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29.2.16

tinha tanta coisa para dizer

Tinha tanta coisa para dizer com uma frase a começar por "nunca" mas fica para mais tarde. Para breve. Pelo menos assim espero. Pois o relógio está em movimento numa espécie de contagem decrescente.

se todos estivessem ao meu nível...

Existem erros que não são, ou pelo menos não devem ser, perdoados a ninguém. Quer seja ao "pé descalço" da porta ao lado ou à pessoa mais importante do mundo. Ou, neste caso, quer seja a um jogador de futebol do mais amador que existe no mundo ou a Cristiano Ronaldo. Na ressaca de mais um desaire do Real Madrid, Cristiano Ronaldo disse aos jornalistas que se todos os jogadores do clube estivessem ao seu nível estariam em primeiro. E estas palavras nunca deveriam ter saído da sua boca. Pelas mais diversas razões.

A começar porque nenhum jogador, por melhor que seja, pode dizer isso dos seus colegas. É um atestado de inferioridade que se passa aos restantes membros de um equipa, ou não fosse o futebol um desporto colectivo. Cristiano Ronaldo, ou outro jogador qualquer, não faz a diferença se tiver de jogar sozinho contra onze. Perderá todos os jogos. Não ganha um. E para que Cristiano Ronaldo marque golos têm de existir guarda-redes que defendem bolas, defesas que travam avançados e médios que destroem as tácticas adversárias. E isto aplica-se ao nível do Real Madrid como se aplica ao Paio Pires ou a outro clube qualquer.

E uma coisa que me "irrita" neste erro é encontrar muitas pessoas que culpam os jornalistas espanhóis deste desabafo. Os jornalistas espanhóis fazem as perguntas que têm de fazer, tal como os ingleses lhe faziam e tal como alguns portugueses também fazem. É o preço a pagar de ser um dos melhores do mundo. Se habitua as pessoas a grandes exibições tem de estar preparado para ouvir perguntas quando joga com menor intensidade ou quando é essa a ideia que chega aos jornalistas. E a defesa às perguntas nunca poderá ser dizer que os outros é que estão num mau nível.

O erro é apenas de Cristiano Ronaldo que, provavelmente de cabeça quente, disse algo que não deveria ter dito. E que tentou emendar minutos mais tarde dizendo que os colegas são inferiores mas apenas do nível físico pois não é melhor que ninguém. Isto coloca alguma água na fervura mas não convence todas as pessoas. E se o balneário do Real Madrid tem fama de ser mau, neste momento deve estar prestes a explodir, existindo notícias de que o treinador já tem carta branca para limpar o balneário e que o presidente terá mesmo dito que não quer Cristiano Ronaldo no Real Madrid.

Polémicas à parte, há muito que defendo que Cristiano Ronaldo está a mais no Real Madrid. E por variadas razões. A começar pela instabilidade do clube. Quando o grande rival é um mar de tranquilidade. Depois de conseguir ser campeão e de ter conquistado a Liga dos Campeões, Cristiano Ronaldo deveria ter mudado de clube. Considero que, apesar de não imaginar o combate de egos com Ibrahimovic, o Paris Saint-Germain era um bom clube para si. É um clube estável, que conquista títulos a nível nacional e que está a crescer na Europa. E tudo isto faria com que Cristiano Ronaldo se destacasse muito mais do que no Real Madrid, algo que até seria melhor para si na luta pelos prémios individuais, como é o caso da Bola de Ouro. Defendo também, uma opinião que sempre tive, que o campeonato inglês é o ideal para que marque golos até mais não e para que se evidencie. Neste momento o Manchester City seria o clube ideal para si. Ou o novo Manchester United que deverá nascer com José Mourinho.

Até não existir uma mudança, Cristiano Ronaldo arrisca ficar de cadeirinha a ver o Barcelona somar um número muito maior de conquistas do que o seu clube. E sempre com tranquilidade enquanto no Real até se despedem os treinadores que fazem pequenos milagres e conquistam títulos. Ou os treinadores de quem três ou quatro jogadores não gostam. E os momentos conturbados vão levar a que se olhe ainda mais para Cristiano Ronaldo. Que em alguns momentos irá ter erros imperdoáveis como dizer que os outros são inferiores a ele. E isto aplica-se ao jogador português como ao melhor trabalhador de uma qualquer empresa que não tem estabilidade nenhuma.

porque os memes dos óscares são já um clássico*










*É apenas uma pequena amostra do que anda a circular pela Internet.

e o resto também não foi nada mau (quase que foi perfeito)

Esta foi uma daquelas edições de Óscares que esteve muito perto de roçar a perfeição. E estou a referir-me aos prémios e não à cerimónia em si pois já li que Chris Rock (actor que aprecio) esteve muito aquém das expectativas na apresentação daquele que é o certame mais importante no que ao cinema diz respeito. Quando digo que esteve perto da perfeição refiro-me à distribuição dos prémios que considero justa.

Em relação a Leonardo DiCaprio pouco há para acrescentar. O prémio é justo e enalteço o seu discurso de agradecimento que se centrou no meio ambiente, provando assim que é muito mais do que um menino bonito de Hollywood. É alguém que tira proveito da sua exposição mundial para alertar para determinados problemas que não deveriam ser indiferentes para ninguém. Sabia que o seu discurso teria repercussão mundial e poderia ter ido para o "imaginava isto há muito" ou "já merecia isto" ou outra coisa qualquer. Em vez disso, preferiu centrar-se no aquecimento global deixando uma mensagem relacionada com a carreira pelo meio do discurso.

Acreditei que The Renevant: O Renascido poderia ser o melhor filme. Não foi e o Óscar foi muito bem entregue a O Caso Spotlight (título que poderia ter sido melhor escolhido em português). E não deixa de ser curioso que tanto um como outro sejam inspirados em histórias verídicas. Isto e assuntos de guerra são sempre temas apreciados para a Academia. Em relação a Brie Larson, acho que nenhuma pessoa no mundo ponderou que a estatueta para Melhor Actriz não fosse sua.

