17.9.15

isto fica por aqui. obrigado. foi um prazer. até um dia

Depois da operação ao tendão de Aquiles iniciei uma contagem decrescente de seis semanas, altura em que me ia libertar da tala gessada que me cobria parte da perna direita. Contava esse tempo porque era o momento em que iniciava a fisioterapia. Quando iniciei a fisioterapia mentalizei-me para três sessões de tratamentos, cada uma composta por vinte tratamentos. Ou seja, sabia que ia lá estar sessenta dias úteis seguidos. Aquilo que acabou por acontecer.

Ao longo destes dias tive sempre a mesma rotina. Entrava no gabinete do tratamento a laser. Dali mudava para outro onde se seguia o tratamento com ultra-sons. E ainda uma massagem. Dali mudava para o ginásio onde pedalava e fazia um vasto número de exercícios que tinham por objectivo devolver a mobilidade e elasticidade ao tendão. Exercícios esses que iam mudando consoante o tempo. Existia ainda o tratamento feito pela fisioterapeuta. Resumindo, todos os dias dedicava em média 1h45 minutos aos tratamentos. E foi assim ao longo dos últimos sessenta dias úteis.

Ao início era o meu pai que tinha de andar comigo de um lado para o outro pois não conseguia conduzir. Por isso, deixo aqui um gigantesco agradecimento ao meu pai pela paciência que teve comigo. Passei tempo suficiente na clínica para que diversas pessoas fossem de férias. Iam, voltavam e eu lá estava. Era assim com quem lá trabalha e era assim também com pacientes que também tiram férias, algo que nunca quis fazer.

Ao longo deste tempo assisti aos últimos tratamentos de diversas pessoas. E este é um dos momentos mais felizes que se podem ter numa clínica. Aquele momento em que um paciente se despede de todos. Não sei como é noutras clínicas mas naquela que frequentei estes momentos eram vividos com alegria por parte de quem termina os tratamentos e também por parte de quem lá fica que vê um “dos seus” deixar de ter a necessidade de efectuar tratamentos. E ao longo de todo este tempo contava os segundos para que chegasse o dia de ser eu a despedir-me de todos. E esse dia chegou hoje. Hoje fui eu que vi os sorrisos nos rostos das pessoas que me acompanharam ao longo deste processo, nem sempre fácil.

Quero acreditar que termino a fisioterapia sendo um homem melhor do que aquele que era quando lá entrei. Deparei-me com muitas situações que nem sempre são fáceis de digerir. Choro de pessoas que não aguentam as dores. Lamentos e muitas outras tristezas. Mas existe também o outro lado. O do convívio. O da alegria e o da superação com todos a puxarem pelos outros. Sempre com o objectivo de animar quem está mais desanimado. Fiz também um amigo que provavelmente não conhecia se não estivesse ali e agrada-me a ideia de que fui útil para ele.

Por isso, e porque fui ensinado a revelar gratidão a quem a merece, quero agradecer às pessoas que partilharam esta longa aventura comigo. Quero agradecer ao Rui, à Amália e à Gilsa pelos tratamentos, massagens e conversas. Quero agradecer à Mafalda, ao Zé e sobretudo à Sandra pelos tratamentos no ginásio. Um obrigado especial à Sandra que puxou sempre por mim e que me levou a superar cada uma das metas. Obrigado também ao sr. António, tantas conversas que tivemos na sala de espera, à dona Custódia, a “vizinha” que puxava por mim e que tinha sempre uma piada para animar as pessoas e a tantos outros pacientes cujos nomes não sei mas com quem trocava algumas palavras de incentivo.

É impossível também não agradecer à minha família, em especial aos meus pais e à minha mulher, as pessoas que tiveram uma participação bastante activa nesta recuperação e as pessoas que mais sofreram com a minha mobilidade reduzida ao longo de tanto tempo. Sem o vosso apoio e amor tinha desistido de tudo muito depressa. São muito mais importantes do que aquilo que podem imaginar e nunca conseguirei agradecer o suficiente. As minhas desculpas por isso. E um grande beijo à sobrinha mais linda do mundo, a minha, que fez um desenho lindo onde o tio tem uma perna esquisita. Assim o momento fica guardado para sempre.

Hoje foi dia de dizer isto fica por aqui. Obrigado. Foi um prazer. Até um dia. Mas a luta não acaba aqui. Superei apenas mais uma etapa. Agora luto “sozinho” para resolver aquilo que será o regresso à normalidade a resolver. E parte desta luta terá lugar no ginásio onde conto com o apoio do meu melhor amigo para voltar a ter as duas pernas iguais. O coxear praticamente já desapareceu. E vamos à luta para resolver o que falta.

Não posso terminar este texto sem deixar o meu agradecimento a quem por aqui passa e que fez questão de deixar uma palavra de incentivo nos momentos que fui partilhando sobre a recuperação. Não imaginam o bem que sabe ler palavras e partilhas de histórias de pessoas que não conheço pessoalmente mas que mesmo assim dedicaram parte do seu ideia a animar-me. Obrigado a cada um de vocês.

8 comentários:

  1. Por momentos pensei que ias abandonar o blogue... logo agora que há poucos dias cheguei aqui e adorei ter cá estado que tenho voltado diariamente...
    Afinal são boas notícias! Parabéns e muita, mas muito rápida recuperação... agora por ti mesmo! O evoluir da nossa saúde é sempre uma boa notícia, melhor que ganhar o euromilhões!!! ;)

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    1. Muito obrigado pelas palavras. Para já não penso acabar com o blogue ;)

      A saúde é mesmo melhor do que o euromilhões.

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  2. De nada :D Sempre ás ordens

    www.pensamentoseepalavras.blogspot.pt

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  3. Ainda bem que já estás mesmo quase recuperado, fico contente por ti :)

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  4. Isso é que são boas notícias!! : )) Ainda bem que o processo está a finalizar. Faz bem em agradecer. Todos precisamos de apoio em algum momento da vida. E merece tudo de bom!
    Continuação de rápidas melhoras! Bom fds!
    Mata Hari

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    1. Está na recta final. Agora é continuar "sozinho".

      Obrigado e boa semana.

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