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31.1.15

acho que as mulheres se vão identificar

Skellie não é mais do que um esqueleto que está a alcançar fama mundial. Como? Imitando as fotografias que as mulheres (este é o conceito porque é uma mulher mas pode ser estendido ao universo masculino) captam e partilham nas redes sociais, como é o caso do instagram. Foi algo que começou como uma brincadeira entre colegas de trabalho mas que rapidamente cresceu, sendo já considerada com uma das contas mais divertidas da famosa rede social.

Tenho a certeza de que todas as pessoas vão encontrar uma imagem com a qual se identificam, assumindo, com um sorriso nos lábios, que podiam estar no lugar de Skellie, o esqueleto que tem tudo para ser o mais famoso do mundo e que é uma das ideias mais divertidas que descobri nos últimos tempos.

Segredo de beleza.

Leg Day no ginásio.

A sentir-me uma princesa na floresta.

Selfie no trabalho.

Compras até cair para o lado.

Bar aberto na festa de Natal.

A desenhar anjos na neve.

Sushi.

Quantas vezes carregam no snooze?

Não se preocupem rapazes que despacho-me depressa pela manhã.

A relaxar.

O frio do Inverno pede piscinas de água quente.

Quem estiver interessado pode seguir as aventuras de Skellie no instagram (@omgliterallydead).

30.1.15

podia ser assim

Se fosse actor, imaginava-me a fazer este filme. Seria o protagonista. Leonardo DiCaprio e Jamie Foxx fariam de meus melhores amigos. Christian Bale faria de meu mentor. Charlize Theron seria o meu par romântico. Como Heath Ledger já faleceu, Tom Hardy seria o meu “inimigo” na trama. E Kevin Spacey seria o meu patrão com quem bebia uns copos fora do trabalho. Caso fosse necessário para a história, Penélope Cruz, Jennifer Lawrence, Jennifer Aniston e Amy Adams podiam ser quatro amigas que tinham em comum uma paixão por mim. Por fim, Morgan Freeman seria o narrador do filme. Se fosse cantor/músico teria um álbum em conjunto com Lenny Kravitz, Jay Kay e Adam Levine. Sam Smith participaria num tema e Ana Moura emprestava a voz quando fosse necessária voz feminina. Dave Grohl seria o baterista do álbum e Slash o guitarrista. Mark Ronson seria o produtor do álbum. Podia ser assim.

uma declaração de amor que o deixa em pé

Anda a circular pelas redes sociais aquela que parece ser uma declaração de amor que Raul Meireles dedicou à mulher, Ivone Meireles, no dia do seu 29º aniversário. Quando vi a imagem pela primeira vez pensei que se pudesse tratar de uma brincadeira. Que não passava de uma montagem que alguém tinha feito ou de uma conta falsa. Hoje, recebi a imagem (obrigado Sílvia) e dediquei um pouco mais de atenção à mesma. Depois de uma pesquisa, encontrei notícias sobre a imagem, o que me leva a acreditar que se trata de algo real que alguém retirou da conta pessoal que Raul Meireles tem no instagram. A imagem é esta.


“29 anos e continuas a cumprir bem a tua missão, deixar-me com ele sempre para cima e principalmente fazes de mim um homem feliz. Parabéns amiga, mulher, bagaço... adoro o teu cu! (29 anos and sexy)”, escreve o excêntrico jogador. Estas palavras (ou esta declaração de amor) têm chocado algumas pessoas. Na minha opinião, batem certo com a imagem que tenho de ambos.

Não me choca esta declaração de amor que consideram diferente. E pergunto: quem nunca disse algo do género na sua vida privada? E realço que esta declaração não foi divulgada numa conta pública. Trata-se da conta pessoal do jogador português, à qual poucas pessoas (99) têm acesso. E foi uma delas que decidiu partilhar este momento que deveria ser apenas do casal e de quem lhes é mais próximo. Acho que ficaria mais surpreendido se fosse partilhada uma declaração de amor mais “tradicional” porque não é essa a imagem que tenho do casal.

O amor é o que os casais querem fazer dele. Que todas as pessoas encontrem quem cumpra “bem a missão”, que o (seja o que for) deixe “sempre para cima” e que “principalmente” faça a outra pessoa feliz. E que “adorem” o que tem de ser adorado. Cada qual à sua maneira, com mais ou menos excentricidade.

estás aqui para me servir porque eu pago

Neste texto falei sobre as gratificações. Devemos ou não dar gorjeta? Desta vez, coloco-me do outro lado. Que foi o meu durante alguns anos em que trabalhei em diversos locais que implicavam atendimento ao público. Durante essas experiências profissionais, aquilo que mais me incomodava eram os clientes cujos argumentos passavam por coisas como: “porque eu pago” e “está aqui para me servir”, apenas para dar dois exemplos da forma como muitos clientes lidam com funcionários das mais variadas lojas.

Numa altura em que trabalhei numa grande loja de materiais de construção tinha a meu cargo o corredor onde estavam os sacos de cimento que, caso não me esteja a enganar, pesavam 25 quilos. Num dia fui abordado por um cliente que quis saber onde estavam os sacos. Acompanhei o cliente ao local. Perguntei se precisava de algo ou de alguma informação e ordena-me, com uma postura de superioridade, que lhe carregasse um ou dois sacos. Perguntei se tinha algum problema físico e se necessitava de ajuda. Afirmou que não, salientando que estava ali “para o servir”. Expliquei que estava ali para atender e ajudar no que fosse possível mas que não tinha como missão servir quem quer que fosse. Ficou indignado, gritou comigo, fez tudo e mais alguma coisa. Ainda lhe perguntei se queria reclamar e expliquei o que teria de fazer. Acabou por carregar o(s) saco(s).

Este é apenas um exemplo da estupidez de algumas pessoas que olham para os funcionários das mais diferentes lojas como pessoas inferiores que estão ali para o que lhes apetecer. Posso dizer que carreguei muitos sacos de cimento e muitas latas de tinta, apenas para dar dois exemplos, mas essa não era a minha obrigação nem nenhum chefe me obrigava a que o fizesse. Ajudava quando as pessoas precisavam e quando notava que a ajuda, mesmo sem ser solicitada, era desejada. Quando a postura era a deste homem, explicava o que tinha a explicar, ajudava nas informações que pudesse ajudar e depois voltava às minhas funções.

Outras palavras que os funcionários ouvem muito (e ouvi diversas vezes) é “porque eu pago”. Normalmente, é o caminho de quem não tem argumentos. Não se sabe o que responder a alguém, recorre-se ao argumento do dinheiro como quem diz ao funcionário que tem de se sujeitar a tudo porque está numa posição inferior. O cliente pode ser parvo, pode dizer as maiores asneiras do mundo, pode não ter razão e estar a comprar algo completamente diferente do que afirmou desejar mas aos seus olhos nada disso importa porque está a pagar. E isso dá-lhe, aos seus olhos, toda a razão do mundo. Felizmente, o dinheiro não compra tudo. Mesmo numa loja. E um belo exemplo de algo que o dinheiro não compra é educação (refiro-me à mais importante e aquela que não se aprende em nenhuma universidade) e classe.

sexo impossível. eles vs elas

Encontrei estes desenhos, da autoria de Zach Weiner, no 9gag. Gosto do tema abordado e também da forma como está explicado. Indo directo ao assunto, trata-se de sexo. Mais especificamente sexo impossível com dois super-heróis, sendo um deles masculino e outro feminino. Ambos dizem à mulher e ao homem, respectivamente, que não podem ter sexo com eles porque a sua força seria letal. Ficam as reacções de ambos.





Agora, fica a pergunta: estas reacções estão próximas da realidade? Será mesmo assim?

