fico sempre com a ideia de que esta rede social oferece milhões de euros às pessoas que acumularem mais primeiros comentários. Só isto explica esta corrida de comentários. E só isso explica que pessoas percam tempo a ofender outras apenas porque conseguiram ser as primeiras a deixar um comentário numa qualquer imagem.

quem é que manda lá em casa? eu ou ela?

“Quem é que manda lá em casa?”, perguntaram-me ontem. “Ninguém”, respondi. “Ou melhor, mandamos os dois de igual modo”, acrescentei. “Não pode ser. Há sempre alguém que manda mais. Diz lá quem é que manda lá em casa: tu ou a tua mulher?”, insistiram. “Mandamos os dois de igual modo que a casa é dos dois e as decisões são de ambos”, expliquei, mesmo notando que a pessoa não ficava convencida com a minha resposta.

Mas não se trata de um cliché. A verdade é que lá em casa tanto mando eu como manda a minha mulher. Aliás, duvido que estivéssemos juntos tanto tempo caso mandasse nela ou ela em mim. E não faz sentido que alguém mande em ninguém numa relação porque as pessoas não pertencem umas às outras. Ou acabam por se completar e funcionam bem, mesmo tendo divergências, ou o melhor é cada um seguir o seu caminho.

Porque tudo acabará por correr mal quando existem argumentos como “porque eu mando”, quando se faz tudo o que uma pessoa quer simplesmente porque é essa pessoa que manda ou ainda quando é uma pessoa que toma todas as decisões por mandar. Não imagino uma relação assim. Quer seja amorosa ou mesmo com amigos. Mas isto sou eu que não gosto de pessoas que gostam de mandar ou, pior ainda, que pensam que mandam em mim. Tal como não gosto de mandar em ninguém nem de passar a ideia de que posso ter esse objectivo.