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31.10.15

vamos lá falar de spectre. será o melhor james bond de sempre?

Falar de cinema e de um filme específico depende sempre de diversos factores. De conhecer o realizador e o seu estilo. Analisar o personagem. O que o actor empresta ao personagem. Aquilo que o personagem exige. E muitas outras coisas. Depende também sempre dos olhos de quem vê porque um filme não é um conta matemática em que só um resultado está certo. E esta é uma das magias do cinema. Quando se trata de James Bond tudo isto é elevado para outro patamar. São 24 filmes. São seis actores que dão vida ao famoso agente secreto. E isto torna impossível que não existam comparações. Há sempre tendência a comparar. Neste ciclo mais recente é normal comparar o trabalho de Daniel Craig em Casino Royale, Quantum of Solace, Skyfall e Spectre.

Recordo-me de Skyfall (2012) ter sido anunciado como o melhor James Bond de sempre. Criei expectactivas e fiquei desiludido por considerar que o filme estava longe de ser o melhor. Com Spectre voltou a acontecer o mesmo. "É o melhor", li. "Daniel Craig como nunca", li também. E voltei a criar muitas expectactivas. Para começar posso dizer que Spectre está muitos patamares acima de Skyfall. Digo também que é um filme que não desilude nenhum dos fãs desta saga cinematográfica. E menciono também que é daqueles filmes que devem ser vistos no cinema e revistos em casa.

Spectre entra a matar. Entra com tudo. A parte inicial do filme é brilhante, algo que já tinha acontecido com Skyfall, ambos realizados por Sam Mendes. E estas entradas prometem tanto que é impossível não esperar um filme brilhante. Este é o perigo de inícios assim. Daniel Craig está bem no papel de James Bond sendo que tem um humor mais apurado (ou mais evidente e presente) neste filme. O actor não desilude mas nota-se que começa a tornar-se impossível (e isto já foi referido por si) dar algo novo, que o público ainda não conheça, ao personagem. Christoph Waltz, um actor brilhante, dá vida a um vilão discreto mas muito bem interpretado, com importância e relevo na história (não apenas deste filme mas da vida de James Bond) mas com pouca presença física no filme. Monica Belucci, a bond girl mais velha de sempre, aparece poucos minutos no filme mas com tempo suficiente para marcar com a sua sedução. Neste caso, uma nota de destaque. Daniel Craig e Monica Belucci protagonizam aquele que é para mim o melhor momento de sempre em que são ditas as seguintes palavras: "My name is Bond, James Bond."

A estes junta-se Léa Seydoux, a bond girl de maior destaque e com impacto forte junto de James Bond, algo que não aconteceu com nenhuma mulher em Skyfall. E ainda Ralph Fiennes, o novo M, Ben Wishaw, como Q, Naomie Harris, na pele de Moneypenny e Dave Bautista. Este último nome é para reter. Já o conhecia do wrestling. Fiquei fã do seu talento enquanto actor quando deu vida a Drax em Os Guardiões da Galáxia. Em Spectre está perfeito na pele do vilão Hinx que não prima pelas palavras mas que se destaca pela presença física. Este actor é um diamante por lapidar para determinados papéis como é o caso deste Hinx.

Como referi, não saí desiludido da sala de cinema. O início do filme, no México, é fenomenal. As cenas de acção em Itália são igualmente boas. A ligação ao passado de James Bond está muito bem feita em especial com o vilão interpretado por Cristoph Waltz. O mistério em torno do futuro – soa a adeus de Daniel Craig – tem o dom de nos deixar a pensar no que aí vem. O romantismo e sedução estão lá, ainda que de forma suave mas superior a Skyfall. Por isso é um filme muito bom da saga 007. Muito superior a Skyfall que o precede. Destaco ainda a música de Sam Smith e o genérico inicial, algo que não se ignora quando se trata de um filme de James Bond.

Mas, tendo em conta apenas os filmes de Daniel Craig, continuo a preferir Casino Royale, curiosamente o seu primeiro. É um filme que tem tudo isto e muito mais. Tem acção brilhante no início (e sempre ao longo do filme). Tem uma sedução mais elaborada. Tem uma história de amor que deixa marcas nos filmes que se seguem como é visível em Spectre. Tem Le Chiffre, que considero o melhor vilão de todos. Tem Daniel Craig num patamar superior (talvez por ter sido o seu primeiro filme e por ter sido muito criticado no momento da escolha). E, num registo diferente, tem Chris Cornell a cantar You Know My Name, aquela que considero a melhor música de sempre destes filmes. Curiosamente, fui comparar os dois filmes no IMDB e Spectre tem uma cotação de 7,7 enquanto Casino Royale está nos 8,0. Depois de ter visto este filme e depois de ter lido a entrevista de Daniel Craig considero que este deverá ter sido o seu último filme e acredito que aqui pode residir o factor que fará o próximo filme destacar-se dos últimos. Isto não quer dizer que Daniel Craig é mau actor, porque não é. É muito bom e tem vestido muito bem a pele de James Bond, Quer dizer apenas que será complicado dar algo novo ao agente secreto mais famoso do mundo depois de quatro filmes.

Concluindo, Spectre é um filme muito bom. Muito melhor do que Skyfall. Merece ser visto no cinema. Merece ser revisto em casa. E acredito que não irá desiludir os fãs da saga. Mas quando comparado com Casino Royale torna impossível, na minha humilde opinião, que se diga que este é o melhor de sempre e que este é também o melhor desempenho de sempre de Daniel Craig. É certo que neste "you´re a kite dancing in a hurricane, mr. Bond" - frase que marca o filme – mas continuo a preferir Casino Royale no momento de escolher o melhor de sempre.

se ele nada é sem ela, nada sou sem ti



Nós ao estilo de James Bond e Bond Girl na antestreia de Spectre. Para já digo apenas que não há Bond Girl mais bonita e elegante do que a minha. Digo também que não me recordo da última vez que me tinha vestido assim. Por fim digo que vale mesmo a pena ver Spectre no cinema pois está melhor do que Skyfall. Mas uma análise mais detalhada ao filme fica para depois.

30.10.15

vamos brincar ao halloween?

quanto custa ser um james bond? e uma bond girl?

Hoje é aquilo a que chamo o dia Spectre. É certo que a 24ª aventura do agente secreto mais famoso do mundo só chega às salas de cinema portuguesas na próxima semana (5) mas hoje, tal como tem vindo a acontecer noutros países, realiza-se a antestreia portuguesa. Estou bastante curioso pois já li que se trata do melhor filme de sempre e que Daniel Craig está magnífico neste filme. Tudo coisas que colocam as expectativas bem no alto e que fazem com que conte os segundos para ver o filme.

Enquanto não chega a hora de ver o filme fui tentar perceber quanto custa ser um agente secreto ao estilo de James Bond. É certo que existem coisas que não se compram. Como por exemplo a classe, educação, mestria para realizar as suas funções e o charme e sedução que fazem dele um homem irresistível para as mulheres. Mas se estas coisas não se compram existem outras que estão ao alcance de qualquer homem. Quer dizer, depende da carteira de cada um. Tive por base apenas roupas, acessórios, bebidas e carro que estão presentes em Spectre. E como James Bond não é nada sem as suas famosas Bond Girls, partilho também o preço (nos mesmos moldes) necessário para ser uma das mulheres que também conquistam todos os homens.






(Nota: Preços retirados de sites internacionais e convertidos para euros)

29.10.15

(des)encontros (capítulo dezoito)


Inês e João permaneciam numa calorosa troca de beijos que tinha como cenário um beco pouco iluminado. As bocas funcionavam em sintonia como se parecessem uma só ou como se nunca tivessem sido estranhas uma para a outra. Já as mãos não pareciam uma só mas tinham em comum o facto de estarem a ser controladas pelo desejo mútuo. Pelo menos assim parecia. Até ao instante em que a troca de beijos e carícias foi interrompida por Inês. "Que foi?", perguntou João. "Fiz algo errado?", questionou. "Não. O mal não és tu", respondeu Inês com um ar muito sério. "O mal é meu. Não sei se quero isto. Acho que não", explicou. A cara de João mudou de cor fixando num tom pálido. "Ok...", disse ele como diz qualquer pessoa que não tem outra resposta para dar.