29.1.15

aparecer é fácil

Nos dias que correm é fácil aparecer. Qualquer pessoa que se esforce minimamente consegue ter os seus cinco minutos de fama. E a realidade em que vivemos proporciona isso com relativa facilidade. "Ferramentas" como o youtube, facebook, blogues e os mais diversos programas televisivos, entre muitas outras coisas, são meio caminho andado para que as pessoas que desejam ou ambicionam ser destaque nas mais diversas áreas consigam o seu espaço. Dito de outra forma, o marketing pessoal tem todas as ferramentas e mais algumas ao seu dispor.

Algo impensável num passado não muito longínquo. Não é preciso recuar muitos anos para encontrar uma realidade distinta. Onde as ferramentas eram menores. E onde só os bons conseguiam ter destaque. Porque quando apareciam já tinham sido filtrados ao máximo. Eram poucos os que faziam o percurso até ao fim. Ou que fingiam ter qualidades que não têm. A esmagadora maioria perdia-se pelo caminho. Ou seja, não tinham aquilo que era necessário para chegar onde todos queriam estar.

Apesar da facilidade em aparecer não considero que o talento seja ignorado pela maioria das pessoas. Ou que se tenha perdido ou desvalorizado com o tempo. Como já referi, aparecer é fácil. Permanecer é algo completamente diferente. Comparo o permanecer de agora com o aparecer de antigamente. Todos conseguem os seus cinco minutos através das mais diferenciadas estratégias. Mas poucos são aqueles que conseguem outros cinco minutos. E ainda menos são aqueles que permanecem ao longo do tempo. E isto é algo que não se consegue com os requisitos mínimos para os tais cinco minutos de exposição.

Quero acreditar que existe uma espécie de selecção natural. Ou uma máquina que tritura e cospe tudo aquilo que não interessa e que não presta. Tudo aquilo que não merece mais do que cinco minutos de exposição. É por isso que existem bandas que conseguem um hit e desaparecem cinco minutos depois. E também actores que ainda nem atingiram os cinco minutos e pensam que já têm uma estatueta dourada nas mãos acabando por desaparecer. E estes são apenas dois exemplos dos muitos que poderia dar.

É certo que existe o famoso factor c que não pode ser ignorado. Mas mesmo a cunha não dá para muito mais do que cinco minutos. Porque sem o talento necessário ou as qualidades exigidas para algo, a porta que a cunha abriu irá ser fechada assim que os créditos do factor c se esgotem ou assim que um projecto ou empresa esteja destinada ao fracasso. Abençoado filtro ou máquina de trituração que destrói ilusões de muitos mas ajuda tantos outros.

lisbonita e lisberdade

De um modo geral tendemos a desvalorizar o que está por perto ao mesmo tempo que elogiamos a beleza que não é nossa e que está longe da nossa realidade diária. Assumo a minha quota-parte de culpa neste domínio. Mas sempre que estou por Lisboa, quer seja em trabalho ou em lazer, percebo que é uma cidade especial e das mais belas do mundo. Cada edifício parece contar uma história. Cada pedra da calçada parece ter uma característica única. E quando se vê a cidade do Castelo de São Jorge todos os problemas vão embora. E há apenas uma palavras que se destaca: liberdade!




as dietas dos famosos. aquelas que todos copiam

As celebridades mundiais têm o poder de criar tendências. Se dizem que (ou aparecem com) a peça de roupa x está na moda, ela esgota. Se dizem que os sapatos são os melhores do mundo, muitas vão a correr para comprar antes que esgotem. Em muitos casos nem usam as coisas que promovem mas o facto de a figura x promover o artigo y é mais do que suficiente para ser um verdadeiro sucesso. Depois existe uma pequena nuance neste domínio que diz respeito à alimentação. Quando algumas pessoas descobrem as dietas dos famosos entendem logo que se aplicam a si e toca de imitar o plano alimentar das maiores estrelas mundiais.

Foi isso que fez a escritora e jornalista Rebecca Harrington que submeteu-se às dietas de Gwyneth Paltrow, Elizabeth Taylor, Karl Lagerfeld, Marilyn Monroe, Cameron Diaz, Madonna, Greta Garbo, Victoria Beckham, Beyoncé, Jackie Kennedy, Sophia Loren, Pippa Middleton, Carmelo Anthony e Dolly Parton. Rebecca submeteu-se a cada um dos regimes alimentares durante dez dias e a experiência resultou no livro I'll Have What She's Having: My Adventures in Celebrity Dieting. E o resultado é curioso.

Por exemplo, só conseguiu seguir a dieta de Karl Lagerfeld durante quatro dias por excesso de cafeína. O estilista bebe dez Coca Colas Light por dia. Além disso, considera o pão tostado um alimento de luxo e dorme sempre sete horas, independentemente da hora a que se deite. Os nervos estavam em franja com o excesso de cafeína e acabou por desistir. Nos quatro dias perdeu dois quilos. Imitar Greta Garbo também não correu bem. O pequeno-almoço era composto por sumo de laranja com dois ovos batidos, bebendo também leite com levedura e melaço. “O pior batido de todos”, defende. Quando terminou este tinha menos quatro quilos e má cara.

Quando foi a vez de alimentar-se como Beyoncé, perdeu dez quilos em dez dias. Neste caso eram necessárias duas horas de exercício físico por dia e muitas proteínas. Rebecca considera a alimentação saborosa mas em quantidades muito pequenas. O escape era a refeição de pizza e vinho, algo que Beyoncé come uma vez por semana. Por outro lado, apreciou imenso a alimentação de Gwyneth Paltrow. “Tudo o que come é delicioso e saudável. Graças a ela descobri o sumo de repolho que passei a beber com frequência. Faz-me sentir virtuosa”, explica. Como conclusão da experiência Rebecca assume ser incapaz de viver assim.

Acho que este é daqueles livros que devem ser lidos por quem segue tendências sem pensar minimamente no motivo pelo qual está a imitar algo que alguém faz. Quando o tema é roupa ou acessórios, imitar não tem qualquer implicação na saúde, apenas na imagem. Agora, quando se come como alguém tendo apenas por base a ideia de que se funciona com os outros tem de funcionar comigo, é algo preocupante. E que pode ter implicações sérias na saúde.

estou preso nisto



“To me you are more than just skin and bones. You are elegance and freedom and everything I know. So come on and... Baby let your hair down. Let me run my fingers through it. We can be ourselves now. Go ahead, be foolish. No one's on the clock now. Lying in this simple moment. You don't gotta worry now. Just let your hair down. Tell me when, tell me when, tell me when. When I can steal a sweet kiss right from you. I'm diving in, I'm diving in, I'm diving in. The water's warm right here."

28.1.15

terei a saúde em perigo? temos todos?

Ouvi na rádio que um estudo dá conta de que ter muitos amigos é bom para a saúde. Parece até que aumenta a esperança de vida. Quando ouvi isto comecei a pensar nos amigos que tenho. Recorri a um filtro para separar os conhecidos dos amigos verdadeiros. É certo que não especificaram o tamanho ideal da rede de amigos mas pelas minhas contas não tenho assim tantos. E refiro-me a amigos verdadeiros. Faço a distinção entre pessoas que conheço e os amigos no verdadeiro significado da amizade. E facilmente percebo que tenho, como costumo dizer, poucos e bons. Ou seja, os suficientes. Só não sei se o meu número de amigos é suficiente para estar inserido neste estudo. Ou se, pelo contrário terei a saúde em perigo por não ter “muitos” amigos. Tal como não sei se os amigos do facebook e os conhecidos que fingem ser amigos contam como amigos neste estudo. É que se assim for, acho que todas as pessoas têm garantida uma saúde de ferro. Caso não seja, acho que todos temos a saúde em perigo.

teoria da conspiração

Gosto de teorias da conspiração. Quanto mais rebuscada melhor. Tal como aprecio quem defende a sua teoria com unhas e dentes, agarrando-se a todos os detalhes que eventualmente possam deixar as pessoas a pensar na teoria, questionando se existe alguma veracidade na mesma. Neste momento, anda a circular na Imprensa internacional uma destas teorias que envolve Cristiano Ronaldo.