Outro dos momentos que mais me agradou foi ver Mad Max: A Estrada da Fúria ser o filme mais premiado. É certo que os prémios são técnicos mas este tipo de prémios serem atribuídos ao filme é um dos maiores elogios que podem ser feitos a Mad Max, um dos melhores filmes do ano, e que venha o próximo que não se pode esperar muito tempo.

Ver Iñárritu levar o galardão para melhor realizador não me surpreende nada mas quem não acompanha o seu trabalho mas viu The Renevant: O Renascido não estranhará esta distinção. Tal como não é surpresa o prémio atribuído a Alicia Vikander. Nem o Óscar de Melhor Canção Original para Writing´s On The Wall, tema que Sam Smith fez para o mais recente filme da saga 007.

Quando digo que a noite foi quase perfeita é porque existe um prémio que poderia ter tido outro destino. Adorei o filme Ponte dos Espiões e acho que Mark Rylance, que foi eleito Melhor Actor Secundário, esteve brilhante e é um justo vencedor. Mas aquela estátua também ficaria muito bem na casa de Tom Hardy que estava nomeado pelo seu papel em The Renevant: O Renascido. Não foi desta mas acredito que é uma questão de tempo até Tom Hardy conquistar uma estatueta dourada. E o último ano (para quem não o conhecia) é prova do seu talento.

Por fim, resumo a cerimónia de ontem a duas imagens – e não são três porque já tinha partilhado uma de Leonardo DiCaprio com o Óscar na mão no post anterior – que "anulam" todas as outras.

Charlize Theron

Tom Hardy

aleluia aleluia aleluia

Só ontem é que fui ver The Renevant: O Renascido, que há muito desejava ver. Acabei por esperar pelo dia dos Óscares para ver o filme que a crítica mencionava como aquele que certamente faria justiça na carreira de Leonardo DiCpario, valendo ao actor o seu primeiro Óscar para Melhor Actor. Em relação ao filme pouco existe para dizer. Uma história verídica passada na perfeição por Iñárritu para o grande ecrã. Quem conhece a história do filme, não a história de Hugh Glass (interpretado por Leonardo DiCaprio), saberá que demorou muito mais tempo do que o previsto. Que foi necessário viajar até à Argentina em busca de mais neve pois o atraso fez com que já não houvesse neve no primeiro local de filmagens. Sabe-se também que Iñárritu só filmou com luz natural. E tudo isto faz com que o filme tenha um impacto e beleza ainda maiores.

Quanto a Leonardo DiCaprio, saí da sala a dizer à minha mulher que se não ganhasse o Óscar este ano provavelmente nunca ganharia. E digo isto pela exigência física do papel. Pela representação física do actor que pouco fala ao longo de todo o filme. Mas o que falta em palavras existe, em grandes doses, em dureza física de um papel muito complicado de fazer deste aspecto. Acredito que, com maior ou menor dificuldade, todos os actores são capazes de estar num estúdio a debitar texto. Fazer o que DiCaprio faz neste filme já é mais complicado. Trata-se de um papel com uma exigência física fora do comum. Para dar uma ideia, e sem querer falar muito do filme para não estragar os planos de quem o deseja ver, chegou a um ponto em que Leonardo DiCaprio já tinha piolhos no cabelo e na barba durante as exigentes filmagens desta longa-metragem.

Acho que já era altura de poder partilhar esta imagem sem necessitar de uma montagem nem de meia dúzia de piadas sobre o facto de Leonardo DiCaprio arriscar ser o eterno nomeado dos Óscares que nunca conquistaria uma estatueta dourada.



Por outro lado, e já nesta manhã, um amigo dizia-me que não gostou do filme e que Leonardo DiCaprio já teve papéis bem melhores. Como referi, acho que a dureza deste papel está na exigência física e na representação sem recorrer a textos, algo que considero muito complicado para a maioria dos actores. Nesse sentido, considero que este prémio é mais do que justo. Mas, se olhar para a carreira de DiCaprio considero que este deveria ter sido mais um Óscar e não o primeiro. E vou buscar apenas dois exemplos: O Lobo de Wall Street (um papel desvalorizado por algumas pessoas devido ao tipo de filme que é) e Diamante de Sangue (que teve o "azar" de competir com outro grande filme, O Último Rei da Escócia). E podia ir buscar muitos outros filmes.

a minha vida nas próximas quatro semanas

26.2.16

só para manter as coisas dentro dos níveis de realidade

“Quando estou no supermercado e vejo uma pessoa rica com ar de superioridade aproximo-me, finjo necessitar de qualquer coisa e digo: “desculpe, trabalha aqui?” É só para manter as coisas dentro dos níveis de realidade.”

Não sei se a pessoa que escreveu isto realmente faz o que escreveu mas é de génio. Já agora, que se acuse quem nunca foi abordado por alguém, numa qualquer loja, que pensa que somos empregados dessa mesma loja.

sonho do filho e pesadelo da mãe

Deve ser raro o adolescente que não tem um encanto especial por uma actriz pornográfica. É algo faz parte do crescimento/adolescência de qualquer rapaz e algo sem qualquer maldade e que não representa nenhum problema. E aposto que qualquer adolescente ficaria radiante se tivesse a oportunidade de estar pessoalmente com a mulher que admira/aprecia, mesmo que seja apenas fisicamente.

O que é um mero sonho para muitos é realidade para Ruslan Schedrin, um jovem russo de apenas 16 anos que ganhou um concurso que lhe dá a possibilidade de estar com Ekaterina Makarova. Por ter sido a centésima pessoa a entrar num site que vende armas para jogos de computador, este jovem vai passar um mês num hotel com a actriz de filmes para adultos. Radiante, o rapaz já fez saber que a actriz tem “óptimas medidas”.