"Estava a brincar contigo", disse Inês começando de imediato a sorrir. João permaneceu sério. Inês assustou-se. Mas era apenas o troco dele que soltou um sorriso que Inês mal conseguiu ver pois rapidamente voltou a conquistar os seus lábios. E a brincadeira de Inês parecia ter mexido com João. Com receio de que aquela brincadeira se tornasse realidade João estava decidido a conquistar Inês, ali, naquele beco, o mais depressa possível num momento que não sabia se iria repetir-se. E isso notou-se no toque das suas mãos, que Inês passou a sentir diferente e que a arrepiou quando sentiu as mãos dele na sua cintura.

E enquanto utilizava a sua mão direita para sentir a pele de Inês e cada centímetro do seu corpo, pelo menos onde a sua mão chegava, deixava a mão esquerda entregue ao desejo cego, sem regras nem filtros. E num rápido instante, que as suas bocas faziam parecer uma imensidão de tempo, já tinha a sua mão esquerda no fecho do soutien de Inês. E ainda mais depressa o soltou sem que ela esboçasse qualquer reacção de que não o desejava. Nesse instante a sua mão direita juntou-se à esquerda e ambas despiram Inês num instante passando a estar despida da cintura para cima no beco. Já com a camisa e soutien no chão do beco João quis sentir as mamas de Inês, começando por lhes tocar provocando em Inês um misto de sensações algures entre o homem que toca nas suas primeiras mamas e aquele que sabe como deixar uma mulher excitada. E isto resultava em arrepios e numa crescente onda de desejo que impedia que quisesse parar.

Foi então que João afastou a sua língua e os seus lábios de Inês. Mas não muito. João dirigiu a sua boca até ao ouvido direito de Inês certificando-se de que ela sentia a sua respiração ofegante na sua pele. Foi então que lhe sussurrou ao ouvido "quero-te tanto", deixando-a completamente rendida. Nesse instante, Inês, com a sua mão direita apertou os cabelos de João e de imediato arrancou-lhe a roupa do corpo. "Tens noção do sítio onde estamos?", disse ela ofegante. "Só tenho noção do quanto te desejo e de que não te vou deixar escapar", disse-lhe. "Para me deixares escapar era preciso que quisesse fugir de ti", respondeu Inês, mordendo suavemente a orelha direita de João enquanto lhe despia as calças e os boxers.

Naquele momento já não existia beco. Para Inês e o João era o espaço que sempre esteve destinado aquela história de amor e logo a um capítulo tão quente. Guiado pelo desejo que não parava de crescer João despiu o pouco que faltava despir a Inês. Inês saltou para o seu colo. João agarrou-a pelas nádegas que apertou com força deixando Inês ainda mais excitada. João encostou Inês à parede e foi beijando o seu corpo enquanto Inês suspirava e gemia de desejo. Os corpos passaram a ser um só. E a sintonia entre ambos era o mais perto que podiam estar da perfeição. No meio do desejo Inês arranhou as costas de João que ficou também ainda com mais desejo. Nada os parava. Nada temiam. Só queriam dar continuidade aquele desejo que ambos sentiam. E assim fizeram até que João e Inês, quase em simultâneo soltaram um suspiro diferente de todos os outros, seguindo de uma respiração ainda mais rápida e ofegante.

Foi então que num momento de lucidez como ainda não tinha tido naquele beco que Inês olhou para o início da rua. E notou na silhueta de alguém que os observava no beco. O desejo deu lugar ao pânico. "João, está ali alguém a olhar para nós", disse. Vestiram-se ambos ainda mais depressa do que se tinham despedido e ficaram quase petrificados sem saber o que fazer. "E agora? Será a Polícia e ficou à espera que acabássemos? Ou, pior ainda, é alguém para nos fazer mal?", disse com medo estampado no rosto.

diz que tenho sensibilidade selectiva mas que sou criativo

Os estudos valem o que valem mas confesso que sou adepto de estudos de tudo e mais alguma coisa. Gosto de dedicar algum do meu tempo a estudos. E agora que penso nisso fico a pensar se existirá algum estudo dedicado às pessoas que gostam de estudos... Mas adiante. Uns estudos deixam-nos a sorrir porque estamos do lado onde queremos estar. Outros deixam-nos pensativos porque estamos onde não queríamos estar. Depois existem pessoas que levam tudo isto muito a sério. E outras que não acreditam em nada. Mas, como dizia, os estudos valem o que valem.

E o mais recente que descobri diz respeito às pessoas que ficam irritadas com sons, como por exemplo, o som de alguém a mastigar ou a sorver sopa. Não sendo uma coisa que me deixa louco com nervos é algo que me irrita e incomoda, sobretudo estes dois sons específicos. E, lá está, de acordo com um estudo da Universidade de Northwestern esta embirração mostra que tenho um problema que tem o nome de misofonia ou, por outras palavras, Síndrome de Sensibilidade Selectiva de Som.

Diz também que faço parte do grupo de 20% da população mundial que tem o mesmo problema do que eu. Mas nem tudo é mau. Parece que as pessoas que têm esta hipersensibilidade a certos sons são mais criativas. Por isso, tenho de lidar com a misofonia mas sempre com criatividade. Menos mau.

erros comuns que mais desgastam os casais

Desconfio sempre de quem assume viver uma relação perfeita onde não existem erros de parte a parte. Em primeiro lugar porque não acredito na ideia de perfeição. E caso ela eventualmente exista será bastante monótona e em tudo semelhante a uma linha recta. E acredito que muitas pessoas que defendem ter uma relação perfeita cometem erros. Erros que são bastante comuns, que quase todas as pessoas cometem mas que poucas reconhecem como sendo um erro que poderá marcar a relação pela negativa. E a repetição frequente destes erros (que não são reconhecidos) acaba por levar ao desgaste, mais ou menos intenso, de qualquer relação. Um conjunto de especialistas revelou ao site Everyday Health quais os erros mais comuns que acabam por desgastar seriamente as relações.

"O que tens? Nada"
O famoso "nada" é um dos erros mais cometidos. Fingir que nada se passa quando na realidade existe algo que aborrece alguém ou que magoa vai acabar por deixar marcas como tensão e ressentimentos acumulados. Se um questiona porque percebe que algo não está bem e o outro não responde, o problema não será resolvido. Não sendo resolvido é um problema que está sempre a aparecer.

"Os sogros"
Sempre vi isto como um mito mas parece que os sogros são mesmo motivo de conflito entre alguns casais. O ideal aqui é estabelecer regras. Combinar jantares, alternar férias e outras coisas mais. As regras acabam com as discussões.

"Esquece lá a nossa noite"
Uma noite a dois é fundamental para qualquer casal. E em vez de arranjar desculpas para não ter essa noite devem ser encontrados motivos para que nunca deixe de existir. Esquecendo problemas de força maior, nunca devem abdicar desta noite que permite cultivar a ligação e manter conversas que o casal não tem junto de filhos, familiares ou amigos.

"Sexo? Quero dormir que tenho sono"
Nos dias que correm os casais têm cada vez vidas mais agitadas profissionalmente. Muitos saem cedo e chegam tarde a casa, o que leva ao cansaço. Mas quando existe vontade de ter sexo é necessário encontrar tempo para o mesmo. Nem que seja logo de manhã ou ao fim-de-semana. O sono é que não pode vencer.

"Vou-me embora"
Abandonar uma discussão a meio pode marcar negativamente, de uma forma muito forte, uma relação. Sobretudo quando surgem os insultos e quando se começa a bater portas. Acaba por ser um jogo de poder em que uma pessoa sente-se abandonada e impotente. Se ficar sozinho é mesmo necessário essa ideia deverá ser transmitida com calma. "Vamos parar a conversa e já conversamos. Dá-me uns minutos para ficar sozinho e clarificar as ideias", é uma solução.

"Finalmente tempo a dois... com televisão e tablets"
Nem sempre é fácil encontrar tempo para estar a dois. Quando ele existe passar a maior parte do tempo a ver televisão, concentrado num tablet ou a ver emails é uma grande fonte de distracção. Por mais old school que isto possa parecer, jogar jogos de tabuleiro é uma boa opção. Ou simplesmente conversar ou namorar.