Após cinco anos de namoro, Cristiano Ronaldo e Irina Shayk colocaram um ponto final na relação. Desde então surgiram diversos rumores para a ruptura. Um deles é que Cristiano Ronaldo não terá gostado de ver Irina Shayk protagonizar cenas íntimas com Dwayne “The Rock” Johnson no filme Hércules. Defende a teoria que o jogador português terá tido uma crise de ciúmes e que realmente terá existido uma aproximação entre a manequim russa e o actor e lutador de wrestling.


Tudo isto ganha contornos de teoria de conspiração quando The Rock partilhou esta imagem nas redes sociais. Onde se vê uma camisola que utilizou no Royal Rumble, um evento da WWE. Na mesma pode ler-se “People´s Champ”, a alcunha de Dwayne Johnson. As palavras são acompanhadas de um enigmático número sete, que aparentemente nada tem a ver com The Rock (ou que não tem por hábito utilizar) mas que é o número que Cristiano Ronaldo carrega na sua camisola. Isto fez com que aquela peça de roupa fosse vista como um recado para o português. Depois de ter visto o instagram de Dwayne Johnson, decidi adicionar um capítulo a esta teoria.


The Rock partilhou recentemente uma imagem onde se está a rir encostado a uma parede onde se lê “intimidado”. Na legenda, escreveu ainda: intimidado? Que acompanhou com as hashtags #nah #algumasvezespertodebrownies #edemulheres #masdevoroambos. Pegando na teoria inicial pergunto: será que esta imagem é uma resposta a uma eventual intimidação de que possa ter sido alvo por parte de Cristiano Ronaldo? Será mais uma indirecta para o jogador? Ou esta teoria da conspiração não faz sentido desde o início? 

o revoltado moderno

Existem algumas pessoas que fazem parte do grupo a que chamo “revoltado moderno”. Para começar, defendo que todas as pessoas conhecem pelo menos um revoltado moderno. Mas o que é um revoltado moderno? São aquelas pessoas que se revoltam e indignam contra tudo e contra todos. Existe uma característica que define os revoltados modernos. São pessoas que se revoltam e indignam com tudo aquilo que não faz parte das suas vidas. Estão constantemente revoltados e indignados com aquilo que os rodeia.

Por exemplo, o revoltado moderno indigna-se com os problemas dos amigos e colegas de trabalho. Leva as situações mais a peito do que os visados das mesmas. E, além da revolta e da indignação, têm solução para tudo. “Faz isto, faz aquilo. Não podes ficar assim. Responde. Se fosse comigo era assim e assado”, são alguns exemplos das palavras ditas pelos revoltados modernos. O revoltado moderno transporta também a sua indignação para o online. Por exemplo, se não gostam de uma notícia lida num qualquer site de uma qualquer publicação deixam comentários onde está exposta a sua revolta e indignação. Mesmo que seja perante algo que não interessa a ninguém. E o revoltado moderno aplica este tipo de reacção aos blogues, trocas de emails entre amigos ou colegas e por aí fora.

Resumindo, o revoltado moderno revolta-se com tudo aquilo que não passa de uma realidade distante que em nada influencia a sua vida. Até ao momento em que tudo muda. Até ao momento em que os problemas passam a ser seus. Até ao momento em que é obrigado a lidar com determinada realidade. Até ao momento em que alguém o trata abaixo de cão. Até ao momento em que é insultado na sua vida pessoal ou profissional. Até ao momento em que lhe é feito algo que não tolera nos outros. Qual é a reacção do revoltado moderno neste momento?

Será que tem solução para tudo, tal como tem para os problemas dos outros? Claro que não! O revoltado moderno cala-se. Mete o rabo entre as pernas. Baixa a cabeça. E quando alguém pergunta porque está a reagir assim, já que se revolta e indigna com tudo o que envolve os outros, explica que é melhor ficar calado. Que não vale a pena arranjar mais confusão. Nestes momentos, o revoltado moderno não se queixa nem lamenta o que quer que seja. Simplesmente, come e cala.

Aquilo que diz que faz e acontece na realidade dos outros não se aplica à sua. E toda aquela raiva, que não sabe ou não tem coragem de descarregar com quem a motivou, vai ficando acumulada. Amontoam-se doses e mais doses de raiva motivadas por problemas seus que foi incapaz de resolver. Até que surge um amigo, colega ou conhecido com um problema. Até que surge outra situação qualquer que o revoltado moderno aproveita para dizer e fazer tudo aquilo que não sabe ou não tem coragem de fazer num problema seu. Assim é o revoltado moderno.

isto sou eu


Isto sou eu. Todos os dias. Com especial incidência durante a manhã e ao final do dia, quando no trânsito. Ocasionalmente é algo que também acontece no local de trabalho, em saídas com amigos ou mesmo no ginásio. É algo incontrolável. Que não tem cura. E ainda bem que assim é.

27.1.15

verdade ou mito #85

“Desculpa”, é algo que algumas pessoas dizem com facilidade. E algo que outras pessoas têm uma enorme dificuldade em dizer. Mas será que os pedidos de desculpa acarretam uma grande dose de sinceridade? Ou será que são, na sua maioria, despidos de qualquer sentimento de arrependimento, não passando de algo que as pessoas dizem apenas para que a outra se cale. Ou seja, será verdade que 70% dos pedidos de desculpa não têm qualquer significado para quem os profere? Ou será mito? Porque quando se pede desculpa é com sinceridade. Verdade ou mito?

achas que sabes tudo?

Existem histórias que ouço e que nunca mais esqueço por considerar que são verdadeiras lições de vida. Esta foi partilhada por Luís de Matos, numa entrevista concedida a Daniel Oliveira, no programa Alta Definição (peço desculpa se estiver enganado). Não me recordo se a história foi protagonizada pelo mágico ou por um amigo. Mas isso pouco importa. O que tem relevo é mesmo o momento e o seu significado.

A história (real) teve lugar num comboio. Onde viajava Luís de Matos ou o seu amigo. Que estava instalado numa zona mais reservada e mais cara do comboio. Numa determinada estação pai e filho entraram no comboio. E foram para a mesma zona onde estava calmamente instalado o ilusionista ou amigo. O pai era a calma em pessoa. Ao contrário do filho que estava bastante agitado.

O pai permanecia calado. Por sua vez, a criança corria, saltava e gritava. Algo que incomodava os restantes passageiros que tinham gasto mais dinheiro para estar descansados durante a viagem. Com o passar do tempo o pai permanecia calmo. Enquanto a criança estava cada vez mais agitada sem que o pai nada fizesse. O que incomodava ainda mais os passageiros. Até que um deles decidiu confrontar o pai do rapaz.

“Já viu o que o seu filho está a fazer? Está a incomodar os passageiros”, disse-lhe.

“E o senhor nada faz”, acrescentou.

“Peço imensa desculpa. Mas acabámos de vir do hospital onde a minha mulher, mãe dele morreu. Se me souber dizer o que fazer para o acalmar terei todo o gosto em o ouvir porque não sei mesmo o que lhe dizer ou fazer”, explicou o pai.

A leitura deste momento vai depender de pessoa para pessoa. Certamente existem pessoas que defendem que nada têm a ver com a morte da mãe da criança e que não têm de ser incomodados pelo mal dos outros. Haverá quem ache que todo aquele aparato e passividade do pai são mais do que aceitáveis. Mas acho que facilmente se percebe que não sabemos tudo dos outros apenas com base num detalhe que nos incomoda (ou não) e é também certo que nos preocupamos com coisas que em nada afectam a nossa existência.

sobre isso da publicidade

A publicidade está presente na vida de todas as pessoas. Todas as pessoas, sem excepção fazem publicidade, quer seja profissionalmente ou pessoalmente. Um exemplo muito básico passa pela divulgação da fotografia da camisola nova da loja xpto nas redes sociais. Aqui, para já, não está em causa se é remunerada ou não. O que importa é que se trata de publicidade. E o mesmo se aplica à divulgação do restaurante yz onde se comeu uma mariscada deliciosa. Como diz o povo, a melhor publicidade é aquela que passa de boca em boca. E essa, todos nós fazemos.