Mas, aquilo que é a realização de um sonho para este jovem é um pesadelo para a sua mãe, nada contente com este prémio. “Ele perdeu a cabeça”, diz Vera. “Ele tem exames, tem de estudar… Isto não é real, até uma semana é demasiado tempo”, acrescenta, referindo que preferia receber dinheiro (mil euros) do que este prémio.

E o que é um sonho para um e um pesadelo para outra levanta questões a uma terceira pessoa, Diana, irmã do jovem premiado. “E se tivesse sido um homem casado a ganhar? Ou até uma rapariga?”, pergunta. Por sua vez, tudo isto é indiferente para a actriz pornográfica, na casa dos vinte anos, que não coloca de parte a possibilidade de ter relações sexuais com o rapaz. “Não é suposto, mas é a vida. É normal os rapazes com pouca experiência procurarem raparigas mais experientes”, diz.

Eu, que nada tenho a ver com isto, questiono apenas o poder daquela mãe. Não poderia dizer algo como vais conhecer a rapariga mas vens para casa. Ou ficas lá uma noite e voltas. Ou ainda não vais porque considero que não é uma boa experiência para ti nem é a altura ideal. Ou também vais mas tem juízo e confio em ti para decidires o que é melhor para ti. Ao ler a notícia fica a sensação que o rapaz está obrigado a aceitar o prémio.

vamos ajudar a lutar por um sorriso?

Já falei diversas vezes sobre a Cíntia no blogue. É uma jovem que admiro pela sua determinação e por ser alguém incansável na luta pelo bem dos outros. Algo que resultou na criação de Luta Por Um Sorriso, o seu projecto solidário criado a pensar no bem daqueles que atravessam momentos complicados. Pois bem, está a decorrer um crowdfunding para angariar uma pequena verba que será muito importante para que no futuro seja possível ajudar ainda mais família carenciadas. Como ajudar não custa nada é só clicar aqui e contribuir com aquilo que for possível. Isso e passar a palavra ao maior número de pessoas. Obrigado.

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(sugestão da Kesha)

25.2.16

há quem vá a spas, eu tenho os meus amigos

Conheço os mais diversos rituais de que as pessoas não abdicam para se sentirem bem. Há que goste de massagens. Há quem vá a spas para realizar outros tratamentos relaxantes. Há quem vá correr e pratique desporto. Há quem vá ao cinema ou ao teatro. Tudo rituais que aprecio e que cada qual escolhe consoante aquilo com que se sente melhor.

No meu caso tenho um ritual do qual não abdico. A companhia dos meus amigos, a família que escolhemos, à quinta-feira ao almoço. Todos à mesa, muitas gargalhadas, muitas brincadeiras e muito gozo. Durante aquele tempo não há espaço para lamentos nem para histórias tristes que são rapidamente aligeiradas com uma piada feita por algum de nós.

Costuma dizer-se que determinadas coisas não têm preço. É certo que estes almoços têm um custo de cerca de oito euros mas a verdade é que não existe fortuna nenhuma que consiga ocupar o espaço que esta pequena reunião semanal ocupa. É uma lufada de ar fresco. É uma forma de superar qualquer problema profissional. É o reflexo perfeito da amizade. Naquela mesa já todos tivemos momentos em que estivemos quase a bater no fundo. Felizmente, não em simultâneo mas momentos diferentes. E aquelas reuniões semanais foram importantes para que todos superassem os problemas.

É bom quando temos boas bases em casa. Quando a família está lá para o que for necessário. Mas quando além desse apoio temos um grupo de amigos que estão lá para tudo, que não cobram nada, que não julgam e que transformam qualquer problema num motivo de alegria... tudo corre melhor. Obrigado aos meus pussies! A vossa companhia vale ouro.

Por fim, uma private para vocês. Beijo no pulso que já fomos pobres mas agora estamos bem na vida. Que nunca me falte tempo para vocês!

dá que pensar... ou não?

Rui Sinel de Cordes, humorista que uns apreciam e que outros odeiam, foi fortemente criticado quando decidiu escrever um texto sobre os cancros vip que muitas pessoas associaram de imediato como sendo um ataque a Sofia Ribeiro. Nos últimos minutos, o humorista partilhou este texto na sua página de facebook, partilhando um frame da CM TV que, pelos vistos, acompanhou em directo o velório de uma das meninas mortas na tragédia ocorrida na praia de Caxias. Isto dá que pensar... ou não? (E quando coloco esta questão levanto um mar de hipóteses).

“Estou com gripe há 5 dias e como tal, tenho-me alheado um pouco da realidade. Hoje, fui confrontado com isto. Pensei - uma vez mais - não dizer nada e limitar-me a fazer o que sempre fiz: piadas. Só que hoje, não dá. Os moralistas que dedicaram horas a julgar o carácter de humoristas, que discutiram o humor como se soubessem do que falavam, que se ofereceram para agredir quem tem opiniões, do alto do seu pedestal alicerçado em pés - não de barro, mas de merda - hoje decidiram dedicar horas de emissão a um velório de uma criança. Eu não vi, mas aposto que até o gordo da moda ultrajou a roupa que a família usava. São estes porcos que levam a nossa sociedade para a lama. São estas baratas que conduzem o nosso pensamento para o esgoto. São estas bactérias que infectam o sistema imunitário deste país, conduzindo-nos para uma sociedade de animais sem escrúpulos. Gente sem moral, sem princípios, sem deontologia, sem carácter. Há mais dignidade no ranho que saiu do meu nariz nos últimos dias do que nos apresentadores deste canal. Há mais informação valiosa na minha tosse carregada de expectoração do que nas palavras que saem da boca destes vermes. Há mais ar puro numa incineração de compressas usadas do Hospital onde estive ontem do que nos corredores deste estúdio. Há mais serviço público na sanita que recolheu o meu vómito do que na chefia deste pasquim. Seria bom se parássemos de discutir os limites do humor (não existem, parem de perguntar) e começássemos a debater os limites do jornalismo de sarjeta. É uma pena isto não ter sido um sketch de humor. Seria mais fácil aglomerar ignorantes, acusar o autor de ser um filho da puta, de lhe bloquear as suas páginas nas redes sociais, de lhe oferecer porrada e de chamar a atenção da ERC para o multar”

diferenças entre homens e mulheres aos olhos de bissexuais

Três mulheres bissexuais partilharam opiniões em torno do sexo e relações com homens e com mulheres. Quem é melhor na cama, quem soa melhor na cama e o tamanho importa, são algumas das questões abordadas pelas três mulheres num vídeo que vale a pena ver.