"Foste fantástico(a)"
Fingir orgasmos e fingir que se gosta de determinada posição sexual pode ter um impacto negativo na relação e até é injusto para o parceiro. A honestidade ajuda até à melhoria da vida sexual.

"Não é preciso férias a dois"
Férias em família (ou com amigos, para quem gosta) podem ser muito divertidas mas impedem que o casal tenha oportunidade de descansar e namorar. Se possível o casal deve tentar, pelo menos uma vez por ano, férias a dois, ou pelo menos um fim-de-semana, mesmo que seja perto de casa.

"Já não vou estar com os meus amigos"
Muitos casais quase que cortam relações com amigos quando se juntam. Mas é importante ter tempo para os amigos e para os interesses de cada um. Podem existir algumas regras mas é importante que exista confiança e que continuem a ser cultivadas as amizades anteriores à relação.

"Casei-me, por isso é normal ganhar peso"
É comum que os casais ganhem peso e se desleixem com a aparência quando se juntam. Mas isto tem consequências físicas e emocionais em ambos. Um compromisso é uma boa solução. É bom que exista um pacto de que se vão manter activos e que vão manter uma alimentação saudável.

Tenho a certeza absoluta de que qualquer pessoa que leia este texto irá reconhecer no mínimo um destes erros. Tenho a certeza que todas as pessoas já cometeram pelo menos um destes erros. Acredito também que até o fazem sem ter a noção de que terá um impacto negativo na relação. E também sei que todas as pessoas vão reconhecer estes erros como básicos. Porém, evitar os mesmos é mais fácil na teoria do que na prática.

quando pensas que já viste tudo surge uma nova tendência

Existem alturas em que acredito já ter visto tudo. E isto aplica-se a quase tudo na vida. E certamente aplica-se às redes sociais. São as fotos com alguma nudez, são as fotos que resultam de se ter colocado a vida em risco. São as imagens para imitar este ou aquele. São esqueletos que ganham vida nas redes sociais. É tudo e mais alguma coisa. E isto faz com que chegue o momento em que se acredita já ter visto tudo.

E quando se começa a acreditar piamente nisto surge uma nova tendência que nos deixa boquiabertos. Esta em concreto está a dividir opiniões. De um lado estão os que acham que é uma brincadeira hilariante. Do outro estão aqueles que defendem ser repugnante. Começo pela base desta ideia: paisagens de sonho. Algo que quase todas as pessoas já publicaram nas redes sociais.

Mas esta nova tendência tem uma (ou duas) pequena particularidade. O quê? Nada mais do que a presença de um testículo no plano da imagem. Nutscapes é o nome desta nova tendência nas redes sociais. Partilho aqui apenas uma imagem para que se possa perceber como estão a ser partilhadas as imagens. Quem quiser ver mais pode clicar aqui.


Acho que não volto a dizer que já vi tudo nas redes sociais. Agora espero sempre pela próxima novidade. Por fim, uma pergunta: esta moda é hilariante ou repugnante?

28.10.15

escuta, eu sou o verdadeiro toni do rock

Vejo o rap feito em Portugal como um estilo musical que alimenta somente um nicho de mercado. Linguagem vernacular e batidas hip-hop fazem muito sucesso lá fora, por exemplo nos Estados Unidos da América, e por cá até são mais reconhecidos os rappers estrangeiros do que os portugueses. O que não invalida que exista talento (e muito) made in Portugal. Um destes casos é Tiago Lopes, também conhecido como Regula. Casca Grossa é o nome do mais recente álbum de Regula. E ainda mais recente é o vídeo do tema Toni do Rock que faz parte do álbum do rapper português.



Se gosto da música, passo a gostar ainda mais com este vídeo genial. Regula foi caracterizado com o típico bigode associado aos homens portugueses, sobretudo na década de sessenta, época para a qual remete a sua roupa de playboy. A isto junta-se uma não menos afamada Renault 4L. O cenário do vídeo é um simpático salão de bowling perto da Beloura. O vídeo tem estado a ser muito partilhado e é a prova de que se conseguem fazer coisas muito boas em Portugal sem ter a necessidade de imitar o que vem de fora. E a exposição deste vídeo mostra também que existe rap de qualidade em Portugal. Parabéns ao Regula e ao João Pedro Moreira, o autor do vídeo.

qual o sabor que marca a tua vida?

Acredito que todos temos um sabor que marca a nossa a vida. E estou a referir-me à comida. Todos temos um prato que só o seu nome escrito numa ementa de um qualquer restaurante remete-nos imediatamente para uma viagem temporal que provavelmente terá como destino a casa onde se viveu (ou vive) com os pais e os cozinhados da mãe, do pai, dos avós ou de outra pessoal qualquer. É aquela comida que necessita apenas de uma garfada para que diversas memórias ganhem vida, saindo do baú onde estão guardadas. E é um prato que faz com que todos os outros (iguais) fiquem sempre num patamar inferior. "A minha mãe faz isto como ninguém", é o desabafo que algumas pessoas, tal como eu, fazem.

Sendo uma excelente cozinheira a minha mãe tem diversos pratos que são de comer e chorar por mais. Não é por ser minha mãe mas a verdade é que não sabe cozinhar mal. Mas se tiver que eleger um prato e um sabor que marca a minha vida tenho de escolher as suas lulas recheadas acompanhadas com arroz de tomate. Não existe nenhuma pessoa no mundo que consiga estar no mesmo patamar da minha mãe no que às lulas recheadas diz respeito. É todo um processo que faz com que seja um prato especial. Desde a compra e a escolha, algo que não faz em qualquer lugar, até ao processo de limpeza e de recheio. "Dá muito trabalho", diz. "Mas é tão bom", acrescento. Sem ignorar o amor, o melhor dos ingredientes de qualquer prato.

Tanto tenho chateado a minha mãe que hoje acabou por fazer o prato de que tanto gosto. Assim que soube que ia fazer a minha reacção imediata foi "faz mais para levar para casa". E como referi, este é aquele prato que marca a minha vida. É o sabor que me remete para a infância e para a alegria que tinha quando via a minha mãe no seu demorado processo de limpar e rechear as lulas. Era um momento de alegria pois sabia que o almoço seria do meu agrado. Hoje bastou provar um bocado de uma lula e comer um pouco de arroz para que o sabor fosse da minha infância.

É um daqueles pratos que é muito mais do que isso. É um sabor que me faz sorrir. Que me faz viajar no tempo. Que me recorda muitos momentos passados em casa dos meus pais. E que ainda hoje me deixa a salivar só de saber que vou comer lulas recheadas, acompanhadas com arroz de tomate, confeccionadas pela minha mãe. E acredito que a sensação que tenho com este prato específico é comum a todas as pessoas. Só resta saber... qual o sabor que marca a tua vida?

queres ter um barbear igual ao de james bond? (passatempo)

Neste texto já tinha dado conta da associação da Gillette ao agente secreto mais famoso do mundo. Além de ter levado a cabo uma acção com Jany Temine, uma premiada designer que está por detrás de Skyfall e Spectre, os mais recentes filmes da saga James Bond, a Gillette deciciu também colocar no mercado um pack especial alusivo ao mais recente filme do agente que protege a rainha de Inglaterra e que permite ao homem comum ter um barbear igual ao de James Bond. Este kit é composto por uma Gillette Fusion ProGlide com Tecnologia Flexball e ainda duas recargas. Numa associação com a Gillette tenho cinco packs destes para oferecer.

A participação é bastante simples. Basta deixar um comentário onde esteja escrito "Gillette e homem sem blogue, quero ter um barbear igual ao de James Bond". O passatempo é válido até ao dia 4 de Novembro, sendo que irei anunciar os cinco vencedores no dia seguinte pois é a 5 de Novembro que Spectre chega às salas de cinema portuguesas. Quem participar de forma anónima deverá deixar no comentário um nome que identifique a pessoa. Boa sorte!


as putas e os filhos delas

Existe uma piada bastante popular ligada à política, utilizada mais especificamente quando se aproxima um qualquer período eleitoral. E a piada diz algo como estar na altura de votar nas putas porque votar nos filhos delas não está a dar certo. É uma piada que certamente a maioria das pessoas já ouviu ou já viu partilhada em forma de imagem numa qualquer rede social. Políticas à parte, até porque este texto não está directamente ligado à política, o sociedade em que vivemos parece estar construída em torno dos filhos da puta. Leia-se aquelas pessoas que, de forma resumida, vivem de esquemas e que levam a que outras as apelidem como tal. E aposto que todas as pessoas conhecem alguém assim.