Depois, existem as mais diferentes estratégias de marketing das quais não vou falar porque não é a minha área. Mas, e no papel de consumidor, noto que existem diferentes estratégias. Existem marcas que apostam em força na divulgação de algo. Por exemplo, quando decidem ser a “falsa” capa de todos os jornais no mesmo dia. Ou quando optam por ter um anúncio a passar ao mesmo tempo nos principais canais televisivos, entre muitos outros exemplos. Nada disto incomoda os clientes. Duvido que exista alguém que se dê ao trabalho de chatear uma marca a questionar porque é que têm o mesmo anúncio dez vezes no mesmo intervalo de um programa de televisão.

Porém, tudo muda quando as marcas (que não fazem mais do que seguir uma tendência) apostam em divulgar o que quer que seja num blogue. Quando isto acontece, é um verdadeiro tsunami. As pessoas revoltam-se. Chamam todos os nomes e mais alguns aos autores dos blogues que querem – e isto é um dado adquirido da parte de quem lê - fazer deles pessoas parvas. De forma resumida, é isto que acontece quando um produto ou serviço é abordado em diversos espaços que as pessoas – e isto é importante referir – optam por ler de livre e espontânea vontade. O dramatismo é ainda maior quando se trata de um blogue pessoal – outro dado que convém salientar – de alguém que é jornalista.

Quando isto acontece, todos os valores das pessoas que escrevem algo são postos em causa. Sou da opinião que as pessoas podem e devem manifestar o seu desagrado perante algo que entendem ser errado. E isto aplica-se a este tema como em tudo na vida. Porém, existem diferentes formas de manifestar o desagrado perante algo. Existe o desagrado aliado à ignorância que passa por dizer disparates regados a ódio ou a outra coisa qualquer e sem nenhum sentido. São críticas vazias de conteúdo. E existe o desagrado inteligente que é levado a cabo por pessoas que se dão ao trabalho de analisar as situações de modo a que possam fazer uma crítica com pés e cabeça. E é a falta de inteligência ou a inexistência de uma capacidade de análise que me surpreende mais no momento de criticar alguém. Mais uma vez, neste tema ou noutro qualquer.

Choca-me que uma pessoa não consiga ler cinco, dez ou vinte coisas sobre um tema e perceber as diferenças entre as mesmas. Que não perceba o que foi feito sem qualquer conhecimento sobre o tema – seja ele qual for – abordado e o que foi feito com conhecimento de causa. Choca-me que uma pessoa não consiga perceber o que motivou um texto, seja ele publicado num blogue, num jornal ou numa revista. E que ao não gostar de um e considerar o mesmo incorrecto, coloque os outros quatro, nove ou dezanove no mesmo saco. Isto não é mais do que falta de capacidade de análise.

Centrando-me nos textos publicados nos blogues, não percebo como é que alguém que lê textos onde estão escritas coisas como “fui convidado a conhecer” ou “fui convidado a experimentar” se pode sentir enganado no momento da leitura. Tal como me recuso a acreditar que as pessoas não tenham a inteligência necessária para perceber as diferenças entre um texto, esteja publicado num blogue ou noutro formato qualquer, que é escrito com base na experimentação de algo de outro que não tem qualquer experiência associada. Cada pessoa sabe como funciona mas dar uma opinião sincera sobre algo é algo completamente diferente de impingir o que quer que seja.  E isto é tão fácil de perceber num texto como somar um mais um. Não querer ver isto ou as diferenças entre estas duas realidades é optar por ser burro.

Saindo dos blogues mas ficando ainda no jornalismo, quase todas as publicações – sobretudo as revistas – têm páginas com “novidades”. Essas páginas são feitas por jornalistas. Será que isto não é publicidade? Outro exemplo, quando um jornalista especializado em vinhos sugere vinhos na página de uma qualquer publicação. Isto não é publicidade? Quando um jornalista, especializado em viagens, vai a um hotel num qualquer destino e depois faz uma reportagem sobre o destino. Isto não é publicidade? Quando as pessoas estão a ler este tipo de artigos, e podia dar muitos outros exemplos como entrevistas que são feitas para promover filmes, discos, livros e outras coisas, será que ficam indignadas? Será que enviam emails aos jornalistas ou às publicações a ofender quem está encarregue destes trabalhos, dizendo que não passam de publicidade? Ou será que quando acabam de ler dizem coisas como: este vinho está bem referenciado e é barato e este hotel tem bom ar e o preço está em conta com o nosso orçamento e é uma boa hipótese para as próximas férias? E as pessoas pensam no que motivou estas sugestões? Afastando-me um pouco da área, será que as pessoas se indignam quando um médico não receita o medicamento mais eficaz mas outro que lhe dá mais benefícios? E este é apenas um exemplo de coisas muito mais graves às quais as pessoas fecham os olhos.

Dei diversos exemplos de coisas associadas ao jornalismo que são publicidade. E às quais ninguém liga nenhuma. Com as quais ninguém se ofende. E muito bem. Porque considero que é possível sugerir um bom vinho de forma isenta, mesmo que exista uma ligação com o produtor que até oferece umas garrafas de tempos a tempos e estadias na sua quinta. Tal como é possível elaborar uma bela peça jornalística de uma viagem a um qualquer país, mesmo que a mesma tenha sido oferecida por alguém que deseja promover um local específico. A diferença está nos valores que regem a vida de cada um, jornalista ou não. Existe isenção associada à tal publicidade. Perceber isso ou ignorar é uma escolha pessoal. E volto a mencionar aquele que é o ponto que considero fulcral neste tema: é muito fácil perceber se existe isenção naquilo que se escreve.

nariz de bruxo?

O ano ainda agora começou mas o Carnaval está quase a chegar. Existem disfarces que são verdadeiros clássicos que se mantêm ao longo dos anos sem nunca passar de moda. Um deles é o de feiticeiro. Que sendo um clássico é também um daqueles disfarces de carnaval que facilmente se arranja. Basta uma espécie de túnica, um chapéu, uma varinha e também, para aqueles que desejam que nada falhe, um nariz característico e os respectivos pelos faciais.

Porém, a mais fácil das missões pode transformar-se em algo mais ou menos complicado. Por isso, para aqueles que estão a pensar mascarar-se de feiticeiro, fica um alerta relacionado com um objecto necessário para o disfarce. Tenham muito cuidado no momento de escolher o nariz que vão ostentar numa qualquer festa carnavalesca.



Provavelmente haverá quem olhe para estas duas imagens e vislumbre apenas dois modelos de nariz de feiticeiro. Nada mais do que isso. Quem tiver uma dirty mind activa irá ver algo mais. Algo que transforma um bruxo em algo completamente diferente.

26.1.15

factos

“Os factos não deixam de existir só porque são ignorados”, Aldous Huxley.

“Primeiro, informe-se dos factos; depois, pode distorcê-los quanto quiser”, Mark Twain.

“Agarre os factos, senão os factos agarram-no a si. E quando os tiver, apanhe-os bem, senão eles deixam-nos ficar mal”, Thomas Fuller.

“Se tiver todos os factos, o seu juízo será correcto; se não tiver todos os factos, não pode ser correcto”, Bernand Baruch.

“Um facto mal observado é mais pernicioso que um raciocínio errado”, Paul Valéry.

