5.7.16

filhos que começam a sair à noite (para medo dos pais)

Nunca fui para a noite com os meus pais. Costumo dizer que fui educado com base na liberdade com responsabilidade. Ou seja, os meus pais deram-me as ferramentas necessárias para soubesse escolher o rumo certo. Por isso nunca me controlaram nas saídas com amigos. Nunca foram comigo para uma discoteca. E o caminho que me mostraram é aquele que considero melhor.

Conheço muitos pais que temem o momento em que os filhos comecem a sair com os amigos. E que deixam que este medo mande neles. Proíbem saídas. E quando elas existem tentam controlar ao máximo aquilo que vai acontecer, como se os filhos fossem um comboio que nunca irá sair da linha que desejam porque estão dos dois lados da linha para manter o comboio na direcção certa. Nada tenho contra os pais que são muito controladores neste aspecto. É uma opção tão válida como outra qualquer.

Mas defendo que os pais não vão estar em todas as saídas dos filhos. E, quer queiram ou não, os filhos vão deparar-se com muitas situações. Que vão do consumo do álcool ao consumo de drogas e até ao sexo. E estas situações não vão ser controladas pelos pais. Porque os filhos não vão ligar a dizer que o amigo x está a desafiar para beber, para consumir droga ou porque está prestes a ter relações sexuais com alguém. Aqui tudo vai depender do filho. Da forma como lida com as pressões e com coisas como "és mariquinhas?"

O rumo que os meus pais me mostraram, da liberdade com responsabilidade, fez com que não me visse obrigado a fumar um charro apenas porque os meus amigos o estão a fazer perto de mim. Ou que quisesse cheirar branca porque dizem que o efeito é para lá de espectacular e porque toda a gente o faz. E nunca precisei de, ao estilo de um concurso televisivo, telefonar aos meus pais a pedir ajuda porque os meus amigos estão a incentivar-me a fazer determinadas coisas. Sempre soube dizer não a tudo aquilo que não quero. E nunca perdi amigos por causa disso. Porque a amizade vai além de obrigações para fazer parte de um grupo.

Desafio os pais, que temem que os filhos comecem a sair à noite, a percorrer a Rua da Oura, em Albufeira. Olhem para os bares e para a rua. Olhem para as pessoas que por ali andam. Acredito que o impacto inicial será de um receio maior do que aquele que julgam. Acredito que vão dizer algo como "nunca irá sair sem mim". Mas vão perceber que aquilo que acontece ali, numa escala muito maior pela proximidade de bares, acontece em todas as discotecas e saídas e viagens de amigos. Percebem também que nunca vão conseguir controlar tudo aquilo que julgam controlar.

E, acredito eu, vão passar a olhar com outros olhos para o melhor caminho para os filhos. Vão perceber que o mais importante de tudo é que o filho ou a filha saibam escolher perante a oferta e desafios com que se vão deparar. Que saibam escolher os amigos, o ambiente onde querem estar, as coisas que querem fazer e que digam sempre "não" aos desafios patetas que todos os adolescentes fazem uns aos outros. E tudo isto será sempre a melhor solução. Porque o filho(a) estará preparado para lidar com as mais diferentes situações com que todos os adolescentes se deparam na vida.

2 comentários:

  1. Concordo com tudo :) o melhor a fazer ê mostrar bem que há dois caminhos. E que ambos têm consequências.
    Aliás, a falta de consequências para as tretas que os jovens fazem só originam mais falhas.

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    1. Mais cedo ou mais tarde vão ter de escolher por eles.

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