15.10.15

bateu-te? aposto que gosta de ti

Crianças que se pegam nas escolas/colégios é algo do mais normal que existe. Faz parte do crescimento dos mais novos. O que já não é assim tão normal é quando essas escaramuças terminam com uma das crianças no hospital a necessitar de assistência médica. E foi isto que aconteceu a Joni, uma menina, de quatro anos, que acabou no hospital, com uma ferida na cara, acompanhada pela mãe, Merritt Smith, depois de ter sido agredida por um menino na escola.

"Aposto que ele gosta de ti", foi o comentário do funcionário que recebeu mãe e filha no hospital. E estas palavras chocaram Merritt que decidiu partilhar o ocorrido na sua página de facebook. "Assim que ouvi o comentário, percebi que era ali que tudo começava. Com esta afirmação fica a ideia de que agredir pode significar gostar, e que isso pode justificar este tipo de comportamento", escreveu a mãe. "Naquele momento, magoada e num local que não conhecia, preocupada por talvez ter de levar uma injecção ou pontos, nós precisávamos da sua ajuda e as suas palavras reconfortantes transmitiram a ideia de que alguém que gosta pode bater", acrescenta Merritt que destaca a importância das mensagens que são passadas às crianças, defendendo ainda que não pretende atacar o hospital nem o funcionário nem sequer o menino (ou os pais) que agrediu a sua filha.

Existem diversas formas de olhar para esta situação. A mais fria é assumir que aquele funcionário está a passar a mensagem de que bater é aceitável. Analisar isto desta forma pode ser um exagero. Uma coisa era dizer estas mesmas palavras a uma mulher, por exemplo na casa dos trinta, que dá entrada no hospital depois de ter sido agredida pelo marido. "Bateu-lhe? É porque gosta de si", soava muito mal. Tendo em conta que se trata de uma menina de quatro anos, acredito (e a própria mãe assume isso) que o funcionário tentou aligeirar a situação à menina. No sentido de não criar uma barreira ainda maior em relação ao colega que lhe fez aquilo e à própria situação.

Todas as crianças (pelo menos a sua maioria) vão levar "pancada" dos colegas na escola. Uns vão ficar-se pela violência física e outros, infelizmente, vão ser vítimas de violência psicológica. E todos vão aprender, mais cedo ou mais tarde, que é algo errado. Que é errado bater. Tal como é errado atacar alguém psicologicamente. Mas durante todo esse processo todas as crianças vão ouvir que o outro menino ou menina não fez aquilo por mal. E isto entra no domínio do perdão. No saber perdoar uma criança que errou e que talvez não tenha noção do erro que cometeu. E isto aplica-se sobretudo às crianças. E não à tal mulher na casa dos trinta que, num hospital, provavelmente será encorajada a apresentar queixa do agressor.

Com isto não quero dizer que a explicação deva ficar por que diz "não fez isso por mal". As crianças devem perceber que agredir fisicamente ou psicologicamente não é correcto. Mas os primeiros a ensinar isto devem ser os pais das crianças. Que também devem ensinar o perdão e ainda a enfrentar as lutas que devem ser enfrentadas. E, quando acharem que se ultrapassou a barreira do aceitável, devem abordar as pessoas que, no seu entender, estão a dar maus conselhos aos filhos. Tal como ensinar os filhos a saber filtrar aquilo que ouvem.

Não pretendo defender o funcionário que disse que o menino que bateu gosta da menina. Tal como não pretendo atacar. Prefiro acreditar que foi a forma que encontrou para tentar animar uma menina que acaba no hospital depois de uma briga com um colega da escola, mesmo que eventualmente tenha escolhido mal as palavras para se expressar.

4 comentários:

  1. É uma situação complicada, pois nunca vamos saber ao certo qual a intenção desse funcionário, de qualquer forma consigo entender a indignação da mãe.

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    1. Compreendo a mãe mas também compreendo o funcionário.

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  2. Só para partilhar... na primeira ou segunda semana de escola (Jardim de Infância) a minha filha (de 2 anos quase 3) chegou a casa a dizer que a colega B. lhe tinha batido... no dia seguir a minha filha deu com a torradeira (de brincar) no nariz da B. ,hoje são amiguinhas (não sei até quando :) ). Mas sim é isso, acho que todos os miúdos acabam por dar e receber umas pancaditas, faz parte, desde que eles consigam resolver essas coisas entre eles e não se tornem graves...

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    1. Desde que não exista gravidade faz parte da vida deles.

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