“Os factos são como os bonecos dos ventríloquos. Sentados no joelho de um homem sábio articularão palavras de sabedoria; noutros joelhos, não dirão nada ou dirão disparates, ou comprazer-se-ão em puro diabolismo”, Aldous Huxley

Ou, colocando tudo isto num saco e extraindo apenas uma frase da mistura destas seis citações, é melhor pensar antes de abrir a boca. E, como diria Abraham Lincoln, “é melhor estar calado e deixar que as pessoas pensem que é um idiota do que falar e acabar com a dúvida”.

existem dois tipos de pessoas

Um cenário hipotético. Um pessoa vai ter com um grupo de dez pessoas e diz algo como: “nem imaginam o que acabei de ver. O António, que é casado com a Maria, está ali no café xpto, aos beijos à Carla, que é casado com o Xavier, que por sua vez é o melhor amigo do António. Que vergonha”, diz a essas dez pessoas. Que por sua vez estão situadas a cerca de cem metros do café em questão onde está a ter lugar o tal escândalo amoroso.

Perante este cenário existem dois tipos de pessoas. O grupo maior, constituído por nove pessoas, vai acreditar no que acabou de ouvir. Esse grupo não vai questionar nada. Vai disparatar imediatamente. “Aquele gajo sempre teve ar de cabrão”, dizem uns. “E a Carla sempre andou metida com outros homens”, acusam outros. “Que pouca vergonha”, dizem em uníssono. Mas, estas nove pessoas não ficam por aqui. Pelo menos, na sua maior parte. Começam a ligar a outras pessoas a contar aquilo que acabaram de ouvir. Chegam mesmo a dizer que viram quando na realidade é algo que lhes foi contado por uma pessoa. De boato em boato, passados poucos minutos, Maria e Xavier estão a receber mensagens e telefonemas a alertar para o caso amoroso. “Conto-te isto para o teu bem”, é a forma como acabam as mensagens. “Tens a certeza?”, perguntam ambos. “Absoluta”, reforçam.

Depois, do tal grupo de dez pessoas existe uma, apenas uma, que duvida daquilo que alguém acabou de dizer. E que percebe que está apenas a cem metros do local onde os amantes estão aos beijos. E que decide ir até ao local para ver aquilo que foi contado pelos seus próprios olhos. Quando lá chega vê um casal aos beijos. Duas pessoas que aparentemente são parecidas com António e com Carla mas que, se beijam como duas pessoas que nada têm a esconder. Até que os beijos acabam e se levantam para ir embora. As pessoas que aparentavam ser António e Carla são na realidade um outro casal de namorados que estava no café.

Esta pessoa, a única que tomou esta decisão, decide voltar ao local onde estava com as outras nove. Quando lá chega, ainda lá estão. “Não era o António nem a Carla. Era um casal de namorados com parecenças físicas com ambos”, diz. “Quem te disse?”, perguntam os nove. “Ninguém me contou, Fui ver com os meus olhos”, afirma. “Não pode ser. Estás enganado. A não sei quantas (pessoa que espalhou o boato) não ia mentir”, respondem aqueles que optaram por não confirmar a história. “Lá estás tu a defender aqueles sem-vergonha. O que eles estão a fazer é uma vergonha e a Maria e o Xavier merecem saber a verdade. Fica-te mal estar a tentar encobrir o que estão a fazer”, disparam aqueles não foram ver o que se estava a passar mas que acreditaram naquilo que lhes foi contado.

Ciente que não teria sucesso perante aquele grupo, a única pessoa que se deu ao trabalho de descobrir a veracidade (ou não) do boato, entra em contacto com Maria e Xavier, informando que tudo não passa de um mal entendido motivado por um boato infundado. Explica que foi confirmar quem eram as pessoas e que percebeu que não eram António nem Carla. Por sua vez, Maria e Xavier tentam acreditar naquela versão. Querem acreditar que é verdade mas não param de pensar nas mensagens que continuam a receber de pessoas a quem os outros nove já contaram o boato. E ficam sempre na dúvida em acreditar na única pessoa que conta a verdade.

Trata-se de um cenário inventado (apesar de conhecer quem já tenha espalhado boatos destes com o objectivo de provocar o caos)  mas que reflecte a forma como as pessoas lidam com a informação que lhes é dada a conhecer. Gosto de acreditar na inteligência das pessoas e na capacidade pessoal de filtrar tudo aquilo que lhes é dito. Mas a realidade é que as pessoas tendem a questionar a verdade que lhes é contada pelo veículo dessa verdade ao mesmo tempo que aceitam, sem qualquer hesitação, ser meras marionetas de quem tem como único objectivo espalhar o mal, mesmo que esse mal tenha por base mentiras que estão a ser oferecidas como verdades inquestionáveis.

As pessoas não pensam naquilo que têm em frente aos olhos. Ninguém se importa de ser usado por alguém que só quer espalhar uma realidade falsa que desconhece por completo. As pessoas aceitam fazer figuras ridículas a mando de outros. Aceitam ser o alimento da burrice alheia. Mas, essas mesmas pessoas, quando se deparam com a verdade, têm uma gigantesca dificuldade em aceitar esses factos. É pena que assim seja. Mas também é um facto que cada qual escolhe aquilo no que quer acreditar.

os mínimos olímpicos da inteligência. isso ou o bin laden é o papa

No trânsito matinal estava a ouvir “+ ou – 2 minutos”, uma rubrica humorística da autoria de Joana Marques onde se abordam momentos caricatos que tiveram lugar num canal televisivo, numa rádio ou mesmo notícias publicadas nos diferentes jornais. Como acontece com alguma frequência, Joana Marques recordou um episódio protagonizado pelos concorrentes do Desafio Final 3 (Secret Story). Em específico, o momento em que a Voz quis saber o nome do Papa.

Como se chama o Papa foi a pergunta. Ouviram-se coisas como Dom Paulo, Ratzinger, aquele alemão que era general e outras coisas. Saliento desde já que um concorrente (cuja voz não reconheci mas parecia ser a de Carlos) parecia saber os nomes dos últimos Papas. Mas, aquilo que me “chocou” não foi chamar Dom Paulo ao actual papa ou chamar general ao antigo líder da Igreja Católica. Foi algo muito pior do que isso.

Uma concorrente do reality show disse que nome do Papa era Bin Laden. Realço que não defendo que os concorrentes deste tipo de programas tenham licenciaturas nas melhores universidades do país. Também não defendo que tenha de saber tudo e mais alguma coisa. Além disso, todas as pessoas, em algum momento das suas vidas, já deram uma patacoada. Já escreveram mal uma palavra ou já disseram um pequeno disparate em algum momento. Quem diz que nunca fez algo do género que atire a segunda pedra porque já todos atirámos a primeira.

Aquilo que defendo é algo como mínimos olímpicos da inteligência. Confundir Francisco, o nome do Papa, com o nome de um dos maiores terroristas de sempre é algo que me custa aceitar. Ainda por cima é escolhido o nome de um terrorista que morreu em 2011. Por mais que tente, não consigo perceber como é que alguém se recorda do nome de um terrorista quando lhe pedem o nome de um dos maiores (ou mesmo o maior) símbolos mundiais da paz e união. Um homem que já ajudou a derrubar barreiras que muitos julgavam impossíveis de fazer cair.

Não sei se é uma estratégia pessoal fazer-se de burro num programa deste género. Não sei se os concorrentes têm interesse (ou se ganham algo com isso) em mostrar uma ignorância muito maior do que a real. Aquilo que sei é que dizer que Bin Laden é o nome do Papa é algo que está muito longe dos mínimos olímpicos da inteligência. E que é algo que deveria envergonhar quem o diz.

era uma obsessão deles. é uma obsessão delas. ou é de todos?

Não preciso recuar muito no tempo para chegar a uma altura em que a forma física era uma obsessão masculina. Sendo mais específico, eram poucos os homens que não sonhavam com o abdominal definido. Ou seja, todos queriam um "six pack" de fazer inveja. E trabalhavam para isso como, em alguns casos, se fosse o objectivo de uma vida. Recordo os primeiros tempos em que andei no ginásio e lembro-me desse objectivo masculino como sendo um dos principais entre os homens.