Algumas frases que retive:
As mulheres são mais expressivas na cama.
As três mulheres brincam com os sons que os homens fazem durante o sexo.
Uma defende que na hora do sexo com eles tudo é mais simples pois as lésbicas utilizam uma panóplia de acessórios.
As mulheres são melhores no sexo oral mas tanto homens como mulheres são bons na cama.

a mãe de todos os falhanços

"Tenho um especial encanto pelos filmes de Steven Seagal. Actor que me habituei a ver no papel de homem que salva o dia com o seu característico rabo-de-cavalo e movimentos de luta. Nunca espero nada de extraordinário dos seus filmes mas sei que vou passar um bom bocado. Sobretudo com aqueles mais antigos, como é o caso de Força em Alerta 2, que costuma passar na televisão com frequência.

Neste filme, o actor dá vida a Casey Ryback e para variar salva o dia e a sobrinha, a jovem (e desconhecida na época) Katherine Heigl. É um simpático filme de acção mas não mais do que isso. Porém, contém uma cena que é uma verdadeira lição de vida. Trata-se de um diálogo entre o vilão e um dos mercenários que trabalham para si, numa altura em que tentam matar o personagem de Steven Seagal.

“Marcus Penn: When she shot the intruder, did you see the body?

Mercenary #1: No, just a shit load of blood, and I figured if you get run over by a train...

Marcus Penn: Did... you... see... the body?

Mercenary #1: I assumed he was dead!

Marcus Penn: Assumption is the mother of all fuck ups!”

Ou seja, o mercenário pensa que Casey Ryback está morto, apenas porque existiu um tiro, viu sangue e porque presumiu que tinha sido atropelado pelo comboio. Como tal, o vilão explicou-lhe, e bem, que a assumpção é a mãe de todos os falhanços. Aquilo que considero ser uma lição de vida que algumas pessoas, iguais ao mercenário, não conseguem aprender.

Dar algo como certo sem qualquer conhecimento de causa serve apenas para fazer figuras tristes. Para acabar com as dúvidas, dando a certeza de que nada se sabe sobre algo e que se conseguiu borrar a pintura quando se tenta fazer um brilharete. Tentando transformar isto em som, estes momentos terminam sempre com aquele som triste que se segue a uma piada mal conseguida."

Escrevi este texto em Outubro do ano passado mas, por mais anos que tenha o blogue, estará sempre actual. Porque a verdade é que...

24.2.16

depois do sexo já não se fuma um cigarro nem se faz conchinha...

Longe vão os tempos em que depois do sexo imperavam dois clássicos: fumar um cigarro (para quem gosta) ou adormecer em conchinha (uma das principais escolhas dos casais apaixonados). Tudo isto está ultrapassado. Tudo isto passou de moda ou não estivéssemos nós na era das redes sociais. Agora, o cigarro e a conchinha deram lugar à selfie after sex.

Como o próprio nome indica quando se termina uma qualquer relação sexual o casal deve eternizar esse momento numa fotografia que é depois partilhada nas redes sociais acompanhada da respectiva hashtag. Ao que parece esta moda é bastante comum entre homens e mulheres com menos de quarenta anos. Como não podia deixar de ser muitas pessoas vão atrás daquilo que tem sido feito por alguns casais mediáticos que aderiram à cada vez mais famosa selfie after sex. Ainda na era das redes sociais existe um estudo que indica que 36% das pessoas abaixo dos 35 anos vão ver o Facebook ou o Twitter quando o sexo termina. Ou seja é o sexo a juntar-se à febre das redes sociais.

Já agora, e para quem estiver interessado em protagonizar uma selfie after sex, no momento de partilhar a imagem basta colocar #aftersex e/ou #aftersexselfie.

respect carolina patrocínio


Goste-se, ou não, do corpo. Goste-se, ou não, do tempo que dedica ao desporto. Goste-se, ou não, dos treinos que fez durante a gravidez. Elogiando ou criticando o rumo que escolheu acho que é de louvar - sobretudo numa altura em que se debate ferozmente temas como a pouca prática desportiva e o excesso de peso da população mundial, em especial a obesidade infantil - a determinação de Carolina Patrocínio. E também o seu corpo oito dias depois de ter sido mãe pela segunda vez.

PS – Não deixa de ser curioso que muitas pessoas criticassem a falta de barriga de Carolina Patrocínio, e tantas coisas absurdas em relação ao bebé, mas que a sua filha tenha nascido com 3,150 quilogramas.

só uma mulher é que se lembra disto

Como já tinha contado neste texto no início da semana fui para o ginásio sem toalha para treinar e sem toalha para o duche. A solução passou pelo meu melhor amigo, e dono do ginásio, que me emprestou uma toalha que acabei por levar para casa para lavar antes de devolver. E tudo corria bem até ao momento em que vou apanhar a toalha para guardar.

“A toalha já secou. Vou levar para entregar ao Jorge amanhã”, disse à minha mulher.

“Não vais entregar isso assim”, respondeu-me.

“Assim como?”, perguntei.

“Vais passar a toalha a ferro”, diz-me.

“Para quê? Está tão boa assim”, referi.

“Vais passar a toalha a ferro”, insistiu.

“No ginásio ele tem a toalha toda amarrotada dentro de um saco de plástico”, expliquei.

