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20.10.15

portugal, um país que envergonha muitas pessoas

Portugal é um País pequeno. Conquistámos meio mundo mas somos apenas um pequeno rectângulo plantado à beira-mar. Temos cerca de dez milhões de habitantes. E muitas pessoas pensam que somos uma província espanhola. Há até quem ainda acredite que todas as mulheres portuguesas têm bigode. É verdade que temos aquele que actualmente é considerado o melhor jogador de futebol do mundo. Temos também aquele que muitos consideram o melhor treinador de sempre. Temos actores que estão a conquistar o seu espaço além-fronteiras. E temos também cientistas, arquitectos, entre muitos outros profissionais de excelência, que ajudam a colocar Portugal no mapa. Tal como temos manequins, e vou dar apenas o exemplo de Sara Sampaio, que ajudam a potenciar o nome deste pequeno grande País.

Temos também uma das melhores avenidas do mundo para fazer compras. Temos diversas cidades que aparecem em roteiros internacionais como um "must" a visitar. Já para não falar das nossas praias e campos de golfe que atraem turistas todo o ano. E o que dizer da nossa gastronomia que faz salivar a pessoa com o gosto mais requintado. Quem prova os nossos pratos não quer outra coisa. E podia passar horas a elogiar aquilo que temos por cá, já para não me esquecer dos nossos músicos que apaixonam e encantam os ouvidos mais exigentes. Tal como a palavra "saudade" que os estrangeiros tanto adoram e que não conseguem traduzir de maneira nenhuma.

Quando se trata de elogiar Portugal sou suspeito. Nem que seja pelo simples facto de que sou português. E acho que não estou errado quando digo que somos um povo que sabe receber. Não somos antipáticos para quem nos visita. Não tratamos mal quem cá vem. Pelo contrário. Somos reconhecidos pela nossa hospitalidade. Pelo forma simpática como recebemos quem cá vem. Algo que é reconhecido por muitos estrangeiros que cá vêm, que se apaixonam, acabando, em alguns casos, por cá ficar. E é por tudo isto, e por muito mais, que gosto de ver Portugal como um pequeno grande País. É certo que estamos atrasados em alguns aspectos. Mas naquilo que referi não ficamos a dever nada a ninguém. Acho até que os portugueses tendem a ignorar estas qualidades tão nossas.

Mas parece que mesmo assim, e quando revelamos tudo isto, continuamos a ser vistos, pelo menos por algumas pessoas, como um País pequeno. Um País que envergonha. E um País que é como uma nódoa no currículo de alguém. O que é pena. E um exemplo desta vergonha é Winnie Harlow. Que, para quem não sabe é uma manequim que esteve recentemente em Portugal. Winnie Harlow, e sem meias palavras nem rodriguinhos, é famosa porque tem uma doença, vitiligo, que se destaca pelo aparecimento de diversas manchas na pele. Se não fosse este facto seria apenas e só mais uma manequim no meio de milhões de manequins. E não seria notícia por nada.

Mas a sua diferença fez de si um exemplo. Um exemplo de luta contra a diferença. Fez de si uma manequim que faz com que muitas pessoas olhem para a moda com outros olhos. E este exemplo fez com que a GQ Portugal lhe atribuísse um prémio. "Role Model", foi o galardão que lhe foi atribuído. O que faria sentido. Mesmo ignorando o facto de que poderia ter sido entregue à "nossa" Sara Sampaio ou a Luís Borges, um manequim internacional que assumiu a sua homossexualidade e que tem também ajudado a quebrar barreiras dentro e fora do mundo da moda. O galardão ficava bem entregue a qualquer uma destas três pessoas. Mas ficava muito melhor nas mãos de quem não tenha vergonha de o receber.

E a ideia que fica é que Winni Harlow tem vergonha do galardão que recebeu. Ou melhor, do País que, ao contrário de muitos outros, a destacou pelo seu exemplo. E só a vergonha em relação ao nosso País explica que a manequim em questão tenha partilhado uma foto da gala mas que tenha decidido trocar o Portugal da GQ por nuvens brancas (foto aqui). E argumentar que apagou "Portugal" da imagem tal como apagava "praias" se isto fosse a GQ Praias é no mínimo ridículo. É certo que somos um País que recebe muito bem quem vem de fora. Mas às vezes fica a ideia de que mais valia receber mal algumas pessoas. Talvez assim percebessem que somos muito maiores do que o tamanho que aparentamos ter no mapa.

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