Agora, cada vez mais encontro mulheres que fazem do seu abdominal definido uma “bandeira” do seu exercício físico. Nas redes sociais é cada vez mais frequente encontrar mulheres que exibem uma barriguinha de fazer inveja. Mulheres que treinam nos limites mas que no momento de mostrar os resultados desse esforço pessoal optam por partilhar imagens das suas barrigas trabalhadas que funcionam como uma espécie de cartão de visita de um corpo definido.

Aquilo que que era comum ser feito pelos homens, pelo menos na sua generalidade, é agora mais comum no sexo feminino. Agora, são elas que mostram os corpos trabalhados. São elas que dão o exemplo dos benefícios da aplicação e dedicação no que à prática desportiva diz respeito. Nas redes sociais é mais fácil encontrar mulheres a exibir os resultados do treino físico do que homens.

Aquilo que escrevi até agora pode soar a crítica. Mas não é. Longe disso. Gosto desta nova “tendência”. Aprecio mulheres que são um verdadeiro exemplo de dedicação ao treino. De resto, haverá que aprecie uma mulher com o abdominal definido e haverá que defenda que se trata de algo masculino. No meu caso, gosto de quem se preocupa com o corpo e de quem o trabalha desde que isso não seja a obsessão de uma vida que coloca para segundo plano outras coisas.

25.1.15

as imagens que faltavam

Quando escrevi este texto sobre a visita que efectuei à cozinha central do Pingo Doce, situada em Odivelas, pretendi desconstruir um vasto número de mitos que existem em torno deste tipo de locais. Tentei mostrar que as ideias associadas a locais como este têm por base argumentos que estão longe da realidade existente. E sobre isso não me vou alongar porque o texto dá a conhecer a minha opinião sobre esse assunto.

Na altura, diversas pessoas perguntaram por imagens. Perguntaram-me se podia partilhar fotografias da visita que efectuei. Como expliquei, não posso partilhar fotos porque as mesmas não são permitidas no interior da cozinha Pingo Doce, algo que se percebe facilmente. Contudo, partilho aquilo que me é possível partilhar daquele dia. Sendo que no facebook do blogue existem mais imagens do que aquelas que aqui partilho e que podem ser vistas aqui.









No final da visita fui desafiado a provar três “clássicos” Pingo Doce: creme de courgette com hortelã, arroz de pato e crumble de maçã de Alcobaça. Facilmente podia dizer que se trata da melhor comida do mundo, entre muitos outros elogios. Porém, prefiro um desafio. Coloquem os mitos de lado, provem a comida em questão e percebam se o sabor é “industrial” ou se sabe a comida caseira, em tudo parecida aquela que fazem em casa. E façam um teste com amigos. Marquem um jantar em casa, apresentem comida desta, digam que foram vocês que a cozinharam e surpreendam-se com os comentários que vão ouvir.




23.1.15

aposto que não consegues ver isto até ao fim

Aposto que ninguém consegue ver/ouvir isto até ao fim. Pouco posso adiantar sobre esta música que acho que tem qualquer coisa a ver com gaita-de-foles (julgo ser o nome do tema) e que é cantada por um grupo que se chama Sopa Sandu (peço desculpa se a tradução estiver errada). E quase que posso garantir que ouço algo como “o pai dele”, na música. De resto, sei que existem alguns vídeos com imagens de outros artistas mas com este som e vozes, o que dá um novo encanto ao tema. Deliciem-se... ou não!


Acho que quem conseguir cantar isto do princípio ao fim e conseguir imitar a coreografia na perfeição merece um prémio de elevado valor pois não é tarefa fácil. Só mais uma coisa.... “hu iu iu iu iu cand vi bade pe la noi sa nu vi fara cimpoi, da pa cimpoi da pa cimpoi joaca fetele la noi, hu iu iu iu iu da numa ase da numa ase”. Só mais uma coisa... alguém me explica a coreografia? Bom fim-de-semana.

para as mulheres que querem ser iguais a uma manequim da victoria´s secret. ou será para todas?

No início do ano aumenta substancialmente o número de pessoas que decidem praticar deporto. Algumas dessas pessoas não sabem o que fazer. Outras optam apenas por correr porque não querem (não podem ou por outra razão qualquer) gastar dinheiro num ginásio onde conseguem ter um treino adequado às suas necessidades. Outras afirmam que não praticam desporto porque não têm tempo para o praticar pois não conseguem sair de casa para o fazer.

Nesse sentido, partilho três dos quatro vídeos (o último ainda não foi disponibilizado) onde é possível descobrir o treino de Sara Sampaio e a forma como o anjo da Victoria´s Secret trabalha o corpo. Nestes três vídeos de curta duração é possível encontrar exercícios que podem ser feitos em casa e que são exemplificados pela manequim.




Brinquei com o título do post ao dizer que é para mulheres que querem ser iguais a uma manequim da Victoria´s Scret porque a protagonista dos vídeos é Sara Sampaio. A realidade é que este conjunto de exercícios é para todas as pessoas que procuram um estilo de vida mais saudável e que querem praticar (ou já praticam e procuram algo diferente do treino habitual) desporto e que, eventualmente, não sabem o que fazer. Mesmo para quem não quer ou não pode ir para um ginásio, é cada vez mais fácil encontrar dicas e treinos na internet. Mudar de vida é que ainda não está disponível em algo que o faça por nós. Isso depende de cada um.

sou oficialmente o pior noivo do mundo

Não sei se no Livro Guiness dos Recordes existe um espaço dedicado ao pior noivo do mundo. Se existir será totalmente dedicado a mim. Terá a minha foto. E também um pequeno texto onde se certifica que sou oficialmente o pior noivo do mundo. Neste domínio, serei apontado como um exemplo a não seguir por nenhum outro homem. Por outro lado, e em letras mais pequenas, os leitores do livro são remetidos para uma outra página.

Nesta nova página voltarei a ter um pequeno destaque que começa com a seguinte pergunta: “lembra-se do pior noivo do mundo?” Voltará a ter uma imagem minha, mais sorridente do que na outra, e aqui sou certificado pela originalidade que consigo ter enquanto noivo. Depois de ter sido apresentado, na publicação como o pior noivo do mundo e como um exemplo a não seguir, sou agora referido como um exemplo de que existe esperança para todas as pessoas. Mesmo para os maus noivos.

Pedi a minha “mulher” - com quem considero estar casado há muito – em casamento pela primeira vez há seis anos. Foi o pedido oficial e tradicional onde não faltou o anel de noivado que lhe faz companhia desde então. Por nos sentirmos casados e porque o casamento para nós será uma celebração do nosso amor junto de quem nos é especial, acabou por ser algo que foi sendo planeado aos poucos. E assim tem sido.

No dia 23 de Julho do ano passado, reforcei o pedido. Depois do anel de noivado oficial, optei por uma boneca vestida de noiva que tem também uma pequena caixinha com outro anel de noivado. Este momento serviu para reforçar um dos maiores desejos da minha vida. Foi a forma escolhida para dar a entender que é algo que desejo mesmo muito. Existem alguns detalhes que já estão “tratados” (pelo menos aos nossos olhos) mas tem sido algo que continua a ser feito aos poucos.

Como não há duas sem três, houve um novo pedido. Que não foi feito por mim. Deleguei essa missão numa rádio nacional. E na voz de outra pessoa que admiro. Foi a forma que encontrei para gritar ao mundo este desejo que vive em mim desde o dia em que o nosso olhar se cruzou pela primeira vez. Sendo o pedido menos pessoal foi o mais divertido com vários amigos a quererem saber a resposta da minha namorada ao mesmo tempo que nos dão os parabéns.

PS – Vejo-me como "o pior (mas original) noivo do mundo". Não sei se me vou ficar por estes três pedidos. Ou se vão existir mais. Aquilo que sei é que quero casar contigo. Muito mais do que queria ontem e muito menos do que vou desejar amanhã. Amo.te´nos mais que tudo!

porque hoje é sexta-feira

22.1.15

vamos a isto? qual é a tua escolha?