A toalha acabou por ser passada a ferro. Mas isto é uma coisa de que só uma mulher é que se lembra. Faz-me recordar, quando era mais novo, a altura em que a minha mãe queria passar a ferro a roupa que levava para os treinos de futebol. Ou mais recentemente, quando a minha mulher também não achava grande piada ao facto de ter a roupa do futebol toda amarrotada. E digo que só uma mulher é que se recorda disto porque os homens não ligam nenhuma a toalhas e roupas de desporto amarrotadas.

gostava de ter coragem para fazer isto


Existem dias em que gostava de ter coragem para fazer algo do género. Já agora, alguém adivinha quem é o dono desta “obra de arte” que demorou seis meses a ser feita?

23.2.16

bad ass mood

saber ou não saber, eis a questão

Gosto de navegar pelos mais diferentes sites de notícias. Mas às vezes preferia nada ler. Existem momentos em que considero que o total desconhecimento de qualquer notícia significam uma descontracção muito maior ao longo do dia.

Estudo descobre resíduos tóxicos em tampões e pensos higiénicos.

Esfaqueou o namorado porque ele passava demasiado tempo no Facebook.

Tem 69 anos e é acusado de violar mulher, filhos, netos e nora.

Hollywood une-se para libertar Kesha do seu alegado violador.

Este emprego dá 243 mil euros mas ninguém o quer.

Mata ex-namorado durante sexo.

Chocolates Mars e Snickers retirados do mercado em toda a Europa.

Super Dragões 'visitam' pai de árbitro.

São apenas oito exemplos de algumas das notícias mais lidas em diferentes sites de publicações jornalísticas (das consideradas mais sérias às mais populares). Não deixa de ser curioso que muitas pessoas defendem que fazem falta notícias positivas mas a verdade é que são os dramas que conseguem ter um maior número de visitas.

Isso ou algumas curiosidades, como é o caso dos chocolates, com muitas pessoas certamente a quererem descobrir o motivo pelo qual estão a sair do mercado ou ainda do emprego bem remunerado que ninguém aceita. O online acaba por ser um reflexo daquilo que se lê em papel e que se vê em televisão. E tudo isto é um reflexo do esmagador desejo do público que consome tudo isto nos diferentes formatos.

quantos quilómetros preciso correr para queimar o que como?

Corro, posso comer tudo. Treino, posso comer tudo. São frases bastante utilizadas por quem pratica desporto não abdicando de cometer alguns pecados alimentares. As pessoas costumam dizer as frases com frequência mas será que existe a noção dos quilómetros que são necessários correr para queimar as calorias ingeridas com alguns dos mais populares alimentos do mundo? Não, pois não? Aqui ficam alguns dados curiosos.

Um wrap "saudável"

Uma Coca-Cola normal

Um pacote de batatas fritas

Um cheese burguer

Uma cerveja Heineken

Um pacote de batatas fritas

Três bolachas

Frasco de Nutella

Um Snickers

Um McFlurry

Um snack salgado

Chávena de café

Dois Ferrero Rocher

Por exemplo, e tendo por base as imagens disponibilizadas, uma ida ao McDonalds pode significar uma corrida de 16 quilómetros para queimar aquilo que se consumiu. Valor baixo para quem muito corre. Valor alto para quem não pratica desporto. Partilhei estas imagens sem ter o intuito de cortar com o consumo do que aqui aparece (consumo boa parte das coisas que aparecem nesta lista) mas apenas para colocar em quilómetros a famosa frase do "corro/pratico desporto, por isso posso comer tudo que queimo num instante".

o teu dia está a correr mal? lembra-te do dildo voador

Existem muitas pessoas que acreditam estar a ter o pior dia de sempre. Este fenómeno é diário e ninguém está imune ao mesmo. Acredito mesmo que todas as pessoas já tiveram o seu dia mau. Aquele dia que acreditam ser o pior de todos. O dia até nem está a ser tão mau assim mas para quem tem esta sensação não existe uma única pessoa no mundo que esteja a ter um dia pior.

Tenho uma solução para quem começa mal o dia. Para aqueles que acreditam que estão a ter o pior dia de sempre. E a solução é na realidade uma pessoa. Calma, que não envolve consulta nem gasto desnecessário de dinheiro. Basta apenas que se pense num homem de nome Darwin Skumavc, um arquitecto de 31 anos. E que se conheça a sua história.

Este homem foi escolhido para padrinho de casamento do seu grande amigo Peter Rolih. Como tal ficou encarregue da despedida de solteiro, algo comum aos padrinhos. E tudo corria bem na festa. Até ao momento do acidente que vitimou Darwin Skumavc. Felizmente, não se trata de uma história de consumo excessivo de álcool que culminou num acidente de viação. Nada disso! Darwin Skumavc foi atingido na cabeça por um dildo voador cor-de-rosa com um tamanho aproximado de 12 centímetros.

Este acidente motivou gargalhadas? Provavelmente! Mas abriu a testa do jovem arquitecto que teve de ser transportado para o hospital. Digo apenas que os dildos voadores são uma das especialidades da bailarina exótica que estava a actuar e que “dispara” dildos voadores para o público. Darwin explicou a um jornal que aqueles que conhecem o famoso truque das bolas de ping pong podem imaginar como funciona este. Explica também que o disparo consegue percorrer sete metros da sala e ir aos dois metros de altura. Três semanas depois, no dia do casamento, ainda tinha a cicatriz na testa.

Por isso, se acham que o vosso dia está a correr mal recordem-se de Darwin Skumavc, o homem que levou com um dildo voador cor-de-rosa na testa e que acabou no hospital. Talvez mudem de opinião e facilmente percebam que o vosso dia afinal não está a correr assim tão mal.

gostas de vinho?

Esta é a “melhor” altura do ano para todas as pessoas que, tal como eu, apreciam vinho e que gostam de ter a sua garrafeira em casa. Digo que é a melhor altura porque é agora que têm lugar as respectivas feiras temáticas nas diversas superfícies comerciais. E estes eventos permitem que se comprem bons vinhos a preços mais atractivos.