Ser filho da puta, nos moldes que referi, deveria ser uma excepção. Deveria ser algo pontual. E não vou mentir e revelar o meu lado puro e angelical para dizer que nunca deveremos ter comportamentos que os outros identificam como sendo a filha da putice. Existem momentos em que são necessários. Mas sempre de forma pontual e na maioria dos casos como única solução para colocar um ponto final em algo ou mesmo para corrigir uma injustiça.

Mas a filha da putice está a deixar de ser uma excepção para ser regra geral. E em muitos casos estes comportamentos surgem de onde menos se espera. E até de quem não tem motivos para agir de tal modo. E o pior é que, em alguns casos, adopta-se este comportamento com a clara noção de que se vai dificultar (e muito) a vida de uma ou de várias pessoas e até com suporte legal. É uma espécie de vale tudo. Até vender a mãe se assim for necessário. E quem vier atrás que feche a porta.

Não sei se a única opção para triunfar é ser filho da puta. Nem quero adoptar esse estilo de vida de forma frequente. Sei que olho para os lados e vejo cada vez mais pessoas assim. Felizmente também os começo a reconhecer à distância. Comecei este texto com uma piada. Agora socorro-me do ditado que diz que se não os consegues vencer, junta-te a eles. Não os consigo vencer a todos mas recuso juntar-me a eles. Prefiro deixar de ouvir certas coisas. Opto por uma mudança de atitudes. E deixo de ter pena de muitas pessoas. É uma espécie de não os consegues vencer, protege-te deles.

27.10.15

fuck photoshop ou há algo melhor do que uma mulher confiante?

Por norma (e cada vez mais) o photoshop, o famoso programa de edição de imagem, é notícia pelo seu uso excessivo. São manequins a quem são roubados centímetros na cintura, são mulheres que perdem partes do corpo, são imperfeições corrigidas à exaustão e por aí fora. O que faz com que exista uma espécie de ódio de morte em relação ao programa e por acréscimo às mulheres (manequins) que aparecem nas imagens que são o centro da fúria de muitas pessoas na eterna discussão do corpo real.

Raras são as vezes em que o photoshop é falado porque esteve ausente. E quando isto acontece esquece-se aquela batalha em torno do corpo real e, nem sempre mas muitas vezes, critica-se quem tem a coragem de partilhar imagens sem retoques. É a celulite. É isto. É aquilo. E mais não sei o quê que resulta numa foto que muitos defendem que não deveria ver a luz do dia e muito menos ser partilhada numa qualquer rede social. Estes são os dois extremos da questão. Numa ponta as manequins que não têm corpos reais. No outro as mulheres reais que não deviam tirar fotos. Algures aqui pelo meio encontro o exemplo de Demi Lovato.

Não sou o maior fã de Demi Lovato. Muito longe disso pois num rápido exercício de memória não me recordo de nenhuma música dela que possa cantarolar (acabei de ir ao youtube escrever o nome da cantora e não reconheci nenhum vídeo). Mas isto não me impede de olhar para esta jovem de apenas 23 anos como um exemplo. E não sendo o seu maior fã conheço parte da sua história de vida, que não é nada fácil. Existe o sucesso que todos conhecem. No outro lado está o lidar com o pai bipolar, o internamento numa clínica de reabilitação devido à dependência de drogas, a depressão, o transtorno alimentar, a automutilação e as tentativas de colocar um ponto final na sua vida. Ou seja, uma pessoa que se sentia mal na sua pele.

Agora Demi Lovato diz-se curada e uma nova mulher. E para celebrar este momento da sua vida aceitou o desafio de ser fotografada sem roupa para a revista Vanity Fair. Além da sensualidade devido à ausência de roupa também não existe maquilhagem nem uso de photoshop.





A artista diz que teve por objectivo mostrar que se pode superar os obstáculos em relação ao corpo e que as pessoas podem sentir-se confortáveis na sua própria pele. Achei piada ao facto de ter revelado algumas das imagens na sua conta do instagram onde escreveu coisas como: "sometimes you just have to say fuck the photoshop", "what´s wrong with being confidente" e "three rules: no makeup, no clothes, no retouching".

Vivemos numa época em que se valoriza cada vez mais a imagem perfeita. São tempos em que existe uma obsessão de estar dentro dos parâmetros que outros entendem ser ideais para nós. Vive-se com medo da exclusão porque simplesmente não se está à altura das regras de outros. E isto pode resultar num preço demasiado alto. Existem adolescentes que se isolam. Que se odeiam porque acham que não são aceites pelos outros e que podem acabar em cenários parecidos aos de Demi Lovato com depressões e pensamentos negativos em relação à própria vida.

Nesse sentido valorizo aquilo que Demi Lovato teve a coragem de fazer. Para muitas pessoas isto não passará de um conjunto de fotos ordinárias (no facebook do blogue partilhei todas) de uma mulher que se deseja expor e promover um trabalho musical. Para mim é uma lição de vida com sensualidade que tenta provar às pessoas que já passaram pelo mesmo que é possível que tenham confiança e que se sintam bem na sua pele. E haverá algo melhor do que uma mulher confiante? Duvido...

histerismo alimentar

Recordo-me da loucura em torno da doença das vacas loucas. Na altura quase ninguém queria comer carne de vaca. Este talvez seja o melhor e maior exemplo em torno do histerismo alimentar. Mais recentemente, e em Portugal, existe também o caso do botulismo alimentar associado a uma marca específica que levou a que muitas pessoas deixassem de comer alheiras de Mirandela. E agora é o relatório da Organização Mundial de Saúde que menciona que o bacon, salsichas e as carnes processadas podem causar cancro. O que gerou uma onda de histerismo alimentar em torno do consumo de bacon, salsichas e, entre outros, presunto.

A Organização Mundial de Saúde vai mais longe colocando as carnes processadas na mesma categoria dos cigarros, álcool e ainda o amianto. De acordo com o relatório existem "indícios de que poderá haver uma ligação entre o consumo de carne vermelha e carne processada e o risco de desenvolver cancro no intestino", pode ler-se. O relatório refere diversos aspectos mas aquilo que parecem ser as letras garrafais é que bacon, salsichas e presunto podem causar cancro e que as carnes processadas estão na mesma categoria dos cigarros, álcool e amianto.

Depois existem aquelas letras que se assemelham às mais pequeninas que constam nos contratos ou mesmo aquelas licenças com que todas as pessoas concordam sem ler. E neste caso estão coisas como "poderá haver uma ligação", o que é completamente diferente de "existe uma ligação comprovada". Outro exemplo é o facto de que a OMS destaca que o consumo de carnes vermelhas faz parte de uma dieta saudável sendo uma fonte de proteínas e minerais. O problema é quando o consumo é exagerado.

Como quase ninguém dá atenção às letras pequenas, vende-se a ideia de que comer os alimentos referidos é meio caminho andado para se ter um cancro. E é isto, e também a forma como as notícias são transmitidas, que cria um histerismo alimentar completamente desnecessário. Provavelmente existem pessoas que desde que leram esta notícia decidiram nunca mais comer salsichas, bacon, presunto e por aí fora. Sem sequer tentar perceber se o problema está no consumo pontual e equilibrado ou se o problema está no exagero.

Era bom que as pessoas que ficam excessivamente alarmadas com notícias destas prestassem igual atenção aquelas que passam mais despercebidas e que dão conta do que é uma alimentação equilibrada e quais os alimentos essenciais para uma dieta equilibrada. Quantas pessoas é que não querem voltar a comer presunto, bacon ou salsichas mas também nunca comem peças de fruta ao longo do dia nem comem vegetais tal como pouca água bebem? E quantas destas pessoas acreditam que o único mal está no que é mencionado neste relatório ignorando muitas outras coisas, muitos outros hábitos que não alteram?