Hoje é dia de desafio. Um que considero bastante interessante e que tem por objectivo perceber a forma como as pessoas que por aqui passam encaram as suas vidas. É algo tão simples como isto: descreve a tua vida com o título de um filme.

(des)encontros (capítulo cinco)


Já sem whisky no copo, onde restavam apenas as duas pedras de gelo que não tinham tido tempo de derreter antes de acabar com a bebida, e depois de dois cafés, um hábito que tinha nas ocasiões em que bebia aquilo a que chamava de “sobremesa escocesa”, João preparava-se para ir para casa. “Vou embora puto que amanhã é dia de trabalho”, disse a Carlitos. “Quanto te devo?”, perguntou. “Esquece lá isso. Depois do que me contaste quase que sinto a obrigação de te oferecer aquilo que consumiste”, brincou Carlitos. “Obrigado”, disse acompanhado de um aperto de mão e abraço ao amigo.

A caminho de casa, os pensamentos dividiam-se entre o desejo de encontrar Sophia e as inesperadas palavras de Daniela. Era nisto que pensava, com maior incidência na vontade de voltar a estar perto da mulher com quem tinha estado apenas uma vez do que no desabafo de uma mulher que não era mais do que um episódio antigo e um capítulo encerrado da sua vida. “Como é que te encontro?”, perguntava a si mesmo a cada passo que dava. Até que começou a chover. A intensidade era fraca mas suficiente para João olhar para cima e desabafar. “O que mais falta acontecer?”, perguntou. Ainda as palavras não tinham acabado de sair da sua boca e a chuva aumentava de intensidade, passando de umas meras gotas que mal molham para uma quantidade de água suficiente para encharcar a roupa que trazia vestida.

Sem outra opção, e também porque a distância não era assim tão longa, João abriu o passo para chegar a casa. À medida que aumentava a intensidade da chuva, aumentava também a intensidade da sua passada que em pouco tempo deu lugar a corrida. E foi com a batida do coração acelerada que chegou ao prédio onde pode proteger-se da chuva que se fazia sentir aproveitando também para retomar a respiração normal. Foi então que levou a mão ao bolso direito das calças de ganga para retirar a chave de casa. Assim que colocou a mão direita no bolso sentiu a chave do carro que usava sem porta-chaves. “Nem me lembrava que tinha levado o carro para o café”, disse, começando imediatamente a sorrir. “Vou lá buscar o carro amanhã”, acrescentou já com as chave de casa na mão e enquanto limpava a água da roupa.

Já em casa, Bauer olhou para si com um olhar que desafiava um passeio nocturno. “Não olhes assim para mim. Está de chuva e vais sujar-te todo. Desculpa mas não te levo à rua”, explicou a Bauer que baixou a cabeça antes de se encaminhar para a sala, subindo para o sofá onde esperava a companhia do dono. Minutos depois João chegava ao sofá. “Vamos ver um filme?”, perguntou ao cão. “Que achas de Entre Inimigos?”, acrescentou como se estivesse a falar com alguém que iria escolher o filme a ver. Já o filme levava 23 minutos quando João voltou a dirigir-se a Bauer. “O DiCaprio já merecia um Oscar, não achas?”, disse com uma voz ensonada que não foi suficiente para acordar Bauer que já ressonava no sofá. Menos de dez minutos depois João também já estava num sono profundo.

Os ponteiros do relógio estavam a caminho das três da manhã quando João acordou atordoado sem perceber que dia era. Minutos depois percebia que a manhã de segunda-feira estava à porta e que era melhor ir para a cama. Com um olho fechado e outro aberto, percorreu a distância que separa o sofá da sua cama no triplo do tempo necessário, num percurso que foi acompanhado na sua totalidade por Bauer. Já na cama teve o discernimento de colocar o despertador para as sete da manhã. E o discernimento necessário para antecipar o acordar em meia hora a contar com o tempo necessário para ir buscar o carro que tinha ficado perto do café do amigo.

Quando o despertador tocou, João praguejou, como era hábito nas manhãs de segunda-feira. “Odeio este dia”, disse enquanto esfregava os olhos. Com receio de se atrasar, saltou de imediato da cama e despachou-se. Antes de ir buscar o carro teve ainda tempo para passar na papelaria habitual para comprar A Bola, jornal que gosta de ler ao pequeno-almoço. Já no café habitual, pediu uma torrada em pão alentejano com manteiga apenas de um dos lados do pão e uma meia de leite morna. Com que se deliciou enquanto devorava as páginas do desportivo ficando a par das últimas do mundo do desporto, nomeadamente do futebol, o desporto que mais acompanha.

Às 9h30 em ponto chegava ao trabalho. Pouco tempo depois estava na sua secretária. Apesar do seu departamento estar praticamente despido de gente, já tinha os headphones colocados, deliciando com as músicas de Wanted on Voyage, o álbum de estreia de George Ezra. A música era a fórmula encontrada para se afastar do ambiente do local de trabalho. Às 11h31 chegava o seu chefe. Que mal tinha entrado no escritório já estava a falar para si. “Vê lá se tiras essa porcaria dos ouvidos que estou a falar contigo”, disse-lhe. “Tenho isto nos ouvidos mas estou a ouvir-te. Não tenho o volume alto e não sabia que era proibido ouvir música durante o expediente”, referiu João.

“Não estou para te aturar. Vê lá é se me dás a merda do relatório que te pedi na sexta-feira à tarde e que nunca mais me envias. Deve ser a música que te atrapalha”, disse o chefe num misto de ironia e raiva. “Em primeiro lugar a música não me atrapalha. Existem vozes que me atrapalham mas essas não me fazem companhia na música. Depois, já viste o teu email? É que enviei-te a merda, como dizes, do relatório na sexta-feira”, argumentou João. “Ainda não vi o email. Não sabia disso”, referiu o chefe sem perder a postura de chefe que sabe tudo e tem sempre razão.

“Olha e sabes uma coisa. Quem não está para te aturar nem as tuas merdas sou eu. És um chefe intragável e estou farto de ti. Por isso, vai à merda e arranja outra pessoa para o meu lugar”, soltou João num tom de voz mais elevado enquanto arrumava as coisas para se ir embora. “João, não é preciso reagires assim. Tive um fim-de-semana complicado”, justificou o chefe. “Se não ouviste bem, volto a dizer, vai à merda”, reforçou voltando costas ao chefe e encaminhando-se para a saída do escritório perante o olhar de espanto dos colegas.

gorjeta: dar ou não?

Faço parte do grupo de pessoas que tem por hábito dar uma gratificação após um bom serviço. Sendo que, no meu caso, é normal isto acontecer sobretudo em restaurantes. Gorjetas noutros cenários é algo que acontece em situações pontuais. E que acabam por ser situações que também envolvem atendimento ao público. Por exemplo, se for comprar uns ténis e se for bem atendido, pago apenas o valor dos ténis. Não pago mais do que isso. Tal como não dou gratificação se for comprar roupa. E acredito que isto acontece com a maior parte das pessoas.

Acho que o acto de dar gorjeta a um funcionário passou a ser algo que é visto como uma obrigação (em alguns países é mesmo) e como uma falta de respeito quando não acontece, sobretudo nos restaurantes. Há quem defenda que a gorjeta não passa de um suborno. Existem aqueles que acreditam que é uma forma dos patrões pagarem ordenados mais baixos usando como argumento que o valor recebido mensalmente irá subir com as gratificações. E existem os funcionários que acreditam que um melhor serviço irá gerar uma melhor gorjeta. Uma coisa em certa, é algo que pode ser embaraçoso para alguns clientes no momento de pagar a conta.