Por exemplo deixo aqui uma sugestão de um vinho que descobri no Continente. Chama-se Terra Lenta e trata-se de um vinho tinto premium da Carmim. Em condições normais uma garrafa custa 9,99 euros, um preço ligeiramente “elevado” para supermercado. Além da garrafa, de que gostei, captou a minha atenção o desconto pois uma garrafa tinha um preço inferior a três euros. Comprei, bebi, gostei e recomendo. Aliás, esta estratégia (aproveitar os descontos) tem feito com que vá descobrindo bons vinhos que acabo por comprar a preços muito mais competitivos.

22.2.16

a moda do aposta que sabes

Depois da febre das raspadinhas (que está para durar) existe a moda do “aposta que sabes”, que é como quem diz, a nova tendências das apostas desportivas em que, por exemplo, num dia em que os astros estejam todos alinhados com determinada pessoa, um simples euro pode render qualquer coisa como mais de cinco mil euros. Tal como acontece com as raspadinhas, também o Placard “promete” dinheiro fácil com base no conhecimento que as pessoas têm do desporto.

Neste jogo da Santa Casa é possível apostar em jogos de futebol mas também em partidas de basquetebol e de ténis. Não faço ideia da percentagem de certeza do que vou dizer mas acredito que a esmagadora maioria das pessoas aposte em jogos de futebol. É um desporto com o qual estamos mais familiarizados e modalidade na qual os portugueses são especialistas ou não fossemos todos treinadores de bancada.

Dentro dos apostadores existem dois grupos. O primeiro é o dos ponderados, onde me insiro (nas vezes em que aposto). São aqueles apostadores que perdem tempo a estudar a aposta. Estudam os adversários e os jogadores que estão aptos para o encontro em questão. E ainda o momento das equipas, resultados em confronto directo e tudo e mais alguma coisa. Assim sou eu. E o que faz o apostador ponderado? Simplesmente não acredita em sorte mas em conhecimento do jogo. Por exemplo, o Porto recebe o Arouca para o campeonato e o apostador ponderado é incapaz de apostar no Arouca. Porquê? Porque o Arouca nunca ganhou ao Porto.

Depois existe o apostador lucro. É o apostador que até dispensa o conhecimento desportivo. Simplesmente olha para o quadro das apostas e faz contas ao lucro que pode obter num determinado jogo. Pegando mais uma vez no exemplo do Porto a receber o Arouca, este apostador está a marimbar-se para o facto do Arouca nunca ter vencido o Porto. É o apostador que acredita que esse dia acabará por chegar. De preferência no dia em que tenha apostado. Este apostador não estuda nada. Apenas analisa lucros.

Como referi, faço parte do primeiro grupo de apostadores. Tenho uma dose de lógica associada à aposta. E é complicado desligar-me disso pois coisas aparentemente estapafúrdias significam dizer adeus ao meu dinheiro. Por outro lado tenho um amigo que é aquilo a que chamo o apostador lucro. E este meu amigo apostou no Arouca. Que por acaso venceu o Porto, garantindo-lhe um prémio chorudo. Este meu amigo apostou também numa equipa sul-americana que não vencia um jogo fora, numa determinada competição, desde 1982. Mas venceu no dia em que apostou. E mais um prémio chorudo. E isto já aconteceu mais algumas vezes com derrotas inesperadas de equipas nacionais e de clubes internacionais.

Dou o exemplo deste meu amigo porque não se trata do diz que disse. É uma história que conheço de perto. Esta pessoa não recorre a um multibanco desde que se iniciou nas apostas desportivas e, volto a salientar, é uma pessoa que assume pouco perceber de futebol. E acho que a magia do Placard está nestas histórias. Que são sempre uma minoria. Que vão ser sempre uma minoria. Mas que alimentam o espírito de quem aposta com desejo de conseguir igual sorte. É mais ou menos um fenómeno semelhante ao daquelas papelarias que gostam de exibir cópias de raspadinhas premiadas vendidas no local. Algo que aguça o apetite de quem está a ponderar comprar uma raspadinha.

O único (ou grande) senão de tudo isto é que o aparente desejo de ganhar dinheiro fácil consegue dominar muitas pessoas que gastam mais do que devem/podem em raspadinhas ou apostas. Acreditam que da próxima é que é. Acreditam que a sorte está a chegar. Que está cada vez mais perto. É mais ou menos o mesmo que acontece nos casinos onde o desespero está estampado na caras de tantas pessoas. Nada tenho contra quem joga, até porque também o faço ocasionalmente. Aconselho é moderação a quem o faz. Até porque desconhecer os limites é meio caminho andado para perder tudo em segundos.

a tua dor é diferente da dos outros?

Existem alguns casos em que os jornalistas se transformam em notícia. E dentro destes casos existem alguns com motivos mais felizes e, infelizmente, outros em que a notícia a dar é dramática. Por exemplo, quando morre um familiar de um jornalista. Em casos destes já me deparei com jornalistas, que apresentam serviços noticiosos na televisão, que dizem algo do género: “neste momento pedimos, aos nossos colegas jornalistas, privacidade num momento de dor”. Resumindo, não querem que exista cobertura jornalística de, por exemplo, um velório ou funeral do familiar que morreu. Defendem que não é notícia.

Nada tenho contra este modo de pensar. Até porque qualquer pessoa (retirando algumas excepções desta equação) deseja privacidade num momento de dor. É legítimo que assim seja. Mas alguns dos jornalistas que pedem essa privacidade são os mesmos que “gostam” de dar notícias de velórios e funerais de outras famílias anónimas que se transformaram em notícia por algum motivo trágico, como aconteceu recentemente com as duas meninas que perderam a vida numa praia, em Caxias. Aqueles que não querem jornalistas nos seus momentos de dor são os mesmos que ordenam que outros jornalistas façam a cobertura jornalística de momentos de dor de outras pessoas.