Notícias como estas são importantes para que as pessoas estejam informadas e em alerta para algo. Mas é importante ler tudo e não apenas os títulos e procurar o máximo de informação possível. É igualmente fundamental descobrir e perceber o que deve constar numa dieta equilibrada em vez de simplesmente cortar radicalmente com o consumo de todas as coisas que aparecem nas notícias.

poucas mas boas

Milão foi a cidade escolhida para palco dos MTV European Music Awards 2015. Este é o tipo de evento que por norma atrai muitas estrelas, sobretudo ligadas à música. A edição deste ano deixou um pouco a desejar no que à presença de estrelas diz respeito sendo que até nomeadas estiveram ausentes do evento. No que à música diz respeito, Taylor Swift, que tem somado diversas conquistas, foi a grande derrotada da noite com apenas um prémio. No extremo oposto ficou Justin Bieber, o grande vencedor da noite. Não sendo o seu maior fã, acredito que este poderá ser o momento do importante e necessário salto na carreira de Justin Bieber que fará com que comece a ser visto como um adulto. As estrelas podem não ter sido muitas mas é caso para dizer "poucas mas boas" e estas são as minhas preferidas.

Sou fã do estilo de Ruby Rose

Ruby Rose

Jess Glynne tem um dos melhores álbuns que ouvi ao longo deste ano

James Bay

Justin Bieber, o vencedor da noite

Ellie Goulding

Pharrel Williams

o hello da adele e não só...

O mundo está "louco" com Hello, a canção que marca o regresso de Adele. O tema é realmente fantástico, tal como a esmagadora maioria das canções desta magnífica artista, e já está a bater recordes. Mas a verdade é que o "hello" não é exclusivo de Adele. Provavelmente as pessoas recordam-se de imediato de Lionel Richie e o seu afamado e bem sucedido "Hello" mas a verdade é que existem muitas outras canções que também tiveram a sua fama dando maior ou menor destaque à palavra. Fui à procura de algumas dessas canções e até encontrei uma artista com ligações a Portugal que também já teve o seu momento Hello. Aqui fica o meu vídeo dedicado a todos aqueles que já cantaram um hello na sua carreira.

26.10.15

começar ou voltar a treinar

Quando o calor passa a ser menos forte existem muitas pessoas que retomam os seus treinos físicos, independentemente de ser uma caminhada perto de casa, uma corrida num percurso específico ou aproveitando a zona de habitação ou mesmo regressando ao ginásio. É também uma altura do ano em que muitas pessoas garantem que é agora que vão começar (ou voltar) a treinar.

Para quem não treina há muito tempo ou simplesmente nunca treinou existem alguns passos a seguir. O primeiro conselho que dou é efectuar um check up médico de modo a perceber se está tudo ok para o desporto que se pretende praticar. Pode parecer que se está a perder tempo mas é algo que pode evitar lesões desnecessárias e chatas de curar. Como diz o povo, mais vale prevenir do que remediar.

Estando tudo ok com o corpo nada melhor do que estabelecer um plano de treinos de modo a atingir determinado objectivo. Quem frequenta (ou vai frequentar) um ginásio tem este trabalho facilitado pois qualquer profissional saberá elaborar um plano para alcançar determinado objectivo, independentemente de ser perder peso, ganhar massa muscular, tonificar, etc.

Tendo o plano feito é não desesperar simplesmente porque se começou a treinar hoje e porque amanhã o corpo (tirando as dores musculares) ainda está igual. Os resultados podem demorar menos ou mais tempo mas não são imediatos. E aqui jogam muitos factores que vão desde a própria pessoa até ao treino escolhido e passando também pela alimentação. Treinar em conjunto pode ser uma boa alternativa para quem tem receio de desanimar depressa apesar de ser adepto de que a motivação depende sobretudo de cada pessoa. Se esta não existir ninguém a oferece, por melhor que seja a intenção.

Um aspecto não menos importante e que as pessoas valorizam cada vez mais: a escolha da roupa. Existem pessoas que quando retomam (ou iniciam) os treinos pegam numa roupa velha e nuns ténis que costumavam usar diariamente mas que já não usam e começam a treinar. Isto é um erro. Sobretudo no que ao calçado diz respeito. Além disso, nos dias que correm e com as tecnologias utilizadas, as roupas e o calçado ajudam e muito a que se alcancem os objectivos propostos. Nesse sentido deixo aqui algumas sugestões para as diferentes carteiras. Peço desculpa mas não consegui os preços da Adidas.







Quanto ao calçado sugeri apenas alguns modelos quase de forma aleatória. Mas (e esta dica é sobretudo para quem pretende gastar uma boa quantia nos ténis) convém saber que tipo de passada é que se tem. O pronador gasta mais sola na parte interior do pé. O supinador na parte exterior enquanto o neutro gasta a sola por igual. Hoje em dia existem casas que permitem efectuar estes testes mas olhando para a sola do calçado que se tem em casa é possível ter uma ideia do tipo de passada. Saber isto é bom para quem pretende gastar muito dinheiro em ténis pois evita que se compre um modelo com uma sola inadequada que irá gastar-se muito mais depressa do que o desejado.

Por fim, e para quem gosta de o fazer, existem músicas que são mais adequadas para os treinos/corridas. Existem diversas listas onde constam os mais diversos temas. Partilho aqui algumas músicas que constam numa das muitas listas que se encontram online. E tal como se encontram músicas existem também diversos planos de treino online como é o caso de Dicas do Salgueiro.

"a minha carta de amor ao herói da minha vida!"

“Amor, prefiro-te marido, pai e amigo a ter-te como mártir.

Sempre te admirei enquanto pessoa, pela tua determinação, pela tua sensatez e humildade, pela tua força e pela fé nas coisas em que acreditas. Mesmo antes de te lançares para o “canhão” da luta de derrube das injustiças que vivemos no nosso país admirava-te! Não é de hoje a minha admiração nem cresce diante desta tua decisão. Cresceu durante estes rápidos sete anos da nossa relação. Rápidos, porque parece que foi ontem que te conheci, parece que foi ontem que me apaixonei por ti, e mesmo diante deste momento difícil que estás a passar vejo o mesmo olhar dantes.

Quero-te presente e bem vivo para que possas transmitir esses valores bem vincados à nossa pequena Luena, o nosso raio de sol, o nosso sweet life, porque sinto-me incapaz de os passar sozinha, porque não os tenho tão vincados. Nós, eu e o nosso pequeno mas grande amor, queremos compartilhar mais momentos juntos, queremos ajudar-te na tua luta e acima de tudo recebermos o amor que é tão habitual termos.

Quero lembrar-te da promessa que me fizeste quando recebeste a Luena dos meus braços, minutos depois de ela ter nascido: que a partir de agora a coisa mais importante da tua vida é ela. Entendemos que sejas um homem de palavra e que levarás a tua palavra até ao fim, mas quero que tenhas em mente que as promessas são apenas palavras até começarem a ser cumpridas pelas nossas atitudes. Eu e a Luena esperamos que a cumpras.

Tu és o nosso herói, o exemplo de pai presente, o exemplo de marido honesto e um homem de palavra. Amamos-te muito! Da tua sempre persuasiva mulher, que conta, desta vez, persuadir-te a acabar a greve de fome, pois há uma promessa acima desta que tens mesmo de cumprir, não por mim mas pelo nosso tesouro, a Luena Almeida Beirão.”

Estas palavras são de Mónica Almeida, mulher de Luaty Beirão - o activista luso-angolano que está detido desde Junho e que cumpre o 36º dia de greve de fome – que escreveu uma carta ao marido que foi partilhada pelo jornal Expresso. Apesar do enorme impacto de todas as palavras fico imediatamente preso na primeira frase por considerar que diz tudo para esta mulher.

Enalteço a coragem, determinação e carácter de Luaty Beirão. Nos dias que correm talvez não seja fácil encontrar um jovem que enfrente uma situação destas de forma semelhante. E que tenha a lucidez de pedir as coisas que tem pedido (para além da libertação por considerar que foi ultrapassado o período de tempo da prisão preventiva) que vão desde não querer suporte artificial de vida caso os seus órgãos comecem a falhar até querer ser tratado como qualquer outro preso. Gestos que acabam por resultar numa visibilidade mediática para um problema que provavelmente passaria despercebido a todos sem estas medidas extremas. Até porque basta recordar que existem mais 14 activistas.

