POWr Multi Slider

13.11.15

ganho sete mil euros por mês (como primeiro ordenado)

Num destes dias, durante um almoço, um amigo partilhava a história de uma jovem portuguesa que tal como tantos outros, andava à deriva por cá. Leia-se sem oportunidades de trabalho. A pessoa em questão acabou por sair de Portugal. E encontrou o seu lugar ao Sol longe do seu País. Tem emprego, na sua área, e tem um ordenado de sete mil euros mensais. “Ordenado de início de carreira”, salientou o amigo que partilhou a história.

A brincar, mas não andando muito longe da verdade, referi que por cá era mais ou menos mil euros mas como ordenado de final de carreira. E gerou-se um pequeno debate em torno do tema. E todos concordamos que aquela pessoa não estava a ganhar muito dinheiro. O problema é mesmo o dinheiro que se paga por cá. E que parece tabelado para todas as profissões. E o pior de tudo é mesmo olhar para um ordenado de mil euros como ordenado de “luxo”.

Infelizmente os jovens e os menos jovens vão ter de continuar a procurar a sua sorte longe do conforto dos seus. Porque por cá as coisas não vão mudar. São entrevistas de emprego onde se querem estagiários para fazer todo o trabalho de uma equipa, poupando assim ordenados. Quando o estágio termina vem uma nova fornada e por aí fora. Quando não é estágio são valores ridículos. Mas que as pessoas não recusam. Porque não se podem dar ao “luxo” - que não o deveria ser – de recusar um valor tão baixo, seja por que motivo for.

E como há sempre alguém que aceita um valor baixo, esse valor é aproveitado por quem está a contratar. E se for possível ainda se baixa um pouco mais. “Não aceitas? Há quem queira e são muitos”, é aquilo que já ouvi da boca de diversos amigos que por sua vez ouviram isto nos locais de trabalho ou em entrevistas. E infelizmente isto tende a piorar em vez de melhorar.

14 comentários:

  1. As pessoas têm que começar a dizer não a quem lhes oferece salários que são um insulto. Quando as empresas não tiverem candidatos vão perceber...
    Eu sei...eu sei, é completamente utópico!
    Antes de trabalhar onde trabalho, ganhava 500€ (há 6 anos atrás), com licenciatura e mestrado e um cargo de responsabilidade. Tenho vergonha, mas mesmo muita de ter aceite. Mas desempregada e com contas para pagar uma pessoa agarra o primeiro que há. E será sempre assim, daí a hipótese de toda a gente rejeitar esmolas a quem alguém chama salário é completamente utópica.
    Quanto à minha situação em específico, agora olhando para trás, sinto muita vergonha porque o desespero cegou-me e tinha sido possível dizer não. Mas também só agora sei o que se passou a seguir, na altura não sabia o futuro. Depois, para piorar, demorei imenso tempo a saltar fora para outro sítio, também para arranjar emprego era dificílimo, mas podia ter-me esforçado mais.

    As pessoas têm que se valorizar! E têm que fazer valer o seu valor no mercado do trabalho.
    Mas é uma longa e parece-me que inglória luta...=(

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O pior é que haverá sempre quem aceita. E enquanto assim for, os ordenados vão sempre descer e as empresas vão aproveitar-se disso.

      Eliminar
  2. Trabalhei durante 1,5 anos numa empresa em Portugal, onde um engenheiro mecânico ganha aproximadamente 600 euros. Após esse período o próprio director sugeriu-me que muda-se de ares e apresentou-me uma filial em Angola onde passei a ganhar perto de 10x mais. Estou cá há dois anos e não acredito que num futuro próximo volte a trabalhar em Portugal. Posso não continuar aqui muito tempo, nem é esse o meu desejo, mas o mundo é muito grande para ser obrigado a ser explorado.
    Tal como dizes, há muitos amigos meus que também aceitam ordenados baixos porque "é o que há".
    Não digo que toda a gente devia ser obrigada a emigrar, aliás, ninguém devia ser obrigado a abandonar o seu país e os seus, mas se para evoluir e receber reconhecimento (pessoal e monetário) a isso somos obrigados, talvez só nos faça bem abrir as asas e alargar horizontes.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Infelizmente o reconhecimento, sobretudo financeiro, está longe daqui.

      Eliminar
    2. (ao reler o meu comentário reparei que está cheio de erros e construções frásicas mal feitas eheh)
      As pessoas têm de deixar de pensar apenas em Portugal. Vivemos numa sociedade global e não são 3 ou 4 horas de viagem (no meu caso 7h) que devem limitar a nossa liberdade.
      Por estranho que possa parecer, muitas das empresas fora de Portugal preocupam-se com o bem estar fisico e psicologico dos seus funcionarios e tentam proporcionar todas as condiçoes para que se apresente um bom trabalho. Atenção que não falo de empresas portuguesas a operar fora de Portugal... essas, exploram tanto dentro como fora. As mentalidades portuguesas, no geral, ainda são muito tacanhas e pequeninas

      Eliminar
    3. Muitas pessoas já me disseram isso que dizes mas custa-me estar longe da família. Na minha balança (e tendo em conta a minha situação) ainda prefiro estar por aqui.

      Eliminar
  3. Lamentavelmente.
    Acho que precisamos de um novo 25 de abril...provavelmente, menos pacífico.

    ResponderEliminar
  4. Eu estou a fazer estágio profissional e estou a receber um base de 695€. Depois do mesmo, se eu ficar lá o suposto é passar a receber o ordenado mínimo mas ao qual eu me vou opor. Faço mais do que é suposto, e ultrapassei o valor que me deram para eu fazer em nove meses quando eu nem devia ter um valor para fazer. E sei que muitos outros estão a precisar e corro o risco de ficar sem emprego mas as coisas andam assim porque não nos opomos ao que achamos que está incorrecto e ficamos calados. Eu não vou fazer isso. Comigo vai ser "ou 695€ ou vou embora". Se eles tiverem um pingo de consciência, sabem perfeitamente que eu tenho razões para o dizer para o "exigir".

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Depois entramos noutra coisa. Receber pouco e ter de fazer tudo, coisas que nem sequer são das nossas funções.

      Eliminar
  5. Olá, li o teu post e fiquei a pensar... Eu já emigrei por 2anos para ganhar um ordenado de 1.500,00€/mês, onde toda a responsabilidade recaía sobre a minha pessoa. Estava longe do meu país, longe dos que amo... Decidi regressar, sabendo que Portugal estava em crise e sem trabalho em vista. Felizmente ao fim de um mês arranjei trabalho, onde ganho pouco mais de 600,00€ /mês... todos os meses são meses de contar tostões para que as contas fiquem pagas. Mas uma coisa é certa, cá sou imensamente feliz. Cá estou em casa. Cá não tenho (tanto) medo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Essa balança depois é equilibrada por cada um. No meu caso é a família que me prende a Portugal.

      Eliminar