3.2.16

ser modelo (e tantas outras coisas) não é fácil

Adriana Lima, uma das manequins mais conceituadas do mundo, decidiu partilhar nas redes sociais uma fotografia onde aparece sem maquilhagem. Na legenda faz um desabafo, deixando claro que não é uma reclamação. “Hoje trabalhei dez horas numa sessão fotográfica, com uma gripe forte, sem parar de tossir e com uma dor de cabeça horrível. Queria partilhar convosco o lado oculto de uma modelo que trabalhou duro e dizer-vos que não sou a única que se esforça”, explica a brasileira.

Compreendo o desabafo de Adriana Lima. Isto no sentido em que a maioria das pessoas ainda acredita que a moda é feita apenas de Adrianas Limas, ou seja, modelos muito bem remuneradas pelo que fazem. Pessoas que olham para a profissão apenas com base no resultado final, no anúncio que está exposto algures. E nem sequer pensam no que, em alguns casos, é necessário para chegar a determinada foto. Pessoas chatas que contratam determinada manequim. Que a tratam como um pedaço de carne que tem de fazer determinado trabalho. Que exigem isto e aquilo. Que nunca estão satisfeitos, entre tantas outras coisas. As pessoas olham para as fotos tratadas e para os milhões que se ganham mas esquecem o processo que leva a esse fim.

E o mesmo se aplica, por exemplo, a Cristiano Ronaldo. Muitas pessoas criticam o dinheiro que ganha e a vida fácil que leva. Mas poucas pessoas pensam nos sacrifícios que fez para chegar ao topo. As horas extra passadas a trabalhar enquanto os outros miúdos estavam na brincadeira. A ausência da família em tenra idade. As lesões. Os sacrifícios. Para muitas pessoas existe apenas o jogo de 90 minutos, os milhões na conta bancária e os carros de luxo.

E o mesmo pode ser dito de tantas profissões como é o caso dos actores, apresentadores, músicos. Até no caso do jornalismo. Quando as pessoas sabem o que faço levam sempre para a vida boa e para a vida fácil. Até que lhes explico detalhadamente aquilo que acontece e as coisas por que já passei. É o tal lado que as pessoas não conhecem e essa falta de conhecimento leva a que não acreditem que existem muitos problemas e chatices que conseguem ser diários. A maioria das profissões, por mais glamour que aparentem ter e por mais dinheiro que ofereçam, têm sempre um preço a pagar. E muitas vezes a diferença está na vontade das pessoas em pagar determinado preço, leia-se aceitar determinados sacrifícios, para ser bem sucedido. Mesmo que as pessoas não vejam este lado nem valorizem o mesmo.

Por outro lado, existem profissões para as quais as pessoas não olham do mesmo modo. São profissões que não têm um lado bonito associado. Por exemplo, profissões que têm logo à partida associado o esforço físico, como é o caso de trabalhar nas obras ou, como já foi o meu caso, em lojas de materiais de construção. Ninguém vê glamour nestas profissões. Poucas pessoas valorizam as mesmas. Além disso, ninguém critica um trabalhador destes se disser que trabalhou dez horas seguidas. Ao contrário da manequim que diz ter trabalhado dez horas seguidas. Neste caso muitos dizem que não fez mais do que a sua obrigação e que deveria estar calada.

2 comentários:

  1. Concordo. Ter uma carreira, seja mais glamorosa ou nem por isso, implica dedicação, muito esforço e sacrifício. Nada é fácil.
    Abraço

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    1. Normalmente só se repara no lado mais bonito.

      Abraço

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