Será que existem diferentes tipos de dor? A dor do comum cidadão anónimo é diferente da dor que sente um jornalista ou uma figura pública num momento semelhante? Uns têm direito a pedir privacidade quando negam essa privacidade a outras famílias que também vivem momentos dolorosos? Acho que nenhum jornalista pode pedir que não façam consigo aquilo que faz diariamente com outras pessoas que não são conhecidas. Como diria Alanis Morissette... “and isn´t it ironic... don´t you think”.

tudo sem sair da mesa

Num destes dias almoçava com um amigo que me revelou ter aberto uma espécie de hostel em Lisboa com catorze quartos. Na mesa estavam oito pessoas. “Porque não me disseste nada mais cedo?”, perguntei-lhe. “Nesta mesa tens duas pessoas que te vendiam colchões de qualidade a um preço que não encontras em lado nenhum”, expliquei. “E aí ao teu lado tens uma pessoa que te vendia blackouts”, acrescentei. Por sua vez, este meu amigo dos blackouts precisava de um espaço para instalar as amigas da filha que vinham visitar Portugal.

Num outro almoço, com alguns dos mesmos amigos e com outro diferente, voltou a conversa dos colchões. Sendo que ainda existem os amigos que entregam cabazes, de produtos da zona saloia, ao domicílio. E existia agora o amigo que arranja perfumes a um preço que nenhuma perfumaria consegue acompanhar. E ainda quem arranje tintas a preços imbatíveis. Isto tudo sem sair da mesa. Isto tudo num grupo de dez pessoas, no máximo. Tenho os melhores amigos do mundo (que por acaso arranjam tudo e mais alguma coisa).

é capaz de ser melhor voltar para a cama

Chego ao ginásio, abro o saco e apercebo-me de que me esqueci de arrumar as duas toalhas necessárias. Emprestam-me uma. Problema resolvido. Acabo a aula de cycle, chego ao balneário e tenho uma mensagem no telemóvel. “A tua carteira ficou na minha mala”, é o que leio numa mensagem enviada pela minha mulher. Pagam-me o pequeno almoço. Problema resolvido. Estou a sair do café e apercebo-me de que me esqueci do casaco dentro do cacifo do ginásio. Fui buscar o casaco, fui a casa buscar a carteira e fiz-me à estrada. Mas fiquei com a sensação de que é capaz de ser melhor voltar para a cama.

19.2.16

e é isto....

com meninos pretos é diferente não é?

Em Setembro escrevi este texto onde falava da dureza e do impacto da imagem de Aylan Kurdi, o menino sírio que deu à costa morto, tendo sido fotografado numa praia. Essa imagem acabou por fazer daquele pobre menino o símbolo do drama dos migrantes que continuam a morrer na esperança de encontrar uma vida melhor do que aquela que têm no seu país.

Continuo a defender que a foto de Aylan Kurdi tem muita força sobretudo por dois aspectos. O primeiro é o momento. O assunto estava muito quente naquele momento. Praticamente só se falava disso. O segundo aspecto é o próprio menino. Um rapaz branco e bem vestido. Algo que é sinónimo de proximidade para muitas pessoas. Podia ser o filho de alguém, o sobrinho, o primo ou o neto de tantas pessoas que olham para aquela fotografia brutal.

No texto de Setembro peguei numa imagem antiga que consegue ser tão marcante como a de Aylan Kurdi. A imagem é de 1994, da autoria de Kevin Carter e mostra uma criança subnutrida a ser observada por um abutre que parece aguardar pela morte da criança para se alimentar da mesma. A foto ganhou prémios e deu muito que falar. O autor da mesma acabou por se matar e Kong Nyong, o menino da imagem, acabou por morrer anos depois.

Meses depois trago uma nova imagem. Esta actual. Hope (foi o nome escolhido) é um menino nigeriano que foi abandonado por suspeitas de feitiçaria. Com apenas dois anos passou oito meses a viver forçado em restos de comida. Anja Ringgren Loven, uma dinamarquesa a viver em África e fundadora da Fundação para a Educação e Desenvolvimento de Crianças Africanas, encontrou o menino, que tinha vermes no corpo, e acabou por salvar Hope.


Esta imagem (e existem outras com um impacto tão forte como o desta) provavelmente passará despercebida a muitas pessoas. Provavelmente não será tão partilhada nas redes sociais como a de Aylan Kurdi. Tal como poucas pessoas vão saber quem é Anja, qual o trabalho que faz e qual a história desta imagem pois as notícias não são muitas em torno disto.

E poucas pessoas vão olhar para Hope com a sensação de que podia ser um filho, um sobrinho, um primo ou neto de alguém. Vai ser (quase) sempre uma criança que vive num local muito longe de nós. Onde os problemas não nos afectam. Tal como no texto de Setembro, volto a recuperar a temática do texto que anda em torno de que tudo muda quando a imagem tem um menino preto que passa fome num país de nós.

18.2.16

para ocupar um pouco do vosso tempo...





(Não coloco aqui o espaço de onde retirei as imagens de modo a não facilitar as respostas)

ele/ela está interessado/a em mim ou não?

Existem diversas teorias em torno das relações amorosas. Ou do início das mesmas. O que não falta são explicações para perceber se a outra pessoa está interessada em nós. Existem até diversos questionários online que garantem que qualquer pessoa irá descobrir facilmente, depois de responder às questões, se existe interesse para algo mais do que amizade.

Não sou o maior fã destes questionários online que garantem resposta para tudo. Nem daquelas aplicações que apenas com recurso aos nomes revelam uma percentagem de compatibilidade entre duas pessoas. Nem sou daquelas pessoas que olham para os signos para perceber que existe compatibilidade ou se a relação está condenada ao fracasso.