Por outro lado não consigo imaginar a dor de Mónica. O receio e o medo de pensar na possibilidade de a filha ficar sem pai apesar de enaltecer as qualidades do marido. Para a maioria das pessoas um dia não é mais do que 24 horas que são preenchidas com rotinas e outras actividades. Para esta mulher e para os familiares de Luaty Beirão cada minuto deve representar uma gigantesca incerteza sobre como será o minuto seguinte. Que tudo se resolva em breve.

parabéns meu amor de varicela

Hoje é o teu dia. Está na altura de festejar o teu oitavo aniversário. E tinhas tantos planos para hoje, como me disseste recentemente. A tua ideia era almoçar em casa, ir à Disneyland Paris, onde irias estar um minuto a brincar e depois voltavas para o jantar em família, algo de que tanto gostas. Mas a varicela trocou-te as voltas e o teu dia e a tua festa de aniversário vão acontecer apenas num local: a tua casa. Nada que te retire a boa-disposição.

"Estás doentinha. Vais ter de ficar uns dias em casa", digo-te ao telemóvel.

"Pois é tio. Mas vou fazer um jantar de aniversário em casa. Como estou assim vamos ser apenas sete pessoas. Depois tu e a tia vão lá ter a casa, ok? Vá, vou passar o telemóvel à mãe. Beijos", diz-me.

Não vejo a hora de estar contigo a festejar um dos dias mais especiais da minha vida desde o ano em que nasceste. Amo-te muito e és a sobrinha mais bonita e espectacular que este mundo já viu. Muitos parabéns!

25.10.15

o machismo dos nomes femininos atribuídos aos furacões

Existem as mais diversas teorias em torno da forma como não nomeados os furacões. Umas com mais lógica. Outras mais estapafúrdias e até muitos palpites que se vendem com certezas absolutas mesmo não o sendo. Partindo do princípio, qual será o motivo pelo qual os furacões têm nomes? Pelo simples motivo de que o nome faz com que as pessoas se recordem das tempestades, comuniquem melhor sobre as mesmas e o mais importante, acabam por se manter seguras, tomando mais precauções, no momento em que a tempestade as atinge.

E porque será que os furacões têm todos nomes de mulheres? Acreditar nisto é acreditar numa mentira. Os furacões e as tempestades são nomeados com base numa lista de nomes aprovada num momento anterior ao início da época das tempestades e furacões, uma prática que existe desde 1950. A lista segue uma ordem alfabética e contém nomes femininos e nomes masculinos. Ou seja, na realidade existem 50% de furacões com nomes de mulheres enquanto a outra metade tem nomes masculinos. Por isso, teorias à parte, esta é a explicação para os nomes.

À parte de tudo isto existe um dado bastante curioso que algumas pessoas transportam para o machismo. Como referi, metade dos furacões têm nomes de mulheres enquanto a outra metade tem nomes de homens. Nomes esses que seguem uma ordem aleatória e alfabética independentemente da gravidade do furacão. Mas a verdade é que os furacões com nomes de mulheres podem matar três vezes mais pessoas do que os furacões com nomes de homens. Isto quer dizer que são mais fortes? Não! Matam mais pessoas porque as pessoas os subestimam. As pessoas tendem a acreditar que furacões com nome de mulher são mais fracos e não exigem tantos cuidados. Como tal, desleixam-se porque acreditam que um furacão com nome de Cindy, por exemplo, será suave e nada perigoso ao contrário do que seria de esperar caso tivesse um nome masculino.

Por fim, e brincando um pouco com o tema, mal daquele que subestima uma mulher furacão ou uma mulher em fúria. Como diria Arnold Schwarzenegger no filme O Último Grande Herói... "big mistake".

comida tradicional portuguesa no topo

Somos vistos como um povo que se destaca por ser bom garfo. Além do gosto pela comida e pela facilidade em passar horas à mesa a comer, beber e conversar somos também reconhecidos, por quem vem de fora, pela nossa irresistível gastronomia. Mas parece que até os próprios portugueses, por mais que gostem de outros tipos de comida, acabam por dar preferência à comida tradicional portuguesa.

A plataforma portuguesa Zaask (melhor o processo de contratação de serviços locais) elaborou um estudo centrado no sector do catering e chefs ao domicílio e chegou à conclusão de que aquilo que os portugueses mais querem na sua mesa é boa comida tradicional portuguesa. Apesar de, e apenas para dar um exemplo, se verificar um grande sucesso no sushi, 74% dos pedidos de catering e 34% de pedidos de chef ao domicílio provam que existem tradições ainda são o que eram na mesa dos portugueses.

No segundo lugar no catering ao domicílio surgem os petiscos e as tapas, com 13%, logo seguidos, com 4%, das refeições gourmet e o sushi. A comida vegetariana fica-se pelos 3% enquanto a italiana não vai além dos 2%, aparecendo ainda o barbecue com 1%. Por sua vez, 50% dos pedidos de catering ao domicílio são pensados para um número de 50 pessoas. Quanto aos tipos de refeição, 28% dos pedidos são para buffet, 16% para catering de casamentos, 12% para jantar volante e/ou jantar sentado, 9% para festas de aniversário e 8% para baptizados, primeira comunhão e cocktails. Estudo completo aqui.

24.10.15

à errus que durão para a vida

Comu se costoma dizer "herar é umanu". E qem nonca erou que atir a primiera pedra. Endependentimente dus eros que todus cumetemus nus deferentes mumentus das nosas vidas exestem outrus que pudem muitu bem sere ivitadus. Dipende de cada om de nós pircebere que eses eros podem muitu bem ser contruladus por cada um de nós e que o pesu dos mesmus pode sere muitu pesadus.

Basicamente tudo o que está escrito anteriormente tem erros ortográficos. Desde o título ao primeiro parágrafo praticamente tudo tem erros. Como são muitos erros nota-se que existe uma intenção de errar. E existe mesmo. Caso fossem erros pontuais ficaria a ideia de que não sei escrever determinada palavra. Provavelmente seria ofendido por algumas pessoas. E quase todas as pessoas acabariam por dizer ser incapazes de dar aqueles erros. "Eu nunca!", seria um pensamento comum.

E possivelmente parte das pessoas que pensam desse modo, ou seja, parte das pessoas que seria incapaz de dar um destes erros na escrita seria do sexo feminino. E ficaria muito feliz por saber que nenhuma mulher daria apenas um dos muitos erros ortográficos dados por mim no primeiro parágrafo. E mesmo que as mulheres se possam enganar num destes erros, tenho a certeza absoluta de que nenhuma mulher no mundo seria capaz de dar um erro ortográfico ao escrever o nome do filho.

Tenho também a certeza de que nenhuma futura mãe será capaz de errar ao escrever o nome que já escolheu para o filho. "Isso seria um erro básico", devem pensar diversas pessoas. E realmente é. Mas beber bebidas alcoólicas durante a gravidez e amamentação também é um erro básico. E uma em cada cinco grávidas consomem álcool mesmo depois de já terem conhecimento da gravidez. E isto é preocupante porque nenhuma bebida alcoólica é segura para o bebé. Por isso é fundamental que as grávidas percebam que existem erros que duram para a vida.


Parabéns ao Tiago Silva e ao Hugo Suíssas que venceram um concurso sobre este tema e são os responsáveis por uma campanha de sensibilização com anúncios na imprensa (como este que aqui partilho) e outdoors.

tudo na vida tem pelo menos duas perspectivas


Uns olham para uma delas. Outros conseguem aperceber-se de outra completamente diferente. Uns ficam-se pelo lado negativo. Outros alcançam o aspecto positivo da perspectiva que escolhem. É assim com a arte. Tal como é assim com quase tudo na vida. É uma questão de perspectivas.