Existem estudos curiosos sobre as gorjetas. Um estudo, elaborado por uma universidade norte-americana, revelou que o motivo que leva um cliente a dar uma gratificação é aleatório. Não existe nenhuma relação. E existe apenas uma diferença de 1% entre os clientes que assumem dar gorjeta porque tiveram um bom atendimento e aqueles que não gostaram do serviço. A título de curiosidade, nos Estados Unidos da América a gorjeta oscila entre os 15 e 20%. É também popular a pré-gorjeta que garante uma boa mesa e aparentemente compra um bom serviço. No Reino Unido ronda os 10%. Em Itália existe o Coperto – a soma de um valor a pagar de acordo com o número de lugares e o pão distribuído como entrada – que faz com que o cliente não tenha de dar mais nenhuma gratificação. Tal como aqui, também em Espanha não existem valores atribuídos. Em França é praticamente imprescindível. E existem ainda países onde nem sempre são aceites.

Acredito que se pega na cultura de certos países para transformar a gorjeta numa obrigação ou num dever moral que, quando não acontece, faz do cliente um mau cliente e um parvalhão. O meu barómetro de gratificações está ligado à qualidade do serviço prestado. É isso que me leva a decidir se dou ou não. Mas assumo que em muitos cenários, tal como na roupa, não dou gorjeta, por melhor que seja o atendimento. Aliás, trabalhei durante algum tempo em lojas de desporto e de roupa onde lidei com clientes que ficaram extremamente satisfeitos com o atendimento mas nunca me deram uma gratificação. Nem esperei que dessem. O obrigado era mais do que suficiente. Por isso, gorjeta: dar ou não?

se te lembras disto #9


Se estes pequenos soldados de plástico não te são estranhos, se tinhas um exército composto por dezenas ou centenas deles, se travaste as maiores batalhas da história na sala de estar da casa dos teus pais (que provavelmente refilaram contigo quando pisaram algum), no teu quarto ou mesmo fora de casa com os teus amigos, é porque tiveste uma infância espectacular que não foi pautada pelo mundo virtual mas por brincadeiras reais e divertidas que muitas crianças actualmente desconhecem.

21.1.15

lidar com haters

Os haters são um dos maiores fenómenos da Internet. São pessoas que criticam outras que na maioria dos casos não conhecem de lado nenhum mas com quem simplesmente não podem. Seja qual for o motivo, sendo que nem sequer são precisos motivos. Não gostam de alguém e gostam de deixar bem claro que não gostam, recorrendo aos mais diversos formatos para mostrar a sua revolta.

Regra geral, quando não se gosta de alguém, não se dá importância a essa pessoa. Quando o não gostar implica estar sempre a par daquilo que é feito por alguém de quem supostamente não se gosta, acho que isso implica um outro sentimento que não deve ser ódio. Essa obsessão constante dá a entender que se gosta mais de alguém do que o ódio que se tenta promover. É preciso ter alguém em muito boa conta para se transformar num hater dessa pessoa. Mas esta é apenas a minha modesta opinião e não é o motivo deste texto.

Depois, existe a forma como se lida com os haters. Pessoalmente, acredito que aquilo que um hater mais procura é atenção do seu alvo. Atenção essa que, idealmente, deve chegar vestida com um ódio ainda maior do que aquele que inicialmente motivou o ataque. É isto que move um hater. Uma resposta no mesmo tom que servirá para provar um vasto número de teorias.

Perante os ataques, há quem não lide bem com os mesmos. Existem os que cedem e que acabam por dar início a um "bate-boca" sem fim. Que tem tudo para descer de nível a cada resposta dada. Depois, existem aqueles que optam por ignorar. Aqueles que nem sequer estão a par dos ataques de que são alvo, preferindo centrar as suas atenções noutros aspectos da vida. Uma opção da qual sou adepto. Por fim, existem aqueles que gostam de responder. Mas que não o fazem com raiva. A resposta ao ataque é feita através de carinho e humor. Algo que faz com que a fúria de alguém se transforme num apontamento divertido.

Por exemplo, foi isso que fez João Manzarra. Que promoveu, na sua página oficial de Facebook, uma outra página, da mesma rede social, que é contra o apresentador. “Temos de ser uns para os outros, vamos lá dar uma força a esta malta”, escreveu. Na ligação é possível ver ainda um comentário que deixou na referida página. “Reparei que nos últimos 3 anos cresceram apenas 17 likes, o que para um projecto destes não é quase nada. Posso dar um empurrãozinho? Partilhar a vossa página? Qualquer coisa apitem.”, escreveu.

Esta atitude de João Manzarra remeteu-me imediatamente para uma divertida rubrica do programa de Jimmy Kimmel, onde diversas celebridades são convidadas a ler tweets negativos sobre si. Gosto deste tipo de atitudes porque se há coisa que um hater odeia é uma resposta divertida que faz de si o alvo do ataque, transformado em piada, a que deu início. Partilho um dos exemplos do que se pode ver no talk show.

quando falam de nós de forma inesperada

“Desenhador de Palavras: Homem Sem Blogue

A forma como se lê tem estado em mutação: de livros físicos e pesados passou-se para um pequeno e-reader, que pode alojar centenas — e até milhares — de livros com o peso de alguns gramas, e tornou-se também mais fácil publicar um livro: seja por facilidade de editoras, seja por facilidade em colocar um livro online. Este não é nenhum desses casos. É um livro? É um e-book? É uma publicação blogosférica? Bem, talvez seja um e-book blogosférico.

O Homem Sem Blogue é um blogue português, escrito por um jornalista de forma mais ou menos anónima, visto que, entretanto, o blogue passou a ter uma fotografia real do Bruno, o autor, na página inicial, e, além de incluir algumas publicações mais ou menos pessoais e opinativas, conseguiu surpreender quando Bruno decidiu publicar um texto intitulado de “Is this love?”.

Este texto, que viria a ser o primeiro de vinte capítulos, foi inicialmente publicado a 9 de setembro de 2013. Na altura era uma história solta, tal como Bruno comentou no blogue, mas o feedback recebido na altura fez com que decidisse continuar a história. E assim fez.

Em “Is this love?” é-nos apresentada a história de um rapaz e de uma rapariga, cujos nomes só sabemos mais tarde, que cresceram juntos e, por se terem afeiçoado um ao outro, acabam por se deixar influenciar pelos outros e consideram-se namorados. No entanto, à medida que vão crescendo, afastam-se e percebem que o que os une talvez não seja amor. Ou assim o pensam. Com a ida para a universidade, ela arranja namorado; ele arranja companhias diferentes para cada noite. Embora não combinem, todos os dias acabam por se encontrar num café, que ela frequenta com o namorado.

Um dia ela aparece sozinha no café e, para aproveitar uma oportunidade única, ele confessa-se apaixonado por ela e justifica todas as noites com mulheres diferentes como uma forma de tentar combater a solidão que ela criou quando lhe disse que namorava.

Fácil de ler, com capítulos curtos, cativantes, a vontade de os leitores lerem mais da história levou a vários comentários positivos. Os leitores não só queriam mostrar o agrado em relação ao que era publicado no Homem Sem Blogue, mas também queriam tentar adivinhar e sugerir desenvolvimentos.

Uma história com um desenrolar surpreendente e cuja publicação online, capítulo a capítulo, talvez tenha sido a maior arma de sucesso.”

Escrito por Sofia Costa Lima e retirado daqui.

Descobri este texto hoje quando a própria Sofia partilhou o link do mesmo num comentário que deixou no blogue. Fui apanhado de surpresa porque nunca pensei que aquilo que começou por ser um mero texto desse origem a mais dezanove. E muito menos esperava que pudesse resultar numa análise deste género. Com palavras e comparações inesperadas. É gratificante quando o nosso esforço e trabalho não passam despercebidos. Obrigado Sofia. E obrigado a todas as pessoas que por aqui passam diariamente ou ocasionalmente. Sem a vossa companhia não tinha piada.