Porém existem alguns indicativos que são mais do que suficientes para que as pessoas percebam se vale a pena ou não insistir numa tentativa de relação. Ou que servem para que se perceba qual o real interesse da outra pessoa. Coisas tão simples como nunca ser possível marcar um encontro. Numa fase inicial a maior parte das pessoas tem vergonha de convidar alguém para sair. E este medo está associado ao receio de ouvir um “não” como resposta. Quando uma das pessoas perde este receio e avança com o convite sem que seja possível marcar uma data é porque provavelmente não existe interesse da outra pessoa. Quando existem desculpas para não marcar nada em vez de soluções para tentar marcar um encontro é porque provavelmente não existe interesse.

Existem outras coisas como a proximidade física. Quando duas pessoas estão mais próximas é normal que pelo menos uma delas tenha iniciativas que passam pelo contacto físico. É o toque na mão. É o braço por cima do ombro no cinema e por aí fora. Quando alguém tenta fazer isto mas a outra pessoa teima em impedir que aconteça é capaz de significar que não existe interesse. E o mesmo se aplica aquelas pessoas que passam a vida a falar dos ex-namorados. Mais facilmente precisam de alguém para desabafar do que procuram alguém para manter uma relação.

Depois existem factores que apontam apenas para um desejo físico e não mais do que isso. São aquelas pessoas que até abordam os sentimentos ou que chegam mesmo a dizer que estão a apaixonar-se. Mas depois os encontros acontecem apenas quando a noite já vai longa e provavelmente no carro de um deles. São aquelas pessoas que também não inserem a pessoa no seu grupo de amigos. Resumindo, são aquelas pessoas que percebem o encanto da outra pessoa e sabem tirar partido disso. Alimentam uma eventual relação que nunca vai passar de relações sexuais esporádicas num qualquer carro.

Por fim, existe algo que muitas pessoas acreditam como verdade absoluta mas que para mim é um mito. Refiro-me ao tempo que se demora a responder a uma mensagem de telemóvel, por exemplo. Há quem o faça na hora. Há quem prefira demorar tempo para não revelar imediatamente o seu interesse. Por isso não sou daqueles que acreditam que demorar algum tempo a responder signifique que não existe interesse. Pode ser apenas uma estratégia no jogo de sedução.

No que a relações diz respeito, cada caso será um caso. Não se aplica matemática. Mas existem muitos sinais que são evidentes. O pior nos assuntos do coração é que os sinais podem estar a um metro dos olhos que a pessoa prefere continuar a acreditar com todas as suas forças que a relação tem tudo para dar certo. Todas as provas apontam para o contrário mas as pessoas acreditam na relação. E o mesmo para o oposto. Existem pessoas que têm tudo para ter uma boa relação mas que perdem muito tempo a acreditar que nenhum deles tem interesse um no outro.

o que acrescentas a esta lista?


Spizza? Sbenfica? Scinema? Outra scoisa qualquer?

17.2.16

a verdade sobre o que aconteceu na praia de caxias...

O trágico acontecimento de Caxias que vitimou uma bebé e que provavelmente roubou a vida à sua irmã tem dado muito que falar. Inicialmente soube-se apenas que uma mãe em pânico e em avançado estado de hipotermia foi auxiliada por um homem a quem disse que as duas filhas estavam na água. Este facto em si deu início a diversas teorias. Todas as pessoas tinham uma opinião sobre o caso.

Momentos mais tarde sabe-se que a mãe tinha já efectuado queixa do pai das crianças. Diz-se que o homem maltrata a mulher, as filhas e que inclusivamente foi acusado de abusar sexualmente das duas filhas. Quando surgem estas notícias todas as pessoas passam a acusar o pai das crianças. “Cabrão” para aqui. “Filho da puta” para ali. E outras ofensas. Neste ponto todas as pessoas defendem a mãe e atacam o pai.

Entretanto surge a notícia de que o pai das crianças nega as acusações, afirmando que nunca foi ouvido pelas autoridades. O advogado deste homem diz que tinha por missão tratar da separação do casal – vivia em união de facto – e regular o poder paternal das crianças. O advogado explica ainda que quando a mulher apresentou queixa já não vivia com o companheiro. Informações dão também conta de que o homem não conseguia contactar a mulher nem ver as filhas. As opiniões começam a dividir-se entre os que culpam a mulher e os que defendem o homem.

Novas notícias dão conta de que as autoridades não colocam de parte a existência das alegadas agressões mas colocam dúvidas devido à existência de elementos que o confirmem. Diz-se também que a mulher, desempregada há mais de um ano, estava num estado psicológico bastante frágil. Resumindo, neste momento todas as hipóteses estão em aberto.

Não sei se alguma vez será conhecida a verdade sobre o que motivou esta trágica história que colocou um ponto final na vida de duas crianças que mal tiveram tempo para viver. E perante as notícias que vou lendo não tenho dados que me permitam defender a mãe e acusar o pai. Tal como não posso defender o homem e acusar a mulher. Algo que tem estado a acontecer. Basta uma notícia para que ela seja a vítima e ele o cabrão. E bastam meia dúzia de palavras para que as opiniões mudem. Num registo diferente comparo com o caso Maddie em que às primeiras notícias todos sentiram compaixão por aqueles pais para pouco tempo depois muitos acusarem os pais da culpa do misterioso desaparecimento da filha.

Compreendo que algumas pessoas se indignem com o sistema. “Então a mulher faz queixa e nada acontece?” ou “Então a mulher tem uma depressão e ninguém lhe tira os filhos?” são perguntas que mais facilmente podem originar um debate interessante em torno deste tema. Muito mais do que simplesmente e somente atribuir culpas ao pai ou à mãe. A discussão deve girar em torno do aparente mau acompanhamento dado à família após as queixas da mulher. A discussão está aqui, por mais que se opte por dizer apenas que a culpa é da mulher ou do homem. E só analisando e corrigindo essas falhas é que se consegue evitar casos semelhantes no futuro.

se os carros fossem mulheres qual serias? ou qual querias?













A ideia de transformar carros em mulheres partiu da fotógrafa Viktorija Pashuta que recorreu a doze modelos para realizar este projecto.