23.10.15

confuso? nada disso! é a política em portugal

A coligação Portugal à Frente (composta pelo PSD e CDS-PP) ganhou as últimas eleições legislativas mas perdeu a maioria absoluta que detinha. Este facto deu início a negociações com o Partido Socialista, o grande derrotado do acto eleitoral, de modo a formar Governo. Reuniões vazias de conteúdo mas cheias de críticas, de parte a parte. De um lado está António Costa que acusa Pedro Passos Coelho de esconder informações de relevo dos portugueses. Do outro lado, Pedro Passos Coelho ameaça acabar com as negociações. Por sua vez, Paulo Portas acusa António Costa de ser um político à procura da sua sobrevivência.

A par disto existem, e supostamente a bom ritmo, negociações entre o PS, Bloco de Esquerda e CDU para formar um Governo "estável" à esquerda. Além disto, o Presidente da República reúne-se com os diferentes partidos. Será que vai indigitar Pedro Passos Coelho a formar Governo. Ou será António Costa o escolhido? Sem surpresas a escolha recai em Pedro Passos Coelho, sem que aproveite o seu discurso para atacar a esquerda. E nesta altura o actual momento da política portuguesa parece uma receita com dezenas de ingredientes.

Tudo isto tem originado os mais diversos comentários. Um deles é o de que quem ganhou deve governar, uma das regras da democracia, dizem. O que faz sentido. Se existir um Governo composto por uma coligação à esquerda estaremos a ser governados por uma escolha que não foi dos portugueses nas urnas, referem outros. O que também faz sentido, porque basta olhar para os números. Mas também existe o outro lado da moeda. Caso existam muitas cedências da parte da coligação Portugal à Frente para formar Governo, não será que os portugueses também vão ser governados por uma coligação diferente daquela que elegeram? É o que também se pergunta.

E se antes deste último parágrafo já parecia uma receita com dezenas de ingredientes agora parece uma daquelas receitas que o afamado chef Gordon Ramsey pede aos concorrentes de Hell´s Kitchen para elaborar e que estão sempre a voltar para trás acompanhadas dos sonoros gritos do chef. Confuso? Nada disso! É a política em Portugal. Resta aguardar dez dias, o tempo que a comida necessita de estar no forno. Até lá é esperar que o forno apite para que se retire a comida na esperança de que esteja boa para servir e comer. Os milhões de portugueses agradecem.

não posso ficar tanto tempo sem ti, tarik dos croissants

Se não estou enganado conheci os croissants do Tarik, no Centro Comercial da Portela, quando comecei a namorar com a minha mulher, ou seja, já lá vão mais de 12 anos desde que os provei pela primeira vez. Antes disso já era fã de croissants com doce de ovo (ainda hoje são os meus preferidos) mas depois de provar aqueles fiquei fã dos croissants daquela casa. Isto numa altura em que ainda não existia uma grande febre em torno desta iguaria.

Costuma ir com alguma frequência aos croissants do Tarik mas há muito que não me deliciava com um de doce de ovo. Ontem fui ter com a minha mulher a Lisboa e acabámos num banco do Centro Comercial da Portela a devorar dois croissants. O dela com chocolate, o meu com doce de ovo. E é claro que o meu desapareceu muito mais depressa do que o dela. E bastou uma dentada para que percebesse que não posso voltar a ficar diversos anos sem ir aos croissants do Tarik. E só de escrever isto já fiquei a salivar por um.

gin, hendrick´s, love and friends

O Hendrick´s, que se assume com o gin mais inusitado do universo, organiza aquelas que são, para mim, das melhores festas que decorrem em Portugal. A começar pelo facto de que são quase secretas e de acesso gratuito. A isto junta-se uma bebida que muito aprecio e que é distribuída igualmente de forma gratuita. Locais sempre excepcionais. Uma decoração apaixonante. Actores e figurantes que dão vida, na perfeição, à época vitoriana interagindo com o público. E novidades atrás de novidades que nunca deixam de surpreender aqueles que marcam presença, como é o meu caso, em todas as festas Hendrick´s.

A última destas festas, a que deram o nome de Hendrick´s Illusionary Night, aconteceu ontem no Palácio Sinel de Cordes, no Campo Santa Clara, em Lisboa. As novidades deste evento passavam sobretudo pela ilusão de óptica num labirinto de espelho e especialmente pela famosa Illusionary Box onde as dimensões das pessoas são alteradas. E voltou a estar presente o G.O.S.H. (Gin Oscillating Sensory Helmet) que permite inalar Hendrick´s. Também existiam espaços dedicados ao tacto, olfacto, audição e gosto e uma espécie de floresta encantada. E logo à entrada existia uma enorme plataforma giratória onde era possível tirar fotos.

Apesar destas festas serem quase secretas nunca faltam pessoas às mesmas, o que é de destacar. Por norma o acesso é feito através das redes sociais e como o acesso é limitado costuma esgotar rapidamente (a partir do momento que se vá a uma é mais fácil estar a par das próximas). E também tem piada que estão presentes os mais diferentes tipos de pessoas nestas festas. Desde os betos até aos freaks, desde a produção excessiva até à ausência de produção, desde novos até menos novos. Há-de tudo um pouco e em perfeita harmonia.

Só a decoração destes eventos e o gin já bastava para uma noite diferente a dois ou entre amigos. O facto de existirem actores que interagem com as pessoas e novidades que todos querem experimentar faz com que seja ainda mais especial e divertido estar presente numa noite Hendrick´s. Este ano fui, como sempre, com a minha mulher e com um casal amigo (Sara e o David, do blogue definitivamente são dois!) que ficaram rendidos ao ambiente que encontraram, tal como tinha acontecido comigo na primeira festa e tal como acredito que fiquem todas as pessoas. Estando lá é aproveitar o gin, trocar dois dedos de conversa, namorar e aproveitar tudo aquilo que está ao alcance dos convidados e que não é comum encontrar noutras festas nocturnas. Aproveito para partilhar alguns dos muitos momentos de ontem e das muitas gargalhadas. Adoro noites destas em que tudo se esquece e onde se destaca a diversão e os bons momentos. 

Palácio Sinel de Cordes

A famosa Illusionary Box, a grande novidade deste ano. Tenho de revelar que me senti injustiçado e que sou claramente a pessoa mais alta dos quatro. Só isso justifica que, primeiro com a minha mulher e depois com o David, tenha ficado sempre do lado dos mais pequenos. Acrescento que tinha muita curiosidade em perceber como é que isto funciona e bateu certo com o que pensava.

Um dos locais mais giros para tirar fotos mas onde nem toda a gente queria tirar pelo simples facto de que esta "cabine" estava no meio de um movimentado jardim.

Metade da plataforma giratória onde se podiam tirar fotos interagindo com os figurantes. "Salta", diz ele. "Não posso. Fui operado à perna", respondo. "Não faz mal, ninguém sabe", conclui ele deixando os três a rir.

O DJ de serviço

Detalhe decoração

Acesso à sala de espelhos

Por fim, deixo uma dica a quem gosta deste tipo de festas. Estejam atentos às redes sociais da Hendrick´s de modo a que possam fazer o registo para marcar presença numa das próximas festas.

a eterna necessidade da comparação

A comparação com os outros faz parte da vida de todas as pessoas. Especialmente quando somos mais novos. "Mas o outro também isto ou aquilo", são palavras que todas as crianças já disseram aos pais num qualquer momento. "Mas as notas da turma foram todas baixas", é algo que possivelmente muitas crianças já disseram aos pais. E nesta fase da vida também acontece o oposto. Quanto pais é que já não deram o exemplo do colega x que é muito bom aluno e muito bem comportado? Muitos, acredito.

Na idade adulta a comparação também continua a estar presente na vida das pessoas. Por exemplo num qualquer mercado de trabalho. Neste cenário é normal que o funcionário x seja comparado com o funcionário y em alguns momentos. Tal como, e apenas para dar mais um exemplo, algumas pessoas compara os(as) namorados(as) com os anteriores caindo muitas vezes no erro de confrontar o(a) actual companheiro(a) com o(a) anterior. Mas acabam por ser comparações pontuais e que quase todas as pessoas, mesmo não sendo propositado, acabam por fazer.

Até agora não me faz nenhuma confusão as comparações que referi. Até porque, e como referi, são pontuais. Já não acho especial piada é as pessoas que vivem presas à eterna necessidade de comparação. Ou seja, pessoas que passam a vida a comparar-se com os outros colocando-se sempre num patamar superior. Pessoas cujo método de auto-elogio passa somente pela comparação com os outros. Que por norma, e por melhor que sejam, acabam sempre num patamar inferior ao dessas pessoas.

As pessoas são o que são. Gostam do que gostam. Têm qualidade e têm defeitos, como todas as pessoas. Depois podem ser agrupadas em conjuntos dos que gostam disto, dos que gostam daquilo e por aí fora. Mas no final do dia as pessoas continuam a ser todas diferentes. E passar tempo em comparações com o único objectivo de auto-destaque é apenas um desperdício de tempo.

22.10.15

entrevista com manel cruz

Lancei no blogue o desafio de encontrar a melhor música portuguesa de sempre. A eleição foi da inteira responsabilidade de quem por aqui passa e depois de três etapas de votação destacou-se o tema Ouvi Dizer, dos Ornatos Violeta, editado em 1999, que faz parte do álbum O Monstro Precisa de Amigos. Depois de partilhar o vídeo da música vencedora fui à procura de Manel Cruz, o vocalista dos Ornatos Violeta e o responsável pela letra do tema que ainda hoje apaixona pessoas das mais diferentes gerações.

E foi numa agradável conversa que fiquei a saber como surgiu Ouvi Dizer, que nem é um dos temas preferidos daquele que considero ser um dos melhores talentos nacionais da sua geração. Quais serão os motivos do sucesso de Ouvi Dizer? E porque será que os Ornatos Violeta são um das bandas de culto da música portuguesa mesmo tendo apenas dois álbuns editados? Isto e muito mais numa entrevista que partilho aqui. Por fim, será que os Ornatos Violeta podem vier a ter um novo álbum?


homem sem blogue - Qual a sensação de ver uma música tua eleita como o melhor tema português de sempre?
Manel Cruz - (Risos) É fixe! É bom! Embora as coisas sejam relativas é bom que alguém ache isso (risos).

Esta eleição aconteceu no blogue mas Ouvi Dizer consta sempre nas listas das melhores músicas portuguesas de sempre. Quando a música foi feita deu para perceber que teria este impacto?
Não, de maneira nenhuma. É uma coisa muito difícil de prever e nunca pensei nas coisas dessa maneira. Aliás, as músicas de que mais gosto nunca foram eleitas (risos). Normalmente são músicas que têm determinadas características mas normalmente não são as de que mais gosto.

Para-me Agora é uma das tuas músicas preferidas dos Ornatos Violeta. Mesmo não sendo aquela de que mais gostas é justo dizer que Ouvi Dizer é o tema mais marcante da tua carreira?
Sim. Talvez seja a mais marcante, tal como Capitão Romance. Mas esta talvez tenha sido a mais mediática.

Recuando no tempo. Ainda te recordas o que originou este tema?
Sim. Como é visível na música é uma dor de corno (risos). Um amor espatifado. Não me lembro exactamente do dia em que a fiz mas recordo-me de estar a fazê-la e de mostra-la, ainda sem letra, só com música e melodia ao Kinörm [membro dos Ornatos Violeta]. Era tocada à guitarra, com outra onda mas recordo esse momento.

Há algum motivo especial por detrás da participação de Victor Espadinha?
Foi quase uma questão de humor. Por causa de fazer parte daquele universo Joe Dassin e aquela maneira de declamar com muito ênfase e algo kitsch a que nós achávamos graça. Num ensaio surgiu a ideia de ter alguém a dizer o poema. O Kinörm sugeriu o Victor Espadinha e achámos todos muita graça ao confronto entre o universo da música e a forma da poesia mais enfatizada.

Quais as explicações para que Ouvi Dizer seja uma música tão marcante para tantas pessoas de diferentes gerações?
Não sei. Não consigo identificar isso até porque posso ter uma interpretação pessoal. Tem um formato mais comercial. É uma música algo épica. A letra comunica aquele sentimento de uma forma muito directa e apaixonada. Depois é um ciclo vicioso em que as coisas começam a passar e acabam por ficar. Acima de tudo compreendo a força da música. Se calhar até é uma das razões pelas quais me enjoei um bocado da música. E talvez a forma inflamada como canto e como é tocada. A meu ver não é tão rica de uma perspectiva artística. Se calhar é mais redondinha. Mas é difícil estar a tentar perceber os motivos pelos quais uma coisa fica no goto das pessoas. É complicado.

E em relação aos Ornatos? Tiveram apenas dois álbuns mas são uma banda de culto para diversas gerações...
Acredito que acima de tudo é pela música. A música é comunicação e de alguma forma aconteceu isso e a nossa música comunicou com as pessoas. Não existia uma estratégia de marketing nem tivemos uma grande campanha. Foi o tempo que nos fez chegar onde estamos. Acho que passa por aí, pela comunicação das letras e das músicas e identificação com o que passa.


Ouvi Dizer faz parte do álbum O Monstro Precisa de Amigos que já foi eleito (eleição da rádio Antena3) o melhor das três décadas da música portuguesa. Qual a significado?
É muito bom. Como artista gosto de me sentir sempre fresco e de me refrescar. Não gosto de riscar o passado mas gosto de o deixar onde está. Estas coisas são muito boas e gratificantes e perpetuam algo que já passou. Como artista não dou mais importância do que ser gratificante e pelo gosto de ver algo que fizemos ser reconhecido e ter significado para as pessoas. Fica-se por aí. Porque o meu impulso é arrumar o passado e concentrar-me no presente e no futuro para sentir que continuo com uma forte dinâmica de criatividade. Mas evidentemente que seria mentiroso se não dissesse que sinto felicidade de que aquilo que fiz tem importância para as pessoas.

Este reconhecimento levou pressão para outros projectos musicais? As pessoas tendem a comparar e a exigir algo ainda melhor?
Absolutamente nenhuma. Acredito que o que faço é sempre melhor mesmo que não seja tão mediático. E não comparo o meu presente com o passado. Comparo mais depressa o presente com o futuro. Ou seja, comparo o que estou a fazer com o que queria e pretendo fazer. Para mim o mediatismo não atesta a qualidade do que se faz. Atesta sim o fenómeno social que acho que já não me pertence nem está nas minhas mãos. Vejo tanta coisa mediática de que não gosto e que nem compreendo. Não digo que não tenha valor mas não me compete avaliar e não consigo estabelecer uma ligação entre a parte mediática e a estética. São coisas que acontecem devido a muitos fenómenos. Aquilo a que as pessoas se ligam do meu passado e aquilo que faço no presente são coisas distintas. É quase como uma outra vida e isso não me faz confusão nenhuma.

Em 2012 achavas impossível que os Ornatos Violeta fizessem um novo álbum. Manténs a opinião?
Nada é impossível no universo científico (risos). Mas acho que as coisas têm que ter uma pertinência e uma razão ligadas à nossa vontade criativa. Ainda que existam muitas coisas na vida que nos levam a fazer algo, como a necessidade de sobreviver e ganhar dinheiro. Isto seria perfeitamente legítimo, como outra coisa qualquer. Mas acho que todas as pessoas lutam para ter prazer no que fazem. Por isso, acho que faremos um álbum se for pertinente artisticamente, algo que acho difícil porque temos as nossas vidas e cada um de nós tem projectos e coisas que deseja fazer. Se fosse para fazer um álbum agora acho que nos iríamos juntar para nos deixarmos ir numa corrente que não é propriamente aquela do que queremos fazer.

Estiveste a dar concertos. O que se segue?
Estive a tocar ao longo do último ano. Fiz um apanhado das músicas que fiz e de outras em que estive envolvido inseridas num pacote com algumas coisas novas. Neste momento estou num interregno de música ao vivo. Vou gravar as coisas novas que fiz mas ainda não sei para quê. Se vou fazer um disco ou partilhar na net. Irei continuar sempre a fazer coisas.

O meu agradecimento ao Manel Cruz pela disponibilidade e simpatia durante a conversa. E um agradecimento especial à Turbina (muito obrigado Pedro) por tornar esta conversa possível e também pela cedência das fotografias que dizem respeito à ultima digressão de Manel